Menopausa, palavras-território e desigualdades de gênero integram debates do XII Colóquio ALED Brasil
Pesquisadoras do INCT Caleidoscópio apresentaram trabalhos sobre discurso, gênero, raça, decolonialidade e interseccionalidades durante encontro realizado na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.
A menopausa na literatura, as relações entre linguagem e movimento indígena LGBTQIAP+ e as experiências de mulheres indígenas estiveram entre os temas apresentados por pesquisadoras do INCT Caleidoscópio no XII Colóquio ALED Brasil 2026.
Realizado de 6 a 9 de outubro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, o encontro reuniu pesquisas de diferentes vertentes dos estudos do discurso em torno do tema “Discurso, gênero, raça, classe e interseccionalidades”.
Criada em 1995, a Associação Latino-Americana de Estudos do Discurso (ALED) articula pesquisadoras e pesquisadores de diferentes países e perspectivas teóricas. No Brasil, seus colóquios fortalecem o diálogo entre os estudos do discurso e questões sociais que atravessam a América Latina.
O tema desta edição dialogou diretamente com pesquisas desenvolvidas no INCT Caleidoscópio sobre gênero, raça, sexualidade, desigualdades, decolonialidade e interseccionalidades.
Com diferentes objetos e perspectivas, os trabalhos apresentados se conectam pela investigação de como a linguagem participa da produção, manutenção e transformação das desigualdades, aproximando os estudos do discurso de debates sobre território, memória e justiça social.

Da menopausa em metamorfose às palavras-território
Entre os trabalhos apresentados, Jacqueline Fiuza da Silva Regis, pesquisadora, coordenadora da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, bolsista Conhecimento Brasil do CNPq e vice-coordenadora do CIP Caleidoscópio, apresentou “A Menopausa em Metamorfose: uma breve análise discursiva crítica do conto de Mariana Enriquez”.
A partir do conto Metamorfosis, Jacqueline examinou como a narrativa aborda o corpo, as dores e questões consideradas íntimas relacionadas à menopausa, evidenciando a recorrência da falta de informação sobre essa fase da vida. A pesquisa articula a análise discursiva crítica às experiências corporais e à saúde da mulher, discutindo como a menopausa é representada na literatura.
Já Viviane de Melo Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio, participou da mesa “Discurso, raça, decolonialidade”, na qual apresentou o trabalho “Sobre a inclusão da pauta LGBTQIAP+ no movimento indígena: metáforas e palavras-território” realizado em colaboração com Tchella Maso e Yara Martinelli. A pesquisa analisa manifestos indígenas LGBTQIAP+ e propõe a noção de palavras-território, estabelecendo relações entre linguagem, corpo, terra, memória, ancestralidade, afeto e ação política.
As apresentações integraram uma programação de conferências, mesas-redondas, minicursos e comunicações que aproximaram diferentes vertentes dos estudos do discurso de questões sociais e políticas contemporâneas.
Outras pesquisadoras do Instituto também aproximaram discurso, identidade, território e interseccionalidades. Priscilla Araújo de Figueiredo Freitas em parceria com Viviane Resende apresentaram “Contribuições interculturais em linguagem-sociedade em pesquisas de mulheres indígenas brasileiras”, enquanto Keithe Souza Matos Abdel Hamid abordou as (re)existências da palestinidade feminina diaspórica no Brasil no trabalho “Memórias que palestinam em nós”.
Corpos, trajetórias e narrativas atravessadas por raça e gênero
Os debates também contemplaram experiências de racismo, colonialidade e reconhecimento profissional. Na mesa “Discurso, raça, decolonialidade”, Litiane Barbosa Macedo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentou “Professoras negras na universidade: discurso, (des)colonialidade e reexistência”, pesquisa que discute como raça, gênero e colonialidade atravessam o ingresso, o reconhecimento e a permanência de professoras negras na universidade, articulando literatura sobre trajetórias e relatos autoetnográficos.
Na mesma mesa, Vinicius Nascimento, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apresentou “Meu corpo pode ser um texto? Cenas de racismo na atuação de intérpretes de Libras-português”. A análise parte de situações vividas por intérpretes negros para discutir como o racismo pode operar na coisificação do corpo negro e no apagamento da identidade profissional.
Por sua vez, a mesa “Literatura, gênero e raça” reuniu diferentes formas de pensar as relações entre linguagem, poder e desigualdades. Florentina da Silva Souza discutiu discursos de mulheres negras; Orison Bandeira Júnior abordou a violência contra dissidências de gênero e sexualidade nas literaturas africanas; e Amanda Julieta Souza de Jesus apresentou discussões sobre mulheres negras e Literatura Negro-Periférica no Brasil.
Enquanto no eixo temático "Discurso, Gênero e Interseccionalidades", a pesquisadora Ana Paula Rabelo e Silva (UNILAB/INCT Caleidoscópio/LabEC) apresentou sobre a "Rede Lusófona de Pesquisa em Linguagem e Sociedade no Sul Global".






Foto: Arquivo INCT Caleidoscópio no XII Colóquio ALED Brasil 2026.