O Giro do MEInstruAÇÃO na semana em que se celebra o dia da Dignidade Menstrual: dialogos, trocas de experiências e vivências com corpos menstruantes diversos

O Giro do MEInstruAÇÃO na semana em que se celebra o dia da Dignidade Menstrual: dialogos, trocas de experiências e vivências com corpos menstruantes diversos

Escrito por: Equipe Projeto MEInstruAÇÂO.

Na semana em que celebramos o Dia Internacional da Dignidade Menstrual, dia 28 de maio, colaboradoras do Projeto MEInstruAÇÃO participaram de diversas iniciativas em Brasília e em Santiago do Chile.

A convite do Instituto Alana, o projeto MEInstruAÇÃO incubado no INCT Caleidoscópio, participou, na quarta-feira, dia 27 de maio, na Câmara dos Deputados, do evento Alana Idea Fest 2026, com o tema “Ser menina não deve doer: as dimensões do direito à dignidade menstrual e o mapeamento legislativo no Congresso Nacional”.

Devido à participação das coordenadoras do projeto, as professoras Maria Carmen Aires Gomes e Thayane Campos, no 7 Encuentro Latinoamericano de Educación, Salud y Activismos Menstruales: Legitimando epistemologías menstruales, em Santiago do Chile, no mesmo período, Mariana Araújo, aluna de mestrado do Programa de Pós-graduação em Linguística da UnB, e colaboradora do MEInstruAÇÃO, esteve representando a equipe do projeto no Alana Idea Fest 2026.

Mariana Araújo, com tempo de fala na tribuna, além de apresentar a missão e as frentes do Projeto MEInstruAÇÃO, ressaltou também a importância de uma abordagem multidimensional, decolonial e interseccional para falar sobre a saúde menstrual, e em extensão da precariedade e dignidade menstrual, a fim de contemplar grupos historicamente invisibilizados, como homens trans e pessoas não binárias em suas diversas interseccionalidades.

"Foi muito gratificante participar do Alana Idea Fest e poder representar o Projeto MEInstruAÇÃO na Câmara dos Deputados, ao lado de parlamentares e outras pessoas ativistas pela causa da dignidade menstrual. O engajamento de crianças e adolescentes do Instituto Alana e do movimento Girl Up Brasil nos dá esperança de um futuro mais digno para as pessoas que menstruam", diz Mariana Araújo.

Integrando as atividades do Alana Idea Fest 2026, evento realizado em parceria entre o Instituto Alana e a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, o Observatório Nacional da Mulher na Política (ONMP) lançou oficialmente a coletânea Saúde das mulheres: dados, evidências e reflexões para a elaboração de políticas públicas. Uma produção articulada entre a Comissão de Saúde, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e a Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, além da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Centro Universitário Facol (Unifacol) e do Centro Acadêmico da Vitória da Universidade Federal de Pernambuco (CAV/UFPE). 

A coletânea é o resultado de chamada pública promovida pelo ONMP, em 2025, da qual participaram as professoras Maria Carmen Aires Gomes e Thayane Campos com o texto “MEInstruAção: rompendo o silêncio para ressignificar a menstruação na promoção da saúde menstrual”, disponível no link aqui.

Imagem: Saúde das mulheres: dados, evidências e reflexões para a elaboração de políticas públicas/Disponível em: Biblioteca Digital Câmara dos Deputados.

No dia 27 de maio, à tarde, Mariana e Camilly R. C. do Nascimento, aluna de Enfermagem FCTS/UnB e bolsista do projeto, participaram da segunda parte do evento, no SesiLab, onde assistiram às rodas de conversa e às sessões de filmes sobre dignidade menstrual. Ainda aproveitaram a ocasião para distribuírem publicações resultantes do projeto, financiadas pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).

“O evento em si foi muito enriquecedor no sentido de reconhecer diferentes cenários e histórias que atravessam os obstáculos de menstruar. Foi possível identificar através de relatos de experiência das pessoas presentes que pessoas que menstruam são postas em situações de constrangimento por algo que é fisiológico e natural do corpo, aquele olhar externo de algo “sujo” e “nojento”, mas ao mesmo tempo ter a sensibilidade e o conhecimento de identificar que sentir dor não deve ser normalizado. Dai a importância de conhecer o próprio corpo e os sinais de alerta que ele nos dá.”, relata Camilly.

Mariana e Camilly fazendo circular a publicação. Fotos: Arquivo projeto MEInstruAÇÃO.

“O evento sobre dignidade menstrual promovido pelo Instituto Alana trouxe uma reflexão muito importante sobre a saúde menstrual, a proteção da infância e o respeito às necessidades das meninas e mulheres, especialmente no ambiente escolar. Foi possível ver e sentir através dos depoimentos o quão é difícil essa realidade principalmente para PCD,s. No meu dia a dia presencio frequentemente, pois trabalho na sala de recursos e a cada dia crianças ficam menstruadas mais cedo e muitas vezes, não sabem como agir ou o que fazer. Além da falta de orientação e informação, as famílias também enfrentam dificuldades para lidar com esse  momento. No entanto, foi significativo e estou até pensando em preparar um momento com os pais a respeito do tema.”, diz Noêmia Ribeiro de Assis, mãe da bolsista Camilly, que a acompanhou no evento.

No dia 28 de maio, Dia Internacional da Dignidade Menstrual, Mariana Araújo, Maísa Luana Felix Mendes, Mariana Policarpo e Amanda Garcia, respectivamente, pesquisadora PPGL/UnB e estudantes de Enfermagem e bolsistas do Projeto, estiveram presentes no evento de encerramento do Alana Idea Fest, no Brasília Palace Hotel.

Além de assistirem aos painéis sobre precariedade menstrual, endometriose e dor pélvica, trocaram conhecimentos, experiências e afeto com as jovens ativistas do Girl Up Brasil, que receberam alguns exemplares do livro "Da precariedade à dignidade menstrual: ressignificando narrativas em ações de letramento crítico", organizado pelas professoras Maria Carmen Aires Gomes, Alexandra B. de Carvalho e Elisa Mattos, disponível no link aqui. Esse livro foi lançado em julho de 2025 no congresso internacional da Associação latinoamericana dos estudos do discurso - ALED, em Belo Horizonte.

"A participação no Alana Idea Fest 2026 foi uma experiência extremamente enriquecedora tanto como integrante do Projeto MEInstruAÇÃO quanto como futura enfermeira. O evento proporcionou reflexões profundas sobre saúde menstrual, endometriose, dignidade menstrual, equidade de gênero e os impactos da dor na vida de meninas e mulheres, evidenciando a importância da escuta qualificada, do acolhimento e da construção de políticas públicas voltadas para esse tema. As discussões sobre a invisibilização da dor, as desigualdades raciais, a evasão escolar relacionada à menstruação e a necessidade de incluir os meninos nas conversas sobre saúde menstrual reforçaram aspectos que já fazem parte das ações desenvolvidas pelo projeto, além de ampliar minha compreensão sobre os desafios enfrentados por quem menstrua. Como estudante de enfermagem, foi especialmente significativo compreender o papel dos profissionais de saúde na validação das queixas, no cuidado humanizado e na promoção da educação em saúde. A acessibilidade presente em todo o evento também demonstrou, na prática, o compromisso com a inclusão e o respeito às diferentes necessidades dos participantes. Dessa forma, a experiência fortaleceu meu compromisso com a promoção da saúde menstrual, da dignidade e dos direitos de crianças, adolescentes e mulheres, contribuindo para minha formação acadêmica, profissional e cidadã.", diz Maísa Luana Felix Mendes.

AIF 2026 - Sesi Lab e Hotel Palace. Foto da equipe do projeto e as membras do Girls Up. Fotos: Arquivo projeto MEInstruAÇÃO.

Em Brasília, cidade sede do MEInstruAÇÃO, na referida semana, além das atividades em que a equipe do projeto participou, outras importantes e necessárias iniciativas aconteceram, como por exemplo a da ONG Criola que atua como uma das principais entidades que fiscalizam o Programa de Proteção e Promoção da Saúde e da Dignidade Menstrual, cobrando do Governo maior transparência, mais dados públicos e melhorias na execução da política pública. No dia 26 de maio, a instituição participou de uma audiência de conciliação com a União e diversos ministérios para cobrar soluções às lacunas e falhas na execução do programa, principalmente em relação ao acesso à retirada dos absorventes descartáveis, além da falta de transparência.

Nós do MEInstruAÇÃO nos alinhamos aos motivos apresentados pela Criola para cobrar soluções ao Governo já que em nossas ações de letramento crítico em educação menstrual emancipatória identificamos, nos relatos das estudantes, os mesmos problemas em relação à política pública.

“Como bolsista do projeto MEInstruAÇÃO consegui identificar que o nosso trabalho em letramento menstrual, como foco na ressignificação do tabu menstrual, é muito importante para quebrar esses paradigmas ruins, sem romantizar, mas espalhando informação e promovendo um ambiente de escuta e acolhimento sobre o tema.”, diz Camilly.

Todas as iniciativas arroladas nesta semana parecem ter ecoado no Governo Federal. Em reunião entre a ministra Luciana Santos, do MCTI, e a presidenta do Instituto Alana, foi estabelecida uma parceria para o desenvolvimento de pesquisa científica e de tecnologias em saúde menstrual, dor pélvica e endometriose no Brasil, com um incentivo de R$ 60 milhões. Desses, R$ 50 milhões serão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para soluções aplicáveis ao Sistema Único de Saúde (SUS). O Instituto Alana também destinará R$ 10 milhões para criação de uma rede nacional estruturante de pesquisa em endometriose, dor pélvica e saúde menstrual — formada a partir dos projetos selecionados pelo MCTI/CNPq.

Nós do MEInstruAÇÃO, atuando em escolas de ensino médio nas cinco regiões do país, desde 2023, reafirmamos a importância desta iniciativa para a saúde digna e segura das pessoas que menstruam - todas aquelas que têm útero - porque são muitos, e até mesmo violentos, os impactos socioeconômicos e políticos que afetam a vida destas pessoas, desde baixa autoestima, isolamento social, até geração de renda.

"Além de dados sobre precariedade menstrual, um aspecto interessante debatido no evento foi sobre endometriose, condição que afeta centenas de pessoas que menstruam e que ainda é pouco estudada e notificada. Um levantamento realizado pela Vital Strategies Brasil, em parceria com o Instituto Alana e a Prefeitura de Recife, escancarou o atual cenário de subnotificação da endometriose: a análise dos prontuários da rede de saúde pública de Recife revelou um número 21 vezes maior de casos de endometriose do aqueles que foram diagnosticados. Pesquisas como essa são de extrema importância, já que uma experiência menstrual digna inclui viver sem dor.", diz Mariana Araújo.

Já em Santiago do Chile, na semana de 27 a 30 de maio, Maria Carmen Aires Gomes e Thayane Campos, participaram do 7 Encuentro Latinoamericano de Educación, Salud y Activismos Menstruales: Legitimando epistemologías menstruales, apresentando à comunidade de educadoras menstruais, ativistas e pesquisadoras, os resultados das atividades e parcerias realizadas pelo projeto em 2025, com o lançamento da coletânea “Quebrando as regras em propostas didáticas para uma educação menstrual emancipatória no Ensino Médio”, organizada por Maria Carmen Gomes, Thayane Campos, Alexandra Carvalho e Carolina Ramirez. Disponível no link aqui.

Lançamento Livro Thayane Campos e Maria Carmen Gomes. Fotos/Divulgação.

“Para uma educadora menstrual e colaboradora do Projeto MEInstruAÇÃO, participar, pela primeira vez, do 7nto Encuentro vai além de ir para um evento para apresentar um trabalho. Esse encontro foi um momento de partilha, aprendizagem, conexão e caminhos que se cruzaram em um espaço seguro e necessário para discutir a multidimensional idade da menstruação 🩸 Foram dias de construção de redes com representantes de 15 países diferentes. Dias de não apenas confirmar presença em um evento, mas de estar presente com todos os nossos sentidos apurados e sendo contemplados, a partir de dinâmicas e oficinas que nos proporcionam um olhar para nós, para então, podermos olhar para as/os outras(os).”, relata Thayane Campos, Coordenadora Acadêmica do MEInstruAÇÃO.

Encontro do Brasil com México, Colômbia, Ecuador, Portugal. Fotos: Arquivo projeto MEInstruAÇÃO.

Além do lançamento do livro, Maria Carmen coordenou o painel sobre: Educación y salud menstrual en el ámbito universitario: Experiencias investigativas y prácticas, onde problematizamos como estudar a menstruação no âmbito universitário, e se esse tipo de pesquisa implica unir a investigação acadêmica e a ação prática. Também refletimos sobre como propor políticas de permanência estudantil em articulação com um programa de dignidade menstrual e quais são os desafios de implementar programas desse tipo em universidades que ainda seguem e sustentam um sistema moderno-colonial cis-heteropatriarcal.

Por fim, Maria Carmen e Thayane apresentaram o trabalho Como falar de menstruação com meninos e homens cis: relatos de experiência a partir da Educação Menstrual Emancipadora. A forma como meninos/jovens e homens percebem a menstruação e a relação deste fenômeno com suas próprias vidas é um campo ainda pouco explorado em pesquisas científicas, tornando-se um território relativamente inovador.

“Observamos que os conhecimentos, ou a compreensão, dos homens sobre a menstruação são limitados e podem sustentar o tabu menstrual, levando os jovens a violentarem intencionalmente ou inadvertidamente quem menstrua, afetando negativamente seus relacionamentos com as mulheres. Os conhecimentos dos jovens são, frequentemente, constituídos pelas mídias sociais, influências socioculturais e uma diversidade de experiências escolares e familiares, nem sempre adequadas ou suficientemente informativas.”, diz Maria Carmen.

Maria Carmen na mesa sobre como falar de menstruação com meninos. Arquivo Projeto MEInstruAÇÃO.

Omitir, ou isentar, meninos/homens da educação sexual em geral e da educação sobre menstruação em particular é problemática e pode ter implicações na maneira como eles se relacionam não só com meninas/mulheres, até mesmo na tomada de decisões reprodutivas, mas também com as pessoas transmasculinas e não binárias. Foi uma importante contribuição que o Projeto levou ao debate para uma comunidade atenta, que estuda e produz conhecimentos decoloniais e emancipatórios sobre a temática na América Latina e Caribe.

"Para a equipe ter participado de todos esses eventos, em territórios distintos, dialogando e trocando experiências e vivências com corpos menstruantes diversos, só reforça o nosso compromisso ético-político com a produção de conhecimentos situada e corporificada sobre a menstruação para que tenhamos um ciclo sem dor, com dignidade e segurança.", diz Maria Carmen, coordenadora geral do projeto.

As coordenadoras do projeto destacam a importante fala da educadora menstrual e pesquisadora mexicana Aurora Macias Rea, na plenária de abertura, que diz:

“La invitación es a, nada menos, que mirar la riqueza de nuestros modos de pensar y de hacer, abrimos a su comprensión para tomar posesión de los lugares legítimos que son nuestros. la invitación es a reconocermos personas de conocimiento que crean en sus própios términos, que hacen epistemologías mesntruales, es decir, formas própias de hacer y de pensar desde y para el cuerpo menstruante .”, fala de Macias Rea.

Por isso, falar de dignidade menstrual, é falar de justiça menstrual e direitos humanos, porque sabemos que o acesso a tecnologias menstruais é somente uma das múltiplas dimensões dentro do amplo conceito de saúde menstrual, que inclui:

  • acesso a informações seguras e adequadas à idade sobre menstruação e práticas de autocuidado e higiene;
  • acesso a artigos de higiene e de contenção e/ou absorção do fluxo, além de serviços de apoio (como água limpa, saneamento básico e local privado para fazer a troca e/ou descarte dos materiais usados);
  • acesso a cuidados e tratamentos (como medicações) para dores (dismenorreia) e distúrbios relacionados ao ciclo menstrual, como a Endometriose e a SOMP - Síndrome do Ovário Metabólico Poliendócrino;
  • vivenciar um ambiente positivo e livre do tabu menstrual;
  • participar de atividades sociais, acadêmicas e laborais livres de exclusão ou discriminação relacionadas ao ciclo.
1ª Marcha LGBTQIA+ Indígena faz história no Acampamento Terra Livre (ATL) 2026

1ª Marcha LGBTQIA+ Indígena faz história no Acampamento Terra Livre (ATL) 2026

Escrito por: Azzy Melo.

Indígenas LGBTQIA+ tiveram seu espaço na caminhada dos povos indígena ao congresso aconteceu em Brasília, dia 9 de abril de 2026, um ato que fez parte da organização da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). Uma caminhada que não é só física, mas também histórica de afirmação, de pertencimento e de luta por direitos, respeito e visibilidade do movimento indígena no Brasil.

Marchamos lado a lado com parentes de todo o Brasil, levando nossas vozes, nossas cores e nossas resistências. Essa caminhada não é só física, mas também histórica: de afirmação, de pertencimento e de luta por direitos, respeito e visibilidade”, afirmou uma das lideranças presentes.

Acompanhando o ato, pesquisadoras da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio estiveram presentes e registraram a marcha como parte de seu compromisso com a luta indígena LGBTQIA+, bem como com o fortalecimento dessa luta coletiva. Durante a manifestação, as pesquisadoras caminharam juntas em coletivos indígena, distribuíram material informativo para sobre questões de gênero junto aos povos indígenas e registraram imagens. 

A Rede Arandu contribui para a aproximação da academia aos movimentos sociais, inserindo seus participantes na participação dessa luta coletiva, considerando a autonomia e a organização social desses grupos. Dessa forma, permanecer nessa posição implica perceber que é a partir dessas relações que nascem textos e relatórios capazes de subsidiar políticas públicas e ações de defesa de direitos.

Essa luta jamais seria possível sem as articulações dos coletivos indígenas, entre eles o Coletivo Tybyra, o Instituto Ipakey, o Coletivo Caboclas, Miriã Mahsã, Coletivo Juind, o Coletivo Diversidade do Vale (CODIVA) e outros coletivos do todo o Brasil. Para os organizadores, a presença maciça desses grupos reafirma o compromisso com a promoção da diversidade, da dignidade e dos direitos dos povos indígenas LGBTQIA+.

A presença indígena LGBTQIAPN+ no ATL mostra que o movimento indígena tem espaço para pensar sobre gênero e sexualidade. E que essa diversidade é força, é ancestralidade, é continuidade. Seguimos unidos com o objetivo de que todas as existências indígenas, em sua pluralidade de corpos, identidades e expressões, sejam plenamente reconhecidas e respeitadas.

Rede Arandu produz nota técnica sobre violências contra pessoas indígenas LGBTQIA+ no Brasil: confira na íntegra!

Rede Arandu produz nota técnica sobre violências contra pessoas indígenas LGBTQIA+ no Brasil: confira na íntegra!

Escrito por: Flávia Belmont de Oliveira

Autoria de Flávia Belmont de Oliveira, pesquisadora de pós-doutorado do INCT Caleidoscópio - Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Pesquisadora da Rede Colaborativa de Pesquisa Arandu - Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

À Coordenação de Políticas para Indígenas LGBTQIA+
Ministério dos Povos Indígenas; à Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania,

Estimadas(os),

Conforme acordado em reunião realizada em outubro de 2025, venho, como pesquisadora do INCT Caleidoscópio e da Rede Arandu - e com supervisão e parceria da Prof. Dra. Tchella Maso -, encaminhar a nota técnica intitulada: Sobre violências contra pessoas indígenas LGBTQIA+ no Brasil: limites dos dados oficiais, urgência de escuta qualificada e ações intersetoriais.

Reconhecemos a importância de instrumentos institucionais como o Disque 100 enquanto canal estratégico de denúncia e produção de informações sobre violações de direitos humanos, ao mesmo tempo em que apontamos para a necessidade de seu contínuo aperfeiçoamento.

O texto apresenta análise sobre as múltiplas violências que atingem pessoas indígenas LGBTQIA+ no país, destacando os limites dos dados oficiais disponíveis, as lacunas nos sistemas de notificação e a necessidade de aprimoramento dos instrumentos de registro e monitoramento. A nota ressalta, também, a centralidade de processos de escuta qualificada e territorialmente contextualizada para a formulação de políticas públicas adequadas às especificidades étnicas e socioculturais.

Colocamo-nos à disposição,através da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio, para aprofundar o diálogo com o Ministério dos Povos Indígenas e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com a finalidade de contribuir para a construção de políticas públicas comprometidas com a vida, a dignidade e os direitos das pessoas indígenas LGBTQIA+.

Acesse a nota técnica na íntegra: Sobre violências contra pessoas indígenas LGBTQIA+ no Brasil, limites dos dados oficiais, urgência de escuta qualificada e ações intersetoriais

Podcast “Nós Somos – Tybyras do Brasil” grava sua segunda temporada durante o Acampamento Terra Livre na edição de 2026

Podcast “Nós Somos – Tybyras do Brasil” grava sua segunda temporada durante o Acampamento Terra Livre na edição de 2026

Escrito por: Azzy Melo

Lançado no dia 9 de abril de 2026, o podcast “Nós Somos - Tybyras do Brasil” é uma produção da Rede Arandu no eixo temático Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica do INCT Caleidoscópio. Em formato digital disponível no Spotify, a proposta conecta o público à narrativas sobre gênero e sexualidade a partir da escuta ativa de relatos de pessoas indígenas LGBTQIA+.

A pergunta que fica é: como produzimos conteúdo quando o estúdio é a própria atuação dentro da maior mobilização indígena do país?

À primeira vista, para nós, gravar um podcast parecia uma atividade de possível controle. Microfone e demais equipamentos configurados com uma ou mais pessoas dispostas a falar sobre um roteiro prévio em um ambiente com isolamento acústico. Porém, integrantes da Rede Arandu que atuaram na edição do ano de 2026 do Acampamento Terra Livre (ATL), realizado anualmente em Brasília, podem relatar experiências desafiadoras e diferentes da programadas em gravação fora do estrutura do estúdio.

O ATL é um evento vivo, não se parece em nada com um estúdio com isolamento sonoro. Enquanto a equipe faz a captação de um depoimento sobre a realidade dos indígenas LGBTQIA+, a poucos metros acontece uma assembleia, em outro espaço acontece o encontro das mulheres, diálogos distintos de todas as direções. Longe de serem vistos como um problema técnico, esses "ruídos", ou melhor, essas camadas sonoras fazem parte do podcast da Rede Arandu.

No começo, tentamos isolar o áudio. Foi frustrante. Depois, entendemos: o som do acampamento é documento”, relata uma das participantes da equipe.

O desafio técnico, portanto, transformou-se em escolha que traduz nossa atuação no espaço. Em vez de tentativas frustradas de mutar o som ambiente, nós passamos a produzir episódios que não apenas informam, mas transportam o público para dentro da maior mobilização indígena do país.

Quem participa?

O processo de seleção das vozes que integram o podcast também é orgânico e relacional. Existe uma lista prévia para contato de pessoas indígenas LGBTQIA+; no entanto, dificilmente são com essas que conseguimos gravar. O que fazemos é experimentar. No processo de estar no acampamento, conhecemos pessoas, e é nesse encontro presencial que nos leva a conhecer novas pessoas indígenas LGBT+.

Embora haja um convite prévio para gravar com lideranças conhecidas, são as rodas de conversa informal no dia a dia, as filas para alimentação e os momentos de descanso nas tendas que nos levam a outras pessoas. Ao passo que a sociabilidade acontece, o podcast nasce.

Próximos passos

A Rede Arandu gravou uma série de entrevistas com participantes do Acampamento Terra Livre segunda 2026 para a segunda temporada de Nós Somos - Tybyras do Brasil. O programa é uma ação de comunicação científica que traz trajetórias políticas e ecoa vozes de quem estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.

Assim, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.

Assim como a primeira temporada, trouxemos relatos potentes de vivências, experiências e trajetória política como indígena LGBTQIANP+.

Acesse a primeira temporada pelo link abaixo e permaneçam atentos as redes sociais do INCT Caleidoscópio para acompanar as novidades produzidas pela nossa equipe e o lançamento da segunda temporada do podcast Somos Nós - Tybyras do Brasil.

ILGA LAC agora conta com a Rede Arandu nas pautas de reivindicações e experiências de indígenas LGBTQIA+ em circuitos internacionais

ILGA LAC agora conta com a Rede Arandu nas pautas de reivindicações e experiências de indígenas LGBTQIA+ em circuitos internacionais

Escrito por: Flávia Belmont

Para a Rede Arandu, a adesão à International Gay and Lesbian Association – América Latina e Caribe (ILGA-LAC) [em português: Associação Internacional Gay e Lésbica] representa um avanço significativo na expansão de nossas conexões internacionais, no esforço de consolidação de redes de pesquisa, advocacy e geração, e disseminação de conhecimento em perspectiva indígena sobre diversidade sexual e de gênero.

A membresia na ILGA-LAC garante à Rede Arandu presença em espaços de deliberação política, como assembleias regionais, onde organizações membros contribuem para a definição de prioridades e estratégias da rede. Também possibilita acesso a dados, relatórios e diagnósticos regionais amplamente utilizados em ações de incidência junto a organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o sistema das Nações Unidas.

Um dos objetivos desta participação é viabilizar a integração da Rede Arandu em campanhas e posicionamentos coletivos, o que traz visibilidade para demandas locais em escala regional internacional e facilita o angariamento de recursos para ampliação do alcance e impacto da Rede. Organizações filiadas podem, por exemplo, concorrer a editais e fundos de apoio institucional, além de participar de grupos de trabalho temáticos.

Para a Rede Arandu, entrar na ILGA-LAC abre espaço para inserir as experiências e reivindicações de indígenas LGBTQIA+ em circuitos internacionais de produção de conhecimento e advocacy, contribuindo para tensionar agendas ainda marcadas por perspectivas urbanas e não indígenas.

Veja também: Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

De acordo com Flávia Belmont, pesquisadora e ativista integrante da Rede Arandu, a participação na rede amplia as possibilidades de intercâmbio e conhecimento de diferentes contextos da região, em se tratando de gênero e sexualidade sob perspectiva indígena, e também fortalece networking e estratégias locais e transnacionais.

Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

"Nós Somos - Tybyras do Brasil" é um programa que traz trajetórias políticas e ecoa vozes que estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.

"Nós somos.

Assim começa o Manifesto Indígena LGBTQIAP+, lançado em 2024. Uma afirmação, um coletivo, um verbo. Desde então, temos nos aproximado de pessoas e coletivos que desobedecem os sentidos coloniais sobre corpo, gênero e desejo. Seguimos para escutar múltiplos corpos-território, cada qual com seu modo de existir, lutar e reinventar o mundo.

Este é o podcast da Rede Arandu, um momento para escutar com calma e compartilhar caminhos com pessoas indígenas, e refletir sobre gênero e sexualidade. Aqui, conversamos sobre histórias, lutas e modos de existir que resistem a mais de 500 anos de violência."

E assim começa o episódio de abertura da primeira temporada do podcast "Nós Somos - Tybyras do Brasil", uma iniciativa da Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

Com narração de Ramona Jucá, o primeiro episódio apresenta os fundamentos da série e seu posicionamento político: constituir um espaço de escuta, encontro e circulação de saberes sobre gênero, sexualidade e existência indígena, a partir das vozes de pessoas indígenas LGBTQIAPN+. Entre território, corpo e ancestralidade, é construído o ponto de partida de uma série que nasce do diálogo entre pesquisa, ativismo e vida.

O programa é composto por uma série de entrevistas gravadas com participantes do Acampamento Terra Livre, presentes no ano de 2025. A cada episódio é evidenciado trajetórias políticas, disputas por direitos e a afirmação de múltiplas formas de existência. Ao dar visibilidade a essas vozes, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.

"Aqui, você vai entender o que é a Rede Arandu e como ela atua; de onde surge este podcast e quais caminhos ele percorre; porque escutar vozes indígenas LGBTQIAPN+ é urgente hoje. Este é um episódio-manifesto. Um começo que apresenta, convoca e abre caminhos.", diz Ramona em sua narração de abertura.

A iniciativa integra as ações da Rede Arandu, vinculada à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, que articula pesquisa, políticas públicas e movimentos sociais, com enfoque nas interseccionalidades de gênero, sexualidade, raça e etnia.

"O que fazemos é aproximar Estado, universidade e movimentos sociais para fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Nosso trabalho se apoia numa perspectiva interseccional, olhando com cuidado para as vivências e diversidades de gênero e sexualidade.", complementa Ramona em seu discurso.

O programa conta com oito episódios e está disponível nas plataformas de streaming Spotify e YouTube. Ouça o primeiro episódio pelo link abaixo!

Ouça a série completa pelo clicando aqui.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.