Menopausa, palavras-território e desigualdades de gênero integram debates do XII Colóquio ALED Brasil

Menopausa, palavras-território e desigualdades de gênero integram debates do XII Colóquio ALED Brasil

Pesquisadoras do INCT Caleidoscópio apresentaram trabalhos sobre discurso, gênero, raça, decolonialidade e interseccionalidades durante encontro realizado na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.

A menopausa na literatura, as relações entre linguagem e movimento indígena LGBTQIAP+ e as experiências de mulheres indígenas estiveram entre os temas apresentados por pesquisadoras do INCT Caleidoscópio no XII Colóquio ALED Brasil 2026.

Realizado de 6 a 9 de outubro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, o encontro reuniu pesquisas de diferentes vertentes dos estudos do discurso em torno do tema “Discurso, gênero, raça, classe e interseccionalidades”.

Criada em 1995, a Associação Latino-Americana de Estudos do Discurso (ALED) articula pesquisadoras e pesquisadores de diferentes países e perspectivas teóricas. No Brasil, seus colóquios fortalecem o diálogo entre os estudos do discurso e questões sociais que atravessam a América Latina.

O tema desta edição dialogou diretamente com pesquisas desenvolvidas no INCT Caleidoscópio sobre gênero, raça, sexualidade, desigualdades, decolonialidade e interseccionalidades.

Com diferentes objetos e perspectivas, os trabalhos apresentados se conectam pela investigação de como a linguagem participa da produção, manutenção e transformação das desigualdades, aproximando os estudos do discurso de debates sobre território, memória e justiça social.

Jacqueline Fiuza e Viviane Resende estão centralizadas. Do lado esquerdo, Pricila Priscilla Araújo de Figueiredo Freitas seguido de Vinicius Nascimento. Do lado direito, Amanda Julieta Souza de Jesus e Keithe Souza Matos Abdel Hamid. Foto: Arquivo INCT Caleidoscópio.

Da menopausa em metamorfose às palavras-território

Entre os trabalhos apresentados, Jacqueline Fiuza da Silva Regis, pesquisadora, coordenadora da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, bolsista Conhecimento Brasil do CNPq e vice-coordenadora do CIP Caleidoscópio, apresentou “A Menopausa em Metamorfose: uma breve análise discursiva crítica do conto de Mariana Enriquez”.

A partir do conto Metamorfosis, Jacqueline examinou como a narrativa aborda o corpo, as dores e questões consideradas íntimas relacionadas à menopausa, evidenciando a recorrência da falta de informação sobre essa fase da vida. A pesquisa articula a análise discursiva crítica às experiências corporais e à saúde da mulher, discutindo como a menopausa é representada na literatura.

Já Viviane de Melo Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio, participou da mesa “Discurso, raça, decolonialidade”, na qual apresentou o trabalho “Sobre a inclusão da pauta LGBTQIAP+ no movimento indígena: metáforas e palavras-território” realizado em colaboração com Tchella Maso e Yara Martinelli. A pesquisa analisa manifestos indígenas LGBTQIAP+ e propõe a noção de palavras-território, estabelecendo relações entre linguagem, corpo, terra, memória, ancestralidade, afeto e ação política.

As apresentações integraram uma programação de conferências, mesas-redondas, minicursos e comunicações que aproximaram diferentes vertentes dos estudos do discurso de questões sociais e políticas contemporâneas.

Outras pesquisadoras do Instituto também aproximaram discurso, identidade, território e interseccionalidades. Priscilla Araújo de Figueiredo Freitas em parceria com Viviane Resende apresentaram “Contribuições interculturais em linguagem-sociedade em pesquisas de mulheres indígenas brasileiras”, enquanto Keithe Souza Matos Abdel Hamid abordou as (re)existências da palestinidade feminina diaspórica no Brasil no trabalho “Memórias que palestinam em nós”.

Corpos, trajetórias e narrativas atravessadas por raça e gênero

Os debates também contemplaram experiências de racismo, colonialidade e reconhecimento profissional. Na mesa “Discurso, raça, decolonialidade”, Litiane Barbosa Macedo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentou “Professoras negras na universidade: discurso, (des)colonialidade e reexistência”, pesquisa que discute como raça, gênero e colonialidade atravessam o ingresso, o reconhecimento e a permanência de professoras negras na universidade, articulando literatura sobre trajetórias e relatos autoetnográficos.

Na mesma mesa, Vinicius Nascimento, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apresentou “Meu corpo pode ser um texto? Cenas de racismo na atuação de intérpretes de Libras-português”. A análise parte de situações vividas por intérpretes negros para discutir como o racismo pode operar na coisificação do corpo negro e no apagamento da identidade profissional.

Por sua vez, a mesa “Literatura, gênero e raça” reuniu diferentes formas de pensar as relações entre linguagem, poder e desigualdades. Florentina da Silva Souza discutiu discursos de mulheres negras; Orison Bandeira Júnior abordou a violência contra dissidências de gênero e sexualidade nas literaturas africanas; e Amanda Julieta Souza de Jesus apresentou discussões sobre mulheres negras e Literatura Negro-Periférica no Brasil.

Enquanto no eixo temático "Discurso, Gênero e Interseccionalidades", a pesquisadora Ana Paula Rabelo e Silva (UNILAB/INCT Caleidoscópio/LabEC) apresentou sobre a "Rede Lusófona de Pesquisa em Linguagem e Sociedade no Sul Global".

Foto: Arquivo INCT Caleidoscópio no XII Colóquio ALED Brasil 2026.

Menopausemos estreia podcast com debate sobre menopausa, envelhecimento e mulheres no mundo do trabalho

Menopausemos estreia podcast com debate sobre menopausa, envelhecimento e mulheres no mundo do trabalho

Primeiro episódio recebe a pesquisadora Simone Marília Lisboa para discutir os silenciamentos em torno da menopausa, o etarismo e as desigualdades que atravessam as trajetórias profissionais das mulheres.

O que acontece quando a menopausa chega, mas não encontra espaço para ser discutida? Como o envelhecimento atravessa a trajetória profissional das mulheres e por que falar sobre essa fase da vida ainda pode representar um risco de exposição no ambiente de trabalho? Essas questões estão no centro do primeiro episódio do Menopausemos, novo podcast do INCT Caleidoscópio, que estreia com uma conversa sobre menopausa, envelhecimento, etarismo e as experiências das mulheres nas organizações.

Na estreia, Jacqueline Fiuza da Silva Regis, acompanhada por Ana Gabriela de Souza Silva e Julia Lene da Silva Souza, recebe Simone Marília Lisboa, pesquisadora e professora da área de Administração do Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

Doutora em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com estágio-sanduíche na Universidad Complutense de Madri e estágio pós-doutoral na Universidade de Salamanca, na Espanha, Simone coordena o Centro de Pesquisa e Inovação em Consumo, Mercados e Negócios de Jacareí (CEPIN-JCR), do IFSP.

A conversa apresenta o percurso de pesquisas que investigam como a menopausa é representada socialmente, os silêncios que cercam essa experiência e seus efeitos sobre o reconhecimento e a permanência das mulheres no mundo do trabalho.

O elefante na sala de estar e o “prazo de validade” das mulheres

Durante a entrevista, Simone apresenta o projeto de pesquisa “O Elefante na Sala de Estar”, desenvolvido a partir de conversas com sua colega, a pesquisadora Denise Franca Barros, sobre uma fase da vida ainda pouco discutida na sociedade. O título faz referência a algo que está presente, causa incômodo, mas permanece sem ser nomeado ou debatido.

“Essa coisa que incomoda, que tá presente, mas que não se fala sobre isso”, explica Simone ao comentar a escolha do nome.

Uma das investigações que antecederam o projeto analisou a presença da menopausa na revista Cláudia. No levantamento realizado por Denise, foram encontradas apenas três reportagens sobre o tema em mais de 30 anos da publicação. Conforme a análise apresentada no episódio, a menopausa aparecia associada ao ocultamento e à invisibilização dessa fase da vida.

A pesquisa avançou para entrevistas com mulheres em cargos de liderança, buscando compreender como a menopausa muitas vezes é silenciada no ambiente de trabalho e atravessada pelo etarismo. Ao longo das conversas, as pesquisadoras identificaram dificuldades para falar sobre sintomas e envelhecimento, além do receio de que o reconhecimento e a trajetória profissional fossem comprometidos.

Desse percurso resultou o artigo “Menopausa como prazo de validade: a experiência de lideranças femininas”, publicado no periódico Cadernos EBAPE.BR. O trabalho investiga a menopausa como um limite simbólico para mulheres, um “prazo de validade” que pode inviabilizar e deslegitimar experiências femininas, impactando negativamente o desempenho e a equidade de gênero.

Para Simone, a associação entre gênero e envelhecimento cria barreiras que se acumulam ao longo da trajetória profissional:

“A gente vai entendendo que a mulher tem um teto de vidro duplo pro crescimento dela.”

A expressão chama atenção para a combinação de preconceitos de gênero e idade, discutida a partir das experiências de mulheres que enfrentam dificuldades para alcançar ou permanecer em posições de liderança, além de outras interseccionalidades que podem aparecer. Enquanto homens continuam ocupando cargos de poder em idades avançadas, mulheres com mais de 50 anos ainda encontram preconceitos associados ao envelhecimento, explica Simone.

A conversa também apresenta os desdobramentos da pesquisa em direção a uma perspectiva mais interseccional. Ao ampliar as entrevistas para diferentes experiências raciais e sociais, o grupo passou a investigar como raça, renda, acesso à saúde e relações de cuidado atravessam a vivência da menopausa.

Nesse processo, a troca de experiências entre mulheres aparece não apenas como parte da investigação, mas também como uma possibilidade de reconhecimento e construção coletiva de conhecimento.

“O compartilhamento é um espaço de processamento, é um espaço de entendimento, de se reconhecer na outra.”

Entre os temas discutidos estão ainda as diferenças no acesso à informação e aos cuidados de saúde, o trabalho não remunerado de cuidado e a expansão de um mercado de produtos e serviços voltados às mulheres na menopausa. As pesquisadoras problematizam como essas questões se relacionam com desigualdades sociais e com a necessidade de respostas coletivas, para além de soluções individuais.

Da experiência com a perimenopausa à construção do Menopausemos

Antes de iniciar a entrevista, Jacqueline Fiuza compartilha a história que a levou a desenvolver o projeto e a retornar à pesquisa acadêmica. Ao vivenciar mudanças no próprio corpo, dificuldades para dormir, alterações de humor e transformações em sua rotina, a pesquisadora percebeu o quanto desconhecia a perimenopausa e a menopausa, e como eram limitadas as informações que circulavam sobre essa fase da vida da mulher que é pouco abordado.

“Na maior parte da minha vida eu não ouvia falar disso. Isso realmente não tinha um lugar nas conversas cotidianas”, relata Jacqueline no episódio.

A experiência pessoal, somada aos desafios da maternidade e da atuação docente, motivou a pesquisadora a buscar respostas e a transformar suas inquietações em um projeto de pesquisa. Após um período vivendo e trabalhando na Alemanha, Jacqueline retornou ao Brasil pelo Programa Conhecimento Brasil, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para desenvolver sua proposta no INCT Caleidoscópio.

O projeto “MenoPausemos: pesquisa, extensão e comunicação científica sobre corpos em idade (pós-)menstrual” articula análise crítica e decolonial do discurso, produção de conhecimento e troca de experiências sobre corpos que menstruam ou menstruavam. A proposta considera a menopausa para além de sua dimensão biológica, observando também como gênero, raça, classe, território e outras desigualdades atravessam essa experiência.

Leia também: Jacqueline Fiuza, pesquisadora do INCT Caleidoscópio, retorna ao país pelo programa de Repatriação de Talentos Conhecimento Brasil em contexto de diáspora científica

O Menopausemos surge como parte desse percurso de pesquisa, extensão e comunicação científica. Idealizado e realizado pelo Grupo Temático (GT) Saúde da Mulher em escolas e IES, vinculado à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, o podcast dedica sua primeira série à menopausa, abrindo espaço para conversas com pesquisadoras e para o compartilhamento de conhecimentos e experiências sobre o tema.

A iniciativa também dialoga com outras ações desenvolvidas por Jacqueline. Coordenadora da Incubadora Social da Nucleação Centro-Oeste, bolsista Conhecimento Brasil/CNPq e vice-coordenadora do CIP Caleidoscópio, a pesquisadora atua na articulação de grupos temáticos voltados à saúde das mulheres, ao enfrentamento dos racismos e às histórias e memórias de mulheres.

Essa perspectiva está presente na própria construção do podcast, que busca aproximar pesquisadoras de diferentes áreas e reconhecer a importância de experiências diversas na produção do conhecimento científico. O encontro com Simone Lisboa, que também teve origem na busca por interlocutoras interessadas na temática, marcou um dos primeiros passos de uma colaboração entre o CEPIN-JCR, do IFSP, e as pesquisadoras do Projeto Menopausemos.

A produção do Menopausemos também dialoga com outras iniciativas de comunicação científica desenvolvidas no INCT Caleidoscópio por Jacqueline Fiuza, como o Pod HMM, podcast do GT Histórias e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade. Com episódios bimestrais sobre trajetórias de mulheres nas ciências, a série valoriza histórias de pesquisadoras experientes, iniciantes e mulheres atuantes em movimentos sociais, destacando suas lutas, conquistas e desafios.

A proposta é dar visibilidade a essas narrativas e construir um acervo sobre a atuação de mulheres em diferentes áreas do conhecimento e na defesa dos direitos humanos. Assim como o Menopausemos, o Pod HMM integra as ações de pesquisa, extensão e comunicação científica do Instituto e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Leia também: O segundo episódio do Pod HMM está no ar com o tema pesquisa engajada

Ouça o primeiro episódio do Podcast Menopausemos

A proposta de encontro e reconhecimento também aparece na vinheta de abertura do Menopausemos. Diferentes mulheres foram convidadas a compartilhar palavras que vêm à cabeça quando se fala em menopausa, compondo uma abertura coletiva para uma série que pretende ampliar a circulação de conhecimentos e experiências sobre o tema.

Ao reunir vivências pessoais, pesquisas acadêmicas e questões relacionadas ao trabalho, ao cuidado e às desigualdades sociais, o primeiro episódio apresenta a menopausa como assunto que não se limita à experiência individual. A conversa com Simone Lisboa inaugura, assim, um espaço de diálogo entre pesquisadoras e diferentes públicos, tendo a comunicação científica como parte da construção coletiva de conhecimentos sobre a saúde das mulheres.

No episódio de estreia, Jacqueline convida outras pesquisadoras e pessoas interessadas a se aproximarem dessas atividades, que incluem encontros mensais realizados virtualmente para articular pesquisa, extensão, formação e espaços de troca entre pessoas de diferentes instituições e regiões.

O podcast conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). E o episódio de estreia está disponível nas plataformas digitais: Ouça no Spotify e Assista no YouTube.

Ficha técnica Podcast Menopausemos

Entrevistada convidada: Simone Marília Lisboa
Entrevistadora: Jacqueline Fiuza da Silva Regis
Roteiro: Daniele Gruppi de Mendonça
Gravação, produção e edição de áudio: Julia Lene da Silva Souza, Ana Gabriela Souza, Jacqueline Fiuza e Darã Maia Fernandes
Local da gravação: ambiente virtual conectando São Paulo, Brasília e Nova Andradina
Vinheta: Darã Maia Fernandes e Jacqueline Fiuza da Silva Regis
Identidade sonora: Darã Maia Fernandes
Identidade visual: Luiz Ricardo da Silva Oliveira
Redação: Julia Lene da Silva Souza e Jacqueline Fiuza da Silva Regis
Distribuição e divulgação: Inara Fonseca e Cintia de Freitas Rodrigues Loureiro
Coordenação de produção: Jacqueline Fiuza da Silva Regis

Vozes na vinheta: Andréa Oliveira de Sá, Cintia de Freitas Rodrigues Loureiro, Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski, Francely Furtado, Gabriela Maia Silva, Glauce Vaz Feijó, Grace Kelly Leite, Inara Fonseca, Julia Lene, Letícia Moreira de Oliveira, Maja Tillmann, Márcia Franklin Rios, Marcia Regina Ferreira dos Santos Silva, Maria Carmen Aires, Morgani Guzzo, Raylton Tavares, Renato Fiuza da Silva Regis, Sandra Regina de Souza Regis, Silvéria Maria dos Santos e Simone Lisboa.

Primeiro INCT feminista do Brasil apresenta pesquisas e ações na 78ª Reunião Anual da SBPC em Niterói

Primeiro INCT feminista do Brasil apresenta pesquisas e ações na 78ª Reunião Anual da SBPC em Niterói

O estande contou com relatos de experiências e impactos sociais do Instituto, recebendo visitantes de diversas idades, perfis e regiões do Brasil ao longo dos 6 dias de evento na 78ª Reunião Anual da SBPC. Foto: Letícia Moreira.

Escrito por: Daniel Silva e Letícia Moreira

O INCT Caleidoscópio participou da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada entre os dias 26 de julho e 1º de agosto de 2026, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). 

Além da participação na programação acadêmica, o Instituto esteve presente na ExpoT&C com um estande e uma programação dedicada ao diálogo sobre iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade a partir de perspectivas feministas, interseccionais e antirracistas.

Ao longo do evento, cerca de 2 mil pessoas passaram pelo estande, segundo estimativa baseada na distribuição dos materiais gráficos do Instituto. As atividades foram conduzidas em colaboração por uma equipe de 18 pessoas, das três nucleações regionais, que se revezaram na preparação e durante a Reunião Anual.

O INCT Caleidoscópio foi um dos cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia presentes na ExpoT&C, em um universo de mais de 200 INCTs atualmente ativos no país. Na Tenda ExpoT&C, o estande reuniu atividades interativas e materiais de comunicação científica, como cartilhas, quiz, vídeo institucional, bottons e marcadores de texto, que apresentaram ao público pesquisas, projetos, podcasts e ações desenvolvidas pelo Instituto. 

Durante a programação, a equipe recebeu estudantes da educação básica e do ensino superior, pesquisadoras, pesquisadores, docentes, famílias e visitantes, promovendo conversas sobre gênero, sexualidade, direitos humanos, democracia, justiça social, saúde e educação menstrual, territórios, meio ambiente e indígenas LGBTQIAPN+, e a participação de mulheres nas ciências, com recortes para mulheres negras, quilombolas e indígenas. A diversidade de públicos e a pluralidade de diálogos foram alguns dos aspectos destacados pela equipe durante a experiência.

A apresentação do instituto como o primeiro INCT feminista do Brasil também despertou a atenção de quem circulava pela feira. Visitantes procuraram o estande para conhecer as pesquisas desenvolvidas, compreender as formas de atuação do Instituto e buscar informações sobre possibilidades de participação em sua rede. 

Essa experiência permitiu alcançar pessoas que ainda não conheciam o INCT Caleidoscópio e aproximar suas pesquisas de públicos de diferentes áreas científicas e da nova geração de pesquisadoras e pesquisadores.

Trocas e diálogos plurais possibilitaram aproximações

O espaço também possibilitou diálogos com pesquisadoras e pesquisadores interessados em integrar ou estabelecer aproximações com a rede. Durante a feira, a equipe recebeu pessoas de diferentes regiões e instituições do país interessadas nas temáticas desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio, reforçando a participação na SBPC como uma oportunidade de articulação científica e construção de novas conexões.

Para Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT e coordenadora da Comissão de Comunicação Científica do Observatório Caleidoscópio, a temática da SBPC 2026, que teve como lema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, está diretamente ligada à temática do Instituto, que tem como pauta garantir a pluralidade das vozes de quem faz ciência no Brasil. 

Bessa avalia como positiva a participação no encontro:

“Foi uma decisão muito acertada da nossa coordenadora Viviane Resende e do nosso Comitê Científico. A SBPC é uma entidade que existe no Brasil desde 1948, parte de sua trajetória envolve uma reflexão e intervenção nos rumos da Ciência e Tecnologia que se produz aqui e também no tipo de educação que queremos. Participar da SPBC com um estande significa apostar no mote ‘ciência para todos’, e dar visibilidade ao trabalho que temos realizado nos quatro cantos do país com nosso Observatório de iniquidades e violências de gênero e sexualidade, com nossas incubadoras sociais e nossas várias pesquisas nesta fronteira de reflexão sobre a importância da diversidade étnico-racial, de gênero, de regionalidades, em cada área e grande área de conhecimento.

Além desse encontro com os pares (estamos recebendo visitas de várias pesquisadoras de diferentes áreas que se encantam com nosso trabalho), os estandes representam uma abertura para uma conversa direta com professoras/es do Ensino Fundamental e Médio, com estudantes de várias escolas daqui de Niterói e Região, enfim, promove o que entendemos ser um dos nossos objetivos primordiais, que é estar o mais próximo possível da comunidade, assegurando que esse debate sobre mulheres (quilombolas, indígenas, periféricas, lgbtia+) nas ciências é urgente e precisa da nossa atenção. A existência de um INCT dedicado a isso tem feito muita diferença.”, declara.

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Pesquisadoras e equipe técnica do INCT Caleidoscópio. Mirlene Simões, Karla Bessa, Sandra Maria, Zizele Ferreira e Laura de Souza (esq. para dir.). Foto: Daniel Silva.

Marina Silva, estudante de Engenharia de Pesca na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), compartilha que conhecer o INCT Caleidoscópio foi inspirador. “É muito bom saber que existe um núcleo na Região Nordeste que trabalha essas temáticas de gênero e diversidade. Com certeza, vou procurar me encaixar em alguma oportunidade junto ao projeto”, relata.

Julia Machado Dias, pesquisadora e membra da Arandu: Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, também compartilhou sua experiência durante a exposição.

“Dialogar com pessoas de diferentes lugares e perspectivas — crianças e adolescentes das redes públicas de ensino, pesquisadoras, professoras e visitantes de diversas áreas — foi uma das partes mais instigantes para mim. Cada conversa exigia adaptar a linguagem para abordar temas como gênero, antirracismo e interseccionalidade, conceitos que, para muitas pessoas, ainda eram novos ou pouco familiares, e que são os pilares do INCT Caleidoscópio.

A pesquisa costuma ser avaliada pelos resultados que produz. Experiências como essa também convidam a perguntar: por onde esses resultados circulam, quem tem acesso a eles e quais diálogos são capazes de produzir.” comenta Julia, bolsista Rede Arandu/INCT Caleidoscópio/CNPq.

A presença na Reunião Anual também favoreceu a aproximação com outros Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. 

Entre as articulações realizadas durante o evento esteve o diálogo com o INCT Educação Transformadora: Antirracismo, Interseccionalidade e Justiça Social na América Latina (INCT Antirracismo), que ocupava um espaço vizinho na feira, ampliando as trocas entre iniciativas voltadas à produção científica comprometida com o enfrentamento das desigualdades interseccionais. 

Além da visita de pesquisadoras, pesquisadores, gestoras e gestores que estão à frente dos processos e políticas científicas brasileiras, a experiência reforçou a importância da participação do Instituto em espaços científicos que reúnem diferentes áreas do conhecimento. 

Para além de eventos dedicados especificamente aos estudos de gênero, a presença na SBPC possibilitou inserir debates sobre equidade, diversidade de gênero, sexualidade e questões étnico-raciais em um espaço mais amplo de discussão sobre a ciência e as políticas científicas no Brasil.

Atividade especial sobre trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Legenda: Estande Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva. Foto: Morgani Guzzo.

A participação do INCT Caleidoscópio contou ainda com a atividade “Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva: diálogos interativos para a soberania e inclusão nas ciências”, no Instituto de Arte e Comunicação Social, organizada pela Incubadora Social Feminista Antirracista, Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulado pela coordenação sediada na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). 

O estande, que aconteceu no dia 29/07, pautou a autonomia e trajetórias acadêmicas das mulheres quilombolas e contou com materiais formativos e conversas com os visitantes. 

A pesquisadora e professora da UFBA, Sandra Maria da Silva, destaca a vasta participação e interação de pessoas interessadas em discutir sobre acesso e permanência nas universidades.

“Foi uma oportunidade de estabelecer vários contatos e possíveis parcerias. Essa experiência me trouxe felicidade de ver que pessoas de diferentes gerações demonstram interesse em conversar sobre essa temática”, declara. 

As participantes apresentaram também outras ações desenvolvidas pela Incubadora Social, como mentorias e treinamentos para estudantes universitárias. 

Jovens cientistas num futuro de equidade

Jovens pesquisadoras, pesquisadores, alunas e alunos da Educação Básica de todo o país compuseram uma parcela significativa do público durante os dias de evento. 

A estudante Ana Lara, de 16 anos, faz parte do Programa Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), e conheceu o INCT Caleidoscópio em visita à SBPC. Para a estudante, o encontro com o INCT foi especial.

“Ver mulheres dominando áreas da ciência é muito incrível, porque nós vemos como nós mulheres somos muito capazes de ocupar lugares que a gente nem imagina”, declara Ana Lara. 

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Visitantes assistindo o vídeo institucional do INCT Caleidoscópio. Foto: Daniel Silva.

Do Santuário dos Pajés à Universidade: programação aborda indigeneidades, saúde, educação menstrual e comunicação científica na Semuni/UnB 2026

Do Santuário dos Pajés à Universidade: programação aborda indigeneidades, saúde, educação menstrual e comunicação científica na Semuni/UnB 2026

Territórios, corpos, saberes e diferentes formas de produzir conhecimento atravessam a participação da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio na 26ª Semana Universitária da Universidade de Brasília (Semuni/UnB).

Entre os dias 19 e 25 de setembro, a Rede Arandu, o MEInstruAÇÃO e o Menopausemos e integrantes do Instituto, realizam uma programação que circula entre o Santuário dos Pajés e diferentes espaços da UnB, além de uma atividade on-line.

Reunidas sob o eixo “Indigeneidades em Diálogo no DF: Ecologia de Saberes, Saúde dos Corpos e Políticas Interseccionais”, as atividades propõem diálogos sobre povos indígenas e justiça climática, vivências indígenas LGBTQIAPN+, saúde mental e permanência universitária, comunicação científica, arte e cultura indígena e enfrentamento às desigualdades socioambientais e saúde e educação menstrual desde uma perspectiva emancipatória.

Por meio de diferentes linguagens e estratégias de educação, também ampliamos diálogos sobre a menstruação como uma questão de saúde, educação, direitos e justiça socioambiental. O projeto propõe reflexões sobre os modos como os conhecimentos sobre o corpo menstruante são produzidos e compartilhados, os tabus que atravessam a experiência menstrual e as relações entre menstruação, sustentabilidade e acesso à informação.

Em 2026, a Semana Universitária chega à sua 26ª edição com o tema “Democracia em cena: arte, cultura e pertencimento”. Realizada oficialmente entre 20 e 25 de setembro, a Semuni é um espaço de encontro entre a Universidade e a sociedade e integra atividades de extensão, ensino, pesquisa e inovação na UnB.

Do Santuário dos Pajés à Universidade: territórios, justiça climática e educação menstrual

A programação da Nucleação Centro-Oeste começa no sábado (19), antes da abertura oficial da Semuni, com uma ação no Santuário dos Pajés, das 9h às 15h.

Na segunda-feira (21), o diálogo segue no campus Darcy Ribeiro. Das 9h às 18h, o público poderá conhecer o stand “Territórios Interseccionais: o INCT Caleidoscópio em Diálogo com a Sociedade”, no Udfinho, ICC Sul. Às 15h30, a Rede Arandu promove a palestra e debate “Povos Indígenas e Justiça Climática: a resposta somos nós”, na Sala de Atos do Instituto de Relações Internacionais (IREL/UnB).

Durante todo o dia 21, o stand também contará com ações do Projeto MEInstruAÇÃO, que apresentará atividades práticas e interativas voltadas à educação menstrual e à ressignificação dos conhecimentos sobre a menstruação.

Entre as atividades estão experimentos com diferentes tecnologias menstruais, que possibilitam refletir sobre formas de uso, descarte e impactos ambientais; o acróstico MENSTRUAÇÃO, desenvolvido como estratégia para discutir e ressignificar os tabus relacionados ao tema; e dois jogos de tabuleiro elaborados pelas bolsistas do projeto.

O Ciclo Sustentável propõe uma reflexão sobre as relações entre menstruação e meio ambiente, estimulando a compreensão de que a menstruação é uma questão que envolve não apenas quem menstrua, mas toda a sociedade. Já o InstruaMente, inspirado nos personagens do filme Divertida Mente, utiliza uma abordagem lúdica, interativa e reflexiva para trabalhar a ressignificação do tabu menstrual e ampliar o acesso a informações sobre o tema.

As atividades do MEInstruAÇÃO partem da compreensão de que educação menstrual é também criar espaços para conversar, experimentar, perguntar e compartilhar saberes. O projeto busca contribuir para uma relação mais informada, autônoma e consciente com os corpos e com a menstruação, articulando saúde, educação, sustentabilidade e enfrentamento de desigualdades.

O percurso entre território e Universidade dá o tom de uma programação que coloca diferentes experiências, conhecimentos e questões interseccionais em circulação durante a Semana Universitária.

Reflorestar o gênero e compartilhar vivências

Na terça-feira (22), às 14h30, a Maloca/UnB recebe “Reflorestando o gênero: indígenas LGBTQIAPN+, trans, não-bináries, two-spirit e queer”. Promovida pela Rede Arandu, a atividade combina mesa de debate e roda de conversa.

As vivências de indígenas LGBTQIAPN+ dentro da própria Universidade ganham continuidade na quarta-feira (23), às 15h, com a atividade “Vivências Indígenas LGBTQIAPN+: Saúde Mental, Permanência e Bem Viver na Universidade”. Realizado no Udfinho, no ICC Sul, o encontro terá dinâmicas interativas e oficina participativa.

A programação também ultrapassa os espaços físicos da Universidade. Entre 20 e 25 de setembro, a Rede Arandu realiza uma pesquisa on-line sobre a inclusão de indígenas e indígenas LGBTQIAPN+ na universidade. O formulário será divulgado posteriormente.

Leia também: Arandu é premiada no 1º Concurso Nacional de Trabalhos de Extensão Universitária em Relações Internacionais da ABRI

Ciência para experimentar, conversar e compartilhar

A comunicação científica também integra a programação. Na terça-feira (22), às 10h, o Menopausemos realiza a “Amostra Grátis de Comunicação Científica Participativa”, na sede do INCT Caleidoscópio.

Na sexta-feira (25), às 10h, o mesmo espaço recebe a roda de conversa “Programa Integrado de Inovação Tecnológica e Social: Educação Científica, Saúde Pública e Enfrentamento de Desigualdades Socioambientais no Distrito Federal”.

As atividades ampliam a programação para questões relacionadas à comunicação e à educação científica, à saúde pública e às desigualdades socioambientais, aproximando essas discussões dos espaços de diálogo abertos durante a Semuni.

Leia também: O segundo episódio do Pod HMM está no ar com o tema pesquisa engajada

Quando arte, cultura e território também entram na conversa

Na quinta-feira (24), às 16h, a Rede Arandu realiza uma Mostra de arte e cultura indígena na sede do INCT Caleidoscópio, no subsolo do ICC, Módulo 8. A atividade reúne exibição de filme e debate cultural.

A mostra se soma às rodas de conversa, debates, oficinas, pesquisa e atividades de comunicação científica que compõem a participação da Nucleação Centro-Oeste. Em diferentes formatos e espaços, a programação cria pontos de encontro entre universidade, territórios e sociedade durante a Semana Universitária.

Entre territórios, saberes e encontros: confira a programação

Ao longo da semana, as atividades ocupam diferentes espaços da UnB e do Distrito Federal, além do ambiente on-line. Confira abaixo a programação completa e programe-se para participar.

A versão digital da programação também está disponível para consulta: acesse o arquivo completo aqui!

19 de setembro | sábado

9h às 15h — Ação no Santuário dos Pajés
Local: Santuário dos Pajés

21 de setembro | segunda-feira

Durante todo o dia — Atividades do Projeto MEInstruAÇÃO
Educação menstrual, tecnologias menstruais, jogos educativos e atividades de ressignificação do tabu menstrual.
Local: Stand Udfinho, ICC Sul

9h às 18h — Territórios Interseccionais: o INCT Caleidoscópio em Diálogo com a Sociedade
Local: Stand Udfinho, ICC Sul

15h30 — Povos Indígenas e Justiça Climática: a resposta somos nós [Arandu]
Palestra e debate
Local: Sala de Atos do IREL/UnB

22 de setembro | terça-feira

10h — Amostra Grátis de Comunicação Científica Participativa [Menopausemos]
Local: Sede do INCT Caleidoscópio

14h30 — Reflorestando o gênero: indígenas LGBTQIAPN+, trans, não-bináries, two-spirit e queer [Arandu]
Mesa de debate e roda de conversa
Local: Maloca/UnB

23 de setembro | quarta-feira

15h — Vivências Indígenas LGBTQIAPN+: Saúde Mental, Permanência e Bem Viver na Universidade [Arandu]
Dinâmicas interativas e oficina participativa
Local: Udfinho, ICC Sul

24 de setembro | quinta-feira

16h — Mostra de arte e cultura indígena [Arandu]
Exibição de filme e debate cultural
Local: INCT Caleidoscópio, ICC, Subsolo, Módulo 8

25 de setembro | sexta-feira

10h — Roda de Conversa | Programa Integrado de Inovação Tecnológica e Social: Educação Científica, Saúde Pública e Enfrentamento de Desigualdades Socioambientais no Distrito Federal
Local: Sede do INCT Caleidoscópio

20 a 25 de setembro | atividade on-line

Pesquisa: inclusão de indígenas e indígenas LGBTQIAPN+ na universidade [Arandu]
Formulário on-line — link a divulgar.

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Café, leituras e muitas trocas: Café Contracolonial reúne participantes para discutir pensamentos decoloniais e contracoloniais

Café, leituras e muitas trocas: Café Contracolonial reúne participantes para discutir pensamentos decoloniais e contracoloniais

Vamos tomar um cafezinho (ou um chá) e aproveitar para ler textos que nos instrumentem em nossa busca por uma produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais ou contracoloniais?

Um cafezinho ou um chá, uma leitura prévia e uma conversa para colocar o pensamento em movimento. Essa é a proposta do Café Contracolonial – Introdução ao Pensamento Incômodo de Rita Segato, que realiza encontros semanais para leitura e discussão coletiva de textos voltados à produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais e contracoloniais.

Os encontros acontecem às terças-feiras, das 10h às 11h50, em formato híbrido. Presencialmente, o grupo se reúne na sede do INCT Caleidoscópio, na Universidade de Brasília (UnB), e participantes de outras localidades podem acompanhar as atividades simultaneamente pelo online.

A iniciativa é promovida pelo Grupo Temático Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES (GT-TER) e pelo Grupo Temático Histórias e Memórias de Mulheres: Educação e Visibilidade (GT-HMM), no âmbito da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, em parceria com o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB/) e o Instituto Federal de Brasília (IFB).

Café, leitura e troca de saberes

A proposta do Café Contracolonial é criar um espaço de encontro em torno de leituras que contribuam para a produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais e contracoloniais. A cada semana, uma leitura de base é realizada previamente pelas pessoas participantes e pode ser acompanhada por um texto escrito ou material audiovisual complementar facultativo.

Depois de preparar o café ou o chá, os encontros começam com uma breve apresentação para recuperar a leitura prévia e abrir a discussão. A ideia é que os textos funcionem como impulso para as trocas e reflexões construídas coletivamente ao longo das reuniões.

Continue lendo para acessar o cronograma de leituras!

De Rita Segato a Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí: um percurso para incomodar pensamentos

A programação começou em agosto e segue até dezembro, com um percurso de leituras que passa principalmente pelas obras de Rita Segato e Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí.

Os primeiros encontros são dedicados a textos de Rita Segato que discutem temas como família, sexo e gênero, colonialidade, relações entre gênero e raça, patriarcado e territorialidade. Em outubro, o percurso passa a incorporar A invenção das mulheres, de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí, com a leitura do prefácio e de cinco capítulos da obra.

As discussões percorrem questões relacionadas às teorias ocidentais e aos sujeitos africanos, à cosmologia e às instituições socioculturais Oyó-Iorubás, às tradições orais, ao gênero, ao colonialismo e à tradução das culturas. A programação segue até 8 de dezembro, quando está prevista a leitura de Gênero, Política e Hibridismo, de Rita Segato.

Um café que também pode ser virtual

Para ampliar o alcance as pessoas interessadas, os encontros ocorrem em formato híbrido. Assim, leitoras e leitores que não residem em Brasília estão convidadas e convidados a passar um café, ou um chá, e se juntar a nós!

Vale pontuar que o formato híbrido tem permitido que a roda de conversa ultrapasse o espaço físico da Universidade de Brasília. Segundo Jacqueline Fiuza, os encontros já contaram com participantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Roraima e de Brasília.

A participação a distância amplia, assim, as possibilidades de encontro e troca entre pessoas de diferentes localidades, enquanto quem está presencialmente compartilha também o cafezinho — ou o chá — que inspira o nome e a dinâmica da atividade.

Prepare-se para o café (ou o chá) e participe

O Café Contracolonial acontece às terças-feiras, das 10h às 11h50. Em Brasília, os encontros presenciais são realizados na sede do INCT Caleidoscópio, Ala Sul, Módulo 8, Instituto Central de Ciências (ICC), Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília.

Quem não puder estar presencialmente pode acompanhar os encontros on-line pelo Microsoft Teams.

Acesse a sala do Café Contracolonial no Microsoft Teams pelo link clicando aqui!

Para mais informações, escreva para gtter@unb.br.

Mesa de café. Imagem/Reprodução: Arquivo INCT Caleidoscópio.

"Mesa pronta para esperar vocês pro nosso café contracolonial. Quem não puder estar presencialmente pode chegar junto por aqui, acesse pelo Link para estar conosco nos encontros deste semestre 🤗!", convida Jacqueline.

Confira o percurso de leituras dos encontros

DataLeitura
18/08Seminário GT HMM
25/08Texto 1: Inventando a natureza: família, sexo e gênero no Xangô do Recife — Rita Segato
01/09Texto 2: Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial — Rita Segato
08/09Texto 3: O Édipo brasileiro: a dupla negação de gênero e raça — Rita Segato. Leitura complementar: Como o racismo criou o Brasil — Jessé Souza (tradução livre)
15/09Texto 4: Patriarcado: Del borde al centro. Disciplinamiento, territorialidad y crueldad en la fase apocalíptica del capital — Rita Segato
13/10Texto 5: El sexo y la norma: frente estatal, patriarcado, desposesión, colonialidad — Rita Segato
20/10Texto 6: Prefácio — A invenção das mulheres — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
27/10Texto 7: Capítulo 1 — A invenção das mulheres: Visualizando o corpo: teorias ocidentais e sujeitos africanos — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
03/11Texto 8: Capítulo 2 — A invenção das mulheres: (Re)constituindo a cosmologia e as instituições socioculturais Oyó-Iorubás — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
10/11Texto 9: Capítulo 3 — A invenção das mulheres: Fazendo história, criando gênero: a invenção de homens e reis na escrita das tradições orais de Oyó — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
17/11Texto 10: Capítulo 4 — A invenção das mulheres: Colonizando corpos e mentes: gênero e colonialismo — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
24/11Texto 11: Capítulo 5 — A invenção das mulheres: A tradução das culturas: generificando a linguagem, a oralitura e a cosmopercepção iorubás — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
01/12Texto 12: Posfácio — A invenção das mulheres — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí; Uma obra referencial para a afirmação do pensamento e dos modos de existências africanos — Claudia Miranda
08/12Texto 13: Gênero, Política e Hibridismo — Rita Segato