Coletivo Tybyra em parceria com Rede Arandu lança cartilha de (in)formação do Movimento Indígena no Acampamento Terra Livre 2026

Coletivo Tybyra em parceria com Rede Arandu lança cartilha de (in)formação do Movimento Indígena no Acampamento Terra Livre 2026

A fim de abordar o que nunca te contaram sobre a luta e a resistência pelos direitos dos povos indígenas, a cartilha intitulada "Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado!" contribui com formação, informação e diálogo dentro do Movimento Indígena, trazendo reflexões sobre a importância de reconhecer e respeitar as existências indígenas LGBTQIA+ como parte legítima dos povos, territórios e processos de organização.

A cartilha foi lançada durante o Acampamento Terra Livre 2026, a maior mobilização indígena do Brasil, que ocorreu entre os dias 5 e 11 de abril, em Brasília (DF). Em sua 22ª edição, a mais ampla assembleia indígena do país teve como tema "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós". A temática traz à tona a luta para garantir os direitos territoriais frente à ganância das grandes empresas, que insistem em invadir e explorar as últimas fronteiras da natureza preservada no mundo. Isso sem consultá-los e consultá-las, sem retribuir e sem respeitar a soberania dos povos.

Deste modo, o debate esteve centrado em demarcação e a proteção de Terras Indígenas; nos ataques do Congresso Nacional aos direitos indígenas e as Eleições Gerais de 2026; na luta pelo aldeamento da política, conectando mobilização territorial e participação institucional; entre outras atividades, encontros e trocas.

A Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, integrante do Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, participou da mobilização no âmbito da agenda “Territórios Indígenas LGBTQIA+, mapeamento de coletivos e existências diversas”. A rede também esteve presente na reunião interministerial com coletivos indígenas LGBTQIA+, contribuindo para a escuta qualificada, a articulação institucional e a sistematização de demandas dos territórios junto a ministérios.

E colaborou no lançamento da pesquisa “Territórios Indígenas LGBTQIA+”, com apoio do Coletivo Tybyra, iniciativa voltada ao mapeamento de coletivos, organizações e existências diversas, fortalecendo a produção de conhecimento a partir dos territórios.

Nesta seara, as atividades reforçam a centralidade das vozes indígenas LGBTQIA+ na construção de políticas públicas e na articulação em rede, evidenciando a importância de reconhecer a diversidade de corpos, identidades e experiências indígenas.

Ao longo da programação, a Rede Arandu seguiu contribuindo com outras atividades, fortalecendo a incidência política em torno das desigualdades interseccionais de gênero, sexualidade e raça.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, Coletivo Tybyra
Foto: Arquivo Rede Arandu no ATL 2026.

Sobre a cartilha Coletivo Tybyra

A cartilha foi distribuída ao longo dos dias de evento no Acampamento Tera Livre. E está disponível em versão digital e impressa nos links abaixo para livre circulação!

Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado! - versão digital

Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado! - versão para impressão

No material informativo e formativo, você poderá ler sobre quem foi Tybyra; sobre o Coletivo Tybyra; sobre a importância da luta indígena LGBTQIAPN+; sobre quais são as bandeiras de luta; sobre as ações e conquistas do coletivo; e explicação de como essa luta é de todos e todas os(as) parentes ao justificar que direitos das pessoas indígenas LGBTQIA+ não é uma pauta secundária ou fragmentada da luta indígena; e, por fim, orintações descritivas de como fortalecer a caminhada e dados de contatos.

A apresentação da cartilha destaca:

Olá parente, hoje viemos aqui abordar o que nunca te contaram sobre a luta e a resistência pelos direitos dos povos indígenas. Essa cartilha nasce para fortalecer o diálogo dentro do Movimento Indígena brasileiro e também junto aos movimentos e organizações LGBTQIA+ no Brasil.

Além disso, este material tem como objetivo contribuir com a formação, a informação e o diálogo dentro do Movimento Indígena, trazendo reflexões sobre a importância de reconhecer e respeitar as existências indígenas LGBTQIA+ como parte legítima de nossos povos, territórios e processos de organização. Não se trata de criar divisões, mas de fortalecer a unidade do Movimento Indígena a partir do reconhecimento das realidades que atravessam nossos corpos e nossas comunidades.

A existência indígena LGBTQIA+ não é algo recente ou externo às nossas culturas. Ela é ancestral e sempre esteve presente em diferentes povos, mesmo que muitas vezes tenha sido invisibilizada pelos impactos do colonialismo, da imposição de moralidades e das violências estruturais que seguem atuando até hoje. Reconhecer essa diversidade é também reconhecer a história viva de nossos povos.

Entendemos que este processo de aprendizado é algo contínuo, pois advém de um contexto histórico de violência e violações de direitos aos povos indígenas, dessa forma, nos fortalecermos é fundamental para que possamos prevenir violências, promoção do respeito mútuo e da construção de espaços mais seguros para todos os parentes.

Ao compartilhar informações, experiências e reflexões, buscamos fortalecer a organização coletiva e ampliar a compreensão de que a defesa da vida indígena passa pelo reconhecimento da pluralidade de identidades existentes em nossos territórios. Seguimos firmes na luta por direitos, território, dignidade e Bem Viver para todos os povos indígenas.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.

Entre apresentações e entrevistas, GT TER participa do VI Colóquio Raça e Interseccionalidades e prepara lançamento do podcast PodTER

Entre apresentações e entrevistas, GT TER participa do VI Colóquio Raça e Interseccionalidades e prepara lançamento do podcast PodTER

O Grupo Temático - Tecnologias de Enfrentamento a racismos em escolas e IES (GT TER) esteve presente no VI Colóquio Raça e Interseccionalidades, realizado entre os dias 19 e 22 de maio de 2026 na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Franca, em São Paulo.

Nesta edição, com o tema “Discurso, Democracia, Antirracismo e Interseccionalidade”, o colóquio enfatiza que não há democracia sem antirracismo.

Entre os Grupos de Trabalho presentes, o GT Enfrentamento a Racismos na Escola e na Universidade (GT TER) foi proposto e mediado pelas pesquisadoras Jacqueline Fiuza da Silva Regis (INCT Caleidoscópio/CNPq) e Joana Plaza Pinto (UFG). Neste grupo, os trabalhos apresenrados realizaram um debate sobre tecnologias sociais de enfrentamento a racismos na escola e na universidade, reunindo tanto resultados de pesquisas quanto relatos de experiências educativas e emancipatórias.

Ao entender que a questão racial é transversal em qualquer pesquisa e ação educativa, defenderam ser fundamental proporcionarmos espaços seguros para a elaboração dessa questão no encontro entre pessoas confrontadas cotidianamente com a violência racista para o desenvolvimento de tecnologias sociais de emancipação, autofortalecimento e enfrentamento a toda e qualquer forma de racismo.

Compreendendo que raça e gênero são categorias imbricadas, associadas também a outros marcadores históricos, mas atuais, de opressão colonial, como argumenta Lelia Gonzales (1984)1, estimularam a participação de educadoras e pesquisadoras que desenvolvam atividades de pesquisa, de extensão, de ensino, de comunicação científica, artísticas e/ou educativas em geral.

Reforçaram também a participação de promotoras de encontros intergeracionais e em distintos níveis de formação para fortalecer a (re)existência2 (Souza, 2011; Souza; Jovino; Muniz, 2018)3 de pessoas afetadas pelo racismo, além de educadoras e pesquisadoras para apresentarem debate sobre branquitude crítica, com discussão (auto)crítica sobre privilégios e alianças.

O GT TER é uma iniciativa da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, e nas palavras de Jacqueline Fiuza, pesquisadora e coordenadora do grupo:

O objetivo do GT TER é ser mais uma tecnologia antirracista em si, ao passo que também divulga outras tecnologias e abordagens antirracistas em escolas e instituições de ensino superior. Entre os trabalhos apresentados no colóquio, por exemplo, vimos a professora Érika da Silva Pereira, do Colégio Pedro II, que trouxe um protocolo de procedimento orientado para todas as pessoas envolvidas, família, escola, professores(as) e demais funcionários e funcionárias da escola, para que todas e todos saibam como lidar quando é verificada uma injúria racial, um caso de racismo na escola. Chaiana Ramos, professora do Rio de Janeiro, fez uma análise do material didático que preconiza a diversidade. Assistimos a trabalhos sobre tecnologias antirracistas na universidade. Houve várias abordagens que podem ser lidas no Caderno de Resumos e também nas entrevistas que fizemos para o podcast do GT, o PodTER.

Jacqueline continua destacando o trabalho Linha da Vida realizado pela professora Joana, uma das coordenadoras do GT TER no colóquio. Joana conduz atividades junto com seu grupo de pesquisa para que estudantes e migrantes tenham mais autonomia e espaço para criação, para expressão, para o trabalho autoral dentro da universidade, além da possibilidade de conexões interpessoais, de formação de redes, que também são um sustento para isso, para a permanência na universidade, especialmente em outro país.

Veja mais sobre o trabalho de Joana Plaza no Seminário Linhas Cruzadas da formação feminista em nosso canal do YouTube. Clique aqui!

Neste recorte do Seminário Linhas Cruzadas postado no perfil do Instagram no INCT Caleidoscópio, Joana compartilha o percurso de adaptação da Linha da Vida para pesquisas com estudantes em situação de mobilidade, mostrando como a metodologia passou a dialogar com trajetórias migratórias e práticas linguísticas.

GT TER - Tecnologias de Enfrentamento a Racismos na Escola e na Universidade. Pesquisadoras Jacqueline Fiuza da Silva Regis (INCT Caleidoscópio/CNPq) e Joana Plaza Pinto (UFG)
Jacqueline Fiuza da Silva Regis (INCT Caleidoscópio/CNPq), à esquerda, e Joana Plaza Pinto (UFG), à direita, no VI Colóquio Raça e Interseccionalidades. Foto: Arquivo pessoal.

Além da mediação, proposição do grupo de trabalho e apresentações de pesquisa, o colóquio também foi um momento de escuta e registro. Jacqueline relata que foram feitas entrevistas com participantes do GT que irão compor a primeira série de episódios do podcast PodTER, que será lançado em breve. A pesquisadora também nos conta sua experiência no VI Colóquio Raça e Interseccionalidades:

O evento foi lindo, muito bem organizado. Contou com a presença de participantes de outros países da América Latina, como México, Uruguai, Argentina. Tivemos a presença da pedagoga e ex-ministra da Igualdade Racial do Brasil, Nilma Lino Gomes, que é uma das coordenadoras do INCT Antirracismo, nosso INCT irmão, como ela carinhosamente falou quando mencionou o INCT Caleidoscópio, o nosso instituto. O evento foi um sucesso também por permitir fazermos muitas conexões, encontros e ampliar os contatos na nossa rede antirracista, ao encontrarmos pessoas comprometidas com interseccionalidade, e não somente com raça, mas com todos os atravessamentos, todas as interseccionalidades, uma abordagem que dialoga muito com as nossas ações. E o GT TER em si também foi um encontro muito enriquecedor, muito valioso, com trabalhos lindos que serão divulgados por nós e pelo colóquio.

Conheça a lista de trabalhos apresentados no GT

O Caderno de Resumos do VI Colóquio Raça e Interseccionalidades já está disponível para leitura e pode ser acessado pelo site oficial do evento ou diretamente pelo link abaixo.

Cadernos de resumos VI Colóquio Raça e Interseccionalidades

Os trabalhos publicados no âmbito do GT TER estão listados a seguir. Para conhecer os resumos na íntegra, consulte o Caderno de Resumos do evento.

GT TER - Tecnologias de Enfrentamento a Racismos na Escola e na Universidade. Pesquisadoras Jacqueline Fiuza da Silva Regis (INCT Caleidoscópio/CNPq) e Joana Plaza Pinto (UFG)
Participantes do GT no VI Colóquio Raça e Interseccionalidades. Foto: Arquivo pessoal.

DIREITO PENAL ESCOLAR: DA EVASÃO ESCOLAR AO ENCARCERAMENTO (página 131 no caderno de resumos)
Apresentado por: Eron Madan Fernandes Fernandes e Francisco Quintanilha Veras Neto

COMO ENANGA, MARIJOH, NAMONDO, ISSA, AYUDELE UND MIRRIANE FORTALECERAM MEU EMPENHO ANTIRRACISTA SENDO PROFESSORA NA ALEMANHA: A FORÇA DA LITERATURA FEMININA AFRODIASPÓRICA (página 138 no caderno de resumos)
Apresentado por: Jacqueline Fiuza da Silva Regis

RAÇA, GÊNERO E RACISMOS: PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO DE RAÇA E GÊNERO EM ESCOLA NO INTERIOR DA BAHIA (página 140 no caderno de resumos)
Apresentado por: Beatriz Giugliani

INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA DO DISTRITO FEDERAL: DISCURSOS E PRÁTICAS DE LETRAMENTO DOCENTE (página 144 no caderno de resumos)
Apresentado por: João Marcos Messias Miranda e Maria Izabel Santos Magalhães

REDISTRIBUIÇÃO NARRATIVA EM OFICINAS BIOGRÁFICAS FEMINISTAS PARA O ENFRENTAMENTO AO RACISMO EM ESPAÇOS UNIVERSITÁRIOS (página 164 no caderno de resumos)
Apresentado por: Joana Plaza Pinto

ENFRENTAMENTO DO RACISMO NA ESCOLA: AÇÕES FORMATIVAS E PROTOCOLO INSTITUCIONAL DO CAMPUS TIJUCA I DO COLÉGIO PEDRO II (página 212 no caderno de resumos)
Apresentado por: Érika da Silva Pereira e Layla Mariana Sucini Coury

ESTUDANTES NEGROS E A DESOBEDIÊNCIA ENQUANTO TECNOLOGIA EMANCIPATÓRIA NO ENSINO SUPERIOR (página 272 no caderno de resumos)
Apresentado por: Kathleen dos Santos Galvão

A INSERÇÃO DE PERSONAGENS NEGROS NO MATERIAL DIDÁTICO DA REDE MUNICIPAL DO RJ: UM ESTUDO SOBRE REPRESENTATIVIDADE NO COMPLEXO DA MARÉ (página 307 no caderno de resumos)
Apresentado por: Chaiana Ramos e Fabio Sampaio de Almeida

UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O ENSINO MULTIDISCIPLINAR DAS TECNOLOGIAS SOCIAIS EM CURSOS ACADÊMICOS DO ENSINO SUPERIOR (página 361 no caderno de resumos)
Apresentado por: Elismênnia Aparecida Oliveira e Mariane Santana Barbosa

  1. GONZALES, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, p. 223-244, 1984. ↩︎
  2. SOUZA, Ana Lúcia Silva. Letramentos de reexistência: poesia, grafite, música, dança: hip-hop. São Paulo: Parábola Editorial, 2011. ↩︎
  3. Souza, A. L. S., Silva, I. J. da, & Muniz, K. da S. (2018). LETRAMENTO DE REEXISTÊNCIA - UM CONCEITO EM MOVIMENTOS NEGROS. Revista Da Associação Brasileira De Pesquisadores As Negros As (ABPN), 10(Ed. Especi), 01–11. Recuperado de https://abpnrevista.org.br/site/article/view/526 ↩︎