Publicado no Caderno Espaço Feminino, volume reúne cinco artigos apresentados no 2º Seminário de Pesquisas do Observatório Caleidoscópio, com debates sobre desigualdades de gênero, trajetórias acadêmicas e Inteligência Artificial.
O dossiê “Caleidoscópio de olhares: mulheres nas ciências e enfrentamentos às violências de gênero” foi publicado em 15 de setembro de 2026, no volume 39, número 1, do periódico Caderno Espaço Feminino. A publicação reúne cinco artigos resultantes da 2ª edição do Seminário de Pesquisas do Observatório Caleidoscópio, organizado pela Nucleação Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio, e aborda diferentes dimensões da participação das mulheres nas ciências, das desigualdades de gênero e das violências no ambiente acadêmico.
Organizado por Lia Sousa, Mirlene Simões e Maria Cristina Cavaleiro, o dossiê apresenta pesquisas sobre docência e relações de gênero, experiências de mulheres em cargos de gestão universitária, políticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior, trajetórias profissionais de doutoras e recém-doutoras e vieses de gênero na Inteligência Artificial Generativa.
A publicação está disponível gratuitamente no portal de periódicos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com acesso aos artigos e à apresentação do dossiê.
Caleidoscópio de olhares: mulheres nas ciências e enfrentamentos às violências de gênero
Os cinco artigos abordam diferentes aspectos das desigualdades de gênero na produção científica e nas instituições de ensino superior, reunindo análises sobre participação, permanência, reconhecimento profissional e enfrentamento às violências.
Do Seminário de Pesquisas às páginas do Caderno Espaço Feminino
O dossiê “Caleidoscópio de olhares: mulheres nas ciências e enfrentamentos às violências de gênero” está disponível no portal do Caderno Espaço Feminino, com acesso gratuito à apresentação assinada pelas organizadoras e aos cinco artigos que compõem a seção temática.
“Indígenas pesquisadoras, metodologias próprias e a produção de conhecimento” - Eliza Pankararu
12 de dezembro de 2025, Brasília.
Nós, indígenas pesquisadoras de pós-graduação das áreas de ambiental, educação, saúde e de Direito, reunidas no “I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras”, realizado no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, entre os dias 10 à 12 de dezembro de 2025, reafirmamos nosso comprometimento com uma ciência plural que tenha como base a defesa dos direitos dos povos indígenas dialogando com as nossas lutas e resistências.
Neste Seminário, reunimos 25 (vinte e cinco) mulheres que pertencem aos seis biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pampa, Mata Atlântica e Pantanal. Rememoramos em três dias de intensos debates, discussões sobre temas envolvendo linguagem, justiça, cultura, resistência, saúde, ciências e educação e, em especial, a trajetória acadêmica de mulheres indígenas pelos cursos de graduação e pós-graduação em universidades de todo o Brasil.
Ainda, reafirmamos que nossas pesquisas são construídas de forma coletiva, em diálogo permanente com nossos povos, territórios e lideranças. Os estudos desenvolvidos partem das realidades e necessidades concretas das comunidades, contribuindo para o fortalecimento da luta pela garantia do direito aos territórios indígenas em todo o país. Cada pesquisa realizada atua como instrumento de denúncia das violações e de proposição de caminhos para a proteção territorial, reafirmando a centralidade da terra para a existência, a continuidade e a autodeterminação dos povos indígenas.
Neste evento, defendemos uma produção científica comprometida com a vida, com a memória e com a continuidade de nossos modos de ser, saber e viver, que assegure o protagonismo indígena na academia e garanta que nossos corpos, vozes e histórias estejam efetivamente presentes nos espaços de decisão e de construção do conhecimento.
Reconstruir a ciência a partir do território é reconhecer a potência dos saberes indígenas e romper com a invisibilidade que historicamente marcou seus direitos. É, ainda, inspirar outras mulheres e produzir um conhecimento vivo, enraizado nas experiências concretas, capaz de transformar realidades e não apenas de produzir estatísticas. Não estamos apenas fazendo ciência, estamos ressignificando a própria forma como a ciência vê, escuta e se relaciona com os povos indígenas.
Diante do exposto e das ricas contribuições de cada uma das mulheres que participaram do evento, firmamos os seguintes compromissos e encaminhamentos, que nortearão ações futuras:
1 - Fortalecimento da Rede das Pesquisadoras Indígenas, com criação de coletivo e garantia de representações em diversos espaços de decisão, a ser executado pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação, Ministério das Mulheres, Ministério da Igualdade Racial e Ministério da Cultura.
2 - Visibilidade e reconhecimento da produção científica das mulheres indígenas, a ser executado pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação, Ministério das Mulheres, Ministério da Igualdade Racial e Ministério da Cultura.
3 - Garantia de editais de financiamento para a publicação de livros da produção acadêmica de mulheres indígenas, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação, por meio da CAPES, com apoio do CNPq, além do Ministério da Cultura, Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde e Ministério da Igualdade Racial.
4 - Estabelecimento de parcerias institucionais com universidades, centros de pesquisa, organizações indígenas e organismos internacionais, visando ampliar o intercâmbio de conhecimentos e fortalecer os projetos da Rede, a ser executado pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação.
5 - Promoção de ações formativas e de capacitação voltadas às pesquisadoras indígenas, incluindo oficinas de escrita acadêmica, metodologias próprias e instrumentos de pesquisa sensíveis às realidades dos povos indígenas, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Educação, por meio da CAPES, universidades e institutos federais, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, CNPq, Ministério das Mulheres e Ministério da Igualdade Racial.
6 - Promoção da interculturalidade nos espaços acadêmicos, com ações que garantam o respeito às epistemologias, cosmologias e metodologias indígenas nas instituições de ensino e pesquisa, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Educação, por meio da CAPES, universidades e institutos federais, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, CNPq, Ministério da Cultura, Ministério das Mulheres e Ministério da Igualdade Racial.
7 - Articulação para a inclusão das pesquisadoras indígenas em comitês científicos, conselhos e fóruns decisórios nas instituições de pesquisa e órgãos governamentais, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
8 - Garantia da continuidade do seminário anual, com previsão orçamentária no Ministério dos Povos Indígenas e Ministério da Educação.
9 - Manifestação e articulação política em defesa dos direitos territoriais indígenas, com posicionamento explícito das pesquisadoras indígenas contra o marco temporal — incluindo o Projeto de Lei nº 490/2007 e sua tramitação correlata como PL nº 2.903/2023 — promovendo debates, notas técnicas e ações institucionais que fortaleçam a proteção e a demarcação das terras indígenas.
10 - Busca pela efetivação das políticas de cotas em concursos públicos e em programas de pós-graduação, em todas as áreas do conhecimento, como instrumento de promoção da igualdade, ampliação do acesso à educação e fortalecimento da justiça social, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Educação (MEC), Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Ministério da Igualdade Racial, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da CAPES.
Encerramos o I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras reafirmando que nossa presença na academia não é apenas um espaço de produção de conhecimento, mas um ato contínuo de resistência, afirmação de identidade e defesa dos nossos territórios. Ao longo dos dias de trabalho coletivo, demonstramos que nossas pesquisas — diversas em temas, áreas e metodologias — são expressões vivas das demandas e saberes de nossos povos, construídas de forma colaborativa e comprometida com a transformação social.
Este encontro fortaleceu nossos laços enquanto pesquisadoras indígenas de diferentes Povos Indígenas, ampliou nossa compreensão sobre os desafios comuns e reforçou a urgência de garantir espaços de reconhecimento, financiamento, visibilidade e decisão para mulheres indígenas na ciência. Saímos deste seminário mais unidas, organizadas e determinadas a ampliar a Rede de Pesquisadoras Indígenas, garantindo que nossas vozes continuem ecoando dentro e fora da academia.
Reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos territoriais, a valorização das epistemologias indígenas e a construção de uma ciência plural, inclusiva e sensível às realidades dos povos indígenas. Nosso compromisso é abrir espaço para que outras meninas e mulheres Indígena ingressem no âmbito acadêmico e nele permaneçam. Que este seminário seja o primeiro de muitos, fortalecendo cada vez mais nosso protagonismo e nossas contribuições para o Brasil e para o mundo.
Mulheres Indígenas dos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pampa, Mata Atlântica e Pantanal. presente no “I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras”.
Iniciativa reúne dados de 19 coletivos e resulta da escuta, pesquisa e incidência política da Rede Arandu desde 2024. O objetivo é dar visibilidade aos esforços de lutas indígenas pelo acolhimento às diversidades.
Segundo Flávia Belmont, doutora em Relações Internacionais, pós-doutoranda júnior no INCT Caleidoscópio e coordenadora do mapeamento, o objetivo é incentivar a ampliação das redes e a consolidação de relações entre os coletivos. “A ideia é dar visibilidade e principalmente mostrar para as pessoas indígenas LGBTQIAPN+ que esses grupos existem e que elas podem ter apoio e acolhimento nestes espaços, além de se fortalecerem política e pessoalmente”, comenta.
O processo de mapear os coletivos e espaços de mobilização se deu a partir de um formulário digital divulgado durante o ATL, que ocorreu presencialmente em Brasília no mês de abril. O material foi compartilhado também em redes sociais e, com isso, diálogos complementares com representantes dos movimentos integraram a pesquisa.
O resultado final reúne informações de 19 coletivos, 15 deles criados por e para pessoas indígenas LGBTQIAPN+, a partir de suas necessidades e demandas, e mais 4 que se configuram como espaços de mobilização mais amplos e que acolhem, também, pessoas indígenas de sexualidades e identidades de gênero não-normativas, promovendo estes debates.
Mapeamento revela diversidade entre os grupos
Os grupos mapeados representam povos indígenas de todas as regiões do Brasil, com destaque para a região Nordeste. Eles apresentam diferentes formatos de organização, variando entre articulações nacionais, grupos territoriais e urbanos. Apesar da diversidade, são marcados por interesses em comum, como a defesa dos direitos humanos, o combate à LGBTfobia e ao racismo, a promoção da saúde integral, o fortalecimento das identidades indígenas LGBTQIAPN+, a valorização das ancestralidades e a incidência política em defesa dos territórios.
Muitos grupos desenvolvem ações de acolhimento, formação política, produção cultural, comunicação, saúde mental e justiça climática, articulando a luta pela diversidade às reivindicações históricas dos povos originários.
O levantamento evidencia ainda que a organização política de indígenas LGBTQIAPN+ se intensificou nos últimos anos: a maior parte dos coletivos identificados foi criada entre 2019 e 2026, acompanhando o fortalecimento da presença dessa pauta em espaços como o Acampamento Terra Livre e em redes nacionais de mobilização.
Dados nacionais podem impulsionar novas redes
Os dados foram coletados com o intuito de reunir informações, dar visibilidade aos grupos e suas atividades e, com isso, fomentar ações e políticas públicas. Segundo Flávia Belmont, muitos coletivos mapeados ainda não eram conhecidos pela Rede Arandu, como alguns grupos do Norte, da Amazônia e de regiões fronteiriças.
“A coleta foi feita também por meio de relações de confiança. A parceria com o TYBYRA, que é esse coletivo nacional do qual muitas pessoas da Arandu também fazem parte, permitiu que a gente pudesse, de fato, circular e ter a confiança das pessoas que responderam”, complementa Flávia.
Dentre as informações reunidas, estão dados gerais sobre os coletivos e os contatos de pontos focais e representantes indígenas LGBTQIAPN+. Para Belmont, isso é importante não apenas para a constituição de redes, mas também para a construção de relações de confiança, além de aprimorar o trabalho da Rede Arandu.
Próximos passos
Um dos trabalhos centrais já desenvolvidos pela Rede Arandu é o levantamento de dados sobre violências de gênero e sexualidade que afetam populações indígenas. O mapeamento dos coletivos representa uma etapa importante tanto para este levantamento, que está em processo, como também para a construção de acolhimento e escuta sobre as pautas e demandas destas populações.
“O objetivo é que esse levantamento de dados seja robusto, não apenas no sentido dos números, mas também da estrutura. Queremos um levantamento das violências que não vulnerabilize nem revitimize as pessoas. Ele precisa vir acompanhado de ações de acolhimento, de promoção do bem-viver e da saúde mental. A aplicação desse instrumento de pesquisa também deve ser coletiva, porque eu não daria conta sozinha. É um tema muito delicado, que toca as pessoas de maneiras muito fortes”, revela Belmont.
A Rede Arandu segue aberta para atualização do mapeamento e diálogo com as comunidades e grupos que desejem integrar as atividades e criar novas colaborações.
Sobre a Rede Arandu
Criada em 2024, a Arandu – Rede de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade é uma iniciativa interseccional e transversal voltada à produção de conhecimento por e sobre povos indígenas, seus coletivos e instituições parceiras, com ênfase no entrelaçamento de gênero, sexualidade, raça e etnia. Ligada ao INCT Caleidoscópio Centro-oeste, tem como propósito fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Surge a partir de um diálogo com a Coordenação de Política para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas e tem como base algumas discussões prévias do grupo de pesquisa Povos Indígenas e Política Global e do Núcleo de Pesquisa Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional (NUGRAD), de onde vieram os primeiros colaboradores da Rede.
Publicação reúne recomendações construídas com mulheres quilombolas para fortalecer políticas de permanência, cuidado e equidade racial nas universidades brasileiras.
Como construir políticas universitárias capazes de responder às experiências vividas por mães quilombolas? De que maneira universidades, gestoras(es), pesquisadoras(es), movimentos sociais e comunidades podem atuar conjuntamente para ampliar condições de permanência, cuidado e equidade na educação superior?
Essas questões orientam o Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas, tecnologia social que será lançada no próximo 20 de julho de 2026, das 10h às 12h (horário de Brasília), em transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube.
A publicação resulta de pesquisas desenvolvidas em diálogo permanente com mulheres quilombolas e integra o Projeto "Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades" (Edital Universal 10/2023; Auxílio nº 2751/2025) e o projeto "Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção" (Bolsa de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), coordenados pela Profa. Dra. Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande.
Essa iniciativa é desenvolvida no âmbito da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal no âmbito do Observatório Caleidoscópio, frentes de atuação do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas múltiplas insurgências, com coordenação do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande.
O lançamento também materializa uma cooperação institucional construída entre a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, formalizada por meio do Termo de Compromisso Cidadão em Ciência, Tecnologia e Sociedade para Ensino, Pesquisa, Extensão e Transferência de Tecnologias Sociais, assinado em 07 de agosto de 2024. O acordo estabelece o compromisso de fortalecer, por meio da produção compartilhada de pesquisas e tecnologias sociais, as trajetórias de mulheres quilombolas pesquisadoras nas universidades, bem como definir princípios para pesquisas desenvolvidas em territórios quilombolas e com quilombolas, orientados pela ciência cidadã, pelo diálogo com as comunidades e pela valorização dos direitos quilombolas. Para conhecer mais, acesse.
Construído de forma colaborativa entre pesquisadoras negras e quilombolas, graduandas negras quilombolas, comunidades, integrantes movimentos sociais e universidades, o caderno apresenta recomendações destinadas ao fortalecimento das políticas institucionais de permanência de estudantes mães quilombolas, articulando evidências produzidas pela pesquisa científica, experiências comunitárias e conhecimentos construídos nos territórios.
Entre os conteúdos da publicação encontram-se:
Recomendações para universidades, gestoras(es), equipes de assistência estudantil e formuladoras(es) de políticas públicas.
Diretrizes para o desenvolvimento de políticas de permanência voltadas às maternidades quilombolas.
Experiências produzidas por mulheres quilombolas em diferentes territórios brasileiros.
Reflexões sobre maternidades, cuidado, permanência universitária, racismo, gênero e direitos.
Orientações para projetos de pesquisa, extensão, ensino e formação profissional.
Estratégias voltadas à construção de ambientes universitários comprometidos com a equidade étnico-racial e de gênero.
A publicação destina-se a:
Docentes da Educação Superior e da Educação Básica.
Pesquisadoras(es) e estudantes de graduação e pós-graduação.
Gestoras(es) universitárias(os) e equipes de assistência estudantil.
Pró-Reitorias, coordenações de cursos, núcleos de ações afirmativas e setores de apoio estudantil.
Projetos de pesquisa e extensão.
Movimentos sociais, comunidades quilombolas e organizações da sociedade civil.
Instituições públicas comprometidas com a promoção da permanência e da equidade racial na educação superior.
O evento reunirá pesquisadoras de diferentes universidades brasileiras, lideranças quilombolas e representantes de instituições públicas e organizações da sociedade civil para discutir maternidades, permanência universitária, tecnologias sociais e produção compartilhada do conhecimento.
Após o lançamento, o Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas estará disponível gratuitamente, em formato digital, no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal: https://www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br.
Esta atividade integra o Ciclo de Tecnologias Sociais do Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências, composto por guias, cadernos orientadores, cadernos de recursos e materiais audiovisuais que serão disponibilizados entre julho e novembro de 2026. As publicações abordam diferentes dimensões do acesso, da permanência, da produção científica e das trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas, reunindo resultados de pesquisas, experiências comunitárias e tecnologias sociais construídas de forma colaborativa.
As próximas atividades, as publicações e os materiais produzidos poderão ser acompanhados no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, disponível em www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br, e nos canais de comunicação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio, do Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências e do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades.
A Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande, e pela Profa. Dra. Sílvia Lúcia Ferreira, da Universidade Federal da Bahia.
Serviço
Evento: Lançamento do Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas
Data: 20 de julho de 2026
Horário: 10h às 12h (horário de Brasília)
Modalidade: On-line
Transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube: clique aqui e salve a prévia.
Dossiê reúne dez textos de pesquisadoras de todo o país. A publicação é desdobramento do Seminário de Pesquisa do Observatório Caleidoscópio, vinculado ao INCT Caleidoscópio.
Foi lançado, 20 de maio de 2026, o dossiê Mulheres na Ciência: limites e formas de enfrentamento (v. 14, n. 1) da Revista Feminismos (UFBA). São, ao todo, dez artigos de diferentes temáticas resultam de pesquisas apresentadas durante o Seminário de Pesquisa do Observatório Caleidoscópio, realizado no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto Nacional de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e violências de Gênero e Sexualidade e Suas Múltiplas Insurgências.
As pesquisas publicadas dialogam com os objetivos do INCT Caleidoscópio e foram desenvolvidas por parceiras/os do Observatório, que, desde 2023, vem conformando uma rede de pesquisadoras/es a nível nacional e internacional envolvidas/os com as temáticas de gênero e ciência.
Organizado pelas pesquisadoras Joana Maria Pedro (UFSC), Karla Bessa (Unicamp) e Morgani Guzzo (UFSC), o dossiê é um desdobramento dos espaços de divulgação científica e debate que acontecem mensalmente, desde 2024, no âmbito do Observatório, nucleação Sul-Sudeste.
“Os seminários afirmaram-se como uma prática coletiva e sistemática de reflexão crítica sobre as condições históricas, institucionais e políticas que atravessam a presença — ainda profundamente desigual — das mulheres no campo científico brasileiro”, afirmam as organizadoras na apresentação do dossiê.
Além da importância científica dos textos publicados, o fato dessa publicação ocorrer na Revista Feminismos reflete o importante diálogo com o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), que participa do Comitê Gestor do INCT Caleidoscópio e é uma referência histórica pioneira nos estudos de gênero no Brasil. “Essa parceria reafirma o compromisso com a produção de conhecimento feminista, crítica e situada, construída a partir de redes institucionais, políticas e afetivas de longa duração”.
Temáticas são alinhadas aos eixos de trabalho do INCT Caleidoscópio
Os textos do dossiê foram apresentados seguindo uma lógica de temáticas afins. O primeiro grupo de artigos se dedica à reconstrução histórica das trajetórias de mulheres nas ciências no Brasil, com destaque para estudos baseados em metodologias prosopográficas e na análise contextual de arquivos institucionais. O segundo grupo aborda as violências de gênero e o assédio no ambiente universitário. A terceira reúne textos sobre a inclusão de mulheres nas áreas STEM – acrônimo de origem anglófona para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática – e na educação profissional e tecnológica, a partir de pesquisas empíricas realizadas no Brasil e, uma delas, em diálogo comparativo com a França. O quarto e último eixo temático desloca o olhar para a dimensão do cuidado, da maternidade e da permanência no ensino superior.
Mulheres enfrentam múltiplas formas de desigualdade e violência na ciência
Segundo as organizadoras do dossiê, os textos reunidos não apenas descrevem os limites impostos às mulheres em suas carreiras, mas também mostram as múltiplas formas de enfrentamento às desigualdades e violências: enfrentamentos institucionais, quando políticas e mecanismos são reivindicados ou analisados criticamente; enfrentamentos simbólicos, quando narrativas históricas são reescritas; enfrentamentos cotidianos, quando redes de apoio e práticas de cuidado são construídas; e enfrentamentos epistemológicos, quando a ideia de neutralidade científica é tensionada a partir de perspectivas feministas e interseccionais.
Ciência feminista: crítica às relações de poder e alinhada a compromissos éticos coletivos
Ao reunir pesquisas que articulam história, políticas institucionais, indicadores, experiências vividas e práticas de cuidado, as organizadoras do dossiê desejam reafirmar a importância de pensar a ciência como prática social situada, atravessada por relações de poder, responsabilidades éticas e compromissos coletivos.
“Entendemos que o exercício reflexivo aguça a consciência e incita a descolonização das práticas e sujeições das pesquisas e pesquisadoras/es. Assim, esperamos contribuir, com este dossiê, para a construção de uma ciência comprometida com a equidade, a diversidade, a inclusão e a justiça social, princípios que orientam nosso Observatório e o INCT Caleidoscópio”, finalizam.
O acesso ao dossiê é gratuito e pode ser feito pelo link.
Autoria de Flávia Belmont de Oliveira, pesquisadora de pós-doutorado do INCT Caleidoscópio - Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Pesquisadora da Rede Colaborativa de Pesquisa Arandu - Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.
À Coordenação de Políticas para Indígenas LGBTQIA+ Ministério dos Povos Indígenas; à Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania,
Estimadas(os),
Conforme acordado em reunião realizada em outubro de 2025, venho, como pesquisadora do INCT Caleidoscópio e da Rede Arandu - e com supervisão e parceria da Prof. Dra. Tchella Maso -, encaminhar a nota técnica intitulada: Sobre violências contra pessoas indígenas LGBTQIA+ no Brasil: limites dos dados oficiais, urgência de escuta qualificada e ações intersetoriais.
Reconhecemos a importância de instrumentos institucionais como o Disque 100 enquanto canal estratégico de denúncia e produção de informações sobre violações de direitos humanos, ao mesmo tempo em que apontamos para a necessidade de seu contínuo aperfeiçoamento.
O texto apresenta análise sobre as múltiplas violências que atingem pessoas indígenas LGBTQIA+ no país, destacando os limites dos dados oficiais disponíveis, as lacunas nos sistemas de notificação e a necessidade de aprimoramento dos instrumentos de registro e monitoramento. A nota ressalta, também, a centralidade de processos de escuta qualificada e territorialmente contextualizada para a formulação de políticas públicas adequadas às especificidades étnicas e socioculturais.
Colocamo-nos à disposição,através da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio, para aprofundar o diálogo com o Ministério dos Povos Indígenas e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com a finalidade de contribuir para a construção de políticas públicas comprometidas com a vida, a dignidade e os direitos das pessoas indígenas LGBTQIA+.