I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe” abre inscrições para encontro híbrido no dia 28 de maio

I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe” abre inscrições para encontro híbrido no dia 28 de maio

Diálogos desde a produção acadêmica de pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas. Conheça a programação dos encontros e veja como participar!

Estão abertas as inscrições para participação no I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”, pelo Observatório Caleidoscópio por meio da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Social Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas múltiplas insurgências, em articulação com a Universidade Agostinho Neto e a Universidade Católica de Angola.

Nesta edição, o ciclo tem como eixo temático a promoção de Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana, sob a coordenação das professoras Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN).

O atual Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global, articulando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica entre África, América Latina e Caribe. Os encontros se ancoram em marcos políticos da trajetória de suas lutas, dialogando com datas fundamentais às insurgências de mulheres negras, afrodescendentes e quilombolas: o Dia Internacional da Mulher; o Dia da África; o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha; o Dia Internacional Contra o Tráfico de Mulheres; o Dia Nacional da Consciência Negra; e o Dia Internacional dos Direitos Humanos. 

Nesta direção, a iniciativa resulta de uma cooperação internacional com a Red Internacional de Voces Afrofeministas (RIVAS) e com o Grupo de Trabalho Afrodescendentes Propostas Contrahegemónicas da CLACSO, com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A organização está a cargo do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), em parceria com a Universidade Agostinho Neto (UAN) e a Universidade Católica de Angola (UCAN).

Nacionalmente, articula-se com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis (PPGPsico-UNESP), GEM - Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e com o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA). 

Fabular criticamente, a partir da provocação que nos faz Saidiya Hartman (2008, 2022), permite forjar composições, rompimentos e tensionamentos, os quais excedem ou mesmo extrapolam e transgridem o cálculo racial que atravessa os arquivos lacunares da produção acadêmica em Psicologia e em campos disciplinares com os quais dialogamos, marcados também por formas de epistemicídio discutidos por Sueli Carneiro (2005).

Como nos lembram bell hooks (2019) e Gonzalez (1988), importa criar espaços onde, como pessoas negras, afrodescendentes e quilombolas, a partir dos feminismos negros e africanos (Oyěwùmí, 2011, 2020), interrogamos o “olhar do Outro” e também “olhamos de volta”, umas para as outras, dando nome ao que vemos, sentimos e pesquisamos, em escritas constituídas pela experiência e pela memória coletiva, em movimentos de escrevivência, tal como nos convida Conceição Evaristo (2020), escapando às narrativas de histórias únicas nas ciências (Correia, 2020; Septien, 2022). 

Situamos o presente ciclo internacional de seminários como uma prática de Confabulação Crítica, ou seja, um trabalho coletivo de fabulação que se dá num arquivo necessariamente lacunar da Psicologia, traçando conexões entre Angola e Brasil, refazendo rotas e percursos de mulheres pesquisadoras numa temporalidade que se esboça a partir de corpos atravessados pela diáspora, exílio, refúgio e por comunidades de destino. 

Com atividades realizadas entre março de 2026 e dezembro de 2026 sob a mediação por Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN), os encontros reúnem pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas de países da África, América Latina e Caribe em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. Ao longo da programação, pesquisadoras de Angola, Brasil, Cuba e Argentina apresentam suas pesquisas sobre psicologias, mudanças climáticas, migrações, políticas públicas, cuidado comunitário, linguagens, territorialidades quilombolas e disputas epistemológicas, fortalecendo redes de cooperação científica entre África, América Latina e Caribe.

Esta ação é vinculada aos projetos de pesquisa “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades” (Edital Universal 10/2023; Auxílio: 2751/2025) e “Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção” (Bolsa de Produtividade em Pesquisa CNPq).

Veja como participar

Os encontros acontecem em formato híbrido com transmissões entre Brasil e Angola pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário disponível neste link, também presente na bio do nosso perfil do Instagram @INCTCaleidoscopio.

A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

Conheça o cronograma datas, temas e participantes

SEMINÁRIO I

Com tema “Nós em Rede” Produção Acadêmica de Mulheres Negras na Última Década: Diálogos África e Diáspora Africana (Angola, Brasil e Cuba), o primeiro seminário ocorreu no dia 09 de março de 2026, em formato híbrido, às 8 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 12 horas (Horário de Luanda, Angola).

O encontro contou com a participação de:

Elsa Barber, de Angola Business School, em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, e Gabinete da Vice-Presidência da República (GVPR), Angola.
- Políticas públicas de gênero em Angola.

Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), Brasil.
- Políticas públicas de gênero, raça e territorialidade na pós-graduação em universidades brasileiras.

Profa. Dra. Rosa Campoalegre Septien, do Programa Universitario de Investigación sobre Afrodescendencias y América Latina da Universidad Nacional Autónoma de México (PUIC-UNAM), Cuba.
- Coordenação do Grupo de Trabalho Afrodescendentes: Propostas Contra-hegemônicas.

Profa. Me. Luciene Tavares, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Território Quilombola de Caianas, Brasil.
- Mulheres quilombolas nas universidades e territórios.

Coordenação/Mediação: Prof. Me. Karma Richard e Prof. Me. Paulino Gonga.

SEMINÁRIO II

Com o tema Psicologias, migrações e mudanças climáticas: experiências de mulheres negras no Sul Global, o segundo seminário será realizado no dia 28 de maio de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

O encontro conta com a participação de:

Profa. Dra. Catarina Nunda, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Mestrado em Psicologia Social, Angola.
- Migração interna feminina: mulheres (i)migrantes do Planalto Central em Luanda.

Profa. Dra. Juliene Pereira dos Santos, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Brasil.
- Territorialidades específicas no Alto Rio Trombetas: modos de vida quilombolas em conflito com grandes projetos.

Profa. Dra. Rebeca Kelly Gomes da Silva, Faculdade de Medicina de Taubaté (FMT), Brasil.
- A escrevivência como política de cuidado e autorrecuperação de mulheres negras.

Profa. Dra. Maria da Graça Silveira Gomes da Costa, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil.
- Perspectivas de justiça climática a partir das experiências de feminismos afroindígenas latino-americanos.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN). 

SEMINÁRIO III 

Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento é o tema do terceiro seminário do ciclo, que será realizado no dia 30 de julho de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Compõem a mesa:

Profa. Dra. Anny Ocoró Loango, da Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.
- Produção acadêmica de mulheres negras.

Tamille dos Santos Ferreira, do Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI/UFRB), Brasil.
- Epistemologias ancestrais em saúde.

Profa. Dra. Candida Soares da Costa, integrante do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE/UFMT), Brasil.
- Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO IV 

Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil é o tema do quarto encontro. Com realização no dia 24 de setembro de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil) e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Mestra Ana Bela Loureiro, da Universidade Nova de Lisboa - UNL, e da Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.
- Mulher e língua na construção da identidade cultural.

Profa. Dra. Jaileila de Araújo Menezes, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil.
- Psicologia e epistemologias contracoloniais.

Mestra Charlene Costa, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e da Comunidade Quilombola Macanudos/RS, Brasil.
- PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO V 

Com o tema Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas, o quinto seminário será realizado no dia 26 de novembro de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Profa. Dra. Adelina Nascimento, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais ( FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Mestrado em Psicologia Social, Angola.
- Educação como valor de participação social para o desenvolvimento comunitário no bairro Bem Vindo.

Mestra Ronilda Bordó de Freitas, da Universidade Federal do Pará (UFPA), Brasil.
- Saberes, corpos-territórios e memórias de uma comunidade quilombola.

Profa. Dra. Diônvera Coelho da Silva, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Brasil.
- Contribuições de mulheres negras para a formação em Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO VI 

Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil será o tema do quarto encontro. Realizado em formato híbrido no dia 03 de dezembro de 2026 às 09 horas (horário de Brasília, Brasil).

Este encontro conta com a participação de:

Profa. Dra. Jeanine da Silveira, da Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.
- A toponímia de Luanda contemporânea.

Profa. Dra. Luiza Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Brasil.
- Infâncias negras pelas mãos de Virgínia Bicudo e Conceição Evaristo.

Mestra Luane Pereira Souza Macedo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e da Comunidade Quilombola Negros do Talhado, Brasil.
- Zaire é um velho menino: fabulações quilombistas sobre possibilidades de vida e desencarceramento de adolescentes negros no sistema socioeducativo.

Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PROFHISTÓRIA/UFRRJ) e Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva da Fundação Oswaldo Cruz (PPGBIOS/FIOCRUZ), Brasil.
- Psicologia social, relações étnico-raciais e produção de conhecimento.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

Observatório Caleidoscópio, INOVA UNICAMP e COCEN alinham proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista na Unicamp

Observatório Caleidoscópio, INOVA UNICAMP e COCEN alinham proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista na Unicamp

A Profª. Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio e pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, em conjunto com a Pós-doutoranda Mirlene Simões (INCT/PAGU/CNPq), tem promovido gestões com atores locais na UNICAMP para a promoção de ações referentes à equidade de gênero nas ciências e nas Instituições de Ensino e Pesquisa, com foco nas áreas Tecnológicas em diálogo com as Artes e Humanidades.

Em março deste ano, ambas visitaram à INCAMP, a incubadora de empresa de base tecnológica da UNICAMP, para um primeiro contato e conhecimento das ações da INCAMP. Em Abril, em uma reunião ampliada com a direção da INCAMP, a assessora da COCEN (Coordenadoria de Centro e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa), com representantes do Inova UNICAMP (Agência de Inovação da UNICAMP) e com a coordenação do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, a Profª. Karla Bessa apresentou a proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — especialmente nas áreas de igualdade de gênero (ODS 5), educação de qualidade (ODS 4) e ação climática (ODS 13).

A proposta nasceu da experiência em curso no âmbito do INCT Caleidoscópio, com a Incubadora Social Feminista Antirracista dedicada à formação de mulheres quilombolas nas ciências, que tem coordenação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e se estende para várias outras universidades do Norte, Nordeste e Amazônia legal com ações de monitoramento, formação e produção conjunta de materiais com estudantes quilombolas das respectivas universidades envolvidas.

O foco desta nova incubadora social do INCT Caleidoscópio em Campinas será a formação crítica e tecnológica em Inteligência Artificial (IA), articulada às questões de equidade de gênero e justiça climática, com incentivo ao desenvolvimento de pequenos projetos locais em escolas públicas do entorno da UNICAMP e comunidades adjacentes.

Estiveram presentes na reunião, além da Profª. Dra. Karla Bessa do INCT - Observatório Caleidoscópio, a Mariana Inglez, Coordenadora de Ambientes de Inovação e Empreendedorismo da Inova UNICAMP, o Prof. Dr. Renato Lopes, Diretor Executivo da Inova UNICAMP, a Profª. Dra. Iara Beleli, Coordenadora Associada do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, Vital Yasumaru, Supervisor de Empreendedorismo da INCAMP e a Profª. Dra. Marta Cristina Teixeira Duarte, Assessora da Coordenadoria de Centro e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN-UNICAMP) e a Mirlene Simões, Pós-Doc do INCT - Observatório Caleidoscópio.

Foram discutidos os possíveis caminhos para a institucionalização e início das atividades da Incubadora Social Feminista na Unicamp, com possível parceria com outros setores da Unicamp e com o LEGH da Universidade Federal de Santa Catarina, que já faz parte da coordenação do Observatório Caleidoscópio.

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio

Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.

Publicação original: Observatório Caleidoscópio Sul-Sudeste, 06/05/2024.

Por: Morgani Guzzo e Pedro Ordones

Dos dias 4 a 6 de junho acontece, em Brasília, a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), cujo tema é "Para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido". Na etapa preparatória, a Conferência Livre Meninas e Mulheres na Ciência, realizada no dia 25 de março na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, apresentou iniciativas voltadas à equidade de gênero e, entre elas, o trabalho realizado pelo INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero, Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

O diagnóstico das desigualdades é parte fundamental para a discussão dos rumos futuros da ciência, tecnologia e inovação no Brasil, proposta pela 5ª CNCTI. Embora as mulheres sejam maioria na graduação e na pós-graduação em algumas áreas do conhecimento, elas constituem minoria na docência, em cargos de gestão e entre pesquisadoras com bolsa produtividade, situação que é chamada de "efeito tesoura".

De acordo com levantamento de dados realizado pelo Observatório Sul-Sudeste, do INCT Caleidoscópio, 64,76% de quem recebe bolsa produtividade são homens e 34,24% são mulheres. "Mesmo nas Ciências Humanas, onde há maior número de mulheres a nível de pesquisa, elas são minoria entre quem recebe bolsas de produtividade", afirmou durante a Conferência Livre Joana Maria Pedro, professora aposentada do Departamento de História da UFSC, coordenadora do Observatório Sul-Sudeste e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC).

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio. Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.
A historiadora Joana Maria Pedro. Créditos: Jéssica Michels.

As ações em prol da equidade de gênero na ciência, na tecnologia e na inovação perpassam, portanto, pelo olhar sobre as condições para que meninas e mulheres possam não só acessar as universidades, mas permanecer em seus cursos e progredir em suas carreiras.

Nesse sentido, o INCT Caleidoscópio tem, dentre seus objetivos, o desenvolvimento de pesquisas a nível nacional com relação às boas práticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior. Morgani Guzzo, pesquisadora de pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste e integrante do LEGH/UFSC, contou durante a Conferência um pouco da sua pesquisa em andamento: "O primeiro passo que demos foi um mapeamento de políticas implementadas pelas universidades públicas no que diz respeito ao recebimento de denúncias, acolhimento das vítimas e enfrentamento às violências de modo geral. Em seguida, temos buscado entrevistar as pessoas responsáveis por implementar essas políticas para entendermos os processos, desafios e o impacto de tais ações".

Dentre as universidades do Sul e do Sudeste mapeadas até o momento pesquisa, estão seis do Rio Grande do Sul, duas de Santa Catarina, uma do Paraná, uma da região sul (UFFS), três de São Paulo, uma do Espírito Santo, duas do Rio de Janeiro e três de Minas Gerais.

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio. Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.
Morgani Guzzo durante a Conferência Livre Meninas e Mulheres na Ciência. Créditos: Jéssica Michels.

De acordo com Morgani, embora algumas já contem com canais de recebimento de denúncias, ainda são poucas as que implementaram ações amplas de enfrentamento às violências de gênero. "A maioria ainda possui apenas a Ouvidoria como instrumento para registrar as denúncias, sendo comum que elas sejam arquivadas sem a devida responsabilização de quem praticou as violências. Além disso, são incipientes os mecanismos de acolhimento às vítimas e as ações de prevenção e educação que façam frente à cultura onde tais violências e assédios institucionais são naturalizados", completou Morgani.

Para a pesquisadora, também é necessário criar formas de monitoramento dessas políticas, além de avaliar se a comunidade científica sabe a quem recorrer quando necessário. "O passo seguinte é divulgar amplamente as iniciativas exitosas para estimular que outras instituições também implementem políticas semelhantes, além de pensar em metodologias para monitorar a eficácia dessas ações".

Nesse sentido, o INCT Caleidoscópio tem, dentre seus objetivos, o desenvolvimento de pesquisas a nível nacional com relação às boas práticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior. Morgani Guzzo, pesquisadora de pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste e integrante do LEGH/UFSC contou, durante a Conferência, um pouco da sua pesquisa em andamento. "O primeiro passo que demos foi um mapeamento de políticas implementadas pelas universidades públicas no que diz respeito ao recebimento de denúncias, acolhimento das vítimas e enfrentamento às violências de modo geral. Em seguida, temos buscado entrevistar as pessoas responsáveis por implementar essas políticas para entendermos os processos, desafios e o impacto de tais ações".

A criação do INCT Caleidoscópio é resultado da preocupação de diversas pesquisadoras e núcleos de pesquisa sobre a desigualdade de gênero na ciência. Por isso, o fortalecimento de redes como a Caleidoscópio - Rede Nacional de Estudos Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Transdisciplinares e Decoloniais também é importante para avançar nesse tema, segundo a pesquisadora Joana Maria Pedro. "Precisamos garantir que temáticas como a equidade de gênero e o enfrentamento às violências nas universidades estejam na Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Também é preciso promover o fortalecimento das redes como a Parent In Science, a Andorinhas e a Caleidoscópio e reforçar a necessidade de mecanismos de proteção e segurança jurídica para aquelas que fazem denúncias", defendeu.

A 5ª CNCTI é realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal, com organização do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), com apoio de diversas entidades como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), entre outras. O principal objetivo desta edição, que acontece 14 anos após a última CNCTI, é analisar os programas, planos e resultados da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) de 2016-2023 e propor recomendações para a elaboração da ENCTI de 2024-2030.

https://youtu.be/bWfjTTOsPRg

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio

INCT Caleidoscópio participa da Conferência sobre mulheres e meninas na Ciência, em Florianópolis

Evento aconteceu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) no último dia 25 de março, e contou com a presença de docentes e pesquisadoras representantes de diferentes projetos e grupos de pesquisa comprometidos com estudos de gênero e com a formação de jovens cientistas.


Publicação original: Observatório Caleidoscópio Sul-Sudeste, 22/4/2024

Por: Morgani Guzzo e Pedro Ordones

No último dia 25 de março, as pesquisadoras Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo representaram o INCT Caleidoscópio durante a Conferência "Livre Mulheres e Meninas nas Ciências", realizada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e organizada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) regional de Santa Catarina. meninas e mulheres nas diferentes áreas do conhecimento e sugerir demandas

A atividade, que é preparatória para a 5ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação (CNCTI), que vai acontecer em junho, em Brasília, teve como objetivo apresentar diferentes iniciativas desenvolvidas em Santa Catarina que visem ampliar a presença de regionais a serem tratadas na conferência em Brasília.

Estiveram presentes docentes e pesquisadoras de universidades como a UFSC (Florianópolis, Araranguá, Joinville), a UDESC (Florianópolis, Joinville), a Uniplac (Lages) e representantes de diferentes projetos e grupos de pesquisa comprometidos com estudos de gênero e com a formação de jovens cientistas. Entre as palestrantes, Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo apresentaram o que é o INCT Caleidoscópio e os trabalhos realizados até o momento pelo Observatório Sul-Sudeste, que tem na coordenação pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade de Campinas (Unicamp).

Joana Maria Pedro, é professora aposentada do Departamento de História da UFSC, e uma das coordenadoras do Observatório Sul-Sudeste; já Morgani Guzzo é jornalista e realiza seu estágio pós-doutoral junto ao INCT Caleidoscópio e o Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH/UFSC). Ambas são pesquisadoras do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH).

"O INCT é um edital do CNPQ que visa estimular a criação de redes de pesquisadoras e o desenvolvimento de tecnologias sociais e comunicação em Ciência e Tecnologia. O projeto do INCT Caleidoscópio partiu das discussões realizadas pela Rede Nacional de Estudos e Pesquisas Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Interdisciplinares e Decoloniais, que chamamos de Rede Caleidoscópio", explicou Joana Maria Pedro no evento. "O intuito é compreender e enfrentar as desigualdades, violências e iniquidades de gênero e suas interseccionalidades nos ambientes universitários e nos espaços da Ciência como um todo.", completou.

Apresentando parte de sua pesquisa como pós-doutoranda junto ao INCT Caleidoscópio, Morgani ressaltou que, para além da necessidade de políticas de permanência nas universidades, é preciso que sejam criados e monitorados mecanismos e ações de enfrentamento às violências. "Sabemos que existem diversas políticas públicas de acesso à universidade, porém queremos garantir que essas políticas sejam também de permanência, pois a violência, que afeta em maioria as mulheres, é uma das questões que as levam a não continuar nas universidades".

As pesquisadoras também apresentaram um breve diagnóstico do que foi possível levantar na pesquisa em andamento e algumas recomendações para serem levadas para a 5ª CNCTI.

INCT Caleidoscópio participa da Conferência sobre mulheres e meninas na Ciência, em Florianópolis
Da esquerda para a direita: Alexandra Alencar (Ebó Epistêmico/UFSC), Tatiana Renata Garcia (Meninas na Tecnologia/UFSC Joinville), Maria Elisa Máximo (SBPC/SC), Geovana Lunardi Mendes (Udesc), Joana Maria Pedro (INCT Caleidoscípio/UFSC),
Janine Gomes da Silva (IEG/UFSC) e Morgani Guzzo (INCT Caleidoscópio/UFSC). Créditos: Jéssica Michels.

Além do INCT Caleidoscópio, a Conferência Livre contou com representações de importantes entidades e instituições, como o Instituto de Estudos de GêneroCátedra Antonieta de BarrosEbó Epistêmico e os projetos Meninas na Ciência e Meninas na Tecnologia, referências no trabalho pela equidade de gênero, raça, classe, entre outros marcadores sociais, que é parte dos eixos principais da Conferência Nacional.

A Conferência Livre teve apoio da UFSC, do mandato da Dep. Estadual Luciane Carminatti, da SBPC e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação/Governo Federal.