Publicado no Caderno Espaço Feminino, volume reúne cinco artigos apresentados no 2º Seminário de Pesquisas do Observatório Caleidoscópio, com debates sobre desigualdades de gênero, trajetórias acadêmicas e Inteligência Artificial.
O dossiê “Caleidoscópio de olhares: mulheres nas ciências e enfrentamentos às violências de gênero” foi publicado em 15 de setembro de 2026, no volume 39, número 1, do periódico Caderno Espaço Feminino. A publicação reúne cinco artigos resultantes da 2ª edição do Seminário de Pesquisas do Observatório Caleidoscópio, organizado pela Nucleação Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio, e aborda diferentes dimensões da participação das mulheres nas ciências, das desigualdades de gênero e das violências no ambiente acadêmico.
Organizado por Lia Sousa, Mirlene Simões e Maria Cristina Cavaleiro, o dossiê apresenta pesquisas sobre docência e relações de gênero, experiências de mulheres em cargos de gestão universitária, políticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior, trajetórias profissionais de doutoras e recém-doutoras e vieses de gênero na Inteligência Artificial Generativa.
A publicação está disponível gratuitamente no portal de periódicos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com acesso aos artigos e à apresentação do dossiê.
Caleidoscópio de olhares: mulheres nas ciências e enfrentamentos às violências de gênero
Os cinco artigos abordam diferentes aspectos das desigualdades de gênero na produção científica e nas instituições de ensino superior, reunindo análises sobre participação, permanência, reconhecimento profissional e enfrentamento às violências.
Do Seminário de Pesquisas às páginas do Caderno Espaço Feminino
O dossiê “Caleidoscópio de olhares: mulheres nas ciências e enfrentamentos às violências de gênero” está disponível no portal do Caderno Espaço Feminino, com acesso gratuito à apresentação assinada pelas organizadoras e aos cinco artigos que compõem a seção temática.
Entre os dias 16 e 18 de setembro de 2026, o Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF), no campus da Praia Vermelha, em Niterói (RJ), sediou a 2ª Conferência Latino-Americana de Ética em Inteligência Artificial (LAAI-Ethics 2026).
O evento reuniu pesquisadoras e pesquisadores, profissionais, estudantes e representantes da sociedade civil para debater os desafios éticos, regulatórios e sociais impostos pela rápida evolução da inteligência artificial na América Latina. A conferência, de caráter multidisciplinar, contou com o apoio do Comitê Gestor da Internet no Brasil, da CAPES, CNPq e do Instituto de Computação da UFF.
Um evento para pensar a IA a partir da América Latina
A LAAI-Ethics surge como resposta à necessidade premente de discutir diretrizes éticas e soluções práticas diante da expansão da inteligência artificial. Em sua segunda edição, o evento consolidou-se como um espaço de construção de capacidade local, pensando soluções próprias para os desafios da região, sem perder de vista o diálogo global.
A conferência é organizada por um comitê que reúne pesquisadores de diversas instituições brasileiras, com coordenação geral de Mariza Ferro (IC-UFF), Dárlinton Carvalho (UFSJ) e Livy Real (Kunumi/UFAM), além do apoio de docentes e comitês da UNICAMP, USP, UFRJ, entre outras.
A programação, distribuída ao longo de três dias, abrangeu palestras, oficinas, mesas-redondas, sessões de pôsteres e apresentações orais. Entre os temas centrais, destacaram-se o desenvolvimento e a avaliação de sistemas de IA seguros, éticos e transparentes; leis, regulação, governança e políticas públicas; abordagens filosóficas, morais e epistêmicas sobre sistemas inteligentes; estudos críticos sobre os impactos da IA generativa na sociedade; e direitos humanos, privacidade, equidade e mitigação de viés algorítmico.
A participação da Nucleação Sul Sudeste: ética feminista e construção participativa
Entre as pesquisas apresentadas, o INCT Caleidoscópio, vinculado ao Núcleo de Estudos de Gênero Pagu da Unicamp, foi representado por “Além da regulação: ética feminista e construção participativa de um agente de IA na educação pública”, de autoria de Mirlene F. Simões, Karla A. M. Bessa e Gedalva de Souza.
O trabalho foi apresentado por Simões no dia 17 de setembro, durante a sessão de apresentações orais, e posteriormente publicado nos anais do congresso.
A pesquisa parte de uma premissa: a regulação é necessária, mas insuficiente. As autoras argumentam que as legislações garantem transparência, supervisão e responsabilização, mas não alcançam questões estruturais como a concentração corporativa de infraestrutura, a apropriação de dados coletivos e os rumos da inovação.
O trabalho propõe uma abordagem baseada na ética feminista interseccional e decolonial, articulando o pensamento de Hannah Arendt sobre o espaço público e a deliberação plural, o conceito de conhecimento situado de Donna Haraway, os estudos sobre vieses de gênero no design de IA de Alison Adam, a crítica ao racismo algorítmico de Buolamwini e Silva, e a interseccionalidade de Kimberlé Crenshaw.
A pesquisa-intervenção foi realizada com estudantes do ensino médio público de Campinas (SP), com foco em duas temáticas centrais: a equidade de gênero nas ciências e a justiça climática. No método adotado, as jovens participaram ativamente da definição dos temas, da elaboração de perguntas, da seleção e discussão de fontes e da avaliação das respostas.
“Construir a ferramenta é, ao mesmo tempo, investigação e letramento crítico”, explicam as autoras. Essa abordagem torna visíveis escolhas ocultas nos grandes modelos de linguagem, como erros, silêncios e generalizações.
A pesquisa está diretamente alinhada às atividades da Incubadora Social Feminista de Inteligência Artificial, iniciativa do INCT Caleidoscópio que busca fomentar a produção crítica de conhecimento comprometida com a justiça social, a equidade de gênero e a inovação científica.
A Incubadora tem como um de seus objetivos atrair jovens estudantes, especialmente meninas, para as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM). O trabalho com as estudantes do ensino médio é realizado por meio do Observatório Caleidoscópio, com bolsas do programa de iniciação científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM) financiadas pelo CNPq.
Caminhos futuros
A 2ª LAAI-Ethics reafirmou a importância de se pensar a inteligência artificial para além de seus aspectos técnicos e regulatórios. Ao reunir pesquisadores de diferentes áreas e promover o diálogo entre academia, sociedade civil e poder público, o evento contribui para a construção de uma agenda de IA mais justa, inclusiva e comprometida com os direitos humanos na América Latina.
A participação de pesquisas como a do INCT Caleidoscópio demonstra que a ética em IA não é apenas uma questão de conformidade legal, mas uma prática contínua de participação, cuidado, crítica e transformação.
Na última quarta-feira, 02/09, a professora Viviane de Melo Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio, esteve na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em uma agenda que incluiu uma visita ao Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, uma das sedes da Nucleação Sul-Sudeste do INCT e do Observatório Caleidoscópio. O encontro buscou integrar a coordenação nacional à equipe da Unicamp e apresentar as atividades em andamento.
Recebida pela professora Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio e uma das coordenadoras da nucleação Sul-Sudeste do Observatório Caleidoscópio, juntamente com a professora Maria Margarete Lopes. Foi a primeira visita da Profa. Viviane ao Pagu Unicamp. A visita ocorreu durante sua participação no I FELIS – I Fórum Internacional sobre Educação Linguística e Sustentabilidade, realizado na Universidade.
Integração entre redes
Reunião da equipe com a professora Viviane. Foto: Letícia Moreira.
O encontro foi uma oportunidade de diálogo entre a coordenação nacional do INCT Caleidoscópio e as bolsistas e pesquisadoras que atuam na Unicamp. Além das coordenadoras, estiveram presentes também Lia Sousa, Mirlene Simões e Gedalva de Sousa, pós-doutorandas no INCT, Letícia Moreira, bolsista de jornalismo científico, e Alana Rayssa, Thainá de Paula e Sofia Bravin, bolsistas de Iniciação Científica.
Além das apresentações individuais, foram compartilhados as pesquisas e atividades em andamento na coordenação Sul-Sudeste, bem como o planejamento de ações futuras. A professora Viviane recordou como foi o processo de construção do Instituto, ainda em 2022. Já a professora Karla Bessa destacou as ações com as cinco alunas de Iniciação Científica Jr., estudantes da Escola Barão Geraldo de Rezende, em Campinas, e o trabalho em curso junto ao Quilombo do Vale do Ribeira.
As bolsistas integram a Incubadora Social Feminista de Inteligência Artificial (I.A) da nucleação Sul-Sudeste, sediada na Unicamp. Bessa explicitou o porquê de a Incubadora estar voltada à intersecção entre tecnologias de I.A e os desafios do Meio Ambiente:
“criamos esta Incubadora Social na Unicamp com o objetivo de aproximarmos o Pagu e o INCT-Caleidoscópio das alunas da rede pública de Campinas. Diante da grave crise climática e do avanço irrestrito de modelos generativos, deixar que estudantes, historicamente arredias aos estudos nas áreas tecnológicas, aceitem respostas prontas sem questionar os vieses da tecnologia é o mesmo que deixá-las expostas aos riscos éticos e políticos que mantêm velhas desigualdades invisíveis. Por outro lado, integrar a pauta ambiental a uma perspectiva de IA feminista é uma tentativa de mitigar o automatismo técnico, e realizar o processo de formação das estudantes dentro de uma postura crítica, de questionamento sobre a origem dos dados e, assim, possam, em um futuro próximo, liderar a criação de soluções socioambientais para a sua própria comunidade, visto que o futuro já está aqui entre nós”
Para a professora Viviane, a visita foi uma rica oportunidade de ver de perto o trabalho realizado pela nucleação e conhecer as membras da equipe.
“Fiquei muito impressionada com a estrutura que o Pagu empresta ao INCT Caleidoscópio e com o vibrante entusiasmo das jovens pesquisadoras. Também foi um prazer rever minhas colegas coordenadoras da nucleação e da coordenação Sul-Sudeste de nosso Observatório”.
Apresentação do INCT no I FELIS
Profa. Viviane de Melo apresenta no I FELIS. Foto: Karla Bessa
Fórum Internacional sobre Educação Linguística e Sustentabilidade: Ontologias Relacionais, realizado na Universidade entre os dias 01 e 03 de setembro, no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). O evento reuniu pesquisadores e profissionais de educação e linguística de todo o país para discutir o estado da arte da educação linguística voltada para o desenvolvimento sustentável.
Na ocasião, Viviane apresentou o trabalho “Palavras-território e metáforas na enunciação política indígena LGBTQIAP+”, em co-autoria com Tchella Maso e Yara Martinelli, todas da Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa analisa dois manifestos indígenas LGBTQIAP+, “Colorindo a luta em defesa do território” (2022) e “Manifesto Indígena LGBTQIAP+” (2024), para compreender como eles participam da produção de palavras-território que unificam linguagem, corpo e território, sem reduzir a demarcação a uma imagem abstrata. Para as pesquisadoras, neste manifesto, “a metáfora funciona como elemento estruturante de modos de pensar, sentir, agir e reivindicar existência política”.
O estande contou com relatos de experiências e impactos sociais do Instituto, recebendo visitantes de diversas idades, perfis e regiões do Brasil ao longo dos 6 dias de evento na 78ª Reunião Anual da SBPC. Foto: Letícia Moreira.
Além da participação na programação acadêmica, o Instituto esteve presente na ExpoT&C com um estande e uma programação dedicada ao diálogo sobre iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade a partir de perspectivas feministas, interseccionais e antirracistas.
Ao longo do evento, cerca de 2 mil pessoas passaram pelo estande, segundo estimativa baseada na distribuição dos materiais gráficos do Instituto. As atividades foram conduzidas em colaboração por uma equipe de 18 pessoas, das três nucleações regionais, que se revezaram na preparação e durante a Reunião Anual.
O INCT Caleidoscópio foi um dos cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia presentes na ExpoT&C, em um universo de mais de 200 INCTs atualmente ativos no país. Na Tenda ExpoT&C, o estande reuniu atividades interativas e materiais de comunicação científica, como cartilhas, quiz, vídeo institucional, bottons e marcadores de texto, que apresentaram ao público pesquisas, projetos, podcasts e ações desenvolvidas pelo Instituto.
Durante a programação, a equipe recebeu estudantes da educação básica e do ensino superior, pesquisadoras, pesquisadores, docentes, famílias e visitantes, promovendo conversas sobre gênero, sexualidade, direitos humanos, democracia, justiça social, saúde e educação menstrual, territórios, meio ambiente e indígenas LGBTQIAPN+, e a participação de mulheres nas ciências, com recortes para mulheres negras, quilombolas e indígenas. A diversidade de públicos e a pluralidade de diálogos foram alguns dos aspectos destacados pela equipe durante a experiência.
A apresentação do instituto como o primeiro INCT feminista do Brasil também despertou a atenção de quem circulava pela feira. Visitantes procuraram o estande para conhecer as pesquisas desenvolvidas, compreender as formas de atuação do Instituto e buscar informações sobre possibilidades de participação em sua rede.
Essa experiência permitiu alcançar pessoas que ainda não conheciam o INCT Caleidoscópio e aproximar suas pesquisas de públicos de diferentes áreas científicas e da nova geração de pesquisadoras e pesquisadores.
Trocas e diálogos plurais possibilitaram aproximações
O espaço também possibilitou diálogos com pesquisadoras e pesquisadores interessados em integrar ou estabelecer aproximações com a rede. Durante a feira, a equipe recebeu pessoas de diferentes regiões e instituições do país interessadas nas temáticas desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio, reforçando a participação na SBPC como uma oportunidade de articulação científica e construção de novas conexões.
Para Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT e coordenadora da Comissão de Comunicação Científica do Observatório Caleidoscópio, a temática da SBPC 2026, que teve como lema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, está diretamente ligada à temática do Instituto, que tem como pauta garantir a pluralidade das vozes de quem faz ciência no Brasil.
Bessa avalia como positiva a participação no encontro:
“Foi uma decisão muito acertada da nossa coordenadora Viviane Resende e do nosso Comitê Científico. A SBPC é uma entidade que existe no Brasil desde 1948, parte de sua trajetória envolve uma reflexão e intervenção nos rumos da Ciência e Tecnologia que se produz aqui e também no tipo de educação que queremos. Participar da SPBC com um estande significa apostar no mote ‘ciência para todos’, e dar visibilidade ao trabalho que temos realizado nos quatro cantos do país com nosso Observatório de iniquidades e violências de gênero e sexualidade, com nossas incubadoras sociais e nossas várias pesquisas nesta fronteira de reflexão sobre a importância da diversidade étnico-racial, de gênero, de regionalidades, em cada área e grande área de conhecimento.
Além desse encontro com os pares (estamos recebendo visitas de várias pesquisadoras de diferentes áreas que se encantam com nosso trabalho), os estandes representam uma abertura para uma conversa direta com professoras/es do Ensino Fundamental e Médio, com estudantes de várias escolas daqui de Niterói e Região, enfim, promove o que entendemos ser um dos nossos objetivos primordiais, que é estar o mais próximo possível da comunidade, assegurando que esse debate sobre mulheres (quilombolas, indígenas, periféricas, lgbtia+) nas ciências é urgente e precisa da nossa atenção. A existência de um INCT dedicado a isso tem feito muita diferença.”, declara.
Pesquisadoras e equipe técnica do INCT Caleidoscópio. Mirlene Simões, Karla Bessa, Sandra Maria, Zizele Ferreira e Laura de Souza (esq. para dir.). Foto: Daniel Silva.
Marina Silva, estudante de Engenharia de Pesca na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), compartilha que conhecer o INCT Caleidoscópio foi inspirador. “É muito bom saber que existe um núcleo na Região Nordeste que trabalha essas temáticas de gênero e diversidade. Com certeza, vou procurar me encaixar em alguma oportunidade junto ao projeto”, relata.
“Dialogar com pessoas de diferentes lugares e perspectivas — crianças e adolescentes das redes públicas de ensino, pesquisadoras, professoras e visitantes de diversas áreas — foi uma das partes mais instigantes para mim. Cada conversa exigia adaptar a linguagem para abordar temas como gênero, antirracismo e interseccionalidade, conceitos que, para muitas pessoas, ainda eram novos ou pouco familiares, e que são os pilares do INCT Caleidoscópio.
A pesquisa costuma ser avaliada pelos resultados que produz. Experiências como essa também convidam a perguntar: por onde esses resultados circulam, quem tem acesso a eles e quais diálogos são capazes de produzir.” comenta Julia, bolsista Rede Arandu/INCT Caleidoscópio/CNPq.
A presença na Reunião Anual também favoreceu a aproximação com outros Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia.
Além da visita de pesquisadoras, pesquisadores, gestoras e gestores que estão à frente dos processos e políticas científicas brasileiras, a experiência reforçou a importância da participação do Instituto em espaços científicos que reúnem diferentes áreas do conhecimento.
Para além de eventos dedicados especificamente aos estudos de gênero, a presença na SBPC possibilitou inserir debates sobre equidade, diversidade de gênero, sexualidade e questões étnico-raciais em um espaço mais amplo de discussão sobre a ciência e as políticas científicas no Brasil.
Atividade especial sobre trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas
Legenda: Estande Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva. Foto: Morgani Guzzo.
A participação do INCT Caleidoscópio contou ainda com a atividade “Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva: diálogos interativos para a soberania e inclusão nas ciências”, no Instituto de Arte e Comunicação Social, organizada pela Incubadora Social Feminista Antirracista, Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulado pela coordenação sediada na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
O estande, que aconteceu no dia 29/07, pautou a autonomia e trajetórias acadêmicas das mulheres quilombolas e contou com materiais formativos e conversas com os visitantes.
A pesquisadora e professora da UFBA, Sandra Maria da Silva, destaca a vasta participação e interação de pessoas interessadas em discutir sobre acesso e permanência nas universidades.
“Foi uma oportunidade de estabelecer vários contatos e possíveis parcerias. Essa experiência me trouxe felicidade de ver que pessoas de diferentes gerações demonstram interesse em conversar sobre essa temática”, declara.
As participantes apresentaram também outras ações desenvolvidas pela Incubadora Social, como mentorias e treinamentos para estudantes universitárias.
Jovens cientistas num futuro de equidade
Jovens pesquisadoras, pesquisadores, alunas e alunos da Educação Básica de todo o país compuseram uma parcela significativa do público durante os dias de evento.
“Ver mulheres dominando áreas da ciência é muito incrível, porque nós vemos como nós mulheres somos muito capazes de ocupar lugares que a gente nem imagina”, declara Ana Lara.
Visitantes assistindo o vídeo institucional do INCT Caleidoscópio. Foto: Daniel Silva.
O ciclo de conferências Siglo XXI: Mujeres y Diversidades. Logros y desafíos para alcanzar la equidad de género desde la vida privada a la vida pública, organizado pela RAGCyT e ENyS-Conicet (Argentina), CIGU-UNAM (México), Pagu-Unicamp e INCT Caleidoscópio (Brasil), retoma suas atividades, após recesso em julho.
A mesa 03 – “Políticas públicas para la transformación social y la corresponsabilidad de cuidados”, ocorrerá na próxima terça-feira, 11 de agosto, com palestrantes de instituições dos três países organizadores, inclusive de órgãos governamentais.
Da Argentina, falará a Ministra das Mulheres e Diversidades da província de Buenos Aires, Estela Díaz, e as Dras. Marisa Herrera (CONICET) e Mariel Bleger (UNRN).
A representante mexicana será a Dra. Martha Patricia Castañeda Salgado, da UNAM, que discorrerá sobre os desafios e posibilidades na implementação de políticas institucionais com perspectiva feminista em matéria de cuidados.
No caso brasileiro, contaremos com a Secretária Nacional de Cuidados e Família, Dra. Laís Wendel Abramo, e com a Dra. Lidia Possas, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e nucleada da coordenação Sul-Sudeste do Observatório Caleidoscópio. Possas apresentará sua experiência de pesquisa e enfrentamento aos comportamentos abusivos na Academia.
A mediação ficará a cargo de Lia Gomes P. de Sousa, pós-doutoranda do INCT Caleidoscópio no Núcleo de Estudos de Gênero Pagu-Unicamp (coordenação Sul-Sudeste do Observatório Caleidoscópio).
Card de divulgação da mesa de 11 de agosto de 2026. Fonte: Siglo XXI
Moderadora: Dra. Lia Gomes Pinto de Sousa (INCT Caleidoscópio e UNICAMP)
Mesas Futuras
Mesa 04 – 08 de setembro – “Perspectivas de gênero na divulgação e comunicação científica e tecnológica”;
Mesa 05 – 22 de setembro – “Ecofeminismos e saberes ancestrais”;
Mesa 06 – 13 de outubro – “Aproximações epistemológicas e vieses de gênero na pesquisa”;
Mesa 07 – 20 de outubro – “História e sociologia da ciência”;
Mesa 08 – 10 de novembro – “Mulheres em posições de tomada de decisão nas universidades e organismos de ciência e tecnologia”;
Mesa 09 – 01 de dezembro – “Educação e vocações científicas com perspectiva de gênero”
Horários: México: 15:00 a 17:00 hrs Argentina e Brasil: 18:00 a 20:00 hrs
Link de acesso mediante inscrição (gratuita)
A programação completa e o formulário de inscrição – para recebimento do link de acesso e certificado de participação – encontram-se na página do evento.
O ST 29 - “Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências” aprofundou redes de pesquisa e ensino pela equidade de gênero em diferentes campos disciplinares.
O Observatório Caleidoscópio participou do 20° Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia (20 SNHCT), evento bianual promovido pela Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC) desde 1986. Segundo a página da instituição, “este é o mais antigo e maior evento nacional da área, congregando pesquisadores e estudantes de todo o Brasil e do exterior, nas mais diversas áreas de formação”. O 20° SNHCT ocorreu na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, de 27 a 31 de julho de 2026.
O Simpósio Temático 29 – “Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências” foi coordenado pela pós-doutoranda do INCT Caleidoscópio, Lia Gomes P. de Sousa (Pagu/Unicamp), e pelas nucleadas da coordenação Sul-Sudeste, Mariana Moraes de O. Sombrio (UFABC) e Eliza Teixeira de Toledo (UFMG). O objetivo do Simpósio foi contribuir para consolidar, dentro da História da Ciência, as perspectivas da história das mulheres, de gênero e diversos marcadores da diferença, impulsionando e reforçando redes de pesquisadoras e pesquisadores comprometides com a análise crítica do passado e com a construção consciente de narrativas e práticas de ensino na atualidade, pautadas pela equidade epistêmica e social. O “efeito Matilda”, cunhado por Margaret Rossiter (1993), foi referenciado na proposta do ST como homenagem a uma das fundadoras do campo de estudos, que denunciou a invisibilidade historiográfica e as assimetrias vivenciadas por mulheres na prática científica em diferentes contextos.
Card de divulgação do ST 29 no 20 SNHCT. Fonte: Instagram @sbhciencia
O ST recebeu 21 inscrições de diferentes instituições do Brasil, como Universidade Federal da Bahia (UFBA), Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Federal da Bahia (IFBA), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Secretaria Municipal de Educação de Saquarema/RJ e Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc-CE).
As temáticas contemplaram trajetórias históricas, campos disciplinares, direitos reprodutivos, estratégias metodológicas e pedagógicas, com especial incidência nas discussões em torno das desigualdades de raça e da atuação nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Dentre as nucleadas do Observatório do INCT Caleidoscópio, além das coordenadoras do ST, destacam-se os trabalhos orientados por Indianara Lima Silva (UEFS) – como os de Márjorie Carla dos Santos Macedo Dantas (UFBA), Gilvana Santos Barreto (UFBA) e Angevaldo Menezes Maia Filho (IFBA) – e o apresentado por Daiane Silveira Rossi (UFG). As professoras mencionadas participaram também das Mesas Redondas 1 “Ciência e tecnologias quânticas” (Indianara Silva) e 2 “Humanidades, ciências, tecnologias e ensino: interfaces atuais” (Daiane Rossi), realizadas no evento.
Daiane Rossi, Mariana Sombrio e Lia Sousa. Fonte: Arquivo pessoal
Os resumos dos trabalhos submetidos encontram-se no Caderno de Resumos, organizados por sessão:
Sessão 1
Dos movimentos sociais de mulheres à construção de uma agenda de pesquisa acadêmica: institucionalização dos Estudos de Gênero e Ciência no Brasil (1970 – 1990) – Maria Ruthe Gomes da Silva, Moema de Rezende Vergara
Gênero e trabalho acadêmico em Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Jessika Martins Ribeiro
Invisibilidades no campo: gênero, saberes tradicionais e a historiografia da ciência do solo no Brasil – Beatriz Wardzinski Barbosa, Maria Margaret Lopes
Mulheres médicas da UFMG: uma história de gênero (1911-1979) – Eliza Teixeira de Toledo
Sessão 2
A trajetória de Luiza Krau (1916-2020) na Hidrobiologia e bioindicadores de poluição – Lia Gomes Pinto de Sousa
Mulheres cientistas e a construção da ciência biológica na Amazônia paraense: o caso do Museu Paraense Emílio Goeldi (1930-1945) – Diego Rodrigo Guimarães Leal
História da Zoologia sob uma Perspectiva de Gênero: Mulheres, Trajetórias e Produção Científica – Thamires Luana Cordeiro
Onde estão as cientistas? Arqueologia digital e circulação global (Brasil, 1950-1970) – Daiane Silveira Rossi
Sessão 3
Uma princesa naturalista: Teresa da Baviera, viagem ao Brasil e escrita feminina no século XIX – Bianca Cristina Ribeiro Vicente Veloso
Escutando os sussurros das mulheres: A arte e ciência de Anna Morandi Manzolini – Luana Beatriz Xavier Nunes
Marcadores de gênero na trajetória de Harriet Brooks – Angevaldo Menezes Maia Filho
Bartyra de Castro Arezzo: uma Cientista Viajante em Busca de Conhecimento em Radioquímica e Química Nuclear – Márjorie Carla dos Santos Macedo Dantas, Indianara Lima Silva
Reconhecimento científico, gênero e classe: o efeito matilda na trajetória formativa de mildred dresselhaus – Milena de Oliveira da Costa
Sessão 4
A Subalternização Feminina e o Ensino de Ciências e Matemática: aspectos decoloniais sobre a narrativa científica – Mariana Moraes de Oliveira Sombrio, Ingryd Stephany de Oliveira
Classificando Estrelas, Reclassificando a Ciência: Educação Crítica e Feminista – Camila Maria Sitko, Mariana Salvi
Histórias, práticas e transformações: O Projeto Engenheiras do Amanhã e a redução das desigualdades de gênero nas Engenharias, Ciências, Tecnologia e STEM – Gabriella da Silva Mendes
Inclusão de Mulheres em STEM: reflexões a partir das matemáticas no Brasil e na França – Gabriela Marino Silva
Sessão 5
Opressões de gênero nas ciências: uma análise a partir da raça – Gilvana Santos Barreto, Angevaldo Menezes Maia Filho
Interseccionalidade, Micro-História e pós-Abolição: considerações sobre gênero, classe e raça na saúde a partir de Santa Maria/RS, entre 1900 e 1929 – Gabriela Rotilli dos Santos
Assistência obstétrica à população indígena no Brasil: desafios na construção da descolonização dos corpos (1990- 2025) – Larissa Velasquez de Souza
Mídia e construção de um problema social: o caso do Cytotec entre 1986 e 1998 no Brasil – Thayane Lopes Oliveira
A professora Maria Margaret Lopes (Pagu/Unicamp), membro do comitê gestor do INCT Caleidoscópio, participou também do Simpósio Temático 09 – “Ciência e Democracia na História: desafios e perspectivas”, coordenado por Alfredo Tiomno Tolmasquim (MAST), Antonio Augusto Passos Videira (UERJ) e Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa (Unicamp). Seu trabalho “A Conferência Regional do Hemisfério Ocidental para o Ano Geofísico Internacional – AGI, 1957-1958” foi apresentado na Sessão 2 do ST09.
Além dessas ações, o Observatório Caleidoscópio participou da sessão de pôsteres com a apresentação da pesquisa da bolsista de Iniciação Científica (Pibic-CNPq), Sofia Koyama Rehder, graduanda em Ciências Sociais orientada por Margaret Lopes e coorientada por Lia Sousa. O resumo do trabalho – “No more Mathildas”: em busca da produção das mulheres sobre as relações de gênero em ciências – foi publicado na página do evento.
Margaret Lopes, Sofia Koyama e Lia Sousa. Fonte: Arquivo pessoal