Autoria Lia Sousa

O ST 29 - “Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências” aprofundou redes de pesquisa e ensino pela equidade de gênero em diferentes campos disciplinares.

O Observatório Caleidoscópio participou do 20° Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia (20 SNHCT), evento bianual promovido pela Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC) desde 1986. Segundo a página da instituição, “este é o mais antigo e maior evento nacional da área, congregando pesquisadores e estudantes de todo o Brasil e do exterior, nas mais diversas áreas de formação”. O 20° SNHCT ocorreu na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, de 27 a 31 de julho de 2026.

O Simpósio Temático 29 – “Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências” foi coordenado pela pós-doutoranda do INCT Caleidoscópio, Lia Gomes P. de Sousa (Pagu/Unicamp), e pelas nucleadas da coordenação Sul-Sudeste, Mariana Moraes de O. Sombrio (UFABC) e Eliza Teixeira de Toledo (UFMG). O objetivo do Simpósio foi contribuir para consolidar, dentro da História da Ciência, as perspectivas da história das mulheres, de gênero e diversos marcadores da diferença, impulsionando e reforçando redes de pesquisadoras e pesquisadores comprometides com a análise crítica do passado e com a construção consciente de narrativas e práticas de ensino na atualidade, pautadas pela equidade epistêmica e social. O “efeito Matilda”, cunhado por Margaret Rossiter (1993), foi referenciado na proposta do ST como homenagem a uma das fundadoras do campo de estudos, que denunciou a invisibilidade historiográfica e as assimetrias vivenciadas por mulheres na prática científica em diferentes contextos.

Card de divulgação do 20º Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia (SNHCT), realizado de 27 a 31 de julho de 2026 em Goiânia, UFG. Em destaque vermelho, o título do simpósio: 'ST 29 Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências'. No centro, lado a lado, estão três retratos das coordenadoras: Lia Gomes Pinto de Sousa (UNICAMP), Mariana Moraes de Oliveira Sombrio (UFABC) e Eliza Teixeira de Toledo (UFMG). Abaixo das fotos, consta a informação de que as inscrições ocorreram de 17/11/25 a 03/02/26. O fundo é branco texturizado com detalhes geométricos coloridos na base.
Card de divulgação do ST 29 no 20 SNHCT. Fonte: Instagram @sbhciencia

O ST recebeu 21 inscrições de diferentes instituições do Brasil, como Universidade Federal da Bahia (UFBA), Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Federal da Bahia (IFBA), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Secretaria Municipal de Educação de Saquarema/RJ e Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc-CE).

As temáticas contemplaram trajetórias históricas, campos disciplinares, direitos reprodutivos, estratégias metodológicas e pedagógicas, com especial incidência nas discussões em torno das desigualdades de raça e da atuação nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Dentre as nucleadas do Observatório do INCT Caleidoscópio, além das coordenadoras do ST, destacam-se os trabalhos orientados por Indianara Lima Silva (UEFS) – como os de Márjorie Carla dos Santos Macedo Dantas (UFBA), Gilvana Santos Barreto (UFBA) e Angevaldo Menezes Maia Filho (IFBA) – e o apresentado por Daiane Silveira Rossi (UFG). As professoras mencionadas participaram também das Mesas Redondas 1 “Ciência e tecnologias quânticas” (Indianara Silva) e 2 “Humanidades, ciências, tecnologias e ensino: interfaces atuais” (Daiane Rossi), realizadas no evento.

rês mulheres sorridentes posam abraçadas em pé dentro de uma sala de aula. A mulher à esquerda veste blusa azul-marinho e calça preta; a do meio veste regata estampada em preto e branco com calça jeans; a da direita usa blusa branca, cardigan preto, calça pantalona terracota e óculos. As duas primeiras usam crachás do evento no peito. Ao fundo, vê-se um quadro verde de giz, uma tela branca retrátil para projeção e janelas de ferro com vidros retangulares.
Daiane Rossi, Mariana Sombrio e Lia Sousa. Fonte: Arquivo pessoal

Os resumos dos trabalhos submetidos encontram-se no Caderno de Resumos, organizados por sessão:

Sessão 1

  • Dos movimentos sociais de mulheres à construção de uma agenda de pesquisa acadêmica: institucionalização dos Estudos de Gênero e Ciência no Brasil (1970 – 1990) – Maria Ruthe Gomes da Silva, Moema de Rezende Vergara
  • Gênero e trabalho acadêmico em Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Jessika Martins Ribeiro
  • Invisibilidades no campo: gênero, saberes tradicionais e a historiografia da ciência do solo no Brasil – Beatriz Wardzinski Barbosa, Maria Margaret Lopes
  • Mulheres médicas da UFMG: uma história de gênero (1911-1979) – Eliza Teixeira de Toledo

Sessão 2

  • A trajetória de Luiza Krau (1916-2020) na Hidrobiologia e bioindicadores de poluição – Lia Gomes Pinto de Sousa
  • Mulheres cientistas e a construção da ciência biológica na Amazônia paraense: o caso do Museu Paraense Emílio Goeldi (1930-1945) – Diego Rodrigo Guimarães Leal
  • História da Zoologia sob uma Perspectiva de Gênero: Mulheres, Trajetórias e Produção Científica – Thamires Luana Cordeiro
  • Onde estão as cientistas? Arqueologia digital e circulação global (Brasil, 1950-1970) – Daiane Silveira Rossi

Sessão 3

  • Uma princesa naturalista: Teresa da Baviera, viagem ao Brasil e escrita feminina no século XIX – Bianca Cristina Ribeiro Vicente Veloso
  • Escutando os sussurros das mulheres: A arte e ciência de Anna Morandi Manzolini – Luana Beatriz Xavier Nunes
  • Marcadores de gênero na trajetória de Harriet Brooks – Angevaldo Menezes Maia Filho
  • Bartyra de Castro Arezzo: uma Cientista Viajante em Busca de Conhecimento em Radioquímica e Química Nuclear – Márjorie Carla dos Santos Macedo Dantas, Indianara Lima Silva
  • Reconhecimento científico, gênero e classe: o efeito matilda na trajetória formativa de mildred dresselhaus – Milena de Oliveira da Costa

Sessão 4

  • A Subalternização Feminina e o Ensino de Ciências e Matemática: aspectos decoloniais sobre a narrativa científica – Mariana Moraes de Oliveira Sombrio, Ingryd Stephany de Oliveira
  • Classificando Estrelas, Reclassificando a Ciência: Educação Crítica e Feminista – Camila Maria Sitko, Mariana Salvi
  • Histórias, práticas e transformações: O Projeto Engenheiras do Amanhã e a redução das desigualdades de gênero nas Engenharias, Ciências, Tecnologia e STEM – Gabriella da Silva Mendes
  • Inclusão de Mulheres em STEM: reflexões a partir das matemáticas no Brasil e na França – Gabriela Marino Silva

Sessão 5

  • Opressões de gênero nas ciências: uma análise a partir da raça – Gilvana Santos Barreto, Angevaldo Menezes Maia Filho
  • Interseccionalidade, Micro-História e pós-Abolição: considerações sobre gênero, classe e raça na saúde a partir de Santa Maria/RS, entre 1900 e 1929 – Gabriela Rotilli dos Santos
  • Assistência obstétrica à população indígena no Brasil: desafios na construção da descolonização dos corpos (1990- 2025) – Larissa Velasquez de Souza
  • Mídia e construção de um problema social: o caso do Cytotec entre 1986 e 1998 no Brasil – Thayane Lopes Oliveira

A professora Maria Margaret Lopes (Pagu/Unicamp), membro do comitê gestor do INCT Caleidoscópio, participou também do Simpósio Temático 09 – “Ciência e Democracia na História: desafios e perspectivas”, coordenado por Alfredo Tiomno Tolmasquim (MAST), Antonio Augusto Passos Videira (UERJ) e Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa (Unicamp). Seu trabalho “A Conferência Regional do Hemisfério Ocidental para o Ano Geofísico Internacional – AGI, 1957-1958” foi apresentado na Sessão 2 do ST09.

Além dessas ações, o Observatório Caleidoscópio participou da sessão de pôsteres com a apresentação da pesquisa da bolsista de Iniciação Científica (Pibic-CNPq), Sofia Koyama Rehder, graduanda em Ciências Sociais orientada por Margaret Lopes e coorientada por Lia Sousa. O resumo do trabalho – “No more Mathildas”: em busca da produção das mulheres sobre as relações de gênero em ciências – foi publicado na página do evento.

Três mulheres posam em pé ao lado de um banner impresso em um pedestal durante um evento acadêmico. À esquerda, uma mulher de cabelos brancos e curtos, óculos de armação escura e vestido estampado geométrico em azul e branco. No centro, uma jovem de cabelos escuros e vestuário preto. Ambas usam crachás no peito. À direita, uma mulher de óculos, regata branca, cardigan preto e calça pantalona terracota. O banner exibe o cabeçalho '20º SNHCT' e o título '"NO MORE MATHILDAS": EM BUSCA DA PRODUÇÃO DAS MULHERES SOBRE AS RELAÇÕES DE GÊNERO EM CIÊNCIAS', seguido pelos nomes das autoras Sofia Kôyama Rehder, Maria Margaret Lopes e Lia Gomes Pinto de Sousa, além de gráficos e tabelas coloridas. Ao fundo, vê-se a arquitetura do espaço universitário com vigas de concreto e a sigla UFG nas pilastras.
Margaret Lopes, Sofia Koyama e Lia Sousa. Fonte: Arquivo pessoal