INCT Caleidoscópio ganha estrutura permanente na UnB com a criação do Centro Integrado de Pesquisa Caleidoscópio

INCT Caleidoscópio ganha estrutura permanente na UnB com a criação do Centro Integrado de Pesquisa Caleidoscópio

O trabalho desenvolvido pelo INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília (UnB) ganha uma estrutura institucional permanente com a aprovação do Centro Integrado de Pesquisa (CIP) Caleidoscópio. Com a criação do CIP Caleidoscópio, parte das iniciativas desenvolvidas pelo Instituto na Universidade passa a contar com uma própria para pesquisa, parcerias e captação de recursos.

Criado em 2022, no âmbito do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do MCTI/CNPq, o INCT Caleidoscópio - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências é o primeiro INCT feminista do Brasil. Com sede na UnB, sua estrutura é organizada a partir de três nucleações presentes nas cinco regiões brasileiras.

As nucleações são coordenadas e compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa e articulam uma rede formada por 24 Instituições de Ensino Superior (IES) e outras instituições de todo o país e do exterior.

O CIP Caleidoscópio

Os Centros Integrados de Pesquisa integram a infraestrutura de pesquisa e inovação da Universidade de Brasília e reúnem atividades científicas, tecnológicas, artísticas, de inovação e de prestação de serviços, podendo ter caráter específico ou multidisciplinar. 

Enquanto o INCT é um projeto científico com duração vinculada ao seu financiamento, o CIP constitui uma estrutura permanente da UnB. As duas iniciativas passam, assim, a coexistir e atuar de forma articulada: o INCT preserva a dimensão nacional de sua rede enquanto o CIP cria condições para a continuidade institucional, na Universidade, de parte das atividades desenvolvidas pelo Caleidoscópio.

No caso do CIP Caleidoscópio, a nova estrutura mantém como eixo a compreensão e o enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades interseccionais no ambiente acadêmico e a identificação de iniciativas em Direitos Humanos e justiça social desenvolvidas em instituições de ensino superior em perspectiva feminista.

Uma das características do Centro é justamente sua natureza integrada. A proposta de criação do CIP Caleidoscópio foi apresentada conjuntamente pelo Instituto de Letras (IL), Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) e Instituto de Relações Internacionais (IREL), com a participação do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), além de grupos e laboratórios de pesquisa parceiros.

Embora faça parte da estrutura da UnB, o Regimento Interno prevê prospecção de parcerias e colaborações com outros centros e instituições de pesquisa e elaboração de projetos voltados à captação de recursos públicos e privados. Projetos também poderão ser captados diretamente por pesquisadoras e pesquisadores interessados na participação institucional do Centro.

Essa estrutura permite que o CIP preserve uma característica central da experiência construída pelo Caleidoscópio: a articulação entre diferentes unidades acadêmicas, áreas do conhecimento, grupos de pesquisa e instituições.

O Centro passa a contar com uma estrutura própria para organizar pesquisas, estabelecer parcerias, articular pesquisadoras e pesquisadores e desenvolver projetos vinculados às suas linhas de atuação.

Linhas de pesquisa dão continuidade aos trabalhos desenvolvidos

O CIP Caleidoscópio está organizado em cinco linhas de pesquisa:

  • Indicadores de Desigualdades Interseccionais e Experiências Exitosas;
  • Mulheres e dissidências de gênero nas ciências;
  • Raça e antirracismo nas ciências;
  • Povos e Comunidades Tradicionais e Ensino Superior;
  • e Desigualdade e Assédio no Ensino Superior.

As linhas dialogam diretamente com atividades desenvolvidas pela Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio. Atualmente, sua Incubadora Social desenvolve ações por meio de grupos temáticos dedicados a questões como:

  • desigualdades de gênero e sexualidade nos ambientes organizacionais das IES;
  • direitos dos povos indígenas e tradicionais e acesso ao ensino superior;
  • histórias e memórias de mulheres;
  • segregação urbana e acesso à educação;
  • violência e assédio;
  • maternidade na vida acadêmica;
  • privação de liberdade e políticas educacionais;
  • saúde das mulheres;
  • e tecnologias de enfrentamento aos racismos em escolas e IES.

Os grupos de trabalho passam a se relacionar com as linhas de pesquisa do CIP, contribuindo para operacionalizá-las e estabelecendo uma ligação entre as atividades já desenvolvidas no INCT e a nova estrutura institucional.

A proposta do Centro também prevê pesquisas desenvolvidas em contextos de observatórios e incubadoras, incluindo a produção e sistematização de indicadores sobre desigualdades interseccionais nas IES e pesquisas participativas com estudantes, pesquisadoras e pesquisadores de povos e comunidades tradicionais.

Coordenação e gestão do CIP Caleidoscópio 

Na nova estrutura,  as pesquisadoras Tchella Maso Fernandes e Jacqueline Fiuza da Silva Regis foram indicadas, respectivamente, para a coordenação e vice-coordenação do CIP Caleidoscópio. O Comitê Gestor foi composto por Viviane de Melo Resende, Maria Carmen Aires Gomes, Thayane Campos, Amanda Ferreira e Dayane Augusta. As coordenações das cinco linhas de pesquisa serão definidas pelas integrantes de cada linha.

A gestão será compartilhada entre as unidades instituidoras por meio da Coordenação e do Comitê Gestor. Entre suas atribuições estão o planejamento anual, a avaliação das atividades e a formulação de políticas e estratégias para a consolidação técnico-científica e o desenvolvimento do Centro.

A aprovação do CIP Caleidoscópio institucionaliza na Universidade de Brasília uma estrutura permanente para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Caleidoscópio, especialmente às iniciativas construídas pela Nucleação Centro-Oeste e às atividades realizadas na Universidade.

Essa atuação articula pesquisa, extensão e comunicação científica por meio do Observatório Caleidoscópio, das Incubadoras Sociais e de seus grupos temáticos, mantendo abertas as possibilidades de colaboração com pesquisadoras, pesquisadores, grupos e instituições de fora da UnB.

Paúl Simon Gialdroni visita INCT Caleidoscópio e compartilha experiências entre pesquisa, arte, ativismo e migração de pessoas LGBTQIA+

Paúl Simon Gialdroni visita INCT Caleidoscópio e compartilha experiências entre pesquisa, arte, ativismo e migração de pessoas LGBTQIA+

Paúl Simon Gialdroni visitou a sede do INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília (UnB), em um encontro marcado pelo diálogo sobre migração, gênero, sexualidade, produção de conhecimento, arte e ativismo.

Nascido no Chaco, no norte da Argentina, e atualmente residente em São Paulo, Paúl é escritor, poeta, produtor cultural e articulador político, com atuação voltada às questões de gênero, migração e direitos humanos. Atualmente, é diretor executivo da organização Trans Migrantes Abya Yala, organização dedicada à defesa dos direitos das pessoas trans migrantes, e desenvolve uma trajetória que articula produção artística, atuação política e organização de redes voltadas às experiências de pessoas trans e LGBTQIA+ migrantes.

Durante o encontro, foi compartilhado parte dessa trajetória e de sua produção, construída nas interfaces entre experiência migrante, dissidências de gênero e sexualidade, literatura e mobilização política. A conversa possibilitou aproximar essas experiências das discussões desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio sobre desigualdades, direitos e violências de gênero e sexualidade.

Paúl atua há mais de uma década em espaços ligados à poesia, performance, educação, ativismo e política. Participou da criação e do desenvolvimento de diferentes movimentos e foi fundador da organização Trans Migrantes, iniciativa relacionada à construção de redes de apoio e articulação política para pessoas trans migrantes.

Ao escrever sobre a iniciativa, o pesquisador chama atenção para o papel das redes de apoio diante das barreiras burocráticas, sociais e políticas que atravessam a experiência migratória de pessoas LGBTQIA+, especialmente pessoas trans.

Paúl Simon Gialdroni visita sede do INCT Caleidoscópio, na Universidade de Brasília (UnB).

Monstro: corpo, migração e sobrevivência

Parte dessas experiências atravessa seu sexto livro, Monstro: morte, amor, poesia e migração, apresentado por Paúl durante a passagem pelo Instituto. A obra acompanha a trajetória de um homem trans migrante entre a Patagônia e São Paulo e articula fronteiras geográficas e corporais, transição de gênero, perdas, criação artística e migração.

Livro Monstro: morte, amor, poesia e migração. Foto/Arquivo pessoal.

Publicado em 2026, o livro combina diário, ensaio e poesia para construir uma narrativa sobre corpo, pertencimento e sobrevivência. A obra também recupera a trajetória do autor no universo do slam e estabelece relações entre memória, dissidências latino-americanas e produção artística. O lançamento foi realizado na Universidade de São Paulo (USP), em uma atividade dedicada aos diálogos sobre literatura, transmasculinidades, pertencimento e travessias.

A arte também integra sua atuação coletiva. O escritor e poeta esteve à frente de Trans Fronterizxs: arte, migração e travessias de corpos dissidentes, projeto da Trans Migrantes selecionado para a Feira de Ideias 2025, realizada pela Conectas e pelo Sesc. A iniciativa colocou em diálogo direitos humanos, migração, produção artística e as experiências de corpos dissidentes.

Migração, gênero e sexualidade

A trajetória compartilhada durante a visita contribui para pensar a migração para além do deslocamento entre países e territórios. Para pessoas LGBTQIA+ migrantes, questões relacionadas a gênero, sexualidade, raça, nacionalidade, reconhecimento documental, acesso a direitos e condições socioeconômicas podem se sobrepor e produzir experiências particulares de deslocamento e permanência.

No caso das pessoas trans, essas redes podem assumir também uma dimensão política. Em texto publicado em Trans Mídia Jornalismo, Paúl discute como a migração pode envolver, simultaneamente, processos de reinvenção, instabilidade, barreiras burocráticas e busca por condições que permitam a construção de novos projetos de vida.

Sua própria atuação alcança espaços institucionais de participação política. Em 2025, Paúl teve sua candidatura deferida como pessoa física imigrante no processo eleitoral para o Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo, órgão de participação social relacionado às políticas municipais destinadas à população migrante.

Essas discussões estabelecem pontos de contato com as perspectivas feministas, antirracistas e interseccionais que orientam a atuação do INCT Caleidoscópio. Ao aproximar migração, gênero, sexualidade e nacionalidade, o encontro também evidencia como diferentes marcadores sociais podem atravessar o acesso a direitos, a construção de pertencimentos e as formas de viver e produzir conhecimento.

Pesquisa, arte e circulação de conhecimentos

A produção acadêmica também integra essa trajetória. Em 2025, Paúl apresentou o trabalho Gênero, Nacionalidade, Identidade no eixo “Identidades e sexualidades dissidentes: discutindo ativismos e resistências” de evento acadêmico realizado na Universidade Federal do ABC (UFABC), aproximando sua produção das discussões sobre gênero, nacionalidade e processos de construção das identidades.

A visita ao INCT Caleidoscópio reuniu, portanto, diferentes dimensões de uma mesma trajetória: pesquisa, literatura, experiência migrante, ativismo e construção de redes. Ao conhecer o espaço do Instituto na UnB, Paúl também compartilhou sua produção e deixou Monstro: morte, amor, poesia e migração como parte desse encontro e da circulação de conhecimentos entre diferentes espaços.

A passagem pelo Caleidoscópio reforça a importância da construção de espaços de escuta e intercâmbio capazes de colocar a produção acadêmica em diálogo com a arte, os movimentos sociais e os conhecimentos produzidos a partir das experiências de pessoas migrantes e LGBTQIA+.

O INCT Caleidoscópio agradece a Paúl Simon Gialdroni pelo tempo, pela disponibilidade e pela partilha e espera que o encontro abra caminhos para novos diálogos e aproximações.

Registros de Paúl Simon Gialdroni em sua visita ao INCT Caleidoscópio em Brasília. Foto/Arquivo pessoal.
Arandu é premiada no 1º Concurso Nacional de Trabalhos de Extensão Universitária em Relações Internacionais da ABRI

Arandu é premiada no 1º Concurso Nacional de Trabalhos de Extensão Universitária em Relações Internacionais da ABRI

O projeto “Arandu: Políticas Globais e Justiça Social para Mulheres e Indígenas LGBTQIA+”, coordenado pela professora Tchella Maso Fernandes, da Universidade de Brasília (UnB), foi premiado na categoria Pós-Graduação do 1º Concurso Nacional de Trabalhos de Extensão Universitária em Relações Internacionais, promovido pela Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI).

A ABRI é uma associação científica que reúne a comunidade acadêmica e profissional do campo das Relações Internacionais no Brasil. Em sua primeira edição, o Concurso Nacional de Trabalhos de Extensão Universitária em Relações Internacionais reconhece, valoriza e dá visibilidade a projetos de extensão universitária que promovem diálogo e coprodução do conhecimento acadêmico para o enfrentamento de desafios sociais contemporâneos.

O resultado do concurso foi divulgado no dia 20 de agosto de 2026. Além da Arandu, premiada na categoria Pós-Graduação, o projeto “Balcão do Refugiado”, coordenado por Raquel Boing Marinucci, do Centro Universitário de Brasília (CEUB), recebeu a premiação na categoria Graduação.

Os projetos premiados foram apresentados em sessão pública, no dia 03 de setembro de 2026, durante a Assembleia Geral do 8º Seminário de Graduação e Pós-Graduação em Relações Internacionais: “Territórios em rede: redesenhando os horizontes das Relações Internacionais”, na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual da Paraíba, em João Pessoa (PB).

Reconhecimento à extensão desenvolvida pela Arandu

Para Tchella Maso Fernandes, coordenadora do projeto, a premiação reconhece uma construção coletiva desenvolvida pela Rede desde 2024 e a atuação das pessoas que contribuem para as atividades da Arandu.

“A Arandu é um trabalho coletivo, uma rede tecida desde de 2024, nutrida pelo desejo de reparação histórica e construção de futuros alternativos. É uma rede feminista, queer, descolonial que aposta em existências Tybyras e aprende com elas a cada instante.

Uma rede colaborativa, porque o trabalho se faz com muitos corpos e sonhos, conectando saberes de estudantes de graduação e pós-graduação, incluindo aí estágios pós-doutorais, com quem luta diariamente para seguir existindo, nos territórios, aldeias e cidades.

Uma rede dentro de uma rede maior: O CIP-INCT Caleidoscópio que aposta na superação das inequidades por meio de uma leitura interseccional.

Receber o prêmio de melhor projeto de extensão da ABRI é um reconhecimento, um alento para todas nós, todas que contribuem para que a Arandu exista, para que ela seja referência para estudantes indígenas LGBTQIA+ nas universidades e fora dela, para que coloque em foco um tema tão marginal nos estudos de ciência política e relações internacionais.

Somos mais de 15 bolsistas, todas LGBTQIA+, metade delas indígenas. Já produzimos podcasts, como o “Nós Somos – Tybyras do Brasil”, cartilhas em parceria com coletivos e centros de pesquisa, cursos como o “Saberes indígenas em diálogo”, o mapeamento de coletivos indígenas LGTQIA+ e muitas outros afetos.

Eu agradeço cada uma das pessoas que segue conosco nessa rede que só vai crescer, ser abrigo, mas também impulso pra gente brincar, denunciar e co-construir saberes amigos e práticas transgressoras.

Seguiremos em luta, até que todas sejamos livres!”, destaca Tchella.

Registros da premiação do concurso da ABRI. Foto/arquivo pessoal Arandu.

Leia também: Mapeamento nacional de Coletivos Indígenas LGBTQIAPN+ é lançado pela Rede Arandu

Sobre a Arandu

A Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade nasceu em meados de 2024 a partir da percepção da ausência de políticas públicas específicas e interseccionais que contemplassem as demandas de indígenas LGBTQIAPN+. Sua criação resulta do diálogo entre pesquisadoras e pesquisadores, a Coordenadoria de Política para Indígenas LGBTQIAPN+ do Ministério dos Povos Indígenas e o Coletivo Tybyra, aproximando diferentes experiências e conhecimentos em torno das questões de gênero e sexualidade entre os povos indígenas.

Ainda no segundo semestre de 2024, a Arandu foi incubada na Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, passando a integrar sua Incubadora Social e a compartilhar dos objetivos estratégicos do Instituto. Coordenada por Tchella Maso Fernandes, a Rede articula pesquisa, formação e extensão com o objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas voltadas aos povos indígenas a partir de uma perspectiva interseccional e transversal.

Essa perspectiva orienta as atividades desenvolvidas pela Arandu e permite reconhecer e articular as diferentes vivências e experiências dos povos indígenas em todo o território nacional, marcadas por gênero, sexualidade, raça e etnia.

Com o compromisso de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais, a Arandu orienta suas ações pelo que Rita Laura Segato define como uma antropologia por demanda: uma forma de produção do conhecimento construída a partir das necessidades expressas pelas próprias pessoas, coletivos e instituições envolvidas. A partir dessa perspectiva, a Rede busca desenvolver ações voltadas à melhoria da qualidade de vida e à garantia de direitos, considerando os conhecimentos, experiências e demandas de quem protagoniza essas lutas.

Arandu é uma palavra indígena guarani que carrega o sentido da sabedoria ancestral. Remete a um conhecimento vivo, construído na escuta, no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos. É esse princípio que orienta a atuação da Rede na construção de saberes compartilhados, enraizados no respeito à diversidade e na busca por futuros mais justos, plurais e comunitários.

Como parte da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a Arandu compartilha dos objetivos estratégicos do Instituto, que, no contexto da Rede, se materializam em ações voltadas às realidades dos povos indígenas, com atenção especial às questões de gênero e sexualidade:

1️⃣ Observatório de indicadores de violências e vulnerabilidades voltado ao monitoramento de situações que afetam mulheres indígenas e indígenas LGBTQIA+ no contexto acadêmico e em seus territórios, contribuindo com dados para o enfrentamento dessas violências.

2️⃣ Desenvolvimento de tecnologias sociais e de comunicação que sirvam como instrumentos de fortalecimento comunitário e subsídios para políticas públicas interseccionais, especialmente voltadas a pessoas indígenas em situação de vulnerabilidade por razões de gênero, sexualidade, raça e etnia.

3️⃣ Incubar projetos reunindo pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, da pós-graduação ao ensino médio, na Incubadora do INCT Caleidoscópio, a fim de aprofundar a relação entre universidade e sociedade na produção de conhecimento situado e coletivo.

4️⃣ Promoção de ações de transferência de conhecimento e divulgação científica, com linguagem acessível e intercultural, voltadas à valorização das trajetórias indígenas e à sensibilização de futuras gerações sobre a importância da diversidade nos espaços de produção de saber.

A rede é orientada por uma ética comprometida com os povos indígenas, inspirada na metodologia proposta por Linda Tuhiwai Smith. Seu compromisso é com a construção de um conhecimento engajado, dialógico e propositivo, como propõe Patricia Hill Collins, voltado para a justiça social e a pluralidade das formas de existir e resistir.

Para uma apresentação ampliada, acesse a apostila que descreve a rede, as atividades de um coletivo indígena LGBTQIAPN+, os coletivos nacionais e internacionais, um mapeamento de políticas públicas para estes grupos, e o protocolo seguido pela rede Arandu para realizar pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil.

Dada a responsabilidade ética envolvida na realização de pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil, a rede Arandu, em colaboração com ativistas e pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, produziu de forma coletiva e colaborativa um protocolo ético de atuação para conduzir as atividades da rede. Acesse nossa apostila e conheça mais sobre as nossas ações clicando aqui.

Como parte do INCT Caleidoscópio, a Arandu contribui para a produção e circulação de conhecimentos sobre povos indígenas, gênero e sexualidade a partir de uma perspectiva interseccional, aproximando pesquisa, extensão universitária e as experiências produzidas nos territórios.

Ancestralidade, pesquisa, ciência e conservação dos biomas: II Seminário Nacional de Indígenas Pesquisadoras se desloca da universidade para o território Taunay/Ipegue

Ancestralidade, pesquisa, ciência e conservação dos biomas: II Seminário Nacional de Indígenas Pesquisadoras se desloca da universidade para o território Taunay/Ipegue

Nossos territórios são bibliotecas vivas. Nossos ancestrais abriram os caminhos; nós seguimos pesquisando, escrevendo e protegendo a vida para as futuras gerações.

O II Seminário Nacional de Indígenas Pesquisadoras reunirá indígenas mulheres pesquisadoras de diferentes biomas brasileiros para promover diálogos sobre ancestralidade, pesquisa, ciência e conservação dos biomas no Território Taunay/Ipegue, município de Aquidauana, no estado de Mato Grosso do Sul (MS).

Com o tema “Indígenas Mulheres na Ciência Brasileira: Ancestralidade, Pesquisa e Conservação dos Biomas”, a segunda edição do evento busca fortalecer o protagonismo das mulheres indígenas na produção científica brasileira e promover o diálogo entre saberes ancestrais e acadêmicos, a fim de possibilitar reflexões no âmbito da pesquisa, da ciência e da inovação e conectar, de maneira interdisciplinar, diversas iniciativas, enredando e visibilizando a atuação de indígenas mulheres no campo das ciências.

O evento visa promover a divulgação e o compartilhamento de saberes no campo da Formação Indígena Superior, mais especificamente por meio da troca de experiências entre discentes de graduação e pós-graduação, docentes, pesquisadoras, pesquisadores e profissionais, com conhecimento e escuta das pesquisas desenvolvidas e lideradas por indígenas mulheres em todo o Brasil.

Pretende-se fortalecer o protagonismo das mulheres indígenas na produção acadêmica e dos conhecimentos produzidos nos territórios e comunidades indígenas, promovendo o diálogo entre saberes ancestrais e acadêmicos para a conservação da biodiversidade, a proteção dos territórios indígenas e o enfrentamento das mudanças climáticas nos biomas.

A ser realizado de 24 a 28 de novembro de 2026, o Seminário deixa, nesta edição, o espaço da universidade e segue para o Território Indígena Taunay/Ipegue, no município de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul. As atividades serão realizadas na Oca Ancestral Flor da Terra e incluem conferências, mesas-redondas, rodas de conversa, apresentações de pesquisas, oficinas práticas, exposições culturais, feira de sementes ancestrais e grupos de trabalho.

Organizado pelo INCT Caleidoscópio (UnB/CNPq) e pelo PPGD/PUC-Curitiba, com apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Instituto Territórios Vivos e Instituto Voropi, o encontro pretende reunir pesquisadoras indígenas de diferentes áreas do conhecimento e fortalecer redes de colaboração entre universidades, comunidades indígenas e instituições de pesquisa.

Leia também: Indígenas pesquisadoras, metodologias próprias e a produção de conhecimento: carta final do I seminário Nacional de Mulheres Indígenas

Produção científica de povos indígenas

Que este encontro seja guiado pela força da ancestralidade, pelo compromisso com nossos povos e pela construção de uma ciência plural, intercultural e comprometida com a vida.

O II Seminário Nacional de Indígenas Pesquisadoras dá continuidade à articulação iniciada em 2025, quando a primeira edição foi realizada na Universidade de Brasília (UnB). Se, naquele momento, o encontro reuniu indígenas pesquisadoras no espaço universitário, a segunda edição realiza um movimento importante: desloca o Seminário da universidade para o território indígena.

Leia também: I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras apresenta pesquisa intercultural e a ciência produzida em comunidades indígenas

A proposta é reunir indígenas mulheres pesquisadoras de todo o Brasil para promover reflexões sobre pesquisa, ciência e inovação, conectando iniciativas de diferentes áreas do conhecimento e dando visibilidade à atuação dessas mulheres no campo científico. O encontro parte também do reconhecimento de que a presença de indígenas mulheres na graduação, na pós-graduação e na pesquisa brasileira é uma realidade que precisa ser acompanhada pelo fortalecimento das condições de acesso, permanência e reconhecimento de seus conhecimentos dentro das instituições.

A inserção de indígenas mulheres em pesquisa no ensino superior brasileiro já é uma realidade em diversas instituições, possibilitada, em grande parte, pelas políticas de ações afirmativas que vêm sendo implementadas desde 2003.

As políticas de ações afirmativas podem ser compreendidas como “medidas especiais”. Nesta perspectiva, medidas especiais serão todas e quaisquer medidas, de natureza legislativa, judiciária, administrativa, educacional, pública ou privada, necessárias para a equalização de direitos. São políticas públicas desenhadas e implementadas para promover acesso a bens fundamentais e, portanto, restituir o princípio de igualdade de oportunidades a minorias étnicas, raciais ou sexuais que, de outro modo, estariam excluídas parcial ou totalmente.

Nesse sentido, são medidas que buscam corrigir uma história de desigualdades e desvantagens sofridas por um grupo social, em geral frente a um Estado nacional que o discriminou negativamente.

Marcados pela ausência na construção da identidade nacional e relegados ao passado de nossa história, os povos indígenas ainda hoje são amplamente desconhecidos da sociedade não indígena. A invisibilidade racial e étnica do período pós-colonial permanece como um dos mais perversos traços da desigualdade social do nosso país.

Há mais de 500 anos, os povos indígenas encontram-se à margem do acesso aos direitos que lhes foram assegurados constitucionalmente, continuando um longo processo de exclusão. Os povos indígenas brasileiros ainda constituem, em pleno século XXI, o grupo com maior incidência de desigualdade social, quando comparado com outros grupos étnicos, no que se refere à educação, saúde e capacitação para o mercado de trabalho, sendo ainda vítimas de exclusão e preconceito.

O Ensino Superior no Brasil, destinado inicialmente à formação das elites, durante muito tempo não foi espaço para indígenas pesquisadoras. Embora tenha havido avanços nesse sentido, há ainda um longo caminho a ser percorrido para se atingir um patamar de igualdade de acesso ao ensino superior e uma educação, de fato, mais democrática, sem distinção de etnia e classe social, que permita acesso amplo à educação superior e pós-graduada de qualidade.

O processo de inclusão de indígenas pesquisadoras e de outras minorias étnicas no campo da pesquisa no Brasil ainda é visto com muita desconfiança, resultado do modelo de educação eurocêntrico imposto pela colonialidade, que nega, silencia e subalterniza as formas de saberes tradicionais pertencentes aos povos que já habitavam esse território antes da intrusão.

A educação brasileira não se renovou suficientemente nem se adaptou à realidade dos povos nativos. Portanto, é necessário reconhecer que a chegada de indígenas pesquisadoras às universidades constitui um desafio a ser superado por essas pesquisadoras e pelas instituições de ensino superior que as recebem.

Um desses desafios talvez seja o reconhecimento da cidadania indígena, fomentando o convívio entre dois mundos, o mundo indígena e o mundo não indígena, sem que isso signifique a perda de identidades. Reconhecer a diversidade dos povos indígenas brasileiros também é um passo importante para se entender as principais necessidades educacionais das indígenas pesquisadoras e suas potenciais contribuições para o ambiente acadêmico.

O reconhecimento, por parte das universidades, das culturas tradicionais e de sua potência inovadora para a construção de outros conhecimentos na universidade é fundamental para o estabelecimento do diálogo horizontal entre conhecimentos indígenas e acadêmicos, com suas interfaces culturais.

Para os povos indígenas, os modelos educacionais são próprios, valorizam as riquezas educacionais ancestrais, passadas de geração em geração, sem, com isso, visar à disputa por poder, bens ou consumo. Essa distinção nos objetivos dos processos educacionais gera um grande impacto quando indígenas pesquisadoras se deslocam de suas comunidades de origem para dar continuidade à sua formação fora da comunidade.

O reconhecimento desse impacto já seria um passo importante para o diálogo com as instituições de pesquisa que atualmente vêm recebendo as indígenas pesquisadoras em seus cursos, no sentido de possibilitar a compreensão adequada dos desafios colocados a muitas dessas pesquisadoras.

Nessa perspectiva, as políticas de ação afirmativa podem ser consideradas uma estratégia fundamental de combate aos estereótipos porque desestabilizam concepções e conhecimentos. Elas também representam um avanço em relação ao cumprimento das leis e diretrizes para a educação brasileira, particularmente no que se refere à democratização do ensino superior e ao acesso ao direito afirmado na Constituição Brasileira de 1988.

Ressaltamos, por isso, a importância deste II Seminário de Indígenas Pesquisadoras como forma de visibilizar pesquisas de indígenas em diversas áreas do conhecimento e instituições de ensino e pesquisa de todo o país. Isso possibilita não apenas que discentes e docentes não indígenas conheçam e reconheçam a existência e a presença dessas indígenas mulheres no espaço acadêmico, mas também incrementa as frentes de apoio às demandas dos povos indígenas.

Esse Seminário reconhece a necessidade de descolonização e de ocupação do espaço acadêmico, não apenas com a presença das indígenas pesquisadoras na pós-graduação, mas com a ocupação dos espaços físicos da universidade como territórios indígenas também. Esse é um passo importante para a superação de desigualdades estruturais de um ambiente fundamental e historicamente elitizado e marcado por um saber pretensamente superior e excludente.

As universidades precisam começar a conhecer a realidade dos povos indígenas do Brasil, abrir-se para os conhecimentos e saberes indígenas, não entendidos apenas como “saberes populares”, mas reconhecendo os fundamentos desse conhecimento e sua validade científica.

O II Seminário pretende, portanto, ampliar e aprofundar a discussão sobre a elaboração de iniciativas que possam permitir o retorno à região ou coletivo após a conclusão das pesquisas.

Mulheres pesquisadoras, ciência, território e conservação dos biomas

Nesse contexto, o Seminário busca ampliar os espaços de escuta e circulação das pesquisas desenvolvidas e lideradas por indígenas mulheres em âmbito nacional. A proposta é promover, estimular e fomentar discussões sobre as indígenas mulheres nas ciências no Brasil, procurando articulá-las com o contexto mais amplo da pesquisa e da produção de conhecimento.

Entre os objetivos desta edição estão o fortalecimento de redes de pesquisadoras indígenas em diferentes áreas do conhecimento; a promoção do intercâmbio entre universidades, comunidades e instituições de pesquisa; a valorização dos conhecimentos tradicionais como ciência e patrimônio cultural; e o debate sobre políticas públicas voltadas à permanência de mulheres indígenas na pós-graduação.

A relação entre ciência, território e meio ambiente também ganha destaque nesta edição. O Seminário pretende incentivar pesquisas relacionadas às mudanças climáticas, biodiversidade, sementes ancestrais, recuperação ambiental e gestão territorial indígena, articulando o protagonismo das mulheres indígenas na produção científica à conservação da biodiversidade, à proteção dos territórios e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Outro resultado previsto é a realização de um mapeamento nacional de indígenas pesquisadoras, identificando áreas de atuação, instituições de ensino, linhas de pesquisa e suas contribuições para a conservação ambiental e para os direitos dos povos indígenas. Com a realização do evento, espera-se divulgar e articular produções de docentes e discentes indígenas e não indígenas e propiciar a pesquisadoras um espaço para o debate e reflexões a respeito de cultura, educação, saúde, identidade e formação indígenas, tanto em suas comunidades como em áreas urbanas.

A iniciativa se soma à proposta de construir uma rede nacional de indígenas pesquisadoras dos seis biomas brasileiros e uma agenda permanente de articulação entre pesquisadoras indígenas.

Ao levar sua segunda edição para o Território Taunay/Ipegue e organizar-se, nesta edição, em torno de biomas, e não de estados ou regiões, o Seminário afirma seu compromisso em reconhecer e valorizar as formas de organização próprias do movimento indígena de mulheres. Busca, assim, fortalecer o diálogo horizontal entre conhecimentos indígenas e acadêmicos, reconhecendo os territórios, as culturas e os modos de vida indígenas como espaços de produção de conhecimento.

Como sintetiza a proposta do encontro:

“Nossos territórios são bibliotecas vivas”.

Programação em breve!

O Seminário será construído de forma coletiva, respeitando a diversidade dos povos indígenas e reconhecendo o protagonismo das mulheres na produção de conhecimentos voltados à justiça climática, à conservação da biodiversidade, à valorização das línguas, culturas e modos de vida tradicionais.

Deste modo, a programação será construída de forma participativa, intercultural e colaborativa, reconhecendo as metodologias de construção coletiva do conhecimento das mulheres indígenas e as formas próprias de organização do movimento indígena de mulheres a partir dos biomas, em vez da divisão por estados ou regiões.

As atividades compreenderão conferências, mesas-redondas, rodas de conversa, apresentação de pesquisas, oficinas práticas, exposições culturais, feira de sementes ancestrais e grupos de trabalho destinados à elaboração de propostas para o fortalecimento da atuação de indígenas mulheres nas ciências.

Acompanhe nosso site e nosso Instagram, @inctcaleidoscopio, para não perder a publicação da programação completa e o link de inscrição!

Indígenas pesquisadoras, metodologias próprias e a produção de conhecimento: carta final do I seminário Nacional de Mulheres Indígenas

Indígenas pesquisadoras, metodologias próprias e a produção de conhecimento: carta final do I seminário Nacional de Mulheres Indígenas

“Indígenas pesquisadoras, metodologias próprias e a produção de conhecimento” - Eliza Pankararu

12 de dezembro de 2025, Brasília.

Nós, indígenas pesquisadoras de pós-graduação das áreas de ambiental, educação, saúde e de Direito, reunidas no “I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras”, realizado no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, entre os dias 10 à 12 de dezembro de 2025, reafirmamos nosso comprometimento com uma ciência plural que tenha como base a defesa dos direitos dos povos indígenas dialogando com as nossas lutas e resistências.

Neste Seminário, reunimos 25 (vinte e cinco) mulheres que pertencem aos seis biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pampa, Mata Atlântica e Pantanal. Rememoramos em três dias de intensos debates, discussões sobre temas envolvendo linguagem, justiça, cultura, resistência, saúde, ciências e educação e, em especial, a trajetória acadêmica de mulheres indígenas pelos cursos de graduação e pós-graduação em universidades de todo o Brasil.

Ainda, reafirmamos que nossas pesquisas são construídas de forma coletiva, em diálogo permanente com nossos povos, territórios e lideranças. Os estudos desenvolvidos partem das realidades e necessidades concretas das comunidades, contribuindo para o fortalecimento da luta pela garantia do direito aos territórios indígenas em todo o país. Cada pesquisa realizada atua como instrumento de denúncia das violações e de proposição de caminhos para a proteção territorial, reafirmando a centralidade da terra para a existência, a continuidade e a autodeterminação dos povos indígenas.

Neste evento, defendemos uma produção científica comprometida com a vida, com a memória e com a continuidade de nossos modos de ser, saber e viver, que assegure o protagonismo indígena na academia e garanta que nossos corpos, vozes e histórias estejam efetivamente presentes nos espaços de decisão e de construção do conhecimento.

Reconstruir a ciência a partir do território é reconhecer a potência dos saberes indígenas e romper com a invisibilidade que historicamente marcou seus direitos. É, ainda, inspirar outras mulheres e produzir um conhecimento vivo, enraizado nas experiências concretas, capaz de transformar realidades e não apenas de produzir estatísticas. Não estamos apenas fazendo ciência, estamos ressignificando a própria forma como a ciência vê, escuta e se relaciona com os povos indígenas.

Diante do exposto e das ricas contribuições de cada uma das mulheres que participaram do evento, firmamos os seguintes compromissos e encaminhamentos, que nortearão ações futuras:

1 - Fortalecimento da Rede das Pesquisadoras Indígenas, com criação de coletivo e garantia de representações em diversos espaços de decisão, a ser executado pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação, Ministério das Mulheres, Ministério da Igualdade Racial e Ministério da Cultura.

2 - Visibilidade e reconhecimento da produção científica das mulheres indígenas, a ser executado pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação, Ministério das Mulheres, Ministério da Igualdade Racial e Ministério da Cultura.

3 - Garantia de editais de financiamento para a publicação de livros da produção acadêmica de mulheres indígenas, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação, por meio da CAPES, com apoio do CNPq, além do Ministério da Cultura, Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde e Ministério da Igualdade Racial.

4 - Estabelecimento de parcerias institucionais com universidades, centros de pesquisa, organizações indígenas e organismos internacionais, visando ampliar o intercâmbio de conhecimentos e fortalecer os projetos da Rede, a ser executado pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação.

5 - Promoção de ações formativas e de capacitação voltadas às pesquisadoras indígenas, incluindo oficinas de escrita acadêmica, metodologias próprias e instrumentos de pesquisa sensíveis às realidades dos povos indígenas, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Educação, por meio da CAPES, universidades e institutos federais, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, CNPq, Ministério das Mulheres e Ministério da Igualdade Racial.

6 - Promoção da interculturalidade nos espaços acadêmicos, com ações que garantam o respeito às epistemologias, cosmologias e metodologias indígenas nas instituições de ensino e pesquisa, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Educação, por meio da CAPES, universidades e institutos federais, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, CNPq, Ministério da Cultura, Ministério das Mulheres e Ministério da Igualdade Racial.

7 - Articulação para a inclusão das pesquisadoras indígenas em comitês científicos, conselhos e fóruns decisórios nas instituições de pesquisa e órgãos governamentais, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

8 - Garantia da continuidade do seminário anual, com previsão orçamentária no Ministério dos Povos Indígenas e Ministério da Educação.

9 - Manifestação e articulação política em defesa dos direitos territoriais indígenas, com posicionamento explícito das pesquisadoras indígenas contra o marco temporal — incluindo o Projeto de Lei nº 490/2007 e sua tramitação correlata como PL nº 2.903/2023 — promovendo debates, notas técnicas e ações institucionais que fortaleçam a proteção e a demarcação das terras indígenas.

10 - Busca pela efetivação das políticas de cotas em concursos públicos e em programas de pós-graduação, em todas as áreas do conhecimento, como instrumento de promoção da igualdade, ampliação do acesso à educação e fortalecimento da justiça social, a ser executada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com o Ministério da Educação (MEC), Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Ministério da Igualdade Racial, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da CAPES.

Encerramos o I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras reafirmando que nossa presença na academia não é apenas um espaço de produção de conhecimento, mas um ato contínuo de resistência, afirmação de identidade e defesa dos nossos territórios. Ao longo dos dias de trabalho coletivo, demonstramos que nossas pesquisas — diversas em temas, áreas e metodologias — são expressões vivas das demandas e saberes de nossos povos, construídas de forma colaborativa e comprometida com a transformação social.

Este encontro fortaleceu nossos laços enquanto pesquisadoras indígenas de diferentes Povos Indígenas, ampliou nossa compreensão sobre os desafios comuns e reforçou a urgência de garantir espaços de reconhecimento, financiamento, visibilidade e decisão para mulheres indígenas na ciência. Saímos deste seminário mais unidas, organizadas e determinadas a ampliar a Rede de Pesquisadoras Indígenas, garantindo que nossas vozes continuem ecoando dentro e fora da academia.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos territoriais, a valorização das epistemologias indígenas e a construção de uma ciência plural, inclusiva e sensível às realidades dos povos indígenas. Nosso compromisso é abrir espaço para que outras meninas e mulheres Indígena ingressem no âmbito acadêmico e nele permaneçam. Que este seminário seja o primeiro de muitos, fortalecendo cada vez mais nosso protagonismo e nossas contribuições para o Brasil e para o mundo.

Mulheres Indígenas dos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pampa, Mata Atlântica e Pantanal. presente no “I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras”.

Acesse a carta na íntegra: Carta Final I Seminário Nacional Mulheres Indígenas Pesquisadoras

Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia encontros no dia 14 de agosto com leitura de Um Defeito de Cor de Ana Maria Gonçalves: veja como participar

Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia encontros no dia 14 de agosto com leitura de Um Defeito de Cor de Ana Maria Gonçalves: veja como participar

O Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia, no dia 14 de agosto, uma série de encontros quinzenais para a leitura comunitária e rodas de conversa sobre a obra Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. A atividade integra um projeto de extensão e será realizada às sextas-feiras, às 15h30, na sede do INCT Caleidoscópio e, sempre que possível, nas áreas verdes do Campus Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília (UnB).

A proposta parte da literatura como espaço para o acesso a diferentes perspectivas e narrativas e da leitura de autoras negras como uma prática política feminista e antirracista. Ao reunir participantes em torno da leitura e da partilha de experiências, o Clube busca construir momentos de aquilombamento, reconexão, teorização, resgate da ancestralidade e fortalecimento da imaginação de outros futuros possíveis para mulheres negras e suas comunidades.

Nesta primeira etapa do Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas, os encontros serão dedicados à leitura de Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. A dinâmica inclui um chazinho, leitura comunitária e rodas de conversa sobre a obra, realizadas ao ar livre sempre que as condições permitirem. Os capítulos e as páginas que orientarão cada encontro serão definidos coletivamente de uma atividade para a outra.

A programação começa em 14 de agosto e segue com encontros nos dias 28 de agosto, 11 e 25 de setembro e 23 de outubro. No dia 6 de novembro, será realizada a avaliação do semestre, seguida pelo planejamento do semestre seguinte e uma confraternização.

O projeto de extensão contará com certificação ao final das atividades. Os encontros acontecem na sede do INCT Caleidoscópio, localizada na Ala Sul, Subsolo, Módulo 8, e em outros espaços ao ar livre do Campus Darcy Ribeiro, quando o tempo permitir.

Confira a programação

Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia encontros no dia 14 de agosto com leitura de Um Defeito de Cor de Ana Maria Gonçalves
Programação Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas.

Resumo

Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas: Um Defeito de Cor (Parte 1)

Início: 14 de agosto de 2026

Horário: sextas-feiras, às 15h30, quinzenalmente

Local: sede do INCT Caleidoscópio – ICC Sul, Subsolo, Módulo 8 – e áreas verdes do Campus Darcy Ribeiro

Atividade: leitura comunitária e rodas de conversa sobre Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves

Certificação: projeto de extensão com certificado ao final

Mais informações: gtter@unb.br