Indígenas LGBTQIA+ tiveram seu espaço na caminhada dos povos indígena ao congresso aconteceu em Brasília, dia 9 de abril de 2026, um ato que fez parte da organização da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). Uma caminhada que não é só física, mas também histórica de afirmação, de pertencimento e de luta por direitos, respeito e visibilidade do movimento indígena no Brasil.
“Marchamos lado a lado com parentes de todo o Brasil, levando nossas vozes, nossas cores e nossas resistências. Essa caminhada não é só física, mas também histórica: de afirmação, de pertencimento e de luta por direitos, respeito e visibilidade”, afirmou uma das lideranças presentes.
Acompanhando o ato, pesquisadoras da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio estiveram presentes e registraram a marcha como parte de seu compromisso com a luta indígena LGBTQIA+, bem como com o fortalecimento dessa luta coletiva. Durante a manifestação, as pesquisadoras caminharam juntas em coletivos indígena, distribuíram material informativo para sobre questões de gênero junto aos povos indígenas e registraram imagens.
A Rede Arandu contribui para a aproximação da academia aos movimentos sociais, inserindo seus participantes na participação dessa luta coletiva, considerando a autonomia e a organização social desses grupos. Dessa forma, permanecer nessa posição implica perceber que é a partir dessas relações que nascem textos e relatórios capazes de subsidiar políticas públicas e ações de defesa de direitos.
Essa luta jamais seria possível sem as articulações dos coletivos indígenas, entre eles o Coletivo Tybyra, o Instituto Ipakey, o Coletivo Caboclas, Miriã Mahsã, Coletivo Juind, o Coletivo Diversidade do Vale (CODIVA) e outros coletivos do todo o Brasil. Para os organizadores, a presença maciça desses grupos reafirma o compromisso com a promoção da diversidade, da dignidade e dos direitos dos povos indígenas LGBTQIA+.
A presença indígena LGBTQIAPN+ no ATL mostra que o movimento indígena tem espaço para pensar sobre gênero e sexualidade. E que essa diversidade é força, é ancestralidade, é continuidade. Seguimos unidos com o objetivo de que todas as existências indígenas, em sua pluralidade de corpos, identidades e expressões, sejam plenamente reconhecidas e respeitadas.
Autoria de Flávia Belmont de Oliveira, pesquisadora de pós-doutorado do INCT Caleidoscópio - Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Pesquisadora da Rede Colaborativa de Pesquisa Arandu - Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.
À Coordenação de Políticas para Indígenas LGBTQIA+ Ministério dos Povos Indígenas; à Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania,
Estimadas(os),
Conforme acordado em reunião realizada em outubro de 2025, venho, como pesquisadora do INCT Caleidoscópio e da Rede Arandu - e com supervisão e parceria da Prof. Dra. Tchella Maso -, encaminhar a nota técnica intitulada: Sobre violências contra pessoas indígenas LGBTQIA+ no Brasil: limites dos dados oficiais, urgência de escuta qualificada e ações intersetoriais.
Reconhecemos a importância de instrumentos institucionais como o Disque 100 enquanto canal estratégico de denúncia e produção de informações sobre violações de direitos humanos, ao mesmo tempo em que apontamos para a necessidade de seu contínuo aperfeiçoamento.
O texto apresenta análise sobre as múltiplas violências que atingem pessoas indígenas LGBTQIA+ no país, destacando os limites dos dados oficiais disponíveis, as lacunas nos sistemas de notificação e a necessidade de aprimoramento dos instrumentos de registro e monitoramento. A nota ressalta, também, a centralidade de processos de escuta qualificada e territorialmente contextualizada para a formulação de políticas públicas adequadas às especificidades étnicas e socioculturais.
Colocamo-nos à disposição,através da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio, para aprofundar o diálogo com o Ministério dos Povos Indígenas e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com a finalidade de contribuir para a construção de políticas públicas comprometidas com a vida, a dignidade e os direitos das pessoas indígenas LGBTQIA+.
A 5º edição do Boletim reúne relatos, pesquisas, entrevistas e ações desenvolvidas pelas nucleações Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, reafirmando o compromisso coletivo com a produção ética e situada de conhecimento.
O boletim percorre experiências de pesquisadoras indígenas, negras e quilombolas, debates sobre justiça, gênero, raça, ciência e tecnologia, ações de formação e enfrentamento às violências, além de iniciativas que articulam universidade, comunidade e transformação social.
Este quinto número do Boletim do INCT Caleidoscópio reúne relatos de pesquisadoras que estiveram em campo (em Porto Velho, Brasília, Montevidéu, Florianópolis, Maragogipe), traz vozes de mulheres que constroem ciência a partir de seus territórios tradicionais, apresenta encontros, seminários, momentos de escuta e reflexão sobre nossas pesquisas desenvolvidas no âmbito do Observatório Caleidoscópio e das Incubadoras Sociais do INCT.
Os relatos nos permitem perceber a intensidade e o engajamento da equipe do INCT Caleidoscópio, que, para além do volume de ações e produções, demonstra grande sintonia entre pesquisa acadêmica, militância, formação e produção de tecnologias sociais. Esse diálogo atravessa todas as nucleações do INCT (Centro-Oeste, Sul-Sudeste e Norte-Nordeste) e se expressa de formas distintas em cada uma delas, sem perder o fio condutor que nos une: o compromisso com o enfrentamento das iniquidades de gênero, raça, sexualidade e territorialidade.
Conhecimento situado: do corpo ao território
Um eixo transversal nas reflexões deste Boletim 5 é a noção de conhecimento situado: a compreensão de que pesquisar é um ato complexo, histórico, cujas dinâmicas de territorialidade se sentem e se vivem, o que importa profundamente para o que se produz de análise e pensamento crítico. Essa perspectiva surge com força no relato de Flávia Belmont, pesquisadora de pós-doutorado da Nucleação Centro-Oeste, que participou do VI Congresso Internacional DHJUS, em Porto Velho, e da terceira edição do STF Escuta para Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais, em Brasília.
Flávia descreve o que significa, para uma pesquisadora nordestina radicada no Cerrado, chegar pela primeira vez à Amazônia e sentir no corpo a demanda por deslocamentos epistemológicos. Sua presença na reunião do STF Escuta coloca em cena as tensões entre a palavra indígena e os filtros institucionais do sistema de justiça . A noção de corpo-território (a ideia de que corpo e terra não são dimensões separadas, mas uma unidade ontológica atravessada por memória, ancestralidade e espiritualidade) emerge no Boletim tanto nos relatos sobre povos indígenas quanto nas reflexões sobre mulheres quilombolas, e é retomada no Conversas em Rede a partir da experiência de “ser negra na academia”.
Dois relatos neste número, que se referem às experiências de pesquisadoras indígenas na equipe da Rede Arandu, são assinados por autoras que vivem, elas mesmas, nas interseções que estudam. Alane Bare, coordenadora de política para indígenas LGBTQIA+ no Ministério dos Povos Indígenas, e Jociene Trindade, pesquisadora PIBIC vinculada ao INCT Caleidoscópio, compartilham percursos que são, ao mesmo tempo, trajetórias pessoais e contribuições científicas.
Entre os eventos que marcaram o semestre, o I Seminário Internacional "Mulheres Negras e Quilombolas nas Ciências: Diálogos África, Caribe e Brasil para Políticas de Permanência nas Universidades", realizado nos dias 4 e 5 de dezembro de 2025, na UFCG, recebe destaque neste volume do Boletim. Com 489 participantes, 28 trabalhos apresentados e representantes de 12 nacionalidades, o evento consolidou a Nucleação Norte-Nordeste do INCT Caleidoscópio como um polo de articulação científica e política de alcance internacional. O seminário foi também um momento de formalização de acordos de cooperação com universidades do Chile e do Haiti, de construção coletiva de uma nota técnica com recomendações para políticas de permanência de estudantes quilombolas, e de celebração de trajetórias que raramente ganham visibilidade nos espaços acadêmicos tradicionais. O seminário contou com a participação de suas coordenadoras e de bolsistas de pós-doutorado do INCT, além de uma grande equipe de apoio financiada pelo Ministério da Igualdade Racial. É importante destacar que o Governo Federal tem apoiado diversas iniciativas da Incubadora, liderada por pesquisadoras negras e quilombolas.
Fórum sobre Inteligência Artificial, ética e equidade de gênero
Na ação da Nucleação Sul-Sudeste, o Observatório Caleidoscópio também viveu um semestre de expansão em múltiplas direções. O III Seminário do Observatório Caleidoscópio reuniu mais de cem pessoas inscritas e abordou, entre outros temas, o enfrentamento de assédios e violências nas universidades, a presença de mulheres em carreiras científicas e o debate interseccional sobre gênero, raça e ciência. A participação de pesquisadoras estrangeiras e de diferentes regiões do Brasil reforça o caráter cada vez mais plural do Observatório. A publicação de vídeos dessas apresentações é realizada no esforço da equipe de comunicação do INCT Caleidoscópio.
Outro evento ainda tem destaque nesta edição de nosso Boletim: na última semana de novembro de 2025, a Universidade Estadual de Campinas promoveu, em parceria com a Nucleação Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio, o Fórum Inteligência Artificial, Ciência e Ética. O evento permitiu debate internacional sobre ética e tecnologia. Paralelamente a esse debate acadêmico, destacamos o fortalecimento institucional da Incubadora Social Feminista Sul-Sudeste no INCT Caleidoscópio, com um projeto de pesquisa inovador em Inteligência Artificial que avançou significativamente desde a sua apresentação formal durante a reunião da congregação da Faculdade de Ciências Aplicadas. A Incubadora Social inclui formação intergeracional e conta com cinco bolsistas de ICJ de escolas públicas na equipe. Com isso, visa promover uma aproximação crítica de jovens negras e periféricas da região de Campinas às tecnologias de informação e comunicação.
No plano das pesquisas, destaca-se a construção do Repositório Caleidoscópio, iniciativa que busca reunir e dar visibilidade à produção brasileira sobre gênero e ciências, historicamente dispersa e pouco referenciada. A pesquisa de iniciação científica de Sofia Koyama, estudante de graduação em Ciências Sociais da Unicamp, é um dos pilares desse esforço, ao lado das contribuições das pós-doutorandas do Observatório Caleidoscópio, Lia Souza e Mirlene Simões, e de parceiras como Maria Rosa Lombardi e Natascha Hoppen. Trata-se de um esforço conjunto de pesquisas que visam promover reparação epistêmica: homenagear e tirar da invisibilidade a história de pioneiras e de pesquisadoras mais recentes que construíram e ainda constroem esse campo de estudos.
A seção Conversas em Rede desta edição traz um diálogo entre Letícia Moreira, jornalista e divulgadora científica (FAPESP), e a professora da UFRJ Giovana Xavier, historiadora, bailarina, pesquisadora das intelectuais negras no Brasil. A conversa percorre a trajetória de Giovana desde o subúrbio carioca até a cátedra universitária, passando pela dança afro, pelo candomblé, pela neurodivergência e pela construção de uma epistemologia do sentir.
"Eu danço com a história, eu danço a história, eu danço na história."
Giovana fala sobre o Catálogo Intelectuais Negras Visíveis, sobre o grupo de estudos que criou na UFRJ, sobre as referências que a formaram: sua avó e sua mãe, mas também autoras como Conceição Evaristo, Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez, Azoilda Loretto da Trindade. Também nos conta sobre o que considera a agenda mais urgente para o pensamento acadêmico nos próximos anos: aprender a pensar com o corpo, a sentir, a não se dissociar. É uma conversa que desafia os limites do que chamamos de "entrevista acadêmica" e que, por isso mesmo, pertence inteiramente ao espírito deste boletim.
Uma rede que se faz no movimento
Lendo os textos que compõem este número, o que mais nos impressiona, para além da expressiva quantidade de atividades e ações, é a coerência entre o que se pesquisa e o modo como se pesquisa. As bolsistas do INCT Caleidoscópio, sejam pós-doutorandas, pesquisadoras em formação inicial ou profissionais de apoio técnico, não apenas estudam as desigualdades, mas também as enfrentam em suas próprias trajetórias, em suas escolhas metodológicas, nos eventos que organizam, nos instrumentos jurídicos que elaboram com comunidades tradicionais, nos podcasts que produzem, nos enfrentamentos às violências de gênero nas escolas e universidades às quais pertencem. Traçam uma linha vivencial da comunidade para a academia, e de volta para a comunidade.
Essa coerência é o que poderíamos chamar de nossa “terra rara” e preciosa. Ela é o que faz do INCT Caleidoscópio um instituto de pesquisa que de fato se materializa em uma rede viva, feita de corpos, territórios, afetos e compromisso com a produção ética de conhecimentos e tecnologias sociais.
Lançado no dia 9 de abril de 2026, o podcast “Nós Somos - Tybyras do Brasil” é uma produção da Rede Arandu no eixo temático Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica do INCT Caleidoscópio. Em formato digital disponível no Spotify, a proposta conecta o público à narrativas sobre gênero e sexualidade a partir da escuta ativa de relatos de pessoas indígenas LGBTQIA+.
A pergunta que fica é:como produzimos conteúdo quando o estúdio é a própria atuação dentro da maior mobilização indígena do país?
À primeira vista, para nós, gravar um podcast parecia uma atividade de possível controle. Microfone e demais equipamentos configurados com uma ou mais pessoas dispostas a falar sobre um roteiro prévio em um ambiente com isolamento acústico. Porém, integrantes da Rede Arandu que atuaram na edição do ano de 2026 do Acampamento Terra Livre (ATL), realizado anualmente em Brasília, podem relatar experiências desafiadoras e diferentes da programadas em gravação fora do estrutura do estúdio.
O ATL é um evento vivo, não se parece em nada com um estúdio com isolamento sonoro. Enquanto a equipe faz a captação de um depoimento sobre a realidade dos indígenas LGBTQIA+, a poucos metros acontece uma assembleia, em outro espaço acontece o encontro das mulheres, diálogos distintos de todas as direções. Longe de serem vistos como um problema técnico, esses "ruídos", ou melhor, essas camadas sonoras fazem parte do podcast da Rede Arandu.
“No começo, tentamos isolar o áudio. Foi frustrante. Depois, entendemos: o som do acampamento é documento”, relata uma das participantes da equipe.
O desafio técnico, portanto, transformou-se em escolha que traduz nossa atuação no espaço. Em vez de tentativas frustradas de mutar o som ambiente, nós passamos a produzir episódios que não apenas informam, mas transportam o público para dentro da maior mobilização indígena do país.
Quem participa?
O processo de seleção das vozes que integram o podcast também é orgânico e relacional. Existe uma lista prévia para contato de pessoas indígenas LGBTQIA+; no entanto, dificilmente são com essas que conseguimos gravar. O que fazemos é experimentar. No processo de estar no acampamento, conhecemos pessoas, e é nesse encontro presencial que nos leva a conhecer novas pessoas indígenas LGBT+.
Embora haja um convite prévio para gravar com lideranças conhecidas, são as rodas de conversa informal no dia a dia, as filas para alimentação e os momentos de descanso nas tendas que nos levam a outras pessoas. Ao passo que a sociabilidade acontece, o podcast nasce.
Próximos passos
A Rede Arandu gravou uma série de entrevistas com participantes do Acampamento Terra Livre segunda 2026 para a segunda temporada de Nós Somos - Tybyras do Brasil. O programa é uma ação de comunicação científica que traz trajetórias políticas e ecoa vozes de quem estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.
Assim, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.
Assim como a primeira temporada, trouxemos relatos potentes de vivências, experiências e trajetória política como indígena LGBTQIANP+.
Acesse a primeira temporada pelo link abaixo e permaneçam atentos as redes sociais do INCT Caleidoscópio para acompanar as novidades produzidas pela nossa equipe e o lançamento da segunda temporada do podcast Somos Nós - Tybyras do Brasil.
Para a Rede Arandu, a adesão à International Gay and Lesbian Association– América Latina e Caribe (ILGA-LAC) [em português: Associação Internacional Gay e Lésbica] representa um avanço significativo na expansão de nossas conexões internacionais, no esforço de consolidação de redes de pesquisa, advocacy e geração, e disseminação de conhecimento em perspectiva indígena sobre diversidade sexual e de gênero.
A membresia na ILGA-LAC garante à Rede Arandu presença em espaços de deliberação política, como assembleias regionais, onde organizações membros contribuem para a definição de prioridades e estratégias da rede. Também possibilita acesso a dados, relatórios e diagnósticos regionais amplamente utilizados em ações de incidência junto a organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o sistema das Nações Unidas.
Um dos objetivos desta participação é viabilizar a integração da Rede Arandu em campanhas e posicionamentos coletivos, o que traz visibilidade para demandas locais em escala regional internacional e facilita o angariamento de recursos para ampliação do alcance e impacto da Rede. Organizações filiadas podem, por exemplo, concorrer a editais e fundos de apoio institucional, além de participar de grupos de trabalho temáticos.
Para a Rede Arandu, entrar na ILGA-LAC abre espaço para inserir as experiências e reivindicações de indígenas LGBTQIA+ em circuitos internacionais de produção de conhecimento e advocacy, contribuindo para tensionar agendas ainda marcadas por perspectivas urbanas e não indígenas.
De acordo com Flávia Belmont, pesquisadora e ativista integrante da Rede Arandu, a participação na rede amplia as possibilidades de intercâmbio e conhecimento de diferentes contextos da região, em se tratando de gênero e sexualidade sob perspectiva indígena, e também fortalece networking e estratégias locais e transnacionais.
"Nós Somos - Tybyras do Brasil" é um programa que traz trajetórias políticas e ecoa vozes que estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.
"Nós somos.
Assim começa o Manifesto Indígena LGBTQIAP+, lançado em 2024. Uma afirmação, um coletivo, um verbo. Desde então, temos nos aproximado de pessoas e coletivos que desobedecem os sentidos coloniais sobre corpo, gênero e desejo. Seguimos para escutar múltiplos corpos-território, cada qual com seu modo de existir, lutar e reinventar o mundo.
Este é o podcast da Rede Arandu, um momento para escutar com calma e compartilhar caminhos com pessoas indígenas, e refletir sobre gênero e sexualidade. Aqui, conversamos sobre histórias, lutas e modos de existir que resistem a mais de 500 anos de violência."
E assim começa o episódio de abertura da primeira temporada do podcast "Nós Somos - Tybyras do Brasil", uma iniciativa da Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.
Com narração de Ramona Jucá, o primeiro episódio apresenta os fundamentos da série e seu posicionamento político: constituir um espaço de escuta, encontro e circulação de saberes sobre gênero, sexualidade e existência indígena, a partir das vozes de pessoas indígenas LGBTQIAPN+. Entre território, corpo e ancestralidade, é construído o ponto de partida de uma série que nasce do diálogo entre pesquisa, ativismo e vida.
O programa é composto por uma série de entrevistas gravadas com participantes do Acampamento Terra Livre, presentes no ano de 2025. A cada episódio é evidenciado trajetórias políticas, disputas por direitos e a afirmação de múltiplas formas de existência. Ao dar visibilidade a essas vozes, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.
"Aqui, você vai entender o que é a Rede Arandu e como ela atua; de onde surge este podcast e quais caminhos ele percorre; porque escutar vozes indígenas LGBTQIAPN+ é urgente hoje. Este é um episódio-manifesto. Um começo que apresenta, convoca e abre caminhos.", diz Ramona em sua narração de abertura.
A iniciativa integra as ações da Rede Arandu, vinculada à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, que articula pesquisa, políticas públicas e movimentos sociais, com enfoque nas interseccionalidades de gênero, sexualidade, raça e etnia.
"O que fazemos é aproximar Estado, universidade e movimentos sociais para fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Nosso trabalho se apoia numa perspectiva interseccional, olhando com cuidado para as vivências e diversidades de gênero e sexualidade.", complementa Ramona em seu discurso.
O programa conta com oito episódios e está disponível nas plataformas de streaming Spotify e YouTube. Ouça o primeiro episódio pelo link abaixo!