INCT Caleidoscópio participa da 2ª Assembleia Geral da Rede Nacional de Observatórios das Mulheres

INCT Caleidoscópio participa da 2ª Assembleia Geral da Rede Nacional de Observatórios das Mulheres

Autoria Camila Infanger

No dia 28 de setembro de 2026, o INCT Caleidoscópio participou da 2ª Assembleia Geral da Rede Nacional de Observatórios das Mulheres, realizada virtualmente e com cerca de 50 participantes de observatórios, universidades e instituições públicas de todas as regiões do país. Nossa representante foi a pós-doutoranda Camila Infanger, da Nucleação Centro-Oeste. A reunião foi conduzida por Maria Teresa Firmino Prado Mauro, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal. 

A Rede reúne iniciativas dedicadas a produzir, sistematizar e difundir dados e conhecimento sobre a situação das mulheres no Brasil, com o objetivo de fortalecer as políticas públicas de gênero. A 2ª Assembleia marcou um passo importante na sua formalização, com a aprovação do Regimento Interno, que estabelece princípios como pluralidade, representatividade, decisão coletiva, transparência e sustentabilidade.

Encaminhamentos da Assembleia.

Também foram definidos os critérios de participação, com três categorias de integrantes: Membro Pleno, Iniciativa em Implantação e Instituição Parceira. Foi criado ainda um processo único de ingresso, por meio de formulário disponível no site da Rede desde 1º de outubro. As participantes deliberaram, entre outros pontos, que os observatórios poderão integrar Grupos de Trabalho e a Comissão Temporária passou a exercer provisoriamente as funções da primeira Diretoria Colegiada.

A Rede passa a se organizar em quatro Grupos de Trabalho permanentes: Metodologia e Dados; Formação e Capacitação; Comunicação e Difusão; e Sustentabilidade Institucional. Eles serão responsáveis por transformar as prioridades coletivas em produtos concretos, como guias, indicadores compartilhados, diagnósticos, boletins e atividades formativas. Nós do Caleidoscópio nos disponibilizamos para participar dos GTs de Comunicação e Difusão e do de Sustentabilidade Institucional. 

Para o INCT Caleidoscópio, a participação na Rede reforça o compromisso com a produção de evidências sobre desigualdades de gênero e com o diálogo entre pesquisa acadêmica e políticas públicas. Uma nova Assembleia está prevista ainda para 2026, dedicada ao planejamento das atividades da Rede para 2027.

Primeiro INCT feminista do Brasil apresenta pesquisas e ações na 78ª Reunião Anual da SBPC em Niterói

Primeiro INCT feminista do Brasil apresenta pesquisas e ações na 78ª Reunião Anual da SBPC em Niterói

O estande contou com relatos de experiências e impactos sociais do Instituto, recebendo visitantes de diversas idades, perfis e regiões do Brasil ao longo dos 6 dias de evento na 78ª Reunião Anual da SBPC. Foto: Letícia Moreira.

Escrito por: Daniel Silva e Letícia Moreira

O INCT Caleidoscópio participou da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada entre os dias 26 de julho e 1º de agosto de 2026, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). 

Além da participação na programação acadêmica, o Instituto esteve presente na ExpoT&C com um estande e uma programação dedicada ao diálogo sobre iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade a partir de perspectivas feministas, interseccionais e antirracistas.

Ao longo do evento, cerca de 2 mil pessoas passaram pelo estande, segundo estimativa baseada na distribuição dos materiais gráficos do Instituto. As atividades foram conduzidas em colaboração por uma equipe de 18 pessoas, das três nucleações regionais, que se revezaram na preparação e durante a Reunião Anual.

O INCT Caleidoscópio foi um dos cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia presentes na ExpoT&C, em um universo de mais de 200 INCTs atualmente ativos no país. Na Tenda ExpoT&C, o estande reuniu atividades interativas e materiais de comunicação científica, como cartilhas, quiz, vídeo institucional, bottons e marcadores de texto, que apresentaram ao público pesquisas, projetos, podcasts e ações desenvolvidas pelo Instituto. 

Durante a programação, a equipe recebeu estudantes da educação básica e do ensino superior, pesquisadoras, pesquisadores, docentes, famílias e visitantes, promovendo conversas sobre gênero, sexualidade, direitos humanos, democracia, justiça social, saúde e educação menstrual, territórios, meio ambiente e indígenas LGBTQIAPN+, e a participação de mulheres nas ciências, com recortes para mulheres negras, quilombolas e indígenas. A diversidade de públicos e a pluralidade de diálogos foram alguns dos aspectos destacados pela equipe durante a experiência.

A apresentação do instituto como o primeiro INCT feminista do Brasil também despertou a atenção de quem circulava pela feira. Visitantes procuraram o estande para conhecer as pesquisas desenvolvidas, compreender as formas de atuação do Instituto e buscar informações sobre possibilidades de participação em sua rede. 

Essa experiência permitiu alcançar pessoas que ainda não conheciam o INCT Caleidoscópio e aproximar suas pesquisas de públicos de diferentes áreas científicas e da nova geração de pesquisadoras e pesquisadores.

Trocas e diálogos plurais possibilitaram aproximações

O espaço também possibilitou diálogos com pesquisadoras e pesquisadores interessados em integrar ou estabelecer aproximações com a rede. Durante a feira, a equipe recebeu pessoas de diferentes regiões e instituições do país interessadas nas temáticas desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio, reforçando a participação na SBPC como uma oportunidade de articulação científica e construção de novas conexões.

Para Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT e coordenadora da Comissão de Comunicação Científica do Observatório Caleidoscópio, a temática da SBPC 2026, que teve como lema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, está diretamente ligada à temática do Instituto, que tem como pauta garantir a pluralidade das vozes de quem faz ciência no Brasil. 

Bessa avalia como positiva a participação no encontro:

“Foi uma decisão muito acertada da nossa coordenadora Viviane Resende e do nosso Comitê Científico. A SBPC é uma entidade que existe no Brasil desde 1948, parte de sua trajetória envolve uma reflexão e intervenção nos rumos da Ciência e Tecnologia que se produz aqui e também no tipo de educação que queremos. Participar da SPBC com um estande significa apostar no mote ‘ciência para todos’, e dar visibilidade ao trabalho que temos realizado nos quatro cantos do país com nosso Observatório de iniquidades e violências de gênero e sexualidade, com nossas incubadoras sociais e nossas várias pesquisas nesta fronteira de reflexão sobre a importância da diversidade étnico-racial, de gênero, de regionalidades, em cada área e grande área de conhecimento.

Além desse encontro com os pares (estamos recebendo visitas de várias pesquisadoras de diferentes áreas que se encantam com nosso trabalho), os estandes representam uma abertura para uma conversa direta com professoras/es do Ensino Fundamental e Médio, com estudantes de várias escolas daqui de Niterói e Região, enfim, promove o que entendemos ser um dos nossos objetivos primordiais, que é estar o mais próximo possível da comunidade, assegurando que esse debate sobre mulheres (quilombolas, indígenas, periféricas, lgbtia+) nas ciências é urgente e precisa da nossa atenção. A existência de um INCT dedicado a isso tem feito muita diferença.”, declara.

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Pesquisadoras e equipe técnica do INCT Caleidoscópio. Mirlene Simões, Karla Bessa, Sandra Maria, Zizele Ferreira e Laura de Souza (esq. para dir.). Foto: Daniel Silva.

Marina Silva, estudante de Engenharia de Pesca na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), compartilha que conhecer o INCT Caleidoscópio foi inspirador. “É muito bom saber que existe um núcleo na Região Nordeste que trabalha essas temáticas de gênero e diversidade. Com certeza, vou procurar me encaixar em alguma oportunidade junto ao projeto”, relata.

Julia Machado Dias, pesquisadora e membra da Arandu: Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, também compartilhou sua experiência durante a exposição.

“Dialogar com pessoas de diferentes lugares e perspectivas — crianças e adolescentes das redes públicas de ensino, pesquisadoras, professoras e visitantes de diversas áreas — foi uma das partes mais instigantes para mim. Cada conversa exigia adaptar a linguagem para abordar temas como gênero, antirracismo e interseccionalidade, conceitos que, para muitas pessoas, ainda eram novos ou pouco familiares, e que são os pilares do INCT Caleidoscópio.

A pesquisa costuma ser avaliada pelos resultados que produz. Experiências como essa também convidam a perguntar: por onde esses resultados circulam, quem tem acesso a eles e quais diálogos são capazes de produzir.” comenta Julia, bolsista Rede Arandu/INCT Caleidoscópio/CNPq.

A presença na Reunião Anual também favoreceu a aproximação com outros Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. 

Entre as articulações realizadas durante o evento esteve o diálogo com o INCT Educação Transformadora: Antirracismo, Interseccionalidade e Justiça Social na América Latina (INCT Antirracismo), que ocupava um espaço vizinho na feira, ampliando as trocas entre iniciativas voltadas à produção científica comprometida com o enfrentamento das desigualdades interseccionais. 

Além da visita de pesquisadoras, pesquisadores, gestoras e gestores que estão à frente dos processos e políticas científicas brasileiras, a experiência reforçou a importância da participação do Instituto em espaços científicos que reúnem diferentes áreas do conhecimento. 

Para além de eventos dedicados especificamente aos estudos de gênero, a presença na SBPC possibilitou inserir debates sobre equidade, diversidade de gênero, sexualidade e questões étnico-raciais em um espaço mais amplo de discussão sobre a ciência e as políticas científicas no Brasil.

Atividade especial sobre trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Legenda: Estande Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva. Foto: Morgani Guzzo.

A participação do INCT Caleidoscópio contou ainda com a atividade “Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva: diálogos interativos para a soberania e inclusão nas ciências”, no Instituto de Arte e Comunicação Social, organizada pela Incubadora Social Feminista Antirracista, Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulado pela coordenação sediada na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). 

O estande, que aconteceu no dia 29/07, pautou a autonomia e trajetórias acadêmicas das mulheres quilombolas e contou com materiais formativos e conversas com os visitantes. 

A pesquisadora e professora da UFBA, Sandra Maria da Silva, destaca a vasta participação e interação de pessoas interessadas em discutir sobre acesso e permanência nas universidades.

“Foi uma oportunidade de estabelecer vários contatos e possíveis parcerias. Essa experiência me trouxe felicidade de ver que pessoas de diferentes gerações demonstram interesse em conversar sobre essa temática”, declara. 

As participantes apresentaram também outras ações desenvolvidas pela Incubadora Social, como mentorias e treinamentos para estudantes universitárias. 

Jovens cientistas num futuro de equidade

Jovens pesquisadoras, pesquisadores, alunas e alunos da Educação Básica de todo o país compuseram uma parcela significativa do público durante os dias de evento. 

A estudante Ana Lara, de 16 anos, faz parte do Programa Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), e conheceu o INCT Caleidoscópio em visita à SBPC. Para a estudante, o encontro com o INCT foi especial.

“Ver mulheres dominando áreas da ciência é muito incrível, porque nós vemos como nós mulheres somos muito capazes de ocupar lugares que a gente nem imagina”, declara Ana Lara. 

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Visitantes assistindo o vídeo institucional do INCT Caleidoscópio. Foto: Daniel Silva.

INCT Caleidoscópio ganha estrutura permanente na UnB com a criação do Centro Integrado de Pesquisa Caleidoscópio

INCT Caleidoscópio ganha estrutura permanente na UnB com a criação do Centro Integrado de Pesquisa Caleidoscópio

O trabalho desenvolvido pelo INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília (UnB) ganha uma estrutura institucional permanente com a aprovação do Centro Integrado de Pesquisa (CIP) Caleidoscópio. Com a criação do CIP Caleidoscópio, parte das iniciativas desenvolvidas pelo Instituto na Universidade passa a contar com uma própria para pesquisa, parcerias e captação de recursos.

Criado em 2022, no âmbito do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do MCTI/CNPq, o INCT Caleidoscópio - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências é o primeiro INCT feminista do Brasil. Com sede na UnB, sua estrutura é organizada a partir de três nucleações presentes nas cinco regiões brasileiras.

As nucleações são coordenadas e compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa e articulam uma rede formada por 24 Instituições de Ensino Superior (IES) e outras instituições de todo o país e do exterior.

O CIP Caleidoscópio

Os Centros Integrados de Pesquisa integram a infraestrutura de pesquisa e inovação da Universidade de Brasília e reúnem atividades científicas, tecnológicas, artísticas, de inovação e de prestação de serviços, podendo ter caráter específico ou multidisciplinar. 

Enquanto o INCT é um projeto científico com duração vinculada ao seu financiamento, o CIP constitui uma estrutura permanente da UnB. As duas iniciativas passam, assim, a coexistir e atuar de forma articulada: o INCT preserva a dimensão nacional de sua rede enquanto o CIP cria condições para a continuidade institucional, na Universidade, de parte das atividades desenvolvidas pelo Caleidoscópio.

No caso do CIP Caleidoscópio, a nova estrutura mantém como eixo a compreensão e o enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades interseccionais no ambiente acadêmico e a identificação de iniciativas em Direitos Humanos e justiça social desenvolvidas em instituições de ensino superior em perspectiva feminista.

Uma das características do Centro é justamente sua natureza integrada. A proposta de criação do CIP Caleidoscópio foi apresentada conjuntamente pelo Instituto de Letras (IL), Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) e Instituto de Relações Internacionais (IREL), com a participação do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), além de grupos e laboratórios de pesquisa parceiros.

Embora faça parte da estrutura da UnB, o Regimento Interno prevê prospecção de parcerias e colaborações com outros centros e instituições de pesquisa e elaboração de projetos voltados à captação de recursos públicos e privados. Projetos também poderão ser captados diretamente por pesquisadoras e pesquisadores interessados na participação institucional do Centro.

Essa estrutura permite que o CIP preserve uma característica central da experiência construída pelo Caleidoscópio: a articulação entre diferentes unidades acadêmicas, áreas do conhecimento, grupos de pesquisa e instituições.

O Centro passa a contar com uma estrutura própria para organizar pesquisas, estabelecer parcerias, articular pesquisadoras e pesquisadores e desenvolver projetos vinculados às suas linhas de atuação.

Linhas de pesquisa dão continuidade aos trabalhos desenvolvidos

O CIP Caleidoscópio está organizado em cinco linhas de pesquisa:

  • Indicadores de Desigualdades Interseccionais e Experiências Exitosas;
  • Mulheres e dissidências de gênero nas ciências;
  • Raça e antirracismo nas ciências;
  • Povos e Comunidades Tradicionais e Ensino Superior;
  • e Desigualdade e Assédio no Ensino Superior.

As linhas dialogam diretamente com atividades desenvolvidas pela Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio. Atualmente, sua Incubadora Social desenvolve ações por meio de grupos temáticos dedicados a questões como:

  • desigualdades de gênero e sexualidade nos ambientes organizacionais das IES;
  • direitos dos povos indígenas e tradicionais e acesso ao ensino superior;
  • histórias e memórias de mulheres;
  • segregação urbana e acesso à educação;
  • violência e assédio;
  • maternidade na vida acadêmica;
  • privação de liberdade e políticas educacionais;
  • saúde das mulheres;
  • e tecnologias de enfrentamento aos racismos em escolas e IES.

Os grupos de trabalho passam a se relacionar com as linhas de pesquisa do CIP, contribuindo para operacionalizá-las e estabelecendo uma ligação entre as atividades já desenvolvidas no INCT e a nova estrutura institucional.

A proposta do Centro também prevê pesquisas desenvolvidas em contextos de observatórios e incubadoras, incluindo a produção e sistematização de indicadores sobre desigualdades interseccionais nas IES e pesquisas participativas com estudantes, pesquisadoras e pesquisadores de povos e comunidades tradicionais.

Coordenação e gestão do CIP Caleidoscópio 

Na nova estrutura,  as pesquisadoras Tchella Maso Fernandes e Jacqueline Fiuza da Silva Regis foram indicadas, respectivamente, para a coordenação e vice-coordenação do CIP Caleidoscópio. O Comitê Gestor foi composto por Viviane de Melo Resende, Maria Carmen Aires Gomes, Thayane Campos, Amanda Ferreira e Dayane Augusta. As coordenações das cinco linhas de pesquisa serão definidas pelas integrantes de cada linha.

A gestão será compartilhada entre as unidades instituidoras por meio da Coordenação e do Comitê Gestor. Entre suas atribuições estão o planejamento anual, a avaliação das atividades e a formulação de políticas e estratégias para a consolidação técnico-científica e o desenvolvimento do Centro.

A aprovação do CIP Caleidoscópio institucionaliza na Universidade de Brasília uma estrutura permanente para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Caleidoscópio, especialmente às iniciativas construídas pela Nucleação Centro-Oeste e às atividades realizadas na Universidade.

Essa atuação articula pesquisa, extensão e comunicação científica por meio do Observatório Caleidoscópio, das Incubadoras Sociais e de seus grupos temáticos, mantendo abertas as possibilidades de colaboração com pesquisadoras, pesquisadores, grupos e instituições de fora da UnB.

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

Estão em curso, desde fevereiro de 2026, as “Oficinas de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política” destinadas à estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), ambas de Angola.

A iniciativa integra as ações da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal pelo Observatório Caleidoscópio e da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, realiazdos no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Nucleação é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo. As oficinas são realizadas em articulação com a UAN e a UCAN.

As oficinas possuem coordenação geral da Profa. Dra. Dolores Galindo, docente titular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e coordenadora do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI/UFCG). A condução das atividades está a cargo da Profa. Dra. Helena Veloso, pesquisadora de Pós-Doutorado Júnior do CNPq junto ao INCT Caleidoscópio-UFCG, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (FCS/UAN) e da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (FCH/UCAN).

Como resultado, espera-se compreender as barreiras que atravessam as trajetórias acadêmicas de estudantes africanas e quilombolas, fortalecer estratégias de acolhimento e permanência no ensino superior, promover espaços coletivos de escuta e construção compartilhada de conhecimentos e elaborar, juntamente com as participantes, dois Guias de Orientação para permanência universitária, sendo um destinado às universidades de Angola e outro às brasileiras, construídos a partir das especificidades de cada realidade nacional e voltados ao fortalecimento de políticas e práticas institucionais de permanência.

No Brasil, realizadas quinzenalmente, de forma presencial, no CCBS/UFCG, as oficinas reúnem estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A metodologia adota o roteiro de oficinas em poéticas grupais elaborado pela Profa. Dra. Dolores Galindo, fundamentado na Clínica Política e na fabulação crítica, estruturando cada encontro a partir da definição dos objetivos da oficina, dos pontos-chave a serem trabalhados, da articulação com uma poética artística, da realização de atividades de abertura, da utilização de recursos expressivos, da discussão coletiva e do fechamento da atividade, integrando esses momentos ao desenvolvimento da pesquisa. 

Na UFCG, foram realizados, até o momento, cinco encontros com as estudantes africanas e quilombolas, nos quais foram abordados temas  como as motivações para adesão ao projeto;  deslocamentos relativos ao território, cultura e identidade no contexto universitário; o sentimento de pertencimento e  a representatividade, a história gloriosa das populações negras (fundamentada na resistência e na reexistência); a circulação no âmbito do cálculo racial e  barreiras à escolarização; as formas individuais e colectivas de lidar com os efeitos do racismo estrutural no seio da universidade; os efeitos da crise climática sobre o percurso acadêmico de mulheres negras; e, por fim, valores africanos, Ubuntu, associativismo e agenciamento entre negras e negros

Em Angola, por meio de encontros síncronos remotos, o projeto contempla ações de  Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política, em formato on-line e transnacional, com estudantes da UAN e da UCAN, fortalecendo a cooperação científica entre Brasil e Angola. Até o momento, foram realizados três encontros com as estudantes de Angola, nos quais foram abordadas as motivações para vinculação à proposta; os deslocamentos territoriais, culturais e identitários associados ao acesso e a permanência no contexto universitário; a representatividade, o  pertencimento e  a história gloriosa das populações negras; a circulação segregada,  as barreiras às trajectórias formativas de mulheres negras e as formas individuais e colectivas de lidar com as mesmas. 

Como resultado, a ação prevê a elaboração de dois guias construídos de forma participativa com as estudantes, destinados a subsidiar instituições de ensino superior na formulação de estratégias e políticas de acolhimento, permanência e equidade voltadas às estudantes africanas e quilombolas.

A proposta parte do reconhecimento de que estudantes africanas, negras, afrodescendentes, quilombolas, enfrentam desigualdades interseccionais produzidas pela intersecção entre racismo, sexismo e colonialidade, fatores que interferem em seus percursos acadêmicos e na permanência no ensino superior. Nesse contexto, as oficinas constituem um espaço de acolhimento, fortalecimento das trajetórias formativas e produção coletiva de estratégias de enfrentamento às desigualdades.

INCT Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos

INCT Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH), iniciativa liderada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) que reúne mais de 100 Instituições-Membros dedicadas à produção, articulação e disseminação de evidências para subsidiar políticas públicas em direitos humanos e cidadania.

Com a adesão, o Instituto amplia sua participação em uma rede nacional voltada à aproximação entre pesquisa e tomada de decisão, contribuindo para que o conhecimento científico produzido pelas frentes de atuações alcance novos espaços de incidência e fortaleça políticas públicas baseadas em evidências.

Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais. A integração à Rede dialoga diretamente com as frentes de atuação e os valores do INCT Caleidoscópio.

O Instituto está entre as instituições participantes, nos canais de comunicação da Rede e um espaço de apresentação no mapa oficial de membros da ReneDH.

Ao integrar a Rede, o instituto reforça seu compromisso de produzir conhecimento científico socialmente relevante e de contribuir para que evidências orientem a construção de políticas públicas voltadas à promoção dos direitos humanos, da equidade e da justiça social.

Sobre o INCT Caleidoscópio

O INCT Caleidoscópio é um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

Criado em 2022 com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Instituto é um projeto de desenvolvimento científico com foco em estudos feministas no Brasil, dedicado a compreender, enfrentar e contribuir para a redução das violências e desigualdades interseccionais de gênero e sexualidade.

Atuamos como uma rede nacional e internacional de pesquisa, formação e extensão voltada ao enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades de gênero e sexualidade em instituições de ensino superior e em seus territórios de relação.

Entre os eixos de ações incluem o levantamento de dados de equipamentos de enfrentamento às violências em instituições de ensino superior, mentorias, oficinas, cursos, seminários, fóruns de escuta, produção de materiais didáticos, podcasts, boletins, ferramentas digitais e impressas, tecnologias sociais e iniciativas desenvolvidas em escolas, universidades, comunidades quilombolas e comunidades indígenas.

O Instituto atua diante da persistência de barreiras interseccionais que restringem o acesso, a permanência, a visibilidade e a participação de grupos historicamente sub-representados nas ciências, além das violências e exclusões presentes em escolas e universidades. Trata-se de uma questão central para os direitos humanos por incidir diretamente sobre o direito à educação, saúde, ao reconhecimento e à participação social.

Com sede na Universidade de Brasília (UnB), o Instituto está organizado em três nucleações. Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e Norte, Nordeste e Amazônia Legal são compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa de 24 instituições de ensino superior distribuídas pelas cinco regiões do país.

A partir de uma perspectiva feminista, antirracista e interseccional, essas redes promovem iniciativas institucionais pioneiras em direitos humanos e justiça social nas instituições de ensino superior, com o objetivo de fomentar tecnologias sociais, acadêmicas, científicas, subsídiar políticas públicas e promover comunicação científica feminista.

As atividades do INCT Caleidoscópio estão organizadas em quatro eixos estruturantes: o Observatório Caleidoscópio, responsável pelo monitoramento de indicadores de violências, vulnerabilidades e políticas de enfrentamento; as incubadoras sociais, que aproximam universidade e sociedade civil por meio de projetos de pesquisa e extensão; a Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica, voltada à produção e circulação de conteúdos em podcasts, boletins e materiais multimídia sobre violências, desigualdades e insurgências de gênero e sexualidade; e as ações de incidência sobre políticas públicas, que desenvolvem tecnologias sociais, materiais de orientação e parcerias com órgãos públicos para fortalecer políticas de equidade de gênero e enfrentamento das desigualdades.

A participação na ReneDH amplia as possibilidades de colaboração entre o Instituto e organizações que atuam na produção e disseminação do conhecimento, favorecendo o intercâmbio entre pesquisadoras, gestores públicos e instituições comprometidas com a promoção dos direitos humanos. Também amplia a circulação das ações desenvolvidas pelo Instituto e seu potencial de contribuir para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Sobre a ReneDH

A Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH) é uma instância de articulação, produção e disseminação de informações estratégicas e evidências destinadas a subsidiar a tomada de decisão em direitos humanos e cidadania. A iniciativa, coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, busca fortalecer a agenda nacional de políticas públicas informadas por evidências.

Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne mais de 100 instituições-mebro de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais.

Para alcançar resultados em curto, médio e longo prazo, a ReneDH adota um modelo de funcionamento baseado em Ciclos de Implementação. A cada etapa, as ações são aprofundadas com o objetivo de institucionalizar o uso de evidências em direitos humanos por meio da articulação entre diferentes atores, da produção de estudos e da disseminação de análises voltadas ao fortalecimento das políticas públicas.

Para isso, a Rede adota como referência a Tradução do Conhecimento, metodologia que busca transformar evidências científicas em informações acessíveis e robustas para gestores públicos, articulando produção, síntese, disseminação, intercâmbio e aplicação ética do conhecimento. Além de dispor o Repositório de Estudos da Rede, uma plataforma de armazenamento e busca de documentos, estudos, análises, pesquisas e produtos de Tradução do Conhecimento desenvolvidos no campo dos Direitos Humanos.

Atualmente, a ReneDH está organizada em três grupos de trabalho: Expansão e sustentabilidade da Rede, Intermediação de evidências e Disseminação do conhecimento. A participação é aberta às instituições-membro, favorecendo a construção coletiva de estratégias, produtos de tradução do conhecimento e ações voltadas ao fortalecimento de políticas públicas informadas por evidências. Estes atuam sob as prioridades de pesquisas em DH apresentados pela Rede nos eixos temáticos abaixo:

  • Eixo 1 - Direitos Humanos das Crianças e Adolescentes
  • Eixo 2 - Direitos Humanos da Pessoa Idosa
  • Eixo 3 - Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência
  • Eixo 4 - Direitos Humanos das Pessoas LGBTQIA+
  • Eixo 5 - Promoção e Defesa dos Direitos Humanos

Para orientar a produção de conhecimento a partir das demandas de gestoras e gestores públicos, a Rede elaborou a Agenda de Priorização de Pesquisas em Direitos Humanos (APPDH). A edição de 2024 reúne temas estratégicos definidos a partir da escuta das Secretarias Nacionais do MDHC, aproximando pesquisadoras, pesquisadores, gestores públicos e sociedade na produção de subsídios técnico-científicos para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas e programas voltados à promoção dos direitos humanos.

Acesse o site da RedeDH para mais informações.

Pesquisadoras do INCT Caleidoscópio apresentam estudos sobre mulheres na ciência e comunicação feminista em congresso internacional

Pesquisadoras do INCT Caleidoscópio apresentam estudos sobre mulheres na ciência e comunicação feminista em congresso internacional

Autoria: Inara Fonseca.

Entre os dias 16 e 18 de setembro, as pesquisadoras do INCT Caleidoscópio Lia Sousa, Mirlene Simões, Morgani Guzzo e Inara Fonseca estiveram em Montevidéu (Uruguai) para apresentar suas pesquisas no XV Congreso Iberoamericano de Ciencia, Tecnología y Género. As quatro pesquisadoras são pós-doutorandas do INCT Caleidoscópio e integrantes da Nucleação Sul-Sudeste do Observatório Caleidoscópio. 

Lia Sousa apresentou “Mulheres nas ciências dos oceanos: trajetórias do passado, indicadores do presente”, uma análise interseccional da participação feminina na área, com base em dados do CNPq-Brasil. O trabalho contou com a colaboração de Maria Margaret Lopes, membro do Comitê Gestor do INCT.

Foto: Reprodução arquivo pessoal pesquisadoras INCT Caleidoscópio.

Mirlene Simões, em parceria com Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT, apresentou “Por que poucas jovens escolhem carreiras nas áreas STEAM?”, investigando a rejeição de estudantes do ensino médio de Campinas/SP às carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.

Foto: Reprodução arquivo pessoal pesquisadoras INCT Caleidoscópio.

Morgani Guzzo trouxe à tona “Enfrentamento às violências de gênero nas universidades: políticas e desafíos”, mapeando políticas institucionais de combate à violência de gênero em universidades públicas do Sul e Sudeste brasileiro.

Foto: Reprodução arquivo pessoal pesquisadoras INCT Caleidoscópio.

Por fim, Inara Fonseca apresentou “Narrando Utopias: relato de experiência sobre um podcast de inspiração feminista e freireana”, análise de um projeto de comunicação científica feminista. O trabalho foi desenvolvido em parceria com Karla Bessa e Elizandro Maurício Brick, do Prosa – Núcleo de Pesquisas em Educação e Tecnologia.

Há mais de duas décadas, o Congresso Iberoamericano de Ciência, Tecnologia e Gênero reúne pesquisadoras que analisam a produção científica sob uma perspectiva feminista. O encontro consolidou uma comunidade dedicada a investigar as relações entre gênero e ciência, com base em uma abordagem interseccional.

Os estudos apresentados compartilham um objetivo político comum: combater o sexismo e o androcentrismo na prática científica. Com olhar crítico, o congresso tem questionado paradigmas, denunciado desigualdades históricas e proposto mudanças para tornar o sistema científico mais inclusivo e igualitário.

A participação das pesquisadoras também reforça a importância da visibilidade internacional das pesquisas desenvolvidas no âmbito do INCT Caleidoscópio, ampliando o diálogo com outros países da América Latina e fortalecendo redes de colaboração em torno de gênero, ciência e transformação social.

 

Foto: Reprodução arquivo pessoal pesquisadoras INCT Caleidoscópio.