por Daniel Silva | jul 15, 2026 | Norte, Nordeste e Amazônia Legal, Notícia, Rede Caleidoscópio
Estão em curso, desde fevereiro de 2026, as “Oficinas de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política” destinadas à estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), ambas de Angola.
A iniciativa integra as ações da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal pelo Observatório Caleidoscópio e da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, realiazdos no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Nucleação é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo. As oficinas são realizadas em articulação com a UAN e a UCAN.
As oficinas possuem coordenação geral da Profa. Dra. Dolores Galindo, docente titular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e coordenadora do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI/UFCG). A condução das atividades está a cargo da Profa. Dra. Helena Veloso, pesquisadora de Pós-Doutorado Júnior do CNPq junto ao INCT Caleidoscópio-UFCG, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (FCS/UAN) e da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (FCH/UCAN).
Como resultado, espera-se compreender as barreiras que atravessam as trajetórias acadêmicas de estudantes africanas e quilombolas, fortalecer estratégias de acolhimento e permanência no ensino superior, promover espaços coletivos de escuta e construção compartilhada de conhecimentos e elaborar, juntamente com as participantes, dois Guias de Orientação para permanência universitária, sendo um destinado às universidades de Angola e outro às brasileiras, construídos a partir das especificidades de cada realidade nacional e voltados ao fortalecimento de políticas e práticas institucionais de permanência.
No Brasil, realizadas quinzenalmente, de forma presencial, no CCBS/UFCG, as oficinas reúnem estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A metodologia adota o roteiro de oficinas em poéticas grupais elaborado pela Profa. Dra. Dolores Galindo, fundamentado na Clínica Política e na fabulação crítica, estruturando cada encontro a partir da definição dos objetivos da oficina, dos pontos-chave a serem trabalhados, da articulação com uma poética artística, da realização de atividades de abertura, da utilização de recursos expressivos, da discussão coletiva e do fechamento da atividade, integrando esses momentos ao desenvolvimento da pesquisa.
Na UFCG, foram realizados, até o momento, cinco encontros com as estudantes africanas e quilombolas, nos quais foram abordados temas como as motivações para adesão ao projeto; deslocamentos relativos ao território, cultura e identidade no contexto universitário; o sentimento de pertencimento e a representatividade, a história gloriosa das populações negras (fundamentada na resistência e na reexistência); a circulação no âmbito do cálculo racial e barreiras à escolarização; as formas individuais e colectivas de lidar com os efeitos do racismo estrutural no seio da universidade; os efeitos da crise climática sobre o percurso acadêmico de mulheres negras; e, por fim, valores africanos, Ubuntu, associativismo e agenciamento entre negras e negros
Em Angola, por meio de encontros síncronos remotos, o projeto contempla ações de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política, em formato on-line e transnacional, com estudantes da UAN e da UCAN, fortalecendo a cooperação científica entre Brasil e Angola. Até o momento, foram realizados três encontros com as estudantes de Angola, nos quais foram abordadas as motivações para vinculação à proposta; os deslocamentos territoriais, culturais e identitários associados ao acesso e a permanência no contexto universitário; a representatividade, o pertencimento e a história gloriosa das populações negras; a circulação segregada, as barreiras às trajectórias formativas de mulheres negras e as formas individuais e colectivas de lidar com as mesmas.
Como resultado, a ação prevê a elaboração de dois guias construídos de forma participativa com as estudantes, destinados a subsidiar instituições de ensino superior na formulação de estratégias e políticas de acolhimento, permanência e equidade voltadas às estudantes africanas e quilombolas.
A proposta parte do reconhecimento de que estudantes africanas, negras, afrodescendentes, quilombolas, enfrentam desigualdades interseccionais produzidas pela intersecção entre racismo, sexismo e colonialidade, fatores que interferem em seus percursos acadêmicos e na permanência no ensino superior. Nesse contexto, as oficinas constituem um espaço de acolhimento, fortalecimento das trajetórias formativas e produção coletiva de estratégias de enfrentamento às desigualdades.
por Daniel Silva | jul 14, 2026 | Notícia, Rede Caleidoscópio
O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH), iniciativa liderada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) que reúne mais de 100 Instituições-Membros dedicadas à produção, articulação e disseminação de evidências para subsidiar políticas públicas em direitos humanos e cidadania.
Com a adesão, o Instituto amplia sua participação em uma rede nacional voltada à aproximação entre pesquisa e tomada de decisão, contribuindo para que o conhecimento científico produzido pelas frentes de atuações alcance novos espaços de incidência e fortaleça políticas públicas baseadas em evidências.
Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais. A integração à Rede dialoga diretamente com as frentes de atuação e os valores do INCT Caleidoscópio.
O Instituto está entre as instituições participantes, nos canais de comunicação da Rede e um espaço de apresentação no mapa oficial de membros da ReneDH.
Ao integrar a Rede, o instituto reforça seu compromisso de produzir conhecimento científico socialmente relevante e de contribuir para que evidências orientem a construção de políticas públicas voltadas à promoção dos direitos humanos, da equidade e da justiça social.
Sobre o INCT Caleidoscópio
O INCT Caleidoscópio é um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.
Criado em 2022 com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Instituto é um projeto de desenvolvimento científico com foco em estudos feministas no Brasil, dedicado a compreender, enfrentar e contribuir para a redução das violências e desigualdades interseccionais de gênero e sexualidade.
Atuamos como uma rede nacional e internacional de pesquisa, formação e extensão voltada ao enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades de gênero e sexualidade em instituições de ensino superior e em seus territórios de relação.
Entre os eixos de ações incluem o levantamento de dados de equipamentos de enfrentamento às violências em instituições de ensino superior, mentorias, oficinas, cursos, seminários, fóruns de escuta, produção de materiais didáticos, podcasts, boletins, ferramentas digitais e impressas, tecnologias sociais e iniciativas desenvolvidas em escolas, universidades, comunidades quilombolas e comunidades indígenas.
O Instituto atua diante da persistência de barreiras interseccionais que restringem o acesso, a permanência, a visibilidade e a participação de grupos historicamente sub-representados nas ciências, além das violências e exclusões presentes em escolas e universidades. Trata-se de uma questão central para os direitos humanos por incidir diretamente sobre o direito à educação, saúde, ao reconhecimento e à participação social.
Com sede na Universidade de Brasília (UnB), o Instituto está organizado em três nucleações. Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e Norte, Nordeste e Amazônia Legal são compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa de 24 instituições de ensino superior distribuídas pelas cinco regiões do país.
A partir de uma perspectiva feminista, antirracista e interseccional, essas redes promovem iniciativas institucionais pioneiras em direitos humanos e justiça social nas instituições de ensino superior, com o objetivo de fomentar tecnologias sociais, acadêmicas, científicas, subsídiar políticas públicas e promover comunicação científica feminista.
As atividades do INCT Caleidoscópio estão organizadas em quatro eixos estruturantes: o Observatório Caleidoscópio, responsável pelo monitoramento de indicadores de violências, vulnerabilidades e políticas de enfrentamento; as incubadoras sociais, que aproximam universidade e sociedade civil por meio de projetos de pesquisa e extensão; a Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica, voltada à produção e circulação de conteúdos em podcasts, boletins e materiais multimídia sobre violências, desigualdades e insurgências de gênero e sexualidade; e as ações de incidência sobre políticas públicas, que desenvolvem tecnologias sociais, materiais de orientação e parcerias com órgãos públicos para fortalecer políticas de equidade de gênero e enfrentamento das desigualdades.
A participação na ReneDH amplia as possibilidades de colaboração entre o Instituto e organizações que atuam na produção e disseminação do conhecimento, favorecendo o intercâmbio entre pesquisadoras, gestores públicos e instituições comprometidas com a promoção dos direitos humanos. Também amplia a circulação das ações desenvolvidas pelo Instituto e seu potencial de contribuir para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
Sobre a ReneDH
A Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH) é uma instância de articulação, produção e disseminação de informações estratégicas e evidências destinadas a subsidiar a tomada de decisão em direitos humanos e cidadania. A iniciativa, coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, busca fortalecer a agenda nacional de políticas públicas informadas por evidências.
Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne mais de 100 instituições-mebro de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais.
Para alcançar resultados em curto, médio e longo prazo, a ReneDH adota um modelo de funcionamento baseado em Ciclos de Implementação. A cada etapa, as ações são aprofundadas com o objetivo de institucionalizar o uso de evidências em direitos humanos por meio da articulação entre diferentes atores, da produção de estudos e da disseminação de análises voltadas ao fortalecimento das políticas públicas.
Para isso, a Rede adota como referência a Tradução do Conhecimento, metodologia que busca transformar evidências científicas em informações acessíveis e robustas para gestores públicos, articulando produção, síntese, disseminação, intercâmbio e aplicação ética do conhecimento. Além de dispor o Repositório de Estudos da Rede, uma plataforma de armazenamento e busca de documentos, estudos, análises, pesquisas e produtos de Tradução do Conhecimento desenvolvidos no campo dos Direitos Humanos.
Atualmente, a ReneDH está organizada em três grupos de trabalho: Expansão e sustentabilidade da Rede, Intermediação de evidências e Disseminação do conhecimento. A participação é aberta às instituições-membro, favorecendo a construção coletiva de estratégias, produtos de tradução do conhecimento e ações voltadas ao fortalecimento de políticas públicas informadas por evidências. Estes atuam sob as prioridades de pesquisas em DH apresentados pela Rede nos eixos temáticos abaixo:
- Eixo 1 - Direitos Humanos das Crianças e Adolescentes
- Eixo 2 - Direitos Humanos da Pessoa Idosa
- Eixo 3 - Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência
- Eixo 4 - Direitos Humanos das Pessoas LGBTQIA+
- Eixo 5 - Promoção e Defesa dos Direitos Humanos
Para orientar a produção de conhecimento a partir das demandas de gestoras e gestores públicos, a Rede elaborou a Agenda de Priorização de Pesquisas em Direitos Humanos (APPDH). A edição de 2024 reúne temas estratégicos definidos a partir da escuta das Secretarias Nacionais do MDHC, aproximando pesquisadoras, pesquisadores, gestores públicos e sociedade na produção de subsídios técnico-científicos para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas e programas voltados à promoção dos direitos humanos.
Acesse o site da RedeDH para mais informações.