Confabulações Críticas entre África, América Latina e Caribe: IV encontro do Ciclo Internacional de Seminários debate Psicologias e contracolonialidades em 24 de setembro

Confabulações Críticas entre África, América Latina e Caribe: IV encontro do Ciclo Internacional de Seminários debate Psicologias e contracolonialidades em 24 de setembro

Seminário reúne pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil para discutir linguagem, identidade cultural, tecnologias educacionais e práticas de cuidado a partir de perspectivas negras, afroreferenciadas e contracoloniais.

Pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil se reúnem, no dia 24 de setembro, para discutir linguagem, tecnologias educacionais e práticas de cuidado afroreferenciadas. O seminário acontece às 9h no Brasil e às 13h em Angola e na Nigéria e integra o I Ciclo Internacional de Seminários Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe. Em sua quarta edição, o seminário tem como tema “Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil”.

O encontro integra uma programação internacional realizada entre março e dezembro de 2026, aproximando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produções científicas de África, América Latina e Caribe. No âmbito do INCT Caleidoscópio, a iniciativa é desenvolvida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulando diálogos entre África e diáspora africana a partir da produção acadêmica de mulheres negras.

As atividades acontecem em formato híbrido, com participação presencial no Auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (CCBS/UFCG) e transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube. O formato busca ampliar a participação de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo redes de cooperação Sul-Sul e a circulação transnacional do conhecimento.

A mediação do encontro será das professoras Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFCG, e Helena Veloso, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), que coordenam o ciclo.

Pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil colocam diferentes conhecimentos em diálogo

A programação do quarto encontro reúne três pesquisadoras em discussões que aproximam linguagem e identidade cultural, tecnologias educacionais e conhecimentos locais e práticas de cuidado e acolhimento afroreferenciadas.

A professora Ana Bela Loureiro, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) e da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Angola (FCH-UCAN), apresenta “O valor psicológico da palavra mãe na construção da identidade cultural”.

Da Nigéria, Nafisat Afolake Adedokun-Shittu, da University of Ilorin (UNILORIN), participa com “Tecnologias educacionais, cultura e tradições locais: o GLOCALISE e a contextualização do conhecimento na Nigéria”.

Já Charlene Costa Bandeira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresenta “PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado”.

As três apresentações dão continuidade ao eixo temático que orienta o ciclo, “Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana”, reunindo pesquisas e experiências produzidas em diferentes contextos do Sul Global.

Confabulações que atravessam o Atlântico

O Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global. Ao articular universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica, a iniciativa estabelece conexões entre África, América Latina e Caribe.

Nesse percurso, a Confabulação Crítica é compreendida como um trabalho coletivo de fabulação diante de arquivos necessariamente lacunares da Psicologia. A proposta traça conexões entre Angola e Brasil e refaz rotas e percursos de mulheres pesquisadoras a partir de corpos e experiências atravessados pela diáspora, pelo exílio, pelo refúgio e por comunidades de destino.

Desde março, os encontros têm reunido pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. O primeiro seminário discutiu a produção acadêmica de mulheres negras na última década; o segundo abordou psicologias, migrações e mudanças climáticas; e o terceiro, realizado em julho, colocou em discussão as disputas epistemológicas e a legitimidade do conhecimento.

A iniciativa resulta de uma cooperação internacional com a Red Internacional de Voces Afrofeministas (RIVAS) e o Grupo de Trabalho Afrodescendentes Propostas Contrahegemónicas da CLACSO, com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A organização está a cargo do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFCG, em parceria com a Universidade Agostinho Neto e a Universidade Católica de Angola.

Nacionalmente, o ciclo articula-se ainda com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis, o GEM – Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA).

Como participar

O quarto encontro acontece em 24 de setembro de 2026, às 9h no Brasil e às 13h em Angola e na Nigéria. Presencialmente, as atividades serão realizadas no Auditório do CCBS/UFCG, em Campina Grande (PB). Também será possível acompanhar a programação de forma remota, por meio da transmissão ao vivo no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio do formulário disponibilizado nos canais do Instituto. A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, com sede na UFCG, para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

A programação segue até dezembro. Em novembro, o quinto seminário será dedicado às “Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas”. Em dezembro, o encontro que encerra o ciclo abordará “Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil”.

Salve a estreia abaixo!

Primeiro INCT feminista do Brasil apresenta pesquisas e ações na 78ª Reunião Anual da SBPC em Niterói

Primeiro INCT feminista do Brasil apresenta pesquisas e ações na 78ª Reunião Anual da SBPC em Niterói

O estande contou com relatos de experiências e impactos sociais do Instituto, recebendo visitantes de diversas idades, perfis e regiões do Brasil ao longo dos 6 dias de evento na 78ª Reunião Anual da SBPC. Foto: Letícia Moreira.

Escrito por: Daniel Silva e Letícia Moreira

O INCT Caleidoscópio participou da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada entre os dias 26 de julho e 1º de agosto de 2026, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). 

Além da participação na programação acadêmica, o Instituto esteve presente na ExpoT&C com um estande e uma programação dedicada ao diálogo sobre iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade a partir de perspectivas feministas, interseccionais e antirracistas.

Ao longo do evento, cerca de 2 mil pessoas passaram pelo estande, segundo estimativa baseada na distribuição dos materiais gráficos do Instituto. As atividades foram conduzidas em colaboração por uma equipe de 18 pessoas, das três nucleações regionais, que se revezaram na preparação e durante a Reunião Anual.

O INCT Caleidoscópio foi um dos cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia presentes na ExpoT&C, em um universo de mais de 200 INCTs atualmente ativos no país. Na Tenda ExpoT&C, o estande reuniu atividades interativas e materiais de comunicação científica, como cartilhas, quiz, vídeo institucional, bottons e marcadores de texto, que apresentaram ao público pesquisas, projetos, podcasts e ações desenvolvidas pelo Instituto. 

Durante a programação, a equipe recebeu estudantes da educação básica e do ensino superior, pesquisadoras, pesquisadores, docentes, famílias e visitantes, promovendo conversas sobre gênero, sexualidade, direitos humanos, democracia, justiça social, saúde e educação menstrual, territórios, meio ambiente e indígenas LGBTQIAPN+, e a participação de mulheres nas ciências, com recortes para mulheres negras, quilombolas e indígenas. A diversidade de públicos e a pluralidade de diálogos foram alguns dos aspectos destacados pela equipe durante a experiência.

A apresentação do instituto como o primeiro INCT feminista do Brasil também despertou a atenção de quem circulava pela feira. Visitantes procuraram o estande para conhecer as pesquisas desenvolvidas, compreender as formas de atuação do Instituto e buscar informações sobre possibilidades de participação em sua rede. 

Essa experiência permitiu alcançar pessoas que ainda não conheciam o INCT Caleidoscópio e aproximar suas pesquisas de públicos de diferentes áreas científicas e da nova geração de pesquisadoras e pesquisadores.

Trocas e diálogos plurais possibilitaram aproximações

O espaço também possibilitou diálogos com pesquisadoras e pesquisadores interessados em integrar ou estabelecer aproximações com a rede. Durante a feira, a equipe recebeu pessoas de diferentes regiões e instituições do país interessadas nas temáticas desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio, reforçando a participação na SBPC como uma oportunidade de articulação científica e construção de novas conexões.

Para Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT e coordenadora da Comissão de Comunicação Científica do Observatório Caleidoscópio, a temática da SBPC 2026, que teve como lema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, está diretamente ligada à temática do Instituto, que tem como pauta garantir a pluralidade das vozes de quem faz ciência no Brasil. 

Bessa avalia como positiva a participação no encontro:

“Foi uma decisão muito acertada da nossa coordenadora Viviane Resende e do nosso Comitê Científico. A SBPC é uma entidade que existe no Brasil desde 1948, parte de sua trajetória envolve uma reflexão e intervenção nos rumos da Ciência e Tecnologia que se produz aqui e também no tipo de educação que queremos. Participar da SPBC com um estande significa apostar no mote ‘ciência para todos’, e dar visibilidade ao trabalho que temos realizado nos quatro cantos do país com nosso Observatório de iniquidades e violências de gênero e sexualidade, com nossas incubadoras sociais e nossas várias pesquisas nesta fronteira de reflexão sobre a importância da diversidade étnico-racial, de gênero, de regionalidades, em cada área e grande área de conhecimento.

Além desse encontro com os pares (estamos recebendo visitas de várias pesquisadoras de diferentes áreas que se encantam com nosso trabalho), os estandes representam uma abertura para uma conversa direta com professoras/es do Ensino Fundamental e Médio, com estudantes de várias escolas daqui de Niterói e Região, enfim, promove o que entendemos ser um dos nossos objetivos primordiais, que é estar o mais próximo possível da comunidade, assegurando que esse debate sobre mulheres (quilombolas, indígenas, periféricas, lgbtia+) nas ciências é urgente e precisa da nossa atenção. A existência de um INCT dedicado a isso tem feito muita diferença.”, declara.

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Pesquisadoras e equipe técnica do INCT Caleidoscópio. Mirlene Simões, Karla Bessa, Sandra Maria, Zizele Ferreira e Laura de Souza (esq. para dir.). Foto: Daniel Silva.

Marina Silva, estudante de Engenharia de Pesca na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), compartilha que conhecer o INCT Caleidoscópio foi inspirador. “É muito bom saber que existe um núcleo na Região Nordeste que trabalha essas temáticas de gênero e diversidade. Com certeza, vou procurar me encaixar em alguma oportunidade junto ao projeto”, relata.

Julia Machado Dias, pesquisadora e membra da Arandu: Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, também compartilhou sua experiência durante a exposição.

“Dialogar com pessoas de diferentes lugares e perspectivas — crianças e adolescentes das redes públicas de ensino, pesquisadoras, professoras e visitantes de diversas áreas — foi uma das partes mais instigantes para mim. Cada conversa exigia adaptar a linguagem para abordar temas como gênero, antirracismo e interseccionalidade, conceitos que, para muitas pessoas, ainda eram novos ou pouco familiares, e que são os pilares do INCT Caleidoscópio.

A pesquisa costuma ser avaliada pelos resultados que produz. Experiências como essa também convidam a perguntar: por onde esses resultados circulam, quem tem acesso a eles e quais diálogos são capazes de produzir.” comenta Julia, bolsista Rede Arandu/INCT Caleidoscópio/CNPq.

A presença na Reunião Anual também favoreceu a aproximação com outros Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. 

Entre as articulações realizadas durante o evento esteve o diálogo com o INCT Educação Transformadora: Antirracismo, Interseccionalidade e Justiça Social na América Latina (INCT Antirracismo), que ocupava um espaço vizinho na feira, ampliando as trocas entre iniciativas voltadas à produção científica comprometida com o enfrentamento das desigualdades interseccionais. 

Além da visita de pesquisadoras, pesquisadores, gestoras e gestores que estão à frente dos processos e políticas científicas brasileiras, a experiência reforçou a importância da participação do Instituto em espaços científicos que reúnem diferentes áreas do conhecimento. 

Para além de eventos dedicados especificamente aos estudos de gênero, a presença na SBPC possibilitou inserir debates sobre equidade, diversidade de gênero, sexualidade e questões étnico-raciais em um espaço mais amplo de discussão sobre a ciência e as políticas científicas no Brasil.

Atividade especial sobre trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Legenda: Estande Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva. Foto: Morgani Guzzo.

A participação do INCT Caleidoscópio contou ainda com a atividade “Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva: diálogos interativos para a soberania e inclusão nas ciências”, no Instituto de Arte e Comunicação Social, organizada pela Incubadora Social Feminista Antirracista, Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulado pela coordenação sediada na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). 

O estande, que aconteceu no dia 29/07, pautou a autonomia e trajetórias acadêmicas das mulheres quilombolas e contou com materiais formativos e conversas com os visitantes. 

A pesquisadora e professora da UFBA, Sandra Maria da Silva, destaca a vasta participação e interação de pessoas interessadas em discutir sobre acesso e permanência nas universidades.

“Foi uma oportunidade de estabelecer vários contatos e possíveis parcerias. Essa experiência me trouxe felicidade de ver que pessoas de diferentes gerações demonstram interesse em conversar sobre essa temática”, declara. 

As participantes apresentaram também outras ações desenvolvidas pela Incubadora Social, como mentorias e treinamentos para estudantes universitárias. 

Jovens cientistas num futuro de equidade

Jovens pesquisadoras, pesquisadores, alunas e alunos da Educação Básica de todo o país compuseram uma parcela significativa do público durante os dias de evento. 

A estudante Ana Lara, de 16 anos, faz parte do Programa Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), e conheceu o INCT Caleidoscópio em visita à SBPC. Para a estudante, o encontro com o INCT foi especial.

“Ver mulheres dominando áreas da ciência é muito incrível, porque nós vemos como nós mulheres somos muito capazes de ocupar lugares que a gente nem imagina”, declara Ana Lara. 

Imagem de divulgação da participação do INCT Caleidoscópio na 78ª Reunião Anual da SBPC, na Tenda Expo C&T.
Visitantes assistindo o vídeo institucional do INCT Caleidoscópio. Foto: Daniel Silva.

Inscrições abertas para o terceiro encontro do I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”

Inscrições abertas para o terceiro encontro do I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”

As inscrições são gratuitas e os próximos encontros acontecem entre julho e dezembro.

Estão abertas as inscrições para participação nos próximos encontros do I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”, pelo Observatório Caleidoscópio por meio da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Social Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, ambos no âmbito do INCT Caleidoscópio, em cooperação com a Universidade Agostinho Neto (UAN – Angola) e a Universidade Católica de Angola (UCAN).

Coordenado pelas professoras Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e Helena Veloso, do Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Sociais da UAN e de Pós-Graduação em Consulta Psicológica da UCAN, o ciclo tem como eixo temático a promoção de “Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana”. Essa é uma realização conjunta entre Brasil e Angola, o ciclo é destinado a pesquisadoras(es), estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais, integrantes de movimentos sociais e pessoas interessadas nas temáticas abordadas.

As atividades acontecem entre março e dezembro de 2026 em formato híbrido, com encontros presenciais no Auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (CCBS/UFCG) e com transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo a articulação para as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento. As inscrições podem ser feitas neste formulário.

O primeiro encontro, intitulado “Nós em Rede” Produção Acadêmica de Mulheres Negras na Última Década: Diálogos África e Diáspora Africana (Angola, Brasil e Cuba) aconteceu em março. Já o segundo encontro, Psicologias, migrações e mudanças climáticas: experiências de mulheres negras no Sul Global, ocorreu em maio está disponível aqui.

Neste terceiro seminário, o tema será sobre Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento. Com realização no dia 30 de julho, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola), o encontro está dividido em três momentos:

Liberdade acadêmica afrodiaspórica: As associações de pesquisadores/as afrodescendentes e seu papel nas lutas contra o sexismo e o racismo no campo acadêmico: Profa. Dra. Anny Ocoró Loango – Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.

Tecnologias ancestrais de cuidado em saúde no Território Quilombola de Lagoa Grande para contracolonizar e bem viver: Tamille dos Santos Ferreira – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI / UFRB)- Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil.

Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas: Profa. Dra. Candida Soares da Costa – Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE-UFMT), Brasil.

Sobre o Ciclo de Seminários Internacionais

O atual Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global, articulando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica entre África, América Latina e Caribe. Os encontros se ancoram em marcos políticos da trajetória de suas lutas, dialogando com datas fundamentais às insurgências de mulheres negras, afrodescendentes e quilombolas: o Dia Internacional da Mulher; o Dia da África; o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha; o Dia Internacional Contra o Tráfico de Mulheres; o Dia Nacional da Consciência Negra; e o Dia Internacional dos Direitos Humanos. 

Nesta direção, a iniciativa resulta de uma cooperação internacional com a Red Internacional de Voces Afrofeministas (RIVAS) e com o Grupo de Trabalho Afrodescendentes Propostas Contrahegemónicas da CLACSO, com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A organização está a cargo do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), em parceria com a Universidade Agostinho Neto (UAN) e a Universidade Católica de Angola (UCAN).

Nacionalmente, articula-se com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis (PPGPsico-UNESP), GEM - Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e com o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA). 

Fabular criticamente, a partir da provocação que nos faz Saidiya Hartman (2008, 2022), permite forjar composições, rompimentos e tensionamentos, os quais excedem ou mesmo extrapolam e transgridem o cálculo racial que atravessa os arquivos lacunares da produção acadêmica em Psicologia e em campos disciplinares com os quais dialogamos, marcados também por formas de epistemicídio discutidos por Sueli Carneiro (2005).

Como nos lembram bell hooks (2019) e Gonzalez (1988), importa criar espaços onde, como pessoas negras, afrodescendentes e quilombolas, a partir dos feminismos negros e africanos (Oyěwùmí, 2011, 2020), interrogamos o “olhar do Outro” e também “olhamos de volta”, umas para as outras, dando nome ao que vemos, sentimos e pesquisamos, em escritas constituídas pela experiência e pela memória coletiva, em movimentos de escrevivência, tal como nos convida Conceição Evaristo (2020), escapando às narrativas de histórias únicas nas ciências (Correia, 2020; Septien, 2022). 

Situamos o presente ciclo internacional de seminários como uma prática de Confabulação Crítica, ou seja, um trabalho coletivo de fabulação que se dá num arquivo necessariamente lacunar da Psicologia, traçando conexões entre Angola e Brasil, refazendo rotas e percursos de mulheres pesquisadoras numa temporalidade que se esboça a partir de corpos atravessados pela diáspora, exílio, refúgio e por comunidades de destino. 

Com atividades realizadas entre março de 2026 e dezembro de 2026 sob a mediação por Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN), os encontros reúnem pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas de países da África, América Latina e Caribe em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. Ao longo da programação, pesquisadoras de Angola, Brasil, Cuba e Argentina apresentam suas pesquisas sobre psicologias, mudanças climáticas, migrações, políticas públicas, cuidado comunitário, linguagens, territorialidades quilombolas e disputas epistemológicas, fortalecendo redes de cooperação científica entre África, América Latina e Caribe.

Esta ação é vinculada aos projetos de pesquisa “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades” (Edital Universal 10/2023; Auxílio: 2751/2025) e “Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção” (Bolsa de Produtividade em Pesquisa CNPq).

Veja como participar

Os encontros acontecem em formato híbrido com transmissões entre Brasil e Angola pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário disponível neste link, também presente na bio do nosso perfil do Instagram @INCTCaleidoscopio.

A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

Confira a programação completa dos próximos encontros

Todos os encontros têm a mediação das professoras doutoras Dolores Galindo e Helena Veloso. A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

Seminário III – Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento

Quando: 30 de julho, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)

Liberdade acadêmica afrodiaspórica: As associações de pesquisadores/as afrodescendentes e seu papel nas lutas contra o sexismo e o racismo no campo acadêmico: Profa. Dra. Anny Ocoró Loango – Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.

Tecnologias ancestrais de cuidado em saúde no Território Quilombola de Lagoa Grande para contracolonizar e bem viver: Tamille dos Santos Ferreira – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI / UFRB)- Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil.

Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas: Profa. Dra. Candida Soares da Costa – Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE-UFMT), Brasil.

Seminário IV – Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil

Quando: 24 de setembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)

O valor psicológico da palavra mãe na construção da identidade cultural: Profa. Ma. Ana Bela Loureiro – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Angola (FCH-UCAN), Angola.

Psicologia e epistemologias contracoloniais: Profa. Dra. Jaileila de Araújo Menezes – Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil.

PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado: Psic. Mestra Charlene Costa Bandeira – Universidade Federal Fluminense (UFF), Comunidade Quilombola Macanudos- Rio Grande, RS, Brasil.

Seminário V – Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas

Quando: 26 de novembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)

Com o mundo às costas: Stress e identidades sociais nas zungueiras de Luanda: Profa. Dra. Madalena Ramos – Universidade Agostinho Neto (UAN), Angola.

Saberes, corpos-territórios e memórias de uma comunidade quilombola: Mestra Ronilda Bordó de Freitas – Universidade Federal do Pará (UFPA)- Comunidade Quilombola Vila de Umarizal, Baião-PA, Brasil.

Contribuições de mulheres negras para a formação em Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande: Profa. Dra. Diônvera Coelho da Silva, Universidade Federal de Pelotas (UFPEl), Brasil.

Seminário VI – Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil

Quando: 03 de dezembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)

A toponímia de Luanda contemporânea: Profa. Dra. Jeanine da Silveira – Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.

Infâncias negras pelas mãos de Virgínia Bicudo e Conceição Evaristo: Profa. Dra. Luiza Oliveira – Universidade Federal Fluminense (UFF), Brasil.

Zaire é um velho menino: notas para uma pesquisa quilombista em Psicologia: Mestra Luane Pereira Souza Macedo – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Quilombo da Conceição, Bequimão-MA, Brasil.

Psicologia social, relações étnico-raciais e produção de conhecimento: Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus – Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PROFHISTÓRIA/UFRRJ) e Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva da Fundação Oswaldo Cruz (PPGBIOS/FIOCRUZ), Brasil.

Caderno Orientador sobre maternidades quilombolas nas universidades será lançado em evento ao vivo dia 20 de julho

Caderno Orientador sobre maternidades quilombolas nas universidades será lançado em evento ao vivo dia 20 de julho

Publicação reúne recomendações construídas com mulheres quilombolas para fortalecer políticas de permanência, cuidado e equidade racial nas universidades brasileiras.

Como construir políticas universitárias capazes de responder às experiências vividas por mães quilombolas? De que maneira universidades, gestoras(es), pesquisadoras(es), movimentos sociais e comunidades podem atuar conjuntamente para ampliar condições de permanência, cuidado e equidade na educação superior?

Essas questões orientam o Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas, tecnologia social que será lançada no próximo 20 de julho de 2026, das 10h às 12h (horário de Brasília), em transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube.

A publicação resulta de pesquisas desenvolvidas em diálogo permanente com mulheres quilombolas e integra o Projeto "Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades" (Edital Universal 10/2023; Auxílio nº 2751/2025) e o projeto "Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção" (Bolsa de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), coordenados pela Profa. Dra. Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande.

Essa iniciativa é desenvolvida no âmbito da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal no âmbito do Observatório Caleidoscópio, frentes de atuação do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas múltiplas insurgências, com coordenação do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande.

O lançamento também materializa uma cooperação institucional construída entre a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, formalizada por meio do Termo de Compromisso Cidadão em Ciência, Tecnologia e Sociedade para Ensino, Pesquisa, Extensão e Transferência de Tecnologias Sociais, assinado em 07 de agosto de 2024. O acordo estabelece o compromisso de fortalecer, por meio da produção compartilhada de pesquisas e tecnologias sociais, as trajetórias de mulheres quilombolas pesquisadoras nas universidades, bem como definir princípios para pesquisas desenvolvidas em territórios quilombolas e com quilombolas, orientados pela ciência cidadã, pelo diálogo com as comunidades e pela valorização dos direitos quilombolas. Para conhecer mais, acesse.

Construído de forma colaborativa entre pesquisadoras negras e quilombolas, graduandas negras quilombolas, comunidades, integrantes movimentos sociais e universidades, o caderno apresenta recomendações destinadas ao fortalecimento das políticas institucionais de permanência de estudantes mães quilombolas, articulando evidências produzidas pela pesquisa científica, experiências comunitárias e conhecimentos construídos nos territórios.

Entre os conteúdos da publicação encontram-se:

  • Recomendações para universidades, gestoras(es), equipes de assistência estudantil e formuladoras(es) de políticas públicas.
  • Diretrizes para o desenvolvimento de políticas de permanência voltadas às maternidades quilombolas.
  • Experiências produzidas por mulheres quilombolas em diferentes territórios brasileiros.
  • Reflexões sobre maternidades, cuidado, permanência universitária, racismo, gênero e direitos.
  • Orientações para projetos de pesquisa, extensão, ensino e formação profissional.
  • Estratégias voltadas à construção de ambientes universitários comprometidos com a equidade étnico-racial e de gênero.

A publicação destina-se a:

  1. Docentes da Educação Superior e da Educação Básica.
  2. Pesquisadoras(es) e estudantes de graduação e pós-graduação.
  3. Gestoras(es) universitárias(os) e equipes de assistência estudantil.
  4. Pró-Reitorias, coordenações de cursos, núcleos de ações afirmativas e setores de apoio estudantil.
  5. Projetos de pesquisa e extensão.
  6. Movimentos sociais, comunidades quilombolas e organizações da sociedade civil.
  7. Instituições públicas comprometidas com a promoção da permanência e da equidade racial na educação superior.

O evento reunirá pesquisadoras de diferentes universidades brasileiras, lideranças quilombolas e representantes de instituições públicas e organizações da sociedade civil para discutir maternidades, permanência universitária, tecnologias sociais e produção compartilhada do conhecimento.

Após o lançamento, o Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas estará disponível gratuitamente, em formato digital, no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal: https://www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br.

Esta atividade integra o Ciclo de Tecnologias Sociais do Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências, composto por guias, cadernos orientadores, cadernos de recursos e materiais audiovisuais que serão disponibilizados entre julho e novembro de 2026. As publicações abordam diferentes dimensões do acesso, da permanência, da produção científica e das trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas, reunindo resultados de pesquisas, experiências comunitárias e tecnologias sociais construídas de forma colaborativa.

As próximas atividades, as publicações e os materiais produzidos poderão ser acompanhados no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, disponível em www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br, e nos canais de comunicação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio, do Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências e do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades.

A Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande, e pela Profa. Dra. Sílvia Lúcia Ferreira, da Universidade Federal da Bahia.

Serviço

Evento: Lançamento do Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas

Data: 20 de julho de 2026

Horário: 10h às 12h (horário de Brasília)

Modalidade: On-line

Transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube: clique aqui e salve a prévia.

Acesse o caderno gratuitamente, após o lançamento, no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal: https://www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br.

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

Estão em curso, desde fevereiro de 2026, as “Oficinas de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política” destinadas à estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), ambas de Angola.

A iniciativa integra as ações da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal pelo Observatório Caleidoscópio e da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, realiazdos no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Nucleação é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo. As oficinas são realizadas em articulação com a UAN e a UCAN.

As oficinas possuem coordenação geral da Profa. Dra. Dolores Galindo, docente titular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e coordenadora do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI/UFCG). A condução das atividades está a cargo da Profa. Dra. Helena Veloso, pesquisadora de Pós-Doutorado Júnior do CNPq junto ao INCT Caleidoscópio-UFCG, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (FCS/UAN) e da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (FCH/UCAN).

Como resultado, espera-se compreender as barreiras que atravessam as trajetórias acadêmicas de estudantes africanas e quilombolas, fortalecer estratégias de acolhimento e permanência no ensino superior, promover espaços coletivos de escuta e construção compartilhada de conhecimentos e elaborar, juntamente com as participantes, dois Guias de Orientação para permanência universitária, sendo um destinado às universidades de Angola e outro às brasileiras, construídos a partir das especificidades de cada realidade nacional e voltados ao fortalecimento de políticas e práticas institucionais de permanência.

No Brasil, realizadas quinzenalmente, de forma presencial, no CCBS/UFCG, as oficinas reúnem estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A metodologia adota o roteiro de oficinas em poéticas grupais elaborado pela Profa. Dra. Dolores Galindo, fundamentado na Clínica Política e na fabulação crítica, estruturando cada encontro a partir da definição dos objetivos da oficina, dos pontos-chave a serem trabalhados, da articulação com uma poética artística, da realização de atividades de abertura, da utilização de recursos expressivos, da discussão coletiva e do fechamento da atividade, integrando esses momentos ao desenvolvimento da pesquisa. 

Na UFCG, foram realizados, até o momento, cinco encontros com as estudantes africanas e quilombolas, nos quais foram abordados temas  como as motivações para adesão ao projeto;  deslocamentos relativos ao território, cultura e identidade no contexto universitário; o sentimento de pertencimento e  a representatividade, a história gloriosa das populações negras (fundamentada na resistência e na reexistência); a circulação no âmbito do cálculo racial e  barreiras à escolarização; as formas individuais e colectivas de lidar com os efeitos do racismo estrutural no seio da universidade; os efeitos da crise climática sobre o percurso acadêmico de mulheres negras; e, por fim, valores africanos, Ubuntu, associativismo e agenciamento entre negras e negros

Em Angola, por meio de encontros síncronos remotos, o projeto contempla ações de  Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política, em formato on-line e transnacional, com estudantes da UAN e da UCAN, fortalecendo a cooperação científica entre Brasil e Angola. Até o momento, foram realizados três encontros com as estudantes de Angola, nos quais foram abordadas as motivações para vinculação à proposta; os deslocamentos territoriais, culturais e identitários associados ao acesso e a permanência no contexto universitário; a representatividade, o  pertencimento e  a história gloriosa das populações negras; a circulação segregada,  as barreiras às trajectórias formativas de mulheres negras e as formas individuais e colectivas de lidar com as mesmas. 

Como resultado, a ação prevê a elaboração de dois guias construídos de forma participativa com as estudantes, destinados a subsidiar instituições de ensino superior na formulação de estratégias e políticas de acolhimento, permanência e equidade voltadas às estudantes africanas e quilombolas.

A proposta parte do reconhecimento de que estudantes africanas, negras, afrodescendentes, quilombolas, enfrentam desigualdades interseccionais produzidas pela intersecção entre racismo, sexismo e colonialidade, fatores que interferem em seus percursos acadêmicos e na permanência no ensino superior. Nesse contexto, as oficinas constituem um espaço de acolhimento, fortalecimento das trajetórias formativas e produção coletiva de estratégias de enfrentamento às desigualdades.