A Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, com apoio da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Federal de Brasília (IFB) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), convida toda a comunidade, especialmente mulheres indígenas jovens, mulheres de corpos diversos, crianças e anciãs, para o encontro realizado no dia 8 de agosto, às 10h, no Santuário dos Pajés, no Distrito Federal.
Com o tema "Saúde e Política em Corpos Indígenas", os encontros mensais promovem diálogos sobre saúde, cuidado e políticas que atravessam os corpos indígenas em suas diferentes interseccionalidades. Ao longo das atividades, será construído um minidocumentário participativo a partir de registros em áudio e vídeo produzidos coletivamente pelas participantes. Não é necessário ter participado do primeiro encontro para integrar a iniciativa.
A seguir, Ana Carolina Costa, estudante de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e bolsista da Rede de Polos de Extensão da UnB (REPE), compartilha seu relato de experiência sobre o primeiro encontro do projeto, realizado em 18 de julho deste ano.
Saúde e Política em Corpos Indígenas: um documentário participativo
Texto de Ana Carolina Costa
Estudante de Ciência Política na Universidade de Brasília e bolsista pela Rede de Polos de Extensão da UnB (REPE) no projeto Indigeneidades em diálogo no DF: Ecologia de Saberes, Saúde dos Corpos e Políticas Interseccionais.
O mês de julho marcou o início dos encontros mensais sobre "Saúde e Política em Corpos Indígenas" no Santuário dos Pajés, primeira terra indígena demarcada do Distrito Federal.
A iniciativa é organizada pela Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, com apoio da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Federal de Brasília (IFB) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), e busca promover diálogos sobre saúde e política a partir das experiências de corpos diversos, valorizando diferentes trajetórias, saberes e as vivências de mulheres indígenas.
Ao final do processo, será produzido um minidocumentário participativo a partir da reunião dos registros audiovisuais realizados durante as atividades.
O primeiro encontro, aberto para toda a comunidade, ocorreu no dia 18 de julho, no Centro Cultural Márcia Guajajara, e proporcionou um espaço para que as pessoas se conhecessem. A atividade contou com uma dinâmica em grupos menores, na qual todas as pessoas participaram das gravações, fazendo perguntas, entrevistando e compartilhando suas respostas a partir de duas questões: "O que é saúde para você?" e "O que você gostaria de conversar nesses encontros?"
Após as gravações das apresentações e respostas, todas as pessoas se reuniram para assistir aos vídeos e anotar os temas considerados importantes para as próximas atividades. Ao final, as contribuições formaram um painel coletivo e colorido.
Durante a atividade, foi servido um café da manhã, e aconteceram momentos de pausa e convivência. Após a exibição dos vídeos, houve uma roda de conversa sobre as experiências de entrevistar, ser entrevistado e assistir aos registros produzidos. Isso possibilitou o compartilhamento de sentimentos, impressões e reflexões sobre a construção coletiva do documentário.
O próximo encontro "Saúde e Política em Corpos Indígenas" será realizado no dia 8 de agosto, dando continuidade aos diálogos e registros que irão compor o minidocumentário participativo.
O Grupo de Trabalho (GT) História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade, do CIP/INCT Caleidoscópio, realiza no dia 18 de agosto de 2026, das 8h50 às 13h (GMT-3), o I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade. O evento reunirá pesquisadoras do Instituto para compartilhar projetos e pesquisas desenvolvidos no âmbito do grupo temático, abordando diferentes perspectivas sobre histórias de vida, memória, gênero, educação e direitos humanos.
Entre os temas desenvolvidos pelo GT estão pesquisas sobre corpos que menstruam; mulheres migrantes, trans e travestis; violência contra as mulheres e resistência; culpabilização de vítimas de crimes sexuais; morte e questões de gênero; empoderamento, sororidade e dororidade; história das mulheres e epistemologias feministas; saberes e práticas das parteiras tradicionais; tradição oral e história oral; raça, resistência, prevenção da violência, promoção de direitos e equidade; mulheres migrantes e arte; transmigração; decolonialidade e antirracismo.
Além das atividades de pesquisa e dos encontros promovidos pelo grupo, o GT desenvolve ações de comunicação científica comunitária por meio do Pod HMM, podcast com publicações bimestrais dedicadas a histórias de vida e trajetórias de mulheres nas ciências, em movimentos sociais e na defesa dos direitos humanos. A iniciativa busca ampliar a visibilidade dessas experiências e contribuir para a construção de um acervo sobre mulheres que atuam em diferentes áreas do conhecimento.
Durante o seminário, serão apresentados projetos desenvolvidos por pesquisadoras do GT. A programação terá início às 9h, com a abertura e apresentação conduzidas por Jacqueline Fiuza da Silva Regis. Em seguida, Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski apresentará a pesquisa "Histórias e Memórias de Mulheres em Nova Andradina/MS". Às 10h, Silvéria Maria dos Santos ministrará a apresentação "Arte de partejar: ofício, ancestralidade e reciprocidade das parteiras tradicionais".
Após um intervalo, às 11h, Julia Lene da Silva Souza apresentará "Elis Regina: resistência na ditadura militar". Na sequência, às 11h30, Carolina Gonçalves Gonzalez abordará o tema "Deambulares Poéticos: patrimônio da UnB entre-linhas, tramas e costuras". O evento será encerrado às 12h com uma roda de conversa entre as participantes.
O seminário é uma atividade de extensão certificada pela Universidade de Brasília (UnB) e é organizado pelo GT Histórias e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade, do CIP/INCT Caleidoscópio, em parceria com o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB).
A reportagem "Menopausa: avança proposta para garantir tratamento especializado no SUS", exibida pela TV Câmara em 27 de julho de 2026, apresenta o projeto de lei aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) que estabelece diretrizes para a atenção integral à saúde de mulheres no climatério e na menopausa no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
A proposta prevê ações educativas e de conscientização, oferta de exames e medicamentos, atendimento integral e multiprofissional e incentivo à produção de pesquisas, dados e monitoramento. O texto também institui o Dia Nacional de Conscientização sobre a Menopausa, a ser celebrado em 18 de outubro, e seguirá para análise do Senado, salvo a apresentação de recurso para votação no Plenário da Câmara.
Na reportagem, Jacqueline Fiuza, pesquisadora e coordenadora da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, compartilha sua experiência com a menopausa e destaca a importância do avanço da proposta, que prevê atendimento especializado no SUS com diferentes abordagens terapêuticas, conforme a indicação clínica. Além da terapia hormonal, o projeto amplia a possibilidade de acesso a outros cuidados voltados à promoção da saúde integral das mulheres.
"Ela chegou sem bater na porta e sem avisar. Eu comecei a sentir que eu não reconhecia mais esse corpo, não reconhecia mais meu ciclo, não reconhecia mais minhas reações emocionais e os processos que estavam acontecendo comigo."
Jacqueline é coordenadora da Incubadora Social na nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, e dos grupos temáticos "Saúde das mulheres em escolas e IES", "Tecnologias de enfrentamento a racismos em escolas e IES" e "Histórias e memórias de mulheres: educação e visibilidade". Atualmente, é bolsista Conhecimento Brasil/CNPq e desenvolve o projeto "MenoPausemos: pesquisa, extensão e comunicação científica sobre corpos em idade (pós-)menstrual".
Ao comentar a aprovação da proposta, a pesquisadora afirma:
"Com muita alegria, a gente ficou sabendo da aprovação desse projeto de lei para trazer o foco da menopausa para o SUS, para dar um atendimento mais integral, uma atenção mais holística às mulheres nessa idade, já que nós mulheres representamos mais da metade da população brasileira."
A reportagem evidencia a importância de ampliar o acesso à informação baseada em evidências científicas e de fortalecer políticas públicas que contemplem diferentes necessidades de cuidado ao longo do climatério e da menopausa, especialmente por meio de uma atenção integral e multiprofissional às mulheres.
As inscrições são gratuitas e os próximos encontros acontecem entre julho e dezembro.
Estão abertas as inscrições para participação nos próximos encontros do I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”, pelo Observatório Caleidoscópio por meio da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Social Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, ambos no âmbito do INCT Caleidoscópio, em cooperação com a Universidade Agostinho Neto (UAN – Angola) e a Universidade Católica de Angola (UCAN).
Coordenado pelas professoras Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e Helena Veloso, do Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Sociais da UAN e de Pós-Graduação em Consulta Psicológica da UCAN, o ciclo tem como eixo temático a promoção de “Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana”. Essa é uma realização conjunta entre Brasil e Angola, o ciclo é destinado a pesquisadoras(es), estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais, integrantes de movimentos sociais e pessoas interessadas nas temáticas abordadas.
As atividades acontecem entre março e dezembro de 2026 em formato híbrido, com encontros presenciais no Auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (CCBS/UFCG) e com transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo a articulação para as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento. As inscrições podem ser feitas neste formulário.
O primeiro encontro, intitulado “Nós em Rede” Produção Acadêmica de Mulheres Negras na Última Década: Diálogos África e Diáspora Africana (Angola, Brasil e Cuba) aconteceu em março. Já o segundo encontro, Psicologias, migrações e mudanças climáticas: experiências de mulheres negras no Sul Global, ocorreu em maio está disponível aqui.
Neste terceiro seminário, o tema será sobre Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento. Com realização no dia 30 de julho, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola), o encontro está dividido em três momentos:
Liberdade acadêmica afrodiaspórica: As associações de pesquisadores/as afrodescendentes e seu papel nas lutas contra o sexismo e o racismo no campo acadêmico: Profa. Dra. Anny Ocoró Loango – Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.
Tecnologias ancestrais de cuidado em saúde no Território Quilombola de Lagoa Grande para contracolonizar e bem viver: Tamille dos Santos Ferreira – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI / UFRB)- Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil.
Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas: Profa. Dra. Candida Soares da Costa – Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE-UFMT), Brasil.
Sobre o Ciclo de Seminários Internacionais
O atual Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global, articulando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica entre África, América Latina e Caribe. Os encontros se ancoram em marcos políticos da trajetória de suas lutas, dialogando com datas fundamentais às insurgências de mulheres negras, afrodescendentes e quilombolas: o Dia Internacional da Mulher; o Dia da África; o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha; o Dia Internacional Contra o Tráfico de Mulheres; o Dia Nacional da Consciência Negra; e o Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Nacionalmente, articula-se com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis (PPGPsico-UNESP), GEM - Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e com o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA).
Fabular criticamente, a partir da provocação que nos faz Saidiya Hartman (2008, 2022), permite forjar composições, rompimentos e tensionamentos, os quais excedem ou mesmo extrapolam e transgridem o cálculo racial que atravessa os arquivos lacunares da produção acadêmica em Psicologia e em campos disciplinares com os quais dialogamos, marcados também por formas de epistemicídio discutidos por Sueli Carneiro (2005).
Como nos lembram bell hooks (2019) e Gonzalez (1988), importa criar espaços onde, como pessoas negras, afrodescendentes e quilombolas, a partir dos feminismos negros e africanos (Oyěwùmí, 2011, 2020), interrogamos o “olhar do Outro” e também “olhamos de volta”, umas para as outras, dando nome ao que vemos, sentimos e pesquisamos, em escritas constituídas pela experiência e pela memória coletiva, em movimentos de escrevivência, tal como nos convida Conceição Evaristo (2020), escapando às narrativas de histórias únicas nas ciências (Correia, 2020; Septien, 2022).
Situamos o presente ciclo internacional de seminários como uma prática de Confabulação Crítica, ou seja, um trabalho coletivo de fabulação que se dá num arquivo necessariamente lacunar da Psicologia, traçando conexões entre Angola e Brasil, refazendo rotas e percursos de mulheres pesquisadoras numa temporalidade que se esboça a partir de corpos atravessados pela diáspora, exílio, refúgio e por comunidades de destino.
Com atividades realizadas entre março de 2026 e dezembro de 2026 sob a mediação por Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN), os encontros reúnem pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas de países da África, América Latina e Caribe em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. Ao longo da programação, pesquisadoras de Angola, Brasil, Cuba e Argentina apresentam suas pesquisas sobre psicologias, mudanças climáticas, migrações, políticas públicas, cuidado comunitário, linguagens, territorialidades quilombolas e disputas epistemológicas, fortalecendo redes de cooperação científica entre África, América Latina e Caribe.
Esta ação é vinculada aos projetos de pesquisa “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades” (Edital Universal 10/2023; Auxílio: 2751/2025) e “Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção” (Bolsa de Produtividade em Pesquisa CNPq).
Veja como participar
Os encontros acontecem em formato híbrido com transmissões entre Brasil e Angola pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento.
As inscrições podem ser feitas por meio do formulário disponível neste link, também presente na bio do nosso perfil do Instagram @INCTCaleidoscopio.
A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.
Confira a programação completa dos próximos encontros
Todos os encontros têm a mediação das professoras doutoras Dolores Galindo e Helena Veloso. A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.
Seminário III – Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento
Quando: 30 de julho, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)
Liberdade acadêmica afrodiaspórica: As associações de pesquisadores/as afrodescendentes e seu papel nas lutas contra o sexismo e o racismo no campo acadêmico: Profa. Dra. Anny Ocoró Loango – Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.
Tecnologias ancestrais de cuidado em saúde no Território Quilombola de Lagoa Grande para contracolonizar e bem viver: Tamille dos Santos Ferreira – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI / UFRB)- Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil.
Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas: Profa. Dra. Candida Soares da Costa – Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE-UFMT), Brasil.
Seminário IV – Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil
Quando: 24 de setembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)
O valor psicológico da palavra mãe na construção da identidade cultural: Profa. Ma. Ana Bela Loureiro – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Angola (FCH-UCAN), Angola.
Psicologia e epistemologias contracoloniais: Profa. Dra. Jaileila de Araújo Menezes – Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil.
PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado: Psic. Mestra Charlene Costa Bandeira – Universidade Federal Fluminense (UFF), Comunidade Quilombola Macanudos- Rio Grande, RS, Brasil.
Seminário V – Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas
Quando: 26 de novembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)
Com o mundo às costas: Stress e identidades sociais nas zungueiras de Luanda: Profa. Dra. Madalena Ramos – Universidade Agostinho Neto (UAN), Angola.
Saberes, corpos-territórios e memórias de uma comunidade quilombola: Mestra Ronilda Bordó de Freitas – Universidade Federal do Pará (UFPA)- Comunidade Quilombola Vila de Umarizal, Baião-PA, Brasil.
Contribuições de mulheres negras para a formação em Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande: Profa. Dra. Diônvera Coelho da Silva, Universidade Federal de Pelotas (UFPEl), Brasil.
Seminário VI – Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil
Quando: 03 de dezembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)
A toponímia de Luanda contemporânea: Profa. Dra. Jeanine da Silveira – Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.
Infâncias negras pelas mãos de Virgínia Bicudo e Conceição Evaristo: Profa. Dra. Luiza Oliveira – Universidade Federal Fluminense (UFF), Brasil.
Zaire é um velho menino: notas para uma pesquisa quilombista em Psicologia: Mestra Luane Pereira Souza Macedo – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Quilombo da Conceição, Bequimão-MA, Brasil.
Psicologia social, relações étnico-raciais e produção de conhecimento: Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus – Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PROFHISTÓRIA/UFRRJ) e Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva da Fundação Oswaldo Cruz (PPGBIOS/FIOCRUZ), Brasil.
Iniciativa reúne dados de 19 coletivos e resulta da escuta, pesquisa e incidência política da Rede Arandu desde 2024. O objetivo é dar visibilidade aos esforços de lutas indígenas pelo acolhimento às diversidades.
Segundo Flávia Belmont, doutora em Relações Internacionais, pós-doutoranda júnior no INCT Caleidoscópio e coordenadora do mapeamento, o objetivo é incentivar a ampliação das redes e a consolidação de relações entre os coletivos. “A ideia é dar visibilidade e principalmente mostrar para as pessoas indígenas LGBTQIAPN+ que esses grupos existem e que elas podem ter apoio e acolhimento nestes espaços, além de se fortalecerem política e pessoalmente”, comenta.
O processo de mapear os coletivos e espaços de mobilização se deu a partir de um formulário digital divulgado durante o ATL, que ocorreu presencialmente em Brasília no mês de abril. O material foi compartilhado também em redes sociais e, com isso, diálogos complementares com representantes dos movimentos integraram a pesquisa.
O resultado final reúne informações de 19 coletivos, 15 deles criados por e para pessoas indígenas LGBTQIAPN+, a partir de suas necessidades e demandas, e mais 4 que se configuram como espaços de mobilização mais amplos e que acolhem, também, pessoas indígenas de sexualidades e identidades de gênero não-normativas, promovendo estes debates.
Mapeamento revela diversidade entre os grupos
Os grupos mapeados representam povos indígenas de todas as regiões do Brasil, com destaque para a região Nordeste. Eles apresentam diferentes formatos de organização, variando entre articulações nacionais, grupos territoriais e urbanos. Apesar da diversidade, são marcados por interesses em comum, como a defesa dos direitos humanos, o combate à LGBTfobia e ao racismo, a promoção da saúde integral, o fortalecimento das identidades indígenas LGBTQIAPN+, a valorização das ancestralidades e a incidência política em defesa dos territórios.
Muitos grupos desenvolvem ações de acolhimento, formação política, produção cultural, comunicação, saúde mental e justiça climática, articulando a luta pela diversidade às reivindicações históricas dos povos originários.
O levantamento evidencia ainda que a organização política de indígenas LGBTQIAPN+ se intensificou nos últimos anos: a maior parte dos coletivos identificados foi criada entre 2019 e 2026, acompanhando o fortalecimento da presença dessa pauta em espaços como o Acampamento Terra Livre e em redes nacionais de mobilização.
Dados nacionais podem impulsionar novas redes
Os dados foram coletados com o intuito de reunir informações, dar visibilidade aos grupos e suas atividades e, com isso, fomentar ações e políticas públicas. Segundo Flávia Belmont, muitos coletivos mapeados ainda não eram conhecidos pela Rede Arandu, como alguns grupos do Norte, da Amazônia e de regiões fronteiriças.
“A coleta foi feita também por meio de relações de confiança. A parceria com o TYBYRA, que é esse coletivo nacional do qual muitas pessoas da Arandu também fazem parte, permitiu que a gente pudesse, de fato, circular e ter a confiança das pessoas que responderam”, complementa Flávia.
Dentre as informações reunidas, estão dados gerais sobre os coletivos e os contatos de pontos focais e representantes indígenas LGBTQIAPN+. Para Belmont, isso é importante não apenas para a constituição de redes, mas também para a construção de relações de confiança, além de aprimorar o trabalho da Rede Arandu.
Próximos passos
Um dos trabalhos centrais já desenvolvidos pela Rede Arandu é o levantamento de dados sobre violências de gênero e sexualidade que afetam populações indígenas. O mapeamento dos coletivos representa uma etapa importante tanto para este levantamento, que está em processo, como também para a construção de acolhimento e escuta sobre as pautas e demandas destas populações.
“O objetivo é que esse levantamento de dados seja robusto, não apenas no sentido dos números, mas também da estrutura. Queremos um levantamento das violências que não vulnerabilize nem revitimize as pessoas. Ele precisa vir acompanhado de ações de acolhimento, de promoção do bem-viver e da saúde mental. A aplicação desse instrumento de pesquisa também deve ser coletiva, porque eu não daria conta sozinha. É um tema muito delicado, que toca as pessoas de maneiras muito fortes”, revela Belmont.
A Rede Arandu segue aberta para atualização do mapeamento e diálogo com as comunidades e grupos que desejem integrar as atividades e criar novas colaborações.
Sobre a Rede Arandu
Criada em 2024, a Arandu – Rede de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade é uma iniciativa interseccional e transversal voltada à produção de conhecimento por e sobre povos indígenas, seus coletivos e instituições parceiras, com ênfase no entrelaçamento de gênero, sexualidade, raça e etnia. Ligada ao INCT Caleidoscópio Centro-oeste, tem como propósito fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Surge a partir de um diálogo com a Coordenação de Política para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas e tem como base algumas discussões prévias do grupo de pesquisa Povos Indígenas e Política Global e do Núcleo de Pesquisa Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional (NUGRAD), de onde vieram os primeiros colaboradores da Rede.
Publicação reúne recomendações construídas com mulheres quilombolas para fortalecer políticas de permanência, cuidado e equidade racial nas universidades brasileiras.
Como construir políticas universitárias capazes de responder às experiências vividas por mães quilombolas? De que maneira universidades, gestoras(es), pesquisadoras(es), movimentos sociais e comunidades podem atuar conjuntamente para ampliar condições de permanência, cuidado e equidade na educação superior?
Essas questões orientam o Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas, tecnologia social que será lançada no próximo 20 de julho de 2026, das 10h às 12h (horário de Brasília), em transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube.
A publicação resulta de pesquisas desenvolvidas em diálogo permanente com mulheres quilombolas e integra o Projeto "Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades" (Edital Universal 10/2023; Auxílio nº 2751/2025) e o projeto "Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção" (Bolsa de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), coordenados pela Profa. Dra. Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande.
Essa iniciativa é desenvolvida no âmbito da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal no âmbito do Observatório Caleidoscópio, frentes de atuação do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas múltiplas insurgências, com coordenação do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande.
O lançamento também materializa uma cooperação institucional construída entre a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, formalizada por meio do Termo de Compromisso Cidadão em Ciência, Tecnologia e Sociedade para Ensino, Pesquisa, Extensão e Transferência de Tecnologias Sociais, assinado em 07 de agosto de 2024. O acordo estabelece o compromisso de fortalecer, por meio da produção compartilhada de pesquisas e tecnologias sociais, as trajetórias de mulheres quilombolas pesquisadoras nas universidades, bem como definir princípios para pesquisas desenvolvidas em territórios quilombolas e com quilombolas, orientados pela ciência cidadã, pelo diálogo com as comunidades e pela valorização dos direitos quilombolas. Para conhecer mais, acesse.
Construído de forma colaborativa entre pesquisadoras negras e quilombolas, graduandas negras quilombolas, comunidades, integrantes movimentos sociais e universidades, o caderno apresenta recomendações destinadas ao fortalecimento das políticas institucionais de permanência de estudantes mães quilombolas, articulando evidências produzidas pela pesquisa científica, experiências comunitárias e conhecimentos construídos nos territórios.
Entre os conteúdos da publicação encontram-se:
Recomendações para universidades, gestoras(es), equipes de assistência estudantil e formuladoras(es) de políticas públicas.
Diretrizes para o desenvolvimento de políticas de permanência voltadas às maternidades quilombolas.
Experiências produzidas por mulheres quilombolas em diferentes territórios brasileiros.
Reflexões sobre maternidades, cuidado, permanência universitária, racismo, gênero e direitos.
Orientações para projetos de pesquisa, extensão, ensino e formação profissional.
Estratégias voltadas à construção de ambientes universitários comprometidos com a equidade étnico-racial e de gênero.
A publicação destina-se a:
Docentes da Educação Superior e da Educação Básica.
Pesquisadoras(es) e estudantes de graduação e pós-graduação.
Gestoras(es) universitárias(os) e equipes de assistência estudantil.
Pró-Reitorias, coordenações de cursos, núcleos de ações afirmativas e setores de apoio estudantil.
Projetos de pesquisa e extensão.
Movimentos sociais, comunidades quilombolas e organizações da sociedade civil.
Instituições públicas comprometidas com a promoção da permanência e da equidade racial na educação superior.
O evento reunirá pesquisadoras de diferentes universidades brasileiras, lideranças quilombolas e representantes de instituições públicas e organizações da sociedade civil para discutir maternidades, permanência universitária, tecnologias sociais e produção compartilhada do conhecimento.
Após o lançamento, o Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas estará disponível gratuitamente, em formato digital, no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal: https://www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br.
Esta atividade integra o Ciclo de Tecnologias Sociais do Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências, composto por guias, cadernos orientadores, cadernos de recursos e materiais audiovisuais que serão disponibilizados entre julho e novembro de 2026. As publicações abordam diferentes dimensões do acesso, da permanência, da produção científica e das trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas, reunindo resultados de pesquisas, experiências comunitárias e tecnologias sociais construídas de forma colaborativa.
As próximas atividades, as publicações e os materiais produzidos poderão ser acompanhados no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, disponível em www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br, e nos canais de comunicação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio, do Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências e do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades.
A Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande, e pela Profa. Dra. Sílvia Lúcia Ferreira, da Universidade Federal da Bahia.
Serviço
Evento: Lançamento do Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas
Data: 20 de julho de 2026
Horário: 10h às 12h (horário de Brasília)
Modalidade: On-line
Transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube: clique aqui e salve a prévia.