O estande contou com relatos de experiências e impactos sociais do Instituto, recebendo visitantes de diversas idades, perfis e regiões do Brasil ao longo dos 6 dias de evento na 78ª Reunião Anual da SBPC. Foto: Letícia Moreira.
Além da participação na programação acadêmica, o Instituto esteve presente na ExpoT&C com um estande e uma programação dedicada ao diálogo sobre iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade a partir de perspectivas feministas, interseccionais e antirracistas.
Ao longo do evento, cerca de 2 mil pessoas passaram pelo estande, segundo estimativa baseada na distribuição dos materiais gráficos do Instituto. As atividades foram conduzidas em colaboração por uma equipe de 18 pessoas, das três nucleações regionais, que se revezaram na preparação e durante a Reunião Anual.
O INCT Caleidoscópio foi um dos cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia presentes na ExpoT&C, em um universo de mais de 200 INCTs atualmente ativos no país. Na Tenda ExpoT&C, o estande reuniu atividades interativas e materiais de comunicação científica, como cartilhas, quiz, vídeo institucional, bottons e marcadores de texto, que apresentaram ao público pesquisas, projetos, podcasts e ações desenvolvidas pelo Instituto.
Durante a programação, a equipe recebeu estudantes da educação básica e do ensino superior, pesquisadoras, pesquisadores, docentes, famílias e visitantes, promovendo conversas sobre gênero, sexualidade, direitos humanos, democracia, justiça social, saúde e educação menstrual, territórios, meio ambiente e indígenas LGBTQIAPN+, e a participação de mulheres nas ciências, com recortes para mulheres negras, quilombolas e indígenas. A diversidade de públicos e a pluralidade de diálogos foram alguns dos aspectos destacados pela equipe durante a experiência.
A apresentação do instituto como o primeiro INCT feminista do Brasil também despertou a atenção de quem circulava pela feira. Visitantes procuraram o estande para conhecer as pesquisas desenvolvidas, compreender as formas de atuação do Instituto e buscar informações sobre possibilidades de participação em sua rede.
Essa experiência permitiu alcançar pessoas que ainda não conheciam o INCT Caleidoscópio e aproximar suas pesquisas de públicos de diferentes áreas científicas e da nova geração de pesquisadoras e pesquisadores.
Trocas e diálogos plurais possibilitaram aproximações
O espaço também possibilitou diálogos com pesquisadoras e pesquisadores interessados em integrar ou estabelecer aproximações com a rede. Durante a feira, a equipe recebeu pessoas de diferentes regiões e instituições do país interessadas nas temáticas desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio, reforçando a participação na SBPC como uma oportunidade de articulação científica e construção de novas conexões.
Para Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT e coordenadora da Comissão de Comunicação Científica do Observatório Caleidoscópio, a temática da SBPC 2026, que teve como lema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, está diretamente ligada à temática do Instituto, que tem como pauta garantir a pluralidade das vozes de quem faz ciência no Brasil.
Bessa avalia como positiva a participação no encontro:
“Foi uma decisão muito acertada da nossa coordenadora Viviane Resende e do nosso Comitê Científico. A SBPC é uma entidade que existe no Brasil desde 1948, parte de sua trajetória envolve uma reflexão e intervenção nos rumos da Ciência e Tecnologia que se produz aqui e também no tipo de educação que queremos. Participar da SPBC com um estande significa apostar no mote ‘ciência para todos’, e dar visibilidade ao trabalho que temos realizado nos quatro cantos do país com nosso Observatório de iniquidades e violências de gênero e sexualidade, com nossas incubadoras sociais e nossas várias pesquisas nesta fronteira de reflexão sobre a importância da diversidade étnico-racial, de gênero, de regionalidades, em cada área e grande área de conhecimento.
Além desse encontro com os pares (estamos recebendo visitas de várias pesquisadoras de diferentes áreas que se encantam com nosso trabalho), os estandes representam uma abertura para uma conversa direta com professoras/es do Ensino Fundamental e Médio, com estudantes de várias escolas daqui de Niterói e Região, enfim, promove o que entendemos ser um dos nossos objetivos primordiais, que é estar o mais próximo possível da comunidade, assegurando que esse debate sobre mulheres (quilombolas, indígenas, periféricas, lgbtia+) nas ciências é urgente e precisa da nossa atenção. A existência de um INCT dedicado a isso tem feito muita diferença.”, declara.
Pesquisadoras e equipe técnica do INCT Caleidoscópio. Mirlene Simões, Karla Bessa, Sandra Maria, Zizele Ferreira e Laura de Souza (esq. para dir.). Foto: Daniel Silva.
Marina Silva, estudante de Engenharia de Pesca na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), compartilha que conhecer o INCT Caleidoscópio foi inspirador. “É muito bom saber que existe um núcleo na Região Nordeste que trabalha essas temáticas de gênero e diversidade. Com certeza, vou procurar me encaixar em alguma oportunidade junto ao projeto”, relata.
“Dialogar com pessoas de diferentes lugares e perspectivas — crianças e adolescentes das redes públicas de ensino, pesquisadoras, professoras e visitantes de diversas áreas — foi uma das partes mais instigantes para mim. Cada conversa exigia adaptar a linguagem para abordar temas como gênero, antirracismo e interseccionalidade, conceitos que, para muitas pessoas, ainda eram novos ou pouco familiares, e que são os pilares do INCT Caleidoscópio.
A pesquisa costuma ser avaliada pelos resultados que produz. Experiências como essa também convidam a perguntar: por onde esses resultados circulam, quem tem acesso a eles e quais diálogos são capazes de produzir.” comenta Julia, bolsista Rede Arandu/INCT Caleidoscópio/CNPq.
A presença na Reunião Anual também favoreceu a aproximação com outros Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia.
Além da visita de pesquisadoras, pesquisadores, gestoras e gestores que estão à frente dos processos e políticas científicas brasileiras, a experiência reforçou a importância da participação do Instituto em espaços científicos que reúnem diferentes áreas do conhecimento.
Para além de eventos dedicados especificamente aos estudos de gênero, a presença na SBPC possibilitou inserir debates sobre equidade, diversidade de gênero, sexualidade e questões étnico-raciais em um espaço mais amplo de discussão sobre a ciência e as políticas científicas no Brasil.
Atividade especial sobre trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas
Legenda: Estande Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva. Foto: Morgani Guzzo.
A participação do INCT Caleidoscópio contou ainda com a atividade “Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva: diálogos interativos para a soberania e inclusão nas ciências”, no Instituto de Arte e Comunicação Social, organizada pela Incubadora Social Feminista Antirracista, Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulado pela coordenação sediada na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
O estande, que aconteceu no dia 29/07, pautou a autonomia e trajetórias acadêmicas das mulheres quilombolas e contou com materiais formativos e conversas com os visitantes.
A pesquisadora e professora da UFBA, Sandra Maria da Silva, destaca a vasta participação e interação de pessoas interessadas em discutir sobre acesso e permanência nas universidades.
“Foi uma oportunidade de estabelecer vários contatos e possíveis parcerias. Essa experiência me trouxe felicidade de ver que pessoas de diferentes gerações demonstram interesse em conversar sobre essa temática”, declara.
As participantes apresentaram também outras ações desenvolvidas pela Incubadora Social, como mentorias e treinamentos para estudantes universitárias.
Jovens cientistas num futuro de equidade
Jovens pesquisadoras, pesquisadores, alunas e alunos da Educação Básica de todo o país compuseram uma parcela significativa do público durante os dias de evento.
“Ver mulheres dominando áreas da ciência é muito incrível, porque nós vemos como nós mulheres somos muito capazes de ocupar lugares que a gente nem imagina”, declara Ana Lara.
Visitantes assistindo o vídeo institucional do INCT Caleidoscópio. Foto: Daniel Silva.
Territórios, corpos, saberes e diferentes formas de produzir conhecimento atravessam a participação da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio na 26ª Semana Universitária da Universidade de Brasília (Semuni/UnB).
Entre os dias 19 e 25 de setembro, a Rede Arandu, o MEInstruAÇÃO e o Menopausemos e integrantes do Instituto, realizam uma programação que circula entre o Santuário dos Pajés e diferentes espaços da UnB, além de uma atividade on-line.
Reunidas sob o eixo “Indigeneidades em Diálogo no DF: Ecologia de Saberes, Saúde dos Corpos e Políticas Interseccionais”, as atividades propõem diálogos sobre povos indígenas e justiça climática, vivências indígenas LGBTQIAPN+, saúde mental e permanência universitária, comunicação científica, arte e cultura indígena e enfrentamento às desigualdades socioambientais e saúde e educação menstrual desde uma perspectiva emancipatória.
Por meio de diferentes linguagens e estratégias de educação, também ampliamos diálogos sobre a menstruação como uma questão de saúde, educação, direitos e justiça socioambiental. O projeto propõe reflexões sobre os modos como os conhecimentos sobre o corpo menstruante são produzidos e compartilhados, os tabus que atravessam a experiência menstrual e as relações entre menstruação, sustentabilidade e acesso à informação.
Em 2026, a Semana Universitária chega à sua 26ª edição com o tema “Democracia em cena: arte, cultura e pertencimento”. Realizada oficialmente entre 20 e 25 de setembro, a Semuni é um espaço de encontro entre a Universidade e a sociedade e integra atividades de extensão, ensino, pesquisa e inovação na UnB.
Do Santuário dos Pajés à Universidade: territórios, justiça climática e educação menstrual
A programação da Nucleação Centro-Oeste começa no sábado (19), antes da abertura oficial da Semuni, com uma ação no Santuário dos Pajés, das 9h às 15h.
Na segunda-feira (21), o diálogo segue no campus Darcy Ribeiro. Das 9h às 18h, o público poderá conhecer o stand “Territórios Interseccionais: o INCT Caleidoscópio em Diálogo com a Sociedade”, no Udfinho, ICC Sul. Às 15h30, a Rede Arandu promove a palestra e debate “Povos Indígenas e Justiça Climática: a resposta somos nós”, na Sala de Atos do Instituto de Relações Internacionais (IREL/UnB).
Durante todo o dia 21, o stand também contará com ações do Projeto MEInstruAÇÃO, que apresentará atividades práticas e interativas voltadas à educação menstrual e à ressignificação dos conhecimentos sobre a menstruação.
Entre as atividades estão experimentos com diferentes tecnologias menstruais, que possibilitam refletir sobre formas de uso, descarte e impactos ambientais; o acróstico MENSTRUAÇÃO, desenvolvido como estratégia para discutir e ressignificar os tabus relacionados ao tema; e dois jogos de tabuleiro elaborados pelas bolsistas do projeto.
O Ciclo Sustentável propõe uma reflexão sobre as relações entre menstruação e meio ambiente, estimulando a compreensão de que a menstruação é uma questão que envolve não apenas quem menstrua, mas toda a sociedade. Já o InstruaMente, inspirado nos personagens do filme Divertida Mente, utiliza uma abordagem lúdica, interativa e reflexiva para trabalhar a ressignificação do tabu menstrual e ampliar o acesso a informações sobre o tema.
As atividades do MEInstruAÇÃO partem da compreensão de que educação menstrual é também criar espaços para conversar, experimentar, perguntar e compartilhar saberes. O projeto busca contribuir para uma relação mais informada, autônoma e consciente com os corpos e com a menstruação, articulando saúde, educação, sustentabilidade e enfrentamento de desigualdades.
O percurso entre território e Universidade dá o tom de uma programação que coloca diferentes experiências, conhecimentos e questões interseccionais em circulação durante a Semana Universitária.
Reflorestar o gênero e compartilhar vivências
Na terça-feira (22), às 14h30, a Maloca/UnB recebe “Reflorestando o gênero: indígenas LGBTQIAPN+, trans, não-bináries, two-spirit e queer”. Promovida pela Rede Arandu, a atividade combina mesa de debate e roda de conversa.
As vivências de indígenas LGBTQIAPN+ dentro da própria Universidade ganham continuidade na quarta-feira (23), às 15h, com a atividade “Vivências Indígenas LGBTQIAPN+: Saúde Mental, Permanência e Bem Viver na Universidade”. Realizado no Udfinho, no ICC Sul, o encontro terá dinâmicas interativas e oficina participativa.
A programação também ultrapassa os espaços físicos da Universidade. Entre 20 e 25 de setembro, a Rede Arandu realiza uma pesquisa on-line sobre a inclusão de indígenas e indígenas LGBTQIAPN+ na universidade. O formulário será divulgado posteriormente.
Ciência para experimentar, conversar e compartilhar
A comunicação científica também integra a programação. Na terça-feira (22), às 10h, o Menopausemos realiza a “Amostra Grátis de Comunicação Científica Participativa”, na sede do INCT Caleidoscópio.
Na sexta-feira (25), às 10h, o mesmo espaço recebe a roda de conversa “Programa Integrado de Inovação Tecnológica e Social: Educação Científica, Saúde Pública e Enfrentamento de Desigualdades Socioambientais no Distrito Federal”.
As atividades ampliam a programação para questões relacionadas à comunicação e à educação científica, à saúde pública e às desigualdades socioambientais, aproximando essas discussões dos espaços de diálogo abertos durante a Semuni.
Quando arte, cultura e território também entram na conversa
Na quinta-feira (24), às 16h, a Rede Arandu realiza uma Mostra de arte e cultura indígena na sede do INCT Caleidoscópio, no subsolo do ICC, Módulo 8. A atividade reúne exibição de filme e debate cultural.
A mostra se soma às rodas de conversa, debates, oficinas, pesquisa e atividades de comunicação científica que compõem a participação da Nucleação Centro-Oeste. Em diferentes formatos e espaços, a programação cria pontos de encontro entre universidade, territórios e sociedade durante a Semana Universitária.
Entre territórios, saberes e encontros: confira a programação
Ao longo da semana, as atividades ocupam diferentes espaços da UnB e do Distrito Federal, além do ambiente on-line. Confira abaixo a programação completa e programe-se para participar.
9h às 15h — Ação no Santuário dos Pajés Local: Santuário dos Pajés
21 de setembro | segunda-feira
Durante todo o dia — Atividades do Projeto MEInstruAÇÃO Educação menstrual, tecnologias menstruais, jogos educativos e atividades de ressignificação do tabu menstrual. Local: Stand Udfinho, ICC Sul
9h às 18h — Territórios Interseccionais: o INCT Caleidoscópio em Diálogo com a Sociedade Local: Stand Udfinho, ICC Sul
15h30 — Povos Indígenas e Justiça Climática: a resposta somos nós [Arandu] Palestra e debate Local: Sala de Atos do IREL/UnB
22 de setembro | terça-feira
10h — Amostra Grátis de Comunicação Científica Participativa [Menopausemos] Local: Sede do INCT Caleidoscópio
14h30 — Reflorestando o gênero: indígenas LGBTQIAPN+, trans, não-bináries, two-spirit e queer [Arandu] Mesa de debate e roda de conversa Local: Maloca/UnB
23 de setembro | quarta-feira
15h — Vivências Indígenas LGBTQIAPN+: Saúde Mental, Permanência e Bem Viver na Universidade [Arandu] Dinâmicas interativas e oficina participativa Local: Udfinho, ICC Sul
24 de setembro | quinta-feira
16h — Mostra de arte e cultura indígena [Arandu] Exibição de filme e debate cultural Local: INCT Caleidoscópio, ICC, Subsolo, Módulo 8
25 de setembro | sexta-feira
10h — Roda de Conversa | Programa Integrado de Inovação Tecnológica e Social: Educação Científica, Saúde Pública e Enfrentamento de Desigualdades Socioambientais no Distrito Federal Local: Sede do INCT Caleidoscópio
20 a 25 de setembro | atividade on-line
Pesquisa: inclusão de indígenas e indígenas LGBTQIAPN+ na universidade [Arandu] Formulário on-line — link a divulgar.
A programação geral da 26ª Semana Universitária e as atividades com inscrições abertas podem ser consultadas no SIGAA.
Vamos tomar um cafezinho (ou um chá) e aproveitar para ler textos que nos instrumentem em nossa busca por uma produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais ou contracoloniais?
Um cafezinho ou um chá, uma leitura prévia e uma conversa para colocar o pensamento em movimento. Essa é a proposta do Café Contracolonial – Introdução ao Pensamento Incômodo de Rita Segato, que realiza encontros semanais para leitura e discussão coletiva de textos voltados à produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais e contracoloniais.
Os encontros acontecem às terças-feiras, das 10h às 11h50, em formato híbrido. Presencialmente, o grupo se reúne na sede do INCT Caleidoscópio, na Universidade de Brasília (UnB), e participantes de outras localidades podem acompanhar as atividades simultaneamente pelo online.
A iniciativa é promovida pelo Grupo Temático Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES (GT-TER) e pelo Grupo Temático Histórias e Memórias de Mulheres: Educação e Visibilidade (GT-HMM), no âmbito da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, em parceria com o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB/) e o Instituto Federal de Brasília (IFB).
Café, leitura e troca de saberes
A proposta do Café Contracolonial é criar um espaço de encontro em torno de leituras que contribuam para a produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais e contracoloniais. A cada semana, uma leitura de base é realizada previamente pelas pessoas participantes e pode ser acompanhada por um texto escrito ou material audiovisual complementar facultativo.
Depois de preparar o café ou o chá, os encontros começam com uma breve apresentação para recuperar a leitura prévia e abrir a discussão. A ideia é que os textos funcionem como impulso para as trocas e reflexões construídas coletivamente ao longo das reuniões.
Continue lendo para acessar o cronograma de leituras!
De Rita Segato a Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí: um percurso para incomodar pensamentos
A programação começou em agosto e segue até dezembro, com um percurso de leituras que passa principalmente pelas obras de Rita Segato e Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí.
Os primeiros encontros são dedicados a textos de Rita Segato que discutem temas como família, sexo e gênero, colonialidade, relações entre gênero e raça, patriarcado e territorialidade. Em outubro, o percurso passa a incorporar A invenção das mulheres, de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí, com a leitura do prefácio e de cinco capítulos da obra.
As discussões percorrem questões relacionadas às teorias ocidentais e aos sujeitos africanos, à cosmologia e às instituições socioculturais Oyó-Iorubás, às tradições orais, ao gênero, ao colonialismo e à tradução das culturas. A programação segue até 8 de dezembro, quando está prevista a leitura de Gênero, Política e Hibridismo, de Rita Segato.
Um café que também pode ser virtual
Para ampliar o alcance as pessoas interessadas, os encontros ocorrem em formato híbrido. Assim, leitoras e leitores que não residem em Brasília estão convidadas e convidados a passar um café, ou um chá, e se juntar a nós!
Vale pontuar que o formato híbrido tem permitido que a roda de conversa ultrapasse o espaço físico da Universidade de Brasília. Segundo Jacqueline Fiuza, os encontros já contaram com participantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Roraima e de Brasília.
A participação a distância amplia, assim, as possibilidades de encontro e troca entre pessoas de diferentes localidades, enquanto quem está presencialmente compartilha também o cafezinho — ou o chá — que inspira o nome e a dinâmica da atividade.
Prepare-se para o café (ou o chá) e participe
O Café Contracolonial acontece às terças-feiras, das 10h às 11h50. Em Brasília, os encontros presenciais são realizados na sede do INCT Caleidoscópio, Ala Sul, Módulo 8, Instituto Central de Ciências (ICC), Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília.
Quem não puder estar presencialmente pode acompanhar os encontros on-line pelo Microsoft Teams.
Acesse a sala do Café Contracolonial no Microsoft Teams pelo link clicando aqui!
Para mais informações, escreva para gtter@unb.br.
Mesa de café. Imagem/Reprodução: Arquivo INCT Caleidoscópio.
"Mesa pronta para esperar vocês pro nosso café contracolonial. Quem não puder estar presencialmente pode chegar junto por aqui, acesse pelo Link para estar conosco nos encontros deste semestre 🤗!", convida Jacqueline.
Confira o percurso de leituras dos encontros
Data
Leitura
18/08
Seminário GT HMM
25/08
Texto 1:Inventando a natureza: família, sexo e gênero no Xangô do Recife — Rita Segato
01/09
Texto 2:Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial — Rita Segato
08/09
Texto 3:O Édipo brasileiro: a dupla negação de gênero e raça — Rita Segato. Leitura complementar: Como o racismo criou o Brasil — Jessé Souza (tradução livre)
15/09
Texto 4:Patriarcado: Del borde al centro. Disciplinamiento, territorialidad y crueldad en la fase apocalíptica del capital — Rita Segato
13/10
Texto 5:El sexo y la norma: frente estatal, patriarcado, desposesión, colonialidad — Rita Segato
20/10
Texto 6: Prefácio — A invenção das mulheres — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
27/10
Texto 7: Capítulo 1 — A invenção das mulheres: Visualizando o corpo: teorias ocidentais e sujeitos africanos — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
03/11
Texto 8: Capítulo 2 — A invenção das mulheres: (Re)constituindo a cosmologia e as instituições socioculturais Oyó-Iorubás — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
10/11
Texto 9: Capítulo 3 — A invenção das mulheres: Fazendo história, criando gênero: a invenção de homens e reis na escrita das tradições orais de Oyó — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
17/11
Texto 10: Capítulo 4 — A invenção das mulheres: Colonizando corpos e mentes: gênero e colonialismo — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
24/11
Texto 11: Capítulo 5 — A invenção das mulheres: A tradução das culturas: generificando a linguagem, a oralitura e a cosmopercepção iorubás — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
01/12
Texto 12: Posfácio — A invenção das mulheres — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí; Uma obra referencial para a afirmação do pensamento e dos modos de existências africanos — Claudia Miranda
08/12
Texto 13:Gênero, Política e Hibridismo — Rita Segato
O trabalho desenvolvido pelo INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília (UnB) ganha uma estrutura institucional permanente com a aprovação do Centro Integrado de Pesquisa (CIP) Caleidoscópio. Com a criação do CIP Caleidoscópio, parte das iniciativas desenvolvidas pelo Instituto na Universidade passa a contar com uma própria para pesquisa, parcerias e captação de recursos.
Criado em 2022, no âmbito do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do MCTI/CNPq, o INCT Caleidoscópio - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências é o primeiro INCT feminista do Brasil. Com sede na UnB, sua estrutura é organizada a partir de três nucleações presentes nas cinco regiões brasileiras.
As nucleações são coordenadas e compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa e articulam uma rede formada por 24 Instituições de Ensino Superior (IES) e outras instituições de todo o país e do exterior.
O CIP Caleidoscópio
Os Centros Integrados de Pesquisa integram a infraestrutura de pesquisa e inovação da Universidade de Brasília e reúnem atividades científicas, tecnológicas, artísticas, de inovação e de prestação de serviços, podendo ter caráter específico ou multidisciplinar.
Enquanto o INCT é um projeto científico com duração vinculada ao seu financiamento, o CIP constitui uma estrutura permanente da UnB. As duas iniciativas passam, assim, a coexistir e atuar de forma articulada: o INCT preserva a dimensão nacional de sua rede enquanto o CIP cria condições para a continuidade institucional, na Universidade, de parte das atividades desenvolvidas pelo Caleidoscópio.
No caso do CIP Caleidoscópio, a nova estrutura mantém como eixo a compreensão e o enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades interseccionais no ambiente acadêmico e a identificação de iniciativas em Direitos Humanos e justiça social desenvolvidas em instituições de ensino superior em perspectiva feminista.
Uma das características do Centro é justamente sua natureza integrada. A proposta de criação do CIP Caleidoscópio foi apresentada conjuntamente pelo Instituto de Letras (IL), Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) e Instituto de Relações Internacionais (IREL), com a participação do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), além de grupos e laboratórios de pesquisa parceiros.
Embora faça parte da estrutura da UnB, o Regimento Interno prevê prospecção de parcerias e colaborações com outros centros e instituições de pesquisa e elaboração de projetos voltados à captação de recursos públicos e privados. Projetos também poderão ser captados diretamente por pesquisadoras e pesquisadores interessados na participação institucional do Centro.
Essa estrutura permite que o CIP preserve uma característica central da experiência construída pelo Caleidoscópio: a articulação entre diferentes unidades acadêmicas, áreas do conhecimento, grupos de pesquisa e instituições.
O Centro passa a contar com uma estrutura própria para organizar pesquisas, estabelecer parcerias, articular pesquisadoras e pesquisadores e desenvolver projetos vinculados às suas linhas de atuação.
Linhas de pesquisa dão continuidade aos trabalhos desenvolvidos
O CIP Caleidoscópio está organizado em cinco linhas de pesquisa:
Indicadores de Desigualdades Interseccionais e Experiências Exitosas;
Mulheres e dissidências de gênero nas ciências;
Raça e antirracismo nas ciências;
Povos e Comunidades Tradicionais e Ensino Superior;
e Desigualdade e Assédio no Ensino Superior.
As linhas dialogam diretamente com atividades desenvolvidas pela Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio. Atualmente, sua Incubadora Social desenvolve ações por meio de grupos temáticos dedicados a questões como:
desigualdades de gênero e sexualidade nos ambientes organizacionais das IES;
direitos dos povos indígenas e tradicionais e acesso ao ensino superior;
histórias e memórias de mulheres;
segregação urbana e acesso à educação;
violência e assédio;
maternidade na vida acadêmica;
privação de liberdade e políticas educacionais;
saúde das mulheres;
e tecnologias de enfrentamento aos racismos em escolas e IES.
Os grupos de trabalho passam a se relacionar com as linhas de pesquisa do CIP, contribuindo para operacionalizá-las e estabelecendo uma ligação entre as atividades já desenvolvidas no INCT e a nova estrutura institucional.
A proposta do Centro também prevê pesquisas desenvolvidas em contextos de observatórios e incubadoras, incluindo a produção e sistematização de indicadores sobre desigualdades interseccionais nas IES e pesquisas participativas com estudantes, pesquisadoras e pesquisadores de povos e comunidades tradicionais.
Coordenação e gestão do CIP Caleidoscópio
Na nova estrutura, as pesquisadoras Tchella Maso Fernandes e Jacqueline Fiuza da Silva Regis foram indicadas, respectivamente, para a coordenação e vice-coordenação do CIP Caleidoscópio. O Comitê Gestor foi composto por Viviane de Melo Resende, Maria Carmen Aires Gomes, Thayane Campos, Amanda Ferreira e Dayane Augusta. As coordenações das cinco linhas de pesquisa serão definidas pelas integrantes de cada linha.
A gestão será compartilhada entre as unidades instituidoras por meio da Coordenação e do Comitê Gestor. Entre suas atribuições estão o planejamento anual, a avaliação das atividades e a formulação de políticas e estratégias para a consolidação técnico-científica e o desenvolvimento do Centro.
A aprovação do CIP Caleidoscópio institucionaliza na Universidade de Brasília uma estrutura permanente para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Caleidoscópio, especialmente às iniciativas construídas pela Nucleação Centro-Oeste e às atividades realizadas na Universidade.
Essa atuação articula pesquisa, extensão e comunicação científica por meio do Observatório Caleidoscópio, das Incubadoras Sociais e de seus grupos temáticos, mantendo abertas as possibilidades de colaboração com pesquisadoras, pesquisadores, grupos e instituições de fora da UnB.
Paúl Simon Gialdroni visitou a sede do INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília (UnB), em um encontro marcado pelo diálogo sobre migração, gênero, sexualidade, produção de conhecimento, arte e ativismo.
Nascido no Chaco, no norte da Argentina, e atualmente residente em São Paulo, Paúl é escritor, poeta, produtor cultural e articulador político, com atuação voltada às questões de gênero, migração e direitos humanos. Atualmente, é diretor executivo da organização Trans Migrantes Abya Yala, organização dedicada à defesa dos direitos das pessoas trans migrantes, e desenvolve uma trajetória que articula produção artística, atuação política e organização de redes voltadas às experiências de pessoas trans e LGBTQIA+ migrantes.
Durante o encontro, foi compartilhado parte dessa trajetória e de sua produção, construída nas interfaces entre experiência migrante, dissidências de gênero e sexualidade, literatura e mobilização política. A conversa possibilitou aproximar essas experiências das discussões desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio sobre desigualdades, direitos e violências de gênero e sexualidade.
Paúl atua há mais de uma década em espaços ligados à poesia, performance, educação, ativismo e política. Participou da criação e do desenvolvimento de diferentes movimentos e foi fundador da organização Trans Migrantes, iniciativa relacionada à construção de redes de apoio e articulação política para pessoas trans migrantes.
Ao escrever sobre a iniciativa, o pesquisador chama atenção para o papel das redes de apoio diante das barreiras burocráticas, sociais e políticas que atravessam a experiência migratória de pessoas LGBTQIA+, especialmente pessoas trans.
Paúl Simon Gialdroni visita sede do INCT Caleidoscópio, na Universidade de Brasília (UnB).
Monstro: corpo, migração e sobrevivência
Parte dessas experiências atravessa seu sexto livro, Monstro: morte, amor, poesia e migração, apresentado por Paúl durante a passagem pelo Instituto. A obra acompanha a trajetória de um homem trans migrante entre a Patagônia e São Paulo e articula fronteiras geográficas e corporais, transição de gênero, perdas, criação artística e migração.
Publicado em 2026, o livro combina diário, ensaio e poesia para construir uma narrativa sobre corpo, pertencimento e sobrevivência. A obra também recupera a trajetória do autor no universo do slam e estabelece relações entre memória, dissidências latino-americanas e produção artística. O lançamento foi realizado na Universidade de São Paulo (USP), em uma atividade dedicada aos diálogos sobre literatura, transmasculinidades, pertencimento e travessias.
A arte também integra sua atuação coletiva. O escritor e poeta esteve à frente de Trans Fronterizxs: arte, migração e travessias de corpos dissidentes, projeto da Trans Migrantes selecionado para a Feira de Ideias 2025, realizada pela Conectas e pelo Sesc. A iniciativa colocou em diálogo direitos humanos, migração, produção artística e as experiências de corpos dissidentes.
Migração, gênero e sexualidade
A trajetória compartilhada durante a visita contribui para pensar a migração para além do deslocamento entre países e territórios. Para pessoas LGBTQIA+ migrantes, questões relacionadas a gênero, sexualidade, raça, nacionalidade, reconhecimento documental, acesso a direitos e condições socioeconômicas podem se sobrepor e produzir experiências particulares de deslocamento e permanência.
No caso das pessoas trans, essas redes podem assumir também uma dimensão política. Em texto publicado em Trans Mídia Jornalismo, Paúl discute como a migração pode envolver, simultaneamente, processos de reinvenção, instabilidade, barreiras burocráticas e busca por condições que permitam a construção de novos projetos de vida.
Sua própria atuação alcança espaços institucionais de participação política. Em 2025, Paúl teve sua candidatura deferida como pessoa física imigrante no processo eleitoral para o Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo, órgão de participação social relacionado às políticas municipais destinadas à população migrante.
Essas discussões estabelecem pontos de contato com as perspectivas feministas, antirracistas e interseccionais que orientam a atuação do INCT Caleidoscópio. Ao aproximar migração, gênero, sexualidade e nacionalidade, o encontro também evidencia como diferentes marcadores sociais podem atravessar o acesso a direitos, a construção de pertencimentos e as formas de viver e produzir conhecimento.
Pesquisa, arte e circulação de conhecimentos
A produção acadêmica também integra essa trajetória. Em 2025, Paúl apresentou o trabalho Gênero, Nacionalidade, Identidade no eixo “Identidades e sexualidades dissidentes: discutindo ativismos e resistências” de evento acadêmico realizado na Universidade Federal do ABC (UFABC), aproximando sua produção das discussões sobre gênero, nacionalidade e processos de construção das identidades.
A visita ao INCT Caleidoscópio reuniu, portanto, diferentes dimensões de uma mesma trajetória: pesquisa, literatura, experiência migrante, ativismo e construção de redes. Ao conhecer o espaço do Instituto na UnB, Paúl também compartilhou sua produção e deixou Monstro: morte, amor, poesia e migração como parte desse encontro e da circulação de conhecimentos entre diferentes espaços.
A passagem pelo Caleidoscópio reforça a importância da construção de espaços de escuta e intercâmbio capazes de colocar a produção acadêmica em diálogo com a arte, os movimentos sociais e os conhecimentos produzidos a partir das experiências de pessoas migrantes e LGBTQIA+.
O INCT Caleidoscópio agradece a Paúl Simon Gialdroni pelo tempo, pela disponibilidade e pela partilha e espera que o encontro abra caminhos para novos diálogos e aproximações.
Registros de Paúl Simon Gialdroni em sua visita ao INCT Caleidoscópio em Brasília. Foto/Arquivo pessoal.
O projeto “Arandu: Políticas Globais e Justiça Social para Mulheres e Indígenas LGBTQIA+”, coordenado pela professora Tchella Maso Fernandes, da Universidade de Brasília (UnB), foi premiado na categoria Pós-Graduação do 1º Concurso Nacional de Trabalhos de Extensão Universitária em Relações Internacionais, promovido pela Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI).
A ABRI é uma associação científica que reúne a comunidade acadêmica e profissional do campo das Relações Internacionais no Brasil. Em sua primeira edição, o Concurso Nacional de Trabalhos de Extensão Universitária em Relações Internacionais reconhece, valoriza e dá visibilidade a projetos de extensão universitária que promovem diálogo e coprodução do conhecimento acadêmico para o enfrentamento de desafios sociais contemporâneos.
O resultado do concurso foi divulgado no dia 20 de agosto de 2026. Além da Arandu, premiada na categoria Pós-Graduação, o projeto “Balcão do Refugiado”, coordenado por Raquel Boing Marinucci, do Centro Universitário de Brasília (CEUB), recebeu a premiação na categoria Graduação.
Reconhecimento à extensão desenvolvida pela Arandu
Para Tchella Maso Fernandes, coordenadora do projeto, a premiação reconhece uma construção coletiva desenvolvida pela Rede desde 2024 e a atuação das pessoas que contribuem para as atividades da Arandu.
“A Arandu é um trabalho coletivo, uma rede tecida desde de 2024, nutrida pelo desejo de reparação histórica e construção de futuros alternativos. É uma rede feminista, queer, descolonial que aposta em existências Tybyras e aprende com elas a cada instante.
Uma rede colaborativa, porque o trabalho se faz com muitos corpos e sonhos, conectando saberes de estudantes de graduação e pós-graduação, incluindo aí estágios pós-doutorais, com quem luta diariamente para seguir existindo, nos territórios, aldeias e cidades.
Uma rede dentro de uma rede maior: O CIP-INCT Caleidoscópio que aposta na superação das inequidades por meio de uma leitura interseccional.
Receber o prêmio de melhor projeto de extensão da ABRI é um reconhecimento, um alento para todas nós, todas que contribuem para que a Arandu exista, para que ela seja referência para estudantes indígenas LGBTQIA+ nas universidades e fora dela, para que coloque em foco um tema tão marginal nos estudos de ciência política e relações internacionais.
Somos mais de 15 bolsistas, todas LGBTQIA+, metade delas indígenas. Já produzimos podcasts, como o “Nós Somos – Tybyras do Brasil”, cartilhas em parceria com coletivos e centros de pesquisa, cursos como o “Saberes indígenas em diálogo”, o mapeamento de coletivos indígenas LGTQIA+ e muitas outros afetos.
Eu agradeço cada uma das pessoas que segue conosco nessa rede que só vai crescer, ser abrigo, mas também impulso pra gente brincar, denunciar e co-construir saberes amigos e práticas transgressoras.
Seguiremos em luta, até que todas sejamos livres!”, destaca Tchella.
Registros da premiação do concurso da ABRI. Foto/arquivo pessoal Arandu.
A Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade nasceu em meados de 2024 a partir da percepção da ausência de políticas públicas específicas e interseccionais que contemplassem as demandas de indígenas LGBTQIAPN+. Sua criação resulta do diálogo entre pesquisadoras e pesquisadores, a Coordenadoria de Política para Indígenas LGBTQIAPN+ do Ministério dos Povos Indígenas e o Coletivo Tybyra, aproximando diferentes experiências e conhecimentos em torno das questões de gênero e sexualidade entre os povos indígenas.
Ainda no segundo semestre de 2024, a Arandu foi incubada na Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, passando a integrar sua Incubadora Social e a compartilhar dos objetivos estratégicos do Instituto. Coordenada por Tchella Maso Fernandes, a Rede articula pesquisa, formação e extensão com o objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas voltadas aos povos indígenas a partir de uma perspectiva interseccional e transversal.
Essa perspectiva orienta as atividades desenvolvidas pela Arandu e permite reconhecer e articular as diferentes vivências e experiências dos povos indígenas em todo o território nacional, marcadas por gênero, sexualidade, raça e etnia.
Com o compromisso de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais, a Arandu orienta suas ações pelo que Rita Laura Segato define como uma antropologia por demanda: uma forma de produção do conhecimento construída a partir das necessidades expressas pelas próprias pessoas, coletivos e instituições envolvidas. A partir dessa perspectiva, a Rede busca desenvolver ações voltadas à melhoria da qualidade de vida e à garantia de direitos, considerando os conhecimentos, experiências e demandas de quem protagoniza essas lutas.
Arandu é uma palavra indígena guarani que carrega o sentido da sabedoria ancestral. Remete a um conhecimento vivo, construído na escuta, no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos. É esse princípio que orienta a atuação da Rede na construção de saberes compartilhados, enraizados no respeito à diversidade e na busca por futuros mais justos, plurais e comunitários.
Como parte da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a Arandu compartilha dos objetivos estratégicos do Instituto, que, no contexto da Rede, se materializam em ações voltadas às realidades dos povos indígenas, com atenção especial às questões de gênero e sexualidade:
1️⃣ Observatório de indicadores de violências e vulnerabilidades voltado ao monitoramento de situações que afetam mulheres indígenas e indígenas LGBTQIA+ no contexto acadêmico e em seus territórios, contribuindo com dados para o enfrentamento dessas violências.
2️⃣ Desenvolvimento de tecnologias sociais e de comunicação que sirvam como instrumentos de fortalecimento comunitário e subsídios para políticas públicas interseccionais, especialmente voltadas a pessoas indígenas em situação de vulnerabilidade por razões de gênero, sexualidade, raça e etnia.
3️⃣ Incubar projetos reunindo pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, da pós-graduação ao ensino médio, na Incubadora do INCT Caleidoscópio, a fim de aprofundar a relação entre universidade e sociedade na produção de conhecimento situado e coletivo.
4️⃣ Promoção de ações de transferência de conhecimento e divulgação científica, com linguagem acessível e intercultural, voltadas à valorização das trajetórias indígenas e à sensibilização de futuras gerações sobre a importância da diversidade nos espaços de produção de saber.
A rede é orientada por uma ética comprometida com os povos indígenas, inspirada na metodologia proposta por Linda Tuhiwai Smith. Seu compromisso é com a construção de um conhecimento engajado, dialógico e propositivo, como propõe Patricia Hill Collins, voltado para a justiça social e a pluralidade das formas de existir e resistir.
Para uma apresentação ampliada, acesse a apostila que descreve a rede, as atividades de um coletivo indígena LGBTQIAPN+, os coletivos nacionais e internacionais, um mapeamento de políticas públicas para estes grupos, e o protocolo seguido pela rede Arandu para realizar pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil.
Dada a responsabilidade ética envolvida na realização de pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil, a rede Arandu, em colaboração com ativistas e pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, produziu de forma coletiva e colaborativa um protocolo ético de atuação para conduzir as atividades da rede. Acesse nossa apostila e conheça mais sobre as nossas ações clicando aqui.
Como parte do INCT Caleidoscópio, a Arandu contribui para a produção e circulação de conhecimentos sobre povos indígenas, gênero e sexualidade a partir de uma perspectiva interseccional, aproximando pesquisa, extensão universitária e as experiências produzidas nos territórios.