Ciência situada, território e redes que transformam o conhecimento: acesse a 5º edição do Boletim INCT Caleidoscópio

Ciência situada, território e redes que transformam o conhecimento: acesse a 5º edição do Boletim INCT Caleidoscópio

A 5º edição do Boletim reúne relatos, pesquisas, entrevistas e ações desenvolvidas pelas nucleações Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, reafirmando o compromisso coletivo com a produção ética e situada de conhecimento.

O boletim percorre experiências de pesquisadoras indígenas, negras e quilombolas, debates sobre justiça, gênero, raça, ciência e tecnologia, ações de formação e enfrentamento às violências, além de iniciativas que articulam universidade, comunidade e transformação social.

Entre os destaques estão os relatos da Rede Arandu, as ações do Observatório Caleidoscópio, o I Seminário Internacional “Mulheres Negras e Quilombolas nas Ciências”, o fortalecimento das incubadoras sociais feministas e a entrevista com a historiadora Giovana Xavier na seção Conversas em Rede.

Uma edição marcada por escuta, território, memória, pesquisa, articulação política e produção coletiva de saberes!

Acesse a 5º edição do Boletim aqui: Boletim INCT Caleidoscópio - Edição #5 (Maio de 2026)

Apresentação Boletim #5

Este quinto número do Boletim do INCT Caleidoscópio reúne relatos de pesquisadoras que estiveram em campo (em Porto Velho, Brasília, Montevidéu, Florianópolis, Maragogipe), traz vozes de mulheres que constroem ciência a partir de seus territórios tradicionais, apresenta encontros, seminários, momentos de escuta e reflexão sobre nossas pesquisas desenvolvidas no âmbito do Observatório Caleidoscópio e das Incubadoras Sociais do INCT.

Os relatos nos permitem perceber a intensidade e o engajamento da equipe do INCT Caleidoscópio, que, para além do volume de ações e produções, demonstra grande sintonia entre pesquisa acadêmica, militância, formação e produção de tecnologias sociais. Esse diálogo atravessa todas as nucleações do INCT (Centro-Oeste, Sul-Sudeste e Norte-Nordeste) e se expressa de formas distintas em cada uma delas, sem perder o fio condutor que nos une: o compromisso com o enfrentamento das iniquidades de gênero, raça, sexualidade e territorialidade.

Conhecimento situado: do corpo ao território

Um eixo transversal nas reflexões deste Boletim 5 é a noção de conhecimento situado: a compreensão de que pesquisar é um ato complexo, histórico, cujas dinâmicas de territorialidade se sentem e se vivem, o que importa profundamente para o que se produz de análise e pensamento crítico. Essa perspectiva surge com força no relato de Flávia Belmont, pesquisadora de pós-doutorado da Nucleação Centro-Oeste, que participou do VI Congresso Internacional DHJUS, em Porto Velho, e da terceira edição do STF Escuta para Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais, em Brasília.

Flávia descreve o que significa, para uma pesquisadora nordestina radicada no Cerrado, chegar pela primeira vez à Amazônia e sentir no corpo a demanda por deslocamentos epistemológicos. Sua presença na reunião do STF Escuta coloca em cena as tensões entre a palavra indígena e os filtros institucionais do sistema de justiça . A noção de corpo-território (a ideia de que corpo e terra não são dimensões separadas, mas uma unidade ontológica atravessada por memória, ancestralidade e espiritualidade) emerge no Boletim tanto nos relatos sobre povos indígenas quanto nas reflexões sobre mulheres quilombolas, e é retomada no Conversas em Rede a partir da experiência de “ser negra na academia”.

Dois relatos neste número, que se referem às experiências de pesquisadoras indígenas na equipe da Rede Arandu, são assinados por autoras que vivem, elas mesmas, nas interseções que estudam. Alane Bare, coordenadora de política para indígenas LGBTQIA+ no Ministério dos Povos Indígenas, e Jociene Trindade, pesquisadora PIBIC vinculada ao INCT Caleidoscópio, compartilham percursos que são, ao mesmo tempo, trajetórias pessoais e contribuições científicas.

Entre os eventos que marcaram o semestre, o I Seminário Internacional "Mulheres Negras e Quilombolas nas Ciências: Diálogos África, Caribe e Brasil para Políticas de Permanência nas Universidades", realizado nos dias 4 e 5 de dezembro de 2025, na UFCG, recebe destaque neste volume do Boletim. Com 489 participantes, 28 trabalhos apresentados e representantes de 12 nacionalidades, o evento consolidou a Nucleação Norte-Nordeste do INCT Caleidoscópio como um polo de articulação científica e política de alcance internacional. O seminário foi também um momento de formalização de acordos de cooperação com universidades do Chile e do Haiti, de construção coletiva de uma nota técnica com recomendações para políticas de permanência de estudantes quilombolas, e de celebração de trajetórias que raramente ganham visibilidade nos espaços acadêmicos tradicionais. O seminário contou com a participação de suas coordenadoras e de bolsistas de pós-doutorado do INCT, além de uma grande equipe de apoio financiada pelo Ministério da Igualdade Racial. É importante destacar que o Governo Federal tem apoiado diversas iniciativas da Incubadora, liderada por pesquisadoras negras e quilombolas.

Fórum sobre Inteligência Artificial, ética e equidade de gênero

Na ação da Nucleação Sul-Sudeste, o Observatório Caleidoscópio também viveu um semestre de expansão em múltiplas direções. O III Seminário do Observatório Caleidoscópio reuniu mais de cem pessoas inscritas e abordou, entre outros temas, o enfrentamento de assédios e violências nas universidades, a presença de mulheres em carreiras científicas e o debate interseccional sobre gênero, raça e ciência. A participação de pesquisadoras estrangeiras e de diferentes regiões do Brasil reforça o caráter cada vez mais plural do Observatório. A publicação de vídeos dessas apresentações é realizada no esforço da equipe de comunicação do INCT Caleidoscópio.

Outro evento ainda tem destaque nesta edição de nosso Boletim: na última semana de novembro de 2025, a Universidade Estadual de Campinas promoveu, em parceria com a Nucleação Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio, o Fórum Inteligência Artificial, Ciência e Ética. O evento permitiu debate internacional sobre ética e tecnologia. Paralelamente a esse debate acadêmico, destacamos o fortalecimento institucional da Incubadora Social Feminista Sul-Sudeste no INCT Caleidoscópio, com um projeto de pesquisa inovador em Inteligência Artificial que avançou significativamente desde a sua apresentação formal durante a reunião da congregação da Faculdade de Ciências Aplicadas. A Incubadora Social inclui formação intergeracional e conta com cinco bolsistas de ICJ de escolas públicas na equipe. Com isso, visa promover uma aproximação crítica de jovens negras e periféricas da região de Campinas às tecnologias de informação e comunicação.

No plano das pesquisas, destaca-se a construção do Repositório Caleidoscópio, iniciativa que busca reunir e dar visibilidade à produção brasileira sobre gênero e ciências, historicamente dispersa e pouco referenciada. A pesquisa de iniciação científica de Sofia Koyama, estudante de graduação em Ciências Sociais da Unicamp, é um dos pilares desse esforço, ao lado das contribuições das pós-doutorandas do Observatório Caleidoscópio, Lia Souza e Mirlene Simões, e de parceiras como Maria Rosa Lombardi e Natascha Hoppen. Trata-se de um esforço conjunto de pesquisas que visam promover reparação epistêmica: homenagear e tirar da invisibilidade a história de pioneiras e de pesquisadoras mais recentes que construíram e ainda constroem esse campo de estudos.

A seção Conversas em Rede desta edição traz um diálogo entre Letícia Moreira, jornalista e divulgadora científica (FAPESP), e a professora da UFRJ Giovana Xavier, historiadora, bailarina, pesquisadora das intelectuais negras no Brasil. A conversa percorre a trajetória de Giovana desde o subúrbio carioca até a cátedra universitária, passando pela dança afro, pelo candomblé, pela neurodivergência e pela construção de uma epistemologia do sentir.

"Eu danço com a história, eu danço a história, eu danço na história."

Giovana fala sobre o Catálogo Intelectuais Negras Visíveis, sobre o grupo de estudos que criou na UFRJ, sobre as referências que a formaram: sua avó e sua mãe, mas também autoras como Conceição Evaristo, Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez, Azoilda Loretto da Trindade. Também nos conta sobre o que considera a agenda mais urgente para o pensamento acadêmico nos próximos anos: aprender a pensar com o corpo, a sentir, a não se dissociar. É uma conversa que desafia os limites do que chamamos de "entrevista acadêmica" e que, por isso mesmo, pertence inteiramente ao espírito deste boletim.

Uma rede que se faz no movimento

Lendo os textos que compõem este número, o que mais nos impressiona, para além da expressiva quantidade de atividades e ações, é a coerência entre o que se pesquisa e o modo como se pesquisa. As bolsistas do INCT Caleidoscópio, sejam pós-doutorandas, pesquisadoras em formação inicial ou profissionais de apoio técnico, não apenas estudam as desigualdades, mas também as enfrentam em suas próprias trajetórias, em suas escolhas metodológicas, nos eventos que organizam, nos instrumentos jurídicos que elaboram com comunidades tradicionais, nos podcasts que produzem, nos enfrentamentos às violências de gênero nas escolas e universidades às quais pertencem. Traçam uma linha vivencial da comunidade para a academia, e de volta para a comunidade.

Essa coerência é o que poderíamos chamar de nossa “terra rara” e preciosa. Ela é o que faz do INCT Caleidoscópio um instituto de pesquisa que de fato se materializa em uma rede viva, feita de corpos, territórios, afetos e compromisso com a produção ética de conhecimentos e tecnologias sociais.

Boa leitura!

Acesse o boletim #3 do INCT Caleidoscópio: nova edição traz relatos e ações realizadas nas diferentes regiões do país e no exterior

Acesse o boletim #3 do INCT Caleidoscópio: nova edição traz relatos e ações realizadas nas diferentes regiões do país e no exterior

Boletim do INCT Caleidoscópio tem periodicidade semestral e é construído de maneira colaborativa com o Observatório Sul-Sudeste, a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e o Caleidoscópio Enredado nas Escolas.

Nesta edição, além dos relatos de todas as frentes, também trazemos dicas de leitura, de filme, livro e exposição. E uma conversa com Jaqueline Gomes de Jesus1ª mulher trans a ganhar o prêmio Bertha Lutz. Confira os destaques dessa atuação no Boletim #3 do INCT Caleidoscópio!

Editorial do boletim 3º edição

Chegamos à metade do percurso do INCT Caleidoscópio com alegria e entusiasmo. São dois anos e meio de um projeto coletivo que vem se expandindo com força e imaginação crítica pelos quatro cantos do país. O Instituto de Estudos Avançados, que surgiu do desejo de enfrentar de modo interseccional as desigualdades de gênero, raça e sexualidade na ciência e na universidade, consolida-se hoje como uma rede de pesquisa viva, diversa e em movimento.

Nosso primeiro Encontro Nacional, realizado no final de 2024, reuniu pesquisadoras de diferentes regiões do Brasil e de países como Argentina, Uruguai, Inglaterra e Espanha. Os Anais desse encontro testemunham a vitalidade dos debates e a densidade das experiências compartilhadas.

Leia também: Veja as publicações do I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio: Práticas Socioculturais e Discurso

Com a criação do Observatório Caleidoscópio, estruturado em coordenações regionais, temos avançado na produção de indicadores e na escuta qualificada de trajetórias e políticas que interpelam as estruturas de exclusão no ensino superior e na pesquisa. Após a implantação piloto no Sul-Sudeste, neste primeiro semestre de 2025 estamos organizando as coordenações do Centro-Oeste e da região Norte/Nordeste e Amazônia Legal.

Entre as prioridades discutidas coletivamente pelas coordenações regionais, estão o aprofundamento da coleta de dados sobre a presença de quilombolas e indígenas nas universidades brasileiras, ainda escassos nas bases oficiais, e a construção de indicadores que articulem justiça climática, gênero e territorialidades. Esses movimentos reforçam o compromisso do Observatório com uma ciência diversa, interseccional e atenta às urgências do nosso tempo.

Além das ações regionais, o Observatório Caleidoscópio também esteve presente no Primeiro Encontro Nacional de Observatórios sobre Mulheres, realizado em março de 2025 e organizado pelo Grupo de Pesquisa Estado, Gênero e Diversidade (Egedi) da Fundação João Pinheiro. Representado por Margaret LopesTchella FernandesMirlene Simões e Flávia Belmont, o Observatório Caleidoscópio participou dos debates e contribuiu para a criação da Rede Nacional de Observatórios, que articula instituições vinculadas a universidades, ministérios, secretarias e casas legislativas.

Como desdobramento, foi proposta a criação de um protocolo colaborativo para coleta de dados, um calendário de reuniões periódicas e um comitê gestor compartilhado. Essa articulação reforça o compromisso do INCT com a formulação de políticas públicas orientadas por evidências e comprometidas com a equidade de gênero.

O mesmo impulso organizativo orienta o trabalho das Incubadoras Sociais. Depois da implantação pioneira da Incubadora Feminista Antirracista Norte/Ne/AM Legal – voltada à presença, permanência e formação de mulheres quilombolas nas universidades –, estão sendo estruturadas novas iniciativas: no Centro-Oeste, com foco em mulheres indígenas nas ciências e com bolsistas indígenas; e na Unicamp, em parceria com estudantes negras e migrantes do ensino médio, por meio de um projeto que desenvolve uma inteligência artificial inspirada por uma ecosofia feminista.

Nesta edição do boletim, compartilhamos também relatos das atividades realizadas entre outubro de 2024 e maio de 2025 pelas três nucleações regionais. Um dos destaques é o depoimento de uma estudante indígena da UnB, que participou do 1º Seminário Regional de Consulta do projeto Tecendo Direitos: construindo uma estratégia nacional para indígenas LGBTQIA+.

Essa ação se articula ao trabalho da Rede Arandu – Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, vinculada ao INCT-Caleidoscópio, que tem atuado na produção de metodologias participativas, na elaboração de relatórios de direitos humanos e na escuta ativa de lideranças e coletivos indígenas LGBTQIA+. Entre as ações recentes da Rede, destacam-se também sua participação no programa Bem Viver + e no Acampamento Terra Livre (ATL), fortalecendo as vozes indígenas nos debates sobre justiça climática e políticas públicas interseccionais.

A seção de Dicas Caleidoscópicas, que no número anterior estava centrada em publicações, agora se amplia e traz sugestões de filmes, exposições, conferências e práticas que nos ajudam a imaginar e construir uma universidade/ciência plural, sensível e comprometida com a crítica à colonialidade do saber e do poder.

Nesta edição inauguramos o momento Conversas em Rede com a convidada Jaqueline Gomes de Jesus, nossa aliada desde a constituição da Rede de Pesquisa Feminista, Transfeminista, Antirracista, Interdisciplinar e Decolonial e que esteve conosco na inauguração da nossa sede em Brasília. Jaqueline é graduada, mestre e doutora em psicologia, professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro, pesquisadora e escritora e se tornou a primeira mulher trans a receber o Prêmio Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal a mulheres que se destacam na luta pela igualdade de gênero. Quem animou a conversa foi nossa pós-doc Inara Fonseca, uma das editoras deste Boletim. Nela, Jaqueline compartilha conosco um pouco de sua trajetória e visões de mundo.

Esperamos que o conteúdo aqui apresentado seja uma janela aberta para comunicação entre e além das nossas redes e para o compromisso ético-político que nos move. A cada boletim, oferecemos não apenas um registro de atividades, mas um convite para partilhar dos caminhos que temos traçado, caso se entusiasme em fazer parte de uma de nossas nucleações, pode nos procurar.

Acesse a 3º edição do Boletim aqui: Boletim INCT Caleidoscópio - Edição #3 (Junho de 2025)

Nesta edição você encontra

  • Apresentação
  • Artigos
  • INCT Caleidoscópio - Nucleação Centro-Oeste: primeiros passos
  • Saberes em movimento - A rede Arandu
  • Relato de participação no Seminário Centro-oeste: Aldeia Meruri
  • Incubadora Social Feminista Antirracista Norte-Nordeste e Amazônia Legal: relato das ações desenvolvidas no último semestre
  • Cooperação internacional para conhecer a política de enfrentamento às violências de gênero na Universidad de Buenos Aires (UBA-Argentina)
  • Tecendo Redes e Produzindo Conhecimento: Atividades do Observatório Caleidoscópio – Nucleação Sul/Sudeste
  • INCT Caleidoscópio participou do Primeiro Encontro Nacional De Criação da Rede de Observatórios sobre Mulheres
  • Conversas em Rede com Jaqueline Gomes de Jesus: Falar de gênero, raça, sexualidade, já é algo possível. Pensar em efetivar essa inclusão ainda não é consenso
  • Dicas Caleidoscópicas