Material reúne nomes e histórias de cientistas gaúchas e visa incentivar jovens estudantes do ensino básico a seguir a carreira científica. Docente responsável é pesquisadora no INCT Caleidoscópio Sul/Sudeste.

Autoria Letícia Moreira

Grande parte das inovações tecnológicas, tratamentos, utensílios e conhecimentos do nosso cotidiano resultam de descobertas e estudos empreendidos por mulheres. No entanto, muitos nomes seguem desconhecidos nas historiografias tradicionais. Foi pensando em transformar esse quadro que a professora Daiane Rossi, da Universidade Franciscana (UFN), de Santa Maria (RS), desenvolveu a cartilha “Mulheres e Meninas nas Ciências – Rio Grande do Sul”, que reúne trajetórias de cientistas gaúchas de diversas idades e áreas do conhecimento. A obra está disponível online e é voltada, principalmente, para estudantes e professoras/es da educação básica.

O projeto resulta de uma extensa pesquisa documental e busca romper com o estereótipo do predomínio masculino na ciência. Além de informações biográficas sobre as cientistas, o material também apresenta a história das mulheres nas ciências, reflexões sobre os distintos períodos históricos, além de seção interativa com indicações de filmes, perguntas para refletir e desafios para as leitoras. 

Daiane Rossi é historiadora, professora adjunta da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás (UFG), e é pesquisadora no INCT Caleidoscópio na nucleação Sul/Sudeste. 

Resgatar a memória para transformar o futuro

A história de cientistas do Rio Grande do Sul na década de 1950 foi tema de uma investigação que reuniu dados sobre a trajetória de mulheres na produção de conhecimento no estado. As informações foram compiladas em pequenos verbetes que compõem a cartilha, com nomes, fotografias, áreas de atuação e suas principais contribuições.

A primeira seção é dedicada à história das mulheres nas ciências e destaca figuras como a francesa Marie Curie, primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e primeira pessoa a recebê-lo em duas áreas distintas. No cenário brasileiro, a obra apresenta Bertha Lutz, zoóloga, diplomata e militante pelo sufrágio feminino, e Nise da Silveira, médica psiquiatra que revolucionou o tratamento de doenças mentais no país. 

Foi no século XIX que as universidades começaram a aceitar o ingresso das mulheres. A cartilha revela um fato curioso sobre o Brasil: aqui, as faculdades de Filosofia foram a porta de entrada para as mulheres na ciência, por serem vistas como “preparação para ser professora”. De lá, elas começaram a se espalhar por outros cursos “e nunca mais pararam”.

Cientistas gaúchas

Para as autoras, a cartilha pretende dar visibilidade às mulheres do estado do Rio Grande do Sul, “tudo isso com o objetivo de tentar inspirar meninas e mulheres a fazerem ciência e ampliar essa noção de ciência para outras áreas”, relata Daiane Rossi. Além das pioneiras históricas, também estão pesquisadoras contemporâneas e jovens talentos.

Ainda na primeira metade do século XX, alguns nomes já se destacavam na produção científica nacional. Maria Marques foi uma fisiologista premiada que trabalhou com um prêmio Nobel. Matilde Groisman Gus, matemática e física, estudou corpos celestes. Já Alda Kremer foi uma prestigiosa educadora que deixou um legado para a formação de professores. 

No século XXI, muitas cientistas gaúchas foram pioneiras em áreas como a cirurgia médica. Dez profissionais de Santa Maria e região receberam destaque por suas contribuições para diversos campos da medicina.

Metodologia e colaboração

A produção do material envolveu uma equipe multidisciplinar de acadêmicas/os dos cursos de História e Medicina da Universidade Franciscana (UFN). Entre as colaboradoras, destacam-se estudantes ligadas à Associação de Mulheres Cirurgiãs (AWS), que contribuíram com perspectivas sobre o empoderamento feminino e a escrita científica.

Na UFN, o Programa de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e cursos de licenciaturas promoveram formação para futuros professoras/es da educação básica. A cartilha também foi distribuída em escolas de todo o estado.

Como acessar

A cartilha “Mulheres e Meninas nas Ciências – Rio Grande do Sul” pode ser acessada gratuitamente pelo portal oficial da Universidade Franciscana ou diretamente neste link. O material é indicado para estudantes, professores e entusiastas da história da ciência. Professores da educação básica podem usar a cartilha em aulas como história, ciências, biologia, entre outros cursos, e com diversas finalidades.