Ancestralidade, pesquisa, ciência e conservação dos biomas: II Seminário Nacional de Indígenas Pesquisadoras se desloca da universidade para o território Taunay/Ipegue

Ancestralidade, pesquisa, ciência e conservação dos biomas: II Seminário Nacional de Indígenas Pesquisadoras se desloca da universidade para o território Taunay/Ipegue

Nossos territórios são bibliotecas vivas. Nossos ancestrais abriram os caminhos; nós seguimos pesquisando, escrevendo e protegendo a vida para as futuras gerações.

O II Seminário Nacional de Indígenas Pesquisadoras reunirá indígenas mulheres pesquisadoras de diferentes biomas brasileiros para promover diálogos sobre ancestralidade, pesquisa, ciência e conservação dos biomas no Território Taunay/Ipegue, município de Aquidauana, no estado de Mato Grosso do Sul (MS).

Com o tema “Indígenas Mulheres na Ciência Brasileira: Ancestralidade, Pesquisa e Conservação dos Biomas”, a segunda edição do evento busca fortalecer o protagonismo das mulheres indígenas na produção científica brasileira e promover o diálogo entre saberes ancestrais e acadêmicos, a fim de possibilitar reflexões no âmbito da pesquisa, da ciência e da inovação e conectar, de maneira interdisciplinar, diversas iniciativas, enredando e visibilizando a atuação de indígenas mulheres no campo das ciências.

O evento visa promover a divulgação e o compartilhamento de saberes no campo da Formação Indígena Superior, mais especificamente por meio da troca de experiências entre discentes de graduação e pós-graduação, docentes, pesquisadoras, pesquisadores e profissionais, com conhecimento e escuta das pesquisas desenvolvidas e lideradas por indígenas mulheres em todo o Brasil.

Pretende-se fortalecer o protagonismo das mulheres indígenas na produção acadêmica e dos conhecimentos produzidos nos territórios e comunidades indígenas, promovendo o diálogo entre saberes ancestrais e acadêmicos para a conservação da biodiversidade, a proteção dos territórios indígenas e o enfrentamento das mudanças climáticas nos biomas.

A ser realizado de 24 a 28 de novembro de 2026, o Seminário deixa, nesta edição, o espaço da universidade e segue para o Território Indígena Taunay/Ipegue, no município de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul. As atividades serão realizadas na Oca Ancestral Flor da Terra e incluem conferências, mesas-redondas, rodas de conversa, apresentações de pesquisas, oficinas práticas, exposições culturais, feira de sementes ancestrais e grupos de trabalho.

Organizado pelo INCT Caleidoscópio (UnB/CNPq) e pelo PPGD/PUC-Curitiba, com apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Instituto Territórios Vivos e Instituto Voropi, o encontro pretende reunir pesquisadoras indígenas de diferentes áreas do conhecimento e fortalecer redes de colaboração entre universidades, comunidades indígenas e instituições de pesquisa.

Leia também: Indígenas pesquisadoras, metodologias próprias e a produção de conhecimento: carta final do I seminário Nacional de Mulheres Indígenas

Produção científica de povos indígenas

Que este encontro seja guiado pela força da ancestralidade, pelo compromisso com nossos povos e pela construção de uma ciência plural, intercultural e comprometida com a vida.

O II Seminário Nacional de Indígenas Pesquisadoras dá continuidade à articulação iniciada em 2025, quando a primeira edição foi realizada na Universidade de Brasília (UnB). Se, naquele momento, o encontro reuniu indígenas pesquisadoras no espaço universitário, a segunda edição realiza um movimento importante: desloca o Seminário da universidade para o território indígena.

Leia também: I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras apresenta pesquisa intercultural e a ciência produzida em comunidades indígenas

A proposta é reunir indígenas mulheres pesquisadoras de todo o Brasil para promover reflexões sobre pesquisa, ciência e inovação, conectando iniciativas de diferentes áreas do conhecimento e dando visibilidade à atuação dessas mulheres no campo científico. O encontro parte também do reconhecimento de que a presença de indígenas mulheres na graduação, na pós-graduação e na pesquisa brasileira é uma realidade que precisa ser acompanhada pelo fortalecimento das condições de acesso, permanência e reconhecimento de seus conhecimentos dentro das instituições.

A inserção de indígenas mulheres em pesquisa no ensino superior brasileiro já é uma realidade em diversas instituições, possibilitada, em grande parte, pelas políticas de ações afirmativas que vêm sendo implementadas desde 2003.

As políticas de ações afirmativas podem ser compreendidas como “medidas especiais”. Nesta perspectiva, medidas especiais serão todas e quaisquer medidas, de natureza legislativa, judiciária, administrativa, educacional, pública ou privada, necessárias para a equalização de direitos. São políticas públicas desenhadas e implementadas para promover acesso a bens fundamentais e, portanto, restituir o princípio de igualdade de oportunidades a minorias étnicas, raciais ou sexuais que, de outro modo, estariam excluídas parcial ou totalmente.

Nesse sentido, são medidas que buscam corrigir uma história de desigualdades e desvantagens sofridas por um grupo social, em geral frente a um Estado nacional que o discriminou negativamente.

Marcados pela ausência na construção da identidade nacional e relegados ao passado de nossa história, os povos indígenas ainda hoje são amplamente desconhecidos da sociedade não indígena. A invisibilidade racial e étnica do período pós-colonial permanece como um dos mais perversos traços da desigualdade social do nosso país.

Há mais de 500 anos, os povos indígenas encontram-se à margem do acesso aos direitos que lhes foram assegurados constitucionalmente, continuando um longo processo de exclusão. Os povos indígenas brasileiros ainda constituem, em pleno século XXI, o grupo com maior incidência de desigualdade social, quando comparado com outros grupos étnicos, no que se refere à educação, saúde e capacitação para o mercado de trabalho, sendo ainda vítimas de exclusão e preconceito.

O Ensino Superior no Brasil, destinado inicialmente à formação das elites, durante muito tempo não foi espaço para indígenas pesquisadoras. Embora tenha havido avanços nesse sentido, há ainda um longo caminho a ser percorrido para se atingir um patamar de igualdade de acesso ao ensino superior e uma educação, de fato, mais democrática, sem distinção de etnia e classe social, que permita acesso amplo à educação superior e pós-graduada de qualidade.

O processo de inclusão de indígenas pesquisadoras e de outras minorias étnicas no campo da pesquisa no Brasil ainda é visto com muita desconfiança, resultado do modelo de educação eurocêntrico imposto pela colonialidade, que nega, silencia e subalterniza as formas de saberes tradicionais pertencentes aos povos que já habitavam esse território antes da intrusão.

A educação brasileira não se renovou suficientemente nem se adaptou à realidade dos povos nativos. Portanto, é necessário reconhecer que a chegada de indígenas pesquisadoras às universidades constitui um desafio a ser superado por essas pesquisadoras e pelas instituições de ensino superior que as recebem.

Um desses desafios talvez seja o reconhecimento da cidadania indígena, fomentando o convívio entre dois mundos, o mundo indígena e o mundo não indígena, sem que isso signifique a perda de identidades. Reconhecer a diversidade dos povos indígenas brasileiros também é um passo importante para se entender as principais necessidades educacionais das indígenas pesquisadoras e suas potenciais contribuições para o ambiente acadêmico.

O reconhecimento, por parte das universidades, das culturas tradicionais e de sua potência inovadora para a construção de outros conhecimentos na universidade é fundamental para o estabelecimento do diálogo horizontal entre conhecimentos indígenas e acadêmicos, com suas interfaces culturais.

Para os povos indígenas, os modelos educacionais são próprios, valorizam as riquezas educacionais ancestrais, passadas de geração em geração, sem, com isso, visar à disputa por poder, bens ou consumo. Essa distinção nos objetivos dos processos educacionais gera um grande impacto quando indígenas pesquisadoras se deslocam de suas comunidades de origem para dar continuidade à sua formação fora da comunidade.

O reconhecimento desse impacto já seria um passo importante para o diálogo com as instituições de pesquisa que atualmente vêm recebendo as indígenas pesquisadoras em seus cursos, no sentido de possibilitar a compreensão adequada dos desafios colocados a muitas dessas pesquisadoras.

Nessa perspectiva, as políticas de ação afirmativa podem ser consideradas uma estratégia fundamental de combate aos estereótipos porque desestabilizam concepções e conhecimentos. Elas também representam um avanço em relação ao cumprimento das leis e diretrizes para a educação brasileira, particularmente no que se refere à democratização do ensino superior e ao acesso ao direito afirmado na Constituição Brasileira de 1988.

Ressaltamos, por isso, a importância deste II Seminário de Indígenas Pesquisadoras como forma de visibilizar pesquisas de indígenas em diversas áreas do conhecimento e instituições de ensino e pesquisa de todo o país. Isso possibilita não apenas que discentes e docentes não indígenas conheçam e reconheçam a existência e a presença dessas indígenas mulheres no espaço acadêmico, mas também incrementa as frentes de apoio às demandas dos povos indígenas.

Esse Seminário reconhece a necessidade de descolonização e de ocupação do espaço acadêmico, não apenas com a presença das indígenas pesquisadoras na pós-graduação, mas com a ocupação dos espaços físicos da universidade como territórios indígenas também. Esse é um passo importante para a superação de desigualdades estruturais de um ambiente fundamental e historicamente elitizado e marcado por um saber pretensamente superior e excludente.

As universidades precisam começar a conhecer a realidade dos povos indígenas do Brasil, abrir-se para os conhecimentos e saberes indígenas, não entendidos apenas como “saberes populares”, mas reconhecendo os fundamentos desse conhecimento e sua validade científica.

O II Seminário pretende, portanto, ampliar e aprofundar a discussão sobre a elaboração de iniciativas que possam permitir o retorno à região ou coletivo após a conclusão das pesquisas.

Mulheres pesquisadoras, ciência, território e conservação dos biomas

Nesse contexto, o Seminário busca ampliar os espaços de escuta e circulação das pesquisas desenvolvidas e lideradas por indígenas mulheres em âmbito nacional. A proposta é promover, estimular e fomentar discussões sobre as indígenas mulheres nas ciências no Brasil, procurando articulá-las com o contexto mais amplo da pesquisa e da produção de conhecimento.

Entre os objetivos desta edição estão o fortalecimento de redes de pesquisadoras indígenas em diferentes áreas do conhecimento; a promoção do intercâmbio entre universidades, comunidades e instituições de pesquisa; a valorização dos conhecimentos tradicionais como ciência e patrimônio cultural; e o debate sobre políticas públicas voltadas à permanência de mulheres indígenas na pós-graduação.

A relação entre ciência, território e meio ambiente também ganha destaque nesta edição. O Seminário pretende incentivar pesquisas relacionadas às mudanças climáticas, biodiversidade, sementes ancestrais, recuperação ambiental e gestão territorial indígena, articulando o protagonismo das mulheres indígenas na produção científica à conservação da biodiversidade, à proteção dos territórios e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Outro resultado previsto é a realização de um mapeamento nacional de indígenas pesquisadoras, identificando áreas de atuação, instituições de ensino, linhas de pesquisa e suas contribuições para a conservação ambiental e para os direitos dos povos indígenas. Com a realização do evento, espera-se divulgar e articular produções de docentes e discentes indígenas e não indígenas e propiciar a pesquisadoras um espaço para o debate e reflexões a respeito de cultura, educação, saúde, identidade e formação indígenas, tanto em suas comunidades como em áreas urbanas.

A iniciativa se soma à proposta de construir uma rede nacional de indígenas pesquisadoras dos seis biomas brasileiros e uma agenda permanente de articulação entre pesquisadoras indígenas.

Ao levar sua segunda edição para o Território Taunay/Ipegue e organizar-se, nesta edição, em torno de biomas, e não de estados ou regiões, o Seminário afirma seu compromisso em reconhecer e valorizar as formas de organização próprias do movimento indígena de mulheres. Busca, assim, fortalecer o diálogo horizontal entre conhecimentos indígenas e acadêmicos, reconhecendo os territórios, as culturas e os modos de vida indígenas como espaços de produção de conhecimento.

Como sintetiza a proposta do encontro:

“Nossos territórios são bibliotecas vivas”.

Programação em breve!

O Seminário será construído de forma coletiva, respeitando a diversidade dos povos indígenas e reconhecendo o protagonismo das mulheres na produção de conhecimentos voltados à justiça climática, à conservação da biodiversidade, à valorização das línguas, culturas e modos de vida tradicionais.

Deste modo, a programação será construída de forma participativa, intercultural e colaborativa, reconhecendo as metodologias de construção coletiva do conhecimento das mulheres indígenas e as formas próprias de organização do movimento indígena de mulheres a partir dos biomas, em vez da divisão por estados ou regiões.

As atividades compreenderão conferências, mesas-redondas, rodas de conversa, apresentação de pesquisas, oficinas práticas, exposições culturais, feira de sementes ancestrais e grupos de trabalho destinados à elaboração de propostas para o fortalecimento da atuação de indígenas mulheres nas ciências.

Acompanhe nosso site e nosso Instagram, @inctcaleidoscopio, para não perder a publicação da programação completa e o link de inscrição!

Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia encontros no dia 14 de agosto com leitura de Um Defeito de Cor de Ana Maria Gonçalves: veja como participar

Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia encontros no dia 14 de agosto com leitura de Um Defeito de Cor de Ana Maria Gonçalves: veja como participar

O Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia, no dia 14 de agosto, uma série de encontros quinzenais para a leitura comunitária e rodas de conversa sobre a obra Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. A atividade integra um projeto de extensão e será realizada às sextas-feiras, às 15h30, na sede do INCT Caleidoscópio e, sempre que possível, nas áreas verdes do Campus Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília (UnB).

A proposta parte da literatura como espaço para o acesso a diferentes perspectivas e narrativas e da leitura de autoras negras como uma prática política feminista e antirracista. Ao reunir participantes em torno da leitura e da partilha de experiências, o Clube busca construir momentos de aquilombamento, reconexão, teorização, resgate da ancestralidade e fortalecimento da imaginação de outros futuros possíveis para mulheres negras e suas comunidades.

Nesta primeira etapa do Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas, os encontros serão dedicados à leitura de Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. A dinâmica inclui um chazinho, leitura comunitária e rodas de conversa sobre a obra, realizadas ao ar livre sempre que as condições permitirem. Os capítulos e as páginas que orientarão cada encontro serão definidos coletivamente de uma atividade para a outra.

A programação começa em 14 de agosto e segue com encontros nos dias 28 de agosto, 11 e 25 de setembro e 23 de outubro. No dia 6 de novembro, será realizada a avaliação do semestre, seguida pelo planejamento do semestre seguinte e uma confraternização.

O projeto de extensão contará com certificação ao final das atividades. Os encontros acontecem na sede do INCT Caleidoscópio, localizada na Ala Sul, Subsolo, Módulo 8, e em outros espaços ao ar livre do Campus Darcy Ribeiro, quando o tempo permitir.

Confira a programação

Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia encontros no dia 14 de agosto com leitura de Um Defeito de Cor de Ana Maria Gonçalves
Programação Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas.

Resumo

Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas: Um Defeito de Cor (Parte 1)

Início: 14 de agosto de 2026

Horário: sextas-feiras, às 15h30, quinzenalmente

Local: sede do INCT Caleidoscópio – ICC Sul, Subsolo, Módulo 8 – e áreas verdes do Campus Darcy Ribeiro

Atividade: leitura comunitária e rodas de conversa sobre Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves

Certificação: projeto de extensão com certificado ao final

Mais informações: gtter@unb.br

Convite para Hora da Pausa (Menopausa): rodas de conversa sobre menopausa serão realizadas até dezembro no Distrito Federal

Convite para Hora da Pausa (Menopausa): rodas de conversa sobre menopausa serão realizadas até dezembro no Distrito Federal

O GT Saúde das Mulheres em Escolas e IES, do INCT Caleidoscópio, e o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB) realizam, entre agosto e dezembro, a Hora da Pausa (Menopausa): rodas de conversa. Os encontros serão realizados aos sábados, das 10h às 12h, na Feirinha da Ponta Norte, no Distrito Federal.

A iniciativa propõe um espaço para conversar sobre menopausa a partir do compartilhamento de leituras, experiências, histórias e reflexões relacionadas aos corpos durante essa fase e nos anos que a antecedem e sucedem. A proposta é reunir as participantes em torno de uma xícara de chá e promover trocas sobre diferentes experiências relacionadas à menopausa.

As rodas de conversa são abertas tanto a pessoas que estejam passando por essa fase quanto àquelas que já passaram pela menopausa e às mais jovens interessadas em conhecer e conversar sobre o tema. A proposta também busca possibilitar que essas trocas aconteçam desde cedo, contribuindo para a preparação para essa etapa da vida.

O primeiro encontro acontece no dia 15 de agosto, com a apresentação da proposta e uma roda de chegança. Como material para a atividade, será utilizado Vamos falar de menopausa, de Miriam Goldenberg. Os encontros seguintes serão organizados a partir de leituras impulso e rodas de conversa, com diferentes materiais relacionados à temática.

Programação

A programação segue até 5 de dezembro, quando será realizado o encontro de fechamento e avaliação, com uma atividade de escrita criativa. Ao longo das rodas, serão utilizados materiais de Sheila de Liz, Lisa Mosconi, Maria Cândida e Mary Claire Haver.

Para participar, a orientação é levar uma cadeira ou canga para os encontros. O convite também incentiva as participantes a levarem uma amiga para compartilhar a Hora da Pausa.

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail gtsdm@unb.br.

Confira a programação completa!

O GT Saúde das Mulheres em Escolas e IES, do INCT Caleidoscópio, e o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB) realizam, entre agosto e dezembro, a Hora da Pausa (Menopausa): rodas de conversa.
Programação da Hora da Pausa (Menopausa): rodas de conversa.

Ciclo de Conferências “Siglo XXI – Mujeres y Diversidades” retoma as sessões em 11 de agosto com tema sobre Políticas Públicas e Cuidado

Ciclo de Conferências “Siglo XXI – Mujeres y Diversidades” retoma as sessões em 11 de agosto com tema sobre Políticas Públicas e Cuidado

Autoria Lia Sousa

O ciclo de conferências Siglo XXI: Mujeres y Diversidades. Logros y desafíos para alcanzar la equidad de género desde la vida privada a la vida pública, organizado pela RAGCyT e ENyS-Conicet (Argentina), CIGU-UNAM (México), Pagu-Unicamp e INCT Caleidoscópio (Brasil), retoma suas atividades, após recesso em julho.

A mesa 03 – “Políticas públicas para la transformación social y la corresponsabilidad de cuidados”, ocorrerá na próxima terça-feira, 11 de agosto, com palestrantes de instituições dos três países organizadores, inclusive de órgãos governamentais.

Da Argentina, falará a Ministra das Mulheres e Diversidades da província de Buenos Aires, Estela Díaz, e as Dras. Marisa Herrera (CONICET) e Mariel Bleger (UNRN).

A representante mexicana será a Dra. Martha Patricia Castañeda Salgado, da UNAM, que discorrerá sobre os desafios e posibilidades na implementação de políticas institucionais com perspectiva feminista em matéria de cuidados.

No caso brasileiro, contaremos com a Secretária Nacional de Cuidados e Família, Dra. Laís Wendel Abramo, e com a Dra. Lidia Possas, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e nucleada da coordenação Sul-Sudeste do Observatório Caleidoscópio. Possas apresentará sua experiência de pesquisa e enfrentamento aos comportamentos abusivos na Academia.

A mediação ficará a cargo de Lia Gomes P. de Sousa, pós-doutoranda do INCT Caleidoscópio no Núcleo de Estudos de Gênero Pagu-Unicamp (coordenação Sul-Sudeste do Observatório Caleidoscópio).

Cartaz de divulgação em tons de azul e roxo do programa 'Siglo XXI Mujeres y Diversidades'. Em destaque, o título da mesa de terça-feira, 11 de agosto de 2026: 'Políticas públicas para la transformación social y la corresponsabilidad de cuidados'. O cartaz traz retratos circulares das palestrantes: Dra. Martha Patricia Castañeda Salgado, Dra. Laís Wendel Abramo, Estela Díaz, Dra. Marisa Herrera, Dra. Lidia Possas e Dra. Mariel Verónica Bleger. A moderação é da Dra. Lia Gomes Pinto de Sousa. Na parte inferior, consta que a transmissão online será das 15h às 17h (México) e 18h às 20h (Argentina e Brasil) nos canais de 'Igualdad de Género UNAM' e 'ENyS CONICET'. O rodapé exibe os logotipos dos realizadores, incluindo UNICAMP, PAGU, Observatório Caleidoscópio e UNAM.
Card de divulgação da mesa de 11 de agosto de 2026. Fonte: Siglo XXI

A divulgação inicial do evento pode ser lida na matéria “Observatório Caleidoscópio integra organização de ciclo de palestras internacionais sobre equidade de gênero” e as mesas anteriores podem ser vistas nos links abaixo:

Mesa 01 – 12 de maio
Mujeres irrumpiendo la ciencia y la técnica: entre prácticas, saberes y transformaciones

Mesa 02 – 09 de junho
Neurociencia y género

Próxima mesa

Mesa 03 – 11 de agosto

Políticas públicas para a transformação social e a corresponsabilidade de cuidados

Expositoras:

  • Dra. Martha Patricia Castañeda Salgado (CIGU, UNAM)
  • Dra. Marisa Herrera (CONICET)
  • Dra. Laís Wendel Abramo (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome)
  • Dra. Lidia María Vianna Possas (Universidade Estadual Paulista)
  • Ministra Estela Díaz (Ministerio de Mujeres y Diversidad de la provincia de Buenos Aires)
  • Dra. Mariel Verónica Bleger (IDyPCA-CONICET-GEMAS-RAGCyT)

Moderadora: Dra. Lia Gomes Pinto de Sousa (INCT Caleidoscópio e UNICAMP)

Mesas Futuras

Mesa 04 – 08 de setembro – “Perspectivas de gênero na divulgação e comunicação científica e tecnológica”;

Mesa 05 – 22 de setembro – “Ecofeminismos e saberes ancestrais”;

Mesa 06 – 13 de outubro – “Aproximações epistemológicas e vieses de gênero na pesquisa”;

Mesa 07 – 20 de outubro – “História e sociologia da ciência”;

Mesa 08 – 10 de novembro – “Mulheres em posições de tomada de decisão nas universidades e organismos de ciência e tecnologia”;

Mesa 09 – 01 de dezembro – “Educação e vocações científicas com perspectiva de gênero”

Horários: 
México: 15:00 a 17:00 hrs
Argentina e Brasil: 18:00 a 20:00 hrs

Link de acesso mediante inscrição (gratuita)

A programação completa e o formulário de inscrição – para recebimento do link de acesso e certificado de participação – encontram-se na página do evento.

Encontro “Saúde e Política em Corpos Indígenas” convida mulheres, jovens, crianças e anciãs indígenas para documentário participativo no dia 8 de agosto

Encontro “Saúde e Política em Corpos Indígenas” convida mulheres, jovens, crianças e anciãs indígenas para documentário participativo no dia 8 de agosto

A Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, com apoio da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Federal de Brasília (IFB) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), convida toda a comunidade, especialmente mulheres indígenas jovens, mulheres de corpos diversos, crianças e anciãs, para o encontro realizado no dia 8 de agosto, às 10h, no Santuário dos Pajés, no Distrito Federal.

Com o tema "Saúde e Política em Corpos Indígenas", os encontros mensais promovem diálogos sobre saúde, cuidado e políticas que atravessam os corpos indígenas em suas diferentes interseccionalidades. Ao longo das atividades, será construído um minidocumentário participativo a partir de registros em áudio e vídeo produzidos coletivamente pelas participantes. Não é necessário ter participado do primeiro encontro para integrar a iniciativa.

A seguir, Ana Carolina Costa, estudante de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e bolsista da Rede de Polos de Extensão da UnB (REPE), compartilha seu relato de experiência sobre o primeiro encontro do projeto, realizado em 18 de julho deste ano.

Saúde e Política em Corpos Indígenas: um documentário participativo

Texto de Ana Carolina Costa

Estudante de Ciência Política na Universidade de Brasília e bolsista pela Rede de Polos de Extensão da UnB (REPE) no projeto Indigeneidades em diálogo no DF: Ecologia de Saberes, Saúde dos Corpos e Políticas Interseccionais.

O mês de julho marcou o início dos encontros mensais sobre "Saúde e Política em Corpos Indígenas" no Santuário dos Pajés, primeira terra indígena demarcada do Distrito Federal.

A iniciativa é organizada pela Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, com apoio da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Federal de Brasília (IFB) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), e busca promover diálogos sobre saúde e política a partir das experiências de corpos diversos, valorizando diferentes trajetórias, saberes e as vivências de mulheres indígenas.

Ao final do processo, será produzido um minidocumentário participativo a partir da reunião dos registros audiovisuais realizados durante as atividades.

O primeiro encontro, aberto para toda a comunidade, ocorreu no dia 18 de julho, no Centro Cultural Márcia Guajajara, e proporcionou um espaço para que as pessoas se conhecessem. A atividade contou com uma dinâmica em grupos menores, na qual todas as pessoas participaram das gravações, fazendo perguntas, entrevistando e compartilhando suas respostas a partir de duas questões: "O que é saúde para você?" e "O que você gostaria de conversar nesses encontros?"

Após as gravações das apresentações e respostas, todas as pessoas se reuniram para assistir aos vídeos e anotar os temas considerados importantes para as próximas atividades. Ao final, as contribuições formaram um painel coletivo e colorido.

Durante a atividade, foi servido um café da manhã, e aconteceram momentos de pausa e convivência. Após a exibição dos vídeos, houve uma roda de conversa sobre as experiências de entrevistar, ser entrevistado e assistir aos registros produzidos. Isso possibilitou o compartilhamento de sentimentos, impressões e reflexões sobre a construção coletiva do documentário.

O próximo encontro "Saúde e Política em Corpos Indígenas" será realizado no dia 8 de agosto, dando continuidade aos diálogos e registros que irão compor o minidocumentário participativo.

I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres debate pesquisas sobre educação, memória e visibilidade

I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres debate pesquisas sobre educação, memória e visibilidade

O Grupo de Trabalho (GT) História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade, do CIP/INCT Caleidoscópio, realiza no dia 18 de agosto de 2026, das 8h50 às 13h (GMT-3), o I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade. O evento reunirá pesquisadoras do Instituto para compartilhar projetos e pesquisas desenvolvidos no âmbito do grupo temático, abordando diferentes perspectivas sobre histórias de vida, memória, gênero, educação e direitos humanos.

Entre os temas desenvolvidos pelo GT estão pesquisas sobre corpos que menstruam; mulheres migrantes, trans e travestis; violência contra as mulheres e resistência; culpabilização de vítimas de crimes sexuais; morte e questões de gênero; empoderamento, sororidade e dororidade; história das mulheres e epistemologias feministas; saberes e práticas das parteiras tradicionais; tradição oral e história oral; raça, resistência, prevenção da violência, promoção de direitos e equidade; mulheres migrantes e arte; transmigração; decolonialidade e antirracismo.

Além das atividades de pesquisa e dos encontros promovidos pelo grupo, o GT desenvolve ações de comunicação científica comunitária por meio do Pod HMM, podcast com publicações bimestrais dedicadas a histórias de vida e trajetórias de mulheres nas ciências, em movimentos sociais e na defesa dos direitos humanos. A iniciativa busca ampliar a visibilidade dessas experiências e contribuir para a construção de um acervo sobre mulheres que atuam em diferentes áreas do conhecimento.

Durante o seminário, serão apresentados projetos desenvolvidos por pesquisadoras do GT. A programação terá início às 9h, com a abertura e apresentação conduzidas por Jacqueline Fiuza da Silva Regis. Em seguida, Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski apresentará a pesquisa "Histórias e Memórias de Mulheres em Nova Andradina/MS". Às 10h, Silvéria Maria dos Santos ministrará a apresentação "Arte de partejar: ofício, ancestralidade e reciprocidade das parteiras tradicionais".

Após um intervalo, às 11h, Julia Lene da Silva Souza apresentará "Elis Regina: resistência na ditadura militar". Na sequência, às 11h30, Carolina Gonçalves Gonzalez abordará o tema "Deambulares Poéticos: patrimônio da UnB entre-linhas, tramas e costuras". O evento será encerrado às 12h com uma roda de conversa entre as participantes.

O seminário é uma atividade de extensão certificada pela Universidade de Brasília (UnB) e é organizado pelo GT Histórias e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade, do CIP/INCT Caleidoscópio, em parceria com o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB).

Informações importantes

Site do evento: I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade

Data: 18 de agosto de 2026

Horário: 8h50 às 13h (GMT-3)

Formato: Online

Certificação: Universidade de Brasília (UnB)