Seminário reúne pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil para discutir linguagem, identidade cultural, tecnologias educacionais e práticas de cuidado a partir de perspectivas negras, afroreferenciadas e contracoloniais.
Pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil se reúnem, no dia 24 de setembro, para discutir linguagem, tecnologias educacionais e práticas de cuidado afroreferenciadas. O seminário acontece às 9h no Brasil e às 13h em Angola e na Nigéria e integra o I Ciclo Internacional de Seminários Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe. Em sua quarta edição, o seminário tem como tema “Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil”.
O encontro integra uma programação internacional realizada entre março e dezembro de 2026, aproximando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produções científicas de África, América Latina e Caribe. No âmbito do INCT Caleidoscópio, a iniciativa é desenvolvida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulando diálogos entre África e diáspora africana a partir da produção acadêmica de mulheres negras.
As atividades acontecem em formato híbrido, com participação presencial no Auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (CCBS/UFCG) e transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube. O formato busca ampliar a participação de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo redes de cooperação Sul-Sul e a circulação transnacional do conhecimento.
A mediação do encontro será das professoras Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFCG, e Helena Veloso, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), que coordenam o ciclo.
Pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil colocam diferentes conhecimentos em diálogo
A programação do quarto encontro reúne três pesquisadoras em discussões que aproximam linguagem e identidade cultural, tecnologias educacionais e conhecimentos locais e práticas de cuidado e acolhimento afroreferenciadas.
A professora Ana Bela Loureiro, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) e da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Angola (FCH-UCAN), apresenta “O valor psicológico da palavra mãe na construção da identidade cultural”.
Da Nigéria, Nafisat Afolake Adedokun-Shittu, da University of Ilorin (UNILORIN), participa com “Tecnologias educacionais, cultura e tradições locais: o GLOCALISE e a contextualização do conhecimento na Nigéria”.
Já Charlene Costa Bandeira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresenta “PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado”.
As três apresentações dão continuidade ao eixo temático que orienta o ciclo, “Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana”, reunindo pesquisas e experiências produzidas em diferentes contextos do Sul Global.
Confabulações que atravessam o Atlântico
O Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global. Ao articular universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica, a iniciativa estabelece conexões entre África, América Latina e Caribe.
Nesse percurso, a Confabulação Crítica é compreendida como um trabalho coletivo de fabulação diante de arquivos necessariamente lacunares da Psicologia. A proposta traça conexões entre Angola e Brasil e refaz rotas e percursos de mulheres pesquisadoras a partir de corpos e experiências atravessados pela diáspora, pelo exílio, pelo refúgio e por comunidades de destino.
Desde março, os encontros têm reunido pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. O primeiro seminário discutiu a produção acadêmica de mulheres negras na última década; o segundo abordou psicologias, migrações e mudanças climáticas; e o terceiro, realizado em julho, colocou em discussão as disputas epistemológicas e a legitimidade do conhecimento.
O quarto encontro acontece em 24 de setembro de 2026, às 9h no Brasil e às 13h em Angola e na Nigéria. Presencialmente, as atividades serão realizadas no Auditório do CCBS/UFCG, em Campina Grande (PB). Também será possível acompanhar a programação de forma remota, por meio da transmissão ao vivo no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio do formulário disponibilizado nos canais do Instituto. A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, com sede na UFCG, para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.
A programação segue até dezembro. Em novembro, o quinto seminário será dedicado às “Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas”. Em dezembro, o encontro que encerra o ciclo abordará “Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil”.
O estande contou com relatos de experiências e impactos sociais do Instituto, recebendo visitantes de diversas idades, perfis e regiões do Brasil ao longo dos 6 dias de evento na 78ª Reunião Anual da SBPC. Foto: Letícia Moreira.
Além da participação na programação acadêmica, o Instituto esteve presente na ExpoT&C com um estande e uma programação dedicada ao diálogo sobre iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade a partir de perspectivas feministas, interseccionais e antirracistas.
Ao longo do evento, cerca de 2 mil pessoas passaram pelo estande, segundo estimativa baseada na distribuição dos materiais gráficos do Instituto. As atividades foram conduzidas em colaboração por uma equipe de 18 pessoas, das três nucleações regionais, que se revezaram na preparação e durante a Reunião Anual.
O INCT Caleidoscópio foi um dos cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia presentes na ExpoT&C, em um universo de mais de 200 INCTs atualmente ativos no país. Na Tenda ExpoT&C, o estande reuniu atividades interativas e materiais de comunicação científica, como cartilhas, quiz, vídeo institucional, bottons e marcadores de texto, que apresentaram ao público pesquisas, projetos, podcasts e ações desenvolvidas pelo Instituto.
Durante a programação, a equipe recebeu estudantes da educação básica e do ensino superior, pesquisadoras, pesquisadores, docentes, famílias e visitantes, promovendo conversas sobre gênero, sexualidade, direitos humanos, democracia, justiça social, saúde e educação menstrual, territórios, meio ambiente e indígenas LGBTQIAPN+, e a participação de mulheres nas ciências, com recortes para mulheres negras, quilombolas e indígenas. A diversidade de públicos e a pluralidade de diálogos foram alguns dos aspectos destacados pela equipe durante a experiência.
A apresentação do instituto como o primeiro INCT feminista do Brasil também despertou a atenção de quem circulava pela feira. Visitantes procuraram o estande para conhecer as pesquisas desenvolvidas, compreender as formas de atuação do Instituto e buscar informações sobre possibilidades de participação em sua rede.
Essa experiência permitiu alcançar pessoas que ainda não conheciam o INCT Caleidoscópio e aproximar suas pesquisas de públicos de diferentes áreas científicas e da nova geração de pesquisadoras e pesquisadores.
Trocas e diálogos plurais possibilitaram aproximações
O espaço também possibilitou diálogos com pesquisadoras e pesquisadores interessados em integrar ou estabelecer aproximações com a rede. Durante a feira, a equipe recebeu pessoas de diferentes regiões e instituições do país interessadas nas temáticas desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio, reforçando a participação na SBPC como uma oportunidade de articulação científica e construção de novas conexões.
Para Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT e coordenadora da Comissão de Comunicação Científica do Observatório Caleidoscópio, a temática da SBPC 2026, que teve como lema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, está diretamente ligada à temática do Instituto, que tem como pauta garantir a pluralidade das vozes de quem faz ciência no Brasil.
Bessa avalia como positiva a participação no encontro:
“Foi uma decisão muito acertada da nossa coordenadora Viviane Resende e do nosso Comitê Científico. A SBPC é uma entidade que existe no Brasil desde 1948, parte de sua trajetória envolve uma reflexão e intervenção nos rumos da Ciência e Tecnologia que se produz aqui e também no tipo de educação que queremos. Participar da SPBC com um estande significa apostar no mote ‘ciência para todos’, e dar visibilidade ao trabalho que temos realizado nos quatro cantos do país com nosso Observatório de iniquidades e violências de gênero e sexualidade, com nossas incubadoras sociais e nossas várias pesquisas nesta fronteira de reflexão sobre a importância da diversidade étnico-racial, de gênero, de regionalidades, em cada área e grande área de conhecimento.
Além desse encontro com os pares (estamos recebendo visitas de várias pesquisadoras de diferentes áreas que se encantam com nosso trabalho), os estandes representam uma abertura para uma conversa direta com professoras/es do Ensino Fundamental e Médio, com estudantes de várias escolas daqui de Niterói e Região, enfim, promove o que entendemos ser um dos nossos objetivos primordiais, que é estar o mais próximo possível da comunidade, assegurando que esse debate sobre mulheres (quilombolas, indígenas, periféricas, lgbtia+) nas ciências é urgente e precisa da nossa atenção. A existência de um INCT dedicado a isso tem feito muita diferença.”, declara.
Pesquisadoras e equipe técnica do INCT Caleidoscópio. Mirlene Simões, Karla Bessa, Sandra Maria, Zizele Ferreira e Laura de Souza (esq. para dir.). Foto: Daniel Silva.
Marina Silva, estudante de Engenharia de Pesca na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), compartilha que conhecer o INCT Caleidoscópio foi inspirador. “É muito bom saber que existe um núcleo na Região Nordeste que trabalha essas temáticas de gênero e diversidade. Com certeza, vou procurar me encaixar em alguma oportunidade junto ao projeto”, relata.
“Dialogar com pessoas de diferentes lugares e perspectivas — crianças e adolescentes das redes públicas de ensino, pesquisadoras, professoras e visitantes de diversas áreas — foi uma das partes mais instigantes para mim. Cada conversa exigia adaptar a linguagem para abordar temas como gênero, antirracismo e interseccionalidade, conceitos que, para muitas pessoas, ainda eram novos ou pouco familiares, e que são os pilares do INCT Caleidoscópio.
A pesquisa costuma ser avaliada pelos resultados que produz. Experiências como essa também convidam a perguntar: por onde esses resultados circulam, quem tem acesso a eles e quais diálogos são capazes de produzir.” comenta Julia, bolsista Rede Arandu/INCT Caleidoscópio/CNPq.
A presença na Reunião Anual também favoreceu a aproximação com outros Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia.
Além da visita de pesquisadoras, pesquisadores, gestoras e gestores que estão à frente dos processos e políticas científicas brasileiras, a experiência reforçou a importância da participação do Instituto em espaços científicos que reúnem diferentes áreas do conhecimento.
Para além de eventos dedicados especificamente aos estudos de gênero, a presença na SBPC possibilitou inserir debates sobre equidade, diversidade de gênero, sexualidade e questões étnico-raciais em um espaço mais amplo de discussão sobre a ciência e as políticas científicas no Brasil.
Atividade especial sobre trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas
Legenda: Estande Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva. Foto: Morgani Guzzo.
A participação do INCT Caleidoscópio contou ainda com a atividade “Mulheres quilombolas e autonomia reprodutiva: diálogos interativos para a soberania e inclusão nas ciências”, no Instituto de Arte e Comunicação Social, organizada pela Incubadora Social Feminista Antirracista, Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulado pela coordenação sediada na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
O estande, que aconteceu no dia 29/07, pautou a autonomia e trajetórias acadêmicas das mulheres quilombolas e contou com materiais formativos e conversas com os visitantes.
A pesquisadora e professora da UFBA, Sandra Maria da Silva, destaca a vasta participação e interação de pessoas interessadas em discutir sobre acesso e permanência nas universidades.
“Foi uma oportunidade de estabelecer vários contatos e possíveis parcerias. Essa experiência me trouxe felicidade de ver que pessoas de diferentes gerações demonstram interesse em conversar sobre essa temática”, declara.
As participantes apresentaram também outras ações desenvolvidas pela Incubadora Social, como mentorias e treinamentos para estudantes universitárias.
Jovens cientistas num futuro de equidade
Jovens pesquisadoras, pesquisadores, alunas e alunos da Educação Básica de todo o país compuseram uma parcela significativa do público durante os dias de evento.
“Ver mulheres dominando áreas da ciência é muito incrível, porque nós vemos como nós mulheres somos muito capazes de ocupar lugares que a gente nem imagina”, declara Ana Lara.
Visitantes assistindo o vídeo institucional do INCT Caleidoscópio. Foto: Daniel Silva.
Territórios, corpos, saberes e diferentes formas de produzir conhecimento atravessam a participação da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio na 26ª Semana Universitária da Universidade de Brasília (Semuni/UnB).
Entre os dias 19 e 25 de setembro, a Rede Arandu, o MEInstruAÇÃO e o Menopausemos e integrantes do Instituto, realizam uma programação que circula entre o Santuário dos Pajés e diferentes espaços da UnB, além de uma atividade on-line.
Reunidas sob o eixo “Indigeneidades em Diálogo no DF: Ecologia de Saberes, Saúde dos Corpos e Políticas Interseccionais”, as atividades propõem diálogos sobre povos indígenas e justiça climática, vivências indígenas LGBTQIAPN+, saúde mental e permanência universitária, comunicação científica, arte e cultura indígena e enfrentamento às desigualdades socioambientais e saúde e educação menstrual desde uma perspectiva emancipatória.
Por meio de diferentes linguagens e estratégias de educação, também ampliamos diálogos sobre a menstruação como uma questão de saúde, educação, direitos e justiça socioambiental. O projeto propõe reflexões sobre os modos como os conhecimentos sobre o corpo menstruante são produzidos e compartilhados, os tabus que atravessam a experiência menstrual e as relações entre menstruação, sustentabilidade e acesso à informação.
Em 2026, a Semana Universitária chega à sua 26ª edição com o tema “Democracia em cena: arte, cultura e pertencimento”. Realizada oficialmente entre 20 e 25 de setembro, a Semuni é um espaço de encontro entre a Universidade e a sociedade e integra atividades de extensão, ensino, pesquisa e inovação na UnB.
Do Santuário dos Pajés à Universidade: territórios, justiça climática e educação menstrual
A programação da Nucleação Centro-Oeste começa no sábado (19), antes da abertura oficial da Semuni, com uma ação no Santuário dos Pajés, das 9h às 15h.
Na segunda-feira (21), o diálogo segue no campus Darcy Ribeiro. Das 9h às 18h, o público poderá conhecer o stand “Territórios Interseccionais: o INCT Caleidoscópio em Diálogo com a Sociedade”, no Udfinho, ICC Sul. Às 15h30, a Rede Arandu promove a palestra e debate “Povos Indígenas e Justiça Climática: a resposta somos nós”, na Sala de Atos do Instituto de Relações Internacionais (IREL/UnB).
Durante todo o dia 21, o stand também contará com ações do Projeto MEInstruAÇÃO, que apresentará atividades práticas e interativas voltadas à educação menstrual e à ressignificação dos conhecimentos sobre a menstruação.
Entre as atividades estão experimentos com diferentes tecnologias menstruais, que possibilitam refletir sobre formas de uso, descarte e impactos ambientais; o acróstico MENSTRUAÇÃO, desenvolvido como estratégia para discutir e ressignificar os tabus relacionados ao tema; e dois jogos de tabuleiro elaborados pelas bolsistas do projeto.
O Ciclo Sustentável propõe uma reflexão sobre as relações entre menstruação e meio ambiente, estimulando a compreensão de que a menstruação é uma questão que envolve não apenas quem menstrua, mas toda a sociedade. Já o InstruaMente, inspirado nos personagens do filme Divertida Mente, utiliza uma abordagem lúdica, interativa e reflexiva para trabalhar a ressignificação do tabu menstrual e ampliar o acesso a informações sobre o tema.
As atividades do MEInstruAÇÃO partem da compreensão de que educação menstrual é também criar espaços para conversar, experimentar, perguntar e compartilhar saberes. O projeto busca contribuir para uma relação mais informada, autônoma e consciente com os corpos e com a menstruação, articulando saúde, educação, sustentabilidade e enfrentamento de desigualdades.
O percurso entre território e Universidade dá o tom de uma programação que coloca diferentes experiências, conhecimentos e questões interseccionais em circulação durante a Semana Universitária.
Reflorestar o gênero e compartilhar vivências
Na terça-feira (22), às 14h30, a Maloca/UnB recebe “Reflorestando o gênero: indígenas LGBTQIAPN+, trans, não-bináries, two-spirit e queer”. Promovida pela Rede Arandu, a atividade combina mesa de debate e roda de conversa.
As vivências de indígenas LGBTQIAPN+ dentro da própria Universidade ganham continuidade na quarta-feira (23), às 15h, com a atividade “Vivências Indígenas LGBTQIAPN+: Saúde Mental, Permanência e Bem Viver na Universidade”. Realizado no Udfinho, no ICC Sul, o encontro terá dinâmicas interativas e oficina participativa.
A programação também ultrapassa os espaços físicos da Universidade. Entre 20 e 25 de setembro, a Rede Arandu realiza uma pesquisa on-line sobre a inclusão de indígenas e indígenas LGBTQIAPN+ na universidade. O formulário será divulgado posteriormente.
Ciência para experimentar, conversar e compartilhar
A comunicação científica também integra a programação. Na terça-feira (22), às 10h, o Menopausemos realiza a “Amostra Grátis de Comunicação Científica Participativa”, na sede do INCT Caleidoscópio.
Na sexta-feira (25), às 10h, o mesmo espaço recebe a roda de conversa “Programa Integrado de Inovação Tecnológica e Social: Educação Científica, Saúde Pública e Enfrentamento de Desigualdades Socioambientais no Distrito Federal”.
As atividades ampliam a programação para questões relacionadas à comunicação e à educação científica, à saúde pública e às desigualdades socioambientais, aproximando essas discussões dos espaços de diálogo abertos durante a Semuni.
Quando arte, cultura e território também entram na conversa
Na quinta-feira (24), às 16h, a Rede Arandu realiza uma Mostra de arte e cultura indígena na sede do INCT Caleidoscópio, no subsolo do ICC, Módulo 8. A atividade reúne exibição de filme e debate cultural.
A mostra se soma às rodas de conversa, debates, oficinas, pesquisa e atividades de comunicação científica que compõem a participação da Nucleação Centro-Oeste. Em diferentes formatos e espaços, a programação cria pontos de encontro entre universidade, territórios e sociedade durante a Semana Universitária.
Entre territórios, saberes e encontros: confira a programação
Ao longo da semana, as atividades ocupam diferentes espaços da UnB e do Distrito Federal, além do ambiente on-line. Confira abaixo a programação completa e programe-se para participar.
9h às 15h — Ação no Santuário dos Pajés Local: Santuário dos Pajés
21 de setembro | segunda-feira
Durante todo o dia — Atividades do Projeto MEInstruAÇÃO Educação menstrual, tecnologias menstruais, jogos educativos e atividades de ressignificação do tabu menstrual. Local: Stand Udfinho, ICC Sul
9h às 18h — Territórios Interseccionais: o INCT Caleidoscópio em Diálogo com a Sociedade Local: Stand Udfinho, ICC Sul
15h30 — Povos Indígenas e Justiça Climática: a resposta somos nós [Arandu] Palestra e debate Local: Sala de Atos do IREL/UnB
22 de setembro | terça-feira
10h — Amostra Grátis de Comunicação Científica Participativa [Menopausemos] Local: Sede do INCT Caleidoscópio
14h30 — Reflorestando o gênero: indígenas LGBTQIAPN+, trans, não-bináries, two-spirit e queer [Arandu] Mesa de debate e roda de conversa Local: Maloca/UnB
23 de setembro | quarta-feira
15h — Vivências Indígenas LGBTQIAPN+: Saúde Mental, Permanência e Bem Viver na Universidade [Arandu] Dinâmicas interativas e oficina participativa Local: Udfinho, ICC Sul
24 de setembro | quinta-feira
16h — Mostra de arte e cultura indígena [Arandu] Exibição de filme e debate cultural Local: INCT Caleidoscópio, ICC, Subsolo, Módulo 8
25 de setembro | sexta-feira
10h — Roda de Conversa | Programa Integrado de Inovação Tecnológica e Social: Educação Científica, Saúde Pública e Enfrentamento de Desigualdades Socioambientais no Distrito Federal Local: Sede do INCT Caleidoscópio
20 a 25 de setembro | atividade on-line
Pesquisa: inclusão de indígenas e indígenas LGBTQIAPN+ na universidade [Arandu] Formulário on-line — link a divulgar.
A programação geral da 26ª Semana Universitária e as atividades com inscrições abertas podem ser consultadas no SIGAA.
Vamos tomar um cafezinho (ou um chá) e aproveitar para ler textos que nos instrumentem em nossa busca por uma produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais ou contracoloniais?
Um cafezinho ou um chá, uma leitura prévia e uma conversa para colocar o pensamento em movimento. Essa é a proposta do Café Contracolonial – Introdução ao Pensamento Incômodo de Rita Segato, que realiza encontros semanais para leitura e discussão coletiva de textos voltados à produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais e contracoloniais.
Os encontros acontecem às terças-feiras, das 10h às 11h50, em formato híbrido. Presencialmente, o grupo se reúne na sede do INCT Caleidoscópio, na Universidade de Brasília (UnB), e participantes de outras localidades podem acompanhar as atividades simultaneamente pelo online.
A iniciativa é promovida pelo Grupo Temático Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES (GT-TER) e pelo Grupo Temático Histórias e Memórias de Mulheres: Educação e Visibilidade (GT-HMM), no âmbito da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, em parceria com o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB/) e o Instituto Federal de Brasília (IFB).
Café, leitura e troca de saberes
A proposta do Café Contracolonial é criar um espaço de encontro em torno de leituras que contribuam para a produção, recuperação e comunicação de conhecimentos decoloniais e contracoloniais. A cada semana, uma leitura de base é realizada previamente pelas pessoas participantes e pode ser acompanhada por um texto escrito ou material audiovisual complementar facultativo.
Depois de preparar o café ou o chá, os encontros começam com uma breve apresentação para recuperar a leitura prévia e abrir a discussão. A ideia é que os textos funcionem como impulso para as trocas e reflexões construídas coletivamente ao longo das reuniões.
Continue lendo para acessar o cronograma de leituras!
De Rita Segato a Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí: um percurso para incomodar pensamentos
A programação começou em agosto e segue até dezembro, com um percurso de leituras que passa principalmente pelas obras de Rita Segato e Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí.
Os primeiros encontros são dedicados a textos de Rita Segato que discutem temas como família, sexo e gênero, colonialidade, relações entre gênero e raça, patriarcado e territorialidade. Em outubro, o percurso passa a incorporar A invenção das mulheres, de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí, com a leitura do prefácio e de cinco capítulos da obra.
As discussões percorrem questões relacionadas às teorias ocidentais e aos sujeitos africanos, à cosmologia e às instituições socioculturais Oyó-Iorubás, às tradições orais, ao gênero, ao colonialismo e à tradução das culturas. A programação segue até 8 de dezembro, quando está prevista a leitura de Gênero, Política e Hibridismo, de Rita Segato.
Um café que também pode ser virtual
Para ampliar o alcance as pessoas interessadas, os encontros ocorrem em formato híbrido. Assim, leitoras e leitores que não residem em Brasília estão convidadas e convidados a passar um café, ou um chá, e se juntar a nós!
Vale pontuar que o formato híbrido tem permitido que a roda de conversa ultrapasse o espaço físico da Universidade de Brasília. Segundo Jacqueline Fiuza, os encontros já contaram com participantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Roraima e de Brasília.
A participação a distância amplia, assim, as possibilidades de encontro e troca entre pessoas de diferentes localidades, enquanto quem está presencialmente compartilha também o cafezinho — ou o chá — que inspira o nome e a dinâmica da atividade.
Prepare-se para o café (ou o chá) e participe
O Café Contracolonial acontece às terças-feiras, das 10h às 11h50. Em Brasília, os encontros presenciais são realizados na sede do INCT Caleidoscópio, Ala Sul, Módulo 8, Instituto Central de Ciências (ICC), Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília.
Quem não puder estar presencialmente pode acompanhar os encontros on-line pelo Microsoft Teams.
Acesse a sala do Café Contracolonial no Microsoft Teams pelo link clicando aqui!
Para mais informações, escreva para gtter@unb.br.
Mesa de café. Imagem/Reprodução: Arquivo INCT Caleidoscópio.
"Mesa pronta para esperar vocês pro nosso café contracolonial. Quem não puder estar presencialmente pode chegar junto por aqui, acesse pelo Link para estar conosco nos encontros deste semestre 🤗!", convida Jacqueline.
Confira o percurso de leituras dos encontros
Data
Leitura
18/08
Seminário GT HMM
25/08
Texto 1:Inventando a natureza: família, sexo e gênero no Xangô do Recife — Rita Segato
01/09
Texto 2:Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial — Rita Segato
08/09
Texto 3:O Édipo brasileiro: a dupla negação de gênero e raça — Rita Segato. Leitura complementar: Como o racismo criou o Brasil — Jessé Souza (tradução livre)
15/09
Texto 4:Patriarcado: Del borde al centro. Disciplinamiento, territorialidad y crueldad en la fase apocalíptica del capital — Rita Segato
13/10
Texto 5:El sexo y la norma: frente estatal, patriarcado, desposesión, colonialidad — Rita Segato
20/10
Texto 6: Prefácio — A invenção das mulheres — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
27/10
Texto 7: Capítulo 1 — A invenção das mulheres: Visualizando o corpo: teorias ocidentais e sujeitos africanos — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
03/11
Texto 8: Capítulo 2 — A invenção das mulheres: (Re)constituindo a cosmologia e as instituições socioculturais Oyó-Iorubás — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
10/11
Texto 9: Capítulo 3 — A invenção das mulheres: Fazendo história, criando gênero: a invenção de homens e reis na escrita das tradições orais de Oyó — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
17/11
Texto 10: Capítulo 4 — A invenção das mulheres: Colonizando corpos e mentes: gênero e colonialismo — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
24/11
Texto 11: Capítulo 5 — A invenção das mulheres: A tradução das culturas: generificando a linguagem, a oralitura e a cosmopercepção iorubás — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
01/12
Texto 12: Posfácio — A invenção das mulheres — Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí; Uma obra referencial para a afirmação do pensamento e dos modos de existências africanos — Claudia Miranda
08/12
Texto 13:Gênero, Política e Hibridismo — Rita Segato
O Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas inicia, no dia 14 de agosto, uma série de encontros quinzenais para a leitura comunitária e rodas de conversa sobre a obra Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. A atividade integra um projeto de extensão e será realizada às sextas-feiras, às 15h30, na sede do INCT Caleidoscópio e, sempre que possível, nas áreas verdes do Campus Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília (UnB).
A proposta parte da literatura como espaço para o acesso a diferentes perspectivas e narrativas e da leitura de autoras negras como uma prática política feminista e antirracista. Ao reunir participantes em torno da leitura e da partilha de experiências, o Clube busca construir momentos de aquilombamento, reconexão, teorização, resgate da ancestralidade e fortalecimento da imaginação de outros futuros possíveis para mulheres negras e suas comunidades.
Nesta primeira etapa do Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas, os encontros serão dedicados à leitura de Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. A dinâmica inclui um chazinho, leitura comunitária e rodas de conversa sobre a obra, realizadas ao ar livre sempre que as condições permitirem. Os capítulos e as páginas que orientarão cada encontro serão definidos coletivamente de uma atividade para a outra.
A programação começa em 14 de agosto e segue com encontros nos dias 28 de agosto, 11 e 25 de setembro e 23 de outubro. No dia 6 de novembro, será realizada a avaliação do semestre, seguida pelo planejamento do semestre seguinte e uma confraternização.
O projeto de extensão contará com certificação ao final das atividades. Os encontros acontecem na sede do INCT Caleidoscópio, localizada na Ala Sul, Subsolo, Módulo 8, e em outros espaços ao ar livre do Campus Darcy Ribeiro, quando o tempo permitir.
Confira a programação
Programação Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas.
Resumo
Clube do Livro Escritoras Afrodiaspóricas: Um Defeito de Cor (Parte 1)
Início: 14 de agosto de 2026
Horário: sextas-feiras, às 15h30, quinzenalmente
Local: sede do INCT Caleidoscópio – ICC Sul, Subsolo, Módulo 8 – e áreas verdes do Campus Darcy Ribeiro
Atividade: leitura comunitária e rodas de conversa sobre Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves
Certificação: projeto de extensão com certificado ao final
Encontro apresentou a proposta e as ações já desenvolvidas pelo Observatório Caleidoscópio e pela Incubadora Social Feminista, destacando experiências de formação com estudantes da pré-iniciação científica e perspectivas de institucionalização da iniciativa na Universidade.
A Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recebeu, no dia 22 de julho, a equipe da Incubadora Social Feminista de Inteligência Artificial (IA), vinculada ao INCT Caleidoscópio em sua nucleação Sul-Sudeste, para uma reunião de apresentação das ações desenvolvidas pelo Instituto e discussão de possibilidades de fortalecimento institucional da Incubadora, que está em implementação na Universidade desde 2025. O encontro reuniu a professora Ana Frattini, Pró-reitora de Pesquisa; o professor Eduardo José Marandola Junior, assessor docente da Pró-Reitoria; a professora Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio e uma das coordenadoras do Observatório Caleidoscópio na nucleação Sul-Sudeste; Mirlene Simões, pós-doutoranda no INCT e Letícia Moreira, jornalista de ciência no INCT.
Durante a reunião, a equipe apresentou o Instituto e o Observatório, seus principais eixos de atuação e instrumentos de pesquisa, formação e articulação. O foco foi a Incubadora Social Feminista de IA, iniciativa que busca fomentar processos de produção crítica de conhecimento comprometidos com a justiça social, a equidade de gênero e a inovação científica.
Na Unicamp, o INCT, seu Observatório e a Incubadora estão sediados no Núcleo de Estudos de Gênero Pagu. Para Ana Frattini, a reunião marcou o início de conversas e novas parcerias possíveis junto à Universidade. “Vejo muitas oportunidades de aproximação da Unicamp com as atividades que estão sendo desenvolvidas pela Incubadora”, declara a pró-reitora.
Aproximações institucionais
Mirlene Simões apresentou o plano estratégico da Incubadora, que tem como um dos objetivos atrair jovens estudantes para as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Também foram relatadas as atividades junto a cinco estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende (EEBGR), em Campinas, bolsistas do programa de iniciação científica científica para o Ensino Médio, o PIBIC-EM, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), realizado por meio do Observatório.
Simões, que é uma das responsáveis pela condução das atividades com as alunas, evidenciou o potencial da Incubadora na formação de jovens pesquisadoras e na aproximação entre universidade, escola e comunidade. As ações desenvolvidas demonstram como a pesquisa pode contribuir para a formação científica desde a educação básica.
Para Karla Bessa, o encontro com a PRP foi estratégico, pois a proposta da Incubadora é principalmente fomentar a pesquisa e a produção crítica de conhecimento para gerar novas tecnologias sociais. “Estamos tratando de pesquisa, de formação crítica e estudos sobre as linguagens, como o audiovisual, para podermos chegar na Inteligência Artificial como linguagem com potencial para ações pela justiça social”, comenta. Bessa destaca que o objetivo da iniciativa difere do modelo tradicional de incubadoras voltadas ao empreendedorismo. “O propósito da Incubadora não é gerar CNPJs, mas incubar ideias, pesquisas e conceitos”, explica.
O encontro ampliou o diálogo sobre possibilidades de institucionalização junto à Unicamp. A conversa permitiu identificar convergências entre as ações desenvolvidas pela Incubadora e as políticas de pesquisa e formação da Universidade, apontando caminhos para futuras parcerias e para o fortalecimento de iniciativas voltadas à produção de conhecimento socialmente comprometido.
Para Frattini, a reunião foi um passo importante pois esclareceu efetivamente o que significa uma proposta de incubação social. “Com esse primeiro passo dado, é importante agora que nós da PRP consigamos planejar o futuro desta parceria para incluir o trabalho da Incubadora naquilo que a gente pensa para uma nova Unicamp e seus novos espaços”, declara.
Para o professor Eduardo José, assessor da PRP, a proposta da Incubadora abre muitas possibilidades contemporâneas de atuação das áreas ligadas às ciências humanas. “Isso não em uma dicotomia com outras áreas, mas numa perspectiva bastante integrada, atual e necessária para enfrentarmos desafios sociais contemporâneos, em especial na formação, produção e participação no conhecimento científico”, completa.
Uma incubadora social feminista com ênfase em Inteligência Artificial (IA)
A Incubadora Social Feminista de IA (2025-2027) tem como principal intuito ser um espaço de formação crítica de estudantes da rede pública de ensino, em especial meninas negras e periféricas, com ênfase em temáticas como justiça climática, tecnologia, inteligência artificial e equidade de gênero. Está institucionalmente vinculada ao INCT Caleidoscópio por meio do Observatório Caleidoscópio Sul/Sudeste.
Atualmente, os encontros semanais com as estudantes da Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende têm se voltado a leituras sobre gênero, raça e diversidade, além de uma formação para a linguagem e recursos audiovisuais. Em 2025, a Incubadora promoveu o Fórum Permanente “Inteligência Artificial, Ciência e Ética – Alternativas para um Futuro Menos Algorítmico”, junto à Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), o Pagu e a Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN) da Unicamp, realizado presencialmente no Centro de Convenções (CDC) da Unicamp, transmitido ao vivo no canal do Youtube da Universidade.
A proposta da Incubadora é que as experiências desenvolvidas estejam ancoradas em experiências locais e possam gerar tecnologias sociais e produtos educativos, como chatbots feministas, cartilhas e kits pedagógicos, plataformas online com recursos abertos e acessíveis, além de publicações científicas e relatórios de impacto. A expectativa é que mais de 100 estudantes sejam contempladas com os programas de formação. Além disso, espera-se expandir as parcerias institucionais com secretarias de educação e instituições de ensino.