Lançado no dia 9 de abril de 2026, o podcast “Nós Somos - Tybyras do Brasil” é uma produção da Rede Arandu no eixo temático Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica do INCT Caleidoscópio. Em formato digital disponível no Spotify, a proposta conecta o público à narrativas sobre gênero e sexualidade a partir da escuta ativa de relatos de pessoas indígenas LGBTQIA+.
A pergunta que fica é:como produzimos conteúdo quando o estúdio é a própria atuação dentro da maior mobilização indígena do país?
À primeira vista, para nós, gravar um podcast parecia uma atividade de possível controle. Microfone e demais equipamentos configurados com uma ou mais pessoas dispostas a falar sobre um roteiro prévio em um ambiente com isolamento acústico. Porém, integrantes da Rede Arandu que atuaram na edição do ano de 2026 do Acampamento Terra Livre (ATL), realizado anualmente em Brasília, podem relatar experiências desafiadoras e diferentes da programadas em gravação fora do estrutura do estúdio.
O ATL é um evento vivo, não se parece em nada com um estúdio com isolamento sonoro. Enquanto a equipe faz a captação de um depoimento sobre a realidade dos indígenas LGBTQIA+, a poucos metros acontece uma assembleia, em outro espaço acontece o encontro das mulheres, diálogos distintos de todas as direções. Longe de serem vistos como um problema técnico, esses "ruídos", ou melhor, essas camadas sonoras fazem parte do podcast da Rede Arandu.
“No começo, tentamos isolar o áudio. Foi frustrante. Depois, entendemos: o som do acampamento é documento”, relata uma das participantes da equipe.
O desafio técnico, portanto, transformou-se em escolha que traduz nossa atuação no espaço. Em vez de tentativas frustradas de mutar o som ambiente, nós passamos a produzir episódios que não apenas informam, mas transportam o público para dentro da maior mobilização indígena do país.
Quem participa?
O processo de seleção das vozes que integram o podcast também é orgânico e relacional. Existe uma lista prévia para contato de pessoas indígenas LGBTQIA+; no entanto, dificilmente são com essas que conseguimos gravar. O que fazemos é experimentar. No processo de estar no acampamento, conhecemos pessoas, e é nesse encontro presencial que nos leva a conhecer novas pessoas indígenas LGBT+.
Embora haja um convite prévio para gravar com lideranças conhecidas, são as rodas de conversa informal no dia a dia, as filas para alimentação e os momentos de descanso nas tendas que nos levam a outras pessoas. Ao passo que a sociabilidade acontece, o podcast nasce.
Próximos passos
A Rede Arandu gravou uma série de entrevistas com participantes do Acampamento Terra Livre segunda 2026 para a segunda temporada de Nós Somos - Tybyras do Brasil. O programa é uma ação de comunicação científica que traz trajetórias políticas e ecoa vozes de quem estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.
Assim, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.
Assim como a primeira temporada, trouxemos relatos potentes de vivências, experiências e trajetória política como indígena LGBTQIANP+.
Acesse a primeira temporada pelo link abaixo e permaneçam atentos as redes sociais do INCT Caleidoscópio para acompanar as novidades produzidas pela nossa equipe e o lançamento da segunda temporada do podcast Somos Nós - Tybyras do Brasil.
"Nós Somos - Tybyras do Brasil" é um programa que traz trajetórias políticas e ecoa vozes que estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.
"Nós somos.
Assim começa o Manifesto Indígena LGBTQIAP+, lançado em 2024. Uma afirmação, um coletivo, um verbo. Desde então, temos nos aproximado de pessoas e coletivos que desobedecem os sentidos coloniais sobre corpo, gênero e desejo. Seguimos para escutar múltiplos corpos-território, cada qual com seu modo de existir, lutar e reinventar o mundo.
Este é o podcast da Rede Arandu, um momento para escutar com calma e compartilhar caminhos com pessoas indígenas, e refletir sobre gênero e sexualidade. Aqui, conversamos sobre histórias, lutas e modos de existir que resistem a mais de 500 anos de violência."
E assim começa o episódio de abertura da primeira temporada do podcast "Nós Somos - Tybyras do Brasil", uma iniciativa da Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.
Com narração de Ramona Jucá, o primeiro episódio apresenta os fundamentos da série e seu posicionamento político: constituir um espaço de escuta, encontro e circulação de saberes sobre gênero, sexualidade e existência indígena, a partir das vozes de pessoas indígenas LGBTQIAPN+. Entre território, corpo e ancestralidade, é construído o ponto de partida de uma série que nasce do diálogo entre pesquisa, ativismo e vida.
O programa é composto por uma série de entrevistas gravadas com participantes do Acampamento Terra Livre, presentes no ano de 2025. A cada episódio é evidenciado trajetórias políticas, disputas por direitos e a afirmação de múltiplas formas de existência. Ao dar visibilidade a essas vozes, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.
"Aqui, você vai entender o que é a Rede Arandu e como ela atua; de onde surge este podcast e quais caminhos ele percorre; porque escutar vozes indígenas LGBTQIAPN+ é urgente hoje. Este é um episódio-manifesto. Um começo que apresenta, convoca e abre caminhos.", diz Ramona em sua narração de abertura.
A iniciativa integra as ações da Rede Arandu, vinculada à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, que articula pesquisa, políticas públicas e movimentos sociais, com enfoque nas interseccionalidades de gênero, sexualidade, raça e etnia.
"O que fazemos é aproximar Estado, universidade e movimentos sociais para fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Nosso trabalho se apoia numa perspectiva interseccional, olhando com cuidado para as vivências e diversidades de gênero e sexualidade.", complementa Ramona em seu discurso.
O programa conta com oito episódios e está disponível nas plataformas de streaming Spotify e YouTube. Ouça o primeiro episódio pelo link abaixo!
Com grande alegria, informamos que o segundo episódio da série PodHMM, uma produção do GT Histórias e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade (GT HMM), desta vez produzido em cooperação com o GT Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES (GT TER), está no ar.
Neste segundo episódio do Pod HMM, o papo sobre pesquisa engajada foi conduzido por Joana Plaza Pinto, professora da Universidade Federal de Goiás, pesquisadora do CNPq e integrante do GT Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES (GT TER), do INCT Caleidoscópio. Para falar sobre metodologias de pesquisas engajadas para transformação social e política, Joana conversou com as pesquisadoras do INCT Caleidoscópio Maria Carmen Aires Gomes, coordenadora do Projeto Me(i)nstruação (FAP-DF/CNPq) e Jacqueline Fiuza da Silva Regis, coordenadora do projeto Menopausemos (CNPq).
O episódio contou ainda com a parceria do projeto “Sobre metapragmáticas, subjetivação e redistribuição da materialidade semiótica entre estudantes migrantes”, financiado pelo CNPq e pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Goiás, projeto ligado ao grupo de pesquisa Perspectivas Linguísticas Contemporâneas, da Universidade Federal de Goiás, coordenado por Joana Plaza Pinto, e com o GT Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES, do qual Joana também é integrante.
Joana esteve de 1993 a 2012 envolvida em diferentes formações feministas como parte da sua atuação no Grupo Transas do Corpo, grupo feminista que atuou em Goiás desde 1987. Segundo ela, foi no feminismo que conheceu a prática colaborativa tanto de pesquisa quanto de formação, desenvolvida em ambientes coletivos, sempre de olho na ação e na transformação social.
Maria Carmen Aires Gomes é Professora Titular da Universidade de Brasília, atuante no CEAM - Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares. Ela foi durante 25 anos professora da Universidade Federal de Viçosa, onde fundou o grupo de pesquisa AFECTO. Atualmente integra Comitê Gestor do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades, Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências (CNPq 406771/2022-7 ). É editora do periódico RALED/ALED e Coordenadora geral do Projeto MEInstruAÇÃO.
Jacqueline Fiuza da Silva Regis é atualmente pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística, UnB e coordenadora na Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, nucleação Centro-Oeste, dos Grupos Temáticos “Saúde das mulheres em escolas e IES”; “Tecnologias de enfrentamento a racismos em escolas e IES” e “Histórias e memórias de mulheres: educação e visibilidade”. Jacqueline é Bolsista Conhecimento Brasil/CNPq, com o projeto “MenoPausemos: pesquisa, extensão e comunicação científica sobre corpos em idade (pós-)menstrual” (CNPq 446078/2024-7) e integra o Núcleo de Estudos Linguagem e Sociedade, CEAM/UnB, e o LabEC, Laboratório de Estudos Críticos do Discurso, do IL/UnB.
Podcasts trazem entrevistas com pesquisadora quilombola, professora de Criminologia da Universidade de Lancaster e professora que atua na ouvidoria da UNESP nos casos de denúncias de assédio.
Por: Inara Fonseca em 13/5/2024
O INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências lança, nesta segunda-feira (13/05), três séries de podcasts com distintos focos no debate sobre mulheres nas ciências. O podcast “Trajetórias feministas de pesquisa”, organizado pela equipe de divulgação científica do INCT Caleidoscópio, é focado nas trajetórias de mulheres cientistas do Brasil e do Mundo. Já o “Mulheres quilombolas nas ciências: de quilombola para quilombola”, idealizado pela Incubadora de Pesquisa Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, apresenta a contribuição das mulheres quilombolas para as ciências. O “Universidade Livre de Assédio”, idealizado pela coordenação Sul-Sudeste do Observatório Caleidoscópio, traz diálogos entre pesquisadoras que têm pensado, criado e aplicado políticas de enfrentamento às violências e assédios nas universidades e, também, criado ações afirmativas de equidade de gênero, raça e classe na ciência.
Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT-Caleidoscópio, pesquisadora do Núcleo Pagu-Unicamp e uma das responsáveis pelas ações de Divulgação e Popularização Científica do INCT Caleidoscópio destaca a importância da apropriação do podcast para democratização da comunicação. “O formato digital do podcast é um tipo de mídia estreitamente relacionada com uma das mais populares tecnologias de comunicação, o rádio, que se tornou um poderoso veículo de produção, circulação e apropriação de ideias/ideais. No entanto, rapidamente, os rádios tornaram-se conglomerados e o seu potencial democrático foi mercantilizado e trocado pelo lucro. As rádios populares (algumas delas tiveram existência ilegal) foram fundamentais para a retomada da participação mais ampla na produção de conteúdos. Hoje, temos uma brecha de autonomia política e teórica fundamental com o uso dos podcasts, apesar das muitas capturas por monopólios de plataformas digitais e seus respectivos interesses ideológicos”, pontua.
Bessa também destaca as diferentes maneiras de educação institucional e popular que estão utilizando-se do podcast como forma de se comunicar com a população. “Muitas universidades no Brasil e no Mundo, por exemplo, usam esse dispositivo para estabelecerem um processo mais próximo, horizontal e democrático na produção de debates, informações e, no nosso caso, divulgação de pesquisas, ações e trajetórias acadêmicas que nos permitam estar em diálogo entre nós (feministas, antirracistas, decoloniais e lgbtia+ includentes) e com outras tantas pessoas”, explica.
De acordo com a pesquisadora, o podcast também retoma algo considerado fundamental para uma perspectiva feminista amefricana, as “rodas de conversa”, os “bate-papos”, os “testemunhos e depoimentos” que marcaram importantes práticas de mobilização feminista.
“A fala que rompe os tantos silenciamentos aos quais historicamente as meninas, mulheres e pessoas trans foram expostas (e dentre essas, grupos ainda mais alijados de visibilidade nos grandes veículos de comunicação em massa, como mulheres negras das periferias, dos quilombos, das aldeias e comunidades originárias) aliada à escuta atenta, que retém inspirações e alimenta novos imaginários a partir das trocas, faz do dispositivo podcast um importante aliado das nossas lutas por mais equidade, diversidade, possibilidades de dissidências e discordâncias, em bases solidamente democráticas e respeitosas de interação social, em especial, nos ambientes de ensino e pesquisa”, conclui.
O que você vai encontrar nos podcasts?
No primeiro episódio de “Trajetórias feministas de pesquisa”, gravado na Inglaterra enquanto a professora Karla Bessa realizava uma visita técnica ao King´s College em Londres e à Universidade de Lancaster, você vai conhecer sobre o trabalho e vida da Dra. Esmorie Miller, professora de Criminologia na Universidade de Lancaster, que vem desenvolvendo pesquisas com foco na intersecção raça, juventude, gênero e exclusão.
Já no primeiro episódio de “Mulheres quilombolas nas ciências: de quilombola para quilombola”, Naryanne Ramos, quilombola de Vila Bela da Santíssima Trindade (MS) recebe Givânia Maria da Silva. Nascida em Salgueiro (PE), no ano de 1967, Givânia é quilombola, professora, pesquisadora e ativista negra. Sua trajetória inclui a fundação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), onde desempenha um papel fundamental.
Finalmente, no primeiro episódio de “Universidade Livre de Assédio”, as pesquisadoras Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo entrevistam a professora, historiadora e ouvidora da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Lídia Maria Vianna Possas. Na entrevista, Lídia fala sobre sua atuação na ouvidoria da UNESP e como começou a atuar mais diretamente nos casos de denúncia de assédio a partir do projeto “Sobrevivência Frente à Violência de Gênero no Espaço Acadêmico", iniciado em 2017.
Para tornar a circulação da informação mais acessível, todos os episódios possuem audiodescrição que está disponível no canal do INCT Caleidoscópio no Youtube. Esperamos que gostem, divulguem, inscrevam-se no nosso canal do YouTube e deixem seus comentários.
As séries de podcast do INCT Caleidoscópio são apoiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (FUNCAMP). Agradecemos o apoio.