Menopausemos estreia podcast com debate sobre menopausa, envelhecimento e mulheres no mundo do trabalho

Menopausemos estreia podcast com debate sobre menopausa, envelhecimento e mulheres no mundo do trabalho

Primeiro episódio recebe a pesquisadora Simone Marília Lisboa para discutir os silenciamentos em torno da menopausa, o etarismo e as desigualdades que atravessam as trajetórias profissionais das mulheres.

O que acontece quando a menopausa chega, mas não encontra espaço para ser discutida? Como o envelhecimento atravessa a trajetória profissional das mulheres e por que falar sobre essa fase da vida ainda pode representar um risco de exposição no ambiente de trabalho? Essas questões estão no centro do primeiro episódio do Menopausemos, novo podcast do INCT Caleidoscópio, que estreia com uma conversa sobre menopausa, envelhecimento, etarismo e as experiências das mulheres nas organizações.

Na estreia, Jacqueline Fiuza da Silva Regis, acompanhada por Ana Gabriela de Souza Silva e Julia Lene da Silva Souza, recebe Simone Marília Lisboa, pesquisadora e professora da área de Administração do Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

Doutora em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com estágio-sanduíche na Universidad Complutense de Madri e estágio pós-doutoral na Universidade de Salamanca, na Espanha, Simone coordena o Centro de Pesquisa e Inovação em Consumo, Mercados e Negócios de Jacareí (CEPIN-JCR), do IFSP.

A conversa apresenta o percurso de pesquisas que investigam como a menopausa é representada socialmente, os silêncios que cercam essa experiência e seus efeitos sobre o reconhecimento e a permanência das mulheres no mundo do trabalho.

O elefante na sala de estar e o “prazo de validade” das mulheres

Durante a entrevista, Simone apresenta o projeto de pesquisa “O Elefante na Sala de Estar”, desenvolvido a partir de conversas com sua colega, a pesquisadora Denise Franca Barros, sobre uma fase da vida ainda pouco discutida na sociedade. O título faz referência a algo que está presente, causa incômodo, mas permanece sem ser nomeado ou debatido.

“Essa coisa que incomoda, que tá presente, mas que não se fala sobre isso”, explica Simone ao comentar a escolha do nome.

Uma das investigações que antecederam o projeto analisou a presença da menopausa na revista Cláudia. No levantamento realizado por Denise, foram encontradas apenas três reportagens sobre o tema em mais de 30 anos da publicação. Conforme a análise apresentada no episódio, a menopausa aparecia associada ao ocultamento e à invisibilização dessa fase da vida.

A pesquisa avançou para entrevistas com mulheres em cargos de liderança, buscando compreender como a menopausa muitas vezes é silenciada no ambiente de trabalho e atravessada pelo etarismo. Ao longo das conversas, as pesquisadoras identificaram dificuldades para falar sobre sintomas e envelhecimento, além do receio de que o reconhecimento e a trajetória profissional fossem comprometidos.

Desse percurso resultou o artigo “Menopausa como prazo de validade: a experiência de lideranças femininas”, publicado no periódico Cadernos EBAPE.BR. O trabalho investiga a menopausa como um limite simbólico para mulheres, um “prazo de validade” que pode inviabilizar e deslegitimar experiências femininas, impactando negativamente o desempenho e a equidade de gênero.

Para Simone, a associação entre gênero e envelhecimento cria barreiras que se acumulam ao longo da trajetória profissional:

“A gente vai entendendo que a mulher tem um teto de vidro duplo pro crescimento dela.”

A expressão chama atenção para a combinação de preconceitos de gênero e idade, discutida a partir das experiências de mulheres que enfrentam dificuldades para alcançar ou permanecer em posições de liderança, além de outras interseccionalidades que podem aparecer. Enquanto homens continuam ocupando cargos de poder em idades avançadas, mulheres com mais de 50 anos ainda encontram preconceitos associados ao envelhecimento, explica Simone.

A conversa também apresenta os desdobramentos da pesquisa em direção a uma perspectiva mais interseccional. Ao ampliar as entrevistas para diferentes experiências raciais e sociais, o grupo passou a investigar como raça, renda, acesso à saúde e relações de cuidado atravessam a vivência da menopausa.

Nesse processo, a troca de experiências entre mulheres aparece não apenas como parte da investigação, mas também como uma possibilidade de reconhecimento e construção coletiva de conhecimento.

“O compartilhamento é um espaço de processamento, é um espaço de entendimento, de se reconhecer na outra.”

Entre os temas discutidos estão ainda as diferenças no acesso à informação e aos cuidados de saúde, o trabalho não remunerado de cuidado e a expansão de um mercado de produtos e serviços voltados às mulheres na menopausa. As pesquisadoras problematizam como essas questões se relacionam com desigualdades sociais e com a necessidade de respostas coletivas, para além de soluções individuais.

Da experiência com a perimenopausa à construção do Menopausemos

Antes de iniciar a entrevista, Jacqueline Fiuza compartilha a história que a levou a desenvolver o projeto e a retornar à pesquisa acadêmica. Ao vivenciar mudanças no próprio corpo, dificuldades para dormir, alterações de humor e transformações em sua rotina, a pesquisadora percebeu o quanto desconhecia a perimenopausa e a menopausa, e como eram limitadas as informações que circulavam sobre essa fase da vida da mulher que é pouco abordado.

“Na maior parte da minha vida eu não ouvia falar disso. Isso realmente não tinha um lugar nas conversas cotidianas”, relata Jacqueline no episódio.

A experiência pessoal, somada aos desafios da maternidade e da atuação docente, motivou a pesquisadora a buscar respostas e a transformar suas inquietações em um projeto de pesquisa. Após um período vivendo e trabalhando na Alemanha, Jacqueline retornou ao Brasil pelo Programa Conhecimento Brasil, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para desenvolver sua proposta no INCT Caleidoscópio.

O projeto “MenoPausemos: pesquisa, extensão e comunicação científica sobre corpos em idade (pós-)menstrual” articula análise crítica e decolonial do discurso, produção de conhecimento e troca de experiências sobre corpos que menstruam ou menstruavam. A proposta considera a menopausa para além de sua dimensão biológica, observando também como gênero, raça, classe, território e outras desigualdades atravessam essa experiência.

Leia também: Jacqueline Fiuza, pesquisadora do INCT Caleidoscópio, retorna ao país pelo programa de Repatriação de Talentos Conhecimento Brasil em contexto de diáspora científica

O Menopausemos surge como parte desse percurso de pesquisa, extensão e comunicação científica. Idealizado e realizado pelo Grupo Temático (GT) Saúde da Mulher em escolas e IES, vinculado à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, o podcast dedica sua primeira série à menopausa, abrindo espaço para conversas com pesquisadoras e para o compartilhamento de conhecimentos e experiências sobre o tema.

A iniciativa também dialoga com outras ações desenvolvidas por Jacqueline. Coordenadora da Incubadora Social da Nucleação Centro-Oeste, bolsista Conhecimento Brasil/CNPq e vice-coordenadora do CIP Caleidoscópio, a pesquisadora atua na articulação de grupos temáticos voltados à saúde das mulheres, ao enfrentamento dos racismos e às histórias e memórias de mulheres.

Essa perspectiva está presente na própria construção do podcast, que busca aproximar pesquisadoras de diferentes áreas e reconhecer a importância de experiências diversas na produção do conhecimento científico. O encontro com Simone Lisboa, que também teve origem na busca por interlocutoras interessadas na temática, marcou um dos primeiros passos de uma colaboração entre o CEPIN-JCR, do IFSP, e as pesquisadoras do Projeto Menopausemos.

A produção do Menopausemos também dialoga com outras iniciativas de comunicação científica desenvolvidas no INCT Caleidoscópio por Jacqueline Fiuza, como o Pod HMM, podcast do GT Histórias e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade. Com episódios bimestrais sobre trajetórias de mulheres nas ciências, a série valoriza histórias de pesquisadoras experientes, iniciantes e mulheres atuantes em movimentos sociais, destacando suas lutas, conquistas e desafios.

A proposta é dar visibilidade a essas narrativas e construir um acervo sobre a atuação de mulheres em diferentes áreas do conhecimento e na defesa dos direitos humanos. Assim como o Menopausemos, o Pod HMM integra as ações de pesquisa, extensão e comunicação científica do Instituto e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Leia também: O segundo episódio do Pod HMM está no ar com o tema pesquisa engajada

Ouça o primeiro episódio do Podcast Menopausemos

A proposta de encontro e reconhecimento também aparece na vinheta de abertura do Menopausemos. Diferentes mulheres foram convidadas a compartilhar palavras que vêm à cabeça quando se fala em menopausa, compondo uma abertura coletiva para uma série que pretende ampliar a circulação de conhecimentos e experiências sobre o tema.

Ao reunir vivências pessoais, pesquisas acadêmicas e questões relacionadas ao trabalho, ao cuidado e às desigualdades sociais, o primeiro episódio apresenta a menopausa como assunto que não se limita à experiência individual. A conversa com Simone Lisboa inaugura, assim, um espaço de diálogo entre pesquisadoras e diferentes públicos, tendo a comunicação científica como parte da construção coletiva de conhecimentos sobre a saúde das mulheres.

No episódio de estreia, Jacqueline convida outras pesquisadoras e pessoas interessadas a se aproximarem dessas atividades, que incluem encontros mensais realizados virtualmente para articular pesquisa, extensão, formação e espaços de troca entre pessoas de diferentes instituições e regiões.

O podcast conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). E o episódio de estreia está disponível nas plataformas digitais: Ouça no Spotify e Assista no YouTube.

Ficha técnica Podcast Menopausemos

Entrevistada convidada: Simone Marília Lisboa
Entrevistadora: Jacqueline Fiuza da Silva Regis
Roteiro: Daniele Gruppi de Mendonça
Gravação, produção e edição de áudio: Julia Lene da Silva Souza, Ana Gabriela Souza, Jacqueline Fiuza e Darã Maia Fernandes
Local da gravação: ambiente virtual conectando São Paulo, Brasília e Nova Andradina
Vinheta: Darã Maia Fernandes e Jacqueline Fiuza da Silva Regis
Identidade sonora: Darã Maia Fernandes
Identidade visual: Luiz Ricardo da Silva Oliveira
Redação: Julia Lene da Silva Souza e Jacqueline Fiuza da Silva Regis
Distribuição e divulgação: Inara Fonseca e Cintia de Freitas Rodrigues Loureiro
Coordenação de produção: Jacqueline Fiuza da Silva Regis

Vozes na vinheta: Andréa Oliveira de Sá, Cintia de Freitas Rodrigues Loureiro, Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski, Francely Furtado, Gabriela Maia Silva, Glauce Vaz Feijó, Grace Kelly Leite, Inara Fonseca, Julia Lene, Letícia Moreira de Oliveira, Maja Tillmann, Márcia Franklin Rios, Marcia Regina Ferreira dos Santos Silva, Maria Carmen Aires, Morgani Guzzo, Raylton Tavares, Renato Fiuza da Silva Regis, Sandra Regina de Souza Regis, Silvéria Maria dos Santos e Simone Lisboa.

Podcast “Nós Somos – Tybyras do Brasil” grava sua segunda temporada durante o Acampamento Terra Livre na edição de 2026

Podcast “Nós Somos – Tybyras do Brasil” grava sua segunda temporada durante o Acampamento Terra Livre na edição de 2026

Escrito por: Azzy Melo

Lançado no dia 9 de abril de 2026, o podcast “Nós Somos - Tybyras do Brasil” é uma produção da Rede Arandu no eixo temático Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica do INCT Caleidoscópio. Em formato digital disponível no Spotify, a proposta conecta o público à narrativas sobre gênero e sexualidade a partir da escuta ativa de relatos de pessoas indígenas LGBTQIA+.

A pergunta que fica é: como produzimos conteúdo quando o estúdio é a própria atuação dentro da maior mobilização indígena do país?

À primeira vista, para nós, gravar um podcast parecia uma atividade de possível controle. Microfone e demais equipamentos configurados com uma ou mais pessoas dispostas a falar sobre um roteiro prévio em um ambiente com isolamento acústico. Porém, integrantes da Rede Arandu que atuaram na edição do ano de 2026 do Acampamento Terra Livre (ATL), realizado anualmente em Brasília, podem relatar experiências desafiadoras e diferentes da programadas em gravação fora do estrutura do estúdio.

O ATL é um evento vivo, não se parece em nada com um estúdio com isolamento sonoro. Enquanto a equipe faz a captação de um depoimento sobre a realidade dos indígenas LGBTQIA+, a poucos metros acontece uma assembleia, em outro espaço acontece o encontro das mulheres, diálogos distintos de todas as direções. Longe de serem vistos como um problema técnico, esses "ruídos", ou melhor, essas camadas sonoras fazem parte do podcast da Rede Arandu.

“No começo, tentamos isolar o áudio. Foi frustrante. Depois, entendemos: o som do acampamento é documento”, relata uma das participantes da equipe.

O desafio técnico, portanto, transformou-se em escolha que traduz nossa atuação no espaço. Em vez de tentativas frustradas de mutar o som ambiente, nós passamos a produzir episódios que não apenas informam, mas transportam o público para dentro da maior mobilização indígena do país.

Quem participa?

O processo de seleção das vozes que integram o podcast também é orgânico e relacional. Existe uma lista prévia para contato de pessoas indígenas LGBTQIA+; no entanto, dificilmente são com essas que conseguimos gravar. O que fazemos é experimentar. No processo de estar no acampamento, conhecemos pessoas, e é nesse encontro presencial que nos leva a conhecer novas pessoas indígenas LGBT+.

Embora haja um convite prévio para gravar com lideranças conhecidas, são as rodas de conversa informal no dia a dia, as filas para alimentação e os momentos de descanso nas tendas que nos levam a outras pessoas. Ao passo que a sociabilidade acontece, o podcast nasce.

Próximos passos

A Rede Arandu gravou uma série de entrevistas com participantes do Acampamento Terra Livre segunda 2026 para a segunda temporada de Nós Somos - Tybyras do Brasil. O programa é uma ação de comunicação científica que traz trajetórias políticas e ecoa vozes de quem estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.

Assim, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.

Assim como a primeira temporada, trouxemos relatos potentes de vivências, experiências e trajetória política como indígena LGBTQIANP+.

Acesse a primeira temporada pelo link abaixo e permaneçam atentos as redes sociais do INCT Caleidoscópio para acompanar as novidades produzidas pela nossa equipe e o lançamento da segunda temporada do podcast Somos Nós - Tybyras do Brasil.

Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

"Nós Somos - Tybyras do Brasil" é um programa que traz trajetórias políticas e ecoa vozes que estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.

"Nós somos.

Assim começa o Manifesto Indígena LGBTQIAP+, lançado em 2024. Uma afirmação, um coletivo, um verbo. Desde então, temos nos aproximado de pessoas e coletivos que desobedecem os sentidos coloniais sobre corpo, gênero e desejo. Seguimos para escutar múltiplos corpos-território, cada qual com seu modo de existir, lutar e reinventar o mundo.

Este é o podcast da Rede Arandu, um momento para escutar com calma e compartilhar caminhos com pessoas indígenas, e refletir sobre gênero e sexualidade. Aqui, conversamos sobre histórias, lutas e modos de existir que resistem a mais de 500 anos de violência."

E assim começa o episódio de abertura da primeira temporada do podcast "Nós Somos - Tybyras do Brasil", uma iniciativa da Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

Com narração de Ramona Jucá, o primeiro episódio apresenta os fundamentos da série e seu posicionamento político: constituir um espaço de escuta, encontro e circulação de saberes sobre gênero, sexualidade e existência indígena, a partir das vozes de pessoas indígenas LGBTQIAPN+. Entre território, corpo e ancestralidade, é construído o ponto de partida de uma série que nasce do diálogo entre pesquisa, ativismo e vida.

O programa é composto por uma série de entrevistas gravadas com participantes do Acampamento Terra Livre, presentes no ano de 2025. A cada episódio é evidenciado trajetórias políticas, disputas por direitos e a afirmação de múltiplas formas de existência. Ao dar visibilidade a essas vozes, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.

"Aqui, você vai entender o que é a Rede Arandu e como ela atua; de onde surge este podcast e quais caminhos ele percorre; porque escutar vozes indígenas LGBTQIAPN+ é urgente hoje. Este é um episódio-manifesto. Um começo que apresenta, convoca e abre caminhos.", diz Ramona em sua narração de abertura.

A iniciativa integra as ações da Rede Arandu, vinculada à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, que articula pesquisa, políticas públicas e movimentos sociais, com enfoque nas interseccionalidades de gênero, sexualidade, raça e etnia.

"O que fazemos é aproximar Estado, universidade e movimentos sociais para fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Nosso trabalho se apoia numa perspectiva interseccional, olhando com cuidado para as vivências e diversidades de gênero e sexualidade.", complementa Ramona em seu discurso.

O programa conta com oito episódios e está disponível nas plataformas de streaming Spotify e YouTube. Ouça o primeiro episódio pelo link abaixo!

Ouça a série completa pelo clicando aqui.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.

O segundo episódio do Pod HMM está no ar com o tema pesquisa engajada

O segundo episódio do Pod HMM está no ar com o tema pesquisa engajada

Com grande alegria, informamos que o segundo episódio da série PodHMM, uma produção do GT Histórias e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade (GT HMM), desta vez produzido em cooperação com o GT Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES (GT TER), está no ar.

Neste segundo episódio do Pod HMM, o papo sobre pesquisa engajada foi conduzido por Joana Plaza Pinto, professora da Universidade Federal de Goiás, pesquisadora do CNPq e integrante do GT Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES (GT TER), do INCT Caleidoscópio. Para falar sobre metodologias de pesquisas engajadas para transformação social e política, Joana conversou com as pesquisadoras do INCT Caleidoscópio Maria Carmen Aires Gomes, coordenadora do Projeto Me(i)nstruação (FAP-DF/CNPq) e Jacqueline Fiuza da Silva Regis, coordenadora do projeto Menopausemos (CNPq). 

O episódio contou ainda com a parceria do projeto “Sobre metapragmáticas, subjetivação e redistribuição da materialidade semiótica entre estudantes migrantes”, financiado pelo CNPq e pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Goiás, projeto ligado ao grupo de pesquisa Perspectivas Linguísticas Contemporâneas, da Universidade Federal de Goiás, coordenado por Joana Plaza Pinto, e com o GT Tecnologias de Enfrentamento a Racismos em Escolas e IES, do qual Joana também é integrante. 

Joana esteve de 1993 a 2012 envolvida em diferentes formações feministas como parte da sua atuação no Grupo Transas do Corpo, grupo feminista que atuou em Goiás desde 1987. Segundo ela, foi no feminismo que conheceu a prática colaborativa tanto de pesquisa quanto de formação, desenvolvida em ambientes coletivos, sempre de olho na ação e na transformação social. 

Maria Carmen Aires Gomes é Professora Titular da Universidade de Brasília, atuante no CEAM - Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares. Ela foi durante 25 anos professora da Universidade Federal de Viçosa, onde fundou o grupo de pesquisa AFECTO. Atualmente integra Comitê Gestor do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades, Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências (CNPq 406771/2022-7 ). É editora do periódico RALED/ALED e Coordenadora geral do Projeto MEInstruAÇÃO. 

Jacqueline Fiuza da Silva Regis é atualmente pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística, UnB e coordenadora na Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, nucleação Centro-Oeste, dos Grupos Temáticos “Saúde das mulheres em escolas e IES”; “Tecnologias de enfrentamento a racismos em escolas e IES” e “Histórias e memórias de mulheres: educação e visibilidade”. Jacqueline é Bolsista Conhecimento Brasil/CNPq, com o projeto “MenoPausemos: pesquisa, extensão e comunicação científica sobre corpos em idade (pós-)menstrual” (CNPq 446078/2024-7) e integra o Núcleo de Estudos Linguagem e Sociedade, CEAM/UnB, e o LabEC, Laboratório de Estudos Críticos do Discurso, do IL/UnB.

Para escutar, é só clicar aqui.

Youtube: https://youtu.be/ZEYcJpgAtPc?si=QfFYHLpJ8V_VJODx

Spotify: https://open.spotify.com/episode/5xDXJosyg1BgM202r5waDH?si=l5O5A-SrQLWmDY6FOuPCbg

Divulgação científica feminista: INCT Caleidoscópio lança três séries de podcasts

Divulgação científica feminista: INCT Caleidoscópio lança três séries de podcasts

Podcasts trazem entrevistas com pesquisadora quilombola, professora de Criminologia da Universidade de Lancaster e professora que atua na ouvidoria da UNESP nos casos de denúncias de assédio.

Por: Inara Fonseca em 13/5/2024

O INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências lança, nesta segunda-feira (13/05), três séries de podcasts com distintos focos no debate sobre mulheres nas ciências. O podcast “Trajetórias feministas de pesquisa”, organizado pela equipe de divulgação científica do INCT Caleidoscópio, é focado nas trajetórias de mulheres cientistas do Brasil e do Mundo. Já o “Mulheres quilombolas nas ciências: de quilombola para quilombola”, idealizado pela Incubadora de Pesquisa Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, apresenta a contribuição das mulheres quilombolas para as ciências. O “Universidade Livre de Assédio”, idealizado pela coordenação Sul-Sudeste do  Observatório Caleidoscópio, traz diálogos entre pesquisadoras que têm pensado, criado e aplicado políticas de enfrentamento às violências e assédios nas universidades e, também, criado ações afirmativas de equidade de gênero, raça e classe na ciência.

Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT-Caleidoscópio, pesquisadora do Núcleo Pagu-Unicamp e uma das responsáveis pelas ações de Divulgação e Popularização Científica do INCT Caleidoscópio destaca a importância da apropriação do podcast para democratização da comunicação. “O formato digital do podcast é um tipo de mídia estreitamente relacionada com uma das mais populares tecnologias de comunicação, o rádio, que se tornou um poderoso veículo de produção, circulação e apropriação de ideias/ideais. No entanto, rapidamente, os rádios tornaram-se conglomerados e o seu potencial democrático foi mercantilizado e trocado pelo lucro. As rádios populares (algumas delas tiveram existência ilegal) foram fundamentais para a retomada da participação mais ampla na produção de conteúdos.  Hoje, temos uma brecha de autonomia política e teórica fundamental com o uso dos podcasts, apesar das muitas capturas por monopólios de plataformas digitais e seus respectivos interesses ideológicos”, pontua.

Bessa também destaca as diferentes maneiras de educação institucional e popular que estão utilizando-se do podcast como forma de se comunicar com a população. “Muitas universidades no Brasil e no Mundo, por exemplo, usam esse dispositivo para estabelecerem um processo mais próximo, horizontal e democrático na produção de debates, informações e, no nosso caso, divulgação de pesquisas, ações e trajetórias acadêmicas que nos permitam estar em diálogo entre nós (feministas, antirracistas, decoloniais e lgbtia+ includentes) e com outras tantas pessoas”, explica. 

De acordo com a pesquisadora, o podcast também retoma algo considerado fundamental para uma perspectiva feminista amefricana, as “rodas de conversa”, os “bate-papos”, os “testemunhos e depoimentos” que marcaram importantes práticas de mobilização feminista. 

“A fala que rompe os tantos silenciamentos aos quais historicamente as meninas, mulheres e pessoas trans foram expostas (e dentre essas, grupos ainda mais alijados de visibilidade nos grandes veículos de comunicação em massa, como mulheres negras das periferias, dos quilombos, das aldeias e comunidades originárias) aliada à escuta atenta, que retém inspirações e alimenta novos imaginários a partir das trocas, faz do dispositivo podcast um importante aliado das nossas lutas por mais equidade, diversidade, possibilidades de dissidências e discordâncias, em bases solidamente democráticas e respeitosas de interação social, em especial, nos ambientes de ensino e pesquisa”, conclui.

O que você vai encontrar nos podcasts?

No primeiro episódio de “Trajetórias feministas de pesquisa”, gravado na Inglaterra enquanto a professora Karla Bessa realizava uma visita técnica ao King´s College em Londres e à Universidade de Lancaster, você vai conhecer sobre o trabalho e vida da Dra. Esmorie Miller, professora de Criminologia na Universidade de Lancaster, que vem desenvolvendo pesquisas com foco na intersecção raça, juventude, gênero e exclusão.

Já no primeiro episódio de “Mulheres quilombolas nas ciências: de quilombola para quilombola”, Naryanne Ramos, quilombola de Vila Bela da Santíssima Trindade (MS) recebe Givânia Maria da Silva. Nascida em Salgueiro (PE), no ano de 1967, Givânia é quilombola, professora, pesquisadora e ativista negra. Sua trajetória inclui a fundação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), onde desempenha um papel fundamental.

Finalmente, no primeiro episódio de “Universidade Livre de Assédio”, as pesquisadoras Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo entrevistam a professora, historiadora e ouvidora da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Lídia Maria Vianna Possas. Na entrevista, Lídia fala sobre sua atuação na ouvidoria da UNESP e como começou a atuar mais diretamente nos casos de denúncia de assédio a partir do projeto “Sobrevivência Frente à Violência de Gênero no Espaço Acadêmico", iniciado em 2017.

Para tornar a circulação da informação mais acessível, todos os episódios possuem audiodescrição que está disponível no canal do INCT Caleidoscópio no Youtube. Esperamos que gostem, divulguem, inscrevam-se no nosso canal do YouTube e deixem seus comentários. 

As séries de podcast do INCT Caleidoscópio são apoiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (FUNCAMP). Agradecemos o apoio.