INCT Caleidoscópio ganha estrutura permanente na UnB com a criação do Centro Integrado de Pesquisa Caleidoscópio
O trabalho desenvolvido pelo INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília (UnB) ganha uma estrutura institucional permanente com a aprovação do Centro Integrado de Pesquisa (CIP) Caleidoscópio. Com a criação do CIP Caleidoscópio, parte das iniciativas desenvolvidas pelo Instituto na Universidade passa a contar com uma própria para pesquisa, parcerias e captação de recursos.
Criado em 2022, no âmbito do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do MCTI/CNPq, o INCT Caleidoscópio - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências é o primeiro INCT feminista do Brasil. Com sede na UnB, sua estrutura é organizada a partir de três nucleações presentes nas cinco regiões brasileiras.
As nucleações são coordenadas e compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa e articulam uma rede formada por 24 Instituições de Ensino Superior (IES) e outras instituições de todo o país e do exterior.
O CIP Caleidoscópio
Os Centros Integrados de Pesquisa integram a infraestrutura de pesquisa e inovação da Universidade de Brasília e reúnem atividades científicas, tecnológicas, artísticas, de inovação e de prestação de serviços, podendo ter caráter específico ou multidisciplinar.
Enquanto o INCT é um projeto científico com duração vinculada ao seu financiamento, o CIP constitui uma estrutura permanente da UnB. As duas iniciativas passam, assim, a coexistir e atuar de forma articulada: o INCT preserva a dimensão nacional de sua rede enquanto o CIP cria condições para a continuidade institucional, na Universidade, de parte das atividades desenvolvidas pelo Caleidoscópio.
No caso do CIP Caleidoscópio, a nova estrutura mantém como eixo a compreensão e o enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades interseccionais no ambiente acadêmico e a identificação de iniciativas em Direitos Humanos e justiça social desenvolvidas em instituições de ensino superior em perspectiva feminista.
Uma das características do Centro é justamente sua natureza integrada. A proposta de criação do CIP Caleidoscópio foi apresentada conjuntamente pelo Instituto de Letras (IL), Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) e Instituto de Relações Internacionais (IREL), com a participação do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), além de grupos e laboratórios de pesquisa parceiros.
Embora faça parte da estrutura da UnB, o Regimento Interno prevê prospecção de parcerias e colaborações com outros centros e instituições de pesquisa e elaboração de projetos voltados à captação de recursos públicos e privados. Projetos também poderão ser captados diretamente por pesquisadoras e pesquisadores interessados na participação institucional do Centro.
Essa estrutura permite que o CIP preserve uma característica central da experiência construída pelo Caleidoscópio: a articulação entre diferentes unidades acadêmicas, áreas do conhecimento, grupos de pesquisa e instituições.
O Centro passa a contar com uma estrutura própria para organizar pesquisas, estabelecer parcerias, articular pesquisadoras e pesquisadores e desenvolver projetos vinculados às suas linhas de atuação.
Linhas de pesquisa dão continuidade aos trabalhos desenvolvidos
O CIP Caleidoscópio está organizado em cinco linhas de pesquisa:
- Indicadores de Desigualdades Interseccionais e Experiências Exitosas;
- Mulheres e dissidências de gênero nas ciências;
- Raça e antirracismo nas ciências;
- Povos e Comunidades Tradicionais e Ensino Superior;
- e Desigualdade e Assédio no Ensino Superior.
As linhas dialogam diretamente com atividades desenvolvidas pela Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio. Atualmente, sua Incubadora Social desenvolve ações por meio de grupos temáticos dedicados a questões como:
- desigualdades de gênero e sexualidade nos ambientes organizacionais das IES;
- direitos dos povos indígenas e tradicionais e acesso ao ensino superior;
- histórias e memórias de mulheres;
- segregação urbana e acesso à educação;
- violência e assédio;
- maternidade na vida acadêmica;
- privação de liberdade e políticas educacionais;
- saúde das mulheres;
- e tecnologias de enfrentamento aos racismos em escolas e IES.
Os grupos de trabalho passam a se relacionar com as linhas de pesquisa do CIP, contribuindo para operacionalizá-las e estabelecendo uma ligação entre as atividades já desenvolvidas no INCT e a nova estrutura institucional.
A proposta do Centro também prevê pesquisas desenvolvidas em contextos de observatórios e incubadoras, incluindo a produção e sistematização de indicadores sobre desigualdades interseccionais nas IES e pesquisas participativas com estudantes, pesquisadoras e pesquisadores de povos e comunidades tradicionais.
Coordenação e gestão do CIP Caleidoscópio
Na nova estrutura, as pesquisadoras Tchella Maso Fernandes e Jacqueline Fiuza da Silva Regis foram indicadas, respectivamente, para a coordenação e vice-coordenação do CIP Caleidoscópio. O Comitê Gestor foi composto por Viviane de Melo Resende, Maria Carmen Aires Gomes, Thayane Campos, Amanda Ferreira e Dayane Augusta. As coordenações das cinco linhas de pesquisa serão definidas pelas integrantes de cada linha.
A gestão será compartilhada entre as unidades instituidoras por meio da Coordenação e do Comitê Gestor. Entre suas atribuições estão o planejamento anual, a avaliação das atividades e a formulação de políticas e estratégias para a consolidação técnico-científica e o desenvolvimento do Centro.
A aprovação do CIP Caleidoscópio institucionaliza na Universidade de Brasília uma estrutura permanente para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Caleidoscópio, especialmente às iniciativas construídas pela Nucleação Centro-Oeste e às atividades realizadas na Universidade.
Essa atuação articula pesquisa, extensão e comunicação científica por meio do Observatório Caleidoscópio, das Incubadoras Sociais e de seus grupos temáticos, mantendo abertas as possibilidades de colaboração com pesquisadoras, pesquisadores, grupos e instituições de fora da UnB.