Novo Centro Integrado de Pesquisa garante permanência institucional às atividades e frentes de atuação desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília e fortalece a atuação acadêmica e social no enfrentamento às iniquidades, desigualdades e violências interseccionais de gênero e sexualidade.
Pesquisadoras, estudantes, bolsistas, integrantes do INCT Caleidoscópio e convidadas se reuniram no dia 11 de setembro com representantes de diferentes instituições para celebrar o lançamento do Centro Integrado de Pesquisa Caleidoscópio (CIP Caleidoscópio), nova estrutura permanente de pesquisa da Universidade de Brasília (UnB).
O encontro foi realizado na sede do INCT Caleidoscópio, no campus Darcy Ribeiro, espaço que passa também a sediar o novo Centro. Mais do que apresentar formalmente a nova estrutura, o lançamento também foi pensado como um momento de encontro.
A programação começou às 17h e, conforme as pessoas chegavam, encontravam a possibilidade de conhecer alguns dos projetos desenvolvidos no Caleidoscópio. Integrantes do Projeto MeInstruAÇÃO, pela por exemplo, compartilharam suas iniciativas de educação menstrual com exposição de alguns dos materiais desenvolvidos no projeto, enquanto integrantes da Rede Arandu também apresentaram resultados da atuação da rede acerca de dissidência de gênero e sexualidade na mobilização indígena.
Assim, antes das falas institucionais, o espaço foi ocupado por conversas e trocas entre estudantes, pesquisadoras, pesquisadores e representantes de diferentes instituições, que tiveram a oportunidade de conhecer a infraestrutura do INCT na Universidade de Brasília, conquistada graças ao apoio do MCTI via CNPq.
As unidades instituidoras do CIP, o Instituto de Letras (IL), o Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) e o Instituto de Relações Internacionais (IREL), ao lado do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), também estiveram representadas no encontro por suas direções e coordenações.

Caleidoscópio no ecossistema de CT&I da UnB
A professora do IL e do CEAM Viviane de Melo Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio e integrante do Comitê Gestor do CIP, foi a primeira a falar. Em sua apresentação, recuperou o percurso de criação do Instituto graças ao apoio do CNPq na Chamada 58/2022 e destacou o significado de o Caleidoscópio passar a integrar também, por meio do CIP, a estrutura de ciência, tecnologia e inovação da Universidade de Brasília.
A própria proposta de criação do CIP define o Centro como uma formalização, na estrutura da UnB, do trabalho realizado pelo INCT Caleidoscópio.
O primeiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia feminista do Brasil tem atuado desde 2022 em perspectiva interseccional e antirracista no campo dos estudos avançados em iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade e suas múltiplas insurgências.
Viviane ressaltou que não se trata de substituir o INCT pelo CIP, ao contrário: “o INCT Caleidoscópio continua atuante e reconhecido no ecossistema de ciência, tecnologia e inovação do MCTI via CNPq, mas agora ganha também, como CIP, o reconhecimento da Universidade de Pesquisa, via Decanato de Pesquisa e Inovação, e com o compromisso das unidades instituidoras com a sua permanência nessa estrutura”, disse.
Deste modo, o CIP e o INCT Caleidoscópio são duas estruturas que coexistem e se articulam, tornando-se uma expressão de continuidade e integração dessa iniciativa com as unidades parceiras.
Enquanto o Instituto integra a política dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, com apoio do CNPq, e mantém sua atuação em rede no território nacional por meio de suas nucleações regionais, o Centro dá permanência institucional, dentro da Universidade de Brasília, a atividades e frentes de atuação desenvolvidas pelo INCT e por suas integrantes, com o compromisso das unidades que o instituem.
Essa relação permite que o trabalho desenvolvido pelo Caleidoscópio esteja vinculado, ao mesmo tempo, à política nacional de ciência e tecnologia dos INCTs e à estrutura de pesquisa da própria Universidade.
Como estrutura permanente da Universidade, o CIP também amplia as possibilidades de articulação interna e externa. Seu regimento prevê a participação de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes unidades da UnB, profissionais sem vínculo com a Universidade, laboratórios e grupos de pesquisa associados, além da construção de parcerias e colaborações com outros centros e instituições.
INCT e CIP representam, portanto, dimensões distintas e articuladas de uma trajetória que continua reunindo pessoas, instituições, pesquisas e iniciativas em torno da compreensão e do enfrentamento às desigualdades, violências e iniquidades interseccionais.
Linhas de pesquisa para compreender e enfrentar desigualdades
Na sequência, a professora do IREL Tchella Maso Fernandes, coordenadora do CIP Caleidoscópio, apresentou ao público a finalidade, as linhas de pesquisa e as possibilidades de participação na nova estrutura.
Como estabelece o regimento do Centro, sua finalidade é compreender e enfrentar desigualdades, violências e iniquidades interseccionais no ambiente acadêmico, além de levantar iniciativas institucionais em Direitos Humanos e justiça social nas Instituições de Ensino Superior que possam contribuir para fomentar experiências em instituições parceiras.
As pesquisas estarão organizadas em cinco frentes:
- Indicadores de Desigualdades Interseccionais e Experiências Exitosas;
- Mulheres e dissidências de gênero nas ciências;
- Raça e racismo nas ciências;
- Povos e Comunidades Tradicionais e Ensino Superior;
- e Desigualdades interseccionais e Violências de Gênero no Ensino Superior.
Por meio delas, o Centro pretende produzir e sistematizar conhecimentos sobre desigualdades e violências nas Instituições de Ensino Superior, mulheres e dissidências de gênero nas ciências, racismo no ambiente acadêmico, experiências de povos indígenas no ensino superior e respostas institucionais às violências de gênero, contribuindo com dados para a vitalidade do Observatório Caleidoscópio.
Além de apresentar essas frentes, Tchella agradeceu às unidades instituidoras e às diferentes pessoas envolvidas na construção e no cotidiano do Caleidoscópio, entre bolsistas, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais de apoio técnico e integrantes dos projetos.
Ao falar sobre os próximos passos, a coordenadora destacou, ainda, a possibilidade de ampliação dessa articulação dentro da Universidade: “o CIP está aberto para novas unidades acadêmicas da Universidade de Brasília se juntarem”, destacou.

A possibilidade de participação de outras pesquisadoras e pesquisadores também está prevista no regimento do Centro, que estabelece diferentes modalidades de vinculação, incluindo integrantes da UnB externos às unidades instituidoras e profissionais sem vínculo com a Universidade.
Ao mesmo tempo em que apresentou a nova estrutura à comunidade acadêmica, o lançamento reuniu representantes de instituições relacionadas à pesquisa, à educação e às políticas de igualdade no País, incluindo autoridades do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero do Ministério das Mulheres; da secretária-executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial do Ministério da Igualdade Racial; da coordenação do Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gêneros da CAPES, além das direções e coordenações das unidades instituidoras, do Decanato de Pesquisa e Inovação e da Reitoria da Universidade de Brasília.
CIP em diálogo com a comunidade
Se as primeiras falas recuperaram a trajetória institucional e apresentaram as frentes de pesquisa, o encerramento voltou-se para a relação que o CIP pretende construir para além dos limites da Universidade.
A professora Jacqueline Fiuza da Silva Regis, bolsista Conhecimento Brasil do CNPq e vice-coordenadora do Centro, destacou a importância de se desenvolverem pesquisas em diálogo com as comunidades, considerando suas demandas e construindo ações em colaboração com a sociedade, em relações horizontais.
Essa perspectiva também encontrou espaço na própria dinâmica escolhida para o lançamento. Antes e depois das falas institucionais, as pessoas puderam circular, conhecer projetos, conversar e compartilhar o mesmo espaço. Ao falar sobre a importância desse encontro presencial, Jacqueline recuperou ainda um verso interpretado por Gal Costa, que reforça a importância dos encontros presenciais: “preciso respirar o mesmo ar que te rodeia”. E sua fala continua!
"É importante que a transversalidade e a transdisciplinaridade das nossas ações aconteçam para além dos muros da universidade; que a gente fortaleça o diálogo entre a comunidade interna e a comunidade externa à universidade; e que fortaleça também o diálogo entre as instituições de ensino superior e os diferentes níveis de formação, do ensino médio à universidade.
Também é preciso fortalecer projetos que contemplem pesquisadoras desde o ensino médio até o pós-doutorado e para além dele. Também é importante promover a interação e a transversalidade entre diferentes idades, como forma de combater o etarismo e promover o conhecimento produzido por estas pessoas e comunidades.
Além disso, queremos enfatizar que as portas do INCT e do CIP estão abertas para colaborações com outras instituições e pessoas pesquisadoras igualmente comprometidas com a transformação social em prol da reparação e do bem-viver comunitário.", complementa Jacqueline.
Ao final, participantes se reuniram para uma fotografia coletiva, encerrando uma celebração que combinou a apresentação de uma nova estrutura institucional com o encontro entre as pessoas que participam de sua construção.
Com isso, o lançamento marca uma nova etapa para o Caleidoscópio na Universidade de Brasília, fortalecendo a articulação entre pesquisa, formação, extensão e diálogo com a sociedade no enfrentamento acadêmico e social das iniquidades, desigualdades e violências interseccionais de gênero e sexualidade.

















