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Rede Arandu fortalece espaços de escuta e articulação com coletivos indígenas LGBTQIA+

por Daniel Silva | out 13, 2026 | Artigos, Centro-Oeste, Notícia, Rede Arandu | 0 comentários

Rede Arandu, povos indígenas LGBTQIA+, escuta e diálogo, articulação indígena, saúde mental, direitos indígenas, Nucleação Norte Nordeste e Amazônia Legal, INCT Caleidoscópio.

Quando a pesquisa também cria espaços de escuta, reconhecimento e articulação.

Como parte do trabalho desenvolvido pela Rede Arandu no âmbito do INCT Caleidoscópio, um novo ciclo de encontros vem criando espaços continuados de escuta com representantes de coletivos indígenas LGBTQIA+ de diferentes regiões do Brasil e integrantes da própria Rede.

Os encontros são facilitados por Carolina Lemos Coimbra, bolsista da Rede Arandu no âmbito do INCT Caleidoscópio e fundadora da Em Diálogo, responsável pelo desenho e pela sustentação dos espaços de escuta e diálogo, além do acompanhamento das questões que emergem ao longo do processo.

“Escutar não é apenas reunir relatos. É criar condições para perceber o que está acontecendo no campo, reconhecer o que já está sendo sustentado e ampliar a capacidade coletiva de responder ao que emerge.”

— Carolina Lemos Coimbra

Um encontro marcado pelo reconhecimento

O primeiro encontro com representantes de coletivos indígenas LGBTQIAPN+ reuniu pessoas de diferentes regiões, territórios, povos e trajetórias.

Algumas já haviam se encontrado em espaços como o Acampamento Terra Livre e em outras articulações, mas não existe necessariamente entre elas uma convivência contínua.

Por isso, as apresentações ganharam um lugar importante.

Foram compartilhadas trocas sobre e entre povos, territórios, coletivos, projetos, atuações, articulações que proporcionam caminhos que vêm sendo construídos. O encontro possibilitou conhecer iniciativas, reconhecer trajetórias e criar novas conexões entre pessoas e coletivos.

Mais do que um levantamento imediato de demandas, o espaço mostrou também o valor de tornar visível aquilo que já vem sendo cultivado e sustentado.

“Poder existir em um espaço sem precisar primeiro lutar para justificar a própria existência abre outra possibilidade de encontro: contar o que se tem feito, cultivado e sustentado, reconhecer o próprio caminho e conhecer aquilo que outras pessoas e coletivos estão construindo.”

— Carolina Lemos Coimbra

Diferentes experiências, diferentes questões

As conversas também evidenciaram a diversidade existente entre os coletivos.

Há pessoas vivendo em seus territórios e comunidades, outras em cidades, experiências de organização indígena em contextos urbanos e diferentes relações com território e ancestralidade.

Também são diversas as experiências relacionadas a gênero, sexualidade, saúde, atuação política, organização comunitária, movimentos sociais e construção de redes.

Essa diversidade será considerada na continuidade dos encontros, permitindo aprofundar questões compartilhadas sem reduzir experiências muito diferentes a uma única realidade indígena LGBTQIA+.

Temas para os próximos encontros

Os próprios participantes indicaram assuntos que gostariam de seguir discutindo.

Entre eles estão saúde, educação, segurança, moradia e sustentabilidade; políticas públicas e ocupação de espaços institucionais; questões financeiras e geração de renda; apoio a artistas indígenas; empreendedorismo ancestral; indicadores e subnotificação de violências contra pessoas indígenas LGBTQIAPN+; além da apropriação e comercialização indevida das artes, culinária e culturas indígenas e da desvalorização da produção artesanal indígena.

Essas questões passam a integrar o mapeamento que está sendo construído a partir das rodas e servirão de referência para os próximos encontros de escuta.

Quando quem escuta também é atravessado

O ciclo inclui também encontros internos com integrantes da Rede Arandu.

Nesse espaço, a escuta voltou-se para os atravessamentos envolvidos no trabalho que a própria Rede já realiza junto aos coletivos indígenas LGBTQIA+.

Violências, saúde mental, sobrecarga, quantidade de demandas, tempo de resposta e urgência estiveram entre as questões trazidas.

A urgência apareceu de maneira especialmente importante. Ela não está somente nas situações que chegam à Rede: atravessa também as pessoas que reconhecem a necessidade de agir e produzir mudanças diante das realidades vividas pelos coletivos, inclusive no campo das políticas públicas.

Ao mesmo tempo, essa urgência convive com limites de tempo e disponibilidade, com a sobrecarga e com a necessidade de cuidado das próprias pessoas que sustentam esse trabalho.

Como cuidar de quem cuida?

A escuta apareceu, assim, em duas direções: como parte do trabalho realizado pela Rede e como necessidade de quem sustenta essa atuação.

Um processo continuado de escuta

A proposta é que os encontros tenham continuidade, sendo realizados mensalmente com os coletivos indígenas LGBTQIA+ e bimestralmente com integrantes da própria Rede Arandu.

Um mapeamento está sendo produzido como registro do processo, reunindo questões, necessidades e temas que aparecem nas conversas.

Esse material também contribuirá para o desenho dos encontros seguintes, permitindo que os assuntos a serem aprofundados partam do que emerge das próprias escutas.

A recorrência abre a possibilidade de avançar gradualmente das apresentações e do reconhecimento para conversas mais aprofundadas sobre aquilo que está sendo vivido, o que pede atenção e quais respostas podem ser construídas coletivamente.

“A escuta tem poder revolucionário. Entrar em contato com o que a gente precisa cria possibilidades de desbloquear ações antes não previstas.”

— Carolina Lemos Coimbra

Os próximos encontros darão continuidade a esse processo, acompanhando as questões levantadas pelos coletivos indígenas LGBTQIA+ e pela própria Rede e construindo os temas de aprofundamento a partir do que surgir ao longo do percurso.

Escrito por Rede Arandu.

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