Veja as publicações do I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio: Práticas Socioculturais e Discurso

Veja as publicações do I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio: Práticas Socioculturais e Discurso

O I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio, realizado de 29 a 31 de outubro de 2024, no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), reuniu cerca de 200 pesquisadoras de diversas áreas do conhecimento. O encontro teve como objetivo promover o intercâmbio científico e refletir sobre estratégias que ampliem a equidade, a diversidade e a inclusão de gênero e étnico-racial nas ciências.

Ao longo dos três dias de programação, participaram representantes de 13 universidades brasileiras e quatro instituições internacionais, com destaque para pesquisadoras da Argentina e do Uruguai. No primeiro dia foi debatido o tema Mulheres e resistência nas ciências, no segundo Teorias e práticas antirracistas na universidade, e no terceiro: Desafios para permanência do debate de gênero nas ciências.

Leia também: I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

As mesas e conferências promoveram discussões interdisciplinares e interseccionais sobre a presença das mulheres na ciência, favorecendo o fortalecimento e a formação de grupos de pesquisa multidisciplinares em torno de temas convergentes. O seminário também contribuiu para a criação de espaços acadêmicos colaborativos, voltados ao estudo de processos sócio-discursivos relacionados a políticas públicas e direitos, reforçando redes já consolidadas e incentivando novas conexões entre coletivos e instituições.

O Painéis de Redes foram um espaço de comunicações integradas de redes de pesquisa, privilegiando o aprendizado e a internacionalização, devido ao alinhamento entre os temas de investigação dos grupos de pesquisa e a experiência das pesquisadoras envolvidas. Já o Conversatório possibilitou a integração e a troca entre estudantes, pesquisadores e ativistas. Durante o Conservatório foi possível ouvir: 1) os desafios de estudantes quilombolas e indígenas de inclusão e de pertencimento no âmbito da Universidade de Brasília; 2) uma representante do Ministério das Mulheres sobre a luta do Ministério para ter orçamento próprio e, com isso, fomentar o debate sobre equidade e diversidade; e 3) o desafio de exercer um mandato político e ser uma pessoa LGBTQIA+, visto que ainda há ainda muito preconceito.

As pesquisas apresentadas durante o evento reforçaram a urgência da criação de espaços permanentes de debate sobre desigualdades de gênero, raça e outras iniquidades no campo científico. Evidenciaram, ainda, como essas questões atravessam a produção de conhecimento e apontaram caminhos possíveis para sua superação. Como destaca Viviane Resende (UnB), coordenadora do INCT Caleidoscópio, os resultados do seminário reafirmam a importância das ações promovidas pelo instituto.

Entre os temas discutidos, estiveram a resistência das mulheres nas ciências, os desafios enfrentados por mães, quilombolas e indígenas nas universidades públicas, e a valorização de epistemologias negras e indígenas, reforçando o compromisso do evento com práticas e teorias antirracistas e decoloniais.

O seminário também se consolidou como espaço estratégico para a divulgação de pesquisas em andamento e a construção de uma agenda científica comprometida com a transformação social. Os trabalhos foram produzidos nas seguintes áreas temáticas:

  1. Ativismos midiáticos em questões de gênero e sexualidade
  2. Formulação e acompanhamento de políticas públicas em gênero e sexualidade
  3. Ciências, gênero e sexualidade
  4. Observatórios Políticas e práticas de educação em gênero e sexualidade
  5. Pesquisas em discurso e gênero em perspectiva interseccional e decolonial
  6. Políticas e práticas de educação em gênero e sexualidade
  7. Práticas de resistência e enfrentamentos em questões de gênero e sexualidade

Neste volume, foram um total de 42 trabalhos publicado em 22/04/2025 (ISBN: 978-65-272-1302-4) a leitora e o leitor encontrará o registro de parte dessas contribuições na lista dos trabalhos publicados abaixo ou pelo site do seminário clicando aqui.

A seguir, apresentamos os trabalhos publicados no evento, revelando a potência, a diversidade e a relevância das produções realizadas por mulheres em diferentes territórios, contextos e áreas do saber.


“ISSO AQUI AJUDA A GENTE A ENTENDER QUE NÃO ESTÁ SÓ”: O PAPEL DA PESQUISA EM LINGUAGEM NA FORMAÇÃO DE REDES COM MULHERES MIGRANTES - Ana Luiza Krüger Dias

A FEMINILIDADE BRANCA NEOCONSERVADORA EM PRÁTICAS DE (DES)INFORMAÇÃO - Mariana Rafaela Batista Silva Peixoto

A NEGRITUDE EM DICIONÁRIOS BRASILEIROS DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ANÁLISE DISCURSIVA DE VERBETES - Francisco Higo de Amorim

A PROPOSTA DO OBSERVATÓRIO INTERSECCIONAL DE GÊNERO DE MINAS GERAIS - OBSERVA MINAS - Marina Alves Amorim; Maria Clara de Mendonca Maia; Beatriz Feitosa Santos

ANÁLISE CRÍTICA DE DISCURSOS TRANSFÓBICOS NA CÂMARA DOS DEPUTADOS - Viviane Cristina Vieira; Marcos Antonio Rodrigues Nascimento

ANÁLISE DISCURSIVO-CRÍTICA DAS MARCAS E APAGAMENTOS DA NEGRITUDE DE LÉLIA GONZALES NA TRADUÇÃO DO ARTIGO “POR UM FEMINISMO AFRO-LATINO-AMERICANO” - Ana Lima Gaspar; Maria Carmen Aires Gomes

APORTES DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DE MULHERES NEGRAS FEMINISTAS PARA O CAMPO DA SAÚDE NO BRASIL - Hevelyn Rosa Machert da Conceicao; Cristiane da Silva Cabral; Laura Moura

ASSEMBLEIAS (SEMIÓTICAS) DE RESISTÊNCIA QUEER: ABORDAGEM PARA UM ESTUDO DAS PROPRIEDADES EMERGENTES - Raylton Carlos de Lima Tavares

ATIVISMOS MIDIÁTICOS E A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO: UMA ANÁLISE DO DISCURSO EM PÁGINAS DE INSTAGRAM - Priscila de Souza Gonçalves; Bruna Toso Tavares

AUTORAS LATINO-AMERICANAS OITOCENTISTAS: CONTRIBUIÇÕES DO PRIMEIRO QUARTO DO SÉCULO XIX - Fabiana da Rocha Mejia

CIÊNCIAS, GÊNERO E SEXUALIDADES: RELAÇÕES INTERNACIONAIS DESDE A PERSPECTIVA DE UMA MULHER INDÍGENA - Alcineide Moreira Cordeiro; Tchella Fernandes Maso

DÁ LICENÇA... TRANSCONFLUÊNCIA, SABERES ORGÂNICOS, MULHERIDADES, COMUNIDADES TRADICIONAIS E POVOS ORIGINÁRIOS (PAINEL) - Ellen Hilda Souza de Alcantara Oliveira; Dina Maria Rosário dos Santos; Irenilza Oliveira e Oliveira; Luciana Alves da Silva; George Guilherme Garcia da Silva; Alécia Gomes dos Santos; Lílian Cristina Oliveira dos Santos; Laynara de Jesus Gama; Silvana Gomes Nunes; Sandra Maria Cerqueira da Silva

DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO DOS ORGANISMOS DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES (OPMS): DESAFIOS NO PROCESSO INVESTIGATIVO - Maise Zucco; Silvia Lúcia Ferreira; Ana Paula Antunes Martins; Be Silva Brustolim; Dora Simões; Maria Eduarda Carlota da Silva; Mariana Wiecko Volkmer de Castilho; Vanessa Oliveira Cordeiro Silva

ENCICLOPÉDIA DIGITAL DO PENSAMENTO COMUNICACIONAL LATINO-AMERICANO (PCLA) SEÇÃO: MULHERES NA COMUNICAÇÃO - Maria Cristina Gobbi

ENREDANDO O CALEIDOSCÓPIO NO DEBATE SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE DISCURSO, POBREZA MENSTRUAL, MEIO AMBIENTE E CIÊNCIA EM ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO NO BRASIL - Maria Carmen Aires Gomes; Thayane Campos; Rosângela Nogueira; Litiane Barbosa Macedo; Ofélia Maria Imaculada; Alexandra Bittencourt de Carvalho; Elisa Mattos; Mayra Policarpo; Geovanna Livia; Patricia Jacobina

ESCREVIVÊNCIA E RESISTÊNCIA: REFLEXÕES SOBRE UMA PRÁTICA EXTENSIONISTA EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS - Tchella Fernandes Maso; Vinícius Santiago

ESTUDOS RADIOFÔNICOS SOB A LENTE DE GÊNERO: UMA ABORDAGEM INTERSECCIONAL NOS PRINCIPAIS EVENTOS DE COMUNICAÇÃO BRASILEIROS - Juliana Cristina Gobbi Betti; Debora Cristina Lopez; Marcelo Freire

FEMINISMOS E PODER: INTERVENÇÕES DA REDE DE PESQUISA EM FEMINISMOS E POLÍTICA - Mariana Prandini Assis; Ananda Winter Marques; Brenda Rodrigues Barreto Silva; Danusa Marques

FUTURO DE QUEM? RECÉM DOUTORAS E A PERSPECTIVA DA CIÊNCIA E DA PESQUISA COMO PROFISSÃO - Mirlene Fátima Simões

LA ALJABA: EDUCAÇÃO PARA MULHERES NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX - Mirella Cruz de Sousa Benigno

LÉXICO E QUESTÕES DE GÊNERO NO DEBATE LEGISLATIVO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS: A POLARIZAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DISCURSIVA DE DESLEGITIMAÇÃO - Gisele Rodrigues

LINGUAGEM, GÊNERO E POLÍTICA: UM ESTUDO DA ATUAÇÃO DE SITES FEMINISTAS NAS ELEIÇÕES 2022 - Anna Christina Bentes; Amanda Costa da Silva

MATERNAR NA UNIVERSIDADE: UMA ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA E DECOLONIAL - Brenda Gonçalves dos Reis

MONITORA: USO DE LINGUÍSTICA DE CORPUS EM CONSTRUÇÃO DE LÉXICO SOBRE VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO - Carolina Gonçalves Gonzalez; Fernanda K. Martins; Clarice Tavares; Ana Carolina Araujo; Gabriela Coelho

MUJERES Y MIGRACIONES LÍNEA DE INVESTIGACIÓN DEL GREIG - Elizabeth Del Socorro Ruano Ibarra; Delia Dutra; Susana Martínez Martínez; Marcos Moreno

MULHERES NA PESQUISA CIENTÍFICA: GENEALOGIA INTELECTUAL A PARTIR DA TRAJETÓRIA DE MONIKA BARTH - DE 1959 ATÉ A ATUALIDADE - Lia Gomes Pinto de Sousa

MULHERES QUILOMBOLAS E CIÊNCIAS: PANORAMA SOBRE A DESIGUALDADE DE RAÇA E GÊNERO - Rocelly Dayane Teotonio da Cunha; Dolores Galinho

MULHERIDADES NA FRONTEIRA: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO DE TRANSEXUAIS VENEZUELANAS EM BOA VISTA- RR - Adriana de Oliveira Teixeira Kato

NEPEM/UNB: DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE A MULHER A ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE MULHERES - Ela Wiecko V de Castilho

NÚCLEOS DE ESTUDOS DE GÊNERO E SEXUALIDADES: ESPAÇOS DA CIÊNCIA HISTÓRICA ENGAJADA - Joana Maria Pedro; Lídia Maria Vianna Possas; Cristina Scheibe Wolff; Claudia de Jesus Maia

O QUE PODE UMA SOCIEDADE CIENTÍFICA NO ENFRENTAMENTO DE QUESTÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADE: PENSANDO A SOCINE - Ramayana Lira de Sousa; Alessandra Soares Brandão

POLÍTICAS E MECANISMOS DE ENFRENTAMENTO ÀS VIOLÊNCIAS EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO SUL E DO SUDESTE - Morgani Guzzo; Pedro Henrique Ordones Ramos

PRÁTICAS DISCURSIVAS DE RESISTÊNCIA AO DISCURSO HEGEMÔNICO: A REAÇÃO DAS MULHERES AO PROJETO DE LEI 1904/2024 NAS REDES SOCIAIS - Alcilene Aguiar Pimenta; Renata Priscyla Conceição Costa

QUEM TEM MEDO DO GÊNERO NA TERAPIA DE FAMÍLIA? - Cristina Vianna Moreira dos Santos

QUEM TEM MEDO GÊNERO? A CIÊNCIA ACADÊMICA! - Camila Infanger Almeida

REDIGE - REDE DE PESQUISA EM DISCURSO E GÊNERO - Maria Carmen Aires Gomes; Viviane de Melo Resende; Litiane Barbosa Macedo; Rosângela Nogueira; Débora Figueiredo; Viviane Cristina Vieira; Daniele de Oliveira; Carolina Gonçalves Gonzalez; Alexandra Bittencourt de Carvalho; German Canale; Matías Soich; Maria Eugenia Flores Treviño

REFLEXÕES INICIAIS SOBRE A INCIDÊNCIA DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA UNEMAT - Viviane Teixeira Silveira; Adriana Nolibos Baccin; Kamilly Victória Cardoso Benites; Nárrida Nejem Silva

SANGRANDO DA MENARCA À (PÓS-)MENOPAUSA: UMA PROPOSTA DE PESQUISA, EXTENSÃO E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA SOBRE REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS DE CORPOS QUE MENSTRU(AV)AM - Jacqueline Fiuza da Silva Regis; Daniele Mendonça; Dayane Augusta Santos da Silva

SER-TÃO, "ONDE O PENSAMENTO DA GENTE SE TORNA MAIS FORTE QUE O PODER DO LUGAR" - Marcela Amaral; Thais Vieira; Lara Fernandes Barbosa; Debora Ramos da Silva

SOBRE A SEMIOSE DOS CORPOS ABJETOS: A REPRESENTAÇÃO QUEER NOS SEMINÁRIOS CATÓLICOS - Pedro dos Santos Veras; Viviane Cristina Vieira

VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES NO ESTADO DE RORAIMA - Luziene Corrêa Parnaíba; France Rodrigues; Orilene Marques Pinheiro; Patrícia Laurindo Almeida de Sousa

VIOLÊNCIA(S) E OS OPERADORES DE DIREITO: ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA ACERCA DA VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL - Micheli Rosa

Inscrições abertas para curso Tecendo Relatos, Defendendo a Vida: formação em relatoria popular de direitos indígenas

Inscrições abertas para curso Tecendo Relatos, Defendendo a Vida: formação em relatoria popular de direitos indígenas

Estão abertas as inscrições para o curso "Tecendo Relatos, Defendendo a Vida" até o dia 12 de maio! A formação é voltada para pessoas Indígenas e não Indígenas que participam das etapas territoriais do projeto Tecendo Direitos para Indígenas LGBTQIA+, promovido pelo Ministério dos Povos Indígenas.

O curso de extensão Tecendo Relatos, Defendendo a Vida: formação em relatoria popular de direitos Indígenas tem como objetivo apoiar pessoas Indígenas e não Indígenas que participam das etapas territoriais do Programa Nacional Tecendo Direitos para Indígenas LGBTQIA+, promovido pelo Ministério dos Povos Indígenas. A formação será realizada de forma remota, com cinco encontros síncronos, voltados à qualificação introdutória para a produção de relatórios de direitos humanos que possam subsidiar a construção de políticas públicas interseccionais, sensíveis às realidades e diversidades dos territórios.

Sob este viés, o curso propõe apresentar os fundamentos de uma relatoria de qualidade, discutir os princípios que orientam a formulação de políticas públicas, introduzir noções fundamentais sobre direitos humanos e direitos dos povos indígenas, e realizar uma atividade prática de análise e elaboração coletiva de relatorias. A proposta visa fortalecer capacidades locais para o monitoramento, a incidência política e a documentação qualificada de vivências e violações, a partir de uma perspectiva interseccional que articula etnia, território, gênero e sexualidade.

Programação

A programação abordará os fundamentos de uma relatoria de qualidade, os princípios das políticas públicas, noções básicas sobre direitos humanos e dos povos indígenas, além de uma atividade prática de análise e elaboração coletiva de relatos. Com foco no fortalecimento das capacidades locais para o monitoramento, a incidência política e a documentação de vivências e violações, o curso articula as dimensões de etnia, território, gênero e sexualidade.

Encontro 1 – Apresentação do Programa e da Metodologia de Relatoria Popular

Encontro 2 – Fundamentos de uma Política Pública Interseccional

Encontro 3 – Introdução aos Direitos Humanos e aos Direitos Indígenas

Encontro 4 – Análise de Relatorias: Leitura Crítica e Coletiva

Encontro 5 – Produção e Apresentação de Relatos Coletivos

O curso será realizado no período de 12 de maio a 29 de agosto de 2025, com encontros virtuais pelo Google Meet, sempre às 19 horas (horário de Brasília). O link de acesso será enviado por e-mail para as pessoas inscritas.

Para a obtenção do certificado, é obrigatória a participação em, no mínimo, 75% dos encontros. Estão disponíveis 30 vagas e, caso o número de inscrições ultrapasse esse limite, os critérios de desempate serão: localização geográfica, diversidade de gênero e ordem de inscrição.

As inscrições podem ser feitas até o dia 12 de maio pelo formulário, clique aqui para acessar o link!

Vamos juntas e juntos tecer direitos!

Pesquisadora do INCT Caleidoscópio realiza projeto de internacionalização na Universidade de Buenos Aires

Pesquisadora do INCT Caleidoscópio realiza projeto de internacionalização na Universidade de Buenos Aires

Nos meses de fevereiro a abril de 2025, a pesquisadora Morgani Guzzo, de nível pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio, realizou pesquisa com cooperação internacional na Universidad de Buenos Aires (UBA), na Argentina.

O projeto foi contemplado pela Chamada Pública MCTI/CNPq nº 16/2024 – Apoio a Projetos Internacionais de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação (Faixa 3: Projeto individual para bolsista Pós-Doutorado Júnior ou Pós-Doutorado Sênior do CNPq), com Bolsa de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Sênior – DES, e intitulou-se “Mecanismos de enfrentamento ao assédio e outras violências nas universidades: processos de implementação, avanços e desafios na Argentina e no Brasil”.

A chamada teve período de inscrições entre 20/06/2024 e 09/08/2024, com resultado publicado em dezembro de 2024, selecionou pesquisadoras/es que estivessem com bolsa de Pós-doutorado ativa no país e que pudessem realizar um projeto de internacionalização, com colaboração com outro grupo de pesquisa do exterior. O objetivo da Faixa 3 foi estimular a cooperação internacional e apoiar no desenvolvimento de lideranças.

Projeto contempla objetivos do INCT Caleidoscópio

O projeto teve como objetivo conhecer e comparar a instituição de mecanismos e políticas de enfrentamento às violências em duas universidades do Cone-Sul latino-americano: a Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil) e a Universidad de Buenos Aires (Argentina).

A oportunidade de pesquisa na UBA, segundo Morgani, tem relevância direta para os objetivos do INCT Caleidoscópio, sendo um deles o levantamento e o mapeamento de boas práticas de enfrentamento às múltiplas formas de violências (de gênero, raça, classe, sexualidade, entre outras) nas universidades.

No período, Morgani visitou os espaços físicos e entrevistou pessoas responsáveis pela implementação do Protocolo de acción institucional para la prevención e intervención ante situaciones de violencia o discriminación de género u orientación sexual em diferentes Faculdades da Universidade de Buenos Aires. Além disso, participou de uma aula na disciplina de “Violência, sexismo e direitos humanos”, no Curso de Sociologia, na UBA, onde foi possível realizar uma troca sobre legislações e políticas institucionais de enfrentamento às violências de gênero nas universidades brasileiras e na Argentina.

“Os aprendizados sobre os processos de implementação e funcionamento das políticas de enfrentamento às violências na Universidad de Buenos Aires podem, numa perspectiva comparativa e de troca de saberes, auxiliar a refletir e propor melhores práticas e abordagens para este que é um desafio histórico em ambos os países”, explicou a pesquisadora.

Cooperação fortalece o trabalho coletivo entre brasileiras e argentinas

A execução do projeto teve supervisão da pesquisadora Joana Maria Pedro (LEGH/UFSC), que é uma das coordenadoras do Observatório Sul-Sudeste do INCT, e também das pesquisadoras Alejandra Oberti e Claudia Bacci, do Grupo de Estudios sobre Feminismos en América Latina (GEFAL) do Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe (IEALC) da UBA.

Segundo Morgani, a cooperação entre essas duas universidades representa a continuidade de um trabalho coletivo histórico que tem se dado na produção de conhecimento científico na área dos Estudos de Gênero e Feminismos. A atuação conjunta entre as pesquisadoras do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC) e as pesquisadoras argentinas Alejandra Oberti e Claudia Bacci data de 2009, e tem se aprofundado nos últimos anos em projetos como: “A internet como campo de disputas pela igualdade de gênero” (2021-2023), e “Misoginia: gênero, emoções e política nas redes sociais no Brasil contemporâneo” (2024-atual), ambos coordenados pela professora Dra. Cristina Scheibe Wolff.

Além disso, Morgani, Alejandra, Claudia e outras pesquisadoras do LEGH/UFSC e da UBA integram juntas o Grupo de Trabalho do Conselho Latino-americano de Ciência Sociais (CLACSO) “Red de Género, Feminismos y Memorias” e propuseram à CLACSO, em 2024, o projeto de pesquisa: “Violencia política de género, antifeminismo y misoginia en internet. Expresiones locales de un fenómeno global (Argentina y Brasil)”, que está em processo de finalização.

Resultados e o fortalecimento de redes internacionais

O projeto, encerrado em 30 de abril de 2025, terá como resultados um artigo comparando as experiências da UBA com a Universidade Federal de Santa Catarina, onde Morgani atua vinculada ao Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH), além de um episódio de podcast do Universidade Livre de Assédio e de outros materiais de divulgação sobre a pesquisa.

“A publicação dos resultados será feita nos próximos dias, mas o mais interessante desse período de pesquisa na Argentina foi a possibilidade de conhecer as pessoas vinculadas às políticas na UBA, trocar conhecimentos e convidar para que se aproximem e integrem o Observatório do INCT Caleidoscópio. Esse tema tem ganhado destaque nos últimos anos, mas com as mudanças de governos e o avanço da extrema-direita a nível mundial, precisamos nos articular para resistir e avançar nessas políticas, o que é uma possibilidade por meio do Observatório”, concluiu a pesquisadora.

Rede Arandu participa do Seminário Regional de Consulta etapa nordeste do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+

Rede Arandu participa do Seminário Regional de Consulta etapa nordeste do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+

Autoria: Nicholas Ian

Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e membro da rede de pesquisa Arandu.

O Seminário Regional de Consulta Etapa Nordeste do projeto "Tecendo Direitos" teve como objetivo construir uma estratégia nacional voltada para os direitos dos/das/des indígenas LGBTQIA+. O evento aconteceu entre os dias 20 e 23 de março de 2025, na aldeia indígena Monguba, terra indígena Pitaguary no Ceará e foi promovido pela Secretaria Nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), com apoio de diversas entidades estratégicas, como a Fundação dos Povos Indígenas (FUNAI), a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), a FADEX, a Secretaria da Diversidade do Ceará, a Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará, o Coletivo Tybyra, o Coletivo Caboclas, a Escola Indígena Ita-Ara e o INCT Caleidoscópio.

Arandu, Rede Colaborativa de Pesquisa Povos indígenas, gênero e sexualidade vinculada ao INCT Caleidoscópio, Nucleação Centro-Oeste, desempenhou um papel central no seminário como relatora oficial. Essa atuação é fruto de uma extensa parceria entre a Coordenação de Direitos LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas e pesquisadoras do INCT Caleidoscópio, com sede na UnB. A Arandu foi responsável pela elaboração da metodologia do Seminário, após realizar uma avaliação a partir da participação na primeira etapa do Seminário, na terra Indígena Meruri em fevereiro desse ano.

Na segunda etapa, a equipe da Arandu acompanhou os Grupos de Trabalho (GTs) organizados em eixos temáticos, registrando todas as discussões e sistematizando as propostas apresentadas, que contribuirão para a elaboração de uma estratégia nacional para Indígenas LGBTQIA+. Nos dois dias de atividades, os GTs foram organizados em torno de temas prioritários, tais como: Saúde, Educação, Cultura, Território e Segurança, e Empregabilidade e Renda.

Dessa forma, a participação da Rede foi de fato uma experiência transformadora. Sua atuação não apenas enriqueceu os debates e gerou impacto no evento, mas também reafirmou a importância das iniciativas colaborativas na promoção dos direitos humanos e da diversidade. Mais do que isso, reforçou seu compromisso inabalável com a causa indígena LGBTQIA+, destacando a necessidade contínua de espaços de diálogo e mobilização para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Rede Arandu, INCT Caleidoscópio.
Foto: Levi Tapuia.

Os grupos receberam perguntas para guiar os diálogos, o que permitiu que os participantes levantassem desafios enfrentados e discutissem estratégias para superá-los. A rede Arandu registrou cuidadosamente todas as discussões e as soluções propostas, mediando os debates quando necessário, embora cada grupo já contasse com um mediador indigena designado. Além disso, a Arandu relatou as apresentações finais de cada GT, registrando as propostas elaboradas coletivamente.

Entre os principais temas abordados, destacaram-se a necessidade de acesso a serviços de saúde específicos e inclusivos, a promoção do respeito à diversidade sexual e de gênero nos ambientes educacionais, a valorização das identidades e expressões culturais indígenas LGBTQIA+, a proteção contra violências nos territórios indígenas, e a criação de oportunidades econômicas que combatam a discriminação no mercado de trabalho. Essas discussões foram fundamentais para a construção de estratégias e práticas voltadas à melhoria das condições de vida dos indígenas LGBTQIA+ da região Nordeste.

Dessa forma, a participação da Rede foi de fato uma experiência transformadora. Sua atuação não apenas enriqueceu os debates e gerou impacto no evento, mas também reafirmou a importância das iniciativas colaborativas na promoção dos direitos humanos e da diversidade. Mais do que isso, reforçou seu compromisso inabalável com a causa indígena LGBTQIA+, destacando a necessidade contínua de espaços de diálogo e mobilização para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Rede Arandu, INCT Caleidoscópio.
Foto: Levi Tapuia.

O INCT Caleidoscópio contribuirá com a elaboração de um relatório detalhado, sistematizando as ideias e propostas discutidas ao longo do seminário. Esse documento será uma ferramenta fundamental para orientar a formulação de políticas públicas nacionais voltadas aos direitos dos indígenas LGBTQIA+. Paralelamente, a experiência proporcionou um rico aprendizado para os membros da Rede, que tiveram a oportunidade de ouvir diretamente as demandas e perspectivas dos/das/des participantes, ampliando sua visão e fortalecendo suas estratégias de atuação.

A relevância do evento foi evidenciada pela presença de importantes lideranças, como o Coordenador de Políticas Públicas LGBTQIA+ do MPI, Niotxarú Pataxó, além de representantes da SESAI e da Coordenação de Direitos Humanos. O seminário consolidou a articulação entre indígenas LGBTQIA+, instituições públicas e organizações parceiras, impulsionando o desenvolvimento de políticas mais inclusivas e eficazes.

Dessa forma, a participação da Rede foi de fato uma experiência transformadora. Sua atuação não apenas enriqueceu os debates e gerou impacto no evento, mas também reafirmou a importância das iniciativas colaborativas na promoção dos direitos humanos e da diversidade. Mais do que isso, reforçou seu compromisso inabalável com a causa indígena LGBTQIA+, destacando a necessidade contínua de espaços de diálogo e mobilização para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Rede Arandu, INCT Caleidoscópio.
Foto: Levi Tapuia.

Dessa forma, a participação da Rede foi de fato uma experiência transformadora. Sua atuação não apenas enriqueceu os debates e gerou impacto no evento, mas também reafirmou a importância das iniciativas colaborativas na promoção dos direitos humanos e da diversidade. Mais do que isso, reforçou seu compromisso inabalável com a causa indígena LGBTQIA+, destacando a necessidade contínua de espaços de diálogo e mobilização para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Seminário Regional de Consulta “Tecendo Direitos: Uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+” é realizado na Aldeia Meruri

Seminário Regional de Consulta “Tecendo Direitos: Uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+” é realizado na Aldeia Meruri

Autoria: Alessandra Prates

Doutoranda no Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Rural (UFRGS).

O Seminário Regional de Consulta no exercício do projeto Tecendo Direitos: Uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+ foi realizado na Aldeia Meruri, no Mato Grosso, entre os dias 20 e 23 de fevereiro de 2025.

O evento teve como objetivo elaborar propostas concretas de políticas públicas para garantir o acesso a serviços essenciais como saúde, educação, cultura, território, trabalho e renda para a população indígena LGBTQIA+.

Durante o evento, foram discutidas as especificidades e necessidades dessa comunidade, visando a construção de uma estratégia nacional robusta e inclusiva.

Seminário Regional de Consulta "Tecendo Direitos: Uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+" é realizado na Aldeia Meruri
Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+. Foto: Niotxaru Pataxó e Ramona Jucá.

Os impactos esperados desse seminário regional, a curto prazo, incluem a ampliação do conhecimento sobre a realidade dos povos indígenas LGBTQIA+, a redução da violência e da discriminação, e a melhoria no acesso aos serviços públicos. Também há pretensão de fortalecer a identidade e cultura indígena LGBTQIA+, promovendo maior visibilidade e respeito.

Vale destacar que esse seminário foi o primeiro de uma série de consultas que ocorrerão em todas as regiões do Brasil, com o objetivo de ouvir as diversas realidades e garantir que a estratégia nacional seja verdadeiramente representativa e abrangente.

O grupo de pesquisa "Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade", vinculado à Incubadora Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, esteve presente no seminário, acompanhando e auxiliando nos processos de relatoria e na escuta ativa das demandas das comunidades, participando ativamente da construção desse processo consultivo desde o início.

Para mais informações, acesse o site www.gov.br/povosindigenas e a página do Instagram do Ministério dos Povos Indígenas (MPI).

Congresso Latino-Americano de Estudos Feministas do Sul abre período para submissão de trabalhos em Montevidéu

Congresso Latino-Americano de Estudos Feministas do Sul abre período para submissão de trabalhos em Montevidéu

O primeiro Congresso Latino-Americano de Estudos Feministas do Sul, intitulado Interdisciplinadæ, está com chamadas abertas para submissão de resumos até o dia 11 de maio de 2025. Pesquisadoras, pesquisadores, docentes, ativistas e profissionais podem submeter resumos de trabalhos para integrar as apresentações nas sessões dos diferentes Simpósios Temáticos (STs) organizados em cada eixo temático do congresso.

A chamada busca propostas que contribuam para o campo dos estudos feministas, especialmente pela perspectiva interdisciplinar ou transdisciplinar, incorporando um enfoque interseccional. Serão aceitas submissões que apresentem avanços ou resultados de projetos de pesquisa ou extensão, trazendo reflexões teórico-conceituais, metodológicas ou epistemológicas que estimulem o pensamento coletivo nos estudos feministas.

O evento acontecerá entre os dias 18 e 21 de novembro de 2025 na Universidad de la República, em Montevidéu, Uruguai, sob a organização do Centro de Estudos Feministas Interdisciplinares (CEIFem) do Espaço Interdisciplinar da universidade. A programação conta com Simpósios Temáticos (STs) divididos nos seguintes eixos temáticos:

    • Poder, Patriarcado, Política
    • Ativismos, Memória Feminista e Feminismos do Sul
    • Corpos, Sexualidades e Reprodução
    • Violência de gênero
    • Arte
    • Informação e Comunicação
    • Ambiente, Territórios e Planeamento Urbano
    • Economia, Trabalho e Cuidado
    • Ciência e Tecnologia

A descrição dos STs e eixos temáticos pode ser acessada no site oficial do congresso aqui. As orientações para o envio e modelo de inscrições podem ser acessadas por este link aqui. 

Datas importantes

O prazo para envio de propostas de resumos se encerra no dia 11 de maio de 2025, e a notificação de aceite dos resumos será enviada até 7 de julho de 2025. E o envio das versões completas das apresentações terá início em 7 de julho de 2025, com o encerramento das submissões no dia 17 de outubro de 2025.

    • Encerramento do envio de propostas de resumos: 11 de maio de 2025
    • Notificação de aceitação dos resumos: 7 de julho de 2025
    • Abertura para envio de apresentações completas: 7 de julho de 2025
    • Encerramento do envio de apresentações completas: 17 de outubro de 2025

Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidsocópio no In[ter]disciplinadæ

Pesquisadoras vinculadas ao Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidsocópio fazem parte da coordenação de três Simpósios Temáticos. Joana Maria Pedro (UFSC), Morgani Guzzo (UFSC) e Lídia Maria Vianna Possas (Unesp), junto com pesquisadoras de países latino-americanos, como Argentina, Uruguai e México, mediarão temas que tratam sobre mulheres na política, violências de gênero e resistências nos meios digitais, e movimentos de mulheres e resistência ao patriarcado e ao colonialismo na América Latina.

Abaixo estão as descrições e mais informações sobre os Simpósios Temáticos (STs) coordenados pelas pesquisadoras ligadas ao Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio. Para facilitar a leitura, os resumos dos simpósios foram traduzidos para o português. A versão original em espanhol e outros detalhes sobre o evento podem ser acessados no site oficial clicando aqui.

Mulheres eleitas na América Latina: desafios e avanços (Mujeres electas en América Latina: retos y avances)

A eleição de mulheres para cargos legislativos e executivos na América Latina tem sido uma preocupação para organismos internacionais, ativistas feministas e partidos políticos de diferentes orientações ideológicas. A adoção de cotas para garantir a participação de mulheres em eleições, a busca por leis que incentivem candidaturas, a preocupação com o financiamento das campanhas, a existência de listas fechadas ou abertas, a violência política de gênero (ALBAINE, 2016) têm motivado pesquisas e políticas públicas. Os movimentos de mulheres e feministas latino-americanos têm buscado formas de aumentar o número de candidatas e de mulheres em cargos de poder acessados por meio de eleições em diferentes países.

As pesquisas têm destacado a importância da presença de mulheres em posições de poder para a democracia. Por outro lado, também se discute a diferença entre uma política de presença e uma política de ideias (PHILLIPS, 1995), questionando se basta ser mulher para que sejam propostas e implementadas políticas públicas voltadas às mulheres. Nesse contexto, as expressões políticas desenvolvidas na região durante as primeiras décadas do século XXI geraram discursos e práticas que desafiam e reconfiguram os sentidos tradicionais atribuídos à participação das mulheres na esfera pública (BARROS; MARTÍNEZ PRADO, 2023). Essas transformações não apenas questionaram concepções que associam a presença feminina na política a uma representação automática dos interesses de gênero, mas também evidenciaram as tensões entre agendas progressistas e conservadoras em relação à igualdade de gênero.

Em particular, no exercício de cargos legislativos e executivos, essas dinâmicas revelaram a diversidade de posturas e prioridades que as mulheres no poder podem assumir, desde aquelas alinhadas com projetos de emancipação até outras que reforçam narrativas tradicionais ou contrárias aos direitos das mulheres (TORRICELLA, 2024). Os estudos demonstraram que as questões de raça, etnia e sexualidade exercem influência, tornando o enfoque interseccional (CRENSHAW, 2002) essencial para analisar essas questões. Nesta proposta, consideramos mulheres as pessoas que se identificam dessa forma.

Para este Simpósio Temático, damos as boas-vindas a pesquisas que enfoquem a eleição de mulheres para cargos legislativos e executivos em diferentes níveis de poder, assim como estudos comparativos entre diferentes países da América Latina. Também são bem-vindos estudos que trabalhem com dados eleitorais, bem como aqueles que investiguem as trajetórias das mulheres na política, métodos de campanha, financiamento eleitoral, formas de utilizar o gênero como benefício político e pesquisas focadas na análise de discursos políticos sobre a participação das mulheres na cena pública.

Coordenadoras:

    • Joana Maria Pedro – Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil
    • Valeria A. Caruso – Instituto Interdisciplinario de Estudios de Género, Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires – Argentina
    • Mercedes Barros – Instituto de Investigaciones en Diversidad Cultural y Procesos de Cambio (CONICET) – Universidad Nacional de Río Negro – Argentina

Agendas antigênero, discursos neoconservadores e resistências feministas em redes sociais e meios digitais (Agendas antigénero, discursos neoconservadores y resistencias feministas en redes sociales y medios digitales)

Na última década, diversas pesquisas mostram a presença de grupos antidireitos e neoconservadores no debate público em diferentes países da América Latina. Esses grupos utilizam discursos de ódio, discriminatórios e violentos para difundir ideias e valores contrários à igualdade de gênero, disciplinar e silenciar as vozes que defendem os direitos das mulheres e das dissidências, além de impulsionar uma agenda reativa contra os feminismos e os movimentos de direitos humanos, reunidos sob as denominações de “ideologia de gênero” e “agenda woke”. Embora esses grupos e discursos não sejam um fenômeno novo, sua expansão e consolidação na região representam uma mudança de escala coordenada e sistemática, incluindo formas interseccionais de discursos discriminatórios em reação aos avanços feministas na região.

Nessas agendas antigênero, o neoconservadorismo e a moral tradicional encontram novos aliados e estratégias. Um exemplo disso são os discursos que pregam o retorno a modelos tradicionais de ser mulher, de maternidade e de cuidados, semelhantes aos que, no Norte Global, enfatizam fenômenos como o movimento das “donas de casa tradicionais” ou “tradwives”, promovido por influenciadoras que recomendam estilos de vida “naturais”, supostamente necessários para recuperar a saúde, o bem-estar e a harmonia. Esses fenômenos estão diretamente relacionados à expansão das redes sociais e às novas formas do capitalismo, que promovem o empreendedorismo individual e outras formas de subjetivação conectadas a desejos aspiracionais de classe, status, segurança ou proteção, baseadas no modelo sexista tradicional e na apelação a uma suposta “natureza” sagrada e inquestionável.

Por outro lado, as redes sociais e outras plataformas digitais também têm sido utilizadas de forma criativa por movimentos sociais, coletivos, organizações feministas, mídias alternativas e espaços acadêmicos para promover encontros e debates, convocar mobilizações, fortalecer e criar redes de apoio e solidariedade em defesa da ampliação e do respeito aos direitos das mulheres e das pessoas LGBTIQ+.

Com base nesse breve panorama, convidamos pesquisadoras(es), docentes, ativistas e profissionais a submeter propostas que problematizem e reflitam sobre as formas de produção, reprodução e circulação de discursos misóginos, antifeministas e neoconservadores que promovem diferentes formas de violência de gênero em espaços de interação na Internet (redes sociais e outras plataformas virtuais), analisando seus alcances e impactos na região. Quais audiências esses perfis nas redes sociais conseguem mobilizar? A que tipos de recursos imaginários e materiais eles recorrem? Quais desafios representam para o movimento feminista?

Incentivamos o envio de propostas que tragam contribuições interdisciplinares, sejam ensaísticas ou baseadas em pesquisas empíricas, considerando essas questões a partir de perspectivas feministas e de gênero interseccionais. Também nos interessam propostas que abordem formas de contestação, resistência e outros usos afirmativos das redes e mídias digitais para a intervenção pública dos movimentos feministas e de outras organizações sociais que lutam contra a violência de gênero e contra as pessoas LGBTIQ+ na região. Além disso, são bem-vindas propostas que desenvolvam recomendações voltadas a políticas públicas e/ou sugestões formativas e educativas.

Coordenadoras:

    • Claudia Bacci – Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe, Universidad de Buenos Aires – Argentina
    • María Marta Herrera – IdHICS/Cinig – FaHCE- UNLP – Argentina
    • Morgani Guzzo – Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil
    • Nayla Luz Vacarezza – Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe, Universidad de Buenos Aires – Argentina
    • Silvana Darré Otero – FLACSO Uruguay – Uruguay

Movimentos de Mulheres e Resistência na América Latina: enfrentando as normas patriarcais e a colonialidade no mundo contemporâneo (Movimientos de Mujeres y Resistencia en América Latina: enfrentando las normas patriarcales y la colonialidad en el mundo contemporáneo)

A proposta deste Simpósio é sensível ao movimento de mulheres, que tem sido protagonista na resistência à ascensão da extrema direita em setores conservadores da sociedade e dos poderes políticos institucionalizados, liderando a luta contra as opressões estruturais e os mecanismos históricos de reprodução das desigualdades na América Latina. Nosso objetivo é reunir trabalhos que abordem as formas como as feministas — acadêmicas, ativistas, profissionais, docentes — têm articulado agendas antiviolência, antirracistas, anticapitalistas, abolicionistas penais, anticapacitistas e antifascistas, influenciando o debate sobre as políticas de enfrentamento às normas patriarcais, misóginas e heteronormativas/sexistas, que encontram barreiras diante de posições fundamentalistas e negacionistas que legitimam estruturas de segregação.

As ações protofascistas dos governos eleitos e suas conexões político-ideológicas interceptam as conquistas feministas e o processo civilizatório em curso. Esperamos debater como a interseccionalidade se impõe e como a ação política, que permeia a vida cotidiana — seja por questões de cor, gênero, sexualidade, classe social, origem ou moradia —, é acentuada pela repressão e exploração.

Coordenadoras:

    • Lidia Possas – Laboratorio Interdisciplinar de Estudios de Género-Universidad Estadual Paulista – Brasil
    • Flor de María Gamboa Solís – Universidad Michoacana de San Nicolás de Hidalgo – México

Informações gerais

Evento: In[ter]disciplinadæs – Congreso Latinoamericano de Estudios Feministas del Sur

Local: Universidad de la Republica de Uruguay – Montevideo, Uruguay

Prazo para envio de resumos: 11 de maio de 2025

Site: Acesse o site oficial para obter as informações completas sobre as participações: https://interdisciplinadascongreso.uy/.

Referências citadas no texto:

 

ALBAINE, Laura. Paridad de género y violencia política en Bolivia, Costa Rica y Ecuador. Un análisis testimonial. Ciência Política, 11.21, 2016, pp. 335-362.

 

BARROS, Mercedes y MARTÍNEZ PRADO, Natalia. Feminism and populism with no guarantee. Etica & Politica/Ethics & Politics, XXV, 2, 2023, pp. 249-267.

 

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas [online], vol. 10, n.1, 2002.

 

PHILLIPS, Anne. De uma política de ideias a uma política de presença? Revista Estudos Feministas, ano 9, 2001, pp. 268-290.

 

TORRICELLA, Andrea. La reacción cultural y la cuestión de género. In. GRIMSON, A. (Comp.) Desquiciados, Buenos Aires, Siglo XXI, 2024.