Dedicado a realizar coleta de dados sobre violências, desigualdades e insurgências de gênero e sexualidade dissidentes no contexto acadêmico nas IES, o Observatório Caleidoscópio é um dos quatro eixos do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCT) Caleidoscópio. Este eixo visa produzir uma visão de conjunto das pesquisas e levantamentos realizados em âmbito nacional, bem como evidenciar especificidades e atividades produzidas pelas respectivas coordenações regionalizadas, oferecendo-lhes autonomia temática e analítica, dentro das Metas e Princípios do INCT Caleidoscópio.
Com equipes multidisciplinares, a atuação do Observatório Caleidoscópio se articula a partir das atividades de três regiões, Centro-Oeste; Norte, Nordeste e Amazônia Legal; e Sul e Sudeste, das quais são descritas ao longo do texto!
A fim de sistematizar informações que subsidiem estratégias de enfrentamento às desigualdades de gênero e sexualidade no meio acadêmico, são realizadas coletas e tratamentos de dados que possam contribuir com a construção de políticas públicas feministas e antirracistas em perspectivas interseccionais e decoloniais.
Também é feito mapeamentos de iniciativas exitosas em direitos humanos nas IES, com objetivo de fomentar sua replicação, incluindo vínculos entre trajetórias exemplares e políticas públicas.
Para isso, segue-se os seguintes objetivos centrais:
- Produzir indicadores e análises sobre equidade de gênero nas Instituições Públicas de Ensino Superior e Pesquisa do Brasil (IES)
- Levantar e analisar os equipamentos e diretrizes de enfrentamento das violências de gênero nas IES;
- Divulgar as atividades, pesquisas e debates do Observatório e do INCT Caleidoscópio.
As atividades das nucleações regionais do Observatório Caleidoscópio são registradas e divulgadas pelo seu próprio site, no qual pode ser acessado a partir do link da seguir, e na página de Notícias deste!
Acesse o site do Observatório Caleidoscópio pelo link abaixo!
Site Observatório Caleidoscópio
Nucleação Centro-Oeste
Na Nucleação Centro-Oeste, as atividades visam mapear a presença e permanência de mulheres indígenas nas universidades, começando pelo Centro-Oeste, e posteriormente ampliando para o território nacional. As investigações buscam saber quem são as mulheres indígenas nas universidades, em que áreas elas atuam, quais são temáticas das dissertações e teses defendidas.
Guiado pelo objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas específicas, uma das atividades do Observatório na nucleação Centro-Oeste é o mapeamento de teses e dissertações defendidas por indígenas mulheres e LGBT dissidentes, identificando quem são, em que áreas científicas atuam e quais produções acadêmicas desenvolveram, buscando atuações de professoras e/ou estudantes de graduação e pós-graduação em universidades públicas.
Esse propósito se aplica na parceria com a rede Arandu (Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade), em que são mapeadas situações de violência e insurgência em relação à população indígena LGBTQIAPN+. Vinculada à nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede Arandu prima por uma perspectiva interseccional e transversal, a fim de reconhecer e articular as vivências e experiências marcadas por gênero, sexualidade, raça e etnia.
A rede Arandu (Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade) – que mapeia violências e insurgências que atravessam os povos originários, especialmente a população indígena LGBTQIAPN+ por uma perspectiva interseccional e transversal – ou se articular a partir de um ou mais Grupos Temáticos (GT).
Para conhecer mais a rede Arandu, acesse o documento que descreve a rede, as atividades de um coletivo indígena LGBTQIAPN+, os coletivos nacionais e internacionais, apresenta um mapeamento de políticas públicas, e o protocolo seguido pela rede Arandu para realizar pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil.
Com o apoio do INCT Caleidoscópio e como parte de sua nucleação Centro-Oeste, a rede dedica-se à produção de podcasts, cursos e seminários com mulheres e pessoas indígenas LGBTQIAPN+, compartilhando experiências, saberes e vivências.
A Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio é coordenada na Universidade de Brasília pelas professoras Viviane de Melo Resende, do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Maria Carmen Aires Gomes, do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares, Tchella Maso, do Instituto de Relações Internacionais, e Jacqueline Fiuza, do INCT Caleidoscópio/CNPq.
Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal
A Nucleação Norte-Nordeste e Amazônia Legal desenvolve, no âmbito do Observatório Caleidoscópio, o subprojeto Mapeamento e Monitoramento Interseccional das Desigualdades de Gênero, Raça e Mudanças Climáticas nas Universidades, iniciado em agosto de 2024.
Esse subprojeto adota uma perspectiva feminista interseccional e de natureza interdisciplinar, funcionando de modo articulado com a Incubadora Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal. Ele concentra suas ações em quatro eixos principais descritos abaixo.
O primeiro é focado em produção de Indicadores sobre mulheres negras nas ciências e tecnologia, com foco no mapeamento de estudos, pesquisas e ações extensionistas que visibilizam, mensuram e discutem formas emergentes de desigualdades de gênero racializadas e políticas afirmativas na pós-graduação em universidades brasileiras. O objetivo é entender o impacto de raça, gênero e mudanças climáticas no acesso, permanência e progressão nas carreiras científicas de mulheres negras (pretas e pardas) de grupos minorizados, como quilombolas, rurais e periféricas.
Outra atividade é o mapeamento de Equipamentos e Ações. O subprojeto realiza o mapeamento de ações e equipamentos voltados ao enfrentamento das desigualdades de gênero racializadas, com especial atenção àquelas relacionadas às mudanças climáticas e às ações afirmativas na pós-graduação em universidades públicas brasileiras das regiões Norte, Nordeste e Amazônia Legal. O foco é promover a equidade de gênero, raça e justiça social.
Também é feito a articulação com Equipes de Pesquisa. São estabelecidas parcerias com pesquisadoras de universidades brasileiras e internacionais, visando fortalecer redes e nós que agregam perspectivas sobre outras realidades nacionais, considerando diferentes abordagens e contextos.
Além da produção e Divulgação Científica, com publicação de artigos científicos, podcasts, infográficos e informes resumidos para ampliação do impacto social e científico.
A coordenação desta iniciativa é do Grupo de Pesquisa Ateliê — Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, realizada pela Prof.ᵃ Dra.ᵃ Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e do NEIM — Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia (UFBA), orientada pela Prof.ᵃ Dr.ᵃ Silvia Lúcia Ferreira.
Nucleação Sul e Sudeste
A Nucleação Sul e Sudeste no âmbito do Observatório Caleidoscópio objetiva a produção, análise e divulgação de indicadores de violências e vulnerabilidades que atingem mulheres no mundo da ciência, com vistas a compreender as questões que afetam a vida pessoal e a carreira deste grupo em diferentes dimensões.
Inicialmente, a região Sul e Sudeste dentro do Observatório Caleidoscópio articula suas ações a partir de nucleações interinstitucionais, buscando atender aos seguintes objetivos:
- Produzir, analisar e divulgar indicadores sobre a participação das mulheres na C&T (região sul-sudeste), com um mapeamento (histórico e atual) em âmbito nacional de mulheres nas ciências e acompanhamento de suas inserções no mercado de trabalho nos primeiros cinco anos após conclusão de suas formações (graduação/pós-graduação), a partir de uma perspectiva feminista interseccional;
- Levantar as iniciativas institucionais pioneiras em Direitos Humanos e justiça social nas Instituições de Ensino Superior (IES) com o objetivo de fomentar experiências exitosas nas universidades parceiras;
- Produzir conteúdos para sensibilização do público (especialmente das IES) e recomendações para subsidiar políticas públicas;
- Dar visibilidade às ações do INCT Caleidoscópio, como as atividades desenvolvidas pela Incubadora Social Feminista Antirracista Norte-Nordeste.
O INCT Caleidoscópio coaduna-se às discussões ensejadas pela UNESCO e o projeto #eudacastem2030, que tem como objetivo promover nas escolas a transformação sobre as questões de gênero a partir da formação pedagógica de docentes nos temas de STEM. A inovação pretendida pelo INCT pode ser resumida em sua abordagem original sobre as questões da iniquidade e violências, que articula diagnósticos (produção de indicadores), causalidades (redes de pesquisas e análises sócio históricas), formação (de quadros de pesquisadoras nos vários níveis da educação média, graduação e pós-graduação), orientação transdisciplinar de recém formadas na perspectiva feminista interseccional (através das incubadoras), disseminação de conteúdos das pesquisas científicas (em redes sociais e entre pares) e ações de enfrentamento a partir da proposição para políticas públicas, gestadas em diálogos entre Universidade, Estado e Movimentos sociais.
Neste sentido, o Observatório terá potencial de impactar políticas de inclusão de mulheres na ciência e educação, por meio da produção de indicadores, estudos e divulgação de materiais que sensibilizem o poder público, gestores, escolas e público em geral para questões de violências e desigualdades de gênero que dificultam seu acesso, permanência e mobilidade de meninas e mulheres em diferentes níveis de formação acadêmica, além de atingir outras dimensões de suas vidas. Para tanto, a estrutura básica do Observatório deverá incluir três vertentes principais, a saber: 1) conteúdos de divulgação científica; 2) Indicadores e estudos; 3) Redes e nós, conforme aponta a Figura abaixo:

O levantamento de dados (histórico e atual) sobre mulheres nas ciências será inicialmente realizado através das bases públicas disponibilizadas pelo CNPq (especialmente a Plataforma Lattes), CAPES, MEC e INEP. Para uma contextualização geral, será utilizado os dados do Censo da Educação Superior, no site do INEP, o qual apresenta o perfil dos docentes e pesquisadores brasileiros desde 2010. Será solicitado, via Portal da Transparência, os dados desagregados sobre esse público, para que se possa realizar os cruzamentos pretendidos para uma análise interseccional mais detalhada.
Pretende-se utilizar softwares que organizem os dados coletados pelo extrator do Lattes sobre as carreiras de mulheres pesquisadoras, inicialmente, na região sul e sudeste. Serão coletados dados sobre o perfil, incluindo gênero, raça, nível socioeconômico, idade, além de dados sobre produção científica para realizar uma análise de redes de colaboração.
Os dados do perfil interseccional das pesquisadoras serão analisados pelo Software AIP – Análise Interseccional de Perfil, a ser adaptado posteriormente para uso no Observatório, permitindo ao usuário do site realizar cruzamentos e gráficos dinâmicos (Feltrin et al., 2021)[1]. O software é capaz de analisar milhares de dados desagregados de cada sujeito (como sexo, cor/raça, necessidades especiais, etc.) e o atribui um “perfil”, operacionalizando os marcadores sociais de diferença de forma interseccional.
A partir de uma análise preliminar dos sites com temáticas afins ao Observatório do INCT Caleidoscópio, identificamos uma ausência de dados organizados e com possibilidades de cruzamentos para auxiliar pesquisadores, gestores públicos e divulgadores científicos sobre as trajetórias de mulheres na ciência. Desta forma, espera-se que os produtos do Observatório tenham um impacto positivo na pesquisa, na formulação de políticas públicas, nas IES e na sensibilização da sociedade em geral.
Espera-se que os materiais produzidos pelo Observatório, derivados do levantamento dos indicadores e realização de estudos, sejam empregados também em escolas públicas de educação básica e ensino médio, importantes espaços para a produção e disseminação de tecnologias sociais. Neste sentido, as ações desenvolvidas junto a mulheres e meninas no ensino médio em escolas urbanas periféricas, rurais, indígenas e quilombolas visam a diminuição da evasão escolar e ampliação do acesso ao ensino superior. O Observatório trará, ainda, impactos alinhados à Agenda 2030 da ONU, especialmente ao ODS 4 que trata do acesso a uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, com eliminação das disparidades de gênero na educação e igualdade para as meninas e mulheres mais vulneráveis.
O Nucleação Sul-Sudeste tem como objetivos centrais a geração de indicadores para acompanhar o percurso de formação e profissionalização de meninas e mulheres (cis e trans), com atenção às desigualdades de gênero, etnia, raça, classe e geopolítica do conhecimento acadêmico, buscando gerar subsídios às políticas, programas e ações de redução das desigualdades e violências que obstaculizam o acesso, a permanência e a continuidade desses grupos nas ciências. A coordenação é do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Unicamp, realizada pelas pesquisadoras Karla Bessa e Margaret Lopes e do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH), da UFSC, realizada pela professora Joana Pedro.
As principais ações são:
- Mapear (histórico e atual) as trajetórias das mulheres nas ciências (pesquisadoras das regiões sul e sudeste) e fazer o acompanhamento de suas inserções nos mercados de trabalho nos primeiros cinco anos após conclusão de suas formações (graduação/pós-graduação), a partir de uma perspectiva interseccional;
- Mapear e divulgar iniciativas exitosas de combate e acolhimento de denúncias de violências e assédios nas Instituições de Ensino Superior das regiões o sul e sudeste e redes emergentes de Direitos Humanos vinculadas a elas;
- Desenvolver conteúdos para sensibilização do público (especialmente das IES) e recomendações para subsidiar políticas públicas.
[1] Feltrin, RB; Santos, DF; Velho, L. O papel do Ciência Sem Fronteiras na inclusão social: análise interseccional do perfil dos beneficiários do programa na Unicamp. Avaliação, Campinas; Sorocaba, SP, v. 26, n. 01, p. 288-314, mar. 2021
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