I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

A abertura do evento contou com a participação de Joana Nunes, Coordenadora-Geral de Bioeconomia e Ciências Exatas, Humanas e Sociais do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação; Andreza Xavier, Diretora da Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres; Maria Emília Walter, Decana de Pesquisa e Inovação da UnB; e Deborah Santos, Secretária de Direitos Humanos da UnB.

Por: Inara Fonseca.

Na última semana, de 29 a 31 de outubro, o Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), recebeu cerca de 200 pesquisadoras de distintas áreas do conhecimento, para compartilhar pesquisas científicas e pensar estratégias voltadas à promoção da equidade, diversidade e inclusão de gênero e étnico-racial nas ciências. Ao todo, estiveram representadas 13 universidades brasileiras e quatro internacionais nas mesas de debate e conferências do evento, com participação de pesquisadoras da Argentina e do Uruguai. Além disso, a solenidade de abertura contou com a presença da Coordenadora-Geral de Bioeconomia e Ciências Exatas, Humanas e Sociais do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação, Joana Nunes; da Diretora da Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Andreza Xavier; da Decana de Pesquisa e Inovação da UnB, Maria Emília Walter; e da Secretária de Direitos Humanos da UnB, Deborah Santos.

“Foi um primeiro encontro presencial com praticamente todas as participantes do INCT Caleidoscópio, reunindo as integrantes do Comitê Gestor, as nossas seis pós-doutorandas, bolsistas de Iniciação Científica e Apoio Técnico  e com presença de  muitas pesquisadoras integrantes das nucleações do Observatório Caleidoscópio (coordenação Sul/Sudeste) e da Incubadora Norte-Nordeste e Amazônia Legal. Também foi um momento importante de apresentação, às nossas parceiras internacionais, do trabalho ramificado e denso realizado pelo INCT Caleidoscópio, em suas várias pesquisas em andamento e reflexões sobre o que precisamos avançar para os próximos anos”, explicou Karla Bessa (Unicamp), vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio. 

Espaços horizontais de diálogo e de fortalecimento também marcaram a programação do I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio. O Painéis de Redes, onde ocorreram comunicações integradas de redes de pesquisa, foi um espaço privilegiado de aprendizado e internacionalização, devido ao alinhamento entre os temas de investigação dos grupos de pesquisa e a experiência das pesquisadoras envolvidas. Já o Conversatório possibilitou a integração e a troca entre estudantes, pesquisadores e ativistas. Durante o Conservatório foi possível ouvir: 1) os desafios de estudantes quilombolas e indígenas de inclusão e de pertencimento no âmbito da Universidade de Brasília; 2) uma representante do Ministério das Mulheres sobre a luta do Ministério para ter orçamento próprio e, com isso, fomentar o debate sobre equidade e diversidade; 3) o desafio de exercer um mandato político e ser uma pessoa LGBTQIA+, visto que ainda há ainda muito preconceito.

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

Mulheres e resistência nas ciências marca primeiro dia

A resistência das mulheres nas ciências foi o foco dos debates no primeiro dia de evento. “Mesmo tendo ocupado número significativo de vagas no crescimento das universidades depois da reforma universitária de 1970, as mulheres estiveram à margem dos recursos do sistema de ciência e tecnologia e dos cargos de poder e representação acadêmica até recentemente”, ponderou a professora Miriam Pillar Grossi (UFSC) durante a primeira conferência. 

Já na primeira mesa de debate do dia, composta por pós-doutorandas do INCT Caleidoscópio, Zizele Ferreira (UFCG) falou sobre os desafios para acesso e permanência de mulheres quilombolas nas ciências. Na segunda mesa, pesquisadoras dos Núcleos Feministas do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) mostraram como as pesquisas com perspectiva de gênero colaboraram para criação de políticas públicas para mulheres e população LGBTQIA+ e, por conseguinte, conquista de direitos. 

“A primeira Delegacia de Atendimento Especial à Mulher de Brasília, em 1986, surgiu com a atuação do NEPeM (Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Mulheres - UNB). O NEPeM participou durante muito tempo do Conselho Distrital do Direito da Mulher, colaborando na construção de políticas públicas e cursos de capacitação”, explicou Ela Wiecko (UnB). 

Além disso, no período da tarde, ocorreram seis comunicações simultâneas com distintos temas relativos à gênero, ciência e violências. Confira mais sobre o primeiro dia, clicando aqui

Teorias e práticas antirracistas na universidade marcam segundo dia de evento

No segundo dia evento, as iniquidades raciais no sistema de ensino superior brasileiro foram o alvo do debate. A ideia do discurso como vetor de transformação para luta contra o racismo na Universidade foi apresentada pela pesquisadora Glenda Cristina Valim de Melo (UNIRIO). 

“bell hooks vai dizer que nós fazemos das nossas palavras uma fala contra-hegemônica liberando nós mesmos da linguagem. Isso é importante porque é nessa circulação de textos, de narrativas, de discursos que nós podemos contar outras narrativas que sejam mais justas e coloquem a população negra como produtora de conhecimento e como aquela que deve estar na universidade sim. É preciso repetir essa narrativa até que ela fissure o pensamento racista que ocupa as universidades, de que esse é um espaço que não pertence a população negra”, analisou a pesquisadora.

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Ainda foi falado sobre epistemologias negras, desafios para as mulheres quilombolas mães permanecerem na universidade e para a valorização do conhecimento indígena no espaço acadêmico. 

“O saber indígena, profundamente enraizado na relação com a terra, nas práticas comunitárias e na espiritualidade, oferece uma compreensão holística da vida e do universo que contrasta com a fragmentação do conhecimento ocidental. A presença de epistemologias indígenas na universidade vai além da inclusão de novos conteúdos curriculares. Ela desafia as bases epistemológicas da própria academia, exigindo uma reconfiguração das práticas pedagógicas e dos paradigmas de pesquisa”, explica Altaci Kokama (Altaci Rubim), da UnB.

Desafios para permanência do debate de gênero nas ciências marca último dia

No Brasil, um dos sintomas da crise do sistema de ensino superior remete à questão da equidade de gênero, raça e classe na universidade pública tanto como estudante, quanto como pesquisador e docente. Com o crescimento de políticas públicas focalizadas temos visto um discreto aumento da diversidade do corpo docente e discente das instituições, no entanto, as estatísticas ainda são desanimadoras.

Conforme apresentou a pesquisadora Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio, durante mesa no último dia do seminário, embora o censo do Ensino Superior de 2023 (INEP) tenha divulgado números que informam sobre uma presença cada vez maior das mulheres no Ensino (58,4% das matrículas) e Pesquisa universitários, uma análise mais ampliada sobre onde estão inseridas essas mulheres (79,4% em cursos de graduação de IES privadas e maioria no modo EAD) e a seletiva participação delas nas universidades públicas, concentradas em áreas como Saúde e Humanidades, revelam que além de haver um desafio para inserção das mulheres junto  às áreas de exatas e tecnológicas (STEM), há questões sociais e étnico-raciais que impedem de celebrar esse aparente avanço. O baixo índice de 22%  de pessoas de 25 a 35 anos com um curso superior no país, indica que há um  longo caminho para uma conquista efetiva de equidade e inclusão nas ciências. Além disso, a professora destacou também a necessidade da revisão nas hierarquias do conhecimento e no modelo neoliberal e mercantil de pensar o ensino e a pesquisa no país. 

Os dados apresentados por Bessa demonstram o encontro do racismo e do machismo operando nas estruturas da educação brasileira, fato que também foi  denunciado durante o ano de 2024 dentro dos espaços preparatórios para 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação - 5ª CNCTI.

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

As pesquisas científicas apresentadas pelas pesquisadoras durante os três dias de Seminário reforçam a necessidade da criação de um espaço e de uma agenda permanente para o debate de gênero, raça e demais iniquidades dentro das ciências, para compreensão de como essas desigualdades influenciam na construção do conhecimento e quais as possibilidades para superação desse cenário, reforçando a importância das ações desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio, como reforça Viviane Resende (Unb), coordenadora do INCT Caleidoscópio. 

“O evento propiciou diálogo entre experiências diversas na universidade, olhares para a equidade nas ciências a partir de diferentes disciplinas, áreas, epistemologias. As pessoas presentes tiveram então uma rica oportunidade para repensar seus fazeres e alinhar suas lutas. Poder enxergar experiências concretas e modos de compreensão a partir de diferentes experiências, instituições, lugares pode provocar novos modos de ação e articulações. Esperamos poder também provocar gestoras e gestores de políticas públicas em ciência e tecnologia ao chamar atenção para o tema da equidade nas ciências”, pontua Resende.

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio

Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.

Publicação original: Observatório Caleidoscópio Sul-Sudeste, 06/05/2024.

Por: Morgani Guzzo e Pedro Ordones

Dos dias 4 a 6 de junho acontece, em Brasília, a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), cujo tema é "Para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido". Na etapa preparatória, a Conferência Livre Meninas e Mulheres na Ciência, realizada no dia 25 de março na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, apresentou iniciativas voltadas à equidade de gênero e, entre elas, o trabalho realizado pelo INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero, Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

O diagnóstico das desigualdades é parte fundamental para a discussão dos rumos futuros da ciência, tecnologia e inovação no Brasil, proposta pela 5ª CNCTI. Embora as mulheres sejam maioria na graduação e na pós-graduação em algumas áreas do conhecimento, elas constituem minoria na docência, em cargos de gestão e entre pesquisadoras com bolsa produtividade, situação que é chamada de "efeito tesoura".

De acordo com levantamento de dados realizado pelo Observatório Sul-Sudeste, do INCT Caleidoscópio, 64,76% de quem recebe bolsa produtividade são homens e 34,24% são mulheres. "Mesmo nas Ciências Humanas, onde há maior número de mulheres a nível de pesquisa, elas são minoria entre quem recebe bolsas de produtividade", afirmou durante a Conferência Livre Joana Maria Pedro, professora aposentada do Departamento de História da UFSC, coordenadora do Observatório Sul-Sudeste e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC).

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio. Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.
A historiadora Joana Maria Pedro. Créditos: Jéssica Michels.

As ações em prol da equidade de gênero na ciência, na tecnologia e na inovação perpassam, portanto, pelo olhar sobre as condições para que meninas e mulheres possam não só acessar as universidades, mas permanecer em seus cursos e progredir em suas carreiras.

Nesse sentido, o INCT Caleidoscópio tem, dentre seus objetivos, o desenvolvimento de pesquisas a nível nacional com relação às boas práticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior. Morgani Guzzo, pesquisadora de pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste e integrante do LEGH/UFSC, contou durante a Conferência um pouco da sua pesquisa em andamento: "O primeiro passo que demos foi um mapeamento de políticas implementadas pelas universidades públicas no que diz respeito ao recebimento de denúncias, acolhimento das vítimas e enfrentamento às violências de modo geral. Em seguida, temos buscado entrevistar as pessoas responsáveis por implementar essas políticas para entendermos os processos, desafios e o impacto de tais ações".

Dentre as universidades do Sul e do Sudeste mapeadas até o momento pesquisa, estão seis do Rio Grande do Sul, duas de Santa Catarina, uma do Paraná, uma da região sul (UFFS), três de São Paulo, uma do Espírito Santo, duas do Rio de Janeiro e três de Minas Gerais.

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio. Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.
Morgani Guzzo durante a Conferência Livre Meninas e Mulheres na Ciência. Créditos: Jéssica Michels.

De acordo com Morgani, embora algumas já contem com canais de recebimento de denúncias, ainda são poucas as que implementaram ações amplas de enfrentamento às violências de gênero. "A maioria ainda possui apenas a Ouvidoria como instrumento para registrar as denúncias, sendo comum que elas sejam arquivadas sem a devida responsabilização de quem praticou as violências. Além disso, são incipientes os mecanismos de acolhimento às vítimas e as ações de prevenção e educação que façam frente à cultura onde tais violências e assédios institucionais são naturalizados", completou Morgani.

Para a pesquisadora, também é necessário criar formas de monitoramento dessas políticas, além de avaliar se a comunidade científica sabe a quem recorrer quando necessário. "O passo seguinte é divulgar amplamente as iniciativas exitosas para estimular que outras instituições também implementem políticas semelhantes, além de pensar em metodologias para monitorar a eficácia dessas ações".

Nesse sentido, o INCT Caleidoscópio tem, dentre seus objetivos, o desenvolvimento de pesquisas a nível nacional com relação às boas práticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior. Morgani Guzzo, pesquisadora de pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste e integrante do LEGH/UFSC contou, durante a Conferência, um pouco da sua pesquisa em andamento. "O primeiro passo que demos foi um mapeamento de políticas implementadas pelas universidades públicas no que diz respeito ao recebimento de denúncias, acolhimento das vítimas e enfrentamento às violências de modo geral. Em seguida, temos buscado entrevistar as pessoas responsáveis por implementar essas políticas para entendermos os processos, desafios e o impacto de tais ações".

A criação do INCT Caleidoscópio é resultado da preocupação de diversas pesquisadoras e núcleos de pesquisa sobre a desigualdade de gênero na ciência. Por isso, o fortalecimento de redes como a Caleidoscópio - Rede Nacional de Estudos Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Transdisciplinares e Decoloniais também é importante para avançar nesse tema, segundo a pesquisadora Joana Maria Pedro. "Precisamos garantir que temáticas como a equidade de gênero e o enfrentamento às violências nas universidades estejam na Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Também é preciso promover o fortalecimento das redes como a Parent In Science, a Andorinhas e a Caleidoscópio e reforçar a necessidade de mecanismos de proteção e segurança jurídica para aquelas que fazem denúncias", defendeu.

A 5ª CNCTI é realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal, com organização do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), com apoio de diversas entidades como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), entre outras. O principal objetivo desta edição, que acontece 14 anos após a última CNCTI, é analisar os programas, planos e resultados da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) de 2016-2023 e propor recomendações para a elaboração da ENCTI de 2024-2030.

https://youtu.be/bWfjTTOsPRg

Rede Andorinhas no enfrentamento à desigualdade de gênero na UFOP

Rede Andorinhas no enfrentamento à desigualdade de gênero na UFOP

Por: Morgani Guzzo e Pedro Ordones, em 16/4/2024

Observatório Sul-Sudeste

Você já se perguntou a diferença que pode fazer uma mulher em cargos de gestão na Universidade? Ou que mudanças as mulheres podem provocar em qualquer âmbito quando se unem e se organizam?

Em meio à pandemia, no dia 21 de junho de 2021, Patrícia Moreira, mestre e doutora em genética e professora do Departamento de Biodiversidade, Evolução e Meio Ambiente da UFOP, ajudou a fundar a Andorinhas, uma rede de mulheres compostas por mulheres cis e trans de todas as categorias da Universidade Federal de Ouro Preto (discentes, docentes, servidoras tecnico-administrativas e, também, terceirizadas).

O coletivo Andorinhas - Rede de Mulheres da UFOP surgiu com o objetivo principal de diminuir as assimetrias de gênero no âmbito da universidade, além de lutar contra as violências contra as mulheres. "Nossa intenção é mostrar que o ambiente universitário é também para as mulheres, é um espaço de direito delas e aos poucos estamos conseguindo mostrar isso e fazer a diferença para a comunidade da nossa universidade", contou Patrícia durante o evento "Ocupação INCT Caleidoscópio: as Redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia", que aconteceu no dia 27 de novembro de 2023 por videoconferência.

Desde a sua criação, em quase três anos de lutas, a Rede Andorinhas obteve conquistas significativas para as mulheres da universidade mineira. Entre elas, a aprovação da Resolução 2606 pelo Conselho Universitário (CUNI), que garante às mulheres que tiveram filhos ou adotaram durante o período avaliativo para progressão de cargo, o direito de cumprir apenas 50% dos créditos necessários para a progressão.

Além desta, o coletivo conseguiu a aprovação da resolução 2607, que torna obrigatório que as bancas dos concursos da UFOP sejam compostas por, no mínimo, um terço de mulheres e em uma perspectiva interseccional étnico/racial, de gênero, sexualidade e deficiência como membros titulares. Na resolução ainda consta, no que diz respeito à avaliação dos currículos, que a candidata que passou por gestação ou adotou uma ou mais crianças no período em avaliação, terá correção de 10% a 20% na pontuação obtida.

A Rede também garantiu que gestantes e adotantes tenham pontuação corrigida de forma semelhante na avaliação do currículo nos editais internos da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da instituição.

Além dessas conquistas, a Rede Andorinhas vem trabalhando para garantir equidade e o enfrentamento efetivo às violências contra as mulheres. Uma das ações nesse sentido é o estímulo à participação de docentes e técnicos administrativos em cursos e palestras sobre gênero, diversidades e violências e, desde o final de 2023, o coletivo conseguiu que todos os novos servidores, ao integrarem o corpo de funcionários da universidade, fossem obrigados a participar de cursos a respeito de temas como assédios no ambiente universitário, através do programa Sala Aberta.

A UFOP tem avançado nas políticas de equidade também com a atuação de outros coletivos, como o MANU (Maternidade e Universidade, que, em parceria com a rede de mulheres, garantiu uma bolsa maternidade de R$ 200,00 para discentes de graduação, além do acesso de seus filhos ao Restaurante Universitário (RU). É destaque também a atuação da Ouvidoria Feminina, instituída na universidade em 2017, e a Resolução (2.249) sobre o fluxo de recebimento e encaminhamento de denúncias de violência contra as mulheres na Universidade. Pela qualidade de seu trabalho, a Ouvidoria Feminina venceu o 1º Concurso Boas Práticas do Ministério da Educação (MEC) na categoria "Aprimoramento das Atividades de Ouvidoria", em novembro de 2023.

Por mais meninas e mulheres nas ciências: pesquisadoras do INCT Caleidoscópio participam de conferência por equidade de gênero no RJ

Por mais meninas e mulheres nas ciências: pesquisadoras do INCT Caleidoscópio participam de conferência por equidade de gênero no RJ

Por: Inara Fonseca, em 13/3/2024

Nos dias 15 e 16 de março, no Teatro Odylo Costa Filho da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), as professoras Dolores Galindo (UFCG), Silvia Lúcia Ferreira (UFBA) e a pós-doutoranda Zizele Ferreira (UFCG) estarão presentes na Conferência Temática "Mais Meninas e Mulheres nas Ciências: por uma agenda de equidade e interseccionalidade", representando o INCT Caleidoscópio. O evento faz parte de uma mobilização nacional para incentivar o debate sobre equidade de gênero nas ciências.

“A Conferência Temática é um dos dispositivos centrais na democratização das ciências no Brasil, sendo fundamental a participação do INCT Caleidoscópio nesse momento de retomada das conferências no país. O INCT Caleidoscópio tendo como horizonte a permanência do debate sobre gênero nas ciências vem contribuindo, ao lado de outras entidades, para a programação e realização da conferência "Mais Meninas e Mulheres nas Ciências: por uma agenda de equidade e interseccionalidade", mais especificamente na programação e mobilização da conferência”, explica Dolores Galindo, membra do Comitê Gestor do INCT Caleidoscópio.

Dolores Galindo estará presente na “Mesa inicial com redes de mulheres, entidades e movimentos sociais” que conta também com a participação de Luciana Santos (Ministra da Ciência Tecnologia e Inovação), Maria Helena Guarezi (Ministra das Mulheres em exercício), Ana Priscila Alves (Vice Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos), Leticia de Oliveira (Parent in Science), Elaine Nascimento (Rede Brasileira de Mulheres Cientistas) e Vanja Andréa Reis dos Santos (União Brasileira de Mulheres). 

Silvia Ferreira irá coordenar a Mesa 3: Gênero e Financiamento à Pesquisa & Inovação no Brasil: contribuições a uma agenda de equidade e interseccionalidade, Zizele Ferreira irá coordenar a Mesa 4: Baixa representação das mulheres em espaços de poder. Confira a programação completa aqui.

O evento, realizado no âmbito da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª CNCTI), vai discutir pautas como: o impacto da construção de estereótipos de gênero e raça nas carreiras científicas, o assédio e a baixa representação das mulheres em espaços de poder. Além disso, a conferência realizará grupos de trabalho sobre temas que incidem sobre as meninas e mulheres no âmbito da ciência.

“Temos que parabenizar a capacidade de articulação das mulheres pelo Brasil afora para organizar em tão pouco tempo uma Conferência Temática que vai levar propostas à Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia. Já temos no Brasil um quantitativo importante de mulheres cientistas, mas de modo geral elas enfrentam ainda iniquidades, desigualdades e violências institucionais que as impedem de viver de modo pleno essa experiência”, analisa Silvia Lúcia Ferreira, membra do Comitê Gestor do INCT Caleidoscópio.

A Conferência será transmitida simultaneamente pelo canal do MCTI e do INCT Caleidoscópio no Youtube.

5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 

A 5ª CNCTI tem caráter consultivo e volta a ser organizada depois de um hiato de 14 anos. Seu objetivo é discutir junto à sociedade as necessidades na área de Ciência e Tecnologia (C&T) e propor recomendações para a elaboração de uma nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) que deverá ser seguida pelos próximos anos (2024-2030). A nova estratégia substituirá a de 2016-2023, que durante o evento, também terá seus programas, planos e resultados analisados.


Ocupação INCT Caleidoscópio: as redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia

Ocupação INCT Caleidoscópio: as redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia

Por: Morgani Guzzo, em 28/11/2023

Texto reprodução do Observatório Caleidoscópio. Acesso à matéria.

Conhecer e realizar ações conjuntas e articuladas foi o objetivo do evento "Ocupação INCT Caleidoscópio: as Redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia", que aconteceu no dia 27 de novembro de 2023, das 14h às 16h30, em modalidade virtual.

O encontro, organizado pelo Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio, contou com a apresentação da Caleidoscópio: Rede Nacional de Estudos Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Transdisciplinares e Decoloniais, da Rede Brasileira de Mulheres Cientistas (RBMC), da Parent in Science, da Rede Andorinhas (UFOP/MG) e da Rede de Equidade e Diversidade de Gênero de São Paulo.

Após a apresentação das representantes das redes, as pessoas presentes conversaram e debateram ideias de ações articuladas e em conjunto, visando não só fortalecer cada uma das redes, mas também ampliar a divulgação e o alcance das ações.

Algo que ficou evidente no encontro foi quão significativa tem sido a atuação dessas redes na luta por equidade nas universidades e nas diversas carreiras científicas e no combate aos assédios e preconceitos de gênero, sexualidades, parentalidade, raça/etnia, entre outros.

O reconhecimento das boas práticas e a sua divulgação é um dos objetivos do Observatório Sul-Sudeste, que a partir deste encontro aproximou-se das iniciativas já existentes e fará parte, como resultado do evento, da criação de um Conselho das Redes, para encaminhar as ações articuladas.


Ocupação INCT Caleidoscópio: as Redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia. Observatório Caleidoscópio Sul/Sudeste.
Imagem das participantes do evento de ocupação organizado pelo Observatório do INCT Caleidoscópio que articulou movimentações pelas redes sociais por equidade de gênero na ciência. Reprodução Observatório Caleidoscópio Sul/Sudeste.