Animação Yanomami explica como funciona a ferramenta inovadora para proteger a maior terra indígena contra invasores

Animação Yanomami explica como funciona a ferramenta inovadora para proteger a maior terra indígena contra invasores

Animação divulgado pelo Instituto Socioambiental (ISA) mostra como funciona o aplicativo idealizado pelos povos Yanomami e Ye'kwana, que idealizam o Sistema de Alertas Yanomami para que indígenas enviem denúncias, como casos de malária ou de invasões, em formato de alerta.

A fim de proteger a maior terra indígena do país e garantir o bem-viver de suas comunidades, o sistema recebe a denúncia, em seguida, operadores do sistema qualificam as informações para validar os relatos, que em seguida ficam públicos para autoridades, instituições parceiras e a imprensa. De setembro de 2023 até os dias atuais já foram 211 registros de alertas desde sua implementação, em 2023, sendo 67% sobre invasões territoriais.

A animação apresenta o funcionamento do Sistema de Alertas Yanomami, ferramenta criada e operada pelas próprias comunidades da Terra Indígena Yanomami para monitorar invasões, denunciar ameaças e proteger a vida em um dos territórios mais pressionados da Amazônia. Assista!

A ferramenta é uma iniciativa motivada para ser uma resposta direta à crise humanitária e agora ganha força como modelo para outros povos indígenas e territórios ameaçados. O sistema de alertas é um projeto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com realização da Hutukara Associação YanomamiAssociação Wanasseduume Ye’kwanaUrihi Associação Yanomami e Instituto Socioambiental (ISA).

Idealizado pelas lideranças indígenas, o sistema permite que monitores comunitários enviem alertas via formulário com fotos, vídeos, áudios e localização, inclusive offline. As informações são validadas, organizadas em um painel público e encaminhadas a autoridades e parceiros. A ferramenta está disponível em quatro idiomas (Yanomami, Ye’kwana, Sanoma e português).

A animação, por sua vez, é narrada por Morzaniel Iramari, cineasta e liderança Yanomami, e dirigida e animada por João Maia, com produção da Cama Leão e do ISA. A produção reforça o papel do sistema como estratégia comunitária.

O Sistema de Alertas Yanomami nos ajuda na proteção do nosso território e da nossa saúde”, ressalta Morzaniel em língua Yanomami.

Do Sistema de Alerta ao vídeo de animação

Implementada em setembro de 2023, a ferramenta desde então preencheu 211 formulários que foram encaminhados aos órgãos públicos competentes. Cerca de 67,2% são alertas territoriais, geralmente ligados a invasões ao território. Os alertas relacionados à saúde chegam a 21,8% e os ambientais somam 10,9%.

Em apenas um semestre de 2025, foram registrados 40 novos alertas, sendo 77% deles sobre invasões. Também há registros de surtos de malária, abandono de postos de saúde, falta de medicamentos e doenças respiratórias, reforçando que o sistema também é uma estratégia vital de cuidado e saúde coletiva.

Os alertas principais continuam sendo de invasões, oriundos das regiões onde ainda há movimentação de garimpeiros ilegais, como os rios Apiaú e Uraricoera”, contou Estêvão Senra.

Na prática, o Sistema de Alerta Yanomami funciona por meio de um formulário, os monitores das comunidades podem anexar fotos, vídeos, áudios, pontos de localização com coordenadas geográficas e relatos. Os envios podem ser feitos offline e incluídos nos dispositivos quando tiver conexão. A fim de garantir o acesso, a ferramenta disponibiliza as opções de idioma em Yanomami, Ye’kwana, Sanoma e Português.

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De forma simples, uma vez que o sistema recebe a denúncia, operadores do sistema qualificam as informações para validar os relatos, que em seguida ficarão expostos em um painel virtual e público para que autoridades, instituições parceiras e a imprensa possam ter ciência de qualquer anormalidade que ameace o território.

Este projeto é uma iniciativa UNICEF, com realização da Hutukara Associação YanomamiAssociação Wanasseduume Ye’kwanaUrihi Associação Yanomami e Instituto Socioambiental. Conta com financiamento da União Europeia, através do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO, na sigla em inglês), apoio do Ministério dos Povos Indígenas, e tem o objetivo de aumentar a resiliência e fortalecer a autonomia das comunidades com a integração de um sistema que respeite o contexto e o conhecimento das comunidades indígenas.

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O vídeo foi apresentado pela primeira vez para os Yanomami em uma oficina realizada na comunidade Xihopi, no Demini, na segunda quinzena de maio. Na qual 21 indígenas, representantes de 11 comunidades da calha do Rio Demeni foram envolvidos (a) com a mediação de Estevão Senra e Lídia Montanha, representantes do ISA, junto a Ícaro Lavoisier, do UNICEF, e o consultor Corrado Dalmonego.

A animação tem um papel importante de sensibilização e contextualização para as comunidades onde fazemos as oficinas. A animação ajuda a comunicar com a comunidade e faz ela entender melhor o que estamos fazendo”, explicou Estêvão Senra, geógrafo no ISA que participou da criação do sistema de alertas.

Tâmara Simão, chefe de escritório do UNICEF em Roraima, acrescenta que a proposta do vídeo também é comunicar aos órgãos públicos, e eventuais parceiros, sobre o projeto, incentivando o engajamento das instituições na iniciativa, visando estimular a cooperação entre os agentes que estão no território.

É importante que o poder público esteja engajado e atuante junto ao Sistema de Alertas, que se mostrou uma ferramenta essencial para a proteção de meninas e meninos que estão em território. Através dos formulários, o instrumento permite que a própria comunidade leve suas prioridades e especificidades diretamente aos órgãos necessários para atuação", pontuou.

Uma versão resumida, com pouco mais de um minuto de duração, também está disponível no Instagram, TikTok e LinkedIn. As duas versões são narradas por Morzaniel em Yanomami e contam com legendas em português, espanhol e inglês. Para saber mais, acesse:

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Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo realiza segundo encontro com temática “Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas”

Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo realiza segundo encontro com temática “Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas”

Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas é a temática do segundo encontro do ciclo de palestras do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo”, promovido pela Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio.

Transmitido ao vivo no dia 16 de junho às 19:30 horas (horário de Brasília) pelo canal do YouTube do INCT Caleidoscópio, este encontro tem como proposta debater nossa compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas.

Visto que, as experiências de gênero e sexualidade em contextos indígenas desafiam as categorias impostas pelo pensamento ocidental e revelam formas plurais de existência, esta palestra propõe ser um espaço de escuta e diálogo sobre como essas vivências são construídas, tensionadas e, muitas vezes, institucionalmente silenciadas ou renomeadas. Para além das reflexões sobre essas questões no Brasil, também será feito um debate sobre discursos hegemônicos e internacionais de emancipação sexual e seu potencial de colonizar subjetividades a partir de novas roupagens.

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Para realizar essas e outras considerações, o encontro conta com a presença de Paulo de Tássio Borges da Silva, líder do Grupo de Pesquisa Kijetxawê e vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF) e à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); de Thyara Pataxó, participante do Coletivo e Instituto Ipakéy e do Coletivo APOEMA, e estudante da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e de Manuela Picq, professora da Amherst College, e integrante do La Coletiva e do Movimento de Defensores da Água nos Páramos de Kimsakocha.

Com mediação da Tchella Maso (UnB), coordenadora da rede Arandu, o segundo encontro incentiva pensar as relações entre subjetividades indígenas, gênero e sexualidade e poder, sendo um aporte fundamental do ciclo de oito palestras do espaço de escuta, troca e formação com pessoas acadêmicas e não acadêmicas, de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação. Ao fim, cada encontro contribuirá em distintos aspectos para aprofundar reflexões e colaborações no campo de Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, é preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro. Acesse o formulário de inscrição clicando aqui.

Todos os encontros do curso ficarão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta. 

Sobre o curso de extensão

O curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” teve início no dia 26 de maio, sendo o primeiro encontro de oito que serão realizados de maio a dezembro, toda segunda-feira na terceira semana de cada mês, às 19:30 horas, ao vivo pelo YouTube do INCT Caleidoscópio.

Com o tema Direitos Indígenas, Políticas Públicas, Território, participaram de Niotxarú Pataxó, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI); Gualoy Guarani e Kaiowá, da JUIND (Juventude Indígena da Diversidade Guarani Kaiowá). A abertura partiu do contexto histórico de invisibilização e marginalização dos povos indígenas, destacando o papel fundamental da temática na construção de uma academia mais inclusiva e representativa.

A discussão se torna mais relevante considerando os desafios contemporâneos enfrentados pelos povos indígenas na garantia de seus direitos territoriais, identitários e de acesso às políticas públicas específicas, especialmente quando interseccionamos essas questões com as diversidades de gênero e sexualidade presentes nas cosmologias indígenas.

A transmissão salva pode ser acessada pelo link abaixo:

Acesse o primeiro encontro pelo link1º Encontro Direitos Indígenas, Políticas Públicas, Território l curso de extensão Rede Arandu

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

A iniciativa da rede Arandu (Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade) propõe mesas-redondas e palestras abertas ao público, com o objetivo de aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade. Abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas, os encontros virtuais e gratuitos têm início em maio e se estendem até o mês de dezembro.

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A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Ao incentivar o questionamento de paradigmas eurocêntricos e heteronormativos que ainda prevalecem na academia e na sociedade, a iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.