Construído a partir de consulta nacional com educadores, material propõe que o combate às fake news se torne uma luta coletiva, por meio de políticas públicas
No cenário contemporâneo, a desinformação não é apenas um erro de fato, mas uma estratégia que atinge diretamente a segurança e o direito à educação de grupos minorizados. Para instrumentalizar educadores e estudantes do Ensino Fundamental II e Médio contra esses ataques, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Caleidoscópio, sediado na Universidade de Brasília, lançou o guia Enfrentando a desinformação nas escolas: gênero e raça em foco.
A publicação é fruto de uma parceria estratégica com o projeto de extensão interinstitucional Escola sem Fake News, sediado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em colaboração com a Universidade Federal do Tocantins e o Instituto Federal de Alagoas. Disponível em formato digital, o guia oferece caminhos para que o ambiente escolar não seja receptor de narrativas distorcidas e, sim, um polo de resistência crítica.
O lançamento reforça o papel da UnB como articuladora nacional no combate à desinformação, alinhando-se às ações do Comitê de Enfrentamento à Desinformação da Universidade. Para a professora Viviane Resende (IL), supervisora do projeto no âmbito do INCT, a iniciativa é uma decisão política necessária.
A professora Viviane Resende (IL/UnB), supervisora do projeto no âmbito do INCT Caleidoscópio, que venceu o Prêmio Anísio Teixeira 2025, na categoria Igualdade, diversidade e não discriminação. Foto: Reprodução Instagram.
“Buscamos debater a integridade da informação e enfrentar conteúdos que desinformam no campo da ciência e da educação. Trata-se de objetivos da maior relevância para superação dos dilemas da atualidade”, afirma.
Segundo a docente, o INCT Caleidoscópio adota uma política de comunicação científica feminista e antirracista, que rompe com a ideia de que o cientista é o único detentor do saber.
"Nossa comunicação se posiciona na co-construção de saberes, interessada num diálogo profundo entre ciência e a sociedade, capaz de romper a unilateralidade e de comunicar a partir da realidade das pessoas.”
BASEADO EM VIVÊNCIAS – Diferente de manuais puramente teóricos, o guia foi construído após uma consulta nacional com docentes da educação básica. A professora Mariana Peixoto (UFU), coordenadora do projeto e atualmente em licença capacitação na UnB, explica que o material aborda o que os professores vivem no cotidiano.
“Os docentes apontaram, de forma recorrente, narrativas sobre a chamada ‘ideologia de gênero’, estigmatização de professores e ataques às religiões de matriz africana, além da negação do racismo no Brasil”, relata.
Coordenadora do projeto de extensão interinstitucional Escola sem Fake News, a professora Mariana Peixoto (UFU) acompanhou a finalização do guia durante seu período de licença capacitação na UnB. Foto: Arquivo pessoal.
Ela destaca que o guia busca legitimar o trabalho docente. “Muitos professores são alvo de perseguições ao abordarem fake news e temas sensíveis em sala de aula. O guia funciona como um respaldo externo que reforça, por exemplo, que o combate ao racismo religioso é um princípio fundamental.”
Uma das principais inovações do material é a crítica à ideia de que a responsabilidade de combater a desinformação é apenas de quem recebe a mensagem. O guia defende que a simples checagem de fatos (fact-checking) é insuficiente para enfrentar um problema que é estrutural e lucrativo para as plataformas digitais.
“A desinformação se consolidou como um modelo de negócios para as grandes plataformas”, pontua Mariana Peixoto. “Por isso, o guia defende uma resposta coletiva, que envolve a luta por regulação das mídias digitais e a cobrança de políticas públicas junto a parlamentares.”
A professora Viviane Resende exemplifica: “O enfrentamento precisa ser coletivo. Uma escola pode se organizar para enviar e-mails a parlamentares e participar de consultas públicas, reivindicando avanços na regulação das plataformas.”
O guia é gratuito e pode ser acessado pelo site oficial do projeto. Além do material autoexplicativo, o projeto Escola sem Fake News retomará suas ações formativas remotas (palestras e grupos de estudo) em fevereiro de 2026. As informações são divulgadas pelo Instagram @escolasemfakenews.
Publicado pelo Ministério dos Povos Indígenas - Acesso à matéria
Data de publicação: 10/12/2025.
Eloy Terena, secretário executivo do MPI participa da mesa de abertura do evento organizado pelo INCT Caleidoscópio
O Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) é a sede, de 10 a 12 de dezembro, do 1º Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras. O evento é organizado pelo Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências (INCT) Caleidoscópio em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga).
A programação conta com sete mesas redondas que debatem temas como Mulheres, Justiça, Ciência, Educação, Resistência, Saúde e Linguagem. A participação inclui pesquisadoras indígenas de todos os biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa. Uma mesa de encerramento será dedicada à avaliação da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, por participantes indígenas da conferência climática.
Compondo a mesa de abertura estiveram presentes: a secretária de Direitos Humanos da UnB, Cláudia Regina Renault; a diretora de Proteção de Direitos do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Terlúcia Silva; a diretora executiva e cofundadora da Anmiga, Josileia Kaingang; a representante da comissão organizadora do seminário, Simone Terena; e a coordenadora do INCT Caleidoscópio, professora Viviane Rezende. O secretário executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, também integrou a mesa.
Em meio a um dia de tensão política após a aprovação da PEC do Marco Temporal no Senado e o julgamento do tema no STF, o secretário executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, compareceu ao evento, na quarta-feira (10), e delineou a contribuição da nova intelectualidade indígena em três dimensões interligadas: a conquista política do acesso à universidade, o caráter coletivo dessa trajetória e o compromisso de colocar o conhecimento a serviço da defesa dos territórios.
A primeira dimensão, destacou, é reconhecer o acesso à educação superior como uma conquista política recente e duramente disputada. "Boa parte de nós somos indígenas que tivemos acesso a cotas, ao ProUni, à bolsa de permanência", afirmou, lembrando que sua geração pioneira enfrentou o racismo em instituições que não foram feitas para eles. "Tudo isso que tem hoje foi resultado de muita luta", ressaltou, alertando para a necessidade de defender essas políticas contra retrocessos.
O segundo pilar é entender essa trajetória não como individual, mas como fruto de um esforço coletivo e de um projeto maior eleito por nossos caciques. Ele explicou que, após a Constituinte de 1988, as lideranças indígenas identificaram a necessidade estratégica de formar seus próprios advogados, antropólogos e engenheiros. "Nós não caímos aqui. Nós somos resultados desse esforço coletivo", disse, conectando a luta atual à herança das lideranças que lutaram "sem a caneta na mão".
A terceira e central dimensão, elaborada a partir de sua própria trajetória acadêmica, é o compromisso político do conhecimento produzido. Eloy Terena, que é advogado e doutor em Antropologia pelo Museu Nacional com pós-doutorado na França, criticou os dogmas clássicos da disciplina. "Nós, indígenas, não vamos a campo no sentido tradicional. Nosso caminho é inverso: a gente já tem o conhecimento tradicional", argumentou, defendendo uma epistemologia que contraste os saberes originários com a ciência ocidental.
Concluindo, lançou um questionamento direto ao público: "Se nossos caciques conquistaram tantos direitos sem a caneta na mão, por que nós, com nossos diplomas e escritos, vamos abaixar a cabeça para quem quer pisar em nossos direitos?". O secretário reafirmou o apoio do ministério às pesquisadoras e ao evento, que ocorre em um momento crítico de definições sobre os direitos territoriais indígenas no país.
MEC
Rosilene Tuxá, diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena do Ministério da Educação (MEC), afirmou que a academia ainda é um espaço com pensamento racista em relação aos povos indígenas. "Quando nós entramos neste espaço, inclusive na pós-graduação, a gente enxerga muito claramente esses enfrentamentos", disse. Ela defendeu que a sistematização do conhecimento escrito ainda é um lugar muito novo e muito contemporâneo para povos de tradição oral.
A diretora, que é egressa da primeira licenciatura intercultural indígena do Brasil, traçou um histórico da luta por uma escola indígena específica. "Antes da Constituição de 1988, nós não tínhamos escola", afirmou, explicando que as tentativas anteriores falharam por não serem pensadas a partir das epistemologias indígenas. Com a Carta, a responsabilidade foi transferida da Funai para o MEC, que assumiu o desafio de ofertar educação básica e formar professores simultaneamente. "Nós conseguimos avançar na alfabetização, mas não no ensino médio. Ainda temos muitos territórios sem escolas de ensino médio", destacou.
A diretora enfatizou que a conquista crucial pós-Constituição foi os indígenas assumirem as suas escolas e a alfabetização nas línguas nativas. Por fim, a diretora ilustrou os desafios da pesquisa indígena com sua própria trajetória acadêmica. Seu trabalho de graduação estudou o impacto de uma barragem que submergiu o território original de seu povo, tornando a pesquisa sobre um lugar físico inexistente um grande desafio. Seu doutorado, por sua vez, teve de ser reformulado durante a pandemia, passando a investigar como a educação comunitária indígena consegue manter sua epistemologia própria dentro das orientações nacionais, pensando os sujeitos na relação com o sagrado e com o território.
Ministério das Mulheres
Terlúcia Maria da Silva, diretora de Proteção de Direitos do Ministério das Mulheres, iniciou sua fala com um minuto de silêncio pelas vítimas de feminicídio e alertou sobre a gravidade da violência de gênero no país. "Estamos vivendo um momento muito difícil. O que tem acontecido nos últimos dias no Brasil tem mexido com a gente de uma forma muito diferente", afirmou.
Representando a secretária executiva Eutália Barbosa, ela saudou o momento histórico do primeiro Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras. "É um encontro de indígenas pesquisadoras e não de pesquisadoras indígenas. Para mim isso é tão afirmativo", disse, ressaltando a importância da identidade no processo científico. Ela relacionou a luta das mulheres indígenas à das mulheres negras, lembrando uma irmandade construída desde a Conferência Nacional de Mulheres de 2007.
A diretora afirmou que o Ministério das Mulheres tem portas abertas para parcerias e citou ações em conjunto com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga). "A gente está no processo de elaboração do primeiro plano nacional de política para mulheres indígenas", revelou. Ela também mencionou a criação de um observatório para monitorar territórios específicos e a atenção do ministério a demandas locais, como as das mulheres Pataxó no sul da Bahia.
ANMIGA
Jozileia Kaingang, cofundadora da Articulação Nacional das Mulheres Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), destacou uma pesquisa pioneira sobre violência contra mulheres indígenas como um resultado direto da atuação política do movimento. Ela revelou que o estudo foi realizado em parceria com o Ministério das Mulheres e pesquisadoras da UnB, com financiamento ministerial, e os resultados foram apresentados na 4ª Marcha das Mulheres Indígenas. "A Anmiga nasce a partir desse incômodo que nós temos da violência sobre os nossos corpos, do racismo, das agressões e das intrusões no nosso território", afirmou, acrescentando que a iniciativa é uma forma de dizer: "Nós somos capazes, sim".
Ao defender o lugar das mulheres indígenas na produção científica, Kaingang fez um resgate histórico, afirmando que a educação chegou ao Brasil para os povos indígenas através dos missionários, com o objetivo assimilacionista de “transformar os povos indígenas em gente”, porque não eram vistos assim. Ela ressaltou que a virada ocorreu com a Constituição Federal de 1988, que, além dos artigos 231 e 232, também garantiu no artigo 210 o direito à educação diferenciada para os povos originários.
"É importante a gente referenciar que a Constituição Federal também falou sobre a educação dos povos indígenas", declarou, situando este marco como a base para as políticas afirmativas dos anos 2000 que permitiram o ingresso massivo nas universidades.
Por fim, a liderança conectou o protagonismo acadêmico contemporâneo ao papel histórico das mulheres como transmissoras do conhecimento tradicional dentro das comunidades. "Historicamente, nós, mulheres indígenas, temos essa responsabilidade. E várias sociedades dos povos indígenas é assim", disse, definindo essa prática ancestral como um "sinônimo de resistência" e uma "ferramenta de luta" que agora se expande para o campo científico.
O I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio - VIII Práticas Socioculturais e Discurso, realizado nos dias 29, 30 e 31 de Outubro de 2024, no campus Darcy Ribeiro, foi pauta de uma matéria produzida pela UnBTV, o canal de televisão da Universidade de Brasília.
Na matéria, são entrevistadas Viviane Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio, Maria Emília Telles, decana de Pesquisa e Inovação da UnB, Deborah Santos, secretária de Direitos Humanos da UnB, e Andreza Xavier, coordenadora do Ministério da Mulheres.
Produzida por Daniele Gruppi, a matéria na íntegra está abaixo.
O primeiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) que se declara feminista e antirracista tem a participação da UFBA na sua comissão gestora. Trata-se do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências, aprovado em dezembro de 2022, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Um dos principais projetos do INCT é a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte – Nordeste e Amazônia Legal, que tem a UFBA como uma de suas sedes, e atua para garantir suporte às trajetórias educacionais de mulheres estudantes universitárias pertencentes a grupos minoritários, levando em consideração marcadores de gênero, raça, etnia e territorialidade.
O INCT Caleidoscópio congrega núcleos e laboratórios de pesquisa de 24 instituições de ensino superior do país e está sediado na Universidade de Brasília (UnB). É coordenado pelas professoras Viviane Resende, da Universidade de Brasília (UnB), e Karla Bessa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A comissão gestora do INCT da qual a UFBA faz parte, representada pela professora Silvia Lúcia Ferreira, da Escola de Enfermagem, é responsável por articular parcerias nacionais e internacionais, organizar reuniões gerais e setoriais, participação em editais de pesquisa, planejamento de custo e as demais atividades desenvolvidas junto com a coordenação geral.
“É o primeiro INCT voltado para as questões de gênero e raça. Por isso, pode-se dizer que é o primeiro INCT feminista e antirracista”, afirma a professora Silvia Ferreira, que também coordena os grupos de pesquisa Neim – Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a mulher, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humana; e GEM – Centro de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher, Gênero, Saúde e Enfermagem, da Escola de Enfermagem.
A atuação do INCT Caleidoscópio abrange frentes que envolvem o Observatório de indicadores de violências e vulnerabilidades que atingem mulheres no contexto acadêmico, sediado na Universidade Federal de Santa Catarina, e o desenvolvimento de tecnologias sociais e de comunicação e informação como subsídios para políticas públicas, especialmente aquelas voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade por sua condição interseccional.
A professora Sílvia ressalta o compromisso de “fazer ciência para produzir conhecimento e contribuir para a promoção de políticas públicas”, o que se alinha com a política de transferência de conhecimento e divulgação científica preconizada pelo INCT, “voltada para a sensibilização de futuras gerações para a importância de mulheres nas ciências e das ciências para a melhoria de vida de todas as mulheres”.
Um dos principais projetos do INCT Caleidoscópio é a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte – Nordeste e Amazônia Legal, que tem a UFBA como uma de suas sedes e conta com quadros universitários e da sociedade civil, com ênfase na colaboração entre níveis de formação do ensino médio ao pós-doutorado das estudantes.
Incubadora Social Feminista
A Incubadora Social Feminista Antirracista Norte – Nordeste e Amazônia atua para garantir suporte às trajetórias educacionais de mulheres estudantes universitárias pertencentes a grupos minoritários, levando em consideração marcadores de gênero, raça, etnia e territorialidade. Para alcançar essa missão, destaca a importância da inclusão de mulheres pertencentes a segmentos minoritários em todas as fases de planejamento, produção e difusão de tecnologias sociais, e propõe articular universidade, governo e sociedade civil nas ações promovidas.
A Incubadora estabeleceu sede compartilhada para seu funcionamento em duas instituições: na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), coordenada pelas professora Dolores Cristina Gomes Galindo, e na UFBA, coordenada pela professora Silvia Ferreira.
No ano passado, a Incubadora celebrou a aprovação do projeto denominado “Mulheres Quilombolas nas Ciências” no edital Universal do CNPq, que vai estudar as trajetórias de profissionalização acadêmica de mulheres quilombolas, buscando identificando as principais dificuldades enfrentadas por essas mulheres para continuar seus estudos e acessar o ensino superior em níveis de graduação e pós-graduação.
As ações do grupo envolvem a produção de podcasts com cientistas quilombolas, professores e pesquisadores de universidades brasileiras, que são disponibilizados nas redes sociais e na página do Instituto. No próximo mês de abril, será promovido o encontro de estudantes quilombolas da UFBA, e também da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). De acordo com a coordenadora da Incubadora na UFBA, a iniciativa propõe mapear as trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas e discutir as questões das mulheres na ciência. A ação conta com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (Proext/UFBA), por meio do edital de Ações Pontuais de Extensão.
Na UFBA, a Incubadora conta com o suporte de dois importantes grupos de pesquisa: O NEIM e o GEM. A equipe é composta ainda pela bolsista PDJ Karine Santana, por uma representante da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Eliana Almeida, doutoranda do PPGENF, e por uma representante do grupo de pesquisa CIGE/NEIM, professora Sandra Cerqueira da Silva.
Sobre os grupos de pesquisa NEIM e GEM
Criado em 1983, como núcleo então vinculado ao Mestrado em Ciências Sociais da UFBA, o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a mulher (NEIM), da Faculdade de Filosofia e Ciências Humana (FFCH/UFBA) se destaca por ser o núcleo de estudos feministas mais antigo do país e por sua atuação na promoção de atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão para a formação de uma consciência crítica acerca das relações de gênero hierárquicas e da consequente especificidade da condição feminina. http://www.neim.ufba.br/wp/apresentacao/
Foi responsável pela criação, em 2006, do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM), o primeiro no país e na América Latina voltado para essa temática. Também contribuiu para o avanço dos estudos na área com a criação do curso de Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade com concentração em Políticas Públicas, em 2009.
O GEM – Centro de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher, criado em 1988, provocou mudanças no ensino de graduação e da pós-graduação em enfermagem, introduzindo a perspectiva de gênero e raça para a compreensão dos problemas de saúde, da assistência e das políticas de saúde dirigidas à mulher. É composto de grupos de pesquisa que atuam no desenvolvimento de estudos na área de saúde da mulher e em serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
O centro de pesquisas é composto de pesquisadoras, alunas de graduação, mestrado e doutorado da linha de pesquisa Cuidado a Saúde da Mulher, relações de gênero e étnicorraciais do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da UFBA. Participa de projetos integrados em articulação com outras universidades públicas através da REDOR- Rede Feminista Norte Nordeste de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e Relações de Gênero.
Na reportagem "Modelo de produção científica é excludente e insustentável, diz pesquisadora", Receba Feltrin, que atuou como bolsista de pós-doutorado junto ao Observatório Sul-Sudeste, aponta que a vida acadêmica e o conhecimento científico no Brasil oferecem desafios para a entrada, a manutenção, o desenvolvimento e a ascensão das mulheres.
Ao mapear e analisar as bolsas produtividade do CNPq, Rebeca fala sobre o "efeito tesoura", que é resultado das exclusões sociais e de gênero nas carreiras e questiona, também, o modelo produtivista da ciência.
Em alusão ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, 11 de fevereiro, a TV Unicamp fez uma série de reportagens com mulheres cientistas. Duas delas, Karla Bessa e Rebeca Feltrin, são pesquisadoras do Observatório Sul-Sudeste.
A pesquisadora da Unicamp e vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências, Karla Bessa, falou sobre o que é o INCT, quais são os focos de trabalho do Observatório Sul-Sudeste e quais são os principais desafios para as mulheres nas carreiras científicas no Brasil.