Rede Arandu lança cartilha em colaboração sobre Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: um lugar na mesa de negociação

Rede Arandu lança cartilha em colaboração sobre Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: um lugar na mesa de negociação

A cartilha de título Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: Um lugar na mesa de negociação tem como objetivo explicar por que e como as pessoas indígenas que vivenciam o gênero e a sexualidade de modos não-normativos são importantes nas negociações do clima. Para isso, é abordado a relação entre os direitos humanos e a emergência climática; as negociações sobre clima e da COP30 no Brasil; as lutas indígenas LGBTQIAPN+ em interface com a política climática, e a política climática brasileira.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

Seguindo essa premissa, o documento traz reflexões e propostas sobre justiça climática e de gênero a partir de experiências nos territórios, destacando que os impactos da crise climática afetam de forma diferenciada pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e que essas vozes precisam estar no centro dos debates e decisões. A carta reforça que não há justiça climática sem justiça de gênero, sexualidade e demarcação de territórios.

Essa cartilha foi elaborada de forma colaborativa por diversos grupos e coletivos comprometidos com a produção e a difusão de conhecimentos interdisciplinares e interseccionais. Participaram da sua construção a Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa: Povos Indígenas, Gênero e SexualidadeBrasília Research Center – Rede Earth System Governance; o Coletivo TYBYRA; o Grupo de Pesquisa em Relações Internacionais e Meio Ambiente (GERIMA-UFRGS); e o INCT Caleidoscópio – Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

Acesse a cartilha clicando no link a seguir: Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: Um lugar na mesa de negociação

Palavrinha inicial da cartilha

As populações indígenas LGBTQIAPN+ desempenham papeis importantes nos debates climáticos, trazendo perspectivas que unem ancestralidade, território e diversidade. Os povos indígenas no Brasil possuem muita experiência na defesa de seus modos de vida, resistindo às ofensivas coloniais, modernas e ocidentais, e reinventando alternativas para seguir existindo.

Indígenas que ocupam seus corpos-territórios de modo não-normativo, ou seja, cujos gêneros e sexualidades não estão limitados a relações heterossexuais ou que não atuam dentro da lógica binária que associa sexo e gênero, definindo pessoas a partir das ideias do que é ser homem e do que é ser mulher, também são parte da da luta do movimento indígena por demarcação de territórios, justiça, reconhecimento e reparação. Como defensores e defensoras de seus territórios e culturas, essas pessoas e coletivos estão profundamente conectados com as ciências de preservação de ecossistemas essenciais para a regulação do clima, como as florestas tropicais e os biomas costeiros.

No Brasil, os povos indígenas enfrentam o racismo estrutural, o preconceito étnico e a negação de direitos básicos, como saúde, educação, segurança alimentar e demarcação de seus territórios. Para pessoas indígenas LGBTQIAPN+, os desafios são ainda maiores. Elas convivem com diferentes formas de discriminação, tanto fora quanto dentro de suas comunidades, o que torna urgente a criação de políticas que levem em conta essas múltiplas camadas de vulnerabilidade e garantam o respeito à sua dignidade e autonomia (Iglesias; Hollands, 2023).

A participação das populações indígenas LGBTQIAPN+ em negociações climáticas, como nas Conferências das Partes (COPs), é fundamental para garantir que políticas de mitigação e adaptação reconheçam, protejam e engajem a diversidade de identidades e de ciências indígenas. A criação de espaços institucionais como a ‘Plataforma dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais’ representa um avanço, mas ainda há um longo caminho para que suas vozes sejam verdadeiramente influentes nas decisões globais (UNFCCC, 2024).

luta indígena LGBTQIAPN+ pela justiça climática não é apenas sobre sobrevivência, mas sobre construir alternativas diversas, sustentáveis e equitativas. Levando em consideração as múltiplas identidades de gênero e manifestações de sexualidade, o enfrentamento da crise climática deve basear-se na interseccionalidade das opressões, na expressão da diversidade e na valorização de ciências tradicionais.

As mudanças climáticas afetam todas as pessoas, mas não da mesma forma. As desigualdades sociais, raciais, de gênero e sexualidade interferem diretamente em como os impactos da crise climática são sentidos por diferentes grupos (Iglesias; Hollands, 2023). As pessoas indígenas LGBTQIAPN+ enfrentam múltiplas vulnerabilidades: rejeição familiar, exclusão do mercado de trabalho e altos índices de violência (EngenderHealth; Women 's Earth Alliance, 2024). Essas violências se somam à ameaça constante aos seus territórios, frequentemente impactados por desmatamento, garimpo, queimadas e grandes empreendimentos (Nordic Consulting Group, 2024).

Esse cenário aumenta o risco de deslocamento forçado, insegurança alimentar, perda de práticas tradicionais e invisibilidade política. Além disso, a maior recorrência de eventos climáticos extremos tende a aumentar barreiras sociais já existentes, dificultando ainda mais o acesso a direitos básicos como moradia, segurança, saúde, educação e participação nas decisões públicas — inclusive nas negociações internacionais sobre o clima (Women and Gender Constituency, 2023).

Pensar em justiça climática significa garantir que todas as vozes sejam ouvidas, incluindo aquelas historicamente silenciadas e violentadas. A incorporação da perspectiva de gênero e diversidade nas políticas climáticas é essencial para desenvolver estratégias de mitigação e adaptação que atendam às necessidades de todas as populações, garantindo que os direitos humanos sejam respeitados.

A participação ativa de grupos marginalizados nas negociações climáticas é fundamental para construir um futuro mais sustentável e equitativo, conforme destacado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, 2023). Afinal, justiça climática só pode ser alcançada quando todas as pessoas, independentemente de seu pertencimento étnico e sua identidade de gênero ou orientação sexual, têm os mesmos direitos e oportunidades para enfrentar os desafios impostos pela crise ambiental.

A partir desses pontos, podemos afirmar: as vozes de pessoas e coletivos indígenas LGBTQIAPN+ são fundamentais nas negociações do clima. Elas precisam ser escutadas porque a emergência climática é uma crise global que nos obriga a imaginar um futuro diferente e mais justo, construído a partir das vivências específicas de grupos marginalizados. Enfrentar as mudanças no clima é urgente, mas para trilharmos caminhos mais justos, são necessárias iniciativas globais que reconheçam a importância das demandas de gênero, raça e sexualidade nas agendas climáticas.

Políticas públicas que promovem justiça ambiental com interseccionalidade têm mais chances de proteger vidas, territórios e saberes diversos. As juventudes indígenas LGBTQIAPN+ têm papel relevante nesse movimento, pois são guardiãs de futuros possíveis. Lutar por justiça climática é também lutar por liberdade, por reconhecimento e por um mundo onde todas as formas de existir possam florescer com dignidade.

Continue a leitura da cartilha clicando no link a seguir: Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: Um lugar na mesa de negociação

Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências: cartilha orienta para a transformação da cultura universitária

Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências: cartilha orienta para a transformação da cultura universitária

A cartilha Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências é uma iniciativa da Universidade de Brasília (UnB), desenvolvida pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística da Libras – GEPLIBRAS, com o apoio da Editora Pontes, a fim de promover um ambiente acadêmico mais inclusivorespeitoso e igualitário.

Destinada a estudantes, docentes, servidores e toda a comunidade universitária, a obra aborda de forma detalhada e objetiva as diversas formas de assédio e discriminação no cotidiano acadêmico. Com conceitos fundamentais que ajudam a identificar comportamentos abusivos e práticas discriminatórias, muitas vezes naturalizadas no cotidiano acadêmico. Compreender esses conceitos é o primeiro passo para transformar a cultura universitária em uma experiência mais inclusiva, segura e equitativa para todas as pessoas.

Com definições acessíveis e exemplos práticos, a cartilha trata de temas essenciais, como assédio moral e sexualdiscriminação racial, de gênero e por deficiência, entre outras violências institucionais, além de oferecer orientações sobre como identificaragirregistrar denuncias nos tipos de canais de apoio dessas práticas que ocorrem no ambiente universitário, dando destaque sobre como estas afetam diretamente qualidade de vida acadêmica.

O grande diferencial da cartilha está na acessibilidade: ela possui tradução completa em Libras, com um QR Code que direciona para um vídeo explicativo. O vídeo conta com áudio narradoilustrações e interpretação completa em Libras, tornando o conteúdo acessível a toda a comunidade acadêmica, inclusive à população Surda.

A cartilha Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências é uma iniciativa da Universidade de Brasília (UnB), desenvolvida pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística da Libras – GEPLIBRAS, com o apoio da Editora Pontes, a fim de promover um ambiente acadêmico mais inclusivo, respeitoso e igualitário.
Imagem: Acesse a versão em vídeo desta cartilha com interpretação em Libras pelo QE Code acima.

Esta cartilha é mais do que um material educativo; é um convite à transformação da cultura universitária, ajudando a criar espaços mais seguros e acolhedores para todos. A UnB reafirma seu compromisso com um ambiente seguro, plural e inclusivo para estudantes, docentes, servidores e trabalhadores terceirizados. Para isso, é essencial compreender e combater assédios, discriminações e outras violências que podem comprometer o bem-estar acadêmico.

Esta cartilha foi desenvolvida para informar, conscientizar e orientar toda a comunidade acadêmica sobre a prevenção e o enfrentamento dessas situações. Este material é o ponto de partida da coleção de seis cartilhas com foco na prevenção e combate à violência no ambiente universitário.

Acesse a cartilha pelo link a seguir: Cartilha Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências

Compartilhe esta cartilha com todos e todas, e vamos em busca de um ambiente acadêmico mais inclusivo e livre de assédio e discriminação. Juntos, podemos promover um espaço de respeito e equidade para todos.