I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras apresenta pesquisa intercultural e a ciência produzida em comunidades indígenas em formato híbrido de 10 a 12 de dezembro

I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras apresenta pesquisa intercultural e a ciência produzida em comunidades indígenas em formato híbrido de 10 a 12 de dezembro

I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras é o primeiro evento nacional dedicado a reunir indígenas pesquisadoras de todos os biomas brasileiros para debater temas como justiça, ciência, educação, saúde e linguagem, valorizando os saberes ancestrais e a produção científica em suas próprias vozes.

Realizado de 10 a 12 de dezembro de 2025, das 9h às 18h30, presencialmente no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, e transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do INCT Caleidoscópio. A programação conta com sete mesas temáticas ao longo dos três dias, e rituais de abertura, sendo elas: Mesa 1 - Linguagem, Mesa 2 - Mulheres, Mesa 3 - Justiça, Mesa 4 - Resistência, Mesa 5 - Saúde, Mesa 6 - Ciência e Educação e Mesa 7 - Solo e Roçado.

A mesa de encerramento será dedicada a uma avaliação da COP30 feita por indígenas mulheres que participaram da conferência.

As inscrições para o I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras estão abertas e são gratuitas. 

🔗 Inscreva-se pelo site oficial do evento: I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras  

🔗 Salve a prévia em nosso canal do YouTube do INCT Caleidoscópio

Sobre o evento

O evento surge no contexto em que a pesquisa intercultural e a ciência produzida em comunidades indígenas têm ganhado cada vez mais relevância no cenário nacional. Exemplo disso é a criação do Ministério de Povos Indígenas (MPI), em 2023, pelo Presidente Lula. Além dessa ação, também podemos citar o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que visa "ampliar a valorização e o fortalecimento dos saberes indígenas, tradicionais e locais, reconhecendo-os como centrais na produção de conhecimento" (MCTI, 2025).

Atenta a esse debate emergente e à necessidade de fortalecer esta pauta e reconhecer os saberes ancestrais, a Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, por meio do Grupo de Trabalho “Direitos de povos indígenas e tradicionais, interseccionalidade e acesso às Instituições de Ensino Superior” e Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, dedica-se a produzir dados sobre indígenas mulheres e LGBTQIAPN+ no ensino superior.

Não limitando-se gerar tais dados, a Nucleação tem especial interesse em produzir epistemologias outras, o que apoiamos por meio de editais de bolsas de pesquisa (da Iniciação Científica ao Pós-Doutorado) dirigidos a indígenas e de um espaço de trabalho acolhedor.

Entre suas ações para atingir tais objetivos, encontra-se o I Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras. Organizado pelo INCT Caleidoscópio em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas e com a Anmiga – Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, essa articulação resulta em um evento pioneiro de âmbito nacional para promover o encontro de indígenas pesquisadoras em torno de temas como mulheres, justiça, ciência, educação, resistência, saúde e linguagem. Esses e outros temas serão discutidos por indígenas mulheres de todos os biomas brasileiros, a saber: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, gênero, sexualidade, educação e saberes tradicionais!

Inscrições abertas para o curso de extensão online de temática ‘Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30’

Inscrições abertas para o curso de extensão online de temática ‘Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30’

Estão abertas as inscrições para o curso de extensão 'Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30', que será realizado online nos dias 13, 20, 27 de novembro e 4 de dezembro de 2025, das 19h às 21h.

A iniciativa é uma proposta articulada entre pesquisadoras da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Núcleo de Extensão, Inovação e Cooperação do Instituto de Psicologia e Serviço Social (NEIC/IPSS/UFBA), do Programa de Pesquisa sobre Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro (PINEB), da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio.

O curso é aberto, sem critérios para inscrição, podendo ser feito após o preenchimento do formulário abaixo:

Inscreva-se pelo formulário: Curso de extensão 'Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30'

Sobre o curso

O curso conta com a presença de Bárbara Arisi e Kota Payayá, que atuam na organização. Nesta seara, os encontros buscam ser um espaço de estudos sobre práticas contemporâneas indígenas em negociações de cunho global, especialmente sobre as mudanças climáticas e como tentam impactar as políticas públicas.

Assim, inicia-se com os debates relativos ao protagonismo de povos indígenas em Abya Yala – nome decolonial proposto pelo movimento indígena para a América Latina (Gontijo, Arisi, Fernandes 2021) – especialmente com foco na liderança de mulheres.

Também será estudado a performance e os discursos indígenas relacionados ao que antropólogos (as) consideram cosmologias do ambientalismo (Albert 2002; Doolittle 2008) e cosmopolítica (Stengers 2010, De La Cadena 2010), em especial, a participação política indígena e dos povos tradicionais, suas estéticas e estratégias particulares (Ramos 1997; Conklin 1997; Jekupe 2010; Albuquerque, Arisi & Aureliano 2012; Arisi 2013; Calavia Saez & Arisi 2013; Albuquerque 2021). 

As formas de práticas políticas indígenas foram estudadas por diversos pesquisadores com relação a estudos sobre movimentos políticos indígenas na América Latina (Monteiro 1994, Bartolomé 2003). Deste modo, é proposto uma análise de imagens do período colonial, com a “sociologia da imagem” (Rivera Cusicanqui, 2015). Conseguinte, continuará pelos trabalhos pioneiros que analisaram a apropriação e o uso do vídeo por comunidades Kayapó (Turner 1991, 1992, 2003), em especial os de Beth Conklin (1987) e de Laura Graham (2005) sobre sua manipulação estético-política, e os de Marisol De La Cadena, com seus estudos sobre os "earth-beings" (2010) que participam da política indígena. 

Na sequência, será feito um exercício de reflexão sobre a exotização de corpos e imagens indígenas realizadas por eles/elas próprios/as em arenas políticas nacionais (Ramos 1987; Gallois & Carelli 1992; Sahlins 1997; Paulson et alli 2008; Jekupe 2010; Arisi 2011; Albuquerque 2011; 2021), as proximidades das falas discursivas do ambientalismo ecologista e as cosmologias indígenas (Albert 2002; Stengers 2010; Strathern 2009; Krenak 2019, 2020a, 2020b, 2022); as lutas por demarcação de territórios (Carvalho 1989) e as relações exotizantes (Grünewald 2001). Para isso, terá um debate sobre manipulações e objetificações dos conceitos de “cultura” (Carneiro da Cunha 2009) e transformações indígenas (Viveiros de Castro 2002).

Ao final do curso, será desenvolvido entrevistas e análises sobre as performances de mulheres indígenas em arenas políticas globais, como a COP-30. Como trabalho final da disciplina, além da leitura dos textos propostos, cada inscrito escreverá um artigo inédito sobre uma liderança indígena contemporânea (por exemplo: Txai Suruí, ministra Sonia Guajajara, Joênia Wapichana, coordenadora da COICA Fany Kuiko, entre outras). 

Como atividade do curso, é previsto realizar entrevistas online com elas, além de analisar material publicado em blogs do movimento indígena e na imprensa. Os materiais produzidos serão reunidos em um pequeno dossiê que será publicado em uma revista acadêmica especializada.

Com uma programação fundamentada, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber e produção de conhecimentos sobre gênero, cosmologias indígenas e meio ambiente.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais.

Referências Bibliográficas para o curso

ALBERT, Bruce. 2002. Introdução. In: Bruce Albert & Alcida Rita Ramos (orgs.). Pacificando o branco: cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo: editora Unesp: Imprensa Oficial do Estado.

ALBUQUERQUE, Marcos Alexandre S. 2011. O Regime Imagético Pankararu: tradução intercultural na cidade de São Paulo. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina.

_______. 2021. O regime imagético Pankararu [recurso eletrônico]: performance e arte indígena na cidade de São Paulo. Florianópolis: Editora da UFSC.

ALBUQUERQUE, Marcos Alexandre S.; ARISI, Barbara M. ; AURELIANO, Waleska A.. 2012. Antropofagia : Capturando imagens indígenas na Rio+20. Cadernos do LEME, v. 4, p.69-83.

ARISI, Barbara. 2011. A Dádiva, a Sovinice e a Beleza: economia da cultura no Vale do Javari, Amazônia. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina.

______. 2013. Demandas y cosmopolíticas indígenas en Rio+20. In: Florez, M.; Caliari, A.; Furtado, F.; Lampis, A.; Mendez, O.L.; Valencia, M.; Maya, A.L.; Flores, T.; Arisi, B. (Org.). Medio Ambiente: deterioro o solución. Rio+20.. 1ed.Bogota: Ediciones Aurora,2013, v. , p. 151-174.

BARTOLOMÉ, Miguel. 2003. Movimientos Índios y Fronteras en America Latina. In: Parry Scott e George Zarur (org. Identidade, fragmentação e diversidade na América Latina. UFPE: Editora Universitária. Pp. 49 – 66.

CALAVIA SAEZ, Óscar & ARISI, Barbara. 2013. La Extraña Visita: por una teoría de los rituales amazónicos. Revista Española de Antropología Americana., vol 43, n. 1, Pp. 205 - 222.

CARNEIRO DA CUNHA. 2009. Cultura entre Aspas. São Paulo: Cosac Naify.

CARVALHO, M. R. G. de (Org.). 1989. Identidade étnica, mobilização política e cidadania. Salvador: UFBa: Empresa Gráfica da Bahia.

CONKLIN, Beth. 1997. Body paint, feathers, and vcrs: aesthetics and authenticity in Amazonian activism. American Ethnologist. Vol. 24, n 4. Pp. 711-737.

DE LA CADENA, Marisol. 2010. "Indigenous cosmopolitics in the Andes. Conceptual reflections beyond 'politics'". Cultural Anthropology 25 (2). Pp 334 - 370.

DOOLITTLE, Amity. 2010. The politics of indigeneity: Indigenous strategies for inclusion in climate change negotiations. Conservation Society, n. 8. Pp. 286-291.

FLÓREZ, M. ; CALIARI, A. ; FURTADO, F. ; LAMPIS, A. ; MENDEZ, O. L. ; VALENCIA, M.; MAYA, A. L. ; FLORES, T. ; ARISI, B. 2013. Medio Ambiente: deterioro o solución Rio +20. 1. ed. Bogotá: Ediciones Aurora. 174p .

GALLOIS, Dominique T. & CARELLI, Vincent. 1992. "Video nas Aldeias": a experiência Waiãpi. Cadernos de Campo v. 2, n.2. Pp 25 - 36.

GRAHAM, Laura. 2005. Image and Instrumentality in a Xavante politics of existential recognition: the public outreach work of Énhiritpa Pimentel Barbosa. American Ethnologist, v. 32 (4), Pp 622 - 641.

GRÜNEWALD, Rodrigo de A.. 2001. Os Índios di Descobrimento. Rio de Janeiro: Contracapa 

JEKUPE, Olivio. 2010. Roubaram o gravador do Juruna. Rev Tellus, ano 10, n. 19, jul/dez. DOI: https://doi.org/10.20435/tellus.v0i19.238

KRENAK, Ailton. 2019. Dez ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras.

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LATOUR, Bruno. 2008 [2005]. Reassamblar lo Social: una introducción a la teoría del actor-red. Buenos Aires: Manantial.

LITTLE, Paul E. (org). 2010. Conhecimentos tradicionais para o século XXI: etnografias da intercientificidade. São Paulo: IEB, Annablume. PP. 290.

MONTEIRO, John. 1994. Negros da Terra: Índios e Bandeirantes nas Origens de São Paulo. 2.ed. São Paulo: Cia das Letras.

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VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. 2002. A Inconstância da Alma Selvagem (e outros ensaios de antropologia). São Paulo: Cosac & Naify.

WAGNER, Roy. 2010 [1975] A Invenção da Cultura. São Paulo: Cosac & Naify.

“Sementinhas da Ancestralidade”: rede Arandu participa da IV Marcha das Mulheres Indígenas e da 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas

“Sementinhas da Ancestralidade”: rede Arandu participa da IV Marcha das Mulheres Indígenas e da 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas

Escrito por: Amanda Álvares, Flávia Belmont, Gabriela Pessoa, Sabrina Lira e Tchella Maso.

Na semana de 3 a 8 de agosto, aconteceu em Brasília a IV Marcha Nacional das Mulheres Indígenas e a 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas, organizadas pela Associação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), pelo Ministério dos Povos Indígenas e pelo Ministério das Mulheres.

Na ocasião, a Rede Arandu, em colaboração com a ANMIGA, foi responsável pela gerência e organização da tenda “Sementinhas da Ancestralidade”, espaço destinado para acolher as crianças durante a Marcha e a Conferência. Para garantir um número adequado de pessoas para apoiar no cuidado com os/as/es pequenos/as/es, a Arandu fez parcerias com o alunado do Instituto de Relações Internacionais (IREL) da UnB, representado pelo Centro Acadêmico (Carel) e pelos projetos Amun Kids, Domani e Umanitá, todos de caráter extensionista, que visam a promoção da igualdade, da diversidade e dos direitos humanos.

Foto: Arquivo Rede Arandu.

Também contou com o apoio decisivo de estudantes indígenas da UNB, trazendo suas experiências de diversos territórios. Vale destacar a ainda a contribuição de pessoas vindas de diferentes territórios e movimentos indígenas que se somaram no espaço. Com isso, tivemos uma diversidade de gênero entre as pessoas voluntárias, desmistificando o cuidado como algo essencialmente feminino e o estigma sobre pessoas LGBTQIAPN+ em trabalhos de cuidado.

Por quatro dias, a tenda esteve cheia de cores, risadas e diversão. Entre as atividades planejadas pela Arandu, houve pinturas, desenhos, grafismos corporais, confecção de cartazes, contação de histórias, ciclos de massagens e oficina de higiene bucal. Além disso, a Arandu também fez brincadeiras ao ar livre, como corrida, futebol, pula-corda, coelho sai da toca, skatismo, danças e dinâmicas com bambolês. A Arandu e estudantes voluntáries da UnB também organizaram o controle interno e externo das crianças registradas na tenda e o contato com pessoas responsáveis, visto que a Marcha e a Conferência acontecem em um espaço amplo, com grande circulação de pessoas.

Foto: Arquivo Rede Arandu.

Para além dessas atividades, a Arandu também mobilizou doações de frutas, agasalhos e calçados, estabelecendo pontos estratégicos de coleta, como o espaço Maloca na universidade, escolas de primeira infância na Asa Norte, contando com o apoio da Associação Docente da Universidade de Brasília (ADUNB). Durante a Marcha, todo o material arrecadado foi distribuído às crianças e suas famílias, incluindo também brinquedos e livretos educativos.

O envolvimento de instituições de pesquisa como a Rede Arandu, a UnB e seus projetos vinculados, aliado ao apoio da ADUNB, permitiu que a tenda "Sementinhas da Ancestralidade" estruturasse adequadamente o cuidado com as crianças e ampliasse o número de pessoas voluntárias ao longo da semana por meio de estratégias de comunicação em rede e divulgação boca a boca.

presença de 5.000 famílias, de 172 diferentes povos, e a dedicação das mulheres aos espaços de debate da 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas demandou especial zelo e responsabilidade pelas crianças por parte do voluntariado, composto de 56 pessoas, desde estudantes de graduação a pesquisadoras de pós-doutorado, igualmente empenhadas no importante trabalho de cuidado num contexto de movimentações intensas e recursos angariados através de doações externas. A tenda das crianças foi um espaço importante para garantir que as mães participassem das plenárias e dos debates políticos, e para que comparecessem à Marcha em si, que ocorreu na quinta-feira 07 de agosto.

A presença de indígenas mulheres e pessoas de gêneros e sexualidades diversas em espaços de decisão política é uma construção que a Rede Arandu busca apoiar enquanto rede colaborativa, trabalhando em interlocução com as demandas dos movimentos indígenas.

Se as famílias presentes por vezes contam com redes de apoio para o zelo das crianças, como avós, tias, irmãs e outros membros familiares, ainda assim é significativo que todas as mulheres, anciãs, adultas e jovens, possam participar dos espaços de plenária e aproveitar o momento de reunião política e proximidade física entre tamanha diversidade de povos. Afinal, a equidade de gênero e a luta pelo reconhecimento de pessoas de gêneros e sexualidades diversas em contextos indígenas é o motivo central do trabalho da Arandu, visando o fortalecimento da diferença dentro da coletividade e, nesta toada, potencializando a força política dos movimentos indígenas sobre suas próprias demandas.

A riqueza de idiomas marcou o espaço da tenda e contou da importância da educação intercultural, em uma experiência viva e transformadora para quem dela participou. É comum ouvir mães indígenas dizendo que seus filhos e filhas fazem parte da mobilização e garantir um espaço de qualidade para a formação e o encontro político é fundamental.

Nesse sentido, a Arandu, como ponto de apoio para famílias que vieram de tão longe, ao disponibilizar-se nos cuidados com as crianças, proporciona um ambiente confortável para que as famílias lutem pelos seus direitos e pela igualdade entre povos, com a certeza de que seus filhos estão seguros. Além disso, a experiência na tenda proporciona enriquecedoras trocas interpessoais, em uma oportunidade de ensinar, aos voluntários, a diversidade, a multiplicidade cultural e os diversos modos de vida que se misturam em um Brasil tão plural.

Terceiro encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo tem como tema “Mulheres Indígenas Fazendo Política”: veja como assistir ao vivo

Terceiro encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo tem como tema “Mulheres Indígenas Fazendo Política”: veja como assistir ao vivo

O terceiro encontro do ciclo de palestras do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” será realizado no dia 21 de julho às 19:30 horas (horário de Brasília) pelo canal do YouTube do INCT Caleidoscópio.

Promovido pela Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater nossa compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas.

Este terceiro encontro, intitulado Mulheres Indígenas Fazendo Política, evidencia trajetórias de resistência e estratégias de organização que têm redefinido os espaços de poder e representação. As mulheres indígenas têm sido protagonistas históricas de transformações sociais e políticas em seus territórios, exercendo lideranças que transcendem as noções ocidentais sobre agência política, papéis de gênero e a divisão entre o público e o privado.

Neste sentido, a reflexão ganha especial importância ao reconhecermos como essas lideranças femininas articulam questões territoriais, identitárias e de direitos com as complexidades das relações de gênero e sexualidade dentro de diferentes contextos indígenas.

Com mediação de Katiuscia Galhera, membro da Rede Arandu, o encontro conta com a participação de palestrantes e lideranças indígenas de extrema relevância:

  • Lúcia Kaiowá - Artesã da etnia Kaiowa, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora de Práticas Inovadoras na Escola Estadual Indígena Mbo' eroy Guarani Kaiowa.
  • Larissa Pankararu - Mulher indígena do povo Pankararu. Estudante do curso de Ciências Ambientais na Universidade de Brasília (UnB) e membro da Associação Acadêmica dos Estudantes Indígenas da UnB (AAIUNB). Atua como coordenadora de Políticas para Juventude Indígena no Departamento de Línguas e Memórias da Secretaria de Articulação e Promoção dos Direitos Indígenas, no Ministério dos Povos Indígenas. Foi a primeira coordenadora da Coordenação de Indígenas LGBTQIA+ do Departamento de Promoção à Política Indigenista da SEART.
  • Lauriene Seraguza - Indigenista, antropóloga e professora na Universidade Federal da Grande Dourados/UFGD. Doutora em Antropologia Social pelo PPGAS/USP. Coordenadora do Laboratório Etnoterritorial Mato Grosso do Sul - UFGD/MPI.

Este é um convite para expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!

Salve a estreia em nosso canal do YouTube: 3º Encontro: Mulheres Indígenas Fazendo Política l curso de extensão Rede Arandu

Sobre o curso de extensão

Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu que a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, objetiva aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade. Abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.

O curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” teve início no dia 26 de maio, sendo o primeiro encontro de oito que serão realizados de maio a dezembro, toda segunda-feira na terceira semana de cada mês, às 19:30 horas, ao vivo pelo YouTube do INCT Caleidoscópio.

A fim de fundamentar o debate a respeito da compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, o primeiro encontro teve como tema Direitos Indígenas, Políticas Públicas, Território. E participaram da conversa Niotxarú Pataxó, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI); Gualoy Guarani e Kaiowá, da JUIND (Juventude Indígena da Diversidade Guarani Kaiowá).

A abertura partiu do contexto histórico de invisibilização e marginalização dos povos indígenas, destacando o papel fundamental da temática na construção de uma academia mais inclusiva e representativa. A discussão se torna mais relevante considerando os desafios contemporâneos enfrentados pelos povos indígenas na garantia de seus direitos territoriais, identitários e de acesso às políticas públicas específicas, especialmente quando interseccionamos essas questões com as diversidades de gênero e sexualidade presentes nas cosmologias indígenas.

Acesse a transmissão salva do primeiro encontro pelo link1º Encontro Direitos Indígenas, Políticas Públicas, Território l curso de extensão Rede Arandu

O segundo encontro teve como tema Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas, e foi realizado no dia 16 de junho às 19:30 horas (horário de Brasília) pelo canal do YouTube do INCT Caleidoscópio. Este encontro teve como proposta debater as experiências de gênero e sexualidade em contextos indígenas que desafiam as categorias impostas pelo pensamento ocidental e revelam formas plurais de existência.

Esta palestra foi um espaço de escuta e diálogo sobre como essas vivências são construídas, tensionadas e, muitas vezes, institucionalmente silenciadas ou renomeadas. Para além das reflexões sobre essas questões no Brasil, também foi feito um debate sobre discursos hegemônicos e internacionais de emancipação sexual e seu potencial de colonizar subjetividades a partir de novas roupagens.

Para realizar essas e outras considerações, o encontro contou com a presença de Paulo de Tássio Borges da Silva, líder do Grupo de Pesquisa Kijetxawê e vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF) e à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); de Thyara Pataxó, participante do Coletivo e Instituto Ipakéy e do Coletivo APOEMA, e estudante da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e de Manuela Picq, professora da Amherst College, e integrante do La Coletiva e do Movimento de Defensores da Água nos Páramos de Kimsakocha.

Com mediação da Tchella Maso (UnB), coordenadora da rede Arandu, o segundo encontro incentiva pensar as relações entre subjetividades indígenas, gênero e sexualidade e poder, sendo um aporte fundamental do ciclo de oito palestras do espaço de escuta, troca e formação com pessoas acadêmicas e não acadêmicas, de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação. Ao fim, cada encontro contribuirá em distintos aspectos para aprofundar reflexões e colaborações no campo de Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

Acesse a transmissão salva do segundo encontro pelo link2º Encontro: Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.

Todos os encontros do curso estão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta.

Leia também: Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo realiza segundo encontro com temática "Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas"

Sobre a rede Arandu

A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.

O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

Ao incentivar o questionamento de paradigmas eurocêntricos e heteronormativos que ainda prevalecem na academia e na sociedade, a iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.