Seminário reúne pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil para discutir linguagem, identidade cultural, tecnologias educacionais e práticas de cuidado a partir de perspectivas negras, afroreferenciadas e contracoloniais.
Pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil se reúnem, no dia 24 de setembro, para discutir linguagem, tecnologias educacionais e práticas de cuidado afroreferenciadas. O seminário acontece às 9h no Brasil e às 13h em Angola e na Nigéria e integra o I Ciclo Internacional de Seminários Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe. Em sua quarta edição, o seminário tem como tema “Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil”.
O encontro integra uma programação internacional realizada entre março e dezembro de 2026, aproximando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produções científicas de África, América Latina e Caribe. No âmbito do INCT Caleidoscópio, a iniciativa é desenvolvida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulando diálogos entre África e diáspora africana a partir da produção acadêmica de mulheres negras.
As atividades acontecem em formato híbrido, com participação presencial no Auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (CCBS/UFCG) e transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube. O formato busca ampliar a participação de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo redes de cooperação Sul-Sul e a circulação transnacional do conhecimento.
A mediação do encontro será das professoras Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFCG, e Helena Veloso, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), que coordenam o ciclo.
Pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil colocam diferentes conhecimentos em diálogo
A programação do quarto encontro reúne três pesquisadoras em discussões que aproximam linguagem e identidade cultural, tecnologias educacionais e conhecimentos locais e práticas de cuidado e acolhimento afroreferenciadas.
A professora Ana Bela Loureiro, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) e da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Angola (FCH-UCAN), apresenta “O valor psicológico da palavra mãe na construção da identidade cultural”.
Da Nigéria, Nafisat Afolake Adedokun-Shittu, da University of Ilorin (UNILORIN), participa com “Tecnologias educacionais, cultura e tradições locais: o GLOCALISE e a contextualização do conhecimento na Nigéria”.
Já Charlene Costa Bandeira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresenta “PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado”.
As três apresentações dão continuidade ao eixo temático que orienta o ciclo, “Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana”, reunindo pesquisas e experiências produzidas em diferentes contextos do Sul Global.
Confabulações que atravessam o Atlântico
O Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global. Ao articular universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica, a iniciativa estabelece conexões entre África, América Latina e Caribe.
Nesse percurso, a Confabulação Crítica é compreendida como um trabalho coletivo de fabulação diante de arquivos necessariamente lacunares da Psicologia. A proposta traça conexões entre Angola e Brasil e refaz rotas e percursos de mulheres pesquisadoras a partir de corpos e experiências atravessados pela diáspora, pelo exílio, pelo refúgio e por comunidades de destino.
Desde março, os encontros têm reunido pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. O primeiro seminário discutiu a produção acadêmica de mulheres negras na última década; o segundo abordou psicologias, migrações e mudanças climáticas; e o terceiro, realizado em julho, colocou em discussão as disputas epistemológicas e a legitimidade do conhecimento.
A iniciativa resulta de uma cooperação internacional com a Red Internacional de Voces Afrofeministas (RIVAS) e o Grupo de Trabalho Afrodescendentes Propostas Contrahegemónicas da CLACSO, com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A organização está a cargo do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFCG, em parceria com a Universidade Agostinho Neto e a Universidade Católica de Angola.
Nacionalmente, o ciclo articula-se ainda com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis, o GEM – Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA).
Como participar
O quarto encontro acontece em 24 de setembro de 2026, às 9h no Brasil e às 13h em Angola e na Nigéria. Presencialmente, as atividades serão realizadas no Auditório do CCBS/UFCG, em Campina Grande (PB). Também será possível acompanhar a programação de forma remota, por meio da transmissão ao vivo no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio do formulário disponibilizado nos canais do Instituto. A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, com sede na UFCG, para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.
A programação segue até dezembro. Em novembro, o quinto seminário será dedicado às “Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas”. Em dezembro, o encontro que encerra o ciclo abordará “Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil”.
Salve a estreia abaixo!