INCT Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos

INCT Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH), iniciativa liderada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) que reúne mais de 100 Instituições-Membros dedicadas à produção, articulação e disseminação de evidências para subsidiar políticas públicas em direitos humanos e cidadania.

Com a adesão, o Instituto amplia sua participação em uma rede nacional voltada à aproximação entre pesquisa e tomada de decisão, contribuindo para que o conhecimento científico produzido pelas frentes de atuações alcance novos espaços de incidência e fortaleça políticas públicas baseadas em evidências.

Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais. A integração à Rede dialoga diretamente com as frentes de atuação e os valores do INCT Caleidoscópio.

O Instituto está entre as instituições participantes, nos canais de comunicação da Rede e um espaço de apresentação no mapa oficial de membros da ReneDH.

Ao integrar a Rede, o instituto reforça seu compromisso de produzir conhecimento científico socialmente relevante e de contribuir para que evidências orientem a construção de políticas públicas voltadas à promoção dos direitos humanos, da equidade e da justiça social.

Sobre o INCT Caleidoscópio

O INCT Caleidoscópio é um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

Criado em 2022 com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Instituto é um projeto de desenvolvimento científico com foco em estudos feministas no Brasil, dedicado a compreender, enfrentar e contribuir para a redução das violências e desigualdades interseccionais de gênero e sexualidade.

Atuamos como uma rede nacional e internacional de pesquisa, formação e extensão voltada ao enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades de gênero e sexualidade em instituições de ensino superior e em seus territórios de relação.

Entre os eixos de ações incluem o levantamento de dados de equipamentos de enfrentamento às violências em instituições de ensino superior, mentorias, oficinas, cursos, seminários, fóruns de escuta, produção de materiais didáticos, podcasts, boletins, ferramentas digitais e impressas, tecnologias sociais e iniciativas desenvolvidas em escolas, universidades, comunidades quilombolas e comunidades indígenas.

O Instituto atua diante da persistência de barreiras interseccionais que restringem o acesso, a permanência, a visibilidade e a participação de grupos historicamente sub-representados nas ciências, além das violências e exclusões presentes em escolas e universidades. Trata-se de uma questão central para os direitos humanos por incidir diretamente sobre o direito à educação, saúde, ao reconhecimento e à participação social.

Com sede na Universidade de Brasília (UnB), o Instituto está organizado em três nucleações. Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e Norte, Nordeste e Amazônia Legal são compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa de 24 instituições de ensino superior distribuídas pelas cinco regiões do país.

A partir de uma perspectiva feminista, antirracista e interseccional, essas redes promovem iniciativas institucionais pioneiras em direitos humanos e justiça social nas instituições de ensino superior, com o objetivo de fomentar tecnologias sociais, acadêmicas, científicas, subsídiar políticas públicas e promover comunicação científica feminista.

As atividades do INCT Caleidoscópio estão organizadas em quatro eixos estruturantes: o Observatório Caleidoscópio, responsável pelo monitoramento de indicadores de violências, vulnerabilidades e políticas de enfrentamento; as incubadoras sociais, que aproximam universidade e sociedade civil por meio de projetos de pesquisa e extensão; a Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica, voltada à produção e circulação de conteúdos em podcasts, boletins e materiais multimídia sobre violências, desigualdades e insurgências de gênero e sexualidade; e as ações de incidência sobre políticas públicas, que desenvolvem tecnologias sociais, materiais de orientação e parcerias com órgãos públicos para fortalecer políticas de equidade de gênero e enfrentamento das desigualdades.

A participação na ReneDH amplia as possibilidades de colaboração entre o Instituto e organizações que atuam na produção e disseminação do conhecimento, favorecendo o intercâmbio entre pesquisadoras, gestores públicos e instituições comprometidas com a promoção dos direitos humanos. Também amplia a circulação das ações desenvolvidas pelo Instituto e seu potencial de contribuir para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Sobre a ReneDH

A Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH) é uma instância de articulação, produção e disseminação de informações estratégicas e evidências destinadas a subsidiar a tomada de decisão em direitos humanos e cidadania. A iniciativa, coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, busca fortalecer a agenda nacional de políticas públicas informadas por evidências.

Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne mais de 100 instituições-mebro de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais.

Para alcançar resultados em curto, médio e longo prazo, a ReneDH adota um modelo de funcionamento baseado em Ciclos de Implementação. A cada etapa, as ações são aprofundadas com o objetivo de institucionalizar o uso de evidências em direitos humanos por meio da articulação entre diferentes atores, da produção de estudos e da disseminação de análises voltadas ao fortalecimento das políticas públicas.

Para isso, a Rede adota como referência a Tradução do Conhecimento, metodologia que busca transformar evidências científicas em informações acessíveis e robustas para gestores públicos, articulando produção, síntese, disseminação, intercâmbio e aplicação ética do conhecimento. Além de dispor o Repositório de Estudos da Rede, uma plataforma de armazenamento e busca de documentos, estudos, análises, pesquisas e produtos de Tradução do Conhecimento desenvolvidos no campo dos Direitos Humanos.

Atualmente, a ReneDH está organizada em três grupos de trabalho: Expansão e sustentabilidade da Rede, Intermediação de evidências e Disseminação do conhecimento. A participação é aberta às instituições-membro, favorecendo a construção coletiva de estratégias, produtos de tradução do conhecimento e ações voltadas ao fortalecimento de políticas públicas informadas por evidências. Estes atuam sob as prioridades de pesquisas em DH apresentados pela Rede nos eixos temáticos abaixo:

  • Eixo 1 - Direitos Humanos das Crianças e Adolescentes
  • Eixo 2 - Direitos Humanos da Pessoa Idosa
  • Eixo 3 - Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência
  • Eixo 4 - Direitos Humanos das Pessoas LGBTQIA+
  • Eixo 5 - Promoção e Defesa dos Direitos Humanos

Para orientar a produção de conhecimento a partir das demandas de gestoras e gestores públicos, a Rede elaborou a Agenda de Priorização de Pesquisas em Direitos Humanos (APPDH). A edição de 2024 reúne temas estratégicos definidos a partir da escuta das Secretarias Nacionais do MDHC, aproximando pesquisadoras, pesquisadores, gestores públicos e sociedade na produção de subsídios técnico-científicos para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas e programas voltados à promoção dos direitos humanos.

Acesse o site da RedeDH para mais informações.

INCT Caleidoscópio recebe Prêmio Anísio Teixeira de Direitos Humanos 2025 da Universidade de Brasília na categoria Igualdade, diversidade e não discriminação

INCT Caleidoscópio recebe Prêmio Anísio Teixeira de Direitos Humanos 2025 da Universidade de Brasília na categoria Igualdade, diversidade e não discriminação

A quarta edição do Prêmio Anual Anísio Teixeira ocorreu na última sexta-feira (12), no Auditório da Reitoria do campus Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília. A premiação celebra, reconhece e valoriza iniciativas de excelência em ensino, pesquisa e extensão que contribuam para as políticas de Direitos Humanos da UnB.

Na edição de 2025, o IV Prêmio Anual de Direitos Humanos Anísio Teixeira selecionou três iniciativas para premiação nas categorias: Igualdade, diversidade e não discriminação; Saúde, meio ambiente e bem-estar; Democracia e participação.

Com o objetivo de reafirmar o compromisso da UnB com a democracia, a justiça social e a diversidade, valorizando práticas que transformam realidades e fortalecem a educação em Direitos Humanos, a Secretaria de Direitos Humanos (SDH/UnB), por meio da avaliação da Câmara de Direitos Humanos (CDH/UnB), divulgou três projetos que atenderam aos critérios de pertinência, inovação, impacto, resultados alcançados e continuidade.

A Profª Viviane de Melo Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio, representou o instituto ao receber a premiação na categoria Igualdade, diversidade e não discriminação. Doutora em Linguística (Linguagem e Sociedade) pela UnB, Viviane Resende é professora associada do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP/UnB) e, na ocasião, discursou:

Muito honrada, recebo este Prêmio Anísio Teixeira, na categoria ‘Igualdade, diversidade e não discriminação’, em nome do INCT Caleidoscópio – o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre Desigualdades, Violências e Insurgências de Gênero e Sexualidade. Fundado na UnB, em 2023, com capilaridade nas cinco regiões do Brasil e apoiado pelo CNPq no âmbito do Programa de INCTs, o Caleidoscópio é o primeiro INCT feminista e antirracista, explicitamente baseado em uma abordagem interseccional. Nosso foco é combater a desigualdade de gênero e sexualidade no âmbito acadêmico. O INCT Caleidoscópio parte de um princípio simples, mas urgente: não existe justiça epistêmica sem justiça social, justiça de gênero e justiça territorial.”, diz Viviane.

Foto: Profª Viviane de Melo Resende recebe premiação pelo projeto INCT Caleidoscópio.

Em seguida, a pesquisadora acrescentou que o INCT Caleidoscópio reúne pesquisadoras, coletivos e instituições públicas para construir uma ciência social engajada, plural e comprometida com os direitos humanos, atuando como elo entre pesquisa, extensão e incidência política, ao articular universidades, coletivos e instâncias governamentais na produção de conhecimento e tecnologias sociais.

Desse modo, as ações do instituto se organizam a partir do Observatório Caleidoscópio e de Incubadoras Sociais regionais (Sul/Sudeste, Centro-Oeste, Norte/Nordeste e Amazônia Legal).

Observatório Caleidoscópio dedica-se a mapear e analisar dados sobre desigualdades de gênero nas instituições de ensino superior (IES), bem como sobre os equipamentos e protocolos de enfrentamento existentes nessas instituições. Também é produzido um software de Análise Interseccional de Perfis, que permite cruzar dados públicos antes desagregados.

Na Incubadora Social Feminista e Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, as ações estão sobretudo em parceria com mulheres quilombolas pesquisadoras, reconhecendo que as mudanças climáticas impactam diretamente as trajetórias educacionais — acesso, permanência e progressão nas carreiras científicas — de mulheres quilombolas e rurais. Compreende-se que alianças entre mulheres quilombolas e projetos como o INCT Caleidoscópio podem produzir instrumentos pactuados que permitam avançar na construção de políticas públicas voltadas à mitigação de danos e à fabulação de outros presentes.

Por sua vez, a Incubadora Social Centro-Oeste, sediada na UnB, dedica-se à atuação com mulheres indígenas nas ciências e às ciências produzidas pelos povos indígenas. Reconhece-se que, para seguir relevante, o saber acadêmico moderno precisa ser urgentemente ampliado a partir de outros saberes e outras ciências, desenvolvidas por meio de métodos distintos e baseadas em diferentes entendimentos do mundo. Em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas e por iniciativa da Incubadora Centro-Oeste, integra-se a Rede Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, composta por iniciativas atravessadas por uma política de comunicação científica feminista e antirracista.

No âmbito de atuação da Rede Arandu, destaca-se a Cartilha por Justiça Climática para Populações Indígenas LGBTQIAP+, uma iniciativa de comunicação científica acessível, criada para fortalecer o protagonismo dessas lideranças na formulação de políticas públicas. A cartilha integra um conjunto de ações que coloca no centro a justiça de gênero e a justiça econômica como dimensões inseparáveis da justiça climática.

Em articulações com o poder público, no último ano, consolidamos parcerias institucionais com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR). Com o MPI, participamos da formulação e execução do Programa Tecendo Direitos, que fortalece coletivos indígenas LGBTQIAPN+ em todo o país, promovendo escuta territorial e coformulação de políticas públicas. Com o MDHC, atuamos no Programa Bem Viver+, que promove o diálogo entre saberes tradicionais e políticas de cuidado, saúde e sustentabilidade. O MIR apoia iniciativas da Incubadora Social Feminista e Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal”, continuou.

Profª Drª Viviane afirmou, em seu discurso, que essas múltiplas parcerias têm permitido que as pesquisas se transformem em tecnologias sociais, metodologias e ferramentas criadas junto às comunidades e que produzem efeitos diretos sobre a governança, a educação e a ação climática.

São tecnologias que territorializam debates, tornando a universidade mais permeável às epistemes e práticas de povos e comunidades tradicionais, e que demonstram que o conhecimento também é uma forma de demarcação.

O que defendemos, desde a Rede Arandu, o Observatório e as Incubadoras Sociais do INCT Caleidoscópio, é que a produção científica precisa ser redesenhada a partir da experiência das mulheres e das comunidades racializadas. Quando elas lideram, as soluções deixam de ser abstratas e passam a refletir as necessidades da vida real — o cuidado com a terra, a reciprocidade entre gerações, a soberania alimentar, o direito ao território e o enfrentamento às violências estruturais.”, afirma.

A coordenadora do INCT Caleidoscópio encerrou seu discurso de agradecimentos afirmando:

Nosso papel como pesquisadoras é apoiar, visibilizar e sustentar esses processos, ampliando o conhecimento em política pública e o cuidado em um horizonte de transformação. Caminhamos com esse compromisso: tecer pontes entre a ciência e os territórios, entre o Estado e os movimentos. Fazer da pesquisa um ato de justiça, de escuta e de transformação coletiva. O reconhecimento desse projeto pelo CNPq, com a aprovação da proposta em edital, e também da UnB, ao conferir ao INCT Caleidoscópio este importante prêmio, reforça o compromisso com uma ciência feminista, interseccional e comprometida com a justiça epistêmica.”, finaliza.