INCT Caleidoscópio participa da Conferência sobre mulheres e meninas na Ciência, em Florianópolis

INCT Caleidoscópio participa da Conferência sobre mulheres e meninas na Ciência, em Florianópolis

Evento aconteceu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) no último dia 25 de março, e contou com a presença de docentes e pesquisadoras representantes de diferentes projetos e grupos de pesquisa comprometidos com estudos de gênero e com a formação de jovens cientistas.


Publicação original: Observatório Caleidoscópio Sul-Sudeste, 22/4/2024

Por: Morgani Guzzo e Pedro Ordones

No último dia 25 de março, as pesquisadoras Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo representaram o INCT Caleidoscópio durante a Conferência "Livre Mulheres e Meninas nas Ciências", realizada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e organizada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) regional de Santa Catarina. meninas e mulheres nas diferentes áreas do conhecimento e sugerir demandas

A atividade, que é preparatória para a 5ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação (CNCTI), que vai acontecer em junho, em Brasília, teve como objetivo apresentar diferentes iniciativas desenvolvidas em Santa Catarina que visem ampliar a presença de regionais a serem tratadas na conferência em Brasília.

Estiveram presentes docentes e pesquisadoras de universidades como a UFSC (Florianópolis, Araranguá, Joinville), a UDESC (Florianópolis, Joinville), a Uniplac (Lages) e representantes de diferentes projetos e grupos de pesquisa comprometidos com estudos de gênero e com a formação de jovens cientistas. Entre as palestrantes, Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo apresentaram o que é o INCT Caleidoscópio e os trabalhos realizados até o momento pelo Observatório Sul-Sudeste, que tem na coordenação pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade de Campinas (Unicamp).

Joana Maria Pedro, é professora aposentada do Departamento de História da UFSC, e uma das coordenadoras do Observatório Sul-Sudeste; já Morgani Guzzo é jornalista e realiza seu estágio pós-doutoral junto ao INCT Caleidoscópio e o Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH/UFSC). Ambas são pesquisadoras do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH).

"O INCT é um edital do CNPQ que visa estimular a criação de redes de pesquisadoras e o desenvolvimento de tecnologias sociais e comunicação em Ciência e Tecnologia. O projeto do INCT Caleidoscópio partiu das discussões realizadas pela Rede Nacional de Estudos e Pesquisas Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Interdisciplinares e Decoloniais, que chamamos de Rede Caleidoscópio", explicou Joana Maria Pedro no evento. "O intuito é compreender e enfrentar as desigualdades, violências e iniquidades de gênero e suas interseccionalidades nos ambientes universitários e nos espaços da Ciência como um todo.", completou.

Apresentando parte de sua pesquisa como pós-doutoranda junto ao INCT Caleidoscópio, Morgani ressaltou que, para além da necessidade de políticas de permanência nas universidades, é preciso que sejam criados e monitorados mecanismos e ações de enfrentamento às violências. "Sabemos que existem diversas políticas públicas de acesso à universidade, porém queremos garantir que essas políticas sejam também de permanência, pois a violência, que afeta em maioria as mulheres, é uma das questões que as levam a não continuar nas universidades".

As pesquisadoras também apresentaram um breve diagnóstico do que foi possível levantar na pesquisa em andamento e algumas recomendações para serem levadas para a 5ª CNCTI.

INCT Caleidoscópio participa da Conferência sobre mulheres e meninas na Ciência, em Florianópolis
Da esquerda para a direita: Alexandra Alencar (Ebó Epistêmico/UFSC), Tatiana Renata Garcia (Meninas na Tecnologia/UFSC Joinville), Maria Elisa Máximo (SBPC/SC), Geovana Lunardi Mendes (Udesc), Joana Maria Pedro (INCT Caleidoscípio/UFSC),
Janine Gomes da Silva (IEG/UFSC) e Morgani Guzzo (INCT Caleidoscópio/UFSC). Créditos: Jéssica Michels.

Além do INCT Caleidoscópio, a Conferência Livre contou com representações de importantes entidades e instituições, como o Instituto de Estudos de GêneroCátedra Antonieta de BarrosEbó Epistêmico e os projetos Meninas na Ciência e Meninas na Tecnologia, referências no trabalho pela equidade de gênero, raça, classe, entre outros marcadores sociais, que é parte dos eixos principais da Conferência Nacional.

A Conferência Livre teve apoio da UFSC, do mandato da Dep. Estadual Luciane Carminatti, da SBPC e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação/Governo Federal.

Rede Andorinhas no enfrentamento à desigualdade de gênero na UFOP

Rede Andorinhas no enfrentamento à desigualdade de gênero na UFOP

Por: Morgani Guzzo e Pedro Ordones, em 16/4/2024

Observatório Sul-Sudeste

Você já se perguntou a diferença que pode fazer uma mulher em cargos de gestão na Universidade? Ou que mudanças as mulheres podem provocar em qualquer âmbito quando se unem e se organizam?

Em meio à pandemia, no dia 21 de junho de 2021, Patrícia Moreira, mestre e doutora em genética e professora do Departamento de Biodiversidade, Evolução e Meio Ambiente da UFOP, ajudou a fundar a Andorinhas, uma rede de mulheres compostas por mulheres cis e trans de todas as categorias da Universidade Federal de Ouro Preto (discentes, docentes, servidoras tecnico-administrativas e, também, terceirizadas).

O coletivo Andorinhas - Rede de Mulheres da UFOP surgiu com o objetivo principal de diminuir as assimetrias de gênero no âmbito da universidade, além de lutar contra as violências contra as mulheres. "Nossa intenção é mostrar que o ambiente universitário é também para as mulheres, é um espaço de direito delas e aos poucos estamos conseguindo mostrar isso e fazer a diferença para a comunidade da nossa universidade", contou Patrícia durante o evento "Ocupação INCT Caleidoscópio: as Redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia", que aconteceu no dia 27 de novembro de 2023 por videoconferência.

Desde a sua criação, em quase três anos de lutas, a Rede Andorinhas obteve conquistas significativas para as mulheres da universidade mineira. Entre elas, a aprovação da Resolução 2606 pelo Conselho Universitário (CUNI), que garante às mulheres que tiveram filhos ou adotaram durante o período avaliativo para progressão de cargo, o direito de cumprir apenas 50% dos créditos necessários para a progressão.

Além desta, o coletivo conseguiu a aprovação da resolução 2607, que torna obrigatório que as bancas dos concursos da UFOP sejam compostas por, no mínimo, um terço de mulheres e em uma perspectiva interseccional étnico/racial, de gênero, sexualidade e deficiência como membros titulares. Na resolução ainda consta, no que diz respeito à avaliação dos currículos, que a candidata que passou por gestação ou adotou uma ou mais crianças no período em avaliação, terá correção de 10% a 20% na pontuação obtida.

A Rede também garantiu que gestantes e adotantes tenham pontuação corrigida de forma semelhante na avaliação do currículo nos editais internos da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da instituição.

Além dessas conquistas, a Rede Andorinhas vem trabalhando para garantir equidade e o enfrentamento efetivo às violências contra as mulheres. Uma das ações nesse sentido é o estímulo à participação de docentes e técnicos administrativos em cursos e palestras sobre gênero, diversidades e violências e, desde o final de 2023, o coletivo conseguiu que todos os novos servidores, ao integrarem o corpo de funcionários da universidade, fossem obrigados a participar de cursos a respeito de temas como assédios no ambiente universitário, através do programa Sala Aberta.

A UFOP tem avançado nas políticas de equidade também com a atuação de outros coletivos, como o MANU (Maternidade e Universidade, que, em parceria com a rede de mulheres, garantiu uma bolsa maternidade de R$ 200,00 para discentes de graduação, além do acesso de seus filhos ao Restaurante Universitário (RU). É destaque também a atuação da Ouvidoria Feminina, instituída na universidade em 2017, e a Resolução (2.249) sobre o fluxo de recebimento e encaminhamento de denúncias de violência contra as mulheres na Universidade. Pela qualidade de seu trabalho, a Ouvidoria Feminina venceu o 1º Concurso Boas Práticas do Ministério da Educação (MEC) na categoria "Aprimoramento das Atividades de Ouvidoria", em novembro de 2023.

Ocupação INCT Caleidoscópio: as redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia

Ocupação INCT Caleidoscópio: as redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia

Por: Morgani Guzzo, em 28/11/2023

Texto reprodução do Observatório Caleidoscópio. Acesso à matéria.

Conhecer e realizar ações conjuntas e articuladas foi o objetivo do evento "Ocupação INCT Caleidoscópio: as Redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia", que aconteceu no dia 27 de novembro de 2023, das 14h às 16h30, em modalidade virtual.

O encontro, organizado pelo Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio, contou com a apresentação da Caleidoscópio: Rede Nacional de Estudos Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Transdisciplinares e Decoloniais, da Rede Brasileira de Mulheres Cientistas (RBMC), da Parent in Science, da Rede Andorinhas (UFOP/MG) e da Rede de Equidade e Diversidade de Gênero de São Paulo.

Após a apresentação das representantes das redes, as pessoas presentes conversaram e debateram ideias de ações articuladas e em conjunto, visando não só fortalecer cada uma das redes, mas também ampliar a divulgação e o alcance das ações.

Algo que ficou evidente no encontro foi quão significativa tem sido a atuação dessas redes na luta por equidade nas universidades e nas diversas carreiras científicas e no combate aos assédios e preconceitos de gênero, sexualidades, parentalidade, raça/etnia, entre outros.

O reconhecimento das boas práticas e a sua divulgação é um dos objetivos do Observatório Sul-Sudeste, que a partir deste encontro aproximou-se das iniciativas já existentes e fará parte, como resultado do evento, da criação de um Conselho das Redes, para encaminhar as ações articuladas.


Ocupação INCT Caleidoscópio: as Redes e os desafios da equidade e diversidade de gênero na academia. Observatório Caleidoscópio Sul/Sudeste.
Imagem das participantes do evento de ocupação organizado pelo Observatório do INCT Caleidoscópio que articulou movimentações pelas redes sociais por equidade de gênero na ciência. Reprodução Observatório Caleidoscópio Sul/Sudeste.