IV Seminário de Pesquisas do Observatório Caleidoscópio apresenta um olhar interseccional que envolve gênero, raça/etnia, sexualidade e idade

IV Seminário de Pesquisas do Observatório Caleidoscópio apresenta um olhar interseccional que envolve gênero, raça/etnia, sexualidade e idade

Na segunda-feira, dia 23 de março de 2025, às 14h, o Observatório Caleidoscópio – Nucleação Sul-Sudeste dará início à quarta edição do Seminário do Observatório Caleidoscópio.

O projeto tem como objetivo ser um espaço de divulgação científica e discussão sobre pesquisas que envolvam as temáticas desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio. Entre elas estão as trajetórias e os indicadores da presença das mulheres e suas múltiplas interseccionalidades na ciência, na carreira docente e na gestão das instituições de ensino. Questões como acesso, permanência, ações afirmativas e enfrentamento às violências de gênero nas universidades e nas carreiras também fazem parte do escopo do trabalho do INCT.

No primeiro encontro deste ano, as pesquisadoras convidadas irão apresentar um olhar interseccional que envolve gênero, raça/etnia, sexualidade e idade. Flávia Belmont de Oliveira, da UnB, irá abordar a subnotificação e visibilidade indígena nos registros do Disque 100 – Módulo LGBT (2011-2025). Em seguida, Gedalva de Souza, da Unicamp, irá apresentar a pesquisa “A Ciência do Envelhecimento sob lente interseccional: invisibilidades no fomento à CT&I”.

Os encontros são mensais e on-line e continuam acontecendo em dias de semana alternados, das 14h às 16h. Neste semestre, as datas do Seminário são as seguintes: 23 de março (segunda-feira), 28 de abril (terça-feira), 27 de maio (quarta-feira) e 25 de junho (quinta-feira). A programação completa pode ser acessada aqui.

A participação é aberta a todas as pessoas interessadas. As inscrições são gratuitas pelo link. Para facilitar a emissão de certificados, recomenda-se que a inscrição seja feita pelo ID UFSC (caso não tenha cadastro no ID UFSC, recomendamos realizá-lo). Outra opção é inscrever-se através da plataforma gov.br. Participantes que realizarem a inscrição no link terão direito ao certificado de participação em Projeto de Extensão pela UFSC.

Espaço de divulgação científica e diálogo sobre pesquisas

O Seminário do Observatório Caleidoscópio é uma proposta de divulgação científica onde pesquisadoras/es que trabalham com as duas principais linhas de investigação do INCT Caleidoscópio são convidadas a apresentar suas pesquisas e, posteriormente, abre-se espaço para o diálogo.

A primeira linha, que representa a Nucleação 1 do Observatório Sul-Sudeste, contempla pesquisas sobre indicadores de gênero e interseccionalidades na ciência, trajetórias de cientistas e desigualdades diversas nos diversos campos da ciência.

A segunda linha, da Nucleação 2, aborda pesquisas sobre políticas, mecanismos e estratégias de enfrentamento das desigualdades de gênero e interseccionalidades nas instituições de ensino superior, contemplando também o enfrentamento aos assédios, violências e outras opressões no âmbito universitário.

Outra forma de acompanhar as apresentações do Seminário, é pelo Youtube. Após cada edição, o vídeo das pesquisadoras é colocado no canal do INCT Caleidoscópio para que todas as pessoas interessadas possam acessar.

Confira os vídeos das apresentações das edições anteriores do Seminário do Observatório aqui.

Também são publicadas matérias sobre as pesquisas aqui no site do Observatório e divulgado trecho da apresentação no nosso perfil do Instagram

Confira a programação do semestre

23/03/2026 (segunda-feira)

14h – “Subnotificação e visibilidade indígena nos registros do Disque 100 – Módulo LGBT (2011-2025)” – Flávia Belmont de Oliveira (UnB)

15h – “A Ciência do Envelhecimento sob Lente Interseccional: Invisibilidades no Fomento à CT&I” – Gedalva de Souza (Unicamp)

28/04/2026 (terça-feira)

14h – “Perspectivas feministas sobre mudanças climáticas e transição energética” – Lígia Amoroso Galbiati (Climares (Fapesp/IFCH/Unicamp/IEI-Brasil)

15h – “A difícil presença de mulheres nas engenharias em Campina Grande, memória e trajetória de pesquisa” – Rosilene Dias Montenegro (UFCG)

27/05/2026 (quarta-feira)

14h – “Trajetórias formativas de mulheres negras quilombolas e produção de tecnologias sociais de pertencimento” – Zizele Ferreira – Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal | INCT Caleidoscópio (UFCG)

15h – “Mulheres que somam: interseccionalidade e educação em STEM para mulheres e meninas no Paraná” – Luciana Rosar Fornazari Klanovicz – Unicentro/PR

25/06/2026 (quinta-feira)

14h – “Mulheres, exclusão e violência política: os desafios de 2026” – Marlise Matos – Universidade de Minas Gerais (UFMG)

15h – “A revista Cadernos de Gênero e Tecnologia, uma trajetória de produção e divulgação em gênero e ciências no Brasil” – Nanci Stancki da Luz (UTFPR)

Em vídeo, pesquisadoras do Observatório Sul-Sudeste falam sobre as desigualdades na Ciência

Em vídeo, pesquisadoras do Observatório Sul-Sudeste falam sobre as desigualdades na Ciência

Em alusão ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, 11 de fevereiro, a TV Unicamp fez uma série de reportagens com mulheres cientistas. Duas delas, Karla Bessa e Rebeca Feltrin, são pesquisadoras do Observatório Sul-Sudeste.

A pesquisadora da Unicamp e vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências, Karla Bessa, falou sobre o que é o INCT, quais são os focos de trabalho do Observatório Sul-Sudeste e quais são os principais desafios para as mulheres nas carreiras científicas no Brasil.

Observatório Caleidoscópio, INOVA UNICAMP e COCEN alinham proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista na Unicamp

Observatório Caleidoscópio, INOVA UNICAMP e COCEN alinham proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista na Unicamp

A Profª. Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio e pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, em conjunto com a Pós-doutoranda Mirlene Simões (INCT/PAGU/CNPq), tem promovido gestões com atores locais na UNICAMP para a promoção de ações referentes à equidade de gênero nas ciências e nas Instituições de Ensino e Pesquisa, com foco nas áreas Tecnológicas em diálogo com as Artes e Humanidades.

Em março deste ano, ambas visitaram à INCAMP, a incubadora de empresa de base tecnológica da UNICAMP, para um primeiro contato e conhecimento das ações da INCAMP. Em Abril, em uma reunião ampliada com a direção da INCAMP, a assessora da COCEN (Coordenadoria de Centro e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa), com representantes do Inova UNICAMP (Agência de Inovação da UNICAMP) e com a coordenação do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, a Profª. Karla Bessa apresentou a proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — especialmente nas áreas de igualdade de gênero (ODS 5), educação de qualidade (ODS 4) e ação climática (ODS 13).

A proposta nasceu da experiência em curso no âmbito do INCT Caleidoscópio, com a Incubadora Social Feminista Antirracista dedicada à formação de mulheres quilombolas nas ciências, que tem coordenação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e se estende para várias outras universidades do Norte, Nordeste e Amazônia legal com ações de monitoramento, formação e produção conjunta de materiais com estudantes quilombolas das respectivas universidades envolvidas.

O foco desta nova incubadora social do INCT Caleidoscópio em Campinas será a formação crítica e tecnológica em Inteligência Artificial (IA), articulada às questões de equidade de gênero e justiça climática, com incentivo ao desenvolvimento de pequenos projetos locais em escolas públicas do entorno da UNICAMP e comunidades adjacentes.

Estiveram presentes na reunião, além da Profª. Dra. Karla Bessa do INCT - Observatório Caleidoscópio, a Mariana Inglez, Coordenadora de Ambientes de Inovação e Empreendedorismo da Inova UNICAMP, o Prof. Dr. Renato Lopes, Diretor Executivo da Inova UNICAMP, a Profª. Dra. Iara Beleli, Coordenadora Associada do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, Vital Yasumaru, Supervisor de Empreendedorismo da INCAMP e a Profª. Dra. Marta Cristina Teixeira Duarte, Assessora da Coordenadoria de Centro e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN-UNICAMP) e a Mirlene Simões, Pós-Doc do INCT - Observatório Caleidoscópio.

Foram discutidos os possíveis caminhos para a institucionalização e início das atividades da Incubadora Social Feminista na Unicamp, com possível parceria com outros setores da Unicamp e com o LEGH da Universidade Federal de Santa Catarina, que já faz parte da coordenação do Observatório Caleidoscópio.

Congresso Latino-Americano de Estudos Feministas do Sul abre período para submissão de trabalhos em Montevidéu

Congresso Latino-Americano de Estudos Feministas do Sul abre período para submissão de trabalhos em Montevidéu

O primeiro Congresso Latino-Americano de Estudos Feministas do Sul, intitulado Interdisciplinadæ, está com chamadas abertas para submissão de resumos até o dia 11 de maio de 2025. Pesquisadoras, pesquisadores, docentes, ativistas e profissionais podem submeter resumos de trabalhos para integrar as apresentações nas sessões dos diferentes Simpósios Temáticos (STs) organizados em cada eixo temático do congresso.

A chamada busca propostas que contribuam para o campo dos estudos feministas, especialmente pela perspectiva interdisciplinar ou transdisciplinar, incorporando um enfoque interseccional. Serão aceitas submissões que apresentem avanços ou resultados de projetos de pesquisa ou extensão, trazendo reflexões teórico-conceituais, metodológicas ou epistemológicas que estimulem o pensamento coletivo nos estudos feministas.

O evento acontecerá entre os dias 18 e 21 de novembro de 2025 na Universidad de la República, em Montevidéu, Uruguai, sob a organização do Centro de Estudos Feministas Interdisciplinares (CEIFem) do Espaço Interdisciplinar da universidade. A programação conta com Simpósios Temáticos (STs) divididos nos seguintes eixos temáticos:

    • Poder, Patriarcado, Política
    • Ativismos, Memória Feminista e Feminismos do Sul
    • Corpos, Sexualidades e Reprodução
    • Violência de gênero
    • Arte
    • Informação e Comunicação
    • Ambiente, Territórios e Planeamento Urbano
    • Economia, Trabalho e Cuidado
    • Ciência e Tecnologia

A descrição dos STs e eixos temáticos pode ser acessada no site oficial do congresso aqui. As orientações para o envio e modelo de inscrições podem ser acessadas por este link aqui

Datas importantes

O prazo para envio de propostas de resumos se encerra no dia 11 de maio de 2025, e a notificação de aceite dos resumos será enviada até 7 de julho de 2025. E o envio das versões completas das apresentações terá início em 7 de julho de 2025, com o encerramento das submissões no dia 17 de outubro de 2025.

    • Encerramento do envio de propostas de resumos: 11 de maio de 2025
    • Notificação de aceitação dos resumos: 7 de julho de 2025
    • Abertura para envio de apresentações completas: 7 de julho de 2025
    • Encerramento do envio de apresentações completas: 17 de outubro de 2025

Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidsocópio no In[ter]disciplinadæ

Pesquisadoras vinculadas ao Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidsocópio fazem parte da coordenação de três Simpósios Temáticos. Joana Maria Pedro (UFSC), Morgani Guzzo (UFSC) e Lídia Maria Vianna Possas (Unesp), junto com pesquisadoras de países latino-americanos, como Argentina, Uruguai e México, mediarão temas que tratam sobre mulheres na política, violências de gênero e resistências nos meios digitais, e movimentos de mulheres e resistência ao patriarcado e ao colonialismo na América Latina.

Abaixo estão as descrições e mais informações sobre os Simpósios Temáticos (STs) coordenados pelas pesquisadoras ligadas ao Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio. Para facilitar a leitura, os resumos dos simpósios foram traduzidos para o português. A versão original em espanhol e outros detalhes sobre o evento podem ser acessados no site oficial clicando aqui.

Mulheres eleitas na América Latina: desafios e avanços (Mujeres electas en América Latina: retos y avances)

A eleição de mulheres para cargos legislativos e executivos na América Latina tem sido uma preocupação para organismos internacionais, ativistas feministas e partidos políticos de diferentes orientações ideológicas. A adoção de cotas para garantir a participação de mulheres em eleições, a busca por leis que incentivem candidaturas, a preocupação com o financiamento das campanhas, a existência de listas fechadas ou abertas, a violência política de gênero (ALBAINE, 2016) têm motivado pesquisas e políticas públicas. Os movimentos de mulheres e feministas latino-americanos têm buscado formas de aumentar o número de candidatas e de mulheres em cargos de poder acessados por meio de eleições em diferentes países.

As pesquisas têm destacado a importância da presença de mulheres em posições de poder para a democracia. Por outro lado, também se discute a diferença entre uma política de presença e uma política de ideias (PHILLIPS, 1995), questionando se basta ser mulher para que sejam propostas e implementadas políticas públicas voltadas às mulheres. Nesse contexto, as expressões políticas desenvolvidas na região durante as primeiras décadas do século XXI geraram discursos e práticas que desafiam e reconfiguram os sentidos tradicionais atribuídos à participação das mulheres na esfera pública (BARROS; MARTÍNEZ PRADO, 2023). Essas transformações não apenas questionaram concepções que associam a presença feminina na política a uma representação automática dos interesses de gênero, mas também evidenciaram as tensões entre agendas progressistas e conservadoras em relação à igualdade de gênero.

Em particular, no exercício de cargos legislativos e executivos, essas dinâmicas revelaram a diversidade de posturas e prioridades que as mulheres no poder podem assumir, desde aquelas alinhadas com projetos de emancipação até outras que reforçam narrativas tradicionais ou contrárias aos direitos das mulheres (TORRICELLA, 2024). Os estudos demonstraram que as questões de raça, etnia e sexualidade exercem influência, tornando o enfoque interseccional (CRENSHAW, 2002) essencial para analisar essas questões. Nesta proposta, consideramos mulheres as pessoas que se identificam dessa forma.

Para este Simpósio Temático, damos as boas-vindas a pesquisas que enfoquem a eleição de mulheres para cargos legislativos e executivos em diferentes níveis de poder, assim como estudos comparativos entre diferentes países da América Latina. Também são bem-vindos estudos que trabalhem com dados eleitorais, bem como aqueles que investiguem as trajetórias das mulheres na política, métodos de campanha, financiamento eleitoral, formas de utilizar o gênero como benefício político e pesquisas focadas na análise de discursos políticos sobre a participação das mulheres na cena pública.

Coordenadoras:

    • Joana Maria Pedro – Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil
    • Valeria A. Caruso – Instituto Interdisciplinario de Estudios de Género, Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires – Argentina
    • Mercedes Barros – Instituto de Investigaciones en Diversidad Cultural y Procesos de Cambio (CONICET) – Universidad Nacional de Río Negro – Argentina

Agendas antigênero, discursos neoconservadores e resistências feministas em redes sociais e meios digitais (Agendas antigénero, discursos neoconservadores y resistencias feministas en redes sociales y medios digitales)

Na última década, diversas pesquisas mostram a presença de grupos antidireitos e neoconservadores no debate público em diferentes países da América Latina. Esses grupos utilizam discursos de ódio, discriminatórios e violentos para difundir ideias e valores contrários à igualdade de gênero, disciplinar e silenciar as vozes que defendem os direitos das mulheres e das dissidências, além de impulsionar uma agenda reativa contra os feminismos e os movimentos de direitos humanos, reunidos sob as denominações de “ideologia de gênero” e “agenda woke”. Embora esses grupos e discursos não sejam um fenômeno novo, sua expansão e consolidação na região representam uma mudança de escala coordenada e sistemática, incluindo formas interseccionais de discursos discriminatórios em reação aos avanços feministas na região.

Nessas agendas antigênero, o neoconservadorismo e a moral tradicional encontram novos aliados e estratégias. Um exemplo disso são os discursos que pregam o retorno a modelos tradicionais de ser mulher, de maternidade e de cuidados, semelhantes aos que, no Norte Global, enfatizam fenômenos como o movimento das “donas de casa tradicionais” ou “tradwives”, promovido por influenciadoras que recomendam estilos de vida “naturais”, supostamente necessários para recuperar a saúde, o bem-estar e a harmonia. Esses fenômenos estão diretamente relacionados à expansão das redes sociais e às novas formas do capitalismo, que promovem o empreendedorismo individual e outras formas de subjetivação conectadas a desejos aspiracionais de classe, status, segurança ou proteção, baseadas no modelo sexista tradicional e na apelação a uma suposta “natureza” sagrada e inquestionável.

Por outro lado, as redes sociais e outras plataformas digitais também têm sido utilizadas de forma criativa por movimentos sociais, coletivos, organizações feministas, mídias alternativas e espaços acadêmicos para promover encontros e debates, convocar mobilizações, fortalecer e criar redes de apoio e solidariedade em defesa da ampliação e do respeito aos direitos das mulheres e das pessoas LGBTIQ+.

Com base nesse breve panorama, convidamos pesquisadoras(es), docentes, ativistas e profissionais a submeter propostas que problematizem e reflitam sobre as formas de produção, reprodução e circulação de discursos misóginos, antifeministas e neoconservadores que promovem diferentes formas de violência de gênero em espaços de interação na Internet (redes sociais e outras plataformas virtuais), analisando seus alcances e impactos na região. Quais audiências esses perfis nas redes sociais conseguem mobilizar? A que tipos de recursos imaginários e materiais eles recorrem? Quais desafios representam para o movimento feminista?

Incentivamos o envio de propostas que tragam contribuições interdisciplinares, sejam ensaísticas ou baseadas em pesquisas empíricas, considerando essas questões a partir de perspectivas feministas e de gênero interseccionais. Também nos interessam propostas que abordem formas de contestação, resistência e outros usos afirmativos das redes e mídias digitais para a intervenção pública dos movimentos feministas e de outras organizações sociais que lutam contra a violência de gênero e contra as pessoas LGBTIQ+ na região. Além disso, são bem-vindas propostas que desenvolvam recomendações voltadas a políticas públicas e/ou sugestões formativas e educativas.

Coordenadoras:

    • Claudia Bacci – Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe, Universidad de Buenos Aires – Argentina
    • María Marta Herrera – IdHICS/Cinig – FaHCE- UNLP – Argentina
    • Morgani Guzzo – Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil
    • Nayla Luz Vacarezza – Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe, Universidad de Buenos Aires – Argentina
    • Silvana Darré Otero – FLACSO Uruguay – Uruguay

Movimentos de Mulheres e Resistência na América Latina: enfrentando as normas patriarcais e a colonialidade no mundo contemporâneo (Movimientos de Mujeres y Resistencia en América Latina: enfrentando las normas patriarcales y la colonialidad en el mundo contemporáneo)

A proposta deste Simpósio é sensível ao movimento de mulheres, que tem sido protagonista na resistência à ascensão da extrema direita em setores conservadores da sociedade e dos poderes políticos institucionalizados, liderando a luta contra as opressões estruturais e os mecanismos históricos de reprodução das desigualdades na América Latina. Nosso objetivo é reunir trabalhos que abordem as formas como as feministas — acadêmicas, ativistas, profissionais, docentes — têm articulado agendas antiviolência, antirracistas, anticapitalistas, abolicionistas penais, anticapacitistas e antifascistas, influenciando o debate sobre as políticas de enfrentamento às normas patriarcais, misóginas e heteronormativas/sexistas, que encontram barreiras diante de posições fundamentalistas e negacionistas que legitimam estruturas de segregação.

As ações protofascistas dos governos eleitos e suas conexões político-ideológicas interceptam as conquistas feministas e o processo civilizatório em curso. Esperamos debater como a interseccionalidade se impõe e como a ação política, que permeia a vida cotidiana — seja por questões de cor, gênero, sexualidade, classe social, origem ou moradia —, é acentuada pela repressão e exploração.

Coordenadoras:

    • Lidia Possas – Laboratorio Interdisciplinar de Estudios de Género-Universidad Estadual Paulista – Brasil
    • Flor de María Gamboa Solís – Universidad Michoacana de San Nicolás de Hidalgo – México

Informações gerais

Evento: In[ter]disciplinadæs – Congreso Latinoamericano de Estudios Feministas del Sur

Local: Universidad de la Republica de Uruguay – Montevideo, Uruguay

Prazo para envio de resumos: 11 de maio de 2025

Site: Acesse o site oficial para obter as informações completas sobre as participações: https://interdisciplinadascongreso.uy/.

Referências citadas no texto:

 

ALBAINE, Laura. Paridad de género y violencia política en Bolivia, Costa Rica y Ecuador. Un análisis testimonial. Ciência Política, 11.21, 2016, pp. 335-362.

 

BARROS, Mercedes y MARTÍNEZ PRADO, Natalia. Feminism and populism with no guarantee. Etica & Politica/Ethics & Politics, XXV, 2, 2023, pp. 249-267.

 

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas [online], vol. 10, n.1, 2002.

 

PHILLIPS, Anne. De uma política de ideias a uma política de presença? Revista Estudos Feministas, ano 9, 2001, pp. 268-290.

 

TORRICELLA, Andrea. La reacción cultural y la cuestión de género. In. GRIMSON, A. (Comp.) Desquiciados, Buenos Aires, Siglo XXI, 2024.

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio

Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.

Publicação original: Observatório Caleidoscópio Sul-Sudeste, 06/05/2024.

Por: Morgani Guzzo e Pedro Ordones

Dos dias 4 a 6 de junho acontece, em Brasília, a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), cujo tema é "Para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido". Na etapa preparatória, a Conferência Livre Meninas e Mulheres na Ciência, realizada no dia 25 de março na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, apresentou iniciativas voltadas à equidade de gênero e, entre elas, o trabalho realizado pelo INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero, Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

O diagnóstico das desigualdades é parte fundamental para a discussão dos rumos futuros da ciência, tecnologia e inovação no Brasil, proposta pela 5ª CNCTI. Embora as mulheres sejam maioria na graduação e na pós-graduação em algumas áreas do conhecimento, elas constituem minoria na docência, em cargos de gestão e entre pesquisadoras com bolsa produtividade, situação que é chamada de "efeito tesoura".

De acordo com levantamento de dados realizado pelo Observatório Sul-Sudeste, do INCT Caleidoscópio, 64,76% de quem recebe bolsa produtividade são homens e 34,24% são mulheres. "Mesmo nas Ciências Humanas, onde há maior número de mulheres a nível de pesquisa, elas são minoria entre quem recebe bolsas de produtividade", afirmou durante a Conferência Livre Joana Maria Pedro, professora aposentada do Departamento de História da UFSC, coordenadora do Observatório Sul-Sudeste e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC).

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio. Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.
A historiadora Joana Maria Pedro. Créditos: Jéssica Michels.

As ações em prol da equidade de gênero na ciência, na tecnologia e na inovação perpassam, portanto, pelo olhar sobre as condições para que meninas e mulheres possam não só acessar as universidades, mas permanecer em seus cursos e progredir em suas carreiras.

Nesse sentido, o INCT Caleidoscópio tem, dentre seus objetivos, o desenvolvimento de pesquisas a nível nacional com relação às boas práticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior. Morgani Guzzo, pesquisadora de pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste e integrante do LEGH/UFSC, contou durante a Conferência um pouco da sua pesquisa em andamento: "O primeiro passo que demos foi um mapeamento de políticas implementadas pelas universidades públicas no que diz respeito ao recebimento de denúncias, acolhimento das vítimas e enfrentamento às violências de modo geral. Em seguida, temos buscado entrevistar as pessoas responsáveis por implementar essas políticas para entendermos os processos, desafios e o impacto de tais ações".

Dentre as universidades do Sul e do Sudeste mapeadas até o momento pesquisa, estão seis do Rio Grande do Sul, duas de Santa Catarina, uma do Paraná, uma da região sul (UFFS), três de São Paulo, uma do Espírito Santo, duas do Rio de Janeiro e três de Minas Gerais.

Equidade de gênero é fundamental para o futuro da ciência, dizem pesquisadoras do INCT Caleidoscópio. Durante Conferência Livre, pesquisadoras apresentaram o andamento do trabalho do INCT Caleidoscópio e fizeram recomendações para a 5ª CNCTI.
Morgani Guzzo durante a Conferência Livre Meninas e Mulheres na Ciência. Créditos: Jéssica Michels.

De acordo com Morgani, embora algumas já contem com canais de recebimento de denúncias, ainda são poucas as que implementaram ações amplas de enfrentamento às violências de gênero. "A maioria ainda possui apenas a Ouvidoria como instrumento para registrar as denúncias, sendo comum que elas sejam arquivadas sem a devida responsabilização de quem praticou as violências. Além disso, são incipientes os mecanismos de acolhimento às vítimas e as ações de prevenção e educação que façam frente à cultura onde tais violências e assédios institucionais são naturalizados", completou Morgani.

Para a pesquisadora, também é necessário criar formas de monitoramento dessas políticas, além de avaliar se a comunidade científica sabe a quem recorrer quando necessário. "O passo seguinte é divulgar amplamente as iniciativas exitosas para estimular que outras instituições também implementem políticas semelhantes, além de pensar em metodologias para monitorar a eficácia dessas ações".

Nesse sentido, o INCT Caleidoscópio tem, dentre seus objetivos, o desenvolvimento de pesquisas a nível nacional com relação às boas práticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior. Morgani Guzzo, pesquisadora de pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste e integrante do LEGH/UFSC contou, durante a Conferência, um pouco da sua pesquisa em andamento. "O primeiro passo que demos foi um mapeamento de políticas implementadas pelas universidades públicas no que diz respeito ao recebimento de denúncias, acolhimento das vítimas e enfrentamento às violências de modo geral. Em seguida, temos buscado entrevistar as pessoas responsáveis por implementar essas políticas para entendermos os processos, desafios e o impacto de tais ações".

A criação do INCT Caleidoscópio é resultado da preocupação de diversas pesquisadoras e núcleos de pesquisa sobre a desigualdade de gênero na ciência. Por isso, o fortalecimento de redes como a Caleidoscópio - Rede Nacional de Estudos Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Transdisciplinares e Decoloniais também é importante para avançar nesse tema, segundo a pesquisadora Joana Maria Pedro. "Precisamos garantir que temáticas como a equidade de gênero e o enfrentamento às violências nas universidades estejam na Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Também é preciso promover o fortalecimento das redes como a Parent In Science, a Andorinhas e a Caleidoscópio e reforçar a necessidade de mecanismos de proteção e segurança jurídica para aquelas que fazem denúncias", defendeu.

A 5ª CNCTI é realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal, com organização do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), com apoio de diversas entidades como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), entre outras. O principal objetivo desta edição, que acontece 14 anos após a última CNCTI, é analisar os programas, planos e resultados da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) de 2016-2023 e propor recomendações para a elaboração da ENCTI de 2024-2030.

https://youtu.be/bWfjTTOsPRg