INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

Estão em curso, desde fevereiro de 2026, as “Oficinas de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política” destinadas à estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), ambas de Angola.

A iniciativa integra as ações da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal pelo Observatório Caleidoscópio e da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, realiazdos no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Nucleação é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo. As oficinas são realizadas em articulação com a UAN e a UCAN.

As oficinas possuem coordenação geral da Profa. Dra. Dolores Galindo, docente titular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e coordenadora do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI/UFCG). A condução das atividades está a cargo da Profa. Dra. Helena Veloso, pesquisadora de Pós-Doutorado Júnior do CNPq junto ao INCT Caleidoscópio-UFCG, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (FCS/UAN) e da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (FCH/UCAN).

Como resultado, espera-se compreender as barreiras que atravessam as trajetórias acadêmicas de estudantes africanas e quilombolas, fortalecer estratégias de acolhimento e permanência no ensino superior, promover espaços coletivos de escuta e construção compartilhada de conhecimentos e elaborar, juntamente com as participantes, dois Guias de Orientação para permanência universitária, sendo um destinado às universidades de Angola e outro às brasileiras, construídos a partir das especificidades de cada realidade nacional e voltados ao fortalecimento de políticas e práticas institucionais de permanência.

No Brasil, realizadas quinzenalmente, de forma presencial, no CCBS/UFCG, as oficinas reúnem estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A metodologia adota o roteiro de oficinas em poéticas grupais elaborado pela Profa. Dra. Dolores Galindo, fundamentado na Clínica Política e na fabulação crítica, estruturando cada encontro a partir da definição dos objetivos da oficina, dos pontos-chave a serem trabalhados, da articulação com uma poética artística, da realização de atividades de abertura, da utilização de recursos expressivos, da discussão coletiva e do fechamento da atividade, integrando esses momentos ao desenvolvimento da pesquisa. 

Na UFCG, foram realizados, até o momento, cinco encontros com as estudantes africanas e quilombolas, nos quais foram abordados temas  como as motivações para adesão ao projeto;  deslocamentos relativos ao território, cultura e identidade no contexto universitário; o sentimento de pertencimento e  a representatividade, a história gloriosa das populações negras (fundamentada na resistência e na reexistência); a circulação no âmbito do cálculo racial e  barreiras à escolarização; as formas individuais e colectivas de lidar com os efeitos do racismo estrutural no seio da universidade; os efeitos da crise climática sobre o percurso acadêmico de mulheres negras; e, por fim, valores africanos, Ubuntu, associativismo e agenciamento entre negras e negros

Em Angola, por meio de encontros síncronos remotos, o projeto contempla ações de  Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política, em formato on-line e transnacional, com estudantes da UAN e da UCAN, fortalecendo a cooperação científica entre Brasil e Angola. Até o momento, foram realizados três encontros com as estudantes de Angola, nos quais foram abordadas as motivações para vinculação à proposta; os deslocamentos territoriais, culturais e identitários associados ao acesso e a permanência no contexto universitário; a representatividade, o  pertencimento e  a história gloriosa das populações negras; a circulação segregada,  as barreiras às trajectórias formativas de mulheres negras e as formas individuais e colectivas de lidar com as mesmas. 

Como resultado, a ação prevê a elaboração de dois guias construídos de forma participativa com as estudantes, destinados a subsidiar instituições de ensino superior na formulação de estratégias e políticas de acolhimento, permanência e equidade voltadas às estudantes africanas e quilombolas.

A proposta parte do reconhecimento de que estudantes africanas, negras, afrodescendentes, quilombolas, enfrentam desigualdades interseccionais produzidas pela intersecção entre racismo, sexismo e colonialidade, fatores que interferem em seus percursos acadêmicos e na permanência no ensino superior. Nesse contexto, as oficinas constituem um espaço de acolhimento, fortalecimento das trajetórias formativas e produção coletiva de estratégias de enfrentamento às desigualdades.

Enfrentamento à violência de gênero e barreiras na carreira são temas de encontro promovido pela Rede Acadêmicas da Unicamp

Enfrentamento à violência de gênero e barreiras na carreira são temas de encontro promovido pela Rede Acadêmicas da Unicamp

Durante o 3º Encontro de revisão das boas práticas, as participantes debateram dados do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS), estratégias para romper o "efeito tesoura" na progressão da carreira docente e propostas para futuros encaminhamentos.

Autoria Letícia Moreira

A discussão sobre violência sexual, desigualdade de gênero e progressão de carreira acadêmica foram tema do 3º Encontro de Revisão das Boas Práticas em Equidade de Gênero na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizado na quinta-feira 14/06. Promovido pela Rede Mulheres Acadêmicas da Unicamp, o encontro reuniu pesquisadoras, docentes e funcionárias técnico-administrativas de diferentes unidades de ensino, pesquisa e órgãos da universidade para debater dados institucionais, desafios persistentes e propostas de ação coletiva voltadas à construção de uma universidade mais segura e igualitária. A reunião aconteceu presencialmente na Escola de Educação Corporativa da Unicamp (EDUCORP). A jornalista de ciência Letícia Moreira esteve presente representando o Observatório Caleidoscópio.

Presidida por Eliana Amaral, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), a programação contou com uma apresentação da antropóloga Regina Facchini, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e representante da Comissão Assessora de Gênero e Sexualidade da Diretoria Executiva de Direitos Humanos (DeDH). Na sequência, houve uma atividade coletiva de revisão das práticas institucionais e uma rodada de encaminhamentos. A reunião integrou o processo de revisão do Guia de Boas Práticas para Equidade de Gênero da Unicamp, publicado em 2021 pela Rede.

O objetivo central foi conhecer e debater os dados mais recentes de acolhimento, analisar a evolução das políticas afirmativas nos últimos anos e discutir a revisão da cartilha de boas práticas em equidade de gênero na Universidade para pensar coletivamente em ações integradas para o futuro. 

A evolução das políticas na Unicamp

Durante sua apresentação, Regina Facchini mostrou como a Unicamp vem estruturando políticas institucionais de combate à violência sexual e à discriminação baseada em gênero e sexualidade. Além de apresentar os dados dos últimos anos, retomou a trajetória de consolidação das ações de democratização e inclusão, desde a década de 1970. Segundo ela, as políticas atuais são frutos de uma longa mobilização de estudantes, professores e movimentos feministas ligados à universidade ao longo das décadas. 

De acordo com a antropóloga, as discussões ganharam mais força entre 2015 e 2017, período em que essas violências passaram a ser reconhecidas como um problema público. Nesse momento, a Unicamp começou a criar grupos de trabalho responsáveis por elaborar propostas para o combate à discriminação de gênero, ao assédio e à violência sexual na universidade. Segundo ela, havia ausência de dados sistematizados sobre a frequência e as modalidades de violência e discriminação vivenciadas pela comunidade universitária. 

“Analisando o ponto de chegada das queixas e os encaminhamentos, a conclusão foi de que o tratamento era inadequado. Havia uma ausência de acolhimento especializado e de protocolos para lidar com as acusações”, declara. Daí, o GT recomendou que a universidade assumisse um posicionamento explícito de não tolerância às violências, além da criação de protocolos claros de acolhimento, encaminhamento de denúncias e ações permanentes de conscientização e formação. 

Foi a partir desse diagnóstico que surgiu, em 2019, a Comissão Assessora de Gênero e Sexualidade e o Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS), órgão vinculado à DeDH e responsável pelo acolhimento de relatos e denúncias, orientação às vítimas e articulação de ações educativas. Nos últimos anos, o SAVS ampliou sua atuação, especialmente com a aproximação com a Câmara de Mediação da Unicamp, em 2023.  

A política adotada pela universidade passou a diferenciar “queixa” e “denúncia” para garantir que as vítimas tenham apoio ainda que não formalizem um processo administrativo ou judicial. Para Facchini, a possibilidade de registrar uma queixa sigilosa permite construir condições mínimas de permanência para estudantes, docentes e funcionárias afetadas por situações de violência.

O cenário em dados

Entre os dados apresentados por Facchini, o aumento do número de atendimentos realizados pelo SAVs em 2023 foi um ponto de atenção. Este foi o ano com maior quantidade de queixas acolhidas e orientações realizadas pelo serviço. Para ela, o maior envolvimento das unidades de ensino nas ações de acolhimento demonstra uma crescente mobilização institucional em torno da pauta, especialmente considerando que estudantes constituem a maior parcela da comunidade universitária. 

Outros dados, que estão disponíveis no Relatório de avaliação institucional 2019 – 2023 da Unicamp, revelam um panorama sobre as ações das unidades de ensino e pesquisa para a divulgação da política. Em aproximadamente metade das unidades, houve a criação de Espaços para Acolhimento e uma articulação com o SAVS para a promoção de eventos e formação. Já 20% das unidades não desenvolveram nenhuma ação específica para o enfrentamento. Facchini destacou que houve uma integração com coletivos discentes e reforçou ainda que estudantes são a maioria das vítimas de violência, nas denúncias. 

Regina reconheceu que houve avanços institucionais relacionados à diversidade de gênero, como a normativa do nome social, implementada em 2020, mas destacou que ainda há desafios importantes. Dentre eles, mencionou a necessidade de fortalecer o SAVs com ampliação de equipe. Ela também anunciou a elaboração de um novo guia voltado aos direitos, cuidados e permanência de pessoas LGBTQIAP+ na universidade.

Cartilha institucional

A Rede Acadêmicas lançou, em 2021, a cartilha de boas práticas para a promoção da equidade de gênero na Unicamp. O documento, que está disponível gratuitamente, é um guia que compila tanto orientações para a equidade de gênero e recomendações para práticas de gestão, como também esclarece conceitos importantes, como assédio moral e sexual, estupro, machismo, entre outros. Além disso, reúne os contatos para órgãos de apoio institucional. 

Segundo a cartilha, “a busca pela equidade de gênero deve ser uma das metas da cultura organizacional da universidade. Para isso, é necessário refletir sobre o tema em todos os espaços da instituição e realizar ações voltadas para a promoção da equidade”. Além das orientações e conceitos, o guia também indica referências bibliográficas sobre os temas apresentados.

Encaminhamentos para o futuro

Na etapa de debates, as participantes compartilharam preocupações relacionadas ao assédio moral, à gestão institucional de crises e às desigualdades persistentes nas carreiras acadêmicas. Algumas relataram situações pessoais vivenciadas em seus locais de trabalho. Entre os pontos levantados, destacam-se as dificuldades enfrentadas por mulheres em cargos de liderança e a baixa representatividade feminina nos níveis mais altos da docência universitária.

Dados mencionados situam que, em determinadas categorias da carreira docente, os homens permanecem sendo a maioria. A professora Marilda Bottesi, assessora especial do Grant Office da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), destacou que na categoria MS-6, 72% dos docentes são homens e apenas 28% mulheres. Bottesi é uma das autoras de um estudo inédito sobre a representatividade de gênero na produção científica da Unicamp.  

As participantes enfatizaram a importância da criação de redes de apoio dentro das unidades. Algumas iniciativas já existentes foram citadas e houve uma preocupação com a baixa adesão em algumas delas, indicando que ainda há um caminho necessário para ampliar o engajamento da comunidade. 

Dentre as futuras ações propostas, estão ampliar as rodas de conversas e treinamentos institucionais; estabelecer políticas de equidade nos cargos; discutir mais fortemente a progressão na carreira desde os níveis iniciais. Além disso, foi sugerido que, durante os eventos realizados na universidade, haja um espaço dedicado à abordagem da equidade de gênero. Ao fim da reunião, foi deliberado que as integrantes da Rede analisem o conteúdo da cartilha atual e elaborem proposições para uma reformulação, que será debatido em um encontro futuro.

Sobre a Rede Acadêmicas

Criada em 2021 para reunir docentes, pesquisadoras e funcionárias da Unicamp, a Rede de Mulheres Acadêmicas da Unicamp atua na formulação de estratégias institucionais voltadas à redução das violências e desigualdades de gênero na universidade. A Rede também conta com um Conselho Executivo com representantes de variadas áreas do conhecimento.

Entre suas frentes de atuação estão a produção de dados e análises, ações de sensibilização e conscientização da comunidade acadêmica e propostas de transformação do ambiente organizacional da universidade.

Cartilha educativa valoriza as mulheres na ciência do Rio Grande do Sul

Cartilha educativa valoriza as mulheres na ciência do Rio Grande do Sul

Material reúne nomes e histórias de cientistas gaúchas e visa incentivar jovens estudantes do ensino básico a seguir a carreira científica. Docente responsável é pesquisadora no INCT Caleidoscópio Sul/Sudeste.

Autoria Letícia Moreira

Grande parte das inovações tecnológicas, tratamentos, utensílios e conhecimentos do nosso cotidiano resultam de descobertas e estudos empreendidos por mulheres. No entanto, muitos nomes seguem desconhecidos nas historiografias tradicionais. Foi pensando em transformar esse quadro que a professora Daiane Rossi, da Universidade Franciscana (UFN), de Santa Maria (RS), desenvolveu a cartilha “Mulheres e Meninas nas Ciências – Rio Grande do Sul”, que reúne trajetórias de cientistas gaúchas de diversas idades e áreas do conhecimento. A obra está disponível online e é voltada, principalmente, para estudantes e professoras/es da educação básica.

O projeto resulta de uma extensa pesquisa documental e busca romper com o estereótipo do predomínio masculino na ciência. Além de informações biográficas sobre as cientistas, o material também apresenta a história das mulheres nas ciências, reflexões sobre os distintos períodos históricos, além de seção interativa com indicações de filmes, perguntas para refletir e desafios para as leitoras. 

Daiane Rossi é historiadora, professora adjunta da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás (UFG), e é pesquisadora no INCT Caleidoscópio na nucleação Sul/Sudeste. 

Resgatar a memória para transformar o futuro

A história de cientistas do Rio Grande do Sul na década de 1950 foi tema de uma investigação que reuniu dados sobre a trajetória de mulheres na produção de conhecimento no estado. As informações foram compiladas em pequenos verbetes que compõem a cartilha, com nomes, fotografias, áreas de atuação e suas principais contribuições.

A primeira seção é dedicada à história das mulheres nas ciências e destaca figuras como a francesa Marie Curie, primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e primeira pessoa a recebê-lo em duas áreas distintas. No cenário brasileiro, a obra apresenta Bertha Lutz, zoóloga, diplomata e militante pelo sufrágio feminino, e Nise da Silveira, médica psiquiatra que revolucionou o tratamento de doenças mentais no país. 

Foi no século XIX que as universidades começaram a aceitar o ingresso das mulheres. A cartilha revela um fato curioso sobre o Brasil: aqui, as faculdades de Filosofia foram a porta de entrada para as mulheres na ciência, por serem vistas como “preparação para ser professora”. De lá, elas começaram a se espalhar por outros cursos “e nunca mais pararam”.

Cientistas gaúchas

Para as autoras, a cartilha pretende dar visibilidade às mulheres do estado do Rio Grande do Sul, “tudo isso com o objetivo de tentar inspirar meninas e mulheres a fazerem ciência e ampliar essa noção de ciência para outras áreas”, relata Daiane Rossi. Além das pioneiras históricas, também estão pesquisadoras contemporâneas e jovens talentos.

Ainda na primeira metade do século XX, alguns nomes já se destacavam na produção científica nacional. Maria Marques foi uma fisiologista premiada que trabalhou com um prêmio Nobel. Matilde Groisman Gus, matemática e física, estudou corpos celestes. Já Alda Kremer foi uma prestigiosa educadora que deixou um legado para a formação de professores. 

No século XXI, muitas cientistas gaúchas foram pioneiras em áreas como a cirurgia médica. Dez profissionais de Santa Maria e região receberam destaque por suas contribuições para diversos campos da medicina.

Metodologia e colaboração

A produção do material envolveu uma equipe multidisciplinar de acadêmicas/os dos cursos de História e Medicina da Universidade Franciscana (UFN). Entre as colaboradoras, destacam-se estudantes ligadas à Associação de Mulheres Cirurgiãs (AWS), que contribuíram com perspectivas sobre o empoderamento feminino e a escrita científica.

Na UFN, o Programa de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e cursos de licenciaturas promoveram formação para futuros professoras/es da educação básica. A cartilha também foi distribuída em escolas de todo o estado.

Como acessar

A cartilha “Mulheres e Meninas nas Ciências – Rio Grande do Sul” pode ser acessada gratuitamente pelo portal oficial da Universidade Franciscana ou diretamente neste link. O material é indicado para estudantes, professores e entusiastas da história da ciência. Professores da educação básica podem usar a cartilha em aulas como história, ciências, biologia, entre outros cursos, e com diversas finalidades.

Estudo revela desequilíbrio de gênero e raça na Filosofia do Paraná

Estudo revela desequilíbrio de gênero e raça na Filosofia do Paraná

Levantamento inédito mostra que mulheres são apenas 17% entre docentes da área nas universidades estaduais; em duas instituições, a presença feminina no departamento é nula.

Autoria de Alana Rayssa e Letícia Moreira

A Filosofia se constitui como um campo historicamente masculino e a área mais branca das Humanidades. No Paraná, a disparidade é alarmante, com apenas 17 mulheres no quadro de 100 professores efetivos em universidades estaduais, sendo todas autodeclaradas brancas. É o que revela um estudo inédito publicado na Guairacá Revista de Filosofia (v. 41, 2025), conduzido pelas professoras Roseli Machado, Luciana Klanovicz, pesquisadora do INCT Caleidoscópio Sul/Sudeste, e Patrícia Riffel de Almeida, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).  

A pesquisa mapeou a representação e atuação feminina na disciplina de Filosofia em 7 universidades estaduais – a Unicentro, a Universidade Estadual de Londrina (UEL), de Maringá (UEM), de Ponta Grossa (UEPG), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Norte do Paraná (UENP) e a Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Os dados revelam ainda que, embora minoria, as mulheres possuem uma titulação elevada e apresentaram uma média anual de produção científica superior à dos homens. 

Com metodologias quantitativas e qualitativas, as pesquisadoras buscaram observar a evolução da representatividade feminina no Magistério Superior paranaense e expor alguns dilemas que persistem na Filosofia. Segundo as autoras, a redução das desigualdades passa necessariamente pelas mãos que ocupam esses espaços, em sua maioria masculinas, que seguem desinteressadas na mudança.

A desigualdade em números

O Paraná é o segundo estado com o maior número de universidades públicas estaduais do país, atrás apenas de São Paulo, e possui 5.458 docentes efetivos, sendo 2.806 (51,4%) homens e 2.652 (48,6%) mulheres, segundo dados do INEP (2022) reportados na pesquisa. Quanto ao perfil racial desses docentes, mais de 93%, entre homens e mulheres, se autodeclaram de pele branca. Nas universidades estudadas, pardos e pretos representam somente 3,7% e 1,2% do corpo docente, respectivamente.

Apesar de uma proximidade na quantidade de homens e mulheres na docência, reveladora da crescente presença feminina nesses espaços, ainda há evidentes disparidades nas áreas de atuação: Linguística, Letras e Artes são os campos de maior presença feminina, enquanto nas Engenharias e Ciências Exatas e da Terra predominam os homens. 

No que se refere à área da Filosofia, o abismo é ainda maior. Dos 17% de docentes mulheres, 100% se declaram de pele branca. Das 7 instituições analisadas, a Unicentro e a UEPG não possuem nenhuma mulher no grupo de professores efetivos. A UEL e a UENP foram as universidades que apresentaram a maior quantidade no grupo observado, com 29% e 25% de mulheres no quadro, respectivamente.

Distribuição de mulheres no quadro docente das 7 instituições investigadas. Fonte: MACHADO; KLANOVICZ; ALMEIDA, 2025, p. 10.

No levantamento sobre a prática das orientações, observou-se que, na graduação, as mulheres orientam mais que os homens, em uma tendência “alinhada a padrões institucionais e culturais que historicamente associam as mulheres a funções educacionais e de cuidado”, afirmam as autoras. Já na pós-graduação, onde o prestígio e o financiamento são maiores, a média de orientação feminina cai drasticamente em relação à masculina.

Essa lógica se reflete também na produção bibliográfica. Ao passo que os homens produzem mais artigos, que são a métrica principal do produtivismo acadêmico atualmente, as mulheres superam na publicação de capítulos de livros e na organização de obras coletivas, que, embora menos prestigiados, requerem mais articulação e curadoria.

Entre barreiras e resistências

A partir desse cenário geral, as pesquisadoras discutem as raízes dos papéis sociais e sua perpetuação no contexto das universidades paranaenses. Em continuidade ao longo processo de feminização da atividade docente desde o ensino básico, elas demonstram a persistência de um padrão de atuação que, quando comparado aos pares masculinos, se concentra na formação inicial dos estudantes e enfrenta maiores dificuldades para ocupar espaços de prestígio. 

“As assimetrias observadas podem estar associadas tanto às raízes históricas que marcaram a exclusão feminina do campo filosófico, quanto às dinâmicas institucionais contemporâneas que limitam sua plena participação, especialmente em espaços de prestígio acadêmico, como a pós-graduação e as publicações em periódicos de circulação internacional”, declaram. 

Essa disparidade afeta diretamente a inserção feminina em corpos docentes e o acesso a bolsas de estudos e de produtividade. No que se refere às aprovações em concursos, as mulheres também saem prejudicadas ao não corresponderem a uma seletividade produtivista concentrada na publicação de artigos científicos e no número de orientações na pós-graduação.

Ações como a manutenção de antigos preconceitos sexistas e o desestímulo à ocupação feminina em espaços masculinizados são apontados pelas autoras como cruciais para a perpetuação das desigualdades.

Análises e caminhos para a mudança

Dados institucionais sobre o quadro docente das universidades estaduais ao longo de uma década, entre 2010 e 2020, serviram de fonte para o estudo. As autoras destacam ainda que o sistema utilizado atua de forma binária, não traduzindo a real diversidade das expressões de gênero, o que não diminui o impacto do quadro observado. 

O estudo se apoia também em bibliografias clássicas que discutiram a exclusão histórica das mulheres na ciência e na Filosofia e em estudos recentes que têm evidenciado as causas e impactos dos padrões desiguais notados nas carreiras acadêmicas da área. A partir da análise crítica e do uso transversal dos dados, o levantamento evidenciou aspectos indispensáveis para o entendimento do lugar de ação das mulheres nas instituições, sobretudo ao comparar as atividades das docentes filósofas às de seus pares masculinos. 

Ainda que atingir a paridade nas instituições paranaenses seja um desafio da atualidade, as pesquisadoras evidenciam também os avanços e transformações que, a passos lentos, demonstram a presença e o protagonismo feminino nas universidades. A criação de três Grupos de Trabalho voltados para temáticas de gênero na Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF), sendo um deles dedicado às interseções entre raça, gênero e classe, e o surgimento da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas foram apontados como importantes indicadores de divulgação. 

Para o futuro, as autoras apontam algumas ações que podem potencializar o combate à desigualdade de gênero no âmbito universitário, como a inclusão de mulheres nas bibliografias das disciplinas de graduação em Filosofia e a organização de debates e eventos em torno da temática. A adoção do índice do INEP como parâmetro para a distribuição de bolsas e a adoção da proporção entre homens e mulheres como índice de avaliação de PPGs pela CAPES também foram medidas indicadas. 

Em meio a exclusões histórica e sistemicamente apoiadas, trabalhos que, como este, reconhecem e denunciam problemas, podem ser pontos de partida para pensar as ações já vigentes e, sobretudo, construir novas possibilidades de enfrentamento, permanência e inserção.

Sobre as autoras

Luciana Klanovicz – Docente do Departamento de História da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Graduada em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutora em História pela UFSC. Coordena o Centro Interdisciplinar de Estudos de Gênero (Cieg-Unicentro) e atua como orientadora e docente nos Programas de Pós-Graduação em História da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGH-Udesc) e em Desenvolvimento Comunitário (PPGDC-Unicentro). É pesquisadora no INCT Caleidoscópio, na nucleação Sul/Sudeste.

Patrícia Riffel de Almeida – Professora colaboradora no Departamento de Filosofia da Unicentro. Graduada e mestra em Filosofia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Doutora em Filosofia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2021).

Roseli Machado – Docente efetiva do curso de Administração da Unicentro. Graduada em Administração pela Universidade de São Paulo (USP). Doutora pelo Programa Interdisciplinar em Desenvolvimento Comunitário da Unicentro. em experiência na área de Administração, com ênfase em Gestão Pública, Políticas Públicas, Gênero e Mercado de Trabalho. É vice-coordenadora do Centro Interdisciplinar de Estudos de Gênero (Cieg/Unicentro). (Fonte: Currículo Lattes)

I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe” abre inscrições para encontro híbrido no dia 28 de maio

I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe” abre inscrições para encontro híbrido no dia 28 de maio

Diálogos desde a produção acadêmica de pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas. Conheça a programação dos encontros e veja como participar!

Estão abertas as inscrições para participação no I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”, pelo Observatório Caleidoscópio por meio da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Social Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas múltiplas insurgências, em articulação com a Universidade Agostinho Neto e a Universidade Católica de Angola.

Nesta edição, o ciclo tem como eixo temático a promoção de Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana, sob a coordenação das professoras Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN).

O atual Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global, articulando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica entre África, América Latina e Caribe. Os encontros se ancoram em marcos políticos da trajetória de suas lutas, dialogando com datas fundamentais às insurgências de mulheres negras, afrodescendentes e quilombolas: o Dia Internacional da Mulher; o Dia da África; o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha; o Dia Internacional Contra o Tráfico de Mulheres; o Dia Nacional da Consciência Negra; e o Dia Internacional dos Direitos Humanos. 

Nesta direção, a iniciativa resulta de uma cooperação internacional com a Red Internacional de Voces Afrofeministas (RIVAS) e com o Grupo de Trabalho Afrodescendentes Propostas Contrahegemónicas da CLACSO, com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A organização está a cargo do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), em parceria com a Universidade Agostinho Neto (UAN) e a Universidade Católica de Angola (UCAN).

Nacionalmente, articula-se com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis (PPGPsico-UNESP), GEM - Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e com o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA). 

Fabular criticamente, a partir da provocação que nos faz Saidiya Hartman (2008, 2022), permite forjar composições, rompimentos e tensionamentos, os quais excedem ou mesmo extrapolam e transgridem o cálculo racial que atravessa os arquivos lacunares da produção acadêmica em Psicologia e em campos disciplinares com os quais dialogamos, marcados também por formas de epistemicídio discutidos por Sueli Carneiro (2005).

Como nos lembram bell hooks (2019) e Gonzalez (1988), importa criar espaços onde, como pessoas negras, afrodescendentes e quilombolas, a partir dos feminismos negros e africanos (Oyěwùmí, 2011, 2020), interrogamos o “olhar do Outro” e também “olhamos de volta”, umas para as outras, dando nome ao que vemos, sentimos e pesquisamos, em escritas constituídas pela experiência e pela memória coletiva, em movimentos de escrevivência, tal como nos convida Conceição Evaristo (2020), escapando às narrativas de histórias únicas nas ciências (Correia, 2020; Septien, 2022). 

Situamos o presente ciclo internacional de seminários como uma prática de Confabulação Crítica, ou seja, um trabalho coletivo de fabulação que se dá num arquivo necessariamente lacunar da Psicologia, traçando conexões entre Angola e Brasil, refazendo rotas e percursos de mulheres pesquisadoras numa temporalidade que se esboça a partir de corpos atravessados pela diáspora, exílio, refúgio e por comunidades de destino. 

Com atividades realizadas entre março de 2026 e dezembro de 2026 sob a mediação por Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN), os encontros reúnem pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas de países da África, América Latina e Caribe em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. Ao longo da programação, pesquisadoras de Angola, Brasil, Cuba e Argentina apresentam suas pesquisas sobre psicologias, mudanças climáticas, migrações, políticas públicas, cuidado comunitário, linguagens, territorialidades quilombolas e disputas epistemológicas, fortalecendo redes de cooperação científica entre África, América Latina e Caribe.

Esta ação é vinculada aos projetos de pesquisa “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades” (Edital Universal 10/2023; Auxílio: 2751/2025) e “Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção” (Bolsa de Produtividade em Pesquisa CNPq).

Veja como participar

Os encontros acontecem em formato híbrido com transmissões entre Brasil e Angola pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário disponível neste link, também presente na bio do nosso perfil do Instagram @INCTCaleidoscopio.

A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

Conheça o cronograma datas, temas e participantes

SEMINÁRIO I

Com tema “Nós em Rede” Produção Acadêmica de Mulheres Negras na Última Década: Diálogos África e Diáspora Africana (Angola, Brasil e Cuba), o primeiro seminário ocorreu no dia 09 de março de 2026, em formato híbrido, às 8 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 12 horas (Horário de Luanda, Angola).

O encontro contou com a participação de:

Elsa Barber, de Angola Business School, em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, e Gabinete da Vice-Presidência da República (GVPR), Angola.
- Políticas públicas de gênero em Angola.

Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), Brasil.
- Políticas públicas de gênero, raça e territorialidade na pós-graduação em universidades brasileiras.

Profa. Dra. Rosa Campoalegre Septien, do Programa Universitario de Investigación sobre Afrodescendencias y América Latina da Universidad Nacional Autónoma de México (PUIC-UNAM), Cuba.
- Coordenação do Grupo de Trabalho Afrodescendentes: Propostas Contra-hegemônicas.

Profa. Me. Luciene Tavares, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Território Quilombola de Caianas, Brasil.
- Mulheres quilombolas nas universidades e territórios.

Coordenação/Mediação: Prof. Me. Karma Richard e Prof. Me. Paulino Gonga.

SEMINÁRIO II

Com o tema Psicologias, migrações e mudanças climáticas: experiências de mulheres negras no Sul Global, o segundo seminário será realizado no dia 28 de maio de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

O encontro conta com a participação de:

Profa. Dra. Catarina Nunda, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Mestrado em Psicologia Social, Angola.
- Migração interna feminina: mulheres (i)migrantes do Planalto Central em Luanda.

Profa. Dra. Juliene Pereira dos Santos, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Brasil.
- Territorialidades específicas no Alto Rio Trombetas: modos de vida quilombolas em conflito com grandes projetos.

Profa. Dra. Rebeca Kelly Gomes da Silva, Faculdade de Medicina de Taubaté (FMT), Brasil.
- A escrevivência como política de cuidado e autorrecuperação de mulheres negras.

Profa. Dra. Maria da Graça Silveira Gomes da Costa, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil.
- Perspectivas de justiça climática a partir das experiências de feminismos afroindígenas latino-americanos.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN). 

SEMINÁRIO III 

Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento é o tema do terceiro seminário do ciclo, que será realizado no dia 30 de julho de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Compõem a mesa:

Profa. Dra. Anny Ocoró Loango, da Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.
- Produção acadêmica de mulheres negras.

Tamille dos Santos Ferreira, do Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI/UFRB), Brasil.
- Epistemologias ancestrais em saúde.

Profa. Dra. Candida Soares da Costa, integrante do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE/UFMT), Brasil.
- Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO IV 

Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil é o tema do quarto encontro. Com realização no dia 24 de setembro de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil) e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Mestra Ana Bela Loureiro, da Universidade Nova de Lisboa - UNL, e da Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.
- Mulher e língua na construção da identidade cultural.

Profa. Dra. Jaileila de Araújo Menezes, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil.
- Psicologia e epistemologias contracoloniais.

Mestra Charlene Costa, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e da Comunidade Quilombola Macanudos/RS, Brasil.
- PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO V 

Com o tema Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas, o quinto seminário será realizado no dia 26 de novembro de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Profa. Dra. Adelina Nascimento, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais ( FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Mestrado em Psicologia Social, Angola.
- Educação como valor de participação social para o desenvolvimento comunitário no bairro Bem Vindo.

Mestra Ronilda Bordó de Freitas, da Universidade Federal do Pará (UFPA), Brasil.
- Saberes, corpos-territórios e memórias de uma comunidade quilombola.

Profa. Dra. Diônvera Coelho da Silva, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Brasil.
- Contribuições de mulheres negras para a formação em Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO VI 

Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil será o tema do quarto encontro. Realizado em formato híbrido no dia 03 de dezembro de 2026 às 09 horas (horário de Brasília, Brasil).

Este encontro conta com a participação de:

Profa. Dra. Jeanine da Silveira, da Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.
- A toponímia de Luanda contemporânea.

Profa. Dra. Luiza Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Brasil.
- Infâncias negras pelas mãos de Virgínia Bicudo e Conceição Evaristo.

Mestra Luane Pereira Souza Macedo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e da Comunidade Quilombola Negros do Talhado, Brasil.
- Zaire é um velho menino: fabulações quilombistas sobre possibilidades de vida e desencarceramento de adolescentes negros no sistema socioeducativo.

Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PROFHISTÓRIA/UFRRJ) e Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva da Fundação Oswaldo Cruz (PPGBIOS/FIOCRUZ), Brasil.
- Psicologia social, relações étnico-raciais e produção de conhecimento.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).