VII Encontro do curso “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” refletirá sobre Saúde Indígena em Gênero e Sexualidade ao vivo dia 11/17

VII Encontro do curso “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” refletirá sobre Saúde Indígena em Gênero e Sexualidade ao vivo dia 11/17

Com o tema Saúde Indígena em Gênero e Sexualidade, o sétimo encontro do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” será realizado no dia 17 de novembro de 2025, às 19h30 (horário de Brasília), no canal do YouTube do INCT Caleidoscópio.

Este encontro busca refletir sobre a saúde indígena a partir das perspectivas de gênero e sexualidade, discutindo desafios, saberes e práticas que articulam corpo, território e bem-viver nos contextos indígenas contemporâneos.

Para mediar a conversa, receberemos convidadas e convidados com trajetórias marcadas pelo compromisso com o cuidado, a saúde coletiva e a valorização dos saberes indígenas em suas múltiplas dimensões.

Apresentamos Willian Luna, Médico de Família e Comunidade, especialista em Saúde Indígena, docente na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Assessor Técnico Especializado do Ministério da Saúde na Coordenação de Integração Ensino-Serviço-Comunidade.

Junta-se ao debate Paulo Macuxi, Enfermeiro e Sanitarista em formação pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), e atua como pesquisador ambiental no projeto Monitora-Y, voltado ao monitoramento ambiental no território Yanomami e Alto Amazonas.

Também estará presente Ícaro Nejaim, Médico de Família e Comunidade do povo Xukuru do Ororubá, que possui atuação voltada à promoção da saúde indígena e à valorização das práticas tradicionais de cuidado.

Rejane Pafej Kanhgág, filha de Maria Kairu, neta de Domingas e mãe de Kafág. Psicóloga e Mestre em Psicologia Social e Institucional, Rejane é doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já atuou no Conselho Estadual dos Povos Indígenas do RS (CEPI), na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), na SESAI e na OIM. Atualmente, escritora, artesã e coordenadora da Comissão Bem-Viver.

On-line e gratuito, sua participação é muito bem-vinda para fortalecer este diálogo necessário e urgente.

O curso oferece certificado de 60 horas aos participantes cadastrados previamente, com frequência contabilizada por meio de formulário assinados nos encontros. Contamos com a sua presença para dar continuidade a este ciclo de aprendizados e formação política!

Salve a prévia no YouTube e receba notificação: 7º Encontro: Saúde Indígena em Gênero e Sexualidade l curso de extensão Rede Arandu

Sobre o curso de extensão

Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater a compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, que convida a audiência a expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!

Isso é feito a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, que buscam aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade, abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.

Assista os encontros anteriores no canal do INCT Caleidoscópio: Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.

Todos os encontros do curso estão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta.

Sobre a rede Arandu

A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.

O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

A iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu. Uma realização do INCT Caleidoscópio – Coordenação Centro-Oeste, por meio da Rede Arandu.

Inscrições abertas para o curso de extensão online de temática ‘Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30’

Inscrições abertas para o curso de extensão online de temática ‘Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30’

Estão abertas as inscrições para o curso de extensão 'Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30', que será realizado online nos dias 13, 20, 27 de novembro e 4 de dezembro de 2025, das 19h às 21h.

A iniciativa é uma proposta articulada entre pesquisadoras da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Núcleo de Extensão, Inovação e Cooperação do Instituto de Psicologia e Serviço Social (NEIC/IPSS/UFBA), do Programa de Pesquisa sobre Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro (PINEB), da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio.

O curso é aberto, sem critérios para inscrição, podendo ser feito após o preenchimento do formulário abaixo:

Inscreva-se pelo formulário: Curso de extensão 'Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30'

Sobre o curso

O curso conta com a presença de Bárbara Arisi e Kota Payayá, que atuam na organização. Nesta seara, os encontros buscam ser um espaço de estudos sobre práticas contemporâneas indígenas em negociações de cunho global, especialmente sobre as mudanças climáticas e como tentam impactar as políticas públicas.

Assim, inicia-se com os debates relativos ao protagonismo de povos indígenas em Abya Yala – nome decolonial proposto pelo movimento indígena para a América Latina (Gontijo, Arisi, Fernandes 2021) – especialmente com foco na liderança de mulheres.

Também será estudado a performance e os discursos indígenas relacionados ao que antropólogos (as) consideram cosmologias do ambientalismo (Albert 2002; Doolittle 2008) e cosmopolítica (Stengers 2010, De La Cadena 2010), em especial, a participação política indígena e dos povos tradicionais, suas estéticas e estratégias particulares (Ramos 1997; Conklin 1997; Jekupe 2010; Albuquerque, Arisi & Aureliano 2012; Arisi 2013; Calavia Saez & Arisi 2013; Albuquerque 2021). 

As formas de práticas políticas indígenas foram estudadas por diversos pesquisadores com relação a estudos sobre movimentos políticos indígenas na América Latina (Monteiro 1994, Bartolomé 2003). Deste modo, é proposto uma análise de imagens do período colonial, com a “sociologia da imagem” (Rivera Cusicanqui, 2015). Conseguinte, continuará pelos trabalhos pioneiros que analisaram a apropriação e o uso do vídeo por comunidades Kayapó (Turner 1991, 1992, 2003), em especial os de Beth Conklin (1987) e de Laura Graham (2005) sobre sua manipulação estético-política, e os de Marisol De La Cadena, com seus estudos sobre os "earth-beings" (2010) que participam da política indígena. 

Na sequência, será feito um exercício de reflexão sobre a exotização de corpos e imagens indígenas realizadas por eles/elas próprios/as em arenas políticas nacionais (Ramos 1987; Gallois & Carelli 1992; Sahlins 1997; Paulson et alli 2008; Jekupe 2010; Arisi 2011; Albuquerque 2011; 2021), as proximidades das falas discursivas do ambientalismo ecologista e as cosmologias indígenas (Albert 2002; Stengers 2010; Strathern 2009; Krenak 2019, 2020a, 2020b, 2022); as lutas por demarcação de territórios (Carvalho 1989) e as relações exotizantes (Grünewald 2001). Para isso, terá um debate sobre manipulações e objetificações dos conceitos de “cultura” (Carneiro da Cunha 2009) e transformações indígenas (Viveiros de Castro 2002).

Ao final do curso, será desenvolvido entrevistas e análises sobre as performances de mulheres indígenas em arenas políticas globais, como a COP-30. Como trabalho final da disciplina, além da leitura dos textos propostos, cada inscrito escreverá um artigo inédito sobre uma liderança indígena contemporânea (por exemplo: Txai Suruí, ministra Sonia Guajajara, Joênia Wapichana, coordenadora da COICA Fany Kuiko, entre outras). 

Como atividade do curso, é previsto realizar entrevistas online com elas, além de analisar material publicado em blogs do movimento indígena e na imprensa. Os materiais produzidos serão reunidos em um pequeno dossiê que será publicado em uma revista acadêmica especializada.

Com uma programação fundamentada, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber e produção de conhecimentos sobre gênero, cosmologias indígenas e meio ambiente.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais.

Referências Bibliográficas para o curso

ALBERT, Bruce. 2002. Introdução. In: Bruce Albert & Alcida Rita Ramos (orgs.). Pacificando o branco: cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo: editora Unesp: Imprensa Oficial do Estado.

ALBUQUERQUE, Marcos Alexandre S. 2011. O Regime Imagético Pankararu: tradução intercultural na cidade de São Paulo. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina.

_______. 2021. O regime imagético Pankararu [recurso eletrônico]: performance e arte indígena na cidade de São Paulo. Florianópolis: Editora da UFSC.

ALBUQUERQUE, Marcos Alexandre S.; ARISI, Barbara M. ; AURELIANO, Waleska A.. 2012. Antropofagia : Capturando imagens indígenas na Rio+20. Cadernos do LEME, v. 4, p.69-83.

ARISI, Barbara. 2011. A Dádiva, a Sovinice e a Beleza: economia da cultura no Vale do Javari, Amazônia. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina.

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BARTOLOMÉ, Miguel. 2003. Movimientos Índios y Fronteras en America Latina. In: Parry Scott e George Zarur (org. Identidade, fragmentação e diversidade na América Latina. UFPE: Editora Universitária. Pp. 49 – 66.

CALAVIA SAEZ, Óscar & ARISI, Barbara. 2013. La Extraña Visita: por una teoría de los rituales amazónicos. Revista Española de Antropología Americana., vol 43, n. 1, Pp. 205 - 222.

CARNEIRO DA CUNHA. 2009. Cultura entre Aspas. São Paulo: Cosac Naify.

CARVALHO, M. R. G. de (Org.). 1989. Identidade étnica, mobilização política e cidadania. Salvador: UFBa: Empresa Gráfica da Bahia.

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DE LA CADENA, Marisol. 2010. "Indigenous cosmopolitics in the Andes. Conceptual reflections beyond 'politics'". Cultural Anthropology 25 (2). Pp 334 - 370.

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FLÓREZ, M. ; CALIARI, A. ; FURTADO, F. ; LAMPIS, A. ; MENDEZ, O. L. ; VALENCIA, M.; MAYA, A. L. ; FLORES, T. ; ARISI, B. 2013. Medio Ambiente: deterioro o solución Rio +20. 1. ed. Bogotá: Ediciones Aurora. 174p .

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WAGNER, Roy. 2010 [1975] A Invenção da Cultura. São Paulo: Cosac & Naify.

Rede Arandu e Movimento Indígena LGBTQIA+ na Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ em Brasília

Rede Arandu e Movimento Indígena LGBTQIA+ na Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ em Brasília

Autoria: Flávia Belmont, Amanda Ferreira, Tchella Maso e Julia Dias.

4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ foi realizada em Brasília entre os dias 21 e 25 de outubro de 2025, após ter sido convocada pelo Decreto nº 11.848 de 26 de dezembro de 2023. O evento marcou a retomada de um importante espaço de participação social no campo dos direitos humanos, uma vez que a última edição foi realizada há doze anos, em 2013, durante o governo federal de então. A lacuna entre a 3ª e a 4ª conferência refletiu um período de descontinuidade institucional e de fragilização das políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+, tornando a nova edição especialmente significativa no contexto de reconstrução democrática e de reabertura dos canais de diálogo entre Estado e sociedade civil.

A conferência teve como objetivos principais propor diretrizes para a criação e implementação de políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+ e contribuir para a formulação do Plano Nacional de Promoção dos Direitos e Cidadania das Pessoas LGBTQIA+. Organizado em etapas preparatórias municipais, estaduais, distrital, regionais, além de conferências livres, o evento mobilizou atores de todo o país, reforçando o papel da participação social como instrumento de formulação e aprimoramento de políticas públicas.

Foto: Reunião guiada por Niotxarú Pataxó para atuação das demandas indígenas durante a Conferência.

As discussões foram estruturadas em quatro eixos temáticos centrais, descritos abaixo, na qual cada eixo buscou integrar diagnósticos e experiências locais com proposições de caráter nacional, orientadas por uma perspectiva intersetorial e de garantia de direitos. Os eixos foram:

  • o enfrentamento à violência contra pessoas LGBTQIA+;
  • o trabalho digno e a geração de renda;
  • a interseccionalidade e a internacionalização das políticas públicas;
  • e a institucionalização da Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+.

Pesquisadoras da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio, do Grupo Temático “Direitos de povos indígenas e tradicionais, interseccionalidade e acesso às Instituições de Ensino Superior”, estiveram presentes como pessoas convidadas na conferência, com o intuito de apoiar as demandas e pautas do movimento indígena LGBTQIA+, e observar como os povos originários estavam contemplados – ou não – nas propostas construídas para a Política Nacional LGBTQIA+. Embora a presença indígena seja pequena, pela primeira vez foi implementada a cota afirmativa de 2% de pessoas delegadas indígenas de cada estado. No documento orientador da Conferência, registraram-se 26 pessoas indígenas, com ausência reveladora nos estados do Amapá e do Acre.

Embora neste documento estivessem ausentes também delegadas indígenas de Roraima, conhecemos duas pessoas que não estavam registradas pelas das cotas, o que aponta um desencontro entre as informações oficiais e a presença de fato. Além disso, havia cerca de dez pessoas indígenas que participaram como convidadas ou observadoras, atuando em diálogo com o Coletivo Tybyra, o Instituto Ypakey, a Juind (Juventude Indígena da Diversidade - Guarani e Kaiowa), e o Coletivo Miriã Mahsã de Indígenas LGBTQIA+ do Amazonas. A presença de Niotxarú Pataxó, Coordenador de Políticas para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas, e de pessoas com experiência de longa data no movimento indígena, como Mendonça Tupinambá, foi importante para mobilizar a presença indígena nas discussões dos Grupos Temáticos.

Fez-se assim, a partir de discussão entre pessoas do movimento, uma uma moção de destaque, cujo objetivo foi chamar atenção para a necessidade de formulários com marcadores de identidade gênero e orientação sexual nas fichas de registro do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Como o SasiSUS é um subsistema do SUS, foi necessário nomeá-lo enquanto sistema próprio, que precisa de implementação específica de tais registros para possibilitar o conhecimento sobre a existência e presença de pessoas indígenas LGBTQIA+ na intenção de embasar políticas públicas direcionadas, pois como mencionou uma pessoa do coletivo Miriã Mahsãeles dizem no nosso povo que não tem indígena LGBT, que é coisa de branco, então tem que ter essas informações pra verem que sim e respeitarem o que a gente fala.

Do ponto de vista técnico e político, a conferência refletiu tanto avanços quanto desafios. De um lado, destacou-se a ampliação do debate sobre diversidade e interseccionalidade, com maior atenção às demandas de grupos historicamente invisibilizados, como a população trans, as pessoas não binárias e as pessoas indígenas LGBTQIA+, embora o segmento indígena tenha sido mencionado em poucas propostas aprovadas na plenária final da conferência. De outro, foram levantadas críticas sobre a necessidade de garantir efetividade às propostas aprovadas, especialmente no que diz respeito à implementação e ao financiamento das ações previstas.

A distância entre as deliberações das conferências e sua incorporação nas políticas públicas permanece um dos principais obstáculos à consolidação de uma agenda nacional sustentável e contínua, principalmente para os povos indígenas e para os povos dos campos, das águas e das florestas, que tem sido contemplada com políticas públicas para o segmento LGBTQIA+ devido a iniciativas e programas específicos desta gestão do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania e do Ministério dos Povos Indígenas. Por ora, a Rede Arandu e o INCT Caleidoscópio têm atuado como redes e centros de pesquisa apoiadores do movimento indígena e de suas demandas, dando suporte à auto-organização para que as sementes políticas implantadas nestes anos recentes possam gerar frutos, mesmo que em cenários políticos adversos.

Foto: Integrantes da Rede Arandu que acompanharam a Conferência como pessoas convidadas.
Rede Arandu participa da reunião com o Alto Comissário das Nações Unidas na Casa da ONU em Brasília

Rede Arandu participa da reunião com o Alto Comissário das Nações Unidas na Casa da ONU em Brasília

Autoria: Yasmim cruz.

No dia 15 de outubro de 2025, a Casa da ONU em Brasília sediou uma reunião com o Representante do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na América do Sul (ACNUDH), Jan Jarab, no contexto de sua visita oficial ao Brasil.

A atividade integrou a agenda de compromissos voltados à promoção e ao acompanhamento das recomendações internacionais de direitos humanos no país, com ênfase na situação dos povos indígenas e defensores de direitos territoriais.

O Projeto Rede Arandu participou do encontro na condição de representante da comunidade acadêmica, contribuindo para o fortalecimento do diálogo entre organismos internacionais, sociedade civil e instituições de ensino e pesquisa. A reunião configurou-se como um espaço de ouvidoria e escuta ativa de lideranças indígenas, entre elas representantes dos povos Tupinambá e Tumbalalá, acerca de temas como demarcação de terras e direitos territoriais.

Durante a sessão, o Representante Jan Jarab destacou a necessidade de consolidar no Brasil mecanismos nacionais permanentes de monitoramento e relato de recomendações internacionais. O debate evidenciou que a ausência de efetividade em tais mecanismos contribui para a persistência de conflitos locais e violações de direitos fundamentais, especialmente em contextos de disputa fundiária e de projetos econômicos que impactam diretamente comunidades tradicionais.

A participação da Rede Arandu nesse espaço reafirmou o papel estratégico da comunidade acadêmica como agente de mediação entre saberes tradicionais e conhecimento científico, promovendo análises críticas sobre políticas públicas e contribuindo para o acompanhamento técnico e documental das demandas apresentadas por povos indígenas.

Além disso, reforçou a importância de a universidade participar ativamente de processos de cooperação internacional em direitos humanos, tanto como observadora quanto como produtora de conhecimento voltado à formulação e à avaliação de políticas inclusivas.

Notas da participação da Rede Arandu no evento Diálogos Internacionais LGBTQIA+: Garantia de Direitos em Âmbito Global

Notas da participação da Rede Arandu no evento Diálogos Internacionais LGBTQIA+: Garantia de Direitos em Âmbito Global

Autoras: Tchella Maso, Júlia Machado Dias, Flávia Belmont, Yasmim Cruz.

A Rede Arandu – Povos Indígenas, Gênero e Sexualidades – participou do seminário “Diálogos Internacionais LGBTQIA+: Garantia de Direitos em Âmbito Global” nos dias 20 e 21 de outubro de 2025, no Instituto Rio Branco, Brasília/DF.

Realizado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), com apoio da União Europeia, da iniciativa Global Gateway e da organização Race & Equality. O encontro reuniu governos, organismos internacionais e representantes da sociedade civil com o objetivo de promover um espaço multilateral de intercâmbio e fortalecimento de políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+, sob perspectivas inclusivas, interseccionais e regionais.

O evento foi aberto pela ministra de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, e pela secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, com a presença de representantes do Uruguai, Colômbia, Espanha e União Europeia. As falas de abertura enfatizaram a urgência de enfrentar o avanço das agendas anti-gênero e anti-direitos, ressaltando a importância de consolidar redes de proteção e estratégias de incidência política articuladas entre diferentes países e atores sociais.

Ao longo dos dois dias de atividades, as mesas de debate abordaram questões centrais sobre os avanços e desafios das políticas LGBTQIA+ em escala global, as formas de cooperação multilateral para a defesa dos direitos humanos e os esforços de diálogo entre o Brasil, a América Latina e a União Europeia.

As discussões trataram de experiências concretas de formulação e implementação de políticas públicas, de mecanismos de monitoramento e de combate às violências motivadas por orientação sexual e identidade de gênero, bem como de estratégias para o fortalecimento da cidadania, da democracia e da governança colaborativa.

De forma mais específica, esse diálogo também lançou luz sobre a relevância da interseccionalidade nas pautas que compõem a Agenda Internacional de Direitos Humanos, ressaltando o ponto nevrálgico de que a efetividade dessas políticas depende da articulação entre diferentes comitês e instâncias das Nações Unidas.

Assim, de modo semelhante ao que propõe a Rede Arandu, integrar as dimensões raciais, de gênero e de sexualidade às políticas internacionais de direitos humanos constitui uma das chaves fundamentais para a construção efetiva e inclusiva das demandas desse movimento.

Além disso, um aspecto de grande relevância no evento foi a reflexão simbólica proposta por Wilson Castro, Diretor Executivo da Corporación Caribe Afirmativo. Em sua intervenção, o diretor abordou de forma crítica a persistente indiferença social frente às pautas de diversidade sexual e de gênero, destacando como essa apatia coletiva tem sido instrumentalizada para sustentar e legitimar discursos extremistas, resultando no retrocesso de direitos conquistados pelas comunidades LGBTQIA+ e na fragilização dos avanços democráticos em matéria de direitos humanos.

O evento também incluiu reflexões sobre as agendas de cooperação Sul-Sul, destacando as experiências de Brasil, Uruguai, Colômbia e outros países da região na construção de políticas inclusivas, e sobre os intercâmbios entre o Brasil e a União Europeia em torno da governança e dos marcos regulatórios para a promoção da igualdade e o enfrentamento das desigualdades.

No encerramento, o painel “Projeção Futuro: Estratégias Globais para o Avanço dos Direitos Humanos LGBTQIA+” reuniu representantes de organizações internacionais e da sociedade civil, entre elas Caribe AfirmativoILGALACHuman Rights Watch e ANTRA, para discutir tendências e perspectivas para a proteção global dos direitos da população LGBTQIA+.

A presença da Rede Arandu neste espaço reafirma nosso compromisso com o fortalecimento de políticas públicas que reconheçam a diversidade de gênero e sexualidade e contribuam para a construção de uma agenda internacional verdadeiramente intercultural. Ainda é um desafio dar concretude às existências indígenas no debate, ainda que a presença do coordenador do MPI Niotxarú Pataxó tenha sido fundamental, como mencionou o enviado da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Miguel Mesquita: faltam dados que materializem a interseccionalidade das opressões.

A participação possibilitou o diálogo direto com instâncias multilaterais e organizações latino-americanas, ampliando o campo de incidência política da pesquisa colaborativa em torno das temáticas de direitos humanos, interseccionalidade e justiça social.

À noite, aconteceu uma confraternização na Embaixada da Espanha para celebrar a realização do evento e a assinatura do termo de cooperação entre Espanha e Brasil em direitos das pessoas LGBTQIA+.

Foto: Reprodução arquivo pessoal.