INCT Caleidoscópio participa da 2ª Assembleia Geral da Rede Nacional de Observatórios das Mulheres

INCT Caleidoscópio participa da 2ª Assembleia Geral da Rede Nacional de Observatórios das Mulheres

Autoria Camila Infanger

No dia 28 de setembro de 2026, o INCT Caleidoscópio participou da 2ª Assembleia Geral da Rede Nacional de Observatórios das Mulheres, realizada virtualmente e com cerca de 50 participantes de observatórios, universidades e instituições públicas de todas as regiões do país. Nossa representante foi a pós-doutoranda Camila Infanger, da Nucleação Centro-Oeste. A reunião foi conduzida por Maria Teresa Firmino Prado Mauro, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal. 

A Rede reúne iniciativas dedicadas a produzir, sistematizar e difundir dados e conhecimento sobre a situação das mulheres no Brasil, com o objetivo de fortalecer as políticas públicas de gênero. A 2ª Assembleia marcou um passo importante na sua formalização, com a aprovação do Regimento Interno, que estabelece princípios como pluralidade, representatividade, decisão coletiva, transparência e sustentabilidade.

Encaminhamentos da Assembleia.

Também foram definidos os critérios de participação, com três categorias de integrantes: Membro Pleno, Iniciativa em Implantação e Instituição Parceira. Foi criado ainda um processo único de ingresso, por meio de formulário disponível no site da Rede desde 1º de outubro. As participantes deliberaram, entre outros pontos, que os observatórios poderão integrar Grupos de Trabalho e a Comissão Temporária passou a exercer provisoriamente as funções da primeira Diretoria Colegiada.

A Rede passa a se organizar em quatro Grupos de Trabalho permanentes: Metodologia e Dados; Formação e Capacitação; Comunicação e Difusão; e Sustentabilidade Institucional. Eles serão responsáveis por transformar as prioridades coletivas em produtos concretos, como guias, indicadores compartilhados, diagnósticos, boletins e atividades formativas. Nós do Caleidoscópio nos disponibilizamos para participar dos GTs de Comunicação e Difusão e do de Sustentabilidade Institucional. 

Para o INCT Caleidoscópio, a participação na Rede reforça o compromisso com a produção de evidências sobre desigualdades de gênero e com o diálogo entre pesquisa acadêmica e políticas públicas. Uma nova Assembleia está prevista ainda para 2026, dedicada ao planejamento das atividades da Rede para 2027.

2ª Conferência Latino-Americana de Ética em Inteligência Artificial em Niterói coloca a participação social no centro do debate

2ª Conferência Latino-Americana de Ética em Inteligência Artificial em Niterói coloca a participação social no centro do debate

Autoria Mirlene Simões.

Entre os dias 16 e 18 de setembro de 2026, o Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF), no campus da Praia Vermelha, em Niterói (RJ), sediou a 2ª Conferência Latino-Americana de Ética em Inteligência Artificial (LAAI-Ethics 2026).

O evento reuniu pesquisadoras e pesquisadores, profissionais, estudantes e representantes da sociedade civil para debater os desafios éticos, regulatórios e sociais impostos pela rápida evolução da inteligência artificial na América Latina. A conferência, de caráter multidisciplinar, contou com o apoio do Comitê Gestor da Internet no Brasil, da CAPES, CNPq e do Instituto de Computação da UFF.

Um evento para pensar a IA a partir da América Latina

A LAAI-Ethics surge como resposta à necessidade premente de discutir diretrizes éticas e soluções práticas diante da expansão da inteligência artificial. Em sua segunda edição, o evento consolidou-se como um espaço de construção de capacidade local, pensando soluções próprias para os desafios da região, sem perder de vista o diálogo global.

A conferência é organizada por um comitê que reúne pesquisadores de diversas instituições brasileiras, com coordenação geral de Mariza Ferro (IC-UFF), Dárlinton Carvalho (UFSJ) e Livy Real (Kunumi/UFAM), além do apoio de docentes e comitês da UNICAMP, USP, UFRJ, entre outras.

A programação, distribuída ao longo de três dias, abrangeu palestras, oficinas, mesas-redondas, sessões de pôsteres e apresentações orais. Entre os temas centrais, destacaram-se o desenvolvimento e a avaliação de sistemas de IA seguros, éticos e transparentes; leis, regulação, governança e políticas públicas; abordagens filosóficas, morais e epistêmicas sobre sistemas inteligentes; estudos críticos sobre os impactos da IA generativa na sociedade; e direitos humanos, privacidade, equidade e mitigação de viés algorítmico.

A participação da Nucleação Sul Sudeste: ética feminista e construção participativa

Entre as pesquisas apresentadas, o INCT Caleidoscópio, vinculado ao Núcleo de Estudos de Gênero Pagu da Unicamp, foi representado por “Além da regulação: ética feminista e construção participativa de um agente de IA na educação pública”, de autoria de Mirlene F. Simões, Karla A. M. Bessa e Gedalva de Souza.

O trabalho foi apresentado por Simões no dia 17 de setembro, durante a sessão de apresentações orais, e posteriormente publicado nos anais do congresso.

Pós Doc Mirlene Simões apresentando pesquisa – Fonte: arquivo pessoa Mirlene Simões.

A pesquisa parte de uma premissa: a regulação é necessária, mas insuficiente. As autoras argumentam que as legislações garantem transparência, supervisão e responsabilização, mas não alcançam questões estruturais como a concentração corporativa de infraestrutura, a apropriação de dados coletivos e os rumos da inovação.

O trabalho propõe uma abordagem baseada na ética feminista interseccional e decolonial, articulando o pensamento de Hannah Arendt sobre o espaço público e a deliberação plural, o conceito de conhecimento situado de Donna Haraway, os estudos sobre vieses de gênero no design de IA de Alison Adam, a crítica ao racismo algorítmico de Buolamwini e Silva, e a interseccionalidade de Kimberlé Crenshaw.

A pesquisa-intervenção foi realizada com estudantes do ensino médio público de Campinas (SP), com foco em duas temáticas centrais: a equidade de gênero nas ciências e a justiça climática. No método adotado, as jovens participaram ativamente da definição dos temas, da elaboração de perguntas, da seleção e discussão de fontes e da avaliação das respostas.

“Construir a ferramenta é, ao mesmo tempo, investigação e letramento crítico”, explicam as autoras. Essa abordagem torna visíveis escolhas ocultas nos grandes modelos de linguagem, como erros, silêncios e generalizações.

A pesquisa está diretamente alinhada às atividades da Incubadora Social Feminista de Inteligência Artificial, iniciativa do INCT Caleidoscópio que busca fomentar a produção crítica de conhecimento comprometida com a justiça social, a equidade de gênero e a inovação científica.

A Incubadora tem como um de seus objetivos atrair jovens estudantes, especialmente meninas, para as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM). O trabalho com as estudantes do ensino médio é realizado por meio do Observatório Caleidoscópio, com bolsas do programa de iniciação científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM) financiadas pelo CNPq.

Caminhos futuros

A 2ª LAAI-Ethics reafirmou a importância de se pensar a inteligência artificial para além de seus aspectos técnicos e regulatórios. Ao reunir pesquisadores de diferentes áreas e promover o diálogo entre academia, sociedade civil e poder público, o evento contribui para a construção de uma agenda de IA mais justa, inclusiva e comprometida com os direitos humanos na América Latina.

A participação de pesquisas como a do INCT Caleidoscópio demonstra que a ética em IA não é apenas uma questão de conformidade legal, mas uma prática contínua de participação, cuidado, crítica e transformação.

Coordenadora do INCT Caleidoscópio visita a equipe da Nucleação Sul-Sudeste da Unicamp

Coordenadora do INCT Caleidoscópio visita a equipe da Nucleação Sul-Sudeste da Unicamp

Autoria Letícia Moreira

Na última quarta-feira, 02/09, a professora Viviane de Melo Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio, esteve na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em uma agenda que incluiu uma visita ao Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, uma das sedes da Nucleação Sul-Sudeste do INCT e do Observatório Caleidoscópio. O encontro buscou integrar a coordenação nacional à equipe da Unicamp e apresentar as atividades em andamento.

Recebida pela professora Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio e uma das coordenadoras da nucleação Sul-Sudeste do Observatório Caleidoscópio, juntamente com a professora Maria Margarete Lopes. Foi a primeira visita da Profa. Viviane ao Pagu Unicamp. A visita ocorreu durante sua participação no I FELIS – I Fórum Internacional sobre Educação Linguística e Sustentabilidade, realizado na Universidade.

Integração entre redes

Sete mulheres estão reunidas ao redor de uma grande mesa clara em uma sala de reuniões ou de apresentações. Na ponta esquerda, uma mulher de óculos e camiseta preta sorri para a câmera. Ao longo das laterais da mesa, as participantes estão sentadas em cadeiras giratórias, observando a reunião com laptops, garrafas de água e materiais sobre a mesa. Ao fundo, há uma grande tela branca de projeção retrátil na parede cinza.
Reunião da equipe com a professora Viviane. Foto: Letícia Moreira.

O encontro foi uma oportunidade de diálogo entre a coordenação nacional do INCT Caleidoscópio e as bolsistas e pesquisadoras que atuam na Unicamp. Além das coordenadoras, estiveram presentes também Lia Sousa, Mirlene Simões e Gedalva de Sousa, pós-doutorandas no INCT, Letícia Moreira, bolsista de jornalismo científico, e Alana Rayssa, Thainá de Paula e Sofia Bravin, bolsistas de Iniciação Científica.

Além das apresentações individuais, foram compartilhados as pesquisas e atividades em andamento na coordenação Sul-Sudeste, bem como o planejamento de ações futuras. A professora Viviane recordou como foi o processo de construção do Instituto, ainda em 2022.  Já a professora Karla Bessa destacou as ações com as cinco alunas de Iniciação Científica Jr., estudantes da Escola Barão Geraldo de Rezende, em Campinas, e o trabalho em curso junto ao Quilombo do Vale do Ribeira.

As bolsistas integram a Incubadora Social Feminista de Inteligência Artificial (I.A) da nucleação Sul-Sudeste, sediada na Unicamp. Bessa explicitou o porquê de a Incubadora estar voltada à intersecção entre tecnologias de I.A e os desafios do Meio Ambiente:

“criamos esta Incubadora Social na Unicamp com o objetivo de aproximarmos o Pagu e o INCT-Caleidoscópio das alunas da rede pública de Campinas. Diante da grave crise climática e do avanço irrestrito de modelos generativos, deixar que estudantes, historicamente arredias aos estudos nas áreas tecnológicas, aceitem respostas prontas sem questionar os vieses da tecnologia é o mesmo que deixá-las expostas aos riscos éticos e políticos que mantêm velhas desigualdades invisíveis. Por outro lado, integrar a pauta ambiental a uma perspectiva de IA feminista é uma tentativa de mitigar o automatismo técnico, e realizar o processo de formação das estudantes dentro de uma postura crítica, de questionamento sobre a origem dos dados e, assim, possam, em um futuro próximo, liderar a criação de soluções socioambientais para a sua própria comunidade, visto que o futuro já está aqui entre nós”

Para a professora Viviane, a visita foi uma rica oportunidade de ver de perto o trabalho realizado pela nucleação e conhecer as membras da equipe.

“Fiquei muito impressionada com a estrutura que o Pagu empresta ao INCT Caleidoscópio e com o vibrante entusiasmo das jovens pesquisadoras. Também foi um prazer rever minhas colegas coordenadoras da nucleação e da coordenação Sul-Sudeste de nosso Observatório”.

Apresentação do INCT no I FELIS

m uma sala de aula, uma mulher de cabelos cacheados e óculos está apresentando um trabalho acadêmico diante de uma grande tela de projeção. Ela segura pelos ombros um lenço Keffiyeh tradicional em tons de branco e preto. Na tela, lê-se o título em cinza: 'I FELIS 2026 - Palavras-território e metáforas na enunciação política indígena LGBTQIAP+', com os nomes dos autores Viviane Resende, Tchella Maso e Yara Martinelli, acompanhados das marcas UnB, INCT Caleidoscópio, Arandu e CNPq. À sua frente na mesa, há um notebook preto, cadernos e passador de slides; ao fundo, vê-se um quadro verde com anotações.
Profa. Viviane de Melo apresenta no I FELIS. Foto: Karla Bessa

Fórum Internacional sobre Educação Linguística e Sustentabilidade: Ontologias Relacionais, realizado na Universidade entre os dias 01 e 03 de setembro, no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). O evento reuniu pesquisadores e profissionais de educação e linguística de todo o país para discutir o estado da arte da educação linguística voltada para o desenvolvimento sustentável. 

Na ocasião, Viviane apresentou o trabalho “Palavras-território e metáforas na enunciação política indígena LGBTQIAP+”, em co-autoria com Tchella Maso e Yara Martinelli, todas da Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa analisa dois manifestos indígenas LGBTQIAP+, “Colorindo a luta em defesa do território” (2022) e “Manifesto Indígena LGBTQIAP+” (2024), para compreender como eles participam da produção de palavras-território que unificam linguagem, corpo e território, sem reduzir a demarcação a uma imagem abstrata. Para as pesquisadoras, neste manifesto, “a metáfora funciona como elemento estruturante de modos de pensar, sentir, agir e reivindicar existência política”. 

Lançamento do CIP Caleidoscópio celebra a consolidação dos estudos feministas e de gênero na estrutura institucional na UnB

Lançamento do CIP Caleidoscópio celebra a consolidação dos estudos feministas e de gênero na estrutura institucional na UnB

Novo Centro Integrado de Pesquisa garante permanência institucional às atividades e frentes de atuação desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília e fortalece a atuação acadêmica e social no enfrentamento às iniquidades, desigualdades e violências interseccionais de gênero e sexualidade.

Pesquisadoras, estudantes, bolsistas, integrantes do INCT Caleidoscópio e convidadas se reuniram no dia 11 de setembro com representantes de diferentes instituições para celebrar o lançamento do Centro Integrado de Pesquisa Caleidoscópio (CIP Caleidoscópio), nova estrutura permanente de pesquisa da Universidade de Brasília (UnB). 

O encontro foi realizado na sede do INCT Caleidoscópio, no campus Darcy Ribeiro, espaço que passa também a sediar o novo Centro. Mais do que apresentar formalmente a nova estrutura, o lançamento também foi pensado como um momento de encontro. 

A programação começou às 17h e, conforme as pessoas chegavam, encontravam  a possibilidade de conhecer alguns dos projetos desenvolvidos no Caleidoscópio. Integrantes do Projeto MeInstruAÇÃO, pela por exemplo, compartilharam suas iniciativas de educação menstrual com exposição de alguns dos materiais desenvolvidos no projeto, enquanto integrantes da Rede Arandu também apresentaram resultados da atuação da rede acerca de dissidência de gênero e sexualidade na mobilização indígena.

Assim, antes das falas institucionais, o espaço foi ocupado por conversas e trocas entre estudantes, pesquisadoras, pesquisadores e representantes de diferentes instituições, que tiveram a oportunidade de conhecer a infraestrutura do INCT na Universidade de Brasília, conquistada graças ao apoio do MCTI via CNPq. 

As unidades instituidoras do CIP, o Instituto de Letras (IL), o Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) e o Instituto de Relações Internacionais (IREL), ao lado do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), também estiveram representadas no encontro por suas direções e coordenações.

Jacqueline Fiuza da Silva Regis, Viviane de Melo Resende e Tchella Maso Fernandes fazem o discurso de lançamento. Foto: Levi Tapuia.

Caleidoscópio no ecossistema de CT&I da UnB

A professora do IL e do CEAM Viviane de Melo Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio e integrante do Comitê Gestor do CIP, foi a primeira a falar. Em sua apresentação, recuperou o percurso de criação do Instituto graças ao apoio do CNPq na Chamada 58/2022 e destacou o significado de o Caleidoscópio passar a integrar também, por meio do CIP, a estrutura de ciência, tecnologia e inovação da Universidade de Brasília.

A própria proposta de criação do CIP define o Centro como uma formalização, na estrutura da UnB, do trabalho realizado pelo INCT Caleidoscópio.

O primeiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia feminista do Brasil tem atuado desde 2022 em perspectiva interseccional e antirracista no campo dos estudos avançados em iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade e suas múltiplas insurgências.

Viviane ressaltou que não se trata de substituir o INCT pelo CIP, ao contrário: “o INCT Caleidoscópio continua atuante e reconhecido no ecossistema de ciência, tecnologia e inovação do MCTI via CNPq, mas agora ganha também, como CIP, o reconhecimento da Universidade de Pesquisa, via Decanato de Pesquisa e Inovação, e com o compromisso das unidades instituidoras com a sua permanência nessa estrutura”, disse.

Deste modo, o CIP e o INCT Caleidoscópio são duas estruturas que coexistem e se articulam, tornando-se uma expressão de continuidade e integração dessa iniciativa com as unidades parceiras. 

Enquanto o Instituto integra a política dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, com apoio do CNPq, e mantém sua atuação em rede no território nacional por meio de suas nucleações regionais, o Centro dá permanência institucional, dentro da Universidade de Brasília, a atividades e frentes de atuação desenvolvidas pelo INCT e por suas integrantes, com o compromisso das unidades que o instituem.

Essa relação permite que o trabalho desenvolvido pelo Caleidoscópio esteja vinculado, ao mesmo tempo, à política nacional de ciência e tecnologia dos INCTs e à estrutura de pesquisa da própria Universidade. 

Como estrutura permanente da Universidade, o CIP também amplia as possibilidades de articulação interna e externa. Seu regimento prevê a participação de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes unidades da UnB, profissionais sem vínculo com a Universidade, laboratórios e grupos de pesquisa associados, além da construção de parcerias e colaborações com outros centros e instituições.

INCT e CIP representam, portanto, dimensões distintas e articuladas de uma trajetória que continua reunindo pessoas, instituições, pesquisas e iniciativas em torno da compreensão e do enfrentamento às desigualdades, violências e iniquidades interseccionais.

Leia também: INCT Caleidoscópio agora também é Centro Integrado de Pesquisa da UnB: entenda o que muda com a criação do CIP Caleidoscópio

Linhas de pesquisa para compreender e enfrentar desigualdades

Na sequência, a professora do IREL Tchella Maso Fernandes, coordenadora do CIP Caleidoscópio, apresentou ao público a finalidade, as linhas de pesquisa e as possibilidades de participação na nova estrutura.

Como estabelece o regimento do Centro, sua finalidade é compreender e enfrentar desigualdades, violências e iniquidades interseccionais no ambiente acadêmico, além de levantar iniciativas institucionais em Direitos Humanos e justiça social nas Instituições de Ensino Superior que possam contribuir para fomentar experiências em instituições parceiras.

As pesquisas estarão organizadas em cinco frentes:

  • Indicadores de Desigualdades Interseccionais e Experiências Exitosas;
  • Mulheres e dissidências de gênero nas ciências;
  • Raça e racismo nas ciências;
  • Povos e Comunidades Tradicionais e Ensino Superior;
  • e Desigualdades interseccionais e Violências de Gênero no Ensino Superior.

Por meio delas, o Centro pretende produzir e sistematizar conhecimentos sobre desigualdades e violências nas Instituições de Ensino Superior, mulheres e dissidências de gênero nas ciências, racismo no ambiente acadêmico, experiências de povos indígenas no ensino superior e respostas institucionais às violências de gênero, contribuindo com dados para a vitalidade do Observatório Caleidoscópio.

Além de apresentar essas frentes, Tchella agradeceu às unidades instituidoras e às diferentes pessoas envolvidas na construção e no cotidiano do Caleidoscópio, entre bolsistas, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais de apoio técnico e integrantes dos projetos.

Ao falar sobre os próximos passos, a coordenadora destacou, ainda, a possibilidade de ampliação dessa articulação dentro da Universidade: “o CIP está aberto para novas unidades acadêmicas da Universidade de Brasília se juntarem”, destacou.

Imagem da entrada da sede do CIP e INCT na UnB. Foto: Levi Tapuia.

A possibilidade de participação de outras pesquisadoras e pesquisadores também está prevista no regimento do Centro, que estabelece diferentes modalidades de vinculação, incluindo integrantes da UnB externos às unidades instituidoras e profissionais sem vínculo com a Universidade.

Ao mesmo tempo em que apresentou a nova estrutura à comunidade acadêmica, o lançamento reuniu representantes de instituições relacionadas à pesquisa, à educação e às políticas de igualdade no País, incluindo autoridades do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero do Ministério das Mulheres; da secretária-executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial do Ministério da Igualdade Racial; da coordenação do Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gêneros da CAPES, além das direções e coordenações das unidades instituidoras, do Decanato de Pesquisa e Inovação e da Reitoria da Universidade de Brasília.

CIP em diálogo com a comunidade

Se as primeiras falas recuperaram a trajetória institucional e apresentaram as frentes de pesquisa, o encerramento voltou-se para a relação que o CIP pretende construir para além dos limites da Universidade.

A professora Jacqueline Fiuza da Silva Regis, bolsista Conhecimento Brasil do CNPq e vice-coordenadora do Centro, destacou a importância de se desenvolverem pesquisas em diálogo com as comunidades, considerando suas demandas e construindo ações em colaboração com a sociedade, em relações horizontais.

Essa perspectiva também encontrou espaço na própria dinâmica escolhida para o lançamento. Antes e depois das falas institucionais, as pessoas puderam circular, conhecer projetos, conversar e compartilhar o mesmo espaço. Ao falar sobre a importância desse encontro presencial, Jacqueline recuperou ainda um verso interpretado por Gal Costa, que reforça a importância dos encontros presenciais: “preciso respirar o mesmo ar que te rodeia”. E sua fala continua!

"É importante que a transversalidade e a transdisciplinaridade das nossas ações aconteçam para além dos muros da universidade; que a gente fortaleça o diálogo entre a comunidade interna e a comunidade externa à universidade; e que fortaleça também o diálogo entre as instituições de ensino superior e os diferentes níveis de formação, do ensino médio à universidade.

Também é preciso fortalecer projetos que contemplem pesquisadoras desde o ensino médio até o pós-doutorado e para além dele. Também é importante promover a interação e a transversalidade entre diferentes idades, como forma de combater o etarismo e promover o conhecimento produzido por estas pessoas e comunidades.

Além disso, queremos enfatizar que as portas do INCT e do CIP estão abertas para colaborações com outras instituições e pessoas pesquisadoras igualmente comprometidas com a transformação social em prol da reparação e do bem-viver comunitário.", complementa Jacqueline.

Ao final, participantes se reuniram para uma fotografia coletiva, encerrando uma celebração que combinou a apresentação de uma nova estrutura institucional com o encontro entre as pessoas que participam de sua construção.

Com isso, o lançamento marca uma nova etapa para o Caleidoscópio na Universidade de Brasília, fortalecendo a articulação entre pesquisa, formação, extensão e diálogo com a sociedade no enfrentamento acadêmico e social das iniquidades, desigualdades e violências interseccionais de gênero e sexualidade.

Fotos: Levi Tapuia.

Confabulações Críticas entre África, América Latina e Caribe: IV encontro do Ciclo Internacional de Seminários debate Psicologias e contracolonialidades em 24 de setembro

Confabulações Críticas entre África, América Latina e Caribe: IV encontro do Ciclo Internacional de Seminários debate Psicologias e contracolonialidades em 24 de setembro

Seminário reúne pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil para discutir linguagem, identidade cultural, tecnologias educacionais e práticas de cuidado a partir de perspectivas negras, afroreferenciadas e contracoloniais.

Pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil se reúnem, no dia 24 de setembro, para discutir linguagem, tecnologias educacionais e práticas de cuidado afroreferenciadas. O seminário acontece às 9h no Brasil e às 13h em Angola e na Nigéria e integra o I Ciclo Internacional de Seminários Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe. Em sua quarta edição, o seminário tem como tema “Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil”.

O encontro integra uma programação internacional realizada entre março e dezembro de 2026, aproximando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produções científicas de África, América Latina e Caribe. No âmbito do INCT Caleidoscópio, a iniciativa é desenvolvida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, articulando diálogos entre África e diáspora africana a partir da produção acadêmica de mulheres negras.

As atividades acontecem em formato híbrido, com participação presencial no Auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (CCBS/UFCG) e transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube. O formato busca ampliar a participação de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo redes de cooperação Sul-Sul e a circulação transnacional do conhecimento.

A mediação do encontro será das professoras Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFCG, e Helena Veloso, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), que coordenam o ciclo.

Pesquisadoras de Angola, Nigéria e Brasil colocam diferentes conhecimentos em diálogo

A programação do quarto encontro reúne três pesquisadoras em discussões que aproximam linguagem e identidade cultural, tecnologias educacionais e conhecimentos locais e práticas de cuidado e acolhimento afroreferenciadas.

A professora Ana Bela Loureiro, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) e da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Angola (FCH-UCAN), apresenta “O valor psicológico da palavra mãe na construção da identidade cultural”.

Da Nigéria, Nafisat Afolake Adedokun-Shittu, da University of Ilorin (UNILORIN), participa com “Tecnologias educacionais, cultura e tradições locais: o GLOCALISE e a contextualização do conhecimento na Nigéria”.

Já Charlene Costa Bandeira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresenta “PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado”.

As três apresentações dão continuidade ao eixo temático que orienta o ciclo, “Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana”, reunindo pesquisas e experiências produzidas em diferentes contextos do Sul Global.

Confabulações que atravessam o Atlântico

O Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global. Ao articular universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica, a iniciativa estabelece conexões entre África, América Latina e Caribe.

Nesse percurso, a Confabulação Crítica é compreendida como um trabalho coletivo de fabulação diante de arquivos necessariamente lacunares da Psicologia. A proposta traça conexões entre Angola e Brasil e refaz rotas e percursos de mulheres pesquisadoras a partir de corpos e experiências atravessados pela diáspora, pelo exílio, pelo refúgio e por comunidades de destino.

Desde março, os encontros têm reunido pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. O primeiro seminário discutiu a produção acadêmica de mulheres negras na última década; o segundo abordou psicologias, migrações e mudanças climáticas; e o terceiro, realizado em julho, colocou em discussão as disputas epistemológicas e a legitimidade do conhecimento.

A iniciativa resulta de uma cooperação internacional com a Red Internacional de Voces Afrofeministas (RIVAS) e o Grupo de Trabalho Afrodescendentes Propostas Contrahegemónicas da CLACSO, com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A organização está a cargo do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFCG, em parceria com a Universidade Agostinho Neto e a Universidade Católica de Angola.

Nacionalmente, o ciclo articula-se ainda com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis, o GEM – Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA).

Como participar

O quarto encontro acontece em 24 de setembro de 2026, às 9h no Brasil e às 13h em Angola e na Nigéria. Presencialmente, as atividades serão realizadas no Auditório do CCBS/UFCG, em Campina Grande (PB). Também será possível acompanhar a programação de forma remota, por meio da transmissão ao vivo no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio do formulário disponibilizado nos canais do Instituto. A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, com sede na UFCG, para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

A programação segue até dezembro. Em novembro, o quinto seminário será dedicado às “Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas”. Em dezembro, o encontro que encerra o ciclo abordará “Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil”.

Salve a estreia abaixo!