Rede Arandu acompanha a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) e a marcha principal do maior movimento indígena do Brasil

Rede Arandu acompanha a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) e a marcha principal do maior movimento indígena do Brasil

Escrito por: Alessandra Prates.

No dia 7 de abril de 2026, durante a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), a Rede Arandu acompanhou a marcha principal do maior movimento indígena do Brasil. A mobilização reuniu cerca de 7 mil indígenas de diversas regiões do país, que caminharam do acampamento até o Congresso Nacional, em Brasília, em um ato de resistência, visibilidade e reivindicação de direitos.

Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, a marcha deste ano reforçou a urgência das pautas indígenas diante de ameaças crescentes aos seus territórios, modos de vida e direitos constitucionais. A concentração teve início ainda pela manhã, com saída oficial às 9h20, reunindo delegações de diferentes povos, culturas e territórios, em uma demonstração de unidade e força coletiva.

Entre as principais reivindicações levantadas ao longo da caminhada esteve a forte oposição ao projeto da Ferrogrão, ferrovia planejada para escoar a produção agrícola do Centro-Oeste até portos do Norte do país. Lideranças indígenas denunciaram os impactos socioambientais da obra, especialmente sobre territórios tradicionais e áreas de preservação na Amazônia. 

Em nota, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) destacou que a retomada do julgamento do projeto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), justamente durante a realização do ATL 2026, evidencia a necessidade de mobilização contínua. Segundo a organização, “nosso futuro não está à venda, e não permitiremos que a ganância do agronegócio e de grandes corporações estrangeiras destrua a Amazônia e o Cerrado. A resposta somos nós”.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, ATL
Imagem/arquivo Rede Arandu.

Outro ponto amplamente denunciado durante a marcha foi o avanço do projeto de mineração da empresa Belo Sun, no Pará. Os participantes chamaram atenção para os impactos da mineração em larga escala, incluindo a contaminação das águas, a degradação ambiental e os riscos diretos à sobrevivência física e cultural dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Também foram criticados projetos de hidrovias e outras iniciativas que ameaçam os ecossistemas e comprometem a segurança alimentar e hídrica dessas populações.

Ao longo de todo o percurso, cantos, faixas, pinturas corporais e rituais tradicionais marcaram a marcha, transformando o ato político em uma poderosa expressão de identidade, resistência e ancestralidade. A presença massiva de jovens, lideranças e anciãos evidenciou a continuidade da luta indígena entre gerações.

Após a cobertura da marcha, a Rede Arandu deu início à produção da segunda temporada de seu podcast, ampliando as formas de registro e difusão das vozes, narrativas e lutas dos povos indígenas presentes no Acampamento Terra Livre 2026. A iniciativa busca aprofundar debates, compartilhar experiências e fortalecer a comunicação indígena a partir das perspectivas dos próprios protagonistas.

A Rede Arandu segue acompanhando de perto os principais acontecimentos do Acampamento Terra Livre 2026, reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos dos povos indígenas. Em um cenário de constantes ameaças, a mobilização no ATL demonstra que os povos originários permanecem firmes na proteção de seus territórios e na construção de um futuro que não está à venda.

1º Formação em Direitos Humanos, Justiça Climática e Incidência política para Indígenas LGBTQIA+: relato de experiência

1º Formação em Direitos Humanos, Justiça Climática e Incidência política para Indígenas LGBTQIA+: relato de experiência

Escrito por: Alessandra Prates.

Nos dias 09, 10 e 11 de fevereiro à Rede Arandu foi convidada pelo coletivo Tybyra, o primeiro coletivo indígena lgbtqia + do Brasil (mais informações em @indigenaslgbt), para a 1º Formação em Direitos Humanos, Justiça Climática e Incidência política para Indígenas LGBTQIA+, na cidade de Belo Horizonte/Minas Gerais. O evento foi realizado no espaço da Cellos (Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais), organização da sociedade civil afiliada a ABGLT que luta pelos direitos e promoção da cidadania da população LGBTQIA+ de Minas Gerais.

Nessa formação, a Rede Arandu esteve presente tanto no apoio à construção pedagógica — realizada pela integrante da rede e pesquisadora Júlia Machado Dias — quanto na composição do painel “Justiça Climática e Racismo Ambiental”, ministrado pela coordenadora da rede, Tchella Maso, e pela integrante e pesquisadora Yara Martinelli, com mediação da co-coordenadora Alessandra Prates.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu
Imagem: André Guajajara.

A oficina foi um momento de construir pensamentos e tensionar perspectivas sobre gênero, sexualidades, justiça climática e  acima de tudo de como refletir sobre todos esses processos sendo um corpo-território indígena LGBTQIA+ nessa temática da justiça climática e espaços que negociam essas ações. 

Destaca a presença das pesquisadoras e psicólogas, que compõem o grupo de trabalho de saúde mental da Rede Arandu, Deborah Gonçalves e Aléxia Makuxi que ministraram uma oficina sobre saúde mental com a proposta de criar um fluxograma que atenda de maneira mais adequada os corpos indígenas LGBTQIA+ nos serviços de prevenção e cuidado da vida.

Destacamos ainda, a presença da Deputada Célia Xakriabá (PSOL), que possibilitou a partir de emenda parlamentar a implementação dessa formação para mais de 25 lideranças indígenas LGBTQIA+ do Brasil e seus respectivos coletivos: Coletivo Caboclas, Coletivo Xique-xique, Coletivo JUIND, Coletivo Miriã Mahsã, Instituto Ipakéy, Coletivo Apaîé e Coletivo Indígena LGBTQIA+ Kaingang.

Ainda presentes, a Coordenadora de Políticas para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos e pesquisadora Indígenas e pesquisadora da Rede Arandu Alane Baré, o Coordenador de Direitos Sociais do Ministério dos Povos Indígenas Niotxarú Pataxó, o representante da Organização para Migração das Nações Unidas, Felipe Wunder, a assessora da deputada Duda Salabert, Mallu Almeida,  Alcineide Piratapuya (ACNUDH e Mentoranda no Kuntari Katu), Amanda Alvares Ferreira (VIRTUAL) (Rede Arandu. Doutora em Relações Internacionais), Estevão Fernandes (VIRTUAL) (Rede Arandu. Autor do livro “Existe Índio Gay? A Colonização das Sexualidades Indígenas no Brasil), Rodrigo Deodato (ACNUDH), Alessandro Mariano (Coletivo LGBTQIA+ da Via Campesina), Carlos Magno (Cellos MG).

Também estiveram presentes a coordenadora de Políticas para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas e pesquisadora da Rede Arandu, Alane Baré; o coordenador de Direitos Sociais do Ministério dos Povos Indígenas, Niotxarú Pataxó; o representante da Organização Internacional para as Migrações (OIM/ONU), Felipe Wunder; a assessora da deputada Duda Salabert, Mallu Almeida; Alcineide Piratapuya (ACNUDH e mentoranda no Kuntari Katu); Amanda Alvares Ferreira (participação virtual), integrante da Rede Arandu e doutora em Relações Internacionais; Estevão Fernandes (participação virtual), integrante da Rede Arandu e autor do livro “Existe Índio Gay? A Colonização das Sexualidades Indígenas no Brasil”; Rodrigo Deodato (ACNUDH); Alessandro Mariano (Coletivo LGBTQIA+ da Via Campesina); e Carlos Magno (Cellos MG).

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu
Imagem: André Guajajara.

Ao final da formação se criou uma carta política dos coletivos indígenas LGBTQIA+, fruto do primeiro curso de formação em direitos humanos e justiça climática para lideranças indígenas LGBTQIA+, disponível no link: <https://midiaindigena.com.br/destaques/12/02/2026/carta-politica-de-coletivos-indigenas-lgbtqia-reivindica-protecao-a-vida-e-articulacao-nacional/>.

Coletivo Tybyra e Rede Arandu abordam violência contra indígenas transexuais e travestis em capítulo do Dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA)

Coletivo Tybyra e Rede Arandu abordam violência contra indígenas transexuais e travestis em capítulo do Dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA)

Escrito por: Júlia Machado Dias, Danilo Tupinikim e Tchella Maso.

Aconteceu no dia 26 de janeiro de 2026 o lançamento da 9ª edição do Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras em 2025, organizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), no auditório do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. O lançamento forma parte das atividades do Seminário Nacional da Visibilidade Trans.

O texto “Corpos e Territórios: Colonialidade, Transfobia e Genocídio de Indígenas Trans e Travestis”, de autoria de integrantes da Arandu e do Coletivo TyBYRA, denuncia que os corpos indígenas dissidentes — especialmente pessoas trans e travestis — são alvo de uma violência estrutural que articula colonialidade, racismo e transfobia como sistemas inseparáveis de dominação. A colonialidade não é tratada como passado, mas como estrutura viva e atualizada que opera através do Estado e suas instituições para negar existência, território e direitos a essas populações, produzindo um cenário necropolítico em que determinadas vidas são consideradas descartáveis.

A violência transcende o ataque físico individual, configurando-se como genocídio sistemático que destrói modos ancestrais de existir ao romper vínculos comunitários, subalternizar culturas e impor padrões coloniais de gênero e sexualidade. O argumento central sustenta que território e corpo são dimensões indissociáveis para povos indígenas, de modo que a transfobia contra indígenas representa a continuação do projeto colonial, perpetuada pela ausência de políticas públicas, subnotificação de violências e omissão estatal deliberada que empurra esses corpos para a invisibilidade e a morte.

Bruna Benevides, Presidenta da ANTRA, foi também a responsável pela coordenação, pesquisa e análise dos dados levantados. Durante sua fala no evento de lançamento, Bruna apontou o papel da sociedade civil na organização e sistematização de dados sobre violências contra travestis e transexuais, especialmente devido à ausência de dados censitários a esse respeito.O Dossiê apresenta redução de 34% no número de assassinatos de pessoas transexuais em relação ao ano anterior. Entretanto, Bruna pontuou que menos dados não significa menos violência.

“Nesse sentido, a redução estatística observada em 2025 deve ser compreendida como expressão do aprofundamento da escassez de cidadania e do abandono deliberado da população trans pelo Estado brasileiro [tendo em vista a ausência de políticas públicas para combater essa violência], e não como qualquer forma de avanço ou proteção efetiva” (Benevides, Bruna G. Dossiê: assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025. / Bruna G. Benevides; ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) - Brasília, DF: Distrito Drag; ANTRA, 2026).

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu
Foto: Bruna Benevides apresentando os principais resultados da pesquisa.

A relevância da 4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ também foi citada, bem como o envolvimento do movimento LGBTQIA+, essencial para ampliar as discussões e direitos sem se restringir a discussões a respeito do nome social e de banheiros inclusivos. A Conferência aconteceu no ano passado, depois de quase 10 anos sem sua realização e, portanto, sem espaço para participação social na temática. 

Jovanna Baby, membro do Conselho LGBTQIA+ como representante do FONATRANS (Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras), defendeu a necessidade de ampliar a luta LGBTQIA+ dentro da educação básica, construí-la para corpos transexuais que tem sido sumariamente excluídos deste local. De acordo com a ativista, as cotas para universidades são importantes, mas não resolvem o problema, não fazem reparação histórica. Em suas palavras: “Quem nasceu travesti, quem nasceu homem trans, foi expulso de casa e não teve oportunidade de estudar”.

Nesta seara, o INCT Caleidoscópio com mais essa iniciativa avança no enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades interseccionais.

O Dossiê está disponível online e pode ser acessado pelo link a seguir: https://antrabrasil.org/wp-content/uploads/2026/01/dossie-antra-2026.pdf

Mobilizações Indígenas e Dissidências no Sul Global: confira os relatos e as atividades da Rede Arandu na 25ª Semana Universitária (Semuni) da UnB

Mobilizações Indígenas e Dissidências no Sul Global: confira os relatos e as atividades da Rede Arandu na 25ª Semana Universitária (Semuni) da UnB

A Rede Arandu esteve presente na 25ª Semana Universitária (Semuni) da Universidade de Brasília (UnB). Nesta edição, a Semuni teve como tema “UnB e Territórios em Movimento: saberes, inovação e sociedade”, e a rede contribuiu com atividades voltadas às discussões sobre mobilizações indígenas e dissidências no Sul Global.

Confira, a seguir, as ações promovidas pela Rede Arandu na 25ª Semuni, além dos relatos de participantes e proponentes das atividades.

Oficina: Mobilizações de Mulheres Indígenas

Foto da atividade retirada pela Rede Arandu.

A oficina de “Mobilizações de Mulheres Indígenas”, realizada no dia 4 de novembro no INCT Caleidoscópio da UnB, foi um espaço de diálogo e reflexão sobre o protagonismo das mulheres indígenas na luta por direitos e reconhecimento. Sob coordenação de Simone Terena e com a participação de Rute Anacé, o encontro destacou as diversas formas de resistência e organização que essas mulheres constroem em seus territórios e nas esferas políticas. As falas evidenciaram o papel central das mulheres indígenas na defesa da terra, da cultura e do bem viver, revelando estratégias de incidência que combinam saberes tradicionais e articulação política. A atividade contribuiu para ampliar a compreensão sobre o feminismo indígena e sua importância na promoção de uma sociedade mais plural e justa.

A participação na oficina “Mobilizações de Mulheres Indígenas” resultou em impactos significativos para a formação crítica e sensível dos(as) estudantes envolvidos(as). A atividade promoveu um espaço de escuta qualificada e diálogo intercultural, possibilitando a compreensão das múltiplas camadas que compõem as trajetórias de mulheres indígenas que atuam em processos de mobilização política, acadêmica e institucional.

Os relatos compartilhados por Simone Terena e Rute Anacé Kelly Guarani evidenciaram tanto a potência quanto a sobrecarga vivenciada por mulheres indígenas que deixam suas comunidades em busca de estudo, qualificação e inserção em espaços decisórios. As falas destacaram a dor de retornar aos territórios e reconhecer mudanças na vivência comunitária, revelando as tensões entre permanência, deslocamento e pertencimento. Ao mesmo tempo, enfatizaram que o afastamento pode representar um gesto de cuidado coletivo, permitindo a atuação estratégica junto a ministérios, movimentos internacionais e espaços acadêmicos — ainda marcados por estruturas profundamente excludentes.

Os(as) participantes relataram ter saído da oficina sensibilizados(as) e intelectualmente estimulados(as), reconhecendo que as trajetórias dessas mulheres, embora atravessadas por renúncias e desafios, ampliam horizontes de luta e reafirmam compromissos com o bem viver. A atividade contribuiu, assim, para fortalecer a dimensão formativa da extensão universitária ao articular experiências, saberes e reflexões sobre gênero, território, autonomia e resistência.
A oficina deixou como marca simbólica a expressão compartilhada por Rute Anacé — “toda muda murcha” — mobilizada pelos(as) participantes como síntese do processo simultâneo de dor, transformação e florescimento que caracteriza os percursos das mulheres indígenas em suas lutas e mobilizações.

Miniatividades: Palestra Diplomacias Indígenas

Foto da atividade retirada pela Rede Arandu.

No dia 5 de novembro, durante a Semana Universitária da Universidade de Brasília, a Rede Arandu promoveu, no Instituto de Relações Internacionais, um evento dedicado ao debate sobre diplomacias indígenas. Realizado como atividade de extensão, o encontro buscou ampliar o diálogo entre gênero, sexualidade, territorialidade e identidade indígena, articulando perspectivas acadêmicas e experiências políticas de diferentes regiões do país.

A mesa reuniu convidadas e convidados de grande relevância. A professora Altaci Kocama, primeira docente indígena da UnB e co-presidente da Força-Tarefa da UNESCO para a Década Internacional das Línguas Indígenas, trouxe reflexões profundas sobre o significado de “ser diplomata” desde epistemologias indígenas. Destacou que sua atuação, embora fora das estruturas formais do Estado, constitui uma diplomacia viva, que se manifesta na representação dos povos indígenas em arenas internacionais e na mediação entre cosmovisões indígenas e instituições globais.

Em seguida, João Urt, assessor do Ministério dos Povos Indígenas e pesquisador na área de Relações Internacionais, abordou o debate sobre soberanias indígenas, ressaltando o caráter político e simbólico dessas soberanias e os desafios que elas impõem às concepções tradicionais do campo das Relações Internacionais.

Por fim, Eliel Xokleng, estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integrante do programa Kuntari Katu (MPI), compartilhou reflexões sobre o exercício constante de dialogar com mundos que não são seus, especialmente no contexto do povo Xokleng, no Sul do Brasil. Sua fala conectou defesa territorial, identidade e proteção comunitária, evidenciando a importância de políticas públicas interseccionais.
A mesa foi mediada por Giorgio Cristofani, pesquisador do IPAN, mestre em Relações Internacionais e com trajetória consolidada de atuação no Xingu, o que contribuiu para qualificar o diálogo intercultural e aproximar teoria e prática.

O evento se consolidou como um espaço plural de formação e reflexão política, reafirmando o papel da Rede Arandu como articuladora de diálogos interculturais, acadêmicos e comunitários. A atividade fortaleceu o compromisso da extensão universitária com a produção de conhecimentos situados, plurais e comprometidos com as lutas indígenas contemporâneas.

Miniatividades: Roda de conversa - Viver uma Vida Queer nos Trópicos

Foto da atividade retirada pela Rede Arandu.

A atividade Viver uma Vida Queer nos Trópicos integrou a programação de extensão da Semana Universitária e proporcionou um espaço formativo marcado pela sensibilidade, criatividade e escuta coletiva. A proposta central foi estimular reflexões sobre como identidades, afetos e experiências queer se constroem e se expressam no contexto tropical, considerando suas múltiplas camadas de intensidade, diversidade e vitalidade.

A dinâmica principal consistiu na elaboração de cartazes que representassem, de forma visual e conceitual, o que “vida”, “queer” e “trópicos” significavam para cada participante. Esse exercício promoveu a expressão criativa e colaborativa, permitindo que os grupos produzissem leituras plurais sobre o tema. As produções refletiram interpretações distintas sobre corporalidade, pertencimento, desejo, ambiente, resistência e celebração, indicando como o espaço tropical pode tanto tensionar normas quanto acolher existências dissidentes.

Após a confecção dos cartazes, realizou-se uma roda de conversa na qual cada grupo apresentou suas escolhas visuais e conceituais. Esse momento ampliou a troca de percepções e consolidou a construção coletiva de sentidos, garantindo que diferentes vozes fossem valorizadas. O diálogo evidenciou que viver uma vida queer nos trópicos envolve tanto desafios relacionados a desigualdades e preconceitos quanto potências que emergem da conexão com territórios marcados por diversidade cultural, ambiental e afetiva.

No conjunto, a atividade se configurou como um espaço acolhedor, inclusivo e crítico, fortalecendo o compromisso da extensão universitária com a valorização da representatividade, da expressão livre e da construção de comunidades diversas. A ação contribuiu para ampliar a compreensão sobre as experiências queer em contextos latino-americanos e indígenas, além de consolidar a importância de práticas pedagógicas que articulem arte, diálogo e reflexão política.

Rede Arandu participa do encontro “Corpos, LGBT e Povos Indígenas” realizado pela Mídia Indígena em parceria com a Casa Maraká

Rede Arandu participa do encontro “Corpos, LGBT e Povos Indígenas” realizado pela Mídia Indígena em parceria com a Casa Maraká

O encontro “Corpos, LGBT e Povos Indígenas”, realizado pela Mídia Indígena em parceria com a Casa Maraká, discutiu a trajetória e a importância do movimento indígena LGBTQIA+ e o fortalecimento do movimento com líderes que estiveram a frente e vem conduzindo o movimento, em especial no Coletivo Tibira e na recém-criada Coordenadoria Nĩtcharu, que busca construir políticas públicas diretamente nos territórios.

Em que, se discutiu sobre os seminários que foram realizados nos territórios fortalecendo pessoas indígenas LGBTQIA+ e contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas para esse público.

Representado por Danilo Tupiniquim, integrante da APIB membro do Tibira o coletivo. apresentou sua história, indicando uma inspiração no movimentos de mulheres indígenas, e destacou a necessidade de articular direitos e combater violências que afetam de forma desproporcional pessoas LGBTQIA+ dos povos da floresta, das águas e do campo.

Foram debatidos dados alarmantes de violações, a urgência de protocolos de enfrentamento, a ampliação das casas de acolhimento da sociedade civil, e iniciativas como o Programa Bem Viver+ e o Empodera+ e o Tecendo Direitos, voltados ao acolhimento, geração de renda e construção de projetos de vida.

O encontro também tratou da participação de referências indígenas LGBTQIA+ em espaços de decisão, da demarcação de territórios incluindo menção à previsão de demarcações na COP 30 e do papel do turismo e da representatividade, culminando na preparação para no fazer de seminários nacionais.

VII Encontro do curso “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” refletirá sobre Saúde Indígena em Gênero e Sexualidade ao vivo dia 11/17

VII Encontro do curso “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” refletirá sobre Saúde Indígena em Gênero e Sexualidade ao vivo dia 11/17

Com o tema Saúde Indígena em Gênero e Sexualidade, o sétimo encontro do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” será realizado no dia 17 de novembro de 2025, às 19h30 (horário de Brasília), no canal do YouTube do INCT Caleidoscópio.

Este encontro busca refletir sobre a saúde indígena a partir das perspectivas de gênero e sexualidade, discutindo desafios, saberes e práticas que articulam corpo, território e bem-viver nos contextos indígenas contemporâneos.

Para mediar a conversa, receberemos convidadas e convidados com trajetórias marcadas pelo compromisso com o cuidado, a saúde coletiva e a valorização dos saberes indígenas em suas múltiplas dimensões.

Apresentamos Willian Luna, Médico de Família e Comunidade, especialista em Saúde Indígena, docente na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Assessor Técnico Especializado do Ministério da Saúde na Coordenação de Integração Ensino-Serviço-Comunidade.

Junta-se ao debate Paulo Macuxi, Enfermeiro e Sanitarista em formação pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), e atua como pesquisador ambiental no projeto Monitora-Y, voltado ao monitoramento ambiental no território Yanomami e Alto Amazonas.

Também estará presente Ícaro Nejaim, Médico de Família e Comunidade do povo Xukuru do Ororubá, que possui atuação voltada à promoção da saúde indígena e à valorização das práticas tradicionais de cuidado.

E Rejane Pafej Kanhgág, filha de Maria Kairu, neta de Domingas e mãe de Kafág. Psicóloga e Mestre em Psicologia Social e Institucional, Rejane é doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já atuou no Conselho Estadual dos Povos Indígenas do RS (CEPI), na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), na SESAI e na OIM. Atualmente, escritora, artesã e coordenadora da Comissão Bem-Viver.

On-line e gratuito, sua participação é muito bem-vinda para fortalecer este diálogo necessário e urgente.

O curso oferece certificado de 60 horas aos participantes cadastrados previamente, com frequência contabilizada por meio de formulário assinados nos encontros. Contamos com a sua presença para dar continuidade a este ciclo de aprendizados e formação política!

Salve a prévia no YouTube e receba notificação: 7º Encontro: Saúde Indígena em Gênero e Sexualidade l curso de extensão Rede Arandu

Sobre o curso de extensão

Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater a compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, que convida a audiência a expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!

Isso é feito a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, que buscam aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade, abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.

Assista os encontros anteriores no canal do INCT Caleidoscópio: Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.

Todos os encontros do curso estão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta.

Sobre a rede Arandu

A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.

O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

A iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu. Uma realização do INCT Caleidoscópio – Coordenação Centro-Oeste, por meio da Rede Arandu.