O INCT Caleidoscópio é o primeiro instituto nacional de ciência e tecnologia com foco em estudos feministas no Brasil. Reúne grupos de pesquisa de 24 instituições de educação superior do país, a partir de uma perspectiva feminista, antirracista e interseccional, e é organizado em nucleações que abrangem as cinco regiões, visando contribuir para redução das violências e desigualdades que marcam a vida das mulheres nas ciências, por meio da implantação de observatórios, incubadoras sociais e de sua política de divulgação e transferência de conhecimentos.
Realizado no âmbito do VIII Seminário Práticas Socioculturais e Discurso, o I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio propõe discutir os avanços conquistados pelo INCT e debater pesquisas em andamento. Para tanto, contamos com o aceite de convidadas/os vinculadas/os a 13 universidades federais e quatro internacionais.
O evento propõe debates sobre mulheres na ciência, em relações interdisciplinares e perspectivas interseccionais, possibilitando a emergência e a consolidação de grupos de pesquisa multidisciplinares em torno de temáticas afins. Esse objetivo permitirá construir espaços acadêmicos interdisciplinares que contribuam para o estudo e a explanação de processos sócio-discursivos ligados a políticas e direitos, fortalecendo as redes já constituídas em torno dessas temáticas, fomentando relações acadêmicas entre redes.
Para esse objetivo geral colaboram os seguintes objetivos específicos:
Fortalecer espaços de diálogo acadêmico que favoreçam formas de construção e apropriação de conhecimento, conduzindo ao desvelamento crítico de processos sociais fundamentais no escopo da temática estratégica de mulheres na ciência.
Discutir direitos sociais e sua garantia, em perspectivas interseccionais, decoloniais e antirracistas.
Garantir formas de participação e diálogo entre pesquisadores/as, formuladores/as de políticas públicas, movimentos sociais comprometidos/as com os estudos sobre políticas e direitos, nos campos das ciências humanas e sociais, e em espaços interdisciplinares voltados ao debate de discurso e gênero e de equidade na ciência.
Promover o desenvolvimento e a ampliação de tecnologias sociais capazes de fazer frente a questões sociais de longa duração.
A Incubadora Social Feminista Antirracista Norte-Nordeste e Amazônia Legal, do INCT Caleidoscópio, realizará o Seminário "Mulheres Quilombolas nas Ciências: Posse do Conselho e Assinatura do Termo de Compromisso Cidadão com a CONAQ”. O evento acontece nesta quarta-feira (07/08), das 9h às 12h, e será transmitido pelo canal do INCT Caleidoscópio no youtube.
O evento será um marco na integração e fortalecimento de redes de apoio à inclusão de mulheres quilombolas nas ciências. O seminário começará com uma Mesa Solene mediada pela Profa. Dra. Silvia Ferreira e contará com a presença de autoridades acadêmicas e políticas, incluindo Dra. Ana Cristina Santos (MCTI), Prof. Fernando Schramm (UFCG), Profa. Dra. Viviane Rezende (UNB), Profa. Dra. Givânia Maria da Silva (CONAQ), além das coordenadoras da Incubadora, Profa. Dra. Silvia Ferreira e Profa. Dra. Dolores Galindo.
Além disso, ocorrerá também a assinatura do Termo de Compromisso Cidadão entre a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). Este termo formaliza um compromisso mútuo para promover atividades de ensino, pesquisa, extensão e transferência de tecnologias sociais, resultado de um trabalho colaborativo entre as partes. O objetivo é fortalecer as ações voltadas para as comunidades quilombolas, respeitando os princípios de colaboração e equidade. A assinatura será realizada pela advogada e Ma. Naryanne Ramos, Profa. Dra. Givânia Maria da Silva (ambas da Conaq) e pelas coordenadoras da Incubadora, Profa. Dra. Dolores Galindo e Profa. Dra. Silvia Ferreira. O documento é um marco na parceria entre a Incubadora e a CONAQ, refletindo o empenho em promover avanços significativos na integração das comunidades quilombolas no campo da ciência e tecnologia, sobretudo, do ponto de vista de uma política cidadã, ética.
A Incubadora Social Feminista Antirracista Norte-Nordeste e Amazônia Legal lançará seu novo site, que será o ponto central para acessar informações sobre a Incubadora, sua missão, equipe, projetos em andamento, produtos em desenvolvimento, eventos e parcerias. A nova plataforma destaca as atividades e conquistas da Incubadora, promovendo maior visibilidade e comunicação com a sociedade.
Lançamento do Programa de Podcast “Mulheres Quilombolas nas Ciências: de quilombola para quilombola”
O seminário também marcará o lançamento do Podcast da Incubadora, que destaca as contribuições das mulheres quilombolas para as ciências. Vinculado ao projeto de pesquisa "Mulheres Quilombolas nas Ciências: Políticas de Permanência nas Universidades e Produção de Subjetividades", o podcast é conduzido pela Advogada Ma. Naryanne Ramos e está disponível no Spotify e YouTube. Cada episódio, com duração média de 25 a 30 minutos, apresentará entrevistas com intelectuais negras quilombolas, discutindo suas pesquisas, trajetórias e produções acadêmicas.
Durante o seminário, será realizada a posse do primeiro Conselho da Incubadora, o Conselho Universidades-Sociedade, que inclui representantes de várias regiões do mundo. O Conselho Universidades-Sociedade será composto por 7 mulheres e 6 homens, refletindo um esforço para alcançar a equidade de gênero. Na América Latina, os membros são Anny Ocoró Loango, da Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, Argentina; Paula Andrea Lenguita, da Universidade de Buenos Aires (UBA), Argentina; Débora de Fina Gonzalez, da Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Playa Ancha (UPLA), Chile; Jaileila de Araujo Menezes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil; e Angela Maria dos Santos, da Faculdade EDUCAREMT, Mato Grosso, Brasil, que é quilombola.
No Brasil, também estão Luiza Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Leonardo Lemos de Souza, da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Da África, Eduardo David Tulo Ndombele, do Instituto Superior de Ciências da Educação do Uíge (ISCED-Uíge), Helena Cosma da Graça Fonseca Veloso, da Universidade Católica de Angola (UAN), ambos de Angola, e Mbiavanga Fernando, do Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED), Luanda. Do Haiti, os membros são Maismy-Mary Fleurant, da Université Publique du Nord-Est à Fort-Liberté (UPNEF), e André Yves Pierre, da Universidade Estadual do Haiti. Da Europa, Hilarino Carlos Rodrigues da Luz, da Universidade NOVA de Lisboa - FCSH, Portugal, também integra o conselho.
A FAPESP publicou portaria que regulamenta a adoção de critérios para a análise de propostas de Auxílios e Bolsas que considerem períodos de afastamento do(a) solicitante em razão do advento de prole, de deficiência, de incapacidades temporárias ou de cuidados intensivos a pessoas enfermas, idosas ou com deficiência.
A portaria considera o objetivo de promover a igualdade de condições a pessoas com deficiências e incapacidades temporárias e a equidade de gênero em ciência e tecnologia e, desta forma, atrair e reter os melhores talentos.
Dos dias 4 a 6 de junho acontece, em Brasília, a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), cujo tema é "Para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido". Na etapa preparatória, a Conferência Livre Meninas e Mulheres na Ciência, realizada no dia 25 de março na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, apresentou iniciativas voltadas à equidade de gênero e, entre elas, o trabalho realizado pelo INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero, Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.
O diagnóstico das desigualdades é parte fundamental para a discussão dos rumos futuros da ciência, tecnologia e inovação no Brasil, proposta pela 5ª CNCTI. Embora as mulheres sejam maioria na graduação e na pós-graduação em algumas áreas do conhecimento, elas constituem minoria na docência, em cargos de gestão e entre pesquisadoras com bolsa produtividade, situação que é chamada de "efeito tesoura".
De acordo com levantamento de dados realizado pelo Observatório Sul-Sudeste, do INCT Caleidoscópio, 64,76% de quem recebe bolsa produtividade são homens e 34,24% são mulheres. "Mesmo nas Ciências Humanas, onde há maior número de mulheres a nível de pesquisa, elas são minoria entre quem recebe bolsas de produtividade", afirmou durante a Conferência Livre Joana Maria Pedro, professora aposentada do Departamento de História da UFSC, coordenadora do Observatório Sul-Sudeste e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC).
A historiadora Joana Maria Pedro. Créditos: Jéssica Michels.
As ações em prol da equidade de gênero na ciência, na tecnologia e na inovação perpassam, portanto, pelo olhar sobre as condições para que meninas e mulheres possam não só acessar as universidades, mas permanecer em seus cursos e progredir em suas carreiras.
Nesse sentido, o INCT Caleidoscópio tem, dentre seus objetivos, o desenvolvimento de pesquisas a nível nacional com relação às boas práticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior. Morgani Guzzo, pesquisadora de pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste e integrante do LEGH/UFSC, contou durante a Conferência um pouco da sua pesquisa em andamento: "O primeiro passo que demos foi um mapeamento de políticas implementadas pelas universidades públicas no que diz respeito ao recebimento de denúncias, acolhimento das vítimas e enfrentamento às violências de modo geral. Em seguida, temos buscado entrevistar as pessoas responsáveis por implementar essas políticas para entendermos os processos, desafios e o impacto de tais ações".
Dentre as universidades do Sul e do Sudeste mapeadas até o momento pesquisa, estão seis do Rio Grande do Sul, duas de Santa Catarina, uma do Paraná, uma da região sul (UFFS), três de São Paulo, uma do Espírito Santo, duas do Rio de Janeiro e três de Minas Gerais.
Morgani Guzzo durante a Conferência Livre Meninas e Mulheres na Ciência. Créditos: Jéssica Michels.
De acordo com Morgani, embora algumas já contem com canais de recebimento de denúncias, ainda são poucas as que implementaram ações amplas de enfrentamento às violências de gênero. "A maioria ainda possui apenas a Ouvidoria como instrumento para registrar as denúncias, sendo comum que elas sejam arquivadas sem a devida responsabilização de quem praticou as violências. Além disso, são incipientes os mecanismos de acolhimento às vítimas e as ações de prevenção e educação que façam frente à cultura onde tais violências e assédios institucionais são naturalizados", completou Morgani.
Para a pesquisadora, também é necessário criar formas de monitoramento dessas políticas, além de avaliar se a comunidade científica sabe a quem recorrer quando necessário. "O passo seguinte é divulgar amplamente as iniciativas exitosas para estimular que outras instituições também implementem políticas semelhantes, além de pensar em metodologias para monitorar a eficácia dessas ações".
Nesse sentido, o INCT Caleidoscópio tem, dentre seus objetivos, o desenvolvimento de pesquisas a nível nacional com relação às boas práticas de enfrentamento às violências nas instituições de ensino superior. Morgani Guzzo, pesquisadora de pós-doutorado do Observatório Sul-Sudeste e integrante do LEGH/UFSC contou, durante a Conferência, um pouco da sua pesquisa em andamento. "O primeiro passo que demos foi um mapeamento de políticas implementadas pelas universidades públicas no que diz respeito ao recebimento de denúncias, acolhimento das vítimas e enfrentamento às violências de modo geral. Em seguida, temos buscado entrevistar as pessoas responsáveis por implementar essas políticas para entendermos os processos, desafios e o impacto de tais ações".
A criação do INCT Caleidoscópio é resultado da preocupação de diversas pesquisadoras e núcleos de pesquisa sobre a desigualdade de gênero na ciência. Por isso, o fortalecimento de redes como a Caleidoscópio - Rede Nacional de Estudos Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Transdisciplinares e Decoloniais também é importante para avançar nesse tema, segundo a pesquisadora Joana Maria Pedro. "Precisamos garantir que temáticas como a equidade de gênero e o enfrentamento às violências nas universidades estejam na Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Também é preciso promover o fortalecimento das redes como a Parent In Science, a Andorinhas e a Caleidoscópio e reforçar a necessidade de mecanismos de proteção e segurança jurídica para aquelas que fazem denúncias", defendeu.
A 5ª CNCTI é realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal, com organização do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), com apoio de diversas entidades como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), entre outras. O principal objetivo desta edição, que acontece 14 anos após a última CNCTI, é analisar os programas, planos e resultados da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) de 2016-2023 e propor recomendações para a elaboração da ENCTI de 2024-2030.
Evento aconteceu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) no último dia 25 de março, e contou com a presença de docentes e pesquisadoras representantes de diferentes projetos e grupos de pesquisa comprometidos com estudos de gênero e com a formação de jovens cientistas.
No último dia 25 de março, as pesquisadoras Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo representaram o INCT Caleidoscópio durante a Conferência "Livre Mulheres e Meninas nas Ciências", realizada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e organizada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) regional de Santa Catarina. meninas e mulheres nas diferentes áreas do conhecimento e sugerir demandas
A atividade, que é preparatória para a 5ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação (CNCTI), que vai acontecer em junho, em Brasília, teve como objetivo apresentar diferentes iniciativas desenvolvidas em Santa Catarina que visem ampliar a presença de regionais a serem tratadas na conferência em Brasília.
Estiveram presentes docentes e pesquisadoras de universidades como a UFSC (Florianópolis, Araranguá, Joinville), a UDESC (Florianópolis, Joinville), a Uniplac (Lages) e representantes de diferentes projetos e grupos de pesquisa comprometidos com estudos de gênero e com a formação de jovens cientistas. Entre as palestrantes, Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo apresentaram o que é o INCT Caleidoscópio e os trabalhos realizados até o momento pelo Observatório Sul-Sudeste, que tem na coordenação pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade de Campinas (Unicamp).
Joana Maria Pedro, é professora aposentada do Departamento de História da UFSC, e uma das coordenadoras do Observatório Sul-Sudeste; já Morgani Guzzo é jornalista e realiza seu estágio pós-doutoral junto ao INCT Caleidoscópio e o Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH/UFSC). Ambas são pesquisadoras do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH).
"O INCT é um edital do CNPQ que visa estimular a criação de redes de pesquisadoras e o desenvolvimento de tecnologias sociais e comunicação em Ciência e Tecnologia. O projeto do INCT Caleidoscópio partiu das discussões realizadas pela Rede Nacional de Estudos e Pesquisas Feministas, Transfeministas, Antirracistas, Interdisciplinares e Decoloniais, que chamamos de Rede Caleidoscópio", explicou Joana Maria Pedro no evento. "O intuito é compreender e enfrentar as desigualdades, violências e iniquidades de gênero e suas interseccionalidades nos ambientes universitários e nos espaços da Ciência como um todo.", completou.
Apresentando parte de sua pesquisa como pós-doutoranda junto ao INCT Caleidoscópio, Morgani ressaltou que, para além da necessidade de políticas de permanência nas universidades, é preciso que sejam criados e monitorados mecanismos e ações de enfrentamento às violências. "Sabemos que existem diversas políticas públicas de acesso à universidade, porém queremos garantir que essas políticas sejam também de permanência, pois a violência, que afeta em maioria as mulheres, é uma das questões que as levam a não continuar nas universidades".
As pesquisadoras também apresentaram um breve diagnóstico do que foi possível levantar na pesquisa em andamento e algumas recomendações para serem levadas para a 5ª CNCTI.
Da esquerda para a direita: Alexandra Alencar (Ebó Epistêmico/UFSC), Tatiana Renata Garcia (Meninas na Tecnologia/UFSC Joinville), Maria Elisa Máximo (SBPC/SC), Geovana Lunardi Mendes (Udesc), Joana Maria Pedro (INCT Caleidoscípio/UFSC), Janine Gomes da Silva (IEG/UFSC) e Morgani Guzzo (INCT Caleidoscópio/UFSC). Créditos: Jéssica Michels.