por Daniel Silva | mar 17, 2026 | Notícia, Rede Arandu
Autoria: Júlia Machado Dias, Jociene Trindade e Daniel Brasileiro.
A 1ª Conferência Livre de Assistência Social para Povos Indígenas: Por um SUAS Intercultural (CLASPI) foi realizada em Brasília nos dias 6 a 10 de outubro de 2025. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a conferência também recebeu colaboração e apoio do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), da Universidade Federal de Roraima (UFRR), da Fiocruz, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e do Ministério dos Povos Indígenas.
Construída e protagonizada pelos povos indígenas, a Conferência é afirmada pela APIB como resultado da construção coletiva que reafirma o direito dos povos originários de participar da formulação das políticas que os afetam diretamente, garantindo que seus modos de vida, saberes e territorialidades sejam respeitados dentro do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). De forma bem sucedida, o evento reuniu aproximadamente 170 representantes indígenas de diferentes regiões do país, incluindo representações LGBTQIA+.
A programação contou com mesas de discussão sobre os desafios e as potencialidades de um SUAS intercultural, a conferência realizou ainda discussões por Grupos Temáticos, conectados aos Eixos da Conferência Nacional de Assistência Social, mas adaptados para a interculturalidade. O Eixo 1, “Universalização do SUAS - Acesso Integral com Equidade e Respeito às Diversidades”, incitou as pessoas participantes a criarem propostas que reconheçam e enfrentem demandas e desproteções sociais resultantes de desigualdades sociais, raciais e de gênero, como mulheres e LGBTQIA+.
Uma das propostas aprovadas para serem defendidas na Conferência Nacional do SUAS deste ano trata diretamente do reconhecimento e necessidade de proteção de pessoas indígenas LGBQIA+, fruto da mobilização dos movimentos indígenas LGBTQIA+ nacional e regionais.
“O reconhecimento e a proteção das pessoas indígenas LGBTQIAPN+, que enfrentam múltiplas camadas de vulnerabilidade decorrentes do racismo, do preconceito de gênero e da negação de suas identidades culturais e espirituais.”
A carta completa da APIB está disponível no link a seguir: clique aqui!
por Daniel Silva | mar 17, 2026 | Eventos, Notícia
Durante a 25ª Semana da Extensão Universitária (SEMUNI), a Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio fará uma participação ativa, oferecendo atividades que tematizam educação menstrual emancipatória, menopausa, povos indígenas e territórios, com apresentação das ações de extensão desenvolvidas em perspectiva decolonial e interseccional, oficinas, roda de conversa e entrevistas para produção de podcasts.
A exposição estará alocada no ICC Sul Udefinho - UnB, com ações concomitantes na sede do INCT Caleidoscópio, localizada também no ICC Sul - UnB, e em salas do prédio. No estande, o projeto MEInstruAção (Instagram) realizará atividades interativas com a comunidade, junto a apresentações dos projetos realizados pela "Rede Arandu" e pelo "MenoPausa".
A SEMUNI 2025 é um evento da Universidade de Brasília (UnB) focado em promover e celebrar as ações que conectam a academia com a sociedade, sob o tema "UnB e Territórios em Movimento: Saberes, Inovação e Sociedade".
Desse modo, as propostas foram desenhadas e baseadas no avanço de políticas emancipatórias e críticas – conquistadas pelos movimentos sociais, em que predominavam ideais de igualdade, justiça social e democracia participativa, para construir, em coletivo, saberes específicos ético-políticos que sentem, pensam, entendem e buscam resolver de maneira coletiva, politizando as temáticas propostas por meio de redes para tentar transformar e decolonizar o Cistema heteropatriarcal – mas também nas epistemologias negras, indígenas, quilombolas.
Ademais, as ações se relacionam a 6 dos 17 ODS descritos na Agenda 2030 da ONU:
- 01: Erradicação da pobreza;
- 03: Saúde e bem-estar;
- 04: Educação de qualidade;
- 05: Igualdade de gênero;
- 10: Redução das desigualdades;
- 13: Ação contra a mudança global do clima, ao debater, por exemplo, sobre as relações entre o uso de tecnologias menstruais, o descarte e a sustentabilidade ambiental.
O evento ocorrerá de 03 a 06 de novembro. Confira abaixo a programação das atividades do INCT Caleidoscópio Nucleação Centro-Oeste!
Programação do INCT Caleidoscópio pela Nucleação Centro-Oeste SAMUNI 2025
No dia 04 de novembro de 2025, o INCT Caleidoscópio promoverá a atividade intitulada "territorializando saberes em movimento", que ocorrerá no estande, localizado no ICC Sul Udefinho da Universidade de Brasília (UnB), das 10h00 às 18h00.
Durante essa programação, será realizada a micro atividade "Tirando a menstruação do banheiro", com ações voltadas ao letramento crítico em educação menstrual com o objetivo de ressignificar as narrativas sobre o tabu menstrual operado por meio de mitos, estigmas e ordenamentos.
Ainda no dia 04, das 17h00 às 19h00, ocorrerá a micro atividade "Pesquisa colaborativa: sentir e pensar gênero com povos indígenas", na sede do INCT, localizada no Módulo 8 do ICC Sul – Darcy Ribeiro.
Outra ação do mesmo dia será a oficina "Segue o fluxo: oficina de letramento crítico em educação menstrual emancipatória", que será realizada na sala ICC Sul BT 168, das 9h00 às 12h00.
Pela manhã, a oficina abordará a ressignificação do tabu menstrual, a partir de dinâmicas que incluem o Kahoot – “fato ou fake” , jogo de cartas produzido pela equipe do projeto.
Durante a tarde, das 14h00 às 17h00, a oficina abordará as relações entre tecnologias menstruais, justiça socioambiental e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Serão expostas tecnologias menstruais, com a proposta de que os participantes escolham uma das tecnologias disponíveis e relacionem seu uso aos ODS por meio de Cards temáticos. A atividade também abordará questões sobre descarte, coleta seletiva e sustentabilidade socioambiental, com elaboração de um post em formato carrossel, relacionando as instruções, as tecnologias e os ODS.
No dia 05 de novembro de 2025, será realizada a micro atividade "Café com pausa, Menopausa", que acontecerá das 10h00 às 12h00, na sede do INCT, Módulo 8, ICC Sul – Darcy Ribeiro.
Encerrando a programação, no dia 06 de novembro de 2025, ocorrerá a oficina de produção de materiais didáticos para uma educação menstrual emancipatória, das 9h00 às 12h00, na sala ICC Sul BT 168 – Darcy Ribeiro.
Acompanhe nosso Instagram e veja também registros e relatos em tempo real e posteriormente das atividades realizadas.
Acesse o link a seguir e nos siga para mais conteúdos: Instagram - @inctcaleidoscópio.
por Daniel Silva | mar 17, 2026 | Edital, Notícia
O INCT Caleidoscópio torna público o edital de bolsa de Iniciação Científica (IC) em Comunicação Científica com foco em Design. A presente chamada busca selecionar um/a estudante de graduação para bolsa de IC/CNPq para realizar atividades presencialmente na Universidade de Brasília, campus Darcy Ribeiro.
A bolsa de IC terá duração inicial de 12 meses e segue as normas e valores do CNPq, que atualmente oferta a oportunidade no valor de R$700,00 mensais.
O processo seletivo se encerra no dia 26 de outubro de 2025, e será realizado em duas etapas: a primeira etapa da seleção será considerado os documentos enviados digitalmente. Posteriormente, candidatas/os aprovadas/os nesta primeira etapa serão convocadas/os para a segunda etapa do processo seletivo: a entrevista. Os documentos a serem enviados digitalmente são:
- Portfólio de trabalhos e projetos de design (de no máximo 5 laudas), em arquivo .PDF;
- Documentos Pessoais (RG e CPF) em um único arquivo .PDF;
- Comprovante de matrícula em instituição de ensino superior em arquivo .PDF;
- Currículo Lattes, atualizado no último mês na plataforma Lattes, em arquivo .PDF;
O INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências é um projeto de desenvolvimento científico que visa compreender e enfrentar desigualdades, violências e iniquidades interseccionais.
Criado em 2022 com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sua sede está locada na Universidade de Brasília, entretanto, o instituto feminista congrega núcleos e laboratórios de pesquisa de 24 instituições de ensino superior (IES) que se organiza pelas coordenações regionais Sul/Sudeste, Centro-Oeste, Norte/Nordeste e Amazônia Legal.
Em perspectiva feminista interseccional, levantamos as iniciativas institucionais pioneiras em Direitos Humanos e justiça social nas IES com o objetivo de fomentar experiências exitosas em instituições parceiras.
Nossa comunicação é guiada pela Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica, na qual busca sensibilizar a sociedade e futuras gerações para a importância das mulheres nas ciências e para o impacto das ciências na melhoria das condições de vida das mulheres. Essa atuação se concretiza na produção de conteúdos em diferentes formatos — boletins, vídeos, podcasts — abordando temáticas relacionadas a violências, desigualdades e insurgências de gênero e sexualidade no contexto educacional.
Para saber mais sobre o edital e sobre os processos de inscrição, acesse o link a seguir: Chamada Pública 7/2025 - Bolsa de Iniciação Científica INCT Caleidoscópio - Área de atuação: Comunicação científica com foco em Design
Acesse nosso site para mais informações sobre o INCT Caleidoscópio, ou entre em contato pelo e-mail da coordenação inct.caleidoscopio@unb.br.
por Daniel Silva | mar 17, 2026 | Notícia, Rede Arandu
Autoria: Tchella Maso.
A Rede Arandu esteve presente no Seminário Nacional: Transições Justas em Movimento, realizado no dia 14 de outubro de 2025, no Auditório do Instituto de Relações Internacionais da UnB. O evento reuniu movimentos sociais, organizações da sociedade civil, academia e poder público para debater os caminhos para uma transição justa no contexto das crises climáticas.
Durante o seminário, a equipe da Rede Arandu acompanhou os debates e reuniu depoimentos que farão parte da comunicação preparatória para a COP, incluindo entrevista com Jurema Werneck. O movimento indígena esteve fortemente representado, com a participação da APIB e de Ramona Jucá, do Coletivo Tybyra, organização com a qual a Rede Arandu mantém parceria de trabalho.
Os debates trouxeram à tona questões fundamentais sobre o papel da sociedade civil nas discussões sobre transição justa, problematizando o próprio conceito e seus significados para diferentes territórios e comunidades. Representantes da Periferia Feminista destacaram a urgência de promover justiça climática através do diálogo e do protagonismo de quem cuida da terra, enfatizando a necessidade de ressignificar modos de vida.
A interseccionalidade e a transversalidade emergiram como princípios essenciais para unificar as lutas, conectando demandas por demarcação de territórios de comunidades tradicionais, reforma agrária e reforma urbana como faces indissociáveis da justiça climática. Espaços como a Cúpula dos Povos foram apontados como fundamentais para a construção coletiva do comum.
Um dos questionamentos centrais que atravessou todas as mesas foi: como falar de transição justa em contextos de processos avançados de violação dos direitos humanos? O seminário reforçou que não há transição energética verdadeiramente justa sem o enfrentamento das desigualdades estruturais, do colonialismo climático e sem garantir que comunidades locais, povos indígenas, periferias e trabalhadores sejam reconhecidos como protagonistas — e não apenas beneficiários — das soluções climáticas.
A participação da Rede Arandu neste espaço, enquanto rede colaborativa de pesquisa sobre povos indígenas, gênero e sexualidade, reafirma seu compromisso com perspectivas interseccionais que reconhecem as dissidências de gênero e sexualidade como dimensões fundamentais da justiça climática, e com a escuta atenta dos movimentos sociais cujas vozes seguem sendo historicamente silenciadas nos debates globais sobre clima e justiça.
por Daniel Silva | mar 17, 2026 | Eventos, Notícia, Rede Arandu
O sexto encontro do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” tem como tema violência de gênero e sexualidade contra pessoas indígenas, na qual serão abordadas as intersecções entre corpo, território, identidade e colonialidade, a partir das vivências e saberes das convidadas.
Transmitido ao vivo dia 20 de outubro de 2025, às 19h30 (horário de Brasília), no canal do YouTube do INCT Caleidoscópio, a proposta do encontro é abrir um espaço de escuta e reflexão sobre as múltiplas formas de violência que atingem pessoas indígenas, em especial mulheres e pessoas LGBTQIA+.
Para mediar a conversa, receberemos Jaqueline Kambiwá, Iãkatu Tupinambá, Jay Tupinambá e Nicole Mendes: pessoas indígenas com trajetórias marcadas pela luta, resistência e afirmação de identidades diversas.
On-line e gratuito, sua participação é muito bem-vinda para fortalecer este diálogo necessário e urgente.
O curso oferece certificado de 60 horas aos participantes cadastrados previamente, com frequência contabilizada por meio de formulário assinados nos encontros. Contamos com a sua presença para dar continuidade a este ciclo de aprendizados e formação política!
Salve a prévia no YouTube e receba notificação: 6º Encontro Violência de Gênero e Sexualidade contra pessoas indígenas l curso Rede Arandu
Sobre o curso de extensão
Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater a compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, que convida a audiência a expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!
Isso é feito a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, que buscam aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade, abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.
Assista os encontros anteriores no canal do INCT Caleidoscópio: Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo
O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.
Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.
Todos os encontros do curso estão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta.
Sobre a rede Arandu
A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.
O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.
A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.
Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.
Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade
A iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo.
Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.
Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu. Uma realização do INCT Caleidoscópio – Coordenação Centro-Oeste, por meio da Rede Arandu.