Rede Arandu participa da reunião com o Alto Comissário das Nações Unidas na Casa da ONU em Brasília

Rede Arandu participa da reunião com o Alto Comissário das Nações Unidas na Casa da ONU em Brasília

Autoria: Yasmim cruz.

No dia 15 de outubro de 2025, a Casa da ONU em Brasília sediou uma reunião com o Representante do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na América do Sul (ACNUDH), Jan Jarab, no contexto de sua visita oficial ao Brasil.

A atividade integrou a agenda de compromissos voltados à promoção e ao acompanhamento das recomendações internacionais de direitos humanos no país, com ênfase na situação dos povos indígenas e defensores de direitos territoriais.

O Projeto Rede Arandu participou do encontro na condição de representante da comunidade acadêmica, contribuindo para o fortalecimento do diálogo entre organismos internacionais, sociedade civil e instituições de ensino e pesquisa. A reunião configurou-se como um espaço de ouvidoria e escuta ativa de lideranças indígenas, entre elas representantes dos povos Tupinambá e Tumbalalá, acerca de temas como demarcação de terras e direitos territoriais.

Durante a sessão, o Representante Jan Jarab destacou a necessidade de consolidar no Brasil mecanismos nacionais permanentes de monitoramento e relato de recomendações internacionais. O debate evidenciou que a ausência de efetividade em tais mecanismos contribui para a persistência de conflitos locais e violações de direitos fundamentais, especialmente em contextos de disputa fundiária e de projetos econômicos que impactam diretamente comunidades tradicionais.

A participação da Rede Arandu nesse espaço reafirmou o papel estratégico da comunidade acadêmica como agente de mediação entre saberes tradicionais e conhecimento científico, promovendo análises críticas sobre políticas públicas e contribuindo para o acompanhamento técnico e documental das demandas apresentadas por povos indígenas.

Além disso, reforçou a importância de a universidade participar ativamente de processos de cooperação internacional em direitos humanos, tanto como observadora quanto como produtora de conhecimento voltado à formulação e à avaliação de políticas inclusivas.

Violência de gênero e sexualidade contra pessoas indígenas é o tema do sexto encontro curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” no dia 20/10

Violência de gênero e sexualidade contra pessoas indígenas é o tema do sexto encontro curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” no dia 20/10

O sexto encontro do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” tem como tema violência de gênero e sexualidade contra pessoas indígenas, na qual serão abordadas as intersecções entre corpo, território, identidade e colonialidade, a partir das vivências e saberes das convidadas.

Transmitido ao vivo dia 20 de outubro de 2025, às 19h30 (horário de Brasília), no canal do YouTube do INCT Caleidoscópio, a proposta do encontro é abrir um espaço de escuta e reflexão sobre as múltiplas formas de violência que atingem pessoas indígenas, em especial mulheres e pessoas LGBTQIA+. 

Para mediar a conversa, receberemos Jaqueline KambiwáIãkatu TupinambáJay Tupinambá e Nicole Mendes: pessoas indígenas com trajetórias marcadas pela luta, resistência e afirmação de identidades diversas.

On-line e gratuito, sua participação é muito bem-vinda para fortalecer este diálogo necessário e urgente.

O curso oferece certificado de 60 horas aos participantes cadastrados previamente, com frequência contabilizada por meio de formulário assinados nos encontros. Contamos com a sua presença para dar continuidade a este ciclo de aprendizados e formação política!

Salve a prévia no YouTube e receba notificação: 6º Encontro Violência de Gênero e Sexualidade contra pessoas indígenas l curso Rede Arandu

Sobre o curso de extensão

Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater a compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, que convida a audiência a expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!

Isso é feito a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, que buscam aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade, abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.

Assista os encontros anteriores no canal do INCT Caleidoscópio: Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.

Todos os encontros do curso estão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta.

Sobre a rede Arandu

A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.

O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

A iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu. Uma realização do INCT Caleidoscópio – Coordenação Centro-Oeste, por meio da Rede Arandu. 

Saberes Indígenas trans e travesti é o tema do 5º encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo

Saberes Indígenas trans e travesti é o tema do 5º encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo

Saberes Indígenas trans e travesti é o tema do quinto encontro do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo”. O encontro será transmitido ao vivo no dia 15 de setembro, às 19h30 (horário de Brasília), no canal do YouTube do INCT Caleidoscópio.

Nesta edição, vamos discutir as trajetórias e perspectivas de pessoas indígenas trans e travestis, explorando as intersecções entre identidades de gênero, sexualidade e ancestralidade dentro dos contextos culturais tradicionais dos povos originários.

Com mediação de Azzy Melo, integrante da Rede Arandu, participam da mesa: 

  • Kiga Boe – Indígena do povo Boe (Bororo), da aldeia Meruri. Designer, Mestra em Antropologia Social e Doutoranda em Antropologia Social. Co-fundadora do Coletivo Tybyra.
  • Naktamañã Kuparaka Macedo – Mulher trans indígena do povo Pataxó, advogada e membra da comissão permanente de direitos humanos da OAB São Paulo. Mestranda em Humanidades Direitos e outras Legitimidades pela USP.
  • Andrya Kiga Pradago – Mulher Cerradeira indígena trans do povo Boe Bororo, universitária do curso de pedagogia e Técnico Administrativo Educacional da Escola Estadual Indígena Sagrado Coração de Jesus.
  • Dían B. S. de Oliveira – Indígena do povo Arapiun, trans masculino, antropólogo e poeta. Pesquisa crises climáticas e interseccionalidade de raça, gênero e sexualidade.

O curso oferece certificado de 60 horas aos participantes cadastrados, com frequência contabilizada por meio de formulário assinados nos encontros. Contamos com a sua presença para dar continuidade a este ciclo de aprendizados e formação política!

Salve a prévia no YouTube e receba notificação: 5º Encontro Saberes Indígenas Trans e Travesti l curso de extensão Rede Arandu

Sobre o curso de extensão

Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater a compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, que convida a audiência a expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!

Isso é feito a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, que buscam aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade, abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.

Assista os encontros anteriores no canal do INCT Caleidoscópio: Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.

Todos os encontros do curso estão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta.

Leia também: Terceiro encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo tem como tema "Mulheres Indígenas Fazendo Política": veja como assistir ao vivo

Sobre a rede Arandu

A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.

O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

A iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu. Uma realização do INCT Caleidoscópio – Coordenação Centro-Oeste, por meio da Rede Arandu.

4º encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo traz o tema “Colonização e Sexualidades Indígenas” no ciclo de aprendizados

4º encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo traz o tema “Colonização e Sexualidades Indígenas” no ciclo de aprendizados

Com o tema Colonização e Sexualidades Indígenas, o quarto encontro do ciclo de palestras do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” fará um dialogo sobre como a colonização estruturou e ainda estrutura dinâmicas de poder, agência, resistência e convivência ligadas às vivências e expressões da sexualidade entre povos e pessoas indígenas.

A transmissão ao vivo ocorrerá no dia 18 de agosto às 19:30 horas (horário de Brasília) pelo canal do YouTube do INCT Caleidoscópio. Com mediação da Amanda Ferreira, pós-doutoranda em Relações Internacionais pela PUC-Rio e integrante da Rede Arandu, a mesa é composta por:

    • Estevão Fernandes - antropólogo e professor da Universidade Federal de Rondônia, pós-doutor pela Brown University (EUA) e autor de Gay Indians in Brazil e Descolonizando Sexualidades.
    • Danilo Tupinikim - assessor Internacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), co-fundador do Coletivo TYBYRA, cientista político pela UnB e pesquisador do Instituto de Políticas Relacionais.
    • Bárbara Arisi - professora visitante no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFBA, com ampla trajetória acadêmica internacional, pós-doutora em Antropologia Social pela UFSC, ex-professora da UNILA e ex-diretora do Instituto Latino-Americano de Artes, Cultura e História (ILAACH).

Contamos com a sua presença para dar continuidade a este ciclo de aprendizados e formação política!

Salve a prévia no YouTube e receba notificação: 4º Encontro: Colonização e Sexualidades Indígenas

Sobre o curso de extensão

Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater a compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, que convida a audiência a expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!

Isso é feito a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, que buscam aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade, abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.

Assista os encontros anteriores no canal do INCT Caleidoscópio: Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.

Todos os encontros do curso estão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta.

Leia também: Terceiro encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo tem como tema "Mulheres Indígenas Fazendo Política": veja como assistir ao vivo

Sobre a rede Arandu

A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.

O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

A iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.

Ocupando as Relações Internacionais em Rede na conferência ENABRI25: pela reconstrução política do conhecimento

Ocupando as Relações Internacionais em Rede na conferência ENABRI25: pela reconstrução política do conhecimento

Autoria: Amanda Ferreira, Tchella Maso, Xaman Korai Minillo, Yara Martinelli e Matheus Silveira.

A participação da Rede Arandu na conferência internacional ENABRI25 – Desenvolvimento e Diplomacia no Sul Global, realizada entre os dias 21 e 24 de julho de 2025 no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI/USP), representou um marco na afirmação de metodologias colaborativas, éticas e interseccionais de pesquisa junto a povos indígenas, com ênfase nas experiências e mobilizações de pessoas indígenas LGBTQIAPN+.

A presença da Arandu na conferência se deu por meio de uma mesa-redonda, três painéis temáticos e um minicurso nos quais integrantes da Rede compartilharam resultados de pesquisa, reflexões teóricas e propostas políticas, em diálogo direto com os desafios contemporâneos da governança global e do desenvolvimento sustentável desde o Sul Global.

A mesa-redonda intitulada “De territórios e globalidades: A Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidades” reuniu pesquisadoras e pesquisadores da Arandu para apresentar a trajetória da Rede, desde sua criação em diálogo com o Ministério dos Povos Indígenas até os desdobramentos atuais em diferentes frentes de atuação. A abertura do encontro resgatou o percurso coletivo e os princípios que sustentam a Rede, como a construção de metodologias ético-políticas de pesquisa fundamentadas na escuta, no acompanhamento e na coautoria com povos indígenas, em especial com o movimento indígena LGBTQIAPN+.

Ao longo da roda, foram compartilhadas experiências de articulação entre pesquisa, incidência em políticas públicas e práticas de cuidado, como o mapeamento bibliográfico, o desenvolvimento do protocolo ético, o projeto Tecendo Direitos e o programa Bem Viver Mais. Também se refletiu sobre as contribuições epistemológicas da Arandu para o campo das Relações Internacionais, enfatizando a necessidade de ocupar esse espaço com corpos, vozes e saberes insurgentes.

A apresentação foi concluída com uma mostra visual das ações da Rede, reafirmando seu caráter colaborativo, transdisciplinar e comprometido com a transformação social e epistêmica. O compartilhamento das experiências e reflexões ao longo da mesa foi fundamental para reforçar a necessidade de continuar a repensar as Relações Internacionais e a presença e protagonismo dos povos indígenas, além que a descolonização do pensamento não deve ser vista apenas enquanto escolha teórica, mas como postura ética, política e existencial.

Nos painéis temáticos, a Rede aprofundou o debate sobre a presença e a resistência de pessoas indígenas LGBTQIAPN+ nos espaços políticos e acadêmicos. Em “Ser dissidente no cu do mundo: Insubordinações de gênero no Brasil, fracassos das Relações Internacionais”, Tchella Maso (UnB) e Xaman Korai Minillo (UFPB) apresentaram a comunicação “Cúir do Queer: o movimento indígena LGBTQIAPN+ no Brasil”, propondo uma reflexão crítica sobre os limites disciplinares das Relações Internacionais diante das experiências de dissidência de gênero e sexualidade em contextos indígenas. Sebastian Henao, a partir da escuta junto ao JUIND, apresentou as experiências do território Guarani e Kaiowá na comunicação “JUIND e Bem Viver+: Relato de acompanhamento das ações do programa junto ao coletivo da Juventude Indígena da Diversidade Guarani e Kaiowá”.

No painel “Corpo-território e resistência: Gênero, interseccionalidade e lutas no Sul Global”, a apresentação de Yara Martinelli (UnB), Líndice Tavares (UFPB) e Flávia Belmont (PUC-Rio) discutiram os resultados preliminares de um mapeamento internacional das políticas públicas voltadas às populações Indígenas LGBTQIAPN+. A comunicação “Interseccionalidade, Políticas Públicas e Populações Indígenas LGBTQIAPN+: um mapeamento crítico de desaĮos e possibilidades de governança” abordou os desafios institucionais, os silêncios normativos e as potencialidades de construção de estratégias interseccionais de governança que incorporem as demandas desses coletivos de forma transversal e participativa.

Já no painel “Caminhos coletivos para saberes entrelaçados” apresentou o processo de construção coletiva dos fundamentos éticos e metodológicos da atuação da Rede. Giorgio Cristofani (Fiocruz) e Xaman Minillo aprofundaram reflexões críticas sobre o papel do acompanhamento e da devolutiva como prática epistemológica e política. Com base nas experiências acumuladas pela Arandu, argumentaram que a produção de conhecimento junto a povos indígenas LGBTQIAPN+ requer o abandono de métodos extrativistas e a adoção de posturas baseadas na reciprocidade, no cuidado e na co-autoria. Refletiram, também, sobre o papel dos espaços acadêmicos na luta pela justiça social e epistêmica.

Por fim, o minicurso “Metodologias Queer” foi ministrado por Amanda Ferreira (PUC Rio), membro da Rede Arandu, e Rica Prata (PUC Rio). Abordando teorias queer de maneira interdisciplinar, o minicurso objetivou ressaltar os vieses políticos no debate epistemológico e metodológico da disciplina de Relações Internacionais e apresentar aos diversos pesquisadoras e pesquisadores na audiência instrumentos para uma pesquisa crítica, ética e posicionada.

Alguns pontos debatidos foram: o apagamento dos processos de colonização, bem como da construção histórico-política do gênero, na disciplina de Relações Internacionais; a busca por métodos que utilizem objetos não-convencionais e que observem o político no que é tomado como natural; a relevância da radicalidade e do engajamento político na pesquisa queer; a reflexão sobre a posição do cientista na condução da pesquisa.

A participação da Arandu no ENABRI25 reafirmou a centralidade das epistemologias indígenas na produção de alternativas à política global dominante. Ao trazer para o centro do debate os corpos-territórios silenciados pelas lógicas coloniais e heteronormativas da academia e da diplomacia internacional, a Rede contribuiu para reconfigurar os horizontes da justiça climática, da soberania epistêmica e da própria noção de desenvolvimento. Em aliança com o movimento Indígena LGBTQIAPN+, a Arandu segue entrelaçando saberes e fortalecendo práticas políticas que visam à transformação das estruturas da ordem global a partir dos territórios e das margens.

 Foto: Divulgação Rede Arandu.