Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

"Nós Somos - Tybyras do Brasil" é um programa que traz trajetórias políticas e ecoa vozes que estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.

"Nós somos.

Assim começa o Manifesto Indígena LGBTQIAP+, lançado em 2024. Uma afirmação, um coletivo, um verbo. Desde então, temos nos aproximado de pessoas e coletivos que desobedecem os sentidos coloniais sobre corpo, gênero e desejo. Seguimos para escutar múltiplos corpos-território, cada qual com seu modo de existir, lutar e reinventar o mundo.

Este é o podcast da Rede Arandu, um momento para escutar com calma e compartilhar caminhos com pessoas indígenas, e refletir sobre gênero e sexualidade. Aqui, conversamos sobre histórias, lutas e modos de existir que resistem a mais de 500 anos de violência."

E assim começa o episódio de abertura da primeira temporada do podcast "Nós Somos - Tybyras do Brasil", uma iniciativa da Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

Com narração de Ramona Jucá, o primeiro episódio apresenta os fundamentos da série e seu posicionamento político: constituir um espaço de escuta, encontro e circulação de saberes sobre gênero, sexualidade e existência indígena, a partir das vozes de pessoas indígenas LGBTQIAPN+. Entre território, corpo e ancestralidade, é construído o ponto de partida de uma série que nasce do diálogo entre pesquisa, ativismo e vida.

O programa é composto por uma série de entrevistas gravadas com participantes do Acampamento Terra Livre, presentes no ano de 2025. A cada episódio é evidenciado trajetórias políticas, disputas por direitos e a afirmação de múltiplas formas de existência. Ao dar visibilidade a essas vozes, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.

"Aqui, você vai entender o que é a Rede Arandu e como ela atua; de onde surge este podcast e quais caminhos ele percorre; porque escutar vozes indígenas LGBTQIAPN+ é urgente hoje. Este é um episódio-manifesto. Um começo que apresenta, convoca e abre caminhos.", diz Ramona em sua narração de abertura.

A iniciativa integra as ações da Rede Arandu, vinculada à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, que articula pesquisa, políticas públicas e movimentos sociais, com enfoque nas interseccionalidades de gênero, sexualidade, raça e etnia.

"O que fazemos é aproximar Estado, universidade e movimentos sociais para fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Nosso trabalho se apoia numa perspectiva interseccional, olhando com cuidado para as vivências e diversidades de gênero e sexualidade.", complementa Ramona em seu discurso.

O programa conta com oito episódios e está disponível nas plataformas de streaming Spotify e YouTube. Ouça o primeiro episódio pelo link abaixo!

Ouça a série completa pelo clicando aqui.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.

Coletivo Tybyra em parceria com Rede Arandu lança cartilha de (in)formação do Movimento Indígena no Acampamento Terra Livre 2026

Coletivo Tybyra em parceria com Rede Arandu lança cartilha de (in)formação do Movimento Indígena no Acampamento Terra Livre 2026

A fim de abordar o que nunca te contaram sobre a luta e a resistência pelos direitos dos povos indígenas, a cartilha intitulada "Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado!" contribui com formação, informação e diálogo dentro do Movimento Indígena, trazendo reflexões sobre a importância de reconhecer e respeitar as existências indígenas LGBTQIA+ como parte legítima dos povos, territórios e processos de organização.

A cartilha foi lançada durante o Acampamento Terra Livre 2026, a maior mobilização indígena do Brasil, que ocorreu entre os dias 5 e 11 de abril, em Brasília (DF). Em sua 22ª edição, a mais ampla assembleia indígena do país teve como tema "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós". A temática traz à tona a luta para garantir os direitos territoriais frente à ganância das grandes empresas, que insistem em invadir e explorar as últimas fronteiras da natureza preservada no mundo. Isso sem consultá-los e consultá-las, sem retribuir e sem respeitar a soberania dos povos.

Deste modo, o debate esteve centrado em demarcação e a proteção de Terras Indígenas; nos ataques do Congresso Nacional aos direitos indígenas e as Eleições Gerais de 2026; na luta pelo aldeamento da política, conectando mobilização territorial e participação institucional; entre outras atividades, encontros e trocas.

A Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, integrante do Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, participou da mobilização no âmbito da agenda “Territórios Indígenas LGBTQIA+, mapeamento de coletivos e existências diversas”. A rede também esteve presente na reunião interministerial com coletivos indígenas LGBTQIA+, contribuindo para a escuta qualificada, a articulação institucional e a sistematização de demandas dos territórios junto a ministérios.

E colaborou no lançamento da pesquisa “Territórios Indígenas LGBTQIA+”, com apoio do Coletivo Tybyra, iniciativa voltada ao mapeamento de coletivos, organizações e existências diversas, fortalecendo a produção de conhecimento a partir dos territórios.

Nesta seara, as atividades reforçam a centralidade das vozes indígenas LGBTQIA+ na construção de políticas públicas e na articulação em rede, evidenciando a importância de reconhecer a diversidade de corpos, identidades e experiências indígenas.

Ao longo da programação, a Rede Arandu seguiu contribuindo com outras atividades, fortalecendo a incidência política em torno das desigualdades interseccionais de gênero, sexualidade e raça.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, Coletivo Tybyra
Foto: Arquivo Rede Arandu no ATL 2026.

Sobre a cartilha Coletivo Tybyra

A cartilha foi distribuída ao longo dos dias de evento no Acampamento Tera Livre. E está disponível em versão digital e impressa nos links abaixo para livre circulação!

Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado! - versão digital

Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado! - versão para impressão

No material informativo e formativo, você poderá ler sobre quem foi Tybyra; sobre o Coletivo Tybyra; sobre a importância da luta indígena LGBTQIAPN+; sobre quais são as bandeiras de luta; sobre as ações e conquistas do coletivo; e explicação de como essa luta é de todos e todas os(as) parentes ao justificar que direitos das pessoas indígenas LGBTQIA+ não é uma pauta secundária ou fragmentada da luta indígena; e, por fim, orintações descritivas de como fortalecer a caminhada e dados de contatos.

A apresentação da cartilha destaca:

Olá parente, hoje viemos aqui abordar o que nunca te contaram sobre a luta e a resistência pelos direitos dos povos indígenas. Essa cartilha nasce para fortalecer o diálogo dentro do Movimento Indígena brasileiro e também junto aos movimentos e organizações LGBTQIA+ no Brasil.

Além disso, este material tem como objetivo contribuir com a formação, a informação e o diálogo dentro do Movimento Indígena, trazendo reflexões sobre a importância de reconhecer e respeitar as existências indígenas LGBTQIA+ como parte legítima de nossos povos, territórios e processos de organização. Não se trata de criar divisões, mas de fortalecer a unidade do Movimento Indígena a partir do reconhecimento das realidades que atravessam nossos corpos e nossas comunidades.

A existência indígena LGBTQIA+ não é algo recente ou externo às nossas culturas. Ela é ancestral e sempre esteve presente em diferentes povos, mesmo que muitas vezes tenha sido invisibilizada pelos impactos do colonialismo, da imposição de moralidades e das violências estruturais que seguem atuando até hoje. Reconhecer essa diversidade é também reconhecer a história viva de nossos povos.

Entendemos que este processo de aprendizado é algo contínuo, pois advém de um contexto histórico de violência e violações de direitos aos povos indígenas, dessa forma, nos fortalecermos é fundamental para que possamos prevenir violências, promoção do respeito mútuo e da construção de espaços mais seguros para todos os parentes.

Ao compartilhar informações, experiências e reflexões, buscamos fortalecer a organização coletiva e ampliar a compreensão de que a defesa da vida indígena passa pelo reconhecimento da pluralidade de identidades existentes em nossos territórios. Seguimos firmes na luta por direitos, território, dignidade e Bem Viver para todos os povos indígenas.

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Rede Arandu realiza grupos de apoio psicossocial com o Coletivo Miriãmahsã em Manaus (AM) em parceria com a OIM

Rede Arandu realiza grupos de apoio psicossocial com o Coletivo Miriãmahsã em Manaus (AM) em parceria com a OIM

Escrito por: Júlia Machado Dias, Deborah Gonçalves Martins, Thaís Desana

Entre os dias 17 e 19 de abril de 2026, foram realizadas atividades com membros do Coletivo Indígena LGBTQIA+ Miriãmahsã. O objetivo da atividade era dialogar a respeito da saúde mental e promoção do bem viver, entendendo mais de perto as vivências na cidade de Manaus, os desafios no acesso à direitos e políticas públicas, além das estratégias de fortalecimento mútuo.

Realizadas no Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, chamou atenção a participação constante de Durvalino Desana. Especialista em cura do Alto Rio Negro e kumu no Centro, ele é também pai de Thais Desana, uma das fundadoras do Coletivo. Um dos incentivadores da formação do coletivo, “seu” Durvalino ouviu atentamente as falas e se mostrou um forte apoiador, que estimula ainda o crescimento e continuidade do Miriãmahsã.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, Coletivo Miriãmahsã
Foto: Arquivo Rede Arandu.

As ações foram realizadas em parceria com a OIM - Agência das Nações Unidas para a Migração, através do projeto MPTF que visa proteger e promover os direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas na Amazônia Legal brasileira. Implementada por várias agências da ONU em parceria com instituições governamentais e organizações indígenas, o foco principal é garantir direitos básicos por meio de ações integradas. O projeto também fortalece a participação das comunidades indígenas e trabalha em colaboração com autoridades locais para definir áreas prioritárias de atuação.

Foram momentos muito bonitos e sensíveis, em que arte apareceu como ferramenta de apoio para abordar temas sensíveis de luto e violências. Ao mesmo tempo em que o racismo e a LGBTQIA+fobia marcam as vivências na capital do Amazonas, a existência do coletivo fortalece a todes que o constroem. Nesse sentido, os encontros são momentos de sonhar e construir futuros melhores para si e para seus povos, de pintar e ser pintado de jenipapo com grafismos indígenas, de rir e se divertirem juntes.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, Coletivo Miriãmahsã
Foto: Arquivo Rede Arandu.
1º Formação em Direitos Humanos, Justiça Climática e Incidência política para Indígenas LGBTQIA+: relato de experiência

1º Formação em Direitos Humanos, Justiça Climática e Incidência política para Indígenas LGBTQIA+: relato de experiência

Escrito por: Alessandra Prates.

Nos dias 09, 10 e 11 de fevereiro à Rede Arandu foi convidada pelo coletivo Tybyra, o primeiro coletivo indígena lgbtqia + do Brasil (mais informações em @indigenaslgbt), para a 1º Formação em Direitos Humanos, Justiça Climática e Incidência política para Indígenas LGBTQIA+, na cidade de Belo Horizonte/Minas Gerais. O evento foi realizado no espaço da Cellos (Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais), organização da sociedade civil afiliada a ABGLT que luta pelos direitos e promoção da cidadania da população LGBTQIA+ de Minas Gerais.

Nessa formação, a Rede Arandu esteve presente tanto no apoio à construção pedagógica — realizada pela integrante da rede e pesquisadora Júlia Machado Dias — quanto na composição do painel “Justiça Climática e Racismo Ambiental”, ministrado pela coordenadora da rede, Tchella Maso, e pela integrante e pesquisadora Yara Martinelli, com mediação da co-coordenadora Alessandra Prates.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu
Imagem: André Guajajara.

A oficina foi um momento de construir pensamentos e tensionar perspectivas sobre gênero, sexualidades, justiça climática e  acima de tudo de como refletir sobre todos esses processos sendo um corpo-território indígena LGBTQIA+ nessa temática da justiça climática e espaços que negociam essas ações. 

Destaca a presença das pesquisadoras e psicólogas, que compõem o grupo de trabalho de saúde mental da Rede Arandu, Deborah Gonçalves e Aléxia Makuxi que ministraram uma oficina sobre saúde mental com a proposta de criar um fluxograma que atenda de maneira mais adequada os corpos indígenas LGBTQIA+ nos serviços de prevenção e cuidado da vida.

Destacamos ainda, a presença da Deputada Célia Xakriabá (PSOL), que possibilitou a partir de emenda parlamentar a implementação dessa formação para mais de 25 lideranças indígenas LGBTQIA+ do Brasil e seus respectivos coletivos: Coletivo Caboclas, Coletivo Xique-xique, Coletivo JUIND, Coletivo Miriã Mahsã, Instituto Ipakéy, Coletivo Apaîé e Coletivo Indígena LGBTQIA+ Kaingang.

Ainda presentes, a Coordenadora de Políticas para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos e pesquisadora Indígenas e pesquisadora da Rede Arandu Alane Baré, o Coordenador de Direitos Sociais do Ministério dos Povos Indígenas Niotxarú Pataxó, o representante da Organização para Migração das Nações Unidas, Felipe Wunder, a assessora da deputada Duda Salabert, Mallu Almeida,  Alcineide Piratapuya (ACNUDH e Mentoranda no Kuntari Katu), Amanda Alvares Ferreira (VIRTUAL) (Rede Arandu. Doutora em Relações Internacionais), Estevão Fernandes (VIRTUAL) (Rede Arandu. Autor do livro “Existe Índio Gay? A Colonização das Sexualidades Indígenas no Brasil), Rodrigo Deodato (ACNUDH), Alessandro Mariano (Coletivo LGBTQIA+ da Via Campesina), Carlos Magno (Cellos MG).

Também estiveram presentes a coordenadora de Políticas para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas e pesquisadora da Rede Arandu, Alane Baré; o coordenador de Direitos Sociais do Ministério dos Povos Indígenas, Niotxarú Pataxó; o representante da Organização Internacional para as Migrações (OIM/ONU), Felipe Wunder; a assessora da deputada Duda Salabert, Mallu Almeida; Alcineide Piratapuya (ACNUDH e mentoranda no Kuntari Katu); Amanda Alvares Ferreira (participação virtual), integrante da Rede Arandu e doutora em Relações Internacionais; Estevão Fernandes (participação virtual), integrante da Rede Arandu e autor do livro “Existe Índio Gay? A Colonização das Sexualidades Indígenas no Brasil”; Rodrigo Deodato (ACNUDH); Alessandro Mariano (Coletivo LGBTQIA+ da Via Campesina); e Carlos Magno (Cellos MG).

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu
Imagem: André Guajajara.

Ao final da formação se criou uma carta política dos coletivos indígenas LGBTQIA+, fruto do primeiro curso de formação em direitos humanos e justiça climática para lideranças indígenas LGBTQIA+, disponível no link: <https://midiaindigena.com.br/destaques/12/02/2026/carta-politica-de-coletivos-indigenas-lgbtqia-reivindica-protecao-a-vida-e-articulacao-nacional/>.

Rede Arandu participa do encontro “Corpos, LGBT e Povos Indígenas” realizado pela Mídia Indígena em parceria com a Casa Maraká

Rede Arandu participa do encontro “Corpos, LGBT e Povos Indígenas” realizado pela Mídia Indígena em parceria com a Casa Maraká

O encontro “Corpos, LGBT e Povos Indígenas”, realizado pela Mídia Indígena em parceria com a Casa Maraká, discutiu a trajetória e a importância do movimento indígena LGBTQIA+ e o fortalecimento do movimento com líderes que estiveram a frente e vem conduzindo o movimento, em especial no Coletivo Tibira e na recém-criada Coordenadoria Nĩtcharu, que busca construir políticas públicas diretamente nos territórios.

Em que, se discutiu sobre os seminários que foram realizados nos territórios fortalecendo pessoas indígenas LGBTQIA+ e contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas para esse público.

Representado por Danilo Tupiniquim, integrante da APIB membro do Tibira o coletivo. apresentou sua história, indicando uma inspiração no movimentos de mulheres indígenas, e destacou a necessidade de articular direitos e combater violências que afetam de forma desproporcional pessoas LGBTQIA+ dos povos da floresta, das águas e do campo.

Foram debatidos dados alarmantes de violações, a urgência de protocolos de enfrentamento, a ampliação das casas de acolhimento da sociedade civil, e iniciativas como o Programa Bem Viver+ e o Empodera+ e o Tecendo Direitos, voltados ao acolhimento, geração de renda e construção de projetos de vida.

O encontro também tratou da participação de referências indígenas LGBTQIA+ em espaços de decisão, da demarcação de territórios incluindo menção à previsão de demarcações na COP 30 e do papel do turismo e da representatividade, culminando na preparação para no fazer de seminários nacionais.