Conheça a Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

Conheça a Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

Arandu nasceu em meados de 2024, a partir do diálogo com a Coordenadoria de Política para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas, com o objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas voltadas aos povos indígenas, desde uma perspectiva interseccional e transversal. Isso significa reconhecer e articular as vivências e experiências marcadas por gênero, sexualidade, raça e etnia.

A Arandu nasce do compromisso de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais, por meio do que Rita Laura Segato definiu como uma antropologia por demanda — ou seja, um modo de produzir conhecimento a partir das necessidades expressas pelas próprias pessoas, coletivos e instituições envolvidas — com foco na melhoria da qualidade de vida desde a perspectiva de quem protagoniza as lutas por direitos.

Arandu é uma palavra indígena guarani que carrega em si o sentido profundo da sabedoria ancestral. É conhecimento vivo, construído na escuta, no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos. É esse o espírito que guia a nossa rede: cultivar saberes compartilhados, enraizados no respeito, na diversidade e na luta por futuros mais justos, plurais e comunitários.

Leia também: Curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” estreia no dia 26 de maio com transmissão ao vivo e 8 meses de duração

A rede integra o INCT Caleidoscópio - Nucleação Centro-Oeste e compartilha de seus objetivos estratégicos. No contexto da Arandu, esses objetivos ganham forma a partir de ações voltadas às realidades dos povos indígenas, com foco na diversidade de gênero e sexualidade:

1️⃣ Observatório de indicadores de violências e vulnerabilidades voltado ao monitoramento de situações que afetam mulheres indígenas e indígenas LGBTQIA+ no contexto acadêmico e em seus territórios, contribuindo com dados para o enfrentamento dessas violências.

2️⃣ Desenvolvimento de tecnologias sociais e de comunicação que sirvam como instrumentos de fortalecimento comunitário e subsídios para políticas públicas interseccionais, especialmente voltadas a pessoas indígenas em situação de vulnerabilidade por razões de gênero, sexualidade, raça e etnia.

3️⃣ Incubar projetos reunindo pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, da pós-graduação ao ensino médio, na Incubadora do INCT Caleidoscópio, a fim de aprofundar a relação entre universidade e sociedade na produção de conhecimento situado e coletivo.

4️⃣ Promoção de ações de transferência de conhecimento e divulgação científica, com linguagem acessível e intercultural, voltadas à valorização das trajetórias indígenas e à sensibilização de futuras gerações sobre a importância da diversidade nos espaços de produção de saber.

Nos orientamos por uma ética comprometida com os povos indígenas, inspirada na metodologia proposta por Linda Tuhiwai Smith. Nosso compromisso é com a construção de um conhecimento engajado, dialógico e propositivo, como propõe Patricia Hill Collins, voltado para a justiça social e a pluralidade das formas de existir e resistir.

Leia também: Rede Arandu na Etapa Sul do Seminário Regional de Consulta do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+

Para nos apresentar de forma mais ampliada, produzimos uma apostila que descreve quem somos, as atividades de um coletivo indígena LGBTQIAPN+, os coletivos nacionais e internacionais, um mapeamento de políticas públicas para estes grupos, e o protocolo seguido pela rede Arandu para realizar pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil.

Dada a responsabilidade ética envolvida na realização de pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil, a rede Arandu, em colaboração com ativistas e pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, produziu de forma coletiva e colaborativa um protocolo ético de atuação para conduzir as atividades da rede. Acesse nossa apostila e conheça mais sobre as nossas ações clicando aqui.

Outra produção de impacto da rede Arandu é uma cartilha de título Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: Um lugar na mesa de negociaçãoEsta cartilha tem como objetivo explicar por que e como as pessoas indígenas que vivenciam o gênero e a sexualidade de modos não-normativos são importantes nas negociações do clima. Para isso, é abordado a relação entre os direitos humanos e a emergência climática; as negociações sobre clima e da COP30 no Brasil; as lutas indígenas LGBTQIAPN+ em interface com a política climática, e a política climática brasileira.

Essa cartilha foi elaborada de forma colaborativa por diversos grupos e coletivos comprometidos com a produção e a difusão de conhecimentos interdisciplinares e interseccionais. Participaram da sua construção a Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa: Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade; Brasília Research Center – Rede Earth System Governance; o Coletivo TYBYRA; o Grupo de Pesquisa em Relações Internacionais e Meio Ambiente (GERIMA-UFRGS); e o INCT Caleidoscópio – Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

Acesse a cartilha clicando no link a seguir: Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: Um lugar na mesa de negociação

Nossa equipe

A rede Arandu é composta por um grupo diverso de pesquisadores e ativistas, indígenas e não-indígenas, de diversas instituições do Brasil: professores, doutores, mestrandos e estudantes de graduação. Conheça nossa equipe:

Tchella Maso - Universidade de Brasília (NUGRAD- Núcleo de Pesquisa sobre Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional/ Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global).

Xaman Minillo - Universidade Federal da Paraíba - UFPB (Departamento de Relações Internacionais, Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais - PPGCPRI).

Amanda Ferreira - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC Rio (Instituto de Relações Internacionais - IRI).

Líndice Beatriz Tavares de Souza - graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba.

Alessandra Prates Barreras Carriero - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Doutoranda (PGDR), Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global, Relações Internacionais e Meio Ambiente.

Azzy Melo de Sousa - Especialista em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca ENSP (FIOCRUZ / RJ) e Mestranda em Antropologia (UFC / UNILAB) e Grupo de Pesquisa sobre Povos Indígenas (UNILAB-CE).

Flávia Belmont - Doutora pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC Rio e membro do NUGRAD - Núcleo de Pesquisa sobre Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional, vinculado à Universidade Federal de Uberlândia.

Nicholas Ian do Nascimento Pedroso - graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba.

Júlia Machado Dias - Mestra em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Especialista em Políticas Públicas de Gênero para América Latina e Caribe pelo Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (CLACSO), Consultora do Ministério dos Povos Indígenas.

Danilo Tupinikim - Graduado em Ciência Política pela Universidade de Brasília, co-fundador do Coletivo TYBYRA e Assessor Internacional na APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

Katiuscia Moreno Galhera - Professora visitante PPGS- Universidade Federal da Grande Dourados.

Giorgio Garcia Cristofani - Pesquisador em saúde indígena (Fiocruz); Coordenador de Engajamento Comunitário (ISARIC); Mestre em Relações Internacionais (PUC Rio); Núcleo de Pesquisa sobre Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional (NUGRAD); Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global.

Alane Beatriz - indígena Baré, graduanda em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília.

Amanda Cruz - Mestre em Relações Internacionais -PUC Rio (Instituto de Relações Internacionais - IRI).

Kiga Boé - Doutoranda em Antropologia Social na Universidade Federal de Goiás, co-fundadora do Coletivo TYBYRA.

Nickolas Sá - Professor na Universidade Federal de Roraima e doutorando Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC Rio (Instituto de Relações Internacionais - IRI).

Yara Resende Marangoni Martinelli - Assessora de Projetos (ABM); Coordenadora da Câmara Técnica de Políticas Sociais e Combate às Desigualdades do Conselho da Federação; Mestre em Relações Internacionais (UnB); Pesquisadora do Brazilian Research Center do Earth System Governance; Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global.

Sebastián Granda Henao – Professor Visitante no Programa de Pós-Graduação em Fronteiras e Direitos Humanos na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Coordenador do Projeto de Extensão Acolher!, membro do Observatório de Protocolos Comunitários de Consulta Prévia, Livre e Informada e do Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global.

Observatório Caleidoscópio, INOVA UNICAMP e COCEN alinham proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista na Unicamp

Observatório Caleidoscópio, INOVA UNICAMP e COCEN alinham proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista na Unicamp

A Profª. Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio e pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, em conjunto com a Pós-doutoranda Mirlene Simões (INCT/PAGU/CNPq), tem promovido gestões com atores locais na UNICAMP para a promoção de ações referentes à equidade de gênero nas ciências e nas Instituições de Ensino e Pesquisa, com foco nas áreas Tecnológicas em diálogo com as Artes e Humanidades.

Em março deste ano, ambas visitaram à INCAMP, a incubadora de empresa de base tecnológica da UNICAMP, para um primeiro contato e conhecimento das ações da INCAMP. Em Abril, em uma reunião ampliada com a direção da INCAMP, a assessora da COCEN (Coordenadoria de Centro e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa), com representantes do Inova UNICAMP (Agência de Inovação da UNICAMP) e com a coordenação do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, a Profª. Karla Bessa apresentou a proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — especialmente nas áreas de igualdade de gênero (ODS 5), educação de qualidade (ODS 4) e ação climática (ODS 13).

A proposta nasceu da experiência em curso no âmbito do INCT Caleidoscópio, com a Incubadora Social Feminista Antirracista dedicada à formação de mulheres quilombolas nas ciências, que tem coordenação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e se estende para várias outras universidades do Norte, Nordeste e Amazônia legal com ações de monitoramento, formação e produção conjunta de materiais com estudantes quilombolas das respectivas universidades envolvidas.

O foco desta nova incubadora social do INCT Caleidoscópio em Campinas será a formação crítica e tecnológica em Inteligência Artificial (IA), articulada às questões de equidade de gênero e justiça climática, com incentivo ao desenvolvimento de pequenos projetos locais em escolas públicas do entorno da UNICAMP e comunidades adjacentes.

Estiveram presentes na reunião, além da Profª. Dra. Karla Bessa do INCT - Observatório Caleidoscópio, a Mariana Inglez, Coordenadora de Ambientes de Inovação e Empreendedorismo da Inova UNICAMP, o Prof. Dr. Renato Lopes, Diretor Executivo da Inova UNICAMP, a Profª. Dra. Iara Beleli, Coordenadora Associada do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, Vital Yasumaru, Supervisor de Empreendedorismo da INCAMP e a Profª. Dra. Marta Cristina Teixeira Duarte, Assessora da Coordenadoria de Centro e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN-UNICAMP) e a Mirlene Simões, Pós-Doc do INCT - Observatório Caleidoscópio.

Foram discutidos os possíveis caminhos para a institucionalização e início das atividades da Incubadora Social Feminista na Unicamp, com possível parceria com outros setores da Unicamp e com o LEGH da Universidade Federal de Santa Catarina, que já faz parte da coordenação do Observatório Caleidoscópio.

Rede Arandu na Etapa Sul do Seminário Regional de Consulta do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+

Rede Arandu na Etapa Sul do Seminário Regional de Consulta do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+

Autoria: Alane Bare

bolsita de IC do INCT Caleidoscópio.

Entre os dias 15 e 18 de maio, ocorreu em Porto Alegre (RS) a Etapa Sul do Seminário Regional de Consulta do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+. O evento foi sediado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com apoio da Alessandra Prates, integrante da rede colaborativa de pesquisa Arandu e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR).

Os seminários de Consulta estão sendo realizados em diversas regiões do Brasil, e contam com o apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Centro de Referência Indígena do Rio Grande do Sul, do Centro Interdisciplinar Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (CISADE), do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), do Coletivo Tybyra e do INCT Caleidoscópio.

Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, vinculada ao INCT Caleidoscópio, teve um papel fundamental desde a primeira etapa do seminário, especialmente na relatoria. Nesta edição, a equipe da Rede participou ativamente das oficinas temáticas, organizadas em cinco eixos: território e violência, empregabilidade e renda, saúde, educação e cultura. Além disso, foi responsável pela sistematização das propostas de metas para ações de auto-organização nos estados.

O diálogo em torno dos eixos temáticos foi essencial e valorizou profundamente a regionalidade e as experiências de vida dos participantes. A maioria dos participantes eram dos povos Kaingang e Xokleng, com destaque também para a presença da Cacica Kerexu Guarani, do povo Guarani Mbya. Como nas demais etapas, as discussões foram conduzidas por perguntas norteadoras que facilitaram o debate e promoveram um ambiente acolhedor e respeitoso.

Entre os temas mais urgentes abordados, destacou-se a necessidade de espaços de acolhimento para indígenas LGBTQIA+ que enfrentam expulsão de suas aldeias ou se encontram sob ameaça, correndo risco à integridade física. Também foi apontada a urgência de políticas públicas de assistência financeira para estudantes LGBTQIA+ vítimas de homofobia que desejam cursar o Ensino Superior. Sugeriu-se, ainda, a criação de casas de acolhimento que ofereçam, além de abrigo, oportunidades de inserção no mercado de trabalho, com acesso a cursos profissionalizantes, seminários e palestras.

Outro ponto fundamental foi a busca por parcerias institucionais para viabilizar recursos e investimentos, bem como a elaboração de conteúdos de capacitação sobre a realidade dos indígenas LGBTQIA+. Essa formação é necessária para professores que atuam nas aldeias, lideranças indígenas, jovens e todos os profissionais que pretendem trabalhar em territórios indígenas. A importância do apoio psicológico também foi reiterada como um dos pilares para garantir dignidade e bem-estar aos que optam por se assumir dentro ou fora de suas comunidades.

A Etapa Sul do Tecendo Direitos contou com a presença de diversas lideranças e autoridades, como Niotxaru Pataxó (Coordenador de Políticas Públicas LGBTQIA+ do MPI), Cacica Kerexu TakuaDanilo Tupinikim (APIB e Coletivo Tybyra), Samantha Terena (Coletivo Tybyra), Maria Inês (FUNAI), Fabian Domingues (CISADE), Maísa (SESAI), Gabriela (DSEI Porto Alegre), e jovens lideranças como Vitor Moconan (povo Xokleng) e Kronūn Kaingang (povo Kaingang).

Rede Arandu na Etapa Sul do Seminário Regional de Consulta do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+. INCT Caleidoscópio.
Foto: Alessandra Prates - Rede Arandu.

INCT Caleidoscópio segue contribuindo com a relatoria dos Seminários Regionais, com o objetivo de colaborar de forma minuciosa para a formulação de políticas públicas voltadas à proteção e valorização de indígenas LGBTQIA+ em todo o país. Este terceiro encontro possibilitou à Rede Arandu um entendimento mais aprofundado das realidades dos povos originários da Região Sul, fortalecendo o diálogo dentro e fora da Rede, e ampliando os horizontes para a construção de estratégias e caminhos efetivos. A participação ativa da Rede durante o evento foi essencial para apoiar os jovens indígenas nos debates, na organização de ideias e no alinhamento de propostas, promovendo uma escuta atenta às múltiplas vivências tanto dentro quanto fora das comunidades.

Foi, sem dúvida, uma experiência marcante, repleta de aprendizados e reflexões fundamentais. Momentos de descontração também fizeram parte dos dias do encontro, criando um espaço seguro onde os participantes puderam compartilhar suas dores, expectativas e esperanças — como os casos de aceitação familiar e apoio recebido em ambientes escolares e universitários. Embora o racismo ainda persista como realidade dolorosa, foi a partir do apoio mútuo que muitos encontraram forças para reivindicar seus direitos e ocupar espaços de dignidade.

Ainda há muito a ser analisado quanto à realidade de indígenas LGBTQIA+, especialmente no que diz respeito à articulação entre suas vivências dentro das aldeias e fora delas. Diversos cenários, relatos e experiências compartilhadas ao longo do seminário foram fundamentais para embasar propostas concretas de políticas públicas voltadas à segurança, inclusão e respeito.

A pavimentação desse caminho pode ser desafiadora e longa, mas é absolutamente necessária para assegurar o bem-viver de todas as pessoas indígenas LGBTQIA+ — agora e no futuro.

Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste E Amazônia Legal implementa programa de extensão “Tecnologias sociais para a promoção da equidade racial, de gênero em comunidades quilombolas” em parceria com a UFBA

Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste E Amazônia Legal implementa programa de extensão “Tecnologias sociais para a promoção da equidade racial, de gênero em comunidades quilombolas” em parceria com a UFBA

A Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio começa a partir do mês de maio o programa de extensão “Tecnologias sociais para a promoção da equidade racial, de gênero em comunidades quilombolas”. A ação foi aprovada via Programa de Pós-graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo – PPGNEIM, através do edital conjunto da PROEXT-PG-UFBA 01/2024 - PRPPG-PROEXT.

O programa de extensão é coordenado pela profa. Dra. Silvia Lúcia Ferreira (UFBA) e tem como objetivo promover a equidade de gênero e raça, com a construção e aplicação de tecnologias sociais que sejam contextualmente relevantes e cognitivamente transformadoras e sustentáveis ao longo do tempo, através do engajamento colaborativo entre a universidade e a comunidade quilombola do Vale do Paraguaçu, localizada no Recôncavo Baiano.

A proposta será desenvolvida com atividades extensionistas formativas, em parceria com a educação básica, especialmente o ensino médio, por meio da articulação entre estudantes da pós-graduação do PPGNEIM, professoras quilombolas e estudantes da comunidade quilombola do Vale do Paraguaçu, com apoio do Diretor de EEQ, Alan Prazeres.

Com duração de 21 meses, pretende-se gerar impactos sociais e econômicos nas trajetórias formativas das meninas e mulheres quilombolas da escola quilombola da comunidade do Vale do Paraguaçu, de modo a contribuir com a equidade de gênero e raça, por meio da elaboração de tecnologias sociais, com vistas a garantir a difusão na comunidade.

A equipe de trabalho é composta por Silvia Lúcia Ferreira, Sandra Maria Cerqueira da Silva, Cloves Luiz Pereira Oliveira, docentes do PPGNEIM, Milena Freitas Machado, pesquisadora de pós-doutorado Júnior (PDJ- INCT), Ianna França Oliveira, bolsista de extensão. Este programa também articula outros Programas de Pós-Graduação que fazem parte da Incubadora, o Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PGENF), representado pela estudante de Doutorado Eliana do Sacramento de Almeida, professora da Universidade Estadual da Bahia (UNEB).

Esta articulação entre academia e comunidade/escola para o desenvolvimento de ações em uma perspectiva interdisciplinar que estimule a apropriação local das práticas, conhecimentos e metodologias representa mais uma “materialização” desta Incubadora Social, no âmbito da UFBA em torno de uma proposta efetiva.

Curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” estreia no dia 26 de maio com transmissão ao vivo e 8 meses de duração

Curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” estreia no dia 26 de maio com transmissão ao vivo e 8 meses de duração

No dia 26 de maio, inicia o ciclo de palestras “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo”, uma série de encontros mensais com transmissão ao vivo às 19:30 horas pelo canal do YouTube do INCT Caleidoscópio.

O curso de extensão tem como propósito central ampliar os espaços de reflexão sobre as epistemologias indígenas e suas perspectivas sobre corpo, gênero e sexualidade. A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são fundamentais para descolonizar o conhecimento acadêmico e ampliar a visibilidade dessas cosmologias e compreensões sobre as diversas formas de existência e de relação no mundo. Assim, a formação pretende criar um espaço de escuta, troca e formação que aprofunde reflexões e colaborações no campo de pesquisa sobre Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, ao mesmo tempo em que abre espaço e promove o reconhecimento de saberes outros na academia e na sociedade.

Alinhado a esse propósito, o curso tem como objetivos criar um espaço de escuta, troca e formação com pessoas – acadêmicas e não acadêmicas, de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação – que contribuam para aprofundar as reflexões e colaborações no campo de Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade; promover o contato entre a comunidade discente e docente com a literatura existente sobre o campo de Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, fomentando novas perguntas e perspectivas; estimular a criação de redes e produções a partir dos encontros; e debater como as lentes de gênero e sexualidade permitem analisar questões particulares aos temas propostos para cada palestra, como políticas públicas e territórios, saúde, colonização, arte e performance, espiritualidade, entre outros.

Deste modo, o curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

A iniciativa da rede Arandu (Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade) irá propor mesas-redondas e palestras abertas ao público, com o objetivo de aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade. Abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas, os encontros virtuais e gratuitos têm início em maio e se estendem até o mês de dezembro.

A programação começa com o tema “Direitos Indígenas, Políticas Públicas, Território”, que contará com a participação de Niotxarú Pataxó, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI); Gualoy Guarani e Kaiowá, da JUIND (Juventude Indígena da Diversidade Guarani Kaiowá) no dia 26 de maio. O segundo encontro está previsto para o dia 23 de junho e abordará o tema “Sexualidades Indígenas”. Em breve, serão anunciados mais detalhes da programação deste e dos demais encontros.

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Ao incentivar o questionamento de paradigmas eurocêntricos e heteronormativos que ainda prevalecem na academia e na sociedade, a iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. Com uma programação diversa e aberta, o curso pretende fortalecer redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia. Todos os encontros serão disponibilizados no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, ampliando o alcance e o impacto da proposta. Durante o curso síncrono, um formulário online será disponibilizado para registro de presença e emissão de certificado.

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