I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

A abertura do evento contou com a participação de Joana Nunes, Coordenadora-Geral de Bioeconomia e Ciências Exatas, Humanas e Sociais do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação; Andreza Xavier, Diretora da Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres; Maria Emília Walter, Decana de Pesquisa e Inovação da UnB; e Deborah Santos, Secretária de Direitos Humanos da UnB.

Por: Inara Fonseca.

Na última semana, de 29 a 31 de outubro, o Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), recebeu cerca de 200 pesquisadoras de distintas áreas do conhecimento, para compartilhar pesquisas científicas e pensar estratégias voltadas à promoção da equidade, diversidade e inclusão de gênero e étnico-racial nas ciências. Ao todo, estiveram representadas 13 universidades brasileiras e quatro internacionais nas mesas de debate e conferências do evento, com participação de pesquisadoras da Argentina e do Uruguai. Além disso, a solenidade de abertura contou com a presença da Coordenadora-Geral de Bioeconomia e Ciências Exatas, Humanas e Sociais do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação, Joana Nunes; da Diretora da Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Andreza Xavier; da Decana de Pesquisa e Inovação da UnB, Maria Emília Walter; e da Secretária de Direitos Humanos da UnB, Deborah Santos.

“Foi um primeiro encontro presencial com praticamente todas as participantes do INCT Caleidoscópio, reunindo as integrantes do Comitê Gestor, as nossas seis pós-doutorandas, bolsistas de Iniciação Científica e Apoio Técnico  e com presença de  muitas pesquisadoras integrantes das nucleações do Observatório Caleidoscópio (coordenação Sul/Sudeste) e da Incubadora Norte-Nordeste e Amazônia Legal. Também foi um momento importante de apresentação, às nossas parceiras internacionais, do trabalho ramificado e denso realizado pelo INCT Caleidoscópio, em suas várias pesquisas em andamento e reflexões sobre o que precisamos avançar para os próximos anos”, explicou Karla Bessa (Unicamp), vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio. 

Espaços horizontais de diálogo e de fortalecimento também marcaram a programação do I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio. O Painéis de Redes, onde ocorreram comunicações integradas de redes de pesquisa, foi um espaço privilegiado de aprendizado e internacionalização, devido ao alinhamento entre os temas de investigação dos grupos de pesquisa e a experiência das pesquisadoras envolvidas. Já o Conversatório possibilitou a integração e a troca entre estudantes, pesquisadores e ativistas. Durante o Conservatório foi possível ouvir: 1) os desafios de estudantes quilombolas e indígenas de inclusão e de pertencimento no âmbito da Universidade de Brasília; 2) uma representante do Ministério das Mulheres sobre a luta do Ministério para ter orçamento próprio e, com isso, fomentar o debate sobre equidade e diversidade; 3) o desafio de exercer um mandato político e ser uma pessoa LGBTQIA+, visto que ainda há ainda muito preconceito.

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

Mulheres e resistência nas ciências marca primeiro dia

A resistência das mulheres nas ciências foi o foco dos debates no primeiro dia de evento. “Mesmo tendo ocupado número significativo de vagas no crescimento das universidades depois da reforma universitária de 1970, as mulheres estiveram à margem dos recursos do sistema de ciência e tecnologia e dos cargos de poder e representação acadêmica até recentemente”, ponderou a professora Miriam Pillar Grossi (UFSC) durante a primeira conferência. 

Já na primeira mesa de debate do dia, composta por pós-doutorandas do INCT Caleidoscópio, Zizele Ferreira (UFCG) falou sobre os desafios para acesso e permanência de mulheres quilombolas nas ciências. Na segunda mesa, pesquisadoras dos Núcleos Feministas do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) mostraram como as pesquisas com perspectiva de gênero colaboraram para criação de políticas públicas para mulheres e população LGBTQIA+ e, por conseguinte, conquista de direitos. 

“A primeira Delegacia de Atendimento Especial à Mulher de Brasília, em 1986, surgiu com a atuação do NEPeM (Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Mulheres - UNB). O NEPeM participou durante muito tempo do Conselho Distrital do Direito da Mulher, colaborando na construção de políticas públicas e cursos de capacitação”, explicou Ela Wiecko (UnB). 

Além disso, no período da tarde, ocorreram seis comunicações simultâneas com distintos temas relativos à gênero, ciência e violências. Confira mais sobre o primeiro dia, clicando aqui

Teorias e práticas antirracistas na universidade marcam segundo dia de evento

No segundo dia evento, as iniquidades raciais no sistema de ensino superior brasileiro foram o alvo do debate. A ideia do discurso como vetor de transformação para luta contra o racismo na Universidade foi apresentada pela pesquisadora Glenda Cristina Valim de Melo (UNIRIO). 

“bell hooks vai dizer que nós fazemos das nossas palavras uma fala contra-hegemônica liberando nós mesmos da linguagem. Isso é importante porque é nessa circulação de textos, de narrativas, de discursos que nós podemos contar outras narrativas que sejam mais justas e coloquem a população negra como produtora de conhecimento e como aquela que deve estar na universidade sim. É preciso repetir essa narrativa até que ela fissure o pensamento racista que ocupa as universidades, de que esse é um espaço que não pertence a população negra”, analisou a pesquisadora.

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Ainda foi falado sobre epistemologias negras, desafios para as mulheres quilombolas mães permanecerem na universidade e para a valorização do conhecimento indígena no espaço acadêmico. 

“O saber indígena, profundamente enraizado na relação com a terra, nas práticas comunitárias e na espiritualidade, oferece uma compreensão holística da vida e do universo que contrasta com a fragmentação do conhecimento ocidental. A presença de epistemologias indígenas na universidade vai além da inclusão de novos conteúdos curriculares. Ela desafia as bases epistemológicas da própria academia, exigindo uma reconfiguração das práticas pedagógicas e dos paradigmas de pesquisa”, explica Altaci Kokama (Altaci Rubim), da UnB.

Desafios para permanência do debate de gênero nas ciências marca último dia

No Brasil, um dos sintomas da crise do sistema de ensino superior remete à questão da equidade de gênero, raça e classe na universidade pública tanto como estudante, quanto como pesquisador e docente. Com o crescimento de políticas públicas focalizadas temos visto um discreto aumento da diversidade do corpo docente e discente das instituições, no entanto, as estatísticas ainda são desanimadoras.

Conforme apresentou a pesquisadora Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio, durante mesa no último dia do seminário, embora o censo do Ensino Superior de 2023 (INEP) tenha divulgado números que informam sobre uma presença cada vez maior das mulheres no Ensino (58,4% das matrículas) e Pesquisa universitários, uma análise mais ampliada sobre onde estão inseridas essas mulheres (79,4% em cursos de graduação de IES privadas e maioria no modo EAD) e a seletiva participação delas nas universidades públicas, concentradas em áreas como Saúde e Humanidades, revelam que além de haver um desafio para inserção das mulheres junto  às áreas de exatas e tecnológicas (STEM), há questões sociais e étnico-raciais que impedem de celebrar esse aparente avanço. O baixo índice de 22%  de pessoas de 25 a 35 anos com um curso superior no país, indica que há um  longo caminho para uma conquista efetiva de equidade e inclusão nas ciências. Além disso, a professora destacou também a necessidade da revisão nas hierarquias do conhecimento e no modelo neoliberal e mercantil de pensar o ensino e a pesquisa no país. 

Os dados apresentados por Bessa demonstram o encontro do racismo e do machismo operando nas estruturas da educação brasileira, fato que também foi  denunciado durante o ano de 2024 dentro dos espaços preparatórios para 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação - 5ª CNCTI.

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio tem três dias de debate visando a promoção de equidade de gênero e étnico-racial nas ciências

As pesquisas científicas apresentadas pelas pesquisadoras durante os três dias de Seminário reforçam a necessidade da criação de um espaço e de uma agenda permanente para o debate de gênero, raça e demais iniquidades dentro das ciências, para compreensão de como essas desigualdades influenciam na construção do conhecimento e quais as possibilidades para superação desse cenário, reforçando a importância das ações desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio, como reforça Viviane Resende (Unb), coordenadora do INCT Caleidoscópio. 

“O evento propiciou diálogo entre experiências diversas na universidade, olhares para a equidade nas ciências a partir de diferentes disciplinas, áreas, epistemologias. As pessoas presentes tiveram então uma rica oportunidade para repensar seus fazeres e alinhar suas lutas. Poder enxergar experiências concretas e modos de compreensão a partir de diferentes experiências, instituições, lugares pode provocar novos modos de ação e articulações. Esperamos poder também provocar gestoras e gestores de políticas públicas em ciência e tecnologia ao chamar atenção para o tema da equidade nas ciências”, pontua Resende.

Conferência sobre resistência das mulheres nas ciências abre o I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio

Conferência sobre resistência das mulheres nas ciências abre o I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio

Por Inara Fonseca

A programação do I Seminário do INCT Caleidoscópio e VIII Práticas Socioculturais e Discursos foi aberta, nesta terça-feira (29/10), com a conferência “Agenda de gênero no campo científico brasileiro: pesquisas, movimentos sociais e políticas públicas de C&T”, apresentada pela professora Miriam Pillar Grossi.

Grossi apresentou uma panorama histórico da luta das mulheres cientistas para inserção no campo científico. “Mesmo tendo ocupado número significativo de vagas no crescimento das universidades depois da reforma universitária de 1970, as mulheres estiveram à margem dos recursos do sistema de ciência e tecnologia e dos cargos de poder e representação acadêmica até recentemente”, ponderou a professora. 

A conferência também trouxe algumas políticas públicas de Educação, Ciência e Tecnologia dos governos Lula e Dilma (2002-2016), consolidadas em programas como Gênero e Ciências (promovido pela Secretaria de Políticas para Mulheres e CNPq); abordou o "apagão" nos governos Temer e Bolsonaro (2016-2022) e analisou o impacto das lutas de movimentos feministas de mulheres cientistas como  a RBMC (Rede Brasileira de Mulheres na Ciência) e o PIS (Parent in Science) nas políticas atuais da CAPES e CNPq e nas proposições aprovadas na 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Antes da fala de Miriam Grossi, houve um momento de solenidade com presença da Decana de Pesquisa e Inovação da UnB, Maria Emília Walter; da Secretária de Direitos Humanos da UnB, Deborah Santos; da Coordenadora-Geral de Bioeconomia e Ciências Exatas, Humanas e Sociais do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação, Joana Nunes; e da Diretora da Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Andreza Xavier.

Mesa 1 traz panorama de pesquisas de pós-doutorandas do INCT Caleidoscópio

Após a conferência, na Mesa 1, composta por pós-doutorandas do INCT Caleidoscópio, as pesquisadoras Inara Fonseca, Morgani Guzzo e Zizele Ferreira apresentaram importantes reflexões sobre as conquistas e desafios do Instituto desde sua criação. Durante a Mesa, foi abordado sobre a construção da política de comunicação científica para o Caleidoscópio, com as estratégias e os desafios para um posicionamento feminista, amefricano e anticapitalista no modo de fazer comunicação científica; sobre como as ações do Observatório Sul-Sudeste do INCT Caleidoscópio têm possibilitado conhecer e aprofundar diversos aspectos que, historicamente, mantém a iniquidade de gênero nas ciências; e sobre pesquisa que investiga as trajetórias formativas de mulheres quilombolas e as violências interseccionais enfrentadas ao longo de suas jornadas acadêmicas na Universidade Federal de Campina Grande - Campus CDSA, em Sumé-PB.

“A Beleza é um Método”, com a frase de Christina Sharpe, Zizele Ferreira anunciou a estratégia encontrada para transformar as dores que atravessam as mulheres quilombolas entrevistadas (e dela própria enquanto uma mulher cientista negra) em poesia.

Comunicações simultâneas

No período da tarde, ocorreram seis comunicações simultâneas com distintos temas relativos à gênero, ciência e violências. Coordenadora da Comunicação Simultânea 4 -  Políticas, Gênero e Sexualidade, Morgani Guzzo contou como as apresentações foram produtivas e potentes, pensando como as questões de gênero têm sido instrumentalizadas e distorcidas pelo campo conservador como estratégia de retrocesso dos direitos conquistados, criação de pânicos morais e desinformação.

“Dialogamos sobre estratégias de resistência diante desse cenário em que políticos atuam como influencers e as políticas públicas são constantemente ameaçadas em diversos âmbitos, tanto políticos institucionais quanto no imaginário social, disputado através da mobilização das emoções em plataformas de mídia digitais em um país que, cada vez mais, se vê confrontado com a desinformação e a disseminação de valores antidemocráticos”, completa.

Mesa 2 encerra com Núcleos Feministas do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM)

O primeiro dia do evento encerrou com mesa que reuniu o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS), o Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Mulheres (NEPeM) e o Núcleo de Estudos de Diversidade Sexual e de Gênero (NEDIG), do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) da Universidade de Brasília, o primeiro centro de estudos avançados do Brasil, fundado em 1986.

Durante a mesa foi apresentado: 1) o contexto de criação do Núcleo de Estudos e de Pesquisas sobre Mulheres, vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares (CEAM), em 1986, e seu impacto na construção de políticas públicas focalizadas para mulheres em sua pluralidade; 2) o trabalho que o Núcleo de Estudos sobre Diversidade Sexual e de Gênero - NEDIG/CEAM/UnB vem desenvolvendo para a produção de saberes através de uma perspectiva de pesquisa-ação que envolve, sobretudo, a comunidade LGBTI+ da UnB, os movimentos sociais, a rede de proteção a pessoas LGBTI+ no DF; 3) o trabalho do NELiS dentro da área dos estudos das linguagens frente a um contexto de ascensão de um discurso conservador, do aumento dos discursos de ódio e de polarização política.

Conferência sobre resistência das mulheres nas ciências abre o I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio propõe discutir os avanços conquistados pelo INCT ao debater pesquisas em andamento

O INCT Caleidoscópio é o primeiro instituto nacional de ciência e tecnologia com foco em estudos feministas no Brasil. Reúne grupos de pesquisa de 24 instituições de educação superior do país, a partir de uma perspectiva feminista, antirracista e interseccional, e é organizado em nucleações que abrangem as cinco regiões, visando contribuir para redução das violências e desigualdades que marcam a vida das mulheres nas ciências, por meio da implantação de observatórios, incubadoras sociais e de sua política de divulgação e transferência de conhecimentos. 

Realizado no âmbito do VIII Seminário Práticas Socioculturais e Discurso, o I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio propõe discutir os avanços conquistados pelo INCT e debater pesquisas em andamento. Para tanto, contamos com o aceite de convidadas/os vinculadas/os a 13 universidades federais e quatro internacionais.  

O evento propõe debates sobre mulheres na ciência, em relações interdisciplinares e perspectivas interseccionais, possibilitando a emergência e a consolidação de grupos de pesquisa multidisciplinares em torno de temáticas afins. Esse objetivo permitirá construir espaços acadêmicos interdisciplinares que contribuam para o estudo e a explanação de processos sócio-discursivos ligados a políticas e direitos, fortalecendo as redes já constituídas em torno dessas temáticas, fomentando relações acadêmicas entre redes.

Para esse objetivo geral colaboram os seguintes objetivos específicos:

  • Fortalecer espaços de diálogo acadêmico que favoreçam formas de construção e apropriação de conhecimento, conduzindo ao desvelamento crítico de processos sociais fundamentais no escopo da temática estratégica de mulheres na ciência. 
  • Discutir direitos sociais e sua garantia, em perspectivas interseccionais, decoloniais e antirracistas.
  • Garantir formas de participação e diálogo entre pesquisadores/as, formuladores/as de políticas públicas, movimentos sociais comprometidos/as com os estudos sobre políticas e direitos, nos campos das ciências humanas e sociais, e em espaços interdisciplinares voltados ao debate de discurso e gênero e de equidade na ciência.
  • Promover o desenvolvimento e a ampliação de tecnologias sociais capazes de fazer frente a questões sociais de longa duração.

Para inscrever-se e conhecer a programação, acesse https://www.even3.com.br/i-seminario-internacional-do-inct-caleidoscopio/

Veja como participar do Seminário “Mulheres Quilombolas nas Ciências: Posse do Conselho e Assinatura do Termo de Compromisso Cidadão com a CONAQ”

Veja como participar do Seminário “Mulheres Quilombolas nas Ciências: Posse do Conselho e Assinatura do Termo de Compromisso Cidadão com a CONAQ”

A Incubadora Social Feminista Antirracista Norte-Nordeste e Amazônia Legal, do INCT Caleidoscópio, realizará o Seminário "Mulheres Quilombolas nas Ciências: Posse do Conselho e Assinatura do Termo de Compromisso Cidadão com a CONAQ”. O evento acontece nesta quarta-feira (07/08), das 9h às 12h, e será transmitido pelo canal do INCT Caleidoscópio no youtube.

O evento será um marco na integração e fortalecimento de redes de apoio à inclusão de mulheres quilombolas nas ciências. O seminário começará com uma Mesa Solene mediada pela Profa. Dra. Silvia Ferreira e contará com a presença de autoridades acadêmicas e políticas, incluindo Dra. Ana Cristina Santos (MCTI), Prof. Fernando Schramm (UFCG), Profa. Dra. Viviane Rezende (UNB), Profa. Dra. Givânia Maria da Silva (CONAQ), além das coordenadoras da Incubadora, Profa. Dra. Silvia Ferreira e Profa. Dra. Dolores Galindo.

Além disso, ocorrerá também a assinatura do Termo de Compromisso Cidadão entre a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). Este termo formaliza um compromisso mútuo para promover atividades de ensino, pesquisa, extensão e transferência de tecnologias sociais, resultado de um trabalho colaborativo entre as partes. O objetivo é fortalecer as ações voltadas para as comunidades quilombolas, respeitando os princípios de colaboração e equidade. A assinatura será realizada pela advogada e Ma. Naryanne Ramos, Profa. Dra. Givânia Maria da Silva (ambas da Conaq) e pelas coordenadoras da Incubadora, Profa. Dra. Dolores Galindo e Profa. Dra. Silvia Ferreira. O documento é um marco na parceria entre a Incubadora e a CONAQ, refletindo o empenho em promover avanços significativos na integração das comunidades quilombolas no campo da ciência e tecnologia, sobretudo, do ponto de vista de uma política cidadã, ética.

Participe e acompanhe ao vivo pelo link: https://www.youtube.com/@INCTCaleidoscopio

Lançamento do site da Incubadora

A Incubadora Social Feminista Antirracista Norte-Nordeste e Amazônia Legal lançará seu novo site, que será o ponto central para acessar informações sobre a Incubadora, sua missão, equipe, projetos em andamento, produtos em desenvolvimento, eventos e parcerias. A nova plataforma destaca as atividades e conquistas da Incubadora, promovendo maior visibilidade e comunicação com a sociedade.

Conheça o site da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte-Nordeste.

Lançamento do Programa de Podcast “Mulheres Quilombolas nas Ciências: de quilombola para quilombola”

O seminário também marcará o lançamento do Podcast da Incubadora, que destaca as contribuições das mulheres quilombolas para as ciências. Vinculado ao projeto de pesquisa "Mulheres Quilombolas nas Ciências: Políticas de Permanência nas Universidades e Produção de Subjetividades", o podcast é conduzido pela Advogada Ma. Naryanne Ramos e está disponível no Spotify e YouTube. Cada episódio, com duração média de 25 a 30 minutos, apresentará entrevistas com intelectuais negras quilombolas, discutindo suas pesquisas, trajetórias e produções acadêmicas.

Conheça o Podcast Mulheres Quilombolas nas Ciências

Posse do Conselho Universidades Sociedade

Durante o seminário, será realizada a posse do primeiro Conselho da Incubadora, o Conselho Universidades-Sociedade, que inclui representantes de várias regiões do mundo. O Conselho Universidades-Sociedade será composto por 7 mulheres e 6 homens, refletindo um esforço para alcançar a equidade de gênero. Na América Latina, os membros são Anny Ocoró Loango, da Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, Argentina; Paula Andrea Lenguita, da Universidade de Buenos Aires (UBA), Argentina; Débora de Fina Gonzalez, da Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Playa Ancha (UPLA), Chile; Jaileila de Araujo Menezes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil; e Angela Maria dos Santos, da Faculdade EDUCAREMT, Mato Grosso, Brasil, que é quilombola.

No Brasil, também estão Luiza Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Leonardo Lemos de Souza, da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Da África, Eduardo David Tulo Ndombele, do Instituto Superior de Ciências da Educação do Uíge (ISCED-Uíge), Helena Cosma da Graça Fonseca Veloso, da Universidade Católica de Angola (UAN), ambos de Angola, e Mbiavanga Fernando, do Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED), Luanda. Do Haiti, os membros são Maismy-Mary Fleurant, da Université Publique du Nord-Est à Fort-Liberté (UPNEF), e André Yves Pierre, da Universidade Estadual do Haiti. Da Europa, Hilarino Carlos Rodrigues da Luz, da Universidade NOVA de Lisboa - FCSH, Portugal, também integra o conselho.

Divulgação científica feminista: INCT Caleidoscópio lança três séries de podcasts

Divulgação científica feminista: INCT Caleidoscópio lança três séries de podcasts

Podcasts trazem entrevistas com pesquisadora quilombola, professora de Criminologia da Universidade de Lancaster e professora que atua na ouvidoria da UNESP nos casos de denúncias de assédio.

Por: Inara Fonseca em 13/5/2024

O INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências lança, nesta segunda-feira (13/05), três séries de podcasts com distintos focos no debate sobre mulheres nas ciências. O podcast “Trajetórias feministas de pesquisa”, organizado pela equipe de divulgação científica do INCT Caleidoscópio, é focado nas trajetórias de mulheres cientistas do Brasil e do Mundo. Já o “Mulheres quilombolas nas ciências: de quilombola para quilombola”, idealizado pela Incubadora de Pesquisa Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, apresenta a contribuição das mulheres quilombolas para as ciências. O “Universidade Livre de Assédio”, idealizado pela coordenação Sul-Sudeste do  Observatório Caleidoscópio, traz diálogos entre pesquisadoras que têm pensado, criado e aplicado políticas de enfrentamento às violências e assédios nas universidades e, também, criado ações afirmativas de equidade de gênero, raça e classe na ciência.

Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT-Caleidoscópio, pesquisadora do Núcleo Pagu-Unicamp e uma das responsáveis pelas ações de Divulgação e Popularização Científica do INCT Caleidoscópio destaca a importância da apropriação do podcast para democratização da comunicação. “O formato digital do podcast é um tipo de mídia estreitamente relacionada com uma das mais populares tecnologias de comunicação, o rádio, que se tornou um poderoso veículo de produção, circulação e apropriação de ideias/ideais. No entanto, rapidamente, os rádios tornaram-se conglomerados e o seu potencial democrático foi mercantilizado e trocado pelo lucro. As rádios populares (algumas delas tiveram existência ilegal) foram fundamentais para a retomada da participação mais ampla na produção de conteúdos.  Hoje, temos uma brecha de autonomia política e teórica fundamental com o uso dos podcasts, apesar das muitas capturas por monopólios de plataformas digitais e seus respectivos interesses ideológicos”, pontua.

Bessa também destaca as diferentes maneiras de educação institucional e popular que estão utilizando-se do podcast como forma de se comunicar com a população. “Muitas universidades no Brasil e no Mundo, por exemplo, usam esse dispositivo para estabelecerem um processo mais próximo, horizontal e democrático na produção de debates, informações e, no nosso caso, divulgação de pesquisas, ações e trajetórias acadêmicas que nos permitam estar em diálogo entre nós (feministas, antirracistas, decoloniais e lgbtia+ includentes) e com outras tantas pessoas”, explica. 

De acordo com a pesquisadora, o podcast também retoma algo considerado fundamental para uma perspectiva feminista amefricana, as “rodas de conversa”, os “bate-papos”, os “testemunhos e depoimentos” que marcaram importantes práticas de mobilização feminista. 

“A fala que rompe os tantos silenciamentos aos quais historicamente as meninas, mulheres e pessoas trans foram expostas (e dentre essas, grupos ainda mais alijados de visibilidade nos grandes veículos de comunicação em massa, como mulheres negras das periferias, dos quilombos, das aldeias e comunidades originárias) aliada à escuta atenta, que retém inspirações e alimenta novos imaginários a partir das trocas, faz do dispositivo podcast um importante aliado das nossas lutas por mais equidade, diversidade, possibilidades de dissidências e discordâncias, em bases solidamente democráticas e respeitosas de interação social, em especial, nos ambientes de ensino e pesquisa”, conclui.

O que você vai encontrar nos podcasts?

No primeiro episódio de “Trajetórias feministas de pesquisa”, gravado na Inglaterra enquanto a professora Karla Bessa realizava uma visita técnica ao King´s College em Londres e à Universidade de Lancaster, você vai conhecer sobre o trabalho e vida da Dra. Esmorie Miller, professora de Criminologia na Universidade de Lancaster, que vem desenvolvendo pesquisas com foco na intersecção raça, juventude, gênero e exclusão.

Já no primeiro episódio de “Mulheres quilombolas nas ciências: de quilombola para quilombola”, Naryanne Ramos, quilombola de Vila Bela da Santíssima Trindade (MS) recebe Givânia Maria da Silva. Nascida em Salgueiro (PE), no ano de 1967, Givânia é quilombola, professora, pesquisadora e ativista negra. Sua trajetória inclui a fundação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), onde desempenha um papel fundamental.

Finalmente, no primeiro episódio de “Universidade Livre de Assédio”, as pesquisadoras Joana Maria Pedro e Morgani Guzzo entrevistam a professora, historiadora e ouvidora da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Lídia Maria Vianna Possas. Na entrevista, Lídia fala sobre sua atuação na ouvidoria da UNESP e como começou a atuar mais diretamente nos casos de denúncia de assédio a partir do projeto “Sobrevivência Frente à Violência de Gênero no Espaço Acadêmico", iniciado em 2017.

Para tornar a circulação da informação mais acessível, todos os episódios possuem audiodescrição que está disponível no canal do INCT Caleidoscópio no Youtube. Esperamos que gostem, divulguem, inscrevam-se no nosso canal do YouTube e deixem seus comentários. 

As séries de podcast do INCT Caleidoscópio são apoiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (FUNCAMP). Agradecemos o apoio.