Estão em curso, desde fevereiro de 2026, as “Oficinas de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política” destinadas à estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), ambas de Angola.
A iniciativa integra as ações da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal pelo Observatório Caleidoscópio e da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, realiazdos no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Nucleação é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo. As oficinas são realizadas em articulação com a UAN e a UCAN.
As oficinas possuem coordenação geral da Profa. Dra. Dolores Galindo, docente titular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e coordenadora do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI/UFCG). A condução das atividades está a cargo da Profa. Dra. Helena Veloso, pesquisadora de Pós-Doutorado Júnior do CNPq junto ao INCT Caleidoscópio-UFCG, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (FCS/UAN) e da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (FCH/UCAN).
Como resultado, espera-se compreender as barreiras que atravessam as trajetórias acadêmicas de estudantes africanas e quilombolas, fortalecer estratégias de acolhimento e permanência no ensino superior, promover espaços coletivos de escuta e construção compartilhada de conhecimentos e elaborar, juntamente com as participantes, dois Guias de Orientação para permanência universitária, sendo um destinado às universidades de Angola e outro às brasileiras, construídos a partir das especificidades de cada realidade nacional e voltados ao fortalecimento de políticas e práticas institucionais de permanência.
No Brasil, realizadas quinzenalmente, de forma presencial, no CCBS/UFCG, as oficinas reúnem estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A metodologia adota o roteiro de oficinas em poéticas grupais elaborado pela Profa. Dra. Dolores Galindo, fundamentado na Clínica Política e na fabulação crítica, estruturando cada encontro a partir da definição dos objetivos da oficina, dos pontos-chave a serem trabalhados, da articulação com uma poética artística, da realização de atividades de abertura, da utilização de recursos expressivos, da discussão coletiva e do fechamento da atividade, integrando esses momentos ao desenvolvimento da pesquisa.
Na UFCG, foram realizados, até o momento, cinco encontros com as estudantes africanas e quilombolas, nos quais foram abordados temas como as motivações para adesão ao projeto; deslocamentos relativos ao território, cultura e identidade no contexto universitário; o sentimento de pertencimento e a representatividade, a história gloriosa das populações negras (fundamentada na resistência e na reexistência); a circulação no âmbito do cálculo racial e barreiras à escolarização; as formas individuais e colectivas de lidar com os efeitos do racismo estrutural no seio da universidade; os efeitos da crise climática sobre o percurso acadêmico de mulheres negras; e, por fim, valores africanos, Ubuntu, associativismo e agenciamento entre negras e negros
Em Angola, por meio de encontros síncronos remotos, o projeto contempla ações de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política, em formato on-line e transnacional, com estudantes da UAN e da UCAN, fortalecendo a cooperação científica entre Brasil e Angola. Até o momento, foram realizados três encontros com as estudantes de Angola, nos quais foram abordadas as motivações para vinculação à proposta; os deslocamentos territoriais, culturais e identitários associados ao acesso e a permanência no contexto universitário; a representatividade, o pertencimento e a história gloriosa das populações negras; a circulação segregada, as barreiras às trajectórias formativas de mulheres negras e as formas individuais e colectivas de lidar com as mesmas.
Como resultado, a ação prevê a elaboração de dois guias construídos de forma participativa com as estudantes, destinados a subsidiar instituições de ensino superior na formulação de estratégias e políticas de acolhimento, permanência e equidade voltadas às estudantes africanas e quilombolas.
A proposta parte do reconhecimento de que estudantes africanas, negras, afrodescendentes, quilombolas, enfrentam desigualdades interseccionais produzidas pela intersecção entre racismo, sexismo e colonialidade, fatores que interferem em seus percursos acadêmicos e na permanência no ensino superior. Nesse contexto, as oficinas constituem um espaço de acolhimento, fortalecimento das trajetórias formativas e produção coletiva de estratégias de enfrentamento às desigualdades.
O documento constitui um instrumento jurídico que, de forma ética, política e juridicamente fundamentada, orienta a participação de pessoas quilombolas em ações de extensão, pesquisa e produção de tecnologias sociais desenvolvidas no âmbito da Incubadora Social Feminista Antirracista.
A elaboração do Termo teve como base direta o Termo de Compromisso Cidadão em Ciência, Tecnologia e Sociedade, firmado em agosto de 2024 entre a Incubadora Social Feminista Antirracista/Observatório do INCT Caleidoscópio e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ).
Esse compromisso institui uma parceria estratégica orientada à construção de uma ciência cidadã, comprometida com o bem viver, a autodeterminação dos povos quilombolas e o fortalecimento das trajetórias de mulheres quilombolas nas universidades brasileiras.
Enquanto o Termo de Compromisso estabelece princípios, objetivos e diretrizes gerais da cooperação entre universidade e movimento quilombola — incluindo governança compartilhada, validação comunitária das tecnologias sociais e devolutiva obrigatória dos resultados —, o Termo de Cessão operacionaliza esses princípios no cotidiano das práticas extensionistas. O instrumento define, de maneira clara, as condições de coleta, uso, armazenamento e divulgação de imagens, vozes, narrativas e conhecimentos compartilhados pelas participantes quilombolas.
O Termo assegura o consentimento livre, prévio, informado e de boa-fé, reconhece a natureza coletiva dos conhecimentos quilombolas e proíbe expressamente qualquer forma de apropriação indevida, mercantilização ou descontextualização dos saberes. Também garante o direito de acesso aos materiais produzidos, a possibilidade de revogação da autorização para usos futuros e a apresentação prévia dos resultados às comunidades envolvidas.
Alinhado à Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), à Constituição Federal, à Lei nº 13.123/2015 e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Termo de Cessão reafirma o compromisso do INCT Caleidoscópio com práticas extensionistas eticamente responsáveis, juridicamente seguras e politicamente comprometidas com a justiça social.
Com esse lançamento, o INCT Caleidoscópio e a Incubadora Social Feminista Antirracista consolidam um marco institucional para o trabalho com povos e comunidades quilombolas, fortalecendo uma agenda de pesquisa e extensão ancorada na decolonialidade, na democratização da autoria científica e no reconhecimento dos saberes tradicionais como centrais para a produção do conhecimento.
Nesse sentido, espera-se que o instrumento seja útil para equipes de extensão universitária de todo o país, contribuindo para práticas acadêmicas comprometidas com os direitos coletivos, a participação social e a ética na produção do conhecimento.
Participaram da elaboração do Termo Naryanne Ramos, Vercilene Dias, Dolores Galindo e Zizele Ferreira.
O Termo de Cessão é uma tecnologia social de pertencimento desenvolvida no âmbito da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Este e outros instrumentos jurídicos podem ser acessados clicando aqui!
Assista o vídeo a seguir e entenda mais sobre essa inciativa com a Adv. Ma. Naryanne Cristina Ramos Souza, que durante a XIX Jornada Desigualdades Raciais na Educação Brasileira explica o Termo de Cessão em sua apresentação na temática "Instrumento Jurídicos para uma Ciência Decolonial e Participativa".
O seminário será sediado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e tem como objetivo principal fomentar e consolidar um espaço de debate qualificado entre grupos de pesquisa nacionais e internacionais que integram a Incubadora Social Feminista Antirracista e coordenação Norte Nordeste do Observatório Caleidoscópio — ambos vinculados ao Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências - INCT Caleidoscópio.
O seminário dialoga sobre políticas de inclusão e permanência de mulheres negras e quilombolas nas Ciências, com base nos seguintes objetivos específicos:
a. incentivar a troca de conhecimentos e experiências com vistas ao aprimoramento das pesquisas e políticas públicas de acesso e permanência de mulheres negras e quilombolas nas universidades, com destaque para a Psicologia;
b. estimular as discussões sobre os modos de produção de subjetividades de mulheres negras e quilombolas sobre as experiências cotidianas nas universidades, enfatizando as contribuições da Psicologia em diálogo interdisciplinar;
c. promover o encontro e o estabelecimento de redes de pesquisa entre países de África, Caribe, Haiti e da diáspora africana, voltadas ao incremento de estudos sobre acesso e permanência de mulheres negras e quilombolas nas universidades;
d. incentivar a formação de novas gerações de pesquisadores e pesquisadoras em Psicologia sobre acesso e permanência de mulheres e negras e quilombolas de diferentes unidades da federação e dos países envolvidos numa ambiência acadêmica internacionalizada;
e. contribuir para a implantação e aprimoramento das políticas de ações afirmativas para quilombolas nos programas de pós-graduação em Psicologia, considerando as singularidades dos modos de vida e epistemes quilombolas, bem como as especificidades regionais dos PPGs.
Com transmissão ao vivo do Centro de Humanidades (CH) da UFCG, a programação inclui mesas, painéis, sessões coordenadas de comunicações orais e oficinas, com seu ápice em 5 de dezembro, quando o evento se desloca para a Comunidade Quilombola Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande (PB). No local, será realizada uma Roda Ampliada de Conversação e o encerramento do seminário.
A programação conta com a Poética Artística Negra (Cântico Quilombola) na Solenidade de Abertura, seguida da Conferência de Abertura “Mulheres Quilombolas: territórios, experiências e lutas”. Serão realizadas, ao longo do evento, a Mesa 1 – “Vozes territorializadas de Mulheres Negras e Quilombolas nas Universidades: diálogos territorializados África, Caribe e Brasil”, o Painel 1 – “Cooperação Internacional territorializada para acesso e permanência de mulheres africanas, negras e quilombolas nas universidades” e a Mesa 2 – “Vozes territorializadas de Mulheres Negras e Quilombolas nas universidades: experiências, tensionamentos e contribuições para as Ciências”.
Também integram o cronograma duas Rodas de Conversação — “Mulheres Quilombolas nas Ciências” e “Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências: Políticas de Permanência e Subjetividades” — além das Sessões Coordenadas de Comunicações Orais.
"Este seminário nasce da necessidade de preencher uma lacuna na Psicologia brasileira, promovendo um diálogo essencial sobre as realidades de mulheres negras da África, Caribe, Haiti e mulheres quilombolas nas universidades. É um esforço contínuo para enfrentar as heranças colonialistas, garantir a permanência e a progressão dessas mulheres nas carreiras científicas e, assim, impulsionar políticas afirmativas eficazes e adaptadas às suas especificidades", ressalta a docente titular da UFCG, Dolores Cristina Gomes Galindo, Coordenadora Geral do projeto.
Complementando a perspectiva acadêmica, a voz das comunidades quilombolas será igualmente central no evento.
“Como mulher quilombola da comunidade de Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande (PB), vejo este seminário como um marco essencial. É a chance de fortalecer a presença de mulheres quilombolas nas ciências, trocando experiências e construindo redes que nos impulsionem. Queremos visibilidade e reconhecimento para nossos saberes e trajetórias na academia”, afirma a Profa. Ma. Luciene Tavares, integrante da comunidade quilombola de Caiana dos Crioulos, Alagoa Grande, Paraíba.
As inscrições para ouvintes permanecem abertas até 4 de dezembro, enquanto o prazo para o envio de resumos encerra-se em 24 de novembro de 2025. As normas de submissão e participação estão disponíveis no site oficial do evento, plataforma na qual também podem ser realizadas as inscrições.
O seminário é organizado pela Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pelo Observatório Norte, Nordeste e Amazônia Legal, ambos vinculados ao INCT Caleidoscópio, com coordenação do grupo de pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, da UFCG, e apoio do Programa de Apoio a Eventos no País (PAEP), da CAPES.
Partindo do desdobramento do projeto de pesquisa “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades”, o seminário traz uma contribuição acadêmica e um aprofundamento teórico essenciais para enriquecer as reflexões sobre a centralidade dos territórios e das experiências territorializadas.
A Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal lança edital com duas bolsas PIBIC/CNPq, para mulheres negras (pretas e/ou pardas) e quilombolas, de duração inicial de 12 meses.
Para concorrer a Chamada Pública nº 06/2025 INCT CALEIDOSCÓPIO – Bolsas PIBIC/CNPq, é preciso estar matriculada em Psicologia, Ciências Sociais ou Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), local em que será executada, na Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal – Incubadora Feminista Social Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, sediada na UFCG.
As atividades da bolsa serão realizadas na Incubadora Social Feminista Antirracista, sediada na Universidade Federal de Campina Grande, com carga horária de 12 horas semanais. A supervisão será da pesquisadora responsável Profa. Dra. Viviane de Melo Rezende, locada na sede do INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília (UnB), com supervisão também da Profa. Dra. Dolores Galindo (UFCG).
O evento acontecerá dia 11 de julho de 2025, das 14 às 16:30h, em formato híbrido, presencialmente no Auditório Nilza Garcia na Escola de Enfermagem da UFBA e com transmissão ao vivo pelos canais do Youtube Enfermagem UFBA SSA e INCT Caleidoscópio.
O objetivo desse colóquio é discutir sobre o protagonismo dos Grupos de Pesquisa (GP´s) na promoção do acesso e permanência de mulheres quilombolas nas ciências.
Acreditamos que será uma tarde muito rica e com muito compartilhamento de saberes. Acesse a prévia no canal do YouTube e ative as notificações para não perder!