Inscrições abertas para o terceiro encontro do I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”

Inscrições abertas para o terceiro encontro do I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”

As inscrições são gratuitas e os próximos encontros acontecem entre julho e dezembro.

Estão abertas as inscrições para participação nos próximos encontros do I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”, pelo Observatório Caleidoscópio por meio da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Social Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, ambos no âmbito do INCT Caleidoscópio, em cooperação com a Universidade Agostinho Neto (UAN – Angola) e a Universidade Católica de Angola (UCAN).

Coordenado pelas professoras Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e Helena Veloso, do Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Sociais da UAN e de Pós-Graduação em Consulta Psicológica da UCAN, o ciclo tem como eixo temático a promoção de “Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana”. Essa é uma realização conjunta entre Brasil e Angola, o ciclo é destinado a pesquisadoras(es), estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais, integrantes de movimentos sociais e pessoas interessadas nas temáticas abordadas.

As atividades acontecem entre março e dezembro de 2026 em formato híbrido, com encontros presenciais no Auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (CCBS/UFCG) e com transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo a articulação para as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento. As inscrições podem ser feitas neste formulário.

O primeiro encontro, intitulado “Nós em Rede” Produção Acadêmica de Mulheres Negras na Última Década: Diálogos África e Diáspora Africana (Angola, Brasil e Cuba) aconteceu em março. Já o segundo encontro, Psicologias, migrações e mudanças climáticas: experiências de mulheres negras no Sul Global, ocorreu em maio está disponível aqui.

Neste terceiro seminário, o tema será sobre Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento. Com realização no dia 30 de julho, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola), o encontro está dividido em três momentos:

Liberdade acadêmica afrodiaspórica: As associações de pesquisadores/as afrodescendentes e seu papel nas lutas contra o sexismo e o racismo no campo acadêmico: Profa. Dra. Anny Ocoró Loango – Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.

Tecnologias ancestrais de cuidado em saúde no Território Quilombola de Lagoa Grande para contracolonizar e bem viverTamille dos Santos Ferreira – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI / UFRB)- Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil.

Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas: Profa. Dra. Candida Soares da Costa – Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE-UFMT), Brasil.

Sobre o Ciclo de Seminários Internacionais

O atual Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global, articulando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica entre África, América Latina e Caribe. Os encontros se ancoram em marcos políticos da trajetória de suas lutas, dialogando com datas fundamentais às insurgências de mulheres negras, afrodescendentes e quilombolas: o Dia Internacional da Mulher; o Dia da África; o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha; o Dia Internacional Contra o Tráfico de Mulheres; o Dia Nacional da Consciência Negra; e o Dia Internacional dos Direitos Humanos. 

Nesta direção, a iniciativa resulta de uma cooperação internacional com a Red Internacional de Voces Afrofeministas (RIVAS) e com o Grupo de Trabalho Afrodescendentes Propostas Contrahegemónicas da CLACSO, com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A organização está a cargo do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), em parceria com a Universidade Agostinho Neto (UAN) e a Universidade Católica de Angola (UCAN).

Nacionalmente, articula-se com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis (PPGPsico-UNESP), GEM - Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e com o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA). 

Fabular criticamente, a partir da provocação que nos faz Saidiya Hartman (2008, 2022), permite forjar composições, rompimentos e tensionamentos, os quais excedem ou mesmo extrapolam e transgridem o cálculo racial que atravessa os arquivos lacunares da produção acadêmica em Psicologia e em campos disciplinares com os quais dialogamos, marcados também por formas de epistemicídio discutidos por Sueli Carneiro (2005).

Como nos lembram bell hooks (2019) e Gonzalez (1988), importa criar espaços onde, como pessoas negras, afrodescendentes e quilombolas, a partir dos feminismos negros e africanos (Oyěwùmí, 2011, 2020), interrogamos o “olhar do Outro” e também “olhamos de volta”, umas para as outras, dando nome ao que vemos, sentimos e pesquisamos, em escritas constituídas pela experiência e pela memória coletiva, em movimentos de escrevivência, tal como nos convida Conceição Evaristo (2020), escapando às narrativas de histórias únicas nas ciências (Correia, 2020; Septien, 2022). 

Situamos o presente ciclo internacional de seminários como uma prática de Confabulação Crítica, ou seja, um trabalho coletivo de fabulação que se dá num arquivo necessariamente lacunar da Psicologia, traçando conexões entre Angola e Brasil, refazendo rotas e percursos de mulheres pesquisadoras numa temporalidade que se esboça a partir de corpos atravessados pela diáspora, exílio, refúgio e por comunidades de destino. 

Com atividades realizadas entre março de 2026 e dezembro de 2026 sob a mediação por Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN), os encontros reúnem pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas de países da África, América Latina e Caribe em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. Ao longo da programação, pesquisadoras de Angola, Brasil, Cuba e Argentina apresentam suas pesquisas sobre psicologias, mudanças climáticas, migrações, políticas públicas, cuidado comunitário, linguagens, territorialidades quilombolas e disputas epistemológicas, fortalecendo redes de cooperação científica entre África, América Latina e Caribe.

Esta ação é vinculada aos projetos de pesquisa “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades” (Edital Universal 10/2023; Auxílio: 2751/2025) e “Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção” (Bolsa de Produtividade em Pesquisa CNPq).

Veja como participar

Os encontros acontecem em formato híbrido com transmissões entre Brasil e Angola pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário disponível neste link, também presente na bio do nosso perfil do Instagram @INCTCaleidoscopio.

A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

Confira a programação completa dos próximos encontros

Todos os encontros têm a mediação das professoras doutoras Dolores Galindo e Helena Veloso. A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

Seminário III – Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento

Quando: 30 de julho, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)

Liberdade acadêmica afrodiaspórica: As associações de pesquisadores/as afrodescendentes e seu papel nas lutas contra o sexismo e o racismo no campo acadêmico: Profa. Dra. Anny Ocoró Loango – Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.

Tecnologias ancestrais de cuidado em saúde no Território Quilombola de Lagoa Grande para contracolonizar e bem viverTamille dos Santos Ferreira – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI / UFRB)- Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil.

Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas: Profa. Dra. Candida Soares da Costa – Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE-UFMT), Brasil.

Seminário IV – Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil

Quando: 24 de setembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)

O valor psicológico da palavra mãe na construção da identidade cultural: Profa. Ma. Ana Bela Loureiro – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Angola (FCH-UCAN), Angola.

Psicologia e epistemologias contracoloniais: Profa. Dra. Jaileila de Araújo Menezes – Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil.

PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado: Psic. Mestra Charlene Costa Bandeira – Universidade Federal Fluminense (UFF), Comunidade Quilombola Macanudos- Rio Grande, RS, Brasil.

Seminário V – Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas

Quando: 26 de novembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)

Com o mundo às costas: Stress e identidades sociais nas zungueiras de Luanda: Profa. Dra. Madalena Ramos – Universidade Agostinho Neto (UAN), Angola.

Saberes, corpos-territórios e memórias de uma comunidade quilombola: Mestra Ronilda Bordó de Freitas – Universidade Federal do Pará (UFPA)- Comunidade Quilombola Vila de Umarizal, Baião-PA, Brasil.

Contribuições de mulheres negras para a formação em Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande: Profa. Dra. Diônvera Coelho da Silva, Universidade Federal de Pelotas (UFPEl), Brasil.

Seminário VI – Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil

Quando: 03 de dezembro, 09h (Horário de Brasília); 13h (Horário de Luanda, Angola)

A toponímia de Luanda contemporânea: Profa. Dra. Jeanine da Silveira – Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.

Infâncias negras pelas mãos de Virgínia Bicudo e Conceição Evaristo: Profa. Dra. Luiza Oliveira – Universidade Federal Fluminense (UFF), Brasil.

Zaire é um velho menino: notas para uma pesquisa quilombista em Psicologia: Mestra Luane Pereira Souza Macedo – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Quilombo da Conceição, Bequimão-MA, Brasil.

Psicologia social, relações étnico-raciais e produção de conhecimento: Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus – Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PROFHISTÓRIA/UFRRJ) e Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva da Fundação Oswaldo Cruz (PPGBIOS/FIOCRUZ), Brasil.

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

Estão em curso, desde fevereiro de 2026, as “Oficinas de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política” destinadas à estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), ambas de Angola.

A iniciativa integra as ações da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal pelo Observatório Caleidoscópio e da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, realiazdos no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Nucleação é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo. As oficinas são realizadas em articulação com a UAN e a UCAN.

As oficinas possuem coordenação geral da Profa. Dra. Dolores Galindo, docente titular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e coordenadora do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI/UFCG). A condução das atividades está a cargo da Profa. Dra. Helena Veloso, pesquisadora de Pós-Doutorado Júnior do CNPq junto ao INCT Caleidoscópio-UFCG, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (FCS/UAN) e da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (FCH/UCAN).

Como resultado, espera-se compreender as barreiras que atravessam as trajetórias acadêmicas de estudantes africanas e quilombolas, fortalecer estratégias de acolhimento e permanência no ensino superior, promover espaços coletivos de escuta e construção compartilhada de conhecimentos e elaborar, juntamente com as participantes, dois Guias de Orientação para permanência universitária, sendo um destinado às universidades de Angola e outro às brasileiras, construídos a partir das especificidades de cada realidade nacional e voltados ao fortalecimento de políticas e práticas institucionais de permanência.

No Brasil, realizadas quinzenalmente, de forma presencial, no CCBS/UFCG, as oficinas reúnem estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A metodologia adota o roteiro de oficinas em poéticas grupais elaborado pela Profa. Dra. Dolores Galindo, fundamentado na Clínica Política e na fabulação crítica, estruturando cada encontro a partir da definição dos objetivos da oficina, dos pontos-chave a serem trabalhados, da articulação com uma poética artística, da realização de atividades de abertura, da utilização de recursos expressivos, da discussão coletiva e do fechamento da atividade, integrando esses momentos ao desenvolvimento da pesquisa. 

Na UFCG, foram realizados, até o momento, cinco encontros com as estudantes africanas e quilombolas, nos quais foram abordados temas  como as motivações para adesão ao projeto;  deslocamentos relativos ao território, cultura e identidade no contexto universitário; o sentimento de pertencimento e  a representatividade, a história gloriosa das populações negras (fundamentada na resistência e na reexistência); a circulação no âmbito do cálculo racial e  barreiras à escolarização; as formas individuais e colectivas de lidar com os efeitos do racismo estrutural no seio da universidade; os efeitos da crise climática sobre o percurso acadêmico de mulheres negras; e, por fim, valores africanos, Ubuntu, associativismo e agenciamento entre negras e negros

Em Angola, por meio de encontros síncronos remotos, o projeto contempla ações de  Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política, em formato on-line e transnacional, com estudantes da UAN e da UCAN, fortalecendo a cooperação científica entre Brasil e Angola. Até o momento, foram realizados três encontros com as estudantes de Angola, nos quais foram abordadas as motivações para vinculação à proposta; os deslocamentos territoriais, culturais e identitários associados ao acesso e a permanência no contexto universitário; a representatividade, o  pertencimento e  a história gloriosa das populações negras; a circulação segregada,  as barreiras às trajectórias formativas de mulheres negras e as formas individuais e colectivas de lidar com as mesmas. 

Como resultado, a ação prevê a elaboração de dois guias construídos de forma participativa com as estudantes, destinados a subsidiar instituições de ensino superior na formulação de estratégias e políticas de acolhimento, permanência e equidade voltadas às estudantes africanas e quilombolas.

A proposta parte do reconhecimento de que estudantes africanas, negras, afrodescendentes, quilombolas, enfrentam desigualdades interseccionais produzidas pela intersecção entre racismo, sexismo e colonialidade, fatores que interferem em seus percursos acadêmicos e na permanência no ensino superior. Nesse contexto, as oficinas constituem um espaço de acolhimento, fortalecimento das trajetórias formativas e produção coletiva de estratégias de enfrentamento às desigualdades.

INCT Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos

INCT Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH), iniciativa liderada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) que reúne mais de 100 Instituições-Membros dedicadas à produção, articulação e disseminação de evidências para subsidiar políticas públicas em direitos humanos e cidadania.

Com a adesão, o Instituto amplia sua participação em uma rede nacional voltada à aproximação entre pesquisa e tomada de decisão, contribuindo para que o conhecimento científico produzido pelas frentes de atuações alcance novos espaços de incidência e fortaleça políticas públicas baseadas em evidências.

Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais. A integração à Rede dialoga diretamente com as frentes de atuação e os valores do INCT Caleidoscópio.

O Instituto está entre as instituições participantes, nos canais de comunicação da Rede e um espaço de apresentação no mapa oficial de membros da ReneDH.

Ao integrar a Rede, o instituto reforça seu compromisso de produzir conhecimento científico socialmente relevante e de contribuir para que evidências orientem a construção de políticas públicas voltadas à promoção dos direitos humanos, da equidade e da justiça social.

Sobre o INCT Caleidoscópio

O INCT Caleidoscópio é um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

Criado em 2022 com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Instituto é um projeto de desenvolvimento científico com foco em estudos feministas no Brasil, dedicado a compreender, enfrentar e contribuir para a redução das violências e desigualdades interseccionais de gênero e sexualidade.

Atuamos como uma rede nacional e internacional de pesquisa, formação e extensão voltada ao enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades de gênero e sexualidade em instituições de ensino superior e em seus territórios de relação.

Entre os eixos de ações incluem o levantamento de dados de equipamentos de enfrentamento às violências em instituições de ensino superior, mentorias, oficinas, cursos, seminários, fóruns de escuta, produção de materiais didáticos, podcasts, boletins, ferramentas digitais e impressas, tecnologias sociais e iniciativas desenvolvidas em escolas, universidades, comunidades quilombolas e comunidades indígenas.

O Instituto atua diante da persistência de barreiras interseccionais que restringem o acesso, a permanência, a visibilidade e a participação de grupos historicamente sub-representados nas ciências, além das violências e exclusões presentes em escolas e universidades. Trata-se de uma questão central para os direitos humanos por incidir diretamente sobre o direito à educação, saúde, ao reconhecimento e à participação social.

Com sede na Universidade de Brasília (UnB), o Instituto está organizado em três nucleações. Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e Norte, Nordeste e Amazônia Legal são compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa de 24 instituições de ensino superior distribuídas pelas cinco regiões do país.

A partir de uma perspectiva feminista, antirracista e interseccional, essas redes promovem iniciativas institucionais pioneiras em direitos humanos e justiça social nas instituições de ensino superior, com o objetivo de fomentar tecnologias sociais, acadêmicas, científicas, subsídiar políticas públicas e promover comunicação científica feminista.

As atividades do INCT Caleidoscópio estão organizadas em quatro eixos estruturantes: o Observatório Caleidoscópio, responsável pelo monitoramento de indicadores de violências, vulnerabilidades e políticas de enfrentamento; as incubadoras sociais, que aproximam universidade e sociedade civil por meio de projetos de pesquisa e extensão; a Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica, voltada à produção e circulação de conteúdos em podcasts, boletins e materiais multimídia sobre violências, desigualdades e insurgências de gênero e sexualidade; e as ações de incidência sobre políticas públicas, que desenvolvem tecnologias sociais, materiais de orientação e parcerias com órgãos públicos para fortalecer políticas de equidade de gênero e enfrentamento das desigualdades.

A participação na ReneDH amplia as possibilidades de colaboração entre o Instituto e organizações que atuam na produção e disseminação do conhecimento, favorecendo o intercâmbio entre pesquisadoras, gestores públicos e instituições comprometidas com a promoção dos direitos humanos. Também amplia a circulação das ações desenvolvidas pelo Instituto e seu potencial de contribuir para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Sobre a ReneDH

A Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH) é uma instância de articulação, produção e disseminação de informações estratégicas e evidências destinadas a subsidiar a tomada de decisão em direitos humanos e cidadania. A iniciativa, coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, busca fortalecer a agenda nacional de políticas públicas informadas por evidências.

Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne mais de 100 instituições-mebro de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais.

Para alcançar resultados em curto, médio e longo prazo, a ReneDH adota um modelo de funcionamento baseado em Ciclos de Implementação. A cada etapa, as ações são aprofundadas com o objetivo de institucionalizar o uso de evidências em direitos humanos por meio da articulação entre diferentes atores, da produção de estudos e da disseminação de análises voltadas ao fortalecimento das políticas públicas.

Para isso, a Rede adota como referência a Tradução do Conhecimento, metodologia que busca transformar evidências científicas em informações acessíveis e robustas para gestores públicos, articulando produção, síntese, disseminação, intercâmbio e aplicação ética do conhecimento. Além de dispor o Repositório de Estudos da Rede, uma plataforma de armazenamento e busca de documentos, estudos, análises, pesquisas e produtos de Tradução do Conhecimento desenvolvidos no campo dos Direitos Humanos.

Atualmente, a ReneDH está organizada em três grupos de trabalho: Expansão e sustentabilidade da Rede, Intermediação de evidências e Disseminação do conhecimento. A participação é aberta às instituições-membro, favorecendo a construção coletiva de estratégias, produtos de tradução do conhecimento e ações voltadas ao fortalecimento de políticas públicas informadas por evidências. Estes atuam sob as prioridades de pesquisas em DH apresentados pela Rede nos eixos temáticos abaixo:

  • Eixo 1 - Direitos Humanos das Crianças e Adolescentes
  • Eixo 2 - Direitos Humanos da Pessoa Idosa
  • Eixo 3 - Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência
  • Eixo 4 - Direitos Humanos das Pessoas LGBTQIA+
  • Eixo 5 - Promoção e Defesa dos Direitos Humanos

Para orientar a produção de conhecimento a partir das demandas de gestoras e gestores públicos, a Rede elaborou a Agenda de Priorização de Pesquisas em Direitos Humanos (APPDH). A edição de 2024 reúne temas estratégicos definidos a partir da escuta das Secretarias Nacionais do MDHC, aproximando pesquisadoras, pesquisadores, gestores públicos e sociedade na produção de subsídios técnico-científicos para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas e programas voltados à promoção dos direitos humanos.

Acesse o site da RedeDH para mais informações.

Enfrentamento à violência de gênero e barreiras na carreira são temas de encontro promovido pela Rede Acadêmicas da Unicamp

Enfrentamento à violência de gênero e barreiras na carreira são temas de encontro promovido pela Rede Acadêmicas da Unicamp

Durante o 3º Encontro de revisão das boas práticas, as participantes debateram dados do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS), estratégias para romper o "efeito tesoura" na progressão da carreira docente e propostas para futuros encaminhamentos.

Autoria Letícia Moreira

A discussão sobre violência sexual, desigualdade de gênero e progressão de carreira acadêmica foram tema do 3º Encontro de Revisão das Boas Práticas em Equidade de Gênero na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizado na quinta-feira 14/06. Promovido pela Rede Mulheres Acadêmicas da Unicamp, o encontro reuniu pesquisadoras, docentes e funcionárias técnico-administrativas de diferentes unidades de ensino, pesquisa e órgãos da universidade para debater dados institucionais, desafios persistentes e propostas de ação coletiva voltadas à construção de uma universidade mais segura e igualitária. A reunião aconteceu presencialmente na Escola de Educação Corporativa da Unicamp (EDUCORP). A jornalista de ciência Letícia Moreira esteve presente representando o Observatório Caleidoscópio.

Presidida por Eliana Amaral, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), a programação contou com uma apresentação da antropóloga Regina Facchini, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e representante da Comissão Assessora de Gênero e Sexualidade da Diretoria Executiva de Direitos Humanos (DeDH). Na sequência, houve uma atividade coletiva de revisão das práticas institucionais e uma rodada de encaminhamentos. A reunião integrou o processo de revisão do Guia de Boas Práticas para Equidade de Gênero da Unicamp, publicado em 2021 pela Rede.

O objetivo central foi conhecer e debater os dados mais recentes de acolhimento, analisar a evolução das políticas afirmativas nos últimos anos e discutir a revisão da cartilha de boas práticas em equidade de gênero na Universidade para pensar coletivamente em ações integradas para o futuro. 

A evolução das políticas na Unicamp

Durante sua apresentação, Regina Facchini mostrou como a Unicamp vem estruturando políticas institucionais de combate à violência sexual e à discriminação baseada em gênero e sexualidade. Além de apresentar os dados dos últimos anos, retomou a trajetória de consolidação das ações de democratização e inclusão, desde a década de 1970. Segundo ela, as políticas atuais são frutos de uma longa mobilização de estudantes, professores e movimentos feministas ligados à universidade ao longo das décadas. 

De acordo com a antropóloga, as discussões ganharam mais força entre 2015 e 2017, período em que essas violências passaram a ser reconhecidas como um problema público. Nesse momento, a Unicamp começou a criar grupos de trabalho responsáveis por elaborar propostas para o combate à discriminação de gênero, ao assédio e à violência sexual na universidade. Segundo ela, havia ausência de dados sistematizados sobre a frequência e as modalidades de violência e discriminação vivenciadas pela comunidade universitária. 

“Analisando o ponto de chegada das queixas e os encaminhamentos, a conclusão foi de que o tratamento era inadequado. Havia uma ausência de acolhimento especializado e de protocolos para lidar com as acusações”, declara. Daí, o GT recomendou que a universidade assumisse um posicionamento explícito de não tolerância às violências, além da criação de protocolos claros de acolhimento, encaminhamento de denúncias e ações permanentes de conscientização e formação. 

Foi a partir desse diagnóstico que surgiu, em 2019, a Comissão Assessora de Gênero e Sexualidade e o Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS), órgão vinculado à DeDH e responsável pelo acolhimento de relatos e denúncias, orientação às vítimas e articulação de ações educativas. Nos últimos anos, o SAVS ampliou sua atuação, especialmente com a aproximação com a Câmara de Mediação da Unicamp, em 2023.  

A política adotada pela universidade passou a diferenciar “queixa” e “denúncia” para garantir que as vítimas tenham apoio ainda que não formalizem um processo administrativo ou judicial. Para Facchini, a possibilidade de registrar uma queixa sigilosa permite construir condições mínimas de permanência para estudantes, docentes e funcionárias afetadas por situações de violência.

O cenário em dados

Entre os dados apresentados por Facchini, o aumento do número de atendimentos realizados pelo SAVs em 2023 foi um ponto de atenção. Este foi o ano com maior quantidade de queixas acolhidas e orientações realizadas pelo serviço. Para ela, o maior envolvimento das unidades de ensino nas ações de acolhimento demonstra uma crescente mobilização institucional em torno da pauta, especialmente considerando que estudantes constituem a maior parcela da comunidade universitária. 

Outros dados, que estão disponíveis no Relatório de avaliação institucional 2019 – 2023 da Unicamp, revelam um panorama sobre as ações das unidades de ensino e pesquisa para a divulgação da política. Em aproximadamente metade das unidades, houve a criação de Espaços para Acolhimento e uma articulação com o SAVS para a promoção de eventos e formação. Já 20% das unidades não desenvolveram nenhuma ação específica para o enfrentamento. Facchini destacou que houve uma integração com coletivos discentes e reforçou ainda que estudantes são a maioria das vítimas de violência, nas denúncias. 

Regina reconheceu que houve avanços institucionais relacionados à diversidade de gênero, como a normativa do nome social, implementada em 2020, mas destacou que ainda há desafios importantes. Dentre eles, mencionou a necessidade de fortalecer o SAVs com ampliação de equipe. Ela também anunciou a elaboração de um novo guia voltado aos direitos, cuidados e permanência de pessoas LGBTQIAP+ na universidade.

Cartilha institucional

A Rede Acadêmicas lançou, em 2021, a cartilha de boas práticas para a promoção da equidade de gênero na Unicamp. O documento, que está disponível gratuitamente, é um guia que compila tanto orientações para a equidade de gênero e recomendações para práticas de gestão, como também esclarece conceitos importantes, como assédio moral e sexual, estupro, machismo, entre outros. Além disso, reúne os contatos para órgãos de apoio institucional. 

Segundo a cartilha, “a busca pela equidade de gênero deve ser uma das metas da cultura organizacional da universidade. Para isso, é necessário refletir sobre o tema em todos os espaços da instituição e realizar ações voltadas para a promoção da equidade”. Além das orientações e conceitos, o guia também indica referências bibliográficas sobre os temas apresentados.

Encaminhamentos para o futuro

Na etapa de debates, as participantes compartilharam preocupações relacionadas ao assédio moral, à gestão institucional de crises e às desigualdades persistentes nas carreiras acadêmicas. Algumas relataram situações pessoais vivenciadas em seus locais de trabalho. Entre os pontos levantados, destacam-se as dificuldades enfrentadas por mulheres em cargos de liderança e a baixa representatividade feminina nos níveis mais altos da docência universitária.

Dados mencionados situam que, em determinadas categorias da carreira docente, os homens permanecem sendo a maioria. A professora Marilda Bottesi, assessora especial do Grant Office da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), destacou que na categoria MS-6, 72% dos docentes são homens e apenas 28% mulheres. Bottesi é uma das autoras de um estudo inédito sobre a representatividade de gênero na produção científica da Unicamp.  

As participantes enfatizaram a importância da criação de redes de apoio dentro das unidades. Algumas iniciativas já existentes foram citadas e houve uma preocupação com a baixa adesão em algumas delas, indicando que ainda há um caminho necessário para ampliar o engajamento da comunidade. 

Dentre as futuras ações propostas, estão ampliar as rodas de conversas e treinamentos institucionais; estabelecer políticas de equidade nos cargos; discutir mais fortemente a progressão na carreira desde os níveis iniciais. Além disso, foi sugerido que, durante os eventos realizados na universidade, haja um espaço dedicado à abordagem da equidade de gênero. Ao fim da reunião, foi deliberado que as integrantes da Rede analisem o conteúdo da cartilha atual e elaborem proposições para uma reformulação, que será debatido em um encontro futuro.

Sobre a Rede Acadêmicas

Criada em 2021 para reunir docentes, pesquisadoras e funcionárias da Unicamp, a Rede de Mulheres Acadêmicas da Unicamp atua na formulação de estratégias institucionais voltadas à redução das violências e desigualdades de gênero na universidade. A Rede também conta com um Conselho Executivo com representantes de variadas áreas do conhecimento.

Entre suas frentes de atuação estão a produção de dados e análises, ações de sensibilização e conscientização da comunidade acadêmica e propostas de transformação do ambiente organizacional da universidade.

Dossiê “Mulheres na Ciência” do Observatório Caleidoscópio é publicado na Revista Feminismos

Dossiê “Mulheres na Ciência” do Observatório Caleidoscópio é publicado na Revista Feminismos

Dossiê reúne dez textos de pesquisadoras de todo o país. A publicação é desdobramento do Seminário de Pesquisa do Observatório Caleidoscópio, vinculado ao INCT Caleidoscópio.

Autoria Morgani Guzzo

Foi lançado, 20 de maio de 2026, o dossiê Mulheres na Ciência: limites e formas de enfrentamento (v. 14, n. 1) da Revista Feminismos (UFBA). São, ao todo, dez artigos de diferentes temáticas resultam de pesquisas apresentadas durante o Seminário de Pesquisa do Observatório Caleidoscópio, realizado no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto Nacional de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e violências de Gênero e Sexualidade e Suas Múltiplas Insurgências.

As pesquisas publicadas dialogam com os objetivos do INCT Caleidoscópio e foram desenvolvidas por parceiras/os do Observatório, que, desde 2023, vem conformando uma rede de pesquisadoras/es a nível nacional e internacional envolvidas/os com as temáticas de gênero e ciência.

Organizado pelas pesquisadoras Joana Maria Pedro (UFSC), Karla Bessa (Unicamp) e Morgani Guzzo (UFSC), o dossiê é um desdobramento dos espaços de divulgação científica e debate que acontecem mensalmente, desde 2024, no âmbito do Observatório, nucleação Sul-Sudeste.

“Os seminários afirmaram-se como uma prática coletiva e sistemática de reflexão crítica sobre as condições históricas, institucionais e políticas que atravessam a presença — ainda profundamente desigual — das mulheres no campo científico brasileiro”, afirmam as organizadoras na apresentação do dossiê.

Além da importância científica dos textos publicados, o fato dessa publicação ocorrer na Revista Feminismos reflete o importante diálogo com o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), que participa do Comitê Gestor do INCT Caleidoscópio e é uma referência histórica pioneira nos estudos de gênero no Brasil. “Essa parceria reafirma o compromisso com a produção de conhecimento feminista, crítica e situada, construída a partir de redes institucionais, políticas e afetivas de longa duração”.

Temáticas são alinhadas aos eixos de trabalho do INCT Caleidoscópio

Os textos do dossiê foram apresentados seguindo uma lógica de temáticas afins. O primeiro grupo de artigos se dedica à reconstrução histórica das trajetórias de mulheres nas ciências no Brasil, com destaque para estudos baseados em metodologias prosopográficas e na análise contextual de arquivos institucionais. O segundo grupo aborda as violências de gênero e o assédio no ambiente universitário. A terceira reúne textos sobre a inclusão de mulheres nas áreas STEM – acrônimo de origem anglófona para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática – e na educação profissional e tecnológica, a partir de pesquisas empíricas realizadas no Brasil e, uma delas, em diálogo comparativo com a França. O quarto e último eixo temático desloca o olhar para a dimensão do cuidado, da maternidade e da permanência no ensino superior.

Mulheres enfrentam múltiplas formas de desigualdade e violência na ciência

Segundo as organizadoras do dossiê, os textos reunidos não apenas descrevem os limites impostos às mulheres em suas carreiras, mas também mostram as múltiplas formas de enfrentamento às desigualdades e violências: enfrentamentos institucionais, quando políticas e mecanismos são reivindicados ou analisados criticamente; enfrentamentos simbólicos, quando narrativas históricas são reescritas; enfrentamentos cotidianos, quando redes de apoio e práticas de cuidado são construídas; e enfrentamentos epistemológicos, quando a ideia de neutralidade científica é tensionada a partir de perspectivas feministas e interseccionais.

Ciência feminista: crítica às relações de poder e alinhada a compromissos éticos coletivos

Ao reunir pesquisas que articulam história, políticas institucionais, indicadores, experiências vividas e práticas de cuidado, as organizadoras do dossiê desejam reafirmar a importância de pensar a ciência como prática social situada, atravessada por relações de poder, responsabilidades éticas e compromissos coletivos.

“Entendemos que o exercício reflexivo aguça a consciência e incita a descolonização das práticas e sujeições das pesquisas e pesquisadoras/es. Assim, esperamos contribuir, com este dossiê, para a construção de uma ciência comprometida com a equidade, a diversidade, a inclusão e a justiça social, princípios que orientam nosso Observatório e o INCT Caleidoscópio”, finalizam.

O acesso ao dossiê é gratuito e pode ser feito pelo link.