O seminário será sediado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e tem como objetivo principal fomentar e consolidar um espaço de debate qualificado entre grupos de pesquisa nacionais e internacionais que integram a Incubadora Social Feminista Antirracista e coordenação Norte Nordeste do Observatório Caleidoscópio — ambos vinculados ao Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências - INCT Caleidoscópio.
O seminário dialoga sobre políticas de inclusão e permanência de mulheres negras e quilombolas nas Ciências, com base nos seguintes objetivos específicos:
a. incentivar a troca de conhecimentos e experiências com vistas ao aprimoramento das pesquisas e políticas públicas de acesso e permanência de mulheres negras e quilombolas nas universidades, com destaque para a Psicologia;
b. estimular as discussões sobre os modos de produção de subjetividades de mulheres negras e quilombolas sobre as experiências cotidianas nas universidades, enfatizando as contribuições da Psicologia em diálogo interdisciplinar;
c. promover o encontro e o estabelecimento de redes de pesquisa entre países de África, Caribe, Haiti e da diáspora africana, voltadas ao incremento de estudos sobre acesso e permanência de mulheres negras e quilombolas nas universidades;
d. incentivar a formação de novas gerações de pesquisadores e pesquisadoras em Psicologia sobre acesso e permanência de mulheres e negras e quilombolas de diferentes unidades da federação e dos países envolvidos numa ambiência acadêmica internacionalizada;
e. contribuir para a implantação e aprimoramento das políticas de ações afirmativas para quilombolas nos programas de pós-graduação em Psicologia, considerando as singularidades dos modos de vida e epistemes quilombolas, bem como as especificidades regionais dos PPGs.
Com transmissão ao vivo do Centro de Humanidades (CH) da UFCG, a programação inclui mesas, painéis, sessões coordenadas de comunicações orais e oficinas, com seu ápice em 5 de dezembro, quando o evento se desloca para a Comunidade Quilombola Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande (PB). No local, será realizada uma Roda Ampliada de Conversação e o encerramento do seminário.
A programação conta com a Poética Artística Negra (Cântico Quilombola) na Solenidade de Abertura, seguida da Conferência de Abertura “Mulheres Quilombolas: territórios, experiências e lutas”. Serão realizadas, ao longo do evento, a Mesa 1 – “Vozes territorializadas de Mulheres Negras e Quilombolas nas Universidades: diálogos territorializados África, Caribe e Brasil”, o Painel 1 – “Cooperação Internacional territorializada para acesso e permanência de mulheres africanas, negras e quilombolas nas universidades” e a Mesa 2 – “Vozes territorializadas de Mulheres Negras e Quilombolas nas universidades: experiências, tensionamentos e contribuições para as Ciências”.
Também integram o cronograma duas Rodas de Conversação — “Mulheres Quilombolas nas Ciências” e “Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências: Políticas de Permanência e Subjetividades” — além das Sessões Coordenadas de Comunicações Orais.
"Este seminário nasce da necessidade de preencher uma lacuna na Psicologia brasileira, promovendo um diálogo essencial sobre as realidades de mulheres negras da África, Caribe, Haiti e mulheres quilombolas nas universidades. É um esforço contínuo para enfrentar as heranças colonialistas, garantir a permanência e a progressão dessas mulheres nas carreiras científicas e, assim, impulsionar políticas afirmativas eficazes e adaptadas às suas especificidades", ressalta a docente titular da UFCG, Dolores Cristina Gomes Galindo, Coordenadora Geral do projeto.
Complementando a perspectiva acadêmica, a voz das comunidades quilombolas será igualmente central no evento.
“Como mulher quilombola da comunidade de Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande (PB), vejo este seminário como um marco essencial. É a chance de fortalecer a presença de mulheres quilombolas nas ciências, trocando experiências e construindo redes que nos impulsionem. Queremos visibilidade e reconhecimento para nossos saberes e trajetórias na academia”, afirma a Profa. Ma. Luciene Tavares, integrante da comunidade quilombola de Caiana dos Crioulos, Alagoa Grande, Paraíba.
As inscrições para ouvintes permanecem abertas até 4 de dezembro, enquanto o prazo para o envio de resumos encerra-se em 24 de novembro de 2025. As normas de submissão e participação estão disponíveis no site oficial do evento, plataforma na qual também podem ser realizadas as inscrições.
O seminário é organizado pela Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pelo Observatório Norte, Nordeste e Amazônia Legal, ambos vinculados ao INCT Caleidoscópio, com coordenação do grupo de pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, da UFCG, e apoio do Programa de Apoio a Eventos no País (PAEP), da CAPES.
Partindo do desdobramento do projeto de pesquisa “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades”, o seminário traz uma contribuição acadêmica e um aprofundamento teórico essenciais para enriquecer as reflexões sobre a centralidade dos territórios e das experiências territorializadas.
Este encontro busca refletir sobre a saúde indígena a partir das perspectivas de gênero e sexualidade, discutindo desafios, saberes e práticas que articulam corpo, território e bem-viver nos contextos indígenas contemporâneos.
Para mediar a conversa, receberemos convidadas e convidados com trajetórias marcadas pelo compromisso com o cuidado, a saúde coletiva e a valorização dos saberes indígenas em suas múltiplas dimensões.
Apresentamos Willian Luna, Médico de Família e Comunidade, especialista em Saúde Indígena, docente na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Assessor Técnico Especializado do Ministério da Saúde na Coordenação de Integração Ensino-Serviço-Comunidade.
Junta-se ao debate Paulo Macuxi, Enfermeiro e Sanitarista em formação pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), e atua como pesquisador ambiental no projeto Monitora-Y, voltado ao monitoramento ambiental no território Yanomami e Alto Amazonas.
Também estará presente Ícaro Nejaim, Médico de Família e Comunidade do povo Xukuru do Ororubá, que possui atuação voltada à promoção da saúde indígena e à valorização das práticas tradicionais de cuidado.
E Rejane Pafej Kanhgág, filha de Maria Kairu, neta de Domingas e mãe de Kafág. Psicóloga e Mestre em Psicologia Social e Institucional, Rejane é doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já atuou no Conselho Estadual dos Povos Indígenas do RS (CEPI), na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), na SESAI e na OIM. Atualmente, escritora, artesã e coordenadora da Comissão Bem-Viver.
On-line e gratuito, sua participação é muito bem-vinda para fortalecer este diálogo necessário e urgente.
O curso oferece certificado de 60 horas aos participantes cadastrados previamente, com frequência contabilizada por meio de formulário assinados nos encontros. Contamos com a sua presença para dar continuidade a este ciclo de aprendizados e formação política!
Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater a compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, que convida a audiência a expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!
Isso é feito a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, que buscam aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade, abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.
O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.
Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.
A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.
O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.
A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.
Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.
A iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo.
Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.
Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu. Uma realização do INCT Caleidoscópio – Coordenação Centro-Oeste, por meio da Rede Arandu.
Estão abertas as inscrições para o curso de extensão 'Mulheres indígenas nas arenas globais: protagonismo na COP-30', que será realizado online nos dias 13, 20, 27 de novembro e 4 de dezembro de 2025, das 19h às 21h.
A iniciativa é uma proposta articulada entre pesquisadoras da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Núcleo de Extensão, Inovação e Cooperação do Instituto de Psicologia e Serviço Social (NEIC/IPSS/UFBA), do Programa de Pesquisa sobre Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro (PINEB), da Rede Arandu e do INCT Caleidoscópio.
O curso é aberto, sem critérios para inscrição, podendo ser feito após o preenchimento do formulário abaixo:
O curso conta com a presença de Bárbara Arisi e Kota Payayá, que atuam na organização. Nesta seara, os encontros buscam ser um espaço de estudos sobre práticas contemporâneas indígenas em negociações de cunho global, especialmente sobre as mudanças climáticas e como tentam impactar as políticas públicas.
Assim, inicia-se com os debates relativos ao protagonismo de povos indígenas em Abya Yala – nome decolonial proposto pelo movimento indígena para a América Latina (Gontijo, Arisi, Fernandes 2021) – especialmente com foco na liderança de mulheres.
Também será estudado a performance e os discursos indígenas relacionados ao que antropólogos (as) consideram cosmologias do ambientalismo (Albert 2002; Doolittle 2008) e cosmopolítica (Stengers 2010, De La Cadena 2010), em especial, a participação política indígena e dos povos tradicionais, suas estéticas e estratégias particulares (Ramos 1997; Conklin 1997; Jekupe 2010; Albuquerque, Arisi & Aureliano 2012; Arisi 2013; Calavia Saez & Arisi 2013; Albuquerque 2021).
As formas de práticas políticas indígenas foram estudadas por diversos pesquisadores com relação a estudos sobre movimentos políticos indígenas na América Latina (Monteiro 1994, Bartolomé 2003). Deste modo, é proposto uma análise de imagens do período colonial, com a “sociologia da imagem” (Rivera Cusicanqui, 2015). Conseguinte, continuará pelos trabalhos pioneiros que analisaram a apropriação e o uso do vídeo por comunidades Kayapó (Turner 1991, 1992, 2003), em especial os de Beth Conklin (1987) e de Laura Graham (2005) sobre sua manipulação estético-política, e os de Marisol De La Cadena, com seus estudos sobre os "earth-beings" (2010) que participam da política indígena.
Na sequência, será feito um exercício de reflexão sobre a exotização de corpos e imagens indígenas realizadas por eles/elas próprios/as em arenas políticas nacionais (Ramos 1987; Gallois & Carelli 1992; Sahlins 1997; Paulson et alli 2008; Jekupe 2010; Arisi 2011; Albuquerque 2011; 2021), as proximidades das falas discursivas do ambientalismo ecologista e as cosmologias indígenas (Albert 2002; Stengers 2010; Strathern 2009; Krenak 2019, 2020a, 2020b, 2022); as lutas por demarcação de territórios (Carvalho 1989) e as relações exotizantes (Grünewald 2001). Para isso, terá um debate sobre manipulações e objetificações dos conceitos de “cultura” (Carneiro da Cunha 2009) e transformações indígenas (Viveiros de Castro 2002).
Ao final do curso, será desenvolvido entrevistas e análises sobre as performances de mulheres indígenas em arenas políticas globais, como a COP-30. Como trabalho final da disciplina, além da leitura dos textos propostos, cada inscrito escreverá um artigo inédito sobre uma liderança indígena contemporânea (por exemplo: Txai Suruí, ministra Sonia Guajajara, Joênia Wapichana, coordenadora da COICA Fany Kuiko, entre outras).
Como atividade do curso, é previsto realizar entrevistas online com elas, além de analisar material publicado em blogs do movimento indígena e na imprensa. Os materiais produzidos serão reunidos em um pequeno dossiê que será publicado em uma revista acadêmica especializada.
Com uma programação fundamentada, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber e produção de conhecimentos sobre gênero, cosmologias indígenas e meio ambiente.
Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais.
Referências Bibliográficas para o curso
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A Rede Arandu – Povos Indígenas, Gênero e Sexualidades – participou do seminário “Diálogos Internacionais LGBTQIA+: Garantia de Direitos em Âmbito Global” nos dias 20 e 21 de outubro de 2025, no Instituto Rio Branco, Brasília/DF.
Realizado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), com apoio da União Europeia, da iniciativa Global Gateway e da organização Race & Equality. O encontro reuniu governos, organismos internacionais e representantes da sociedade civil com o objetivo de promover um espaço multilateral de intercâmbio e fortalecimento de políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+, sob perspectivas inclusivas, interseccionais e regionais.
O evento foi aberto pela ministra de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, e pela secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, com a presença de representantes do Uruguai, Colômbia, Espanha e União Europeia. As falas de abertura enfatizaram a urgência de enfrentar o avanço das agendas anti-gênero e anti-direitos, ressaltando a importância de consolidar redes de proteção e estratégias de incidência política articuladas entre diferentes países e atores sociais.
Ao longo dos dois dias de atividades, as mesas de debate abordaram questões centrais sobre os avanços e desafios das políticas LGBTQIA+ em escala global, as formas de cooperação multilateral para a defesa dos direitos humanos e os esforços de diálogo entre o Brasil, a América Latina e a União Europeia.
As discussões trataram de experiências concretas de formulação e implementação de políticas públicas, de mecanismos de monitoramento e de combate às violências motivadas por orientação sexual e identidade de gênero, bem como de estratégias para o fortalecimento da cidadania, da democracia e da governança colaborativa.
De forma mais específica, esse diálogo também lançou luz sobre a relevância da interseccionalidade nas pautas que compõem a Agenda Internacional de Direitos Humanos, ressaltando o ponto nevrálgico de que a efetividade dessas políticas depende da articulação entre diferentes comitês e instâncias das Nações Unidas.
Assim, de modo semelhante ao que propõe a Rede Arandu, integrar as dimensões raciais, de gênero e de sexualidade às políticas internacionais de direitos humanos constitui uma das chaves fundamentais para a construção efetiva e inclusiva das demandas desse movimento.
Além disso, um aspecto de grande relevância no evento foi a reflexão simbólica proposta por Wilson Castro, Diretor Executivo da Corporación Caribe Afirmativo. Em sua intervenção, o diretor abordou de forma crítica a persistente indiferença social frente às pautas de diversidade sexual e de gênero, destacando como essa apatia coletiva tem sido instrumentalizada para sustentar e legitimar discursos extremistas, resultando no retrocesso de direitos conquistados pelas comunidades LGBTQIA+ e na fragilização dos avanços democráticos em matéria de direitos humanos.
O evento também incluiu reflexões sobre as agendas de cooperação Sul-Sul, destacando as experiências de Brasil, Uruguai, Colômbia e outros países da região na construção de políticas inclusivas, e sobre os intercâmbios entre o Brasil e a União Europeia em torno da governança e dos marcos regulatórios para a promoção da igualdade e o enfrentamento das desigualdades.
No encerramento, o painel “Projeção Futuro: Estratégias Globais para o Avanço dos Direitos Humanos LGBTQIA+” reuniu representantes de organizações internacionais e da sociedade civil, entre elas Caribe Afirmativo, ILGALAC, Human Rights Watch e ANTRA, para discutir tendências e perspectivas para a proteção global dos direitos da população LGBTQIA+.
A presença da Rede Arandu neste espaço reafirma nosso compromisso com o fortalecimento de políticas públicas que reconheçam a diversidade de gênero e sexualidade e contribuam para a construção de uma agenda internacional verdadeiramente intercultural. Ainda é um desafio dar concretude às existências indígenas no debate, ainda que a presença do coordenador do MPI Niotxarú Pataxó tenha sido fundamental, como mencionou o enviado da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Miguel Mesquita: faltam dados que materializem a interseccionalidade das opressões.
A participação possibilitou o diálogo direto com instâncias multilaterais e organizações latino-americanas, ampliando o campo de incidência política da pesquisa colaborativa em torno das temáticas de direitos humanos, interseccionalidade e justiça social.
À noite, aconteceu uma confraternização na Embaixada da Espanha para celebrar a realização do evento e a assinatura do termo de cooperação entre Espanha e Brasil em direitos das pessoas LGBTQIA+.
A Rede Arandu esteve presente no Seminário Nacional: Transições Justas em Movimento, realizado no dia 14 de outubro de 2025, no Auditório do Instituto de Relações Internacionais da UnB. O evento reuniu movimentos sociais, organizações da sociedade civil, academia e poder público para debater os caminhos para uma transição justa no contexto das crises climáticas.
Durante o seminário, a equipe da Rede Arandu acompanhou os debates e reuniu depoimentos que farão parte da comunicação preparatória para a COP, incluindo entrevista com Jurema Werneck. O movimento indígena esteve fortemente representado, com a participação da APIB e de Ramona Jucá, do Coletivo Tybyra, organização com a qual a Rede Arandu mantém parceria de trabalho.
Os debates trouxeram à tona questões fundamentais sobre o papel da sociedade civil nas discussões sobre transição justa, problematizando o próprio conceito e seus significados para diferentes territórios e comunidades. Representantes da Periferia Feminista destacaram a urgência de promover justiça climática através do diálogo e do protagonismo de quem cuida da terra, enfatizando a necessidade de ressignificar modos de vida.
A interseccionalidade e a transversalidade emergiram como princípios essenciais para unificar as lutas, conectando demandas por demarcação de territórios de comunidades tradicionais, reforma agrária e reforma urbana como faces indissociáveis da justiça climática. Espaços como a Cúpula dos Povos foram apontados como fundamentais para a construção coletiva do comum.
Um dos questionamentos centrais que atravessou todas as mesas foi: como falar de transição justa em contextos de processos avançados de violação dos direitos humanos? O seminário reforçou que não há transição energética verdadeiramente justa sem o enfrentamento das desigualdades estruturais, do colonialismo climático e sem garantir que comunidades locais, povos indígenas, periferias e trabalhadores sejam reconhecidos como protagonistas — e não apenas beneficiários — das soluções climáticas.
A participação da Rede Arandu neste espaço, enquanto rede colaborativa de pesquisa sobre povos indígenas, gênero e sexualidade, reafirma seu compromisso com perspectivas interseccionais que reconhecem as dissidências de gênero e sexualidade como dimensões fundamentais da justiça climática, e com a escuta atenta dos movimentos sociais cujas vozes seguem sendo historicamente silenciadas nos debates globais sobre clima e justiça.