Observatório Caleidoscópio participa de Seminário Nacional da SBHC – Sociedade Brasileira de História da Ciência, com coordenação de Simpósio Temático

Observatório Caleidoscópio participa de Seminário Nacional da SBHC – Sociedade Brasileira de História da Ciência, com coordenação de Simpósio Temático

Autoria Lia Sousa

O ST 29 - “Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências” aprofundou redes de pesquisa e ensino pela equidade de gênero em diferentes campos disciplinares.

O Observatório Caleidoscópio participou do 20° Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia (20 SNHCT), evento bianual promovido pela Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC) desde 1986. Segundo a página da instituição, “este é o mais antigo e maior evento nacional da área, congregando pesquisadores e estudantes de todo o Brasil e do exterior, nas mais diversas áreas de formação”. O 20° SNHCT ocorreu na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, de 27 a 31 de julho de 2026.

O Simpósio Temático 29 – “Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências” foi coordenado pela pós-doutoranda do INCT Caleidoscópio, Lia Gomes P. de Sousa (Pagu/Unicamp), e pelas nucleadas da coordenação Sul-Sudeste, Mariana Moraes de O. Sombrio (UFABC) e Eliza Teixeira de Toledo (UFMG). O objetivo do Simpósio foi contribuir para consolidar, dentro da História da Ciência, as perspectivas da história das mulheres, de gênero e diversos marcadores da diferença, impulsionando e reforçando redes de pesquisadoras e pesquisadores comprometides com a análise crítica do passado e com a construção consciente de narrativas e práticas de ensino na atualidade, pautadas pela equidade epistêmica e social. O “efeito Matilda”, cunhado por Margaret Rossiter (1993), foi referenciado na proposta do ST como homenagem a uma das fundadoras do campo de estudos, que denunciou a invisibilidade historiográfica e as assimetrias vivenciadas por mulheres na prática científica em diferentes contextos.

Card de divulgação do 20º Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia (SNHCT), realizado de 27 a 31 de julho de 2026 em Goiânia, UFG. Em destaque vermelho, o título do simpósio: 'ST 29 Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências'. No centro, lado a lado, estão três retratos das coordenadoras: Lia Gomes Pinto de Sousa (UNICAMP), Mariana Moraes de Oliveira Sombrio (UFABC) e Eliza Teixeira de Toledo (UFMG). Abaixo das fotos, consta a informação de que as inscrições ocorreram de 17/11/25 a 03/02/26. O fundo é branco texturizado com detalhes geométricos coloridos na base.
Card de divulgação do ST 29 no 20 SNHCT. Fonte: Instagram @sbhciencia

O ST recebeu 21 inscrições de diferentes instituições do Brasil, como Universidade Federal da Bahia (UFBA), Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Federal da Bahia (IFBA), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Secretaria Municipal de Educação de Saquarema/RJ e Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc-CE).

As temáticas contemplaram trajetórias históricas, campos disciplinares, direitos reprodutivos, estratégias metodológicas e pedagógicas, com especial incidência nas discussões em torno das desigualdades de raça e da atuação nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Dentre as nucleadas do Observatório do INCT Caleidoscópio, além das coordenadoras do ST, destacam-se os trabalhos orientados por Indianara Lima Silva (UEFS) – como os de Márjorie Carla dos Santos Macedo Dantas (UFBA), Gilvana Santos Barreto (UFBA) e Angevaldo Menezes Maia Filho (IFBA) – e o apresentado por Daiane Silveira Rossi (UFG). As professoras mencionadas participaram também das Mesas Redondas 1 “Ciência e tecnologias quânticas” (Indianara Silva) e 2 “Humanidades, ciências, tecnologias e ensino: interfaces atuais” (Daiane Rossi), realizadas no evento.

rês mulheres sorridentes posam abraçadas em pé dentro de uma sala de aula. A mulher à esquerda veste blusa azul-marinho e calça preta; a do meio veste regata estampada em preto e branco com calça jeans; a da direita usa blusa branca, cardigan preto, calça pantalona terracota e óculos. As duas primeiras usam crachás do evento no peito. Ao fundo, vê-se um quadro verde de giz, uma tela branca retrátil para projeção e janelas de ferro com vidros retangulares.
Daiane Rossi, Mariana Sombrio e Lia Sousa. Fonte: Arquivo pessoal

Os resumos dos trabalhos submetidos encontram-se no Caderno de Resumos, organizados por sessão:

Sessão 1

  • Dos movimentos sociais de mulheres à construção de uma agenda de pesquisa acadêmica: institucionalização dos Estudos de Gênero e Ciência no Brasil (1970 – 1990) – Maria Ruthe Gomes da Silva, Moema de Rezende Vergara
  • Gênero e trabalho acadêmico em Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Jessika Martins Ribeiro
  • Invisibilidades no campo: gênero, saberes tradicionais e a historiografia da ciência do solo no Brasil – Beatriz Wardzinski Barbosa, Maria Margaret Lopes
  • Mulheres médicas da UFMG: uma história de gênero (1911-1979) – Eliza Teixeira de Toledo

Sessão 2

  • A trajetória de Luiza Krau (1916-2020) na Hidrobiologia e bioindicadores de poluição – Lia Gomes Pinto de Sousa
  • Mulheres cientistas e a construção da ciência biológica na Amazônia paraense: o caso do Museu Paraense Emílio Goeldi (1930-1945) – Diego Rodrigo Guimarães Leal
  • História da Zoologia sob uma Perspectiva de Gênero: Mulheres, Trajetórias e Produção Científica – Thamires Luana Cordeiro
  • Onde estão as cientistas? Arqueologia digital e circulação global (Brasil, 1950-1970) – Daiane Silveira Rossi

Sessão 3

  • Uma princesa naturalista: Teresa da Baviera, viagem ao Brasil e escrita feminina no século XIX – Bianca Cristina Ribeiro Vicente Veloso
  • Escutando os sussurros das mulheres: A arte e ciência de Anna Morandi Manzolini – Luana Beatriz Xavier Nunes
  • Marcadores de gênero na trajetória de Harriet Brooks – Angevaldo Menezes Maia Filho
  • Bartyra de Castro Arezzo: uma Cientista Viajante em Busca de Conhecimento em Radioquímica e Química Nuclear – Márjorie Carla dos Santos Macedo Dantas, Indianara Lima Silva
  • Reconhecimento científico, gênero e classe: o efeito matilda na trajetória formativa de mildred dresselhaus – Milena de Oliveira da Costa

Sessão 4

  • A Subalternização Feminina e o Ensino de Ciências e Matemática: aspectos decoloniais sobre a narrativa científica – Mariana Moraes de Oliveira Sombrio, Ingryd Stephany de Oliveira
  • Classificando Estrelas, Reclassificando a Ciência: Educação Crítica e Feminista – Camila Maria Sitko, Mariana Salvi
  • Histórias, práticas e transformações: O Projeto Engenheiras do Amanhã e a redução das desigualdades de gênero nas Engenharias, Ciências, Tecnologia e STEM – Gabriella da Silva Mendes
  • Inclusão de Mulheres em STEM: reflexões a partir das matemáticas no Brasil e na França – Gabriela Marino Silva

Sessão 5

  • Opressões de gênero nas ciências: uma análise a partir da raça – Gilvana Santos Barreto, Angevaldo Menezes Maia Filho
  • Interseccionalidade, Micro-História e pós-Abolição: considerações sobre gênero, classe e raça na saúde a partir de Santa Maria/RS, entre 1900 e 1929 – Gabriela Rotilli dos Santos
  • Assistência obstétrica à população indígena no Brasil: desafios na construção da descolonização dos corpos (1990- 2025) – Larissa Velasquez de Souza
  • Mídia e construção de um problema social: o caso do Cytotec entre 1986 e 1998 no Brasil – Thayane Lopes Oliveira

A professora Maria Margaret Lopes (Pagu/Unicamp), membro do comitê gestor do INCT Caleidoscópio, participou também do Simpósio Temático 09 – “Ciência e Democracia na História: desafios e perspectivas”, coordenado por Alfredo Tiomno Tolmasquim (MAST), Antonio Augusto Passos Videira (UERJ) e Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa (Unicamp). Seu trabalho “A Conferência Regional do Hemisfério Ocidental para o Ano Geofísico Internacional – AGI, 1957-1958” foi apresentado na Sessão 2 do ST09.

Além dessas ações, o Observatório Caleidoscópio participou da sessão de pôsteres com a apresentação da pesquisa da bolsista de Iniciação Científica (Pibic-CNPq), Sofia Koyama Rehder, graduanda em Ciências Sociais orientada por Margaret Lopes e coorientada por Lia Sousa. O resumo do trabalho – “No more Mathildas”: em busca da produção das mulheres sobre as relações de gênero em ciências – foi publicado na página do evento.

Três mulheres posam em pé ao lado de um banner impresso em um pedestal durante um evento acadêmico. À esquerda, uma mulher de cabelos brancos e curtos, óculos de armação escura e vestido estampado geométrico em azul e branco. No centro, uma jovem de cabelos escuros e vestuário preto. Ambas usam crachás no peito. À direita, uma mulher de óculos, regata branca, cardigan preto e calça pantalona terracota. O banner exibe o cabeçalho '20º SNHCT' e o título '"NO MORE MATHILDAS": EM BUSCA DA PRODUÇÃO DAS MULHERES SOBRE AS RELAÇÕES DE GÊNERO EM CIÊNCIAS', seguido pelos nomes das autoras Sofia Kôyama Rehder, Maria Margaret Lopes e Lia Gomes Pinto de Sousa, além de gráficos e tabelas coloridas. Ao fundo, vê-se a arquitetura do espaço universitário com vigas de concreto e a sigla UFG nas pilastras.
Margaret Lopes, Sofia Koyama e Lia Sousa. Fonte: Arquivo pessoal
INCT Caleidoscópio se reúne com a Pró-reitoria de Pesquisa da Unicamp para discutir possibilidades de institucionalização da Incubadora Social Feminista de IA

INCT Caleidoscópio se reúne com a Pró-reitoria de Pesquisa da Unicamp para discutir possibilidades de institucionalização da Incubadora Social Feminista de IA

Autoria Letícia Moreira

Encontro apresentou a proposta e as ações já desenvolvidas pelo Observatório Caleidoscópio e pela Incubadora Social Feminista, destacando experiências de formação com estudantes da pré-iniciação científica e perspectivas de institucionalização da iniciativa na Universidade.

A Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recebeu, no dia 22 de julho, a equipe da Incubadora Social Feminista de Inteligência Artificial (IA), vinculada ao INCT Caleidoscópio em sua nucleação Sul-Sudeste, para uma reunião de apresentação das ações desenvolvidas pelo Instituto e discussão de possibilidades de fortalecimento institucional da Incubadora, que está em implementação na Universidade desde 2025. O encontro reuniu a professora Ana Frattini, Pró-reitora de Pesquisa; o professor Eduardo José Marandola Junior, assessor docente da Pró-Reitoria; a professora Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio e uma das coordenadoras do Observatório Caleidoscópio na nucleação Sul-Sudeste; Mirlene Simões, pós-doutoranda no INCT e Letícia Moreira, jornalista de ciência no INCT.

Durante a reunião, a equipe apresentou o Instituto e o Observatório, seus principais eixos de atuação e instrumentos de pesquisa, formação e articulação. O foco foi a Incubadora Social Feminista de IA, iniciativa que busca fomentar processos de produção crítica de conhecimento comprometidos com a justiça social, a equidade de gênero e a inovação científica.

Na Unicamp, o INCT, seu Observatório e a Incubadora estão sediados no Núcleo de Estudos de Gênero Pagu. Para Ana Frattini, a reunião marcou o início de conversas e novas parcerias possíveis junto à Universidade. “Vejo muitas oportunidades de aproximação da Unicamp com as atividades que estão sendo desenvolvidas pela Incubadora”, declara a pró-reitora.

Aproximações institucionais

Mirlene Simões apresentou o plano estratégico da Incubadora, que tem como um dos objetivos atrair jovens estudantes para as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Também foram relatadas as atividades junto a cinco estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende (EEBGR), em Campinas, bolsistas do programa de iniciação científica científica para o Ensino Médio, o PIBIC-EM, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), realizado por meio do Observatório.

Simões, que é uma das responsáveis pela condução das atividades com as alunas, evidenciou o potencial da Incubadora na formação de jovens pesquisadoras e na aproximação entre universidade, escola e comunidade. As ações desenvolvidas demonstram como a pesquisa pode contribuir para a formação científica desde a educação básica.

Para Karla Bessa, o encontro com a PRP foi estratégico, pois a proposta da Incubadora é principalmente fomentar a pesquisa e a produção crítica de conhecimento para gerar novas tecnologias sociais. “Estamos tratando de pesquisa, de formação crítica e estudos sobre as linguagens, como o audiovisual, para podermos chegar na Inteligência Artificial como linguagem com potencial para ações pela justiça social”, comenta. Bessa destaca que o objetivo da iniciativa difere do modelo tradicional de incubadoras voltadas ao empreendedorismo. “O propósito da Incubadora não é gerar CNPJs, mas incubar ideias, pesquisas e conceitos”, explica.

O encontro ampliou o diálogo sobre possibilidades de institucionalização junto à Unicamp. A conversa permitiu identificar convergências entre as ações desenvolvidas pela Incubadora e as políticas de pesquisa e formação da Universidade, apontando caminhos para futuras parcerias e para o fortalecimento de iniciativas voltadas à produção de conhecimento socialmente comprometido.

Para Frattini, a reunião foi um passo importante pois esclareceu efetivamente o que significa uma proposta de incubação social. “Com esse primeiro passo dado, é importante agora que nós da PRP consigamos planejar o futuro desta parceria para incluir o trabalho da Incubadora naquilo que a gente pensa para uma nova Unicamp e seus novos espaços”, declara.

Para o professor Eduardo José, assessor da PRP, a proposta da Incubadora abre muitas possibilidades contemporâneas de atuação das áreas ligadas às ciências humanas. “Isso não em uma dicotomia com outras áreas, mas numa perspectiva bastante integrada, atual e necessária para enfrentarmos desafios sociais contemporâneos, em especial na formação, produção e participação no conhecimento científico”, completa. 

Uma incubadora social feminista com ênfase em Inteligência Artificial (IA)

A Incubadora Social Feminista de IA (2025-2027) tem como principal intuito ser um espaço de formação crítica de estudantes da rede pública de ensino, em especial meninas negras e periféricas, com ênfase em temáticas como justiça climática, tecnologia, inteligência artificial e equidade de gênero. Está institucionalmente vinculada ao INCT Caleidoscópio por meio do Observatório Caleidoscópio Sul/Sudeste. 

Sete mulheres (sendo três adultas e cinco jovens estudantes) estão sentadas ao redor de mesas escolares agrupadas no centro de uma biblioteca. Sobre as mesas, há exemplares abertos de um jornal impresso. A mulher à esquerda veste um macacão claro sem mangas e óculos de armação preta; ao seu lado, outra mulher veste blusa preta. As estudantes sorriem para a câmera. Ao fundo, veem-se estantes de livros, computadores, um ventilador de parede e um quadro escolar com letras do alfabeto coloridas na parte superior. Fim da descrição.

Atualmente, os encontros semanais com as estudantes da Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende têm se voltado a leituras sobre gênero, raça e diversidade, além de uma formação para a linguagem e recursos audiovisuais. Em 2025, a Incubadora promoveu o Fórum Permanente “Inteligência Artificial, Ciência e Ética – Alternativas para um Futuro Menos Algorítmico”, junto à Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), o Pagu e a Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN) da Unicamp, realizado presencialmente no Centro de Convenções (CDC) da Unicamp, transmitido ao vivo no canal do Youtube da Universidade.

A proposta da Incubadora é que as experiências desenvolvidas estejam ancoradas em experiências locais e possam gerar tecnologias sociais e produtos educativos, como chatbots feministas, cartilhas e kits pedagógicos, plataformas online com recursos abertos e acessíveis, além de publicações científicas e relatórios de impacto. A expectativa é que mais de 100 estudantes sejam contempladas com os programas de formação. Além disso, espera-se expandir as parcerias institucionais com secretarias de educação e instituições de ensino.

Encontro “Saúde e Política em Corpos Indígenas” convida mulheres, jovens, crianças e anciãs indígenas para documentário participativo no dia 8 de agosto

Encontro “Saúde e Política em Corpos Indígenas” convida mulheres, jovens, crianças e anciãs indígenas para documentário participativo no dia 8 de agosto

A Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, com apoio da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Federal de Brasília (IFB) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), convida toda a comunidade, especialmente mulheres indígenas jovens, mulheres de corpos diversos, crianças e anciãs, para o encontro realizado no dia 8 de agosto, às 10h, no Santuário dos Pajés, no Distrito Federal.

Com o tema "Saúde e Política em Corpos Indígenas", os encontros mensais promovem diálogos sobre saúde, cuidado e políticas que atravessam os corpos indígenas em suas diferentes interseccionalidades. Ao longo das atividades, será construído um minidocumentário participativo a partir de registros em áudio e vídeo produzidos coletivamente pelas participantes. Não é necessário ter participado do primeiro encontro para integrar a iniciativa.

A seguir, Ana Carolina Costa, estudante de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e bolsista da Rede de Polos de Extensão da UnB (REPE), compartilha seu relato de experiência sobre o primeiro encontro do projeto, realizado em 18 de julho deste ano.

Saúde e Política em Corpos Indígenas: um documentário participativo

Texto de Ana Carolina Costa

Estudante de Ciência Política na Universidade de Brasília e bolsista pela Rede de Polos de Extensão da UnB (REPE) no projeto Indigeneidades em diálogo no DF: Ecologia de Saberes, Saúde dos Corpos e Políticas Interseccionais.

O mês de julho marcou o início dos encontros mensais sobre "Saúde e Política em Corpos Indígenas" no Santuário dos Pajés, primeira terra indígena demarcada do Distrito Federal.

A iniciativa é organizada pela Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, com apoio da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Federal de Brasília (IFB) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), e busca promover diálogos sobre saúde e política a partir das experiências de corpos diversos, valorizando diferentes trajetórias, saberes e as vivências de mulheres indígenas.

Ao final do processo, será produzido um minidocumentário participativo a partir da reunião dos registros audiovisuais realizados durante as atividades.

O primeiro encontro, aberto para toda a comunidade, ocorreu no dia 18 de julho, no Centro Cultural Márcia Guajajara, e proporcionou um espaço para que as pessoas se conhecessem. A atividade contou com uma dinâmica em grupos menores, na qual todas as pessoas participaram das gravações, fazendo perguntas, entrevistando e compartilhando suas respostas a partir de duas questões: "O que é saúde para você?" e "O que você gostaria de conversar nesses encontros?"

Após as gravações das apresentações e respostas, todas as pessoas se reuniram para assistir aos vídeos e anotar os temas considerados importantes para as próximas atividades. Ao final, as contribuições formaram um painel coletivo e colorido.

Durante a atividade, foi servido um café da manhã, e aconteceram momentos de pausa e convivência. Após a exibição dos vídeos, houve uma roda de conversa sobre as experiências de entrevistar, ser entrevistado e assistir aos registros produzidos. Isso possibilitou o compartilhamento de sentimentos, impressões e reflexões sobre a construção coletiva do documentário.

O próximo encontro "Saúde e Política em Corpos Indígenas" será realizado no dia 8 de agosto, dando continuidade aos diálogos e registros que irão compor o minidocumentário participativo.

I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres debate pesquisas sobre educação, memória e visibilidade

I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres debate pesquisas sobre educação, memória e visibilidade

O Grupo de Trabalho (GT) História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade, do CIP/INCT Caleidoscópio, realiza no dia 18 de agosto de 2026, das 8h50 às 13h (GMT-3), o I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade. O evento reunirá pesquisadoras do Instituto para compartilhar projetos e pesquisas desenvolvidos no âmbito do grupo temático, abordando diferentes perspectivas sobre histórias de vida, memória, gênero, educação e direitos humanos.

Entre os temas desenvolvidos pelo GT estão pesquisas sobre corpos que menstruam; mulheres migrantes, trans e travestis; violência contra as mulheres e resistência; culpabilização de vítimas de crimes sexuais; morte e questões de gênero; empoderamento, sororidade e dororidade; história das mulheres e epistemologias feministas; saberes e práticas das parteiras tradicionais; tradição oral e história oral; raça, resistência, prevenção da violência, promoção de direitos e equidade; mulheres migrantes e arte; transmigração; decolonialidade e antirracismo.

Além das atividades de pesquisa e dos encontros promovidos pelo grupo, o GT desenvolve ações de comunicação científica comunitária por meio do Pod HMM, podcast com publicações bimestrais dedicadas a histórias de vida e trajetórias de mulheres nas ciências, em movimentos sociais e na defesa dos direitos humanos. A iniciativa busca ampliar a visibilidade dessas experiências e contribuir para a construção de um acervo sobre mulheres que atuam em diferentes áreas do conhecimento.

Durante o seminário, serão apresentados projetos desenvolvidos por pesquisadoras do GT. A programação terá início às 9h, com a abertura e apresentação conduzidas por Jacqueline Fiuza da Silva Regis. Em seguida, Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski apresentará a pesquisa "Histórias e Memórias de Mulheres em Nova Andradina/MS". Às 10h, Silvéria Maria dos Santos ministrará a apresentação "Arte de partejar: ofício, ancestralidade e reciprocidade das parteiras tradicionais".

Após um intervalo, às 11h, Julia Lene da Silva Souza apresentará "Elis Regina: resistência na ditadura militar". Na sequência, às 11h30, Carolina Gonçalves Gonzalez abordará o tema "Deambulares Poéticos: patrimônio da UnB entre-linhas, tramas e costuras". O evento será encerrado às 12h com uma roda de conversa entre as participantes.

O seminário é uma atividade de extensão certificada pela Universidade de Brasília (UnB) e é organizado pelo GT Histórias e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade, do CIP/INCT Caleidoscópio, em parceria com o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB).

Informações importantes

Site do evento: I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade

Data: 18 de agosto de 2026

Horário: 8h50 às 13h (GMT-3)

Formato: Online

Certificação: Universidade de Brasília (UnB)

Menopausa em foco no SUS: Jacqueline Fiuza reflete sobre projeto de lei e a importância da atenção integral à saúde de mulheres em reportagem para TV Câmara

Menopausa em foco no SUS: Jacqueline Fiuza reflete sobre projeto de lei e a importância da atenção integral à saúde de mulheres em reportagem para TV Câmara

A reportagem "Menopausa: avança proposta para garantir tratamento especializado no SUS", exibida pela TV Câmara em 27 de julho de 2026, apresenta o projeto de lei aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) que estabelece diretrizes para a atenção integral à saúde de mulheres no climatério e na menopausa no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta prevê ações educativas e de conscientização, oferta de exames e medicamentos, atendimento integral e multiprofissional e incentivo à produção de pesquisas, dados e monitoramento. O texto também institui o Dia Nacional de Conscientização sobre a Menopausa, a ser celebrado em 18 de outubro, e seguirá para análise do Senado, salvo a apresentação de recurso para votação no Plenário da Câmara.

Na reportagem, Jacqueline Fiuza, pesquisadora e coordenadora da Incubadora Social do INCT Caleidoscópio, compartilha sua experiência com a menopausa e destaca a importância do avanço da proposta, que prevê atendimento especializado no SUS com diferentes abordagens terapêuticas, conforme a indicação clínica. Além da terapia hormonal, o projeto amplia a possibilidade de acesso a outros cuidados voltados à promoção da saúde integral das mulheres.

"Ela chegou sem bater na porta e sem avisar. Eu comecei a sentir que eu não reconhecia mais esse corpo, não reconhecia mais meu ciclo, não reconhecia mais minhas reações emocionais e os processos que estavam acontecendo comigo."

Jacqueline é coordenadora da Incubadora Social na nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, e dos grupos temáticos "Saúde das mulheres em escolas e IES", "Tecnologias de enfrentamento a racismos em escolas e IES" e "Histórias e memórias de mulheres: educação e visibilidade". Atualmente, é bolsista Conhecimento Brasil/CNPq e desenvolve o projeto "MenoPausemos: pesquisa, extensão e comunicação científica sobre corpos em idade (pós-)menstrual".

Ao comentar a aprovação da proposta, a pesquisadora afirma:

"Com muita alegria, a gente ficou sabendo da aprovação desse projeto de lei para trazer o foco da menopausa para o SUS, para dar um atendimento mais integral, uma atenção mais holística às mulheres nessa idade, já que nós mulheres representamos mais da metade da população brasileira."

A reportagem evidencia a importância de ampliar o acesso à informação baseada em evidências científicas e de fortalecer políticas públicas que contemplem diferentes necessidades de cuidado ao longo do climatério e da menopausa, especialmente por meio de uma atenção integral e multiprofissional às mulheres.

Assista à reportagem completa: