“Sementinhas da Ancestralidade”: rede Arandu participa da IV Marcha das Mulheres Indígenas e da 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas

“Sementinhas da Ancestralidade”: rede Arandu participa da IV Marcha das Mulheres Indígenas e da 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas

Escrito por: Amanda Álvares, Flávia Belmont, Gabriela Pessoa, Sabrina Lira e Tchella Maso.

Na semana de 3 a 8 de agosto, aconteceu em Brasília a IV Marcha Nacional das Mulheres Indígenas e a 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas, organizadas pela Associação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), pelo Ministério dos Povos Indígenas e pelo Ministério das Mulheres.

Na ocasião, a Rede Arandu, em colaboração com a ANMIGA, foi responsável pela gerência e organização da tenda “Sementinhas da Ancestralidade”, espaço destinado para acolher as crianças durante a Marcha e a Conferência. Para garantir um número adequado de pessoas para apoiar no cuidado com os/as/es pequenos/as/es, a Arandu fez parcerias com o alunado do Instituto de Relações Internacionais (IREL) da UnB, representado pelo Centro Acadêmico (Carel) e pelos projetos Amun Kids, Domani e Umanitá, todos de caráter extensionista, que visam a promoção da igualdade, da diversidade e dos direitos humanos.

Foto: Arquivo Rede Arandu.

Também contou com o apoio decisivo de estudantes indígenas da UNB, trazendo suas experiências de diversos territórios. Vale destacar a ainda a contribuição de pessoas vindas de diferentes territórios e movimentos indígenas que se somaram no espaço. Com isso, tivemos uma diversidade de gênero entre as pessoas voluntárias, desmistificando o cuidado como algo essencialmente feminino e o estigma sobre pessoas LGBTQIAPN+ em trabalhos de cuidado.

Por quatro dias, a tenda esteve cheia de cores, risadas e diversão. Entre as atividades planejadas pela Arandu, houve pinturas, desenhos, grafismos corporais, confecção de cartazes, contação de histórias, ciclos de massagens e oficina de higiene bucal. Além disso, a Arandu também fez brincadeiras ao ar livre, como corrida, futebol, pula-corda, coelho sai da toca, skatismo, danças e dinâmicas com bambolês. A Arandu e estudantes voluntáries da UnB também organizaram o controle interno e externo das crianças registradas na tenda e o contato com pessoas responsáveis, visto que a Marcha e a Conferência acontecem em um espaço amplo, com grande circulação de pessoas.

Foto: Arquivo Rede Arandu.

Para além dessas atividades, a Arandu também mobilizou doações de frutas, agasalhos e calçados, estabelecendo pontos estratégicos de coleta, como o espaço Maloca na universidade, escolas de primeira infância na Asa Norte, contando com o apoio da Associação Docente da Universidade de Brasília (ADUNB). Durante a Marcha, todo o material arrecadado foi distribuído às crianças e suas famílias, incluindo também brinquedos e livretos educativos.

O envolvimento de instituições de pesquisa como a Rede Arandu, a UnB e seus projetos vinculados, aliado ao apoio da ADUNB, permitiu que a tenda "Sementinhas da Ancestralidade" estruturasse adequadamente o cuidado com as crianças e ampliasse o número de pessoas voluntárias ao longo da semana por meio de estratégias de comunicação em rede e divulgação boca a boca.

presença de 5.000 famílias, de 172 diferentes povos, e a dedicação das mulheres aos espaços de debate da 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas demandou especial zelo e responsabilidade pelas crianças por parte do voluntariado, composto de 56 pessoas, desde estudantes de graduação a pesquisadoras de pós-doutorado, igualmente empenhadas no importante trabalho de cuidado num contexto de movimentações intensas e recursos angariados através de doações externas. A tenda das crianças foi um espaço importante para garantir que as mães participassem das plenárias e dos debates políticos, e para que comparecessem à Marcha em si, que ocorreu na quinta-feira 07 de agosto.

A presença de indígenas mulheres e pessoas de gêneros e sexualidades diversas em espaços de decisão política é uma construção que a Rede Arandu busca apoiar enquanto rede colaborativa, trabalhando em interlocução com as demandas dos movimentos indígenas.

Se as famílias presentes por vezes contam com redes de apoio para o zelo das crianças, como avós, tias, irmãs e outros membros familiares, ainda assim é significativo que todas as mulheres, anciãs, adultas e jovens, possam participar dos espaços de plenária e aproveitar o momento de reunião política e proximidade física entre tamanha diversidade de povos. Afinal, a equidade de gênero e a luta pelo reconhecimento de pessoas de gêneros e sexualidades diversas em contextos indígenas é o motivo central do trabalho da Arandu, visando o fortalecimento da diferença dentro da coletividade e, nesta toada, potencializando a força política dos movimentos indígenas sobre suas próprias demandas.

A riqueza de idiomas marcou o espaço da tenda e contou da importância da educação intercultural, em uma experiência viva e transformadora para quem dela participou. É comum ouvir mães indígenas dizendo que seus filhos e filhas fazem parte da mobilização e garantir um espaço de qualidade para a formação e o encontro político é fundamental.

Nesse sentido, a Arandu, como ponto de apoio para famílias que vieram de tão longe, ao disponibilizar-se nos cuidados com as crianças, proporciona um ambiente confortável para que as famílias lutem pelos seus direitos e pela igualdade entre povos, com a certeza de que seus filhos estão seguros. Além disso, a experiência na tenda proporciona enriquecedoras trocas interpessoais, em uma oportunidade de ensinar, aos voluntários, a diversidade, a multiplicidade cultural e os diversos modos de vida que se misturam em um Brasil tão plural.

INCT Caleidoscópio tem GT aprovado no VI Colóquio Raça e Interseccionalidades l Submissão de resumos até 21 de setembro

INCT Caleidoscópio tem GT aprovado no VI Colóquio Raça e Interseccionalidades l Submissão de resumos até 21 de setembro

As pesquisadoras Jacqueline Fiuza da Silva Regis (INCT Caleidoscópio/CNPq) e Joana Plaza Pinto (UFG) farão a mediação do Grupo de Trabalho Enfrentamento a Racismos na Escola e na Universidade no VI Colóquio Raça e Interseccionalidades.

O evento ocorrerá de 19 a 22 de maio de 2026 na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Franca, localizada na cidade de Franca, São Paulo.

Com o tema “Discurso, Democracia, Antirracismo e Interseccionalidade”, o colóquio de formato híbrido compreende discurso como ação que produz efeitos nas práticas sociais. Deste modo, nele se materializam existências e se apontam ideologias, valores e hierarquias visíveis na sociedade. Além disso, o Congresso parte do pressuposto de que não há Democracia sem Antirracismo e que ambos ganham existência e circulam no discurso.

Entre os GTs aprovados, o INCT Caleidoscópio traz a proposta "Enfrentamentos a racismos na escola e na universidade" a fim de promover o debate decolonial sobre tecnologias sociais de enfrentamento a racismos na escola e na universidade, reunindo tanto resultados de pesquisas quanto relatos de experiências educativas e emancipatórias.

Ao entender que a questão racial é transversal em qualquer pesquisa e ação educativa, defende-se ser fundamental proporcionarmos espaços seguros para a elaboração dessa questão no encontro entre pessoas confrontadas cotidianamente com a violência racista, para o desenvolvimento de tecnologias sociais de emancipação, autofortalecimento e enfrentamento a toda e qualquer forma de racismo. 

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O cronograma do evento está dividido em fases. A primeira fase já está encerrada. As outras estão planejadas como exposto a seguir.

Segunda Fase:

  • Submissão de resumos para comunicação presencial para os GTs aprovados 21 de agosto a 21 de setembro de 2025.
  • Carta de aceite da submissão da segunda fase: 30 de outubro.

Terceira fase:

  • Submissão de comunicação por vídeo (participação on-line) 30 de setembro a 15 de outubro.
  • Carta de aceite da submissão da terceira fase 31 de outubro de 2025.

Para participar do evento, acesse o site oficial VI Colóquio Raça e Interseccionalidades e veja os detalhes da inscrição e submissão de trabalho!

Leia mais sobre a proposta do GT do INCT Caleidoscópio aqui!

4º encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo traz o tema “Colonização e Sexualidades Indígenas” no ciclo de aprendizados

4º encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo traz o tema “Colonização e Sexualidades Indígenas” no ciclo de aprendizados

Com o tema Colonização e Sexualidades Indígenas, o quarto encontro do ciclo de palestras do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” fará um dialogo sobre como a colonização estruturou e ainda estrutura dinâmicas de poder, agência, resistência e convivência ligadas às vivências e expressões da sexualidade entre povos e pessoas indígenas.

A transmissão ao vivo ocorrerá no dia 18 de agosto às 19:30 horas (horário de Brasília) pelo canal do YouTube do INCT Caleidoscópio. Com mediação da Amanda Ferreira, pós-doutoranda em Relações Internacionais pela PUC-Rio e integrante da Rede Arandu, a mesa é composta por:

    • Estevão Fernandes - antropólogo e professor da Universidade Federal de Rondônia, pós-doutor pela Brown University (EUA) e autor de Gay Indians in Brazil e Descolonizando Sexualidades.
    • Danilo Tupinikim - assessor Internacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), co-fundador do Coletivo TYBYRA, cientista político pela UnB e pesquisador do Instituto de Políticas Relacionais.
    • Bárbara Arisi - professora visitante no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFBA, com ampla trajetória acadêmica internacional, pós-doutora em Antropologia Social pela UFSC, ex-professora da UNILA e ex-diretora do Instituto Latino-Americano de Artes, Cultura e História (ILAACH).

Contamos com a sua presença para dar continuidade a este ciclo de aprendizados e formação política!

Salve a prévia no YouTube e receba notificação: 4º Encontro: Colonização e Sexualidades Indígenas

Sobre o curso de extensão

Este curso é uma iniciativa da Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, os encontros buscam debater a compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas, que convida a audiência a expandir horizontes de compreensão e descobrir a riqueza dos conhecimentos ancestrais que podem transformar nossa visão sobre experiências corporais e relações de gênero!

Isso é feito a partir de mesas-redondas e palestras abertas ao público, que buscam aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade, abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas com encontros virtuais e gratuitos.

Assista os encontros anteriores no canal do INCT Caleidoscópio: Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, era preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro.

Todos os encontros do curso estão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta.

Leia também: Terceiro encontro do curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo tem como tema "Mulheres Indígenas Fazendo Política": veja como assistir ao vivo

Sobre a rede Arandu

A Rede Arandu é uma rede interinstitucional criada com o objetivo de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais na construção de políticas públicas para povos indígenas desde uma perspectiva interseccional. Vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede propõe que a produção de conhecimento se dê a partir das necessidades expressas pelas próprias comunidades indígenas, com foco especial na diversidade de gênero e sexualidade.

O nome "Arandu" vem do guarani e significa sabedoria ancestral - conhecimento vivo construído no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos.

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

A iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.

Ocupando as Relações Internacionais em Rede na conferência ENABRI25: pela reconstrução política do conhecimento

Ocupando as Relações Internacionais em Rede na conferência ENABRI25: pela reconstrução política do conhecimento

Autoria: Amanda Ferreira, Tchella Maso, Xaman Korai Minillo, Yara Martinelli e Matheus Silveira.

A participação da Rede Arandu na conferência internacional ENABRI25 – Desenvolvimento e Diplomacia no Sul Global, realizada entre os dias 21 e 24 de julho de 2025 no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI/USP), representou um marco na afirmação de metodologias colaborativas, éticas e interseccionais de pesquisa junto a povos indígenas, com ênfase nas experiências e mobilizações de pessoas indígenas LGBTQIAPN+.

A presença da Arandu na conferência se deu por meio de uma mesa-redonda, três painéis temáticos e um minicurso nos quais integrantes da Rede compartilharam resultados de pesquisa, reflexões teóricas e propostas políticas, em diálogo direto com os desafios contemporâneos da governança global e do desenvolvimento sustentável desde o Sul Global.

A mesa-redonda intitulada “De territórios e globalidades: A Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidades” reuniu pesquisadoras e pesquisadores da Arandu para apresentar a trajetória da Rede, desde sua criação em diálogo com o Ministério dos Povos Indígenas até os desdobramentos atuais em diferentes frentes de atuação. A abertura do encontro resgatou o percurso coletivo e os princípios que sustentam a Rede, como a construção de metodologias ético-políticas de pesquisa fundamentadas na escuta, no acompanhamento e na coautoria com povos indígenas, em especial com o movimento indígena LGBTQIAPN+.

Ao longo da roda, foram compartilhadas experiências de articulação entre pesquisa, incidência em políticas públicas e práticas de cuidado, como o mapeamento bibliográfico, o desenvolvimento do protocolo ético, o projeto Tecendo Direitos e o programa Bem Viver Mais. Também se refletiu sobre as contribuições epistemológicas da Arandu para o campo das Relações Internacionais, enfatizando a necessidade de ocupar esse espaço com corpos, vozes e saberes insurgentes.

A apresentação foi concluída com uma mostra visual das ações da Rede, reafirmando seu caráter colaborativo, transdisciplinar e comprometido com a transformação social e epistêmica. O compartilhamento das experiências e reflexões ao longo da mesa foi fundamental para reforçar a necessidade de continuar a repensar as Relações Internacionais e a presença e protagonismo dos povos indígenas, além que a descolonização do pensamento não deve ser vista apenas enquanto escolha teórica, mas como postura ética, política e existencial.

Nos painéis temáticos, a Rede aprofundou o debate sobre a presença e a resistência de pessoas indígenas LGBTQIAPN+ nos espaços políticos e acadêmicos. Em “Ser dissidente no cu do mundo: Insubordinações de gênero no Brasil, fracassos das Relações Internacionais”, Tchella Maso (UnB) e Xaman Korai Minillo (UFPB) apresentaram a comunicação “Cúir do Queer: o movimento indígena LGBTQIAPN+ no Brasil”, propondo uma reflexão crítica sobre os limites disciplinares das Relações Internacionais diante das experiências de dissidência de gênero e sexualidade em contextos indígenas. Sebastian Henao, a partir da escuta junto ao JUIND, apresentou as experiências do território Guarani e Kaiowá na comunicação “JUIND e Bem Viver+: Relato de acompanhamento das ações do programa junto ao coletivo da Juventude Indígena da Diversidade Guarani e Kaiowá”.

No painel “Corpo-território e resistência: Gênero, interseccionalidade e lutas no Sul Global”, a apresentação de Yara Martinelli (UnB), Líndice Tavares (UFPB) e Flávia Belmont (PUC-Rio) discutiram os resultados preliminares de um mapeamento internacional das políticas públicas voltadas às populações Indígenas LGBTQIAPN+. A comunicação “Interseccionalidade, Políticas Públicas e Populações Indígenas LGBTQIAPN+: um mapeamento crítico de desaĮos e possibilidades de governança” abordou os desafios institucionais, os silêncios normativos e as potencialidades de construção de estratégias interseccionais de governança que incorporem as demandas desses coletivos de forma transversal e participativa.

Já no painel “Caminhos coletivos para saberes entrelaçados” apresentou o processo de construção coletiva dos fundamentos éticos e metodológicos da atuação da Rede. Giorgio Cristofani (Fiocruz) e Xaman Minillo aprofundaram reflexões críticas sobre o papel do acompanhamento e da devolutiva como prática epistemológica e política. Com base nas experiências acumuladas pela Arandu, argumentaram que a produção de conhecimento junto a povos indígenas LGBTQIAPN+ requer o abandono de métodos extrativistas e a adoção de posturas baseadas na reciprocidade, no cuidado e na co-autoria. Refletiram, também, sobre o papel dos espaços acadêmicos na luta pela justiça social e epistêmica.

Por fim, o minicurso “Metodologias Queer” foi ministrado por Amanda Ferreira (PUC Rio), membro da Rede Arandu, e Rica Prata (PUC Rio). Abordando teorias queer de maneira interdisciplinar, o minicurso objetivou ressaltar os vieses políticos no debate epistemológico e metodológico da disciplina de Relações Internacionais e apresentar aos diversos pesquisadoras e pesquisadores na audiência instrumentos para uma pesquisa crítica, ética e posicionada.

Alguns pontos debatidos foram: o apagamento dos processos de colonização, bem como da construção histórico-política do gênero, na disciplina de Relações Internacionais; a busca por métodos que utilizem objetos não-convencionais e que observem o político no que é tomado como natural; a relevância da radicalidade e do engajamento político na pesquisa queer; a reflexão sobre a posição do cientista na condução da pesquisa.

A participação da Arandu no ENABRI25 reafirmou a centralidade das epistemologias indígenas na produção de alternativas à política global dominante. Ao trazer para o centro do debate os corpos-territórios silenciados pelas lógicas coloniais e heteronormativas da academia e da diplomacia internacional, a Rede contribuiu para reconfigurar os horizontes da justiça climática, da soberania epistêmica e da própria noção de desenvolvimento. Em aliança com o movimento Indígena LGBTQIAPN+, a Arandu segue entrelaçando saberes e fortalecendo práticas políticas que visam à transformação das estruturas da ordem global a partir dos territórios e das margens.

 Foto: Divulgação Rede Arandu.

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio é pauta de matéria da UnBTV

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio é pauta de matéria da UnBTV

I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio - VIII Práticas Socioculturais e Discurso, realizado nos dias 29, 30 e 31 de Outubro de 2024, no campus Darcy Ribeiro, foi pauta de uma matéria produzida pela UnBTV, o canal de televisão da Universidade de Brasília.

Na matéria, são entrevistadas Viviane Resende, coordenadora do INCT Caleidoscópio, Maria Emília Telles, decana de Pesquisa e Inovação da UnB, Deborah Santos, secretária de Direitos Humanos da UnB, e Andreza Xavier, coordenadora do Ministério da Mulheres.

Produzida por Daniele Gruppi, a matéria na íntegra está abaixo.