Jacqueline Fiuza, pesquisadora do INCT Caleidoscópio, retorna ao país pelo programa de Repatriação de Talentos Conhecimento Brasil em contexto de diáspora científica

Jacqueline Fiuza, pesquisadora do INCT Caleidoscópio, retorna ao país pelo programa de Repatriação de Talentos Conhecimento Brasil em contexto de diáspora científica

Autoria: Daniel Silva

Em entrevista com Jacqueline Fiuza.

Lançado em julho do ano passado, o programa Conhecimento Brasil é uma iniciativa inédita do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para atrair de volta ao país pesquisadoras e pesquisadores da diáspora científica com o Programa de Repatriação de Talentos.

Como estima o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, veiculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), cerca de 6,7 mil cientistas foram continuar suas pesquisas no exterior nos últimos anos, muito em virtude da falta de investimentos, bolsas de pesquisa congeladas e corte de verba para manutenção de equipamentos.

Fora isso, segundo o presidente do CNPq, Ricardo Galvão – em divulgação pela TV Brasil – o país forma mais cientistas do que consegue empregar, o que provoca a busca de oportunidades para a carreira científica no cenário internacional.

Além da baixa oferta de emprego e concursos públicos, a diáspora acadêmica ocorre por motivos diversos e de maneira mais complexa, conforme aponta reportagem da Agência Brasil, publicada em 2023.

Diante deste cenário, houve uma retomada de investimentos, ainda que tímida, com aumento de recursos para o CNPq e para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes): o programa Conhecimento Brasil surge neste contexto, a fim de trazer ao país especialistas capazes de ajudar a promover o desenvolvimento científico, tecnológico e social também em âmbito Nacional.

Com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), gerido pelo MCTI, a oportunidade de proporcionar o retorno ao país e estreitar laços com universidades e empresas — através do Programa de Repatriação de Talentos Conhecimento Brasil — teve boa aceitação pela comunidade científica.

Nas duas chamadas realizadas houve manifestação de interesse de mais de 2.500 cientistas brasileiras radicadas em 56 países em regressar ao Brasil ou atuar em cooperação científica com instituições e empresas nacionais, de acordo com os dados da demanda bruta submetida às duas chamadas do programa.

Na chamada de Atração e Fixação de Talentos do programa Conhecimento Brasil, foram submetidas 1390 propostas para a linha 1, e 136 para linha 2. Destas, 40,7% foram aprovadas na primeira linha e 24,3% na segunda – a linha 1 estabelece o desenvolvimento de projetos em universidades e institutos de pesquisa brasileiros, enquanto a linha 2 proporciona a cooperação de propostas com empresas.

Ao todo, foram aprovados 599 projetos de pesquisadoras e pesquisadores que atuavam no exterior ou que concluíram doutorado ou pós-doutorado fora do país a partir de 2019. Com isso, será possível trazer de volta ao Brasil cientistas brasileiros e brasileiras atualmente residentes em 34 países, distribuídos por todos os continentes, para desenvolverem seus projetos, ao longo de até cinco anos, nas duas linhas de atuação previstas.

Entre os 54 projetos aprovados na área de conhecimento das ciências humanas, há 10 linguistas contempladas, e entre as 10 propostas se destaca a pesquisadora Jacqueline Fiuza da Silva Regis, que estava atuando na Alemanha e agora irá desenvolver um projeto vinculado ao INCT Caleidoscópio na Universidade de Brasília (UnB).

INCT Caleidoscópio dá as boas-vindas a Jacqueline Fiuza

Com uma proposta de trabalho alinhada a missão do INCT Caleidoscópio que visa compreender e enfrentar desigualdades, violências e iniquidades interseccionais em perspectiva feminista sobre gênero e sexualidade, Jacqueline Fiuza propõe uma pesquisa de análise crítica e decolonial do discurso sobre o corpo que menstrua e vivencia a menopausa com título: Análise linguístico-textual de representações discursivas sobre corpos em idade (pós-)menstrual: pesquisa, extensão e comunicação científica.

No campo do trabalho de extensão, o projeto busca realizar trocas e popularização de saberes sobre a saúde desse corpo. Desta forma, o conhecimento produzido pode fomentar o desenvolvimento de tecnologias sociais que contribuam para garantir mais dignidade e superar desigualdades que atravessam estes corpos.

Com mais detalhes, Jacqueline explica que a ideia central do projeto é a análise crítica, decolonial e antirracista do discurso sobre o corpo que menstrua e vivencia a menopausa, promovendo também extensão com troca e popularização de saberes sobre a saúde desse corpo. O objetivo é fomentar o desenvolvimento de tecnologias sociais que contribuam para garantir mais dignidade e superem desigualdades, promovendo o acesso e permanência destes corpos não só na comunidade científica, mas também em outras esferas públicas de prestígio e poder.

Jacqueline é mãe de três filhas, PhD pela Universidade Friedrich Schiller, Jena, Alemanha; Doutora em Linguística pela UnB (Cotutela e Bolsa Capes/DAAD); e em 2021, realizou estudos pós-doutorais em Stuttgart na área de Educação sobre temas que se encaixavam com sua atuação docente.

Desde de 2020, a pesquisadora atuava como professora de classe numa escola de ensino fundamental na Alemanha, país para onde foi em 2019 para acompanhar seu companheiro e pai de suas filhas no período do seu estágio pós-doutoral na Universidade de Tübingen. 

Poucos meses após a nossa chegada, foi declarada a pandemia de coronavírus e as fronteiras foram fechadas. Diante das incertezas e da desastrosa condução política no Brasil àquela época, que já tinha motivado nossa saída, decidimos continuar mais algum tempo na Alemanha, país que já fazia parte da minha biografia transmigratória.”, relata Jacqueline.

Embora tivesse concluído seu doutoramento pouco tempo antes e estivesse realizando um estágio pós-doutoral, “não me via seguindo carreira acadêmica, porque a maternidade parecia não ser conciliável com uma academia ainda muito alheia às especificidades da condição de mãe-pesquisadora.”, conta a pesquisadora.

“Depois de 10 anos, três partos e incontáveis horas de amamentação paralelamente à pesquisa, não me sentia nem adequada nem bem-vinda neste espaço com expectativas que ignoram necessidades específicas da mulher-mãe-pesquisadora. Lembremos, por exemplo, que só em 2021 o CNPq anuncia a inclusão do campo licença-maternidade no Currículo Lattes. O fato de concursos públicos para cargos estáveis para professora universitária só pontuarem a produção dos últimos cinco anos, por exemplo, significa para mães de crianças pequenas um convite discreto a sair do páreo. Quando se estava, nos últimos cinco anos, gestando, parindo, amamentando e lamentando o fato de toda a atuação anterior não ser mais considerada, não parece razoável acreditar ter chances diante de uma concorrência que não carrega nas costas a responsabilidade da parentalidade. Isso é uma questão ainda mais excludente se considerarmos a grande carência de oferta de educação infantil especializada, acessível, universal e gratuita. Uma universidade que prevê e reconhece a parentalidade como potencialmente pertencente e não como empecilho à vida da pesquisadora, deveria por exemplo ter creches para a comunidade universitária, para todas as famílias atuando desde os serviços gerais até à pesquisa de ponta, passando pelas estudantes.” diz.

Por estes motivos, embora seguisse estudando e atuando como pesquisadora independente, com contato com o Laboratório de Estudos Críticos do Discurso (LabEC), da UnB, Jacqueline nos conta que havia dado por encerrada sua atuação na Universidade — mesmo já tendo sido professora colaboradora junto ao Núcleo de Estudos Linguagem e Sociedade, CEAM/UnB, no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade de Brasília, especialidade Língua Portuguesa; docente de Língua Alemã na Universidade de Brasília; e da área de Romanística na Universidade Friedrich Schiller.

Como mulher e mãe, eu não vislumbrava a saída da precariedade dessa atuação sem estabilidade, estabilidade possível para quem pudesse se dedicar exclusivamente à carreira acadêmica sem os desvios impostos pela parentalidade responsável e dedicada. De forma independente, segui nos últimos cinco anos pensando, lendo e pesquisando sobre questões relacionadas a língua, poder, corpo, cultura e à luta antirracista, especialmente em perspectiva afrodiaspórica. Minha pesquisa acontecia orgânica e biograficamente nas vivências do cotidiano marcado num corpo com útero e fenótipo racializado, lido como mulher não branca, num contexto majoritariamente marcado pela branquitude e cunhado no patriarcado colonizador e racista da modernidade.”, diz Jacqueline.

E seu relato continua: “Apesar da alta qualificação, atuando esses cinco anos como professora numa escola de ensino fundamental na Alemanha, me vi constantemente na condição marginal de ‘outsider within’, para valer-me da denominação cunhada por Patricia Hill Collins, que argumenta “que muitas intelectuais negras têm feito uso criativo de sua marginalidade, do seu status de ‘outsider within’, para produzir um pensamento feminista negro capaz de refletir um ponto de vista especial em relação ao ‘self’, à família e à sociedade” (Hill Collins, 2016, p. 99). Não demorou muito tempo para perceber que eu era relativamente bem-vinda, mas nunca com igualdade de direitos ou de poderes, certamente com mais deveres.”

De acordo com a pesquisadora, para conseguir lidar melhor com essa situação, foi fundamental a conexão com outras pessoas marcadas pela migração e pela racialização e que sentiam igualmente na pele o racismo manifesto no cotidiano. “Foi fundamental a conexão com associações de migrantes. Foi fundamental conhecer a Telar e.V., uma organização da sociedade civil de Tübingen, que se entende como tecelagem, com o objetivo de conectar e ligar projetos e iniciativas migrantes, possibilitando a criação de um tecido colorido e diversificado de diferentes cores e padrões.”, diz.

Uma das ações promovidas pela Telar e.V. é o trabalho de comunicação comunitária participativa. Nesse escopo pude participar num curso de formação para o trabalho com radiofonia e podcast, conduzido pelas transmigrantes colombiana Ivonne Cadavid, peruana Maja Tillman e camaronesa Rufine Songué, em cooperação com rádio livre comunitária de Tübingen, Wüste Welle, e participar na mesa de redação do “Wir erzählen: Frauen machen Radio” (Nós vamos contar: mulheres fazendo rádio). Essa experiência, além de me fortalecer a alma diante dos encontros e da solidariedade migrante em uma rede Sul-Sul no Norte global, me capacitou e impulsionou para iniciar a rádio produção e podcast Migrofone (um microfone para migrantes), com o objetivo de aumentar a visibilidade, ou melhor, a audibilidade, de nossas vozes e de nossas histórias, em narrativas próprias, em contraponto a discursos sobre nós, sem nossas vozes, tão presentes e difundidos pela mídia tradicional., diz.

 Foto: Maja Tillmann. Jacqueline Fiuza com Zaitoun, Laura Marcela Aguirre-Martínez e Natasha Yazdani.

Esse trabalho de comunicação participativa ou comunitária é também um dos eixos do projeto “Análise linguístico-textual de representações discursivas sobre corpos em idade (pós-)menstrual: pesquisa, extensão e comunicação científica”, aprovado pelo CNPq, no âmbito do programa Conhecimento Brasil, a ser desenvolvido dentro do INCT Caleidoscópio.

INCT Caleidoscópico como um oásis na paisagem desértica da academia

“Depois de minha decisão de abandonar a universidade, o INCT Caleidoscópico, fundado em 2022, surgiu no meu horizonte como um oásis na paisagem desértica da academia: um instituto de ciência e tecnologia declaradamente feminista e que objetiva ser um espaço seguro para a pesquisa comprometida com o combate decolonial e antirracista a iniquidades, desigualdades, violências de gênero e sexualidade em todas a formas possíveis de imbricação, com uma Incubadora Social, onde eu poderia caber na minha condição de mulher, com corpo que (ainda) menstrua e que materna. Por isso procurei a Profa. Dra. Viviane de Melo Resende, coordenadora atual do INCT, com a proposta de coordenar nessa Incubadora Social da Nucleação Centro-Oeste um projeto de pesquisa, extensão e comunicação científica sobre de representações discursivas sobre corpos em idade (pós-)menstrual.”, diz.

Alinhado à temática do projeto na qual a pesquisadora se debruça, foi apresentado no I Seminário Internacional do INCT Caleidoscópio: Práticas Socioculturais e Discurso um texto que explora sua proposta de análise crítica, decolonial e antirracista do discurso sobre o corpo que menstrua e vivencia a menopausa. Com título “Sangrando da Menarca à (Pós-)Menopausa: Uma Proposta de Pesquisa, Extensão e Divulgação Científica sobre Representações Discursivas de Corpos que Menstru(av)am”.

Neste trabalho, é possível ter uma visão das premissas e perspectivas que a pesquisadora traz, ao passo que reforça a importância social, acadêmica e científica do tema em suas dimensões de troca e popularização de saberes sobre a saúde desse corpo, a fim de fomentar o desenvolvimento de tecnologias sociais que contribuam para garantir mais dignidade e superar desigualdades, possibilitando o acesso e permanência destes corpos não só na comunidade científica, mas também em outras esferas públicas de prestígio e poder.

Leia o artigo na íntegra pelo linkSangrando da Menarca à (Pós-)Menopausa: Uma Proposta de Pesquisa, Extensão e Divulgação Científica sobre Representações Discursivas de Corpos que Menstru(av)am

A menstruação e o corpo que menstrua é um tema também trabalhado por outros projetos na Nucleação Centro-Oeste que dialogam e que se articulam com a proposta de pesquisa de Jacqueline. Coordenados pela pesquisadora Maria Carmen Aires Gomes, em colaboração com uma rede de pesquisadoras de diferentes regiões e instituições, os projetos intitulados MEInstruAÇÃO – Enredando o Caleidoscópio no debate sobre as relações entre discurso, pobreza menstrual, meio ambiente e ciência em escolas de ensino médio no Brasil (CNPq) e Pobreza e Dignidade Menstrual, Meio Ambiente e Ciência: Enredando o Caleidoscópio em escolas do DF (FAPDF) promovem o letramento em educação menstrual de forma emancipatória, crítica e feminista decolonial, por meio de ações como oficinas, palestras-dialogadas e rodas de conversa. As atividades são realizadas em espaços coletivos, colaborativos e seguros, que favorecem a troca de saberes-poderes capazes de enriquecer e retroalimentar as práticas propostas.

Suas ações partem dos objetivos de identificar e analisar as narrativas de estudantes do Ensino Médio sobre as experiências e os conhecimentos sobre a menstruação para subsidiar ações e práticas emancipatórias e decoloniais; ressignificar as experiências e vivências com a menstruação (tabus, mitos, ordenamentos, estigmas) de forma a criar outras narrativas para um problema que assola as pessoas que menstruam: a falta de dignidade menstrual; e, por fim, debater sobre as relações entre o uso de tecnologias menstruais, o descarte e a sustentabilidade ambiental. Conheça mais sobre o projeto nesta edição do Boletim do Observatório Nucleação Sul/Sudeste do INCT Caleidoscópio.

Acesse o Instagram oficial do projeto e acompanhe suas ações de divulgação científica: MEInstruAÇÃO - @projetomeinstruacao.

Sou muito grata pela ideia ter sido acolhida, não só pela professora Viviane, mas também por minhas parceiras, colaboradoras nesse intento que por natureza não poderia nunca ser individual. O projeto será desenvolvido em colaboração com a Profa. Dra. Dayane Augusta Santos da Silva, docente no Instituto Federal de Brasília (IFB), e estudantes do Ensino Médio desta instituição. Outra colaboradora é a jornalista Daniele Gruppi de Mendonça, também doutora em Linguística e especialista em Estudos do Discurso, servidora atuando na UNBTV. Além de Dayane e Daniele, também colabora nessa empreitada a pesquisadora sênior, aposentada da Universidade de Brasília, Profa. Dra. Silvéria Maria dos Santos, enfermeira obstetra/parteira e educadora popular, com uma longa trajetória e sapiência em estudos de epistemologias do sul, feministas e de gênero, em história das mulheres, movimentos populares e educação popular em saúde, saberes e experiências da tradição oral, com foco na atuação de parteiras, raizeiras, benzedeiras, rezadeiras e arteducadoras. Por último, mas de forma alguma menos importante, nos alegra demasiado ter conosco a renomada pensadora decolonial transmigrante afrodominicana, doutora em Antropologia Social, Rosa Inés Curiel Pichardo, mais conhecida como Ochy Curiel, uma teórica feminista, decolonial, antirracista, lésbica, cantora e antropóloga social, ativista no movimento de mulheres afro-caribenhas e defensora de que o lesbianismo não seja identidade, orientação, nem preferência sexual, mas sim uma posição política. Marcante em quase todas as trajetórias do nosso grupo são as vivências migratórias, atuais ou passadas, aspecto também importante quando nos dedicamos a pesquisar sobre as histórias dos corpos.”, diz.

Jacqueline nos conta que é muito gratificante vivenciar o reconhecimento, por parte do CNPq, da importância da diáspora científica, num tempo em que a transmigração caracteriza a biografia de tantas e, apesar do enriquecimento das experiências, muitas vezes dificulta a permanência na carreira acadêmica — quando frequentemente os famigerados últimos cinco anos tendem a não ter sido tão produtivos nos termos de uma academia meritocrática e produtivista, tantas vezes pensada para trajetórias lineares, sem desvios, relata ela.

“Entendo que com o programa Conhecimento Brasil, e com o retorno de investigadoras provenientes de mais de trinta países diferente com as mais diversas experiências acumuladas, ganha a academia brasileira com a riqueza desse tesouro, e ganhamos nós pesquisadoras pela possibilidade de voltar à terra natal com financiamento e todo o suporte necessário para construir os alicerces dos próximos cinco anos, ampliando nossas chances e condições de chegar a uma posição laboral estável para atuação na pesquisa e na docência numa instituição brasileira. No caso do nosso projeto, vinculamos essa oportunidade a um esforço de adequação dos espaços acadêmicos, físicos e simbólicos, a necessidade de nossos corpos que menstru(av)am, e de outros corpos que não representam o corpo branco homem cis heterossexual (idealmente nascido no norte global), para que possamos ocupar esses latifúndios, acadêmicos ou não, que também nos pertencem, desde sempre.”, finaliza.

A pesquisadora Jacqueline estará de volta ao Brasil em breve, e assume a coordenação de três grupos temáticos (GT) na Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, com sede na UnB. Os GTs são: GT Saúde das mulheres nas IES; GT Tecnologias de enfrentamento ao racismo em escolas e IES; e GT Histórias e memórias de mulheres: educação e visibilidade.

Toda a comunidade do INCT Caleidoscópio celebra a iniciativa do Programa de Repatriação de Talentos devido diáspora científica: Conhecimento Brasil, e reforça a importância de mais programas e oportunidades para cientistas do país de modo que possibilitem que façam ciência nacional com investimento e amparo para sobrevivência e existência de seus corpos em suas carreiras.

Nossas atividades podem ser acompanhadas pelas páginas de Notícias do nosso site e pelo nosso Instagram @inctcaleidoscópio.

Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo realiza segundo encontro com temática “Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas”

Curso Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo realiza segundo encontro com temática “Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas”

Entre Subjetividade e Institucionalização: gênero e sexualidade em contextos indígenas é a temática do segundo encontro do ciclo de palestras do curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo”, promovido pela Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade - Arandu, vinculada ao Observatório e Incubadora da Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio.

Transmitido ao vivo no dia 16 de junho às 19:30 horas (horário de Brasília) pelo canal do YouTube do INCT Caleidoscópio, este encontro tem como proposta debater nossa compreensão sobre corpo, gênero e sexualidade com protagonismo de epistemologias indígenas.

Visto que, as experiências de gênero e sexualidade em contextos indígenas desafiam as categorias impostas pelo pensamento ocidental e revelam formas plurais de existência, esta palestra propõe ser um espaço de escuta e diálogo sobre como essas vivências são construídas, tensionadas e, muitas vezes, institucionalmente silenciadas ou renomeadas. Para além das reflexões sobre essas questões no Brasil, também será feito um debate sobre discursos hegemônicos e internacionais de emancipação sexual e seu potencial de colonizar subjetividades a partir de novas roupagens.

Leia também: Curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” estreia no dia 26 de maio com transmissão ao vivo e 8 meses de duração

Para realizar essas e outras considerações, o encontro conta com a presença de Paulo de Tássio Borges da Silva, líder do Grupo de Pesquisa Kijetxawê e vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF) e à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); de Thyara Pataxó, participante do Coletivo e Instituto Ipakéy e do Coletivo APOEMA, e estudante da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e de Manuela Picq, professora da Amherst College, e integrante do La Coletiva e do Movimento de Defensores da Água nos Páramos de Kimsakocha.

Com mediação da Tchella Maso (UnB), coordenadora da rede Arandu, o segundo encontro incentiva pensar as relações entre subjetividades indígenas, gênero e sexualidade e poder, sendo um aporte fundamental do ciclo de oito palestras do espaço de escuta, troca e formação com pessoas acadêmicas e não acadêmicas, de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação. Ao fim, cada encontro contribuirá em distintos aspectos para aprofundar reflexões e colaborações no campo de Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

Para participar do curso, não é necessário realizar inscrição prévia, entretanto, para receber certificado, é preciso se inscrever pelo formulário até o dia 23 de junho, e preencher a lista de presença disponibilizada durante cada encontro. Acesse o formulário de inscrição clicando aqui.

Todos os encontros do curso ficarão disponível no canal do INCT Caleidoscópio no YouTube para ampliar o alcance e o impacto da proposta. 

Sobre o curso de extensão

O curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” teve início no dia 26 de maio, sendo o primeiro encontro de oito que serão realizados de maio a dezembro, toda segunda-feira na terceira semana de cada mês, às 19:30 horas, ao vivo pelo YouTube do INCT Caleidoscópio.

Com o tema Direitos Indígenas, Políticas Públicas, Território, participaram de Niotxarú Pataxó, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI); Gualoy Guarani e Kaiowá, da JUIND (Juventude Indígena da Diversidade Guarani Kaiowá). A abertura partiu do contexto histórico de invisibilização e marginalização dos povos indígenas, destacando o papel fundamental da temática na construção de uma academia mais inclusiva e representativa.

A discussão se torna mais relevante considerando os desafios contemporâneos enfrentados pelos povos indígenas na garantia de seus direitos territoriais, identitários e de acesso às políticas públicas específicas, especialmente quando interseccionamos essas questões com as diversidades de gênero e sexualidade presentes nas cosmologias indígenas.

A transmissão salva pode ser acessada pelo link abaixo:

Acesse o primeiro encontro pelo link1º Encontro Direitos Indígenas, Políticas Públicas, Território l curso de extensão Rede Arandu

O curso de extensão é promovido a partir de diálogos qualificados entre lideranças indígenas e pesquisadoras(es) acadêmicos, ao longo de oito meses com duração total de 60 horas. Os encontros acontecerão no período noturno com participantes de diferentes etnias, territórios, países e campos de atuação, promovendo o diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são centrais para o campo.

A iniciativa da rede Arandu (Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade) propõe mesas-redondas e palestras abertas ao público, com o objetivo de aproximar saberes acadêmicos e não acadêmicos e valorizar os conhecimentos indígenas em diálogo com as temáticas de gênero e sexualidade. Abordando questões centrais para a compreensão das interseções entre território, políticas públicas, sexualidades e corporeidade nas comunidades indígenas e colonas, os encontros virtuais e gratuitos têm início em maio e se estendem até o mês de dezembro.

Leia também: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

A presença e o protagonismo de vozes indígenas nesses debates são centrais para descolonizar o conhecimento acadêmico. Assim, pretende-se ampliar sua visibilidade e, na mesma medida, o horizonte de compreensão sobre as diversas formas de existir e se relacionar no mundo, destacando cosmologias e entendimentos diversos sobre experiências corporais e relações de gênero.

Dessa forma, a formação busca contribuir para a construção de pontes entre a universidade e outros espaços de produção de conhecimento. Ao promover o contato com a literatura existente na área, fomentar novas perguntas e estimular a criação de redes, a iniciativa fortalece a formação crítica dos participantes e questiona paradigmas eurocêntricos e heteronormativos predominantes na academia.

Ao incentivar o questionamento de paradigmas eurocêntricos e heteronormativos que ainda prevalecem na academia e na sociedade, a iniciativa também contribui para o desenvolvimento de perspectivas teóricas e metodológicas inovadoras, proporcionando um aprendizado situado por meio do diálogo direto com autoras(es) e lideranças indígenas cujas ideias são fundamentais para o campo. 

Com uma programação diversa e aberta, o curso fortalece redes de pesquisa, afeto e atuação política, contribuindo para a construção de pontes entre diferentes formas de conhecimento e para a democratização do saber.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.

Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências: cartilha orienta para a transformação da cultura universitária

Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências: cartilha orienta para a transformação da cultura universitária

A cartilha Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências é uma iniciativa da Universidade de Brasília (UnB), desenvolvida pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística da Libras – GEPLIBRAS, com o apoio da Editora Pontes, a fim de promover um ambiente acadêmico mais inclusivorespeitoso e igualitário.

Destinada a estudantes, docentes, servidores e toda a comunidade universitária, a obra aborda de forma detalhada e objetiva as diversas formas de assédio e discriminação no cotidiano acadêmico. Com conceitos fundamentais que ajudam a identificar comportamentos abusivos e práticas discriminatórias, muitas vezes naturalizadas no cotidiano acadêmico. Compreender esses conceitos é o primeiro passo para transformar a cultura universitária em uma experiência mais inclusiva, segura e equitativa para todas as pessoas.

Com definições acessíveis e exemplos práticos, a cartilha trata de temas essenciais, como assédio moral e sexualdiscriminação racial, de gênero e por deficiência, entre outras violências institucionais, além de oferecer orientações sobre como identificaragirregistrar denuncias nos tipos de canais de apoio dessas práticas que ocorrem no ambiente universitário, dando destaque sobre como estas afetam diretamente qualidade de vida acadêmica.

O grande diferencial da cartilha está na acessibilidade: ela possui tradução completa em Libras, com um QR Code que direciona para um vídeo explicativo. O vídeo conta com áudio narradoilustrações e interpretação completa em Libras, tornando o conteúdo acessível a toda a comunidade acadêmica, inclusive à população Surda.

A cartilha Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências é uma iniciativa da Universidade de Brasília (UnB), desenvolvida pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística da Libras – GEPLIBRAS, com o apoio da Editora Pontes, a fim de promover um ambiente acadêmico mais inclusivo, respeitoso e igualitário.
Imagem: Acesse a versão em vídeo desta cartilha com interpretação em Libras pelo QE Code acima.

Esta cartilha é mais do que um material educativo; é um convite à transformação da cultura universitária, ajudando a criar espaços mais seguros e acolhedores para todos. A UnB reafirma seu compromisso com um ambiente seguro, plural e inclusivo para estudantes, docentes, servidores e trabalhadores terceirizados. Para isso, é essencial compreender e combater assédios, discriminações e outras violências que podem comprometer o bem-estar acadêmico.

Esta cartilha foi desenvolvida para informar, conscientizar e orientar toda a comunidade acadêmica sobre a prevenção e o enfrentamento dessas situações. Este material é o ponto de partida da coleção de seis cartilhas com foco na prevenção e combate à violência no ambiente universitário.

Acesse a cartilha pelo link a seguir: Cartilha Prevenção e Combate aos Assédios, Discriminações e Outras Violências

Compartilhe esta cartilha com todos e todas, e vamos em busca de um ambiente acadêmico mais inclusivo e livre de assédio e discriminação. Juntos, podemos promover um espaço de respeito e equidade para todos.

Conheça a Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

Conheça a Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade

Arandu nasceu em meados de 2024, a partir do diálogo com a Coordenadoria de Política para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas, com o objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas voltadas aos povos indígenas, desde uma perspectiva interseccional e transversal. Isso significa reconhecer e articular as vivências e experiências marcadas por gênero, sexualidade, raça e etnia.

A Arandu nasce do compromisso de aproximar Estado, Universidade e Movimentos Sociais, por meio do que Rita Laura Segato definiu como uma antropologia por demanda — ou seja, um modo de produzir conhecimento a partir das necessidades expressas pelas próprias pessoas, coletivos e instituições envolvidas — com foco na melhoria da qualidade de vida desde a perspectiva de quem protagoniza as lutas por direitos.

Arandu é uma palavra indígena guarani que carrega em si o sentido profundo da sabedoria ancestral. É conhecimento vivo, construído na escuta, no diálogo e na troca entre pessoas, tempos e mundos. É esse o espírito que guia a nossa rede: cultivar saberes compartilhados, enraizados no respeito, na diversidade e na luta por futuros mais justos, plurais e comunitários.

Leia também: Curso de extensão “Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo” estreia no dia 26 de maio com transmissão ao vivo e 8 meses de duração

A rede integra o INCT Caleidoscópio - Nucleação Centro-Oeste e compartilha de seus objetivos estratégicos. No contexto da Arandu, esses objetivos ganham forma a partir de ações voltadas às realidades dos povos indígenas, com foco na diversidade de gênero e sexualidade:

1️⃣ Observatório de indicadores de violências e vulnerabilidades voltado ao monitoramento de situações que afetam mulheres indígenas e indígenas LGBTQIA+ no contexto acadêmico e em seus territórios, contribuindo com dados para o enfrentamento dessas violências.

2️⃣ Desenvolvimento de tecnologias sociais e de comunicação que sirvam como instrumentos de fortalecimento comunitário e subsídios para políticas públicas interseccionais, especialmente voltadas a pessoas indígenas em situação de vulnerabilidade por razões de gênero, sexualidade, raça e etnia.

3️⃣ Incubar projetos reunindo pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, da pós-graduação ao ensino médio, na Incubadora do INCT Caleidoscópio, a fim de aprofundar a relação entre universidade e sociedade na produção de conhecimento situado e coletivo.

4️⃣ Promoção de ações de transferência de conhecimento e divulgação científica, com linguagem acessível e intercultural, voltadas à valorização das trajetórias indígenas e à sensibilização de futuras gerações sobre a importância da diversidade nos espaços de produção de saber.

Nos orientamos por uma ética comprometida com os povos indígenas, inspirada na metodologia proposta por Linda Tuhiwai Smith. Nosso compromisso é com a construção de um conhecimento engajado, dialógico e propositivo, como propõe Patricia Hill Collins, voltado para a justiça social e a pluralidade das formas de existir e resistir.

Leia também: Rede Arandu na Etapa Sul do Seminário Regional de Consulta do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIA+

Para nos apresentar de forma mais ampliada, produzimos uma apostila que descreve quem somos, as atividades de um coletivo indígena LGBTQIAPN+, os coletivos nacionais e internacionais, um mapeamento de políticas públicas para estes grupos, e o protocolo seguido pela rede Arandu para realizar pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil.

Dada a responsabilidade ética envolvida na realização de pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil, a rede Arandu, em colaboração com ativistas e pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, produziu de forma coletiva e colaborativa um protocolo ético de atuação para conduzir as atividades da rede. Acesse nossa apostila e conheça mais sobre as nossas ações clicando aqui.

Outra produção de impacto da rede Arandu é uma cartilha de título Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: Um lugar na mesa de negociaçãoEsta cartilha tem como objetivo explicar por que e como as pessoas indígenas que vivenciam o gênero e a sexualidade de modos não-normativos são importantes nas negociações do clima. Para isso, é abordado a relação entre os direitos humanos e a emergência climática; as negociações sobre clima e da COP30 no Brasil; as lutas indígenas LGBTQIAPN+ em interface com a política climática, e a política climática brasileira.

Essa cartilha foi elaborada de forma colaborativa por diversos grupos e coletivos comprometidos com a produção e a difusão de conhecimentos interdisciplinares e interseccionais. Participaram da sua construção a Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa: Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade; Brasília Research Center – Rede Earth System Governance; o Coletivo TYBYRA; o Grupo de Pesquisa em Relações Internacionais e Meio Ambiente (GERIMA-UFRGS); e o INCT Caleidoscópio – Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

Acesse a cartilha clicando no link a seguir: Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: Um lugar na mesa de negociação

Nossa equipe

A rede Arandu é composta por um grupo diverso de pesquisadores e ativistas, indígenas e não-indígenas, de diversas instituições do Brasil: professores, doutores, mestrandos e estudantes de graduação. Conheça nossa equipe:

Tchella Maso - Universidade de Brasília (NUGRAD- Núcleo de Pesquisa sobre Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional/ Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global).

Xaman Minillo - Universidade Federal da Paraíba - UFPB (Departamento de Relações Internacionais, Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais - PPGCPRI).

Amanda Ferreira - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC Rio (Instituto de Relações Internacionais - IRI).

Líndice Beatriz Tavares de Souza - graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba.

Alessandra Prates Barreras Carriero - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Doutoranda (PGDR), Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global, Relações Internacionais e Meio Ambiente.

Azzy Melo de Sousa - Especialista em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca ENSP (FIOCRUZ / RJ) e Mestranda em Antropologia (UFC / UNILAB) e Grupo de Pesquisa sobre Povos Indígenas (UNILAB-CE).

Flávia Belmont - Doutora pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC Rio e membro do NUGRAD - Núcleo de Pesquisa sobre Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional, vinculado à Universidade Federal de Uberlândia.

Nicholas Ian do Nascimento Pedroso - graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba.

Júlia Machado Dias - Mestra em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Especialista em Políticas Públicas de Gênero para América Latina e Caribe pelo Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (CLACSO), Consultora do Ministério dos Povos Indígenas.

Danilo Tupinikim - Graduado em Ciência Política pela Universidade de Brasília, co-fundador do Coletivo TYBYRA e Assessor Internacional na APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

Katiuscia Moreno Galhera - Professora visitante PPGS- Universidade Federal da Grande Dourados.

Giorgio Garcia Cristofani - Pesquisador em saúde indígena (Fiocruz); Coordenador de Engajamento Comunitário (ISARIC); Mestre em Relações Internacionais (PUC Rio); Núcleo de Pesquisa sobre Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional (NUGRAD); Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global.

Alane Beatriz - indígena Baré, graduanda em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília.

Amanda Cruz - Mestre em Relações Internacionais -PUC Rio (Instituto de Relações Internacionais - IRI).

Kiga Boé - Doutoranda em Antropologia Social na Universidade Federal de Goiás, co-fundadora do Coletivo TYBYRA.

Nickolas Sá - Professor na Universidade Federal de Roraima e doutorando Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC Rio (Instituto de Relações Internacionais - IRI).

Yara Resende Marangoni Martinelli - Assessora de Projetos (ABM); Coordenadora da Câmara Técnica de Políticas Sociais e Combate às Desigualdades do Conselho da Federação; Mestre em Relações Internacionais (UnB); Pesquisadora do Brazilian Research Center do Earth System Governance; Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global.

Sebastián Granda Henao – Professor Visitante no Programa de Pós-Graduação em Fronteiras e Direitos Humanos na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Coordenador do Projeto de Extensão Acolher!, membro do Observatório de Protocolos Comunitários de Consulta Prévia, Livre e Informada e do Grupo de Pesquisa Povos Indígenas e Política Global.

Observatório Caleidoscópio, INOVA UNICAMP e COCEN alinham proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista na Unicamp

Observatório Caleidoscópio, INOVA UNICAMP e COCEN alinham proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista na Unicamp

A Profª. Karla Bessa, vice-coordenadora do INCT Caleidoscópio e pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, em conjunto com a Pós-doutoranda Mirlene Simões (INCT/PAGU/CNPq), tem promovido gestões com atores locais na UNICAMP para a promoção de ações referentes à equidade de gênero nas ciências e nas Instituições de Ensino e Pesquisa, com foco nas áreas Tecnológicas em diálogo com as Artes e Humanidades.

Em março deste ano, ambas visitaram à INCAMP, a incubadora de empresa de base tecnológica da UNICAMP, para um primeiro contato e conhecimento das ações da INCAMP. Em Abril, em uma reunião ampliada com a direção da INCAMP, a assessora da COCEN (Coordenadoria de Centro e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa), com representantes do Inova UNICAMP (Agência de Inovação da UNICAMP) e com a coordenação do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, a Profª. Karla Bessa apresentou a proposta de criação de uma Incubadora Social Feminista com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — especialmente nas áreas de igualdade de gênero (ODS 5), educação de qualidade (ODS 4) e ação climática (ODS 13).

A proposta nasceu da experiência em curso no âmbito do INCT Caleidoscópio, com a Incubadora Social Feminista Antirracista dedicada à formação de mulheres quilombolas nas ciências, que tem coordenação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e se estende para várias outras universidades do Norte, Nordeste e Amazônia legal com ações de monitoramento, formação e produção conjunta de materiais com estudantes quilombolas das respectivas universidades envolvidas.

O foco desta nova incubadora social do INCT Caleidoscópio em Campinas será a formação crítica e tecnológica em Inteligência Artificial (IA), articulada às questões de equidade de gênero e justiça climática, com incentivo ao desenvolvimento de pequenos projetos locais em escolas públicas do entorno da UNICAMP e comunidades adjacentes.

Estiveram presentes na reunião, além da Profª. Dra. Karla Bessa do INCT - Observatório Caleidoscópio, a Mariana Inglez, Coordenadora de Ambientes de Inovação e Empreendedorismo da Inova UNICAMP, o Prof. Dr. Renato Lopes, Diretor Executivo da Inova UNICAMP, a Profª. Dra. Iara Beleli, Coordenadora Associada do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, Vital Yasumaru, Supervisor de Empreendedorismo da INCAMP e a Profª. Dra. Marta Cristina Teixeira Duarte, Assessora da Coordenadoria de Centro e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN-UNICAMP) e a Mirlene Simões, Pós-Doc do INCT - Observatório Caleidoscópio.

Foram discutidos os possíveis caminhos para a institucionalização e início das atividades da Incubadora Social Feminista na Unicamp, com possível parceria com outros setores da Unicamp e com o LEGH da Universidade Federal de Santa Catarina, que já faz parte da coordenação do Observatório Caleidoscópio.