Mapeamento nacional de Coletivos Indígenas LGBTQIAPN+ é lançado pela Rede Arandu

Mapeamento nacional de Coletivos Indígenas LGBTQIAPN+ é lançado pela Rede Arandu

Iniciativa reúne dados de 19 coletivos e resulta da escuta, pesquisa e incidência política da Rede Arandu desde 2024. O objetivo é dar visibilidade aos esforços de lutas indígenas pelo acolhimento às diversidades.

Autoria de Letícia Moreira

Arandu – Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, em parceria com o Coletivo TYBYRA, lançam o Mapeamento Nacional de Coletivos Indígenas LGBTQIAPN+, que reúne dados e informações em todo o território nacional sobre a luta de povos indígenas pela diversidade. O lançamento aconteceu durante o Acampamento Terra Livre (ATL) de 2026, em Brasília. A iniciativa integra as atividades do INCT Caleidoscópio em sua coordenação Centro-oeste. O mapeamento pode ser acessado aqui no site do Observatório Caleidoscópio neste link.

Segundo Flávia Belmont, doutora em Relações Internacionais, pós-doutoranda júnior no INCT Caleidoscópio e coordenadora do mapeamento, o objetivo é incentivar a ampliação das redes e a consolidação de relações entre os coletivos. “A ideia é dar visibilidade e principalmente mostrar para as pessoas indígenas LGBTQIAPN+ que esses grupos existem e que elas podem ter apoio e acolhimento nestes espaços, além de se fortalecerem política e pessoalmente”, comenta.

O processo de mapear os coletivos e espaços de mobilização se deu a partir de um formulário digital divulgado durante o ATL, que ocorreu presencialmente em Brasília no mês de abril. O material foi compartilhado também em redes sociais e, com isso, diálogos complementares com representantes dos movimentos integraram a pesquisa.

O resultado final reúne informações de 19 coletivos, 15 deles criados por e para pessoas indígenas LGBTQIAPN+, a partir de suas necessidades e demandas, e mais 4 que se configuram como espaços de mobilização mais amplos e que acolhem, também, pessoas indígenas de sexualidades e identidades de gênero não-normativas, promovendo estes debates.

Mapeamento revela diversidade entre os grupos

Os grupos mapeados representam povos indígenas de todas as regiões do Brasil, com destaque para a região Nordeste. Eles apresentam diferentes formatos de organização, variando entre articulações nacionais, grupos territoriais e urbanos. Apesar da diversidade, são marcados por interesses em comum, como a defesa dos direitos humanos, o combate à LGBTfobia e ao racismo, a promoção da saúde integral, o fortalecimento das identidades indígenas LGBTQIAPN+, a valorização das ancestralidades e a incidência política em defesa dos territórios.

Muitos grupos desenvolvem ações de acolhimento, formação política, produção cultural, comunicação, saúde mental e justiça climática, articulando a luta pela diversidade às reivindicações históricas dos povos originários.

O levantamento evidencia ainda que a organização política de indígenas LGBTQIAPN+ se intensificou nos últimos anos: a maior parte dos coletivos identificados foi criada entre 2019 e 2026, acompanhando o fortalecimento da presença dessa pauta em espaços como o Acampamento Terra Livre e em redes nacionais de mobilização.

Dados nacionais podem impulsionar novas redes

Os dados foram coletados com o intuito de reunir informações, dar visibilidade aos grupos e suas atividades e, com isso, fomentar ações e políticas públicas. Segundo Flávia Belmont, muitos coletivos mapeados ainda não eram conhecidos pela Rede Arandu, como alguns grupos do Norte, da Amazônia e de regiões fronteiriças.

“A coleta foi feita também por meio de relações de confiança. A parceria com o TYBYRA, que é esse coletivo nacional do qual muitas pessoas da Arandu também fazem parte, permitiu que a gente pudesse, de fato, circular e ter a confiança das pessoas que responderam”, complementa Flávia.

Dentre as informações reunidas, estão dados gerais sobre os coletivos e os contatos de pontos focais e representantes indígenas LGBTQIAPN+. Para Belmont, isso é importante não apenas para a constituição de redes, mas também para a construção de relações de confiança, além de aprimorar o trabalho da Rede Arandu.

Próximos passos

Um dos trabalhos centrais já desenvolvidos pela Rede Arandu é o levantamento de dados sobre violências de gênero e sexualidade que afetam populações indígenas. O mapeamento dos coletivos representa uma etapa importante tanto para este levantamento, que está em processo, como também para a construção de acolhimento e escuta sobre as pautas e demandas destas populações.

“O objetivo é que esse levantamento de dados seja robusto, não apenas no sentido dos números, mas também da estrutura. Queremos um levantamento das violências que não vulnerabilize nem revitimize as pessoas. Ele precisa vir acompanhado de ações de acolhimento, de promoção do bem-viver e da saúde mental. A aplicação desse instrumento de pesquisa também deve ser coletiva, porque eu não daria conta sozinha. É um tema muito delicado, que toca as pessoas de maneiras muito fortes”, revela Belmont.

A Rede Arandu segue aberta para atualização do mapeamento e diálogo com as comunidades e grupos que desejem integrar as atividades e criar novas colaborações.

Sobre a Rede Arandu

Criada em 2024, a Arandu – Rede de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade é uma iniciativa interseccional e transversal voltada à produção de conhecimento por e sobre povos indígenas, seus coletivos e instituições parceiras, com ênfase no entrelaçamento de gênero, sexualidade, raça e etnia. Ligada ao INCT Caleidoscópio Centro-oeste, tem como propósito fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Surge a partir de um diálogo com a Coordenação de Política para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas e tem como base algumas discussões prévias do grupo de pesquisa Povos Indígenas e Política Global e do Núcleo de Pesquisa Gênero, Raça e Diferença na Política Internacional (NUGRAD), de onde vieram os primeiros colaboradores da Rede.

Caderno Orientador sobre maternidades quilombolas nas universidades será lançado em evento ao vivo dia 20 de julho

Caderno Orientador sobre maternidades quilombolas nas universidades será lançado em evento ao vivo dia 20 de julho

Publicação reúne recomendações construídas com mulheres quilombolas para fortalecer políticas de permanência, cuidado e equidade racial nas universidades brasileiras.

Como construir políticas universitárias capazes de responder às experiências vividas por mães quilombolas? De que maneira universidades, gestoras(es), pesquisadoras(es), movimentos sociais e comunidades podem atuar conjuntamente para ampliar condições de permanência, cuidado e equidade na educação superior?

Essas questões orientam o Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas, tecnologia social que será lançada no próximo 20 de julho de 2026, das 10h às 12h (horário de Brasília), em transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube.

A publicação resulta de pesquisas desenvolvidas em diálogo permanente com mulheres quilombolas e integra o Projeto "Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades" (Edital Universal 10/2023; Auxílio nº 2751/2025) e o projeto "Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção" (Bolsa de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), coordenados pela Profa. Dra. Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande.

Essa iniciativa é desenvolvida no âmbito da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal no âmbito do Observatório Caleidoscópio, frentes de atuação do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas múltiplas insurgências, com coordenação do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande.

O lançamento também materializa uma cooperação institucional construída entre a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, formalizada por meio do Termo de Compromisso Cidadão em Ciência, Tecnologia e Sociedade para Ensino, Pesquisa, Extensão e Transferência de Tecnologias Sociais, assinado em 07 de agosto de 2024. O acordo estabelece o compromisso de fortalecer, por meio da produção compartilhada de pesquisas e tecnologias sociais, as trajetórias de mulheres quilombolas pesquisadoras nas universidades, bem como definir princípios para pesquisas desenvolvidas em territórios quilombolas e com quilombolas, orientados pela ciência cidadã, pelo diálogo com as comunidades e pela valorização dos direitos quilombolas. Para conhecer mais, acesse.

Construído de forma colaborativa entre pesquisadoras negras e quilombolas, graduandas negras quilombolas, comunidades, integrantes movimentos sociais e universidades, o caderno apresenta recomendações destinadas ao fortalecimento das políticas institucionais de permanência de estudantes mães quilombolas, articulando evidências produzidas pela pesquisa científica, experiências comunitárias e conhecimentos construídos nos territórios.

Entre os conteúdos da publicação encontram-se:

  • Recomendações para universidades, gestoras(es), equipes de assistência estudantil e formuladoras(es) de políticas públicas.
  • Diretrizes para o desenvolvimento de políticas de permanência voltadas às maternidades quilombolas.
  • Experiências produzidas por mulheres quilombolas em diferentes territórios brasileiros.
  • Reflexões sobre maternidades, cuidado, permanência universitária, racismo, gênero e direitos.
  • Orientações para projetos de pesquisa, extensão, ensino e formação profissional.
  • Estratégias voltadas à construção de ambientes universitários comprometidos com a equidade étnico-racial e de gênero.

A publicação destina-se a:

  1. Docentes da Educação Superior e da Educação Básica.
  2. Pesquisadoras(es) e estudantes de graduação e pós-graduação.
  3. Gestoras(es) universitárias(os) e equipes de assistência estudantil.
  4. Pró-Reitorias, coordenações de cursos, núcleos de ações afirmativas e setores de apoio estudantil.
  5. Projetos de pesquisa e extensão.
  6. Movimentos sociais, comunidades quilombolas e organizações da sociedade civil.
  7. Instituições públicas comprometidas com a promoção da permanência e da equidade racial na educação superior.

O evento reunirá pesquisadoras de diferentes universidades brasileiras, lideranças quilombolas e representantes de instituições públicas e organizações da sociedade civil para discutir maternidades, permanência universitária, tecnologias sociais e produção compartilhada do conhecimento.

Após o lançamento, o Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas estará disponível gratuitamente, em formato digital, no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal: https://www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br.

Esta atividade integra o Ciclo de Tecnologias Sociais do Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências, composto por guias, cadernos orientadores, cadernos de recursos e materiais audiovisuais que serão disponibilizados entre julho e novembro de 2026. As publicações abordam diferentes dimensões do acesso, da permanência, da produção científica e das trajetórias acadêmicas de mulheres quilombolas, reunindo resultados de pesquisas, experiências comunitárias e tecnologias sociais construídas de forma colaborativa.

As próximas atividades, as publicações e os materiais produzidos poderão ser acompanhados no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, disponível em www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br, e nos canais de comunicação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio, do Projeto Mulheres Quilombolas nas Ciências e do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades.

A Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo, da Universidade Federal de Campina Grande, e pela Profa. Dra. Sílvia Lúcia Ferreira, da Universidade Federal da Bahia.

Serviço

Evento: Lançamento do Caderno Orientador Maternidades quilombolas nas universidades: políticas de permanência étnico-racialmente afirmativas e territorialmente situadas

Data: 20 de julho de 2026

Horário: 10h às 12h (horário de Brasília)

Modalidade: On-line

Transmissão ao vivo pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube: clique aqui e salve a prévia.

Acesse o caderno gratuitamente, após o lançamento, no Portal da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal: https://www.incubadoracaleidoscopio.ufcg.edu.br.

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

INCT Caleidoscópio articula Clínica Política e Acolhimento Psicossocial a acadêmicas de Angola e Brasil na UFCG e UCAN/UAN

Estão em curso, desde fevereiro de 2026, as “Oficinas de Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política” destinadas à estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil, da Universidade Agostinho Neto (UAN) e da Universidade Católica de Angola (UCAN), ambas de Angola.

A iniciativa integra as ações da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal pelo Observatório Caleidoscópio e da Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, realiazdos no âmbito do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Nucleação é coordenada pela Profa. Dra. Dolores Galindo. As oficinas são realizadas em articulação com a UAN e a UCAN.

As oficinas possuem coordenação geral da Profa. Dra. Dolores Galindo, docente titular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e coordenadora do Grupo de Pesquisa Ateliê: Psicologias, Feminismos e Contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI/UFCG). A condução das atividades está a cargo da Profa. Dra. Helena Veloso, pesquisadora de Pós-Doutorado Júnior do CNPq junto ao INCT Caleidoscópio-UFCG, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (FCS/UAN) e da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (FCH/UCAN).

Como resultado, espera-se compreender as barreiras que atravessam as trajetórias acadêmicas de estudantes africanas e quilombolas, fortalecer estratégias de acolhimento e permanência no ensino superior, promover espaços coletivos de escuta e construção compartilhada de conhecimentos e elaborar, juntamente com as participantes, dois Guias de Orientação para permanência universitária, sendo um destinado às universidades de Angola e outro às brasileiras, construídos a partir das especificidades de cada realidade nacional e voltados ao fortalecimento de políticas e práticas institucionais de permanência.

No Brasil, realizadas quinzenalmente, de forma presencial, no CCBS/UFCG, as oficinas reúnem estudantes africanas e quilombolas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A metodologia adota o roteiro de oficinas em poéticas grupais elaborado pela Profa. Dra. Dolores Galindo, fundamentado na Clínica Política e na fabulação crítica, estruturando cada encontro a partir da definição dos objetivos da oficina, dos pontos-chave a serem trabalhados, da articulação com uma poética artística, da realização de atividades de abertura, da utilização de recursos expressivos, da discussão coletiva e do fechamento da atividade, integrando esses momentos ao desenvolvimento da pesquisa. 

Na UFCG, foram realizados, até o momento, cinco encontros com as estudantes africanas e quilombolas, nos quais foram abordados temas  como as motivações para adesão ao projeto;  deslocamentos relativos ao território, cultura e identidade no contexto universitário; o sentimento de pertencimento e  a representatividade, a história gloriosa das populações negras (fundamentada na resistência e na reexistência); a circulação no âmbito do cálculo racial e  barreiras à escolarização; as formas individuais e colectivas de lidar com os efeitos do racismo estrutural no seio da universidade; os efeitos da crise climática sobre o percurso acadêmico de mulheres negras; e, por fim, valores africanos, Ubuntu, associativismo e agenciamento entre negras e negros

Em Angola, por meio de encontros síncronos remotos, o projeto contempla ações de  Acompanhamento Psicossocial e Clínica Política, em formato on-line e transnacional, com estudantes da UAN e da UCAN, fortalecendo a cooperação científica entre Brasil e Angola. Até o momento, foram realizados três encontros com as estudantes de Angola, nos quais foram abordadas as motivações para vinculação à proposta; os deslocamentos territoriais, culturais e identitários associados ao acesso e a permanência no contexto universitário; a representatividade, o  pertencimento e  a história gloriosa das populações negras; a circulação segregada,  as barreiras às trajectórias formativas de mulheres negras e as formas individuais e colectivas de lidar com as mesmas. 

Como resultado, a ação prevê a elaboração de dois guias construídos de forma participativa com as estudantes, destinados a subsidiar instituições de ensino superior na formulação de estratégias e políticas de acolhimento, permanência e equidade voltadas às estudantes africanas e quilombolas.

A proposta parte do reconhecimento de que estudantes africanas, negras, afrodescendentes, quilombolas, enfrentam desigualdades interseccionais produzidas pela intersecção entre racismo, sexismo e colonialidade, fatores que interferem em seus percursos acadêmicos e na permanência no ensino superior. Nesse contexto, as oficinas constituem um espaço de acolhimento, fortalecimento das trajetórias formativas e produção coletiva de estratégias de enfrentamento às desigualdades.

INCT Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos

INCT Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Caleidoscópio passa a integrar a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH), iniciativa liderada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) que reúne mais de 100 Instituições-Membros dedicadas à produção, articulação e disseminação de evidências para subsidiar políticas públicas em direitos humanos e cidadania.

Com a adesão, o Instituto amplia sua participação em uma rede nacional voltada à aproximação entre pesquisa e tomada de decisão, contribuindo para que o conhecimento científico produzido pelas frentes de atuações alcance novos espaços de incidência e fortaleça políticas públicas baseadas em evidências.

Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais. A integração à Rede dialoga diretamente com as frentes de atuação e os valores do INCT Caleidoscópio.

O Instituto está entre as instituições participantes, nos canais de comunicação da Rede e um espaço de apresentação no mapa oficial de membros da ReneDH.

Ao integrar a Rede, o instituto reforça seu compromisso de produzir conhecimento científico socialmente relevante e de contribuir para que evidências orientem a construção de políticas públicas voltadas à promoção dos direitos humanos, da equidade e da justiça social.

Sobre o INCT Caleidoscópio

O INCT Caleidoscópio é um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências.

Criado em 2022 com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Instituto é um projeto de desenvolvimento científico com foco em estudos feministas no Brasil, dedicado a compreender, enfrentar e contribuir para a redução das violências e desigualdades interseccionais de gênero e sexualidade.

Atuamos como uma rede nacional e internacional de pesquisa, formação e extensão voltada ao enfrentamento das desigualdades, violências e iniquidades de gênero e sexualidade em instituições de ensino superior e em seus territórios de relação.

Entre os eixos de ações incluem o levantamento de dados de equipamentos de enfrentamento às violências em instituições de ensino superior, mentorias, oficinas, cursos, seminários, fóruns de escuta, produção de materiais didáticos, podcasts, boletins, ferramentas digitais e impressas, tecnologias sociais e iniciativas desenvolvidas em escolas, universidades, comunidades quilombolas e comunidades indígenas.

O Instituto atua diante da persistência de barreiras interseccionais que restringem o acesso, a permanência, a visibilidade e a participação de grupos historicamente sub-representados nas ciências, além das violências e exclusões presentes em escolas e universidades. Trata-se de uma questão central para os direitos humanos por incidir diretamente sobre o direito à educação, saúde, ao reconhecimento e à participação social.

Com sede na Universidade de Brasília (UnB), o Instituto está organizado em três nucleações. Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e Norte, Nordeste e Amazônia Legal são compostas por pesquisadoras regionais vinculadas a núcleos, laboratórios e grupos de pesquisa de 24 instituições de ensino superior distribuídas pelas cinco regiões do país.

A partir de uma perspectiva feminista, antirracista e interseccional, essas redes promovem iniciativas institucionais pioneiras em direitos humanos e justiça social nas instituições de ensino superior, com o objetivo de fomentar tecnologias sociais, acadêmicas, científicas, subsídiar políticas públicas e promover comunicação científica feminista.

As atividades do INCT Caleidoscópio estão organizadas em quatro eixos estruturantes: o Observatório Caleidoscópio, responsável pelo monitoramento de indicadores de violências, vulnerabilidades e políticas de enfrentamento; as incubadoras sociais, que aproximam universidade e sociedade civil por meio de projetos de pesquisa e extensão; a Política de Transferência de Conhecimento e Comunicação Científica, voltada à produção e circulação de conteúdos em podcasts, boletins e materiais multimídia sobre violências, desigualdades e insurgências de gênero e sexualidade; e as ações de incidência sobre políticas públicas, que desenvolvem tecnologias sociais, materiais de orientação e parcerias com órgãos públicos para fortalecer políticas de equidade de gênero e enfrentamento das desigualdades.

A participação na ReneDH amplia as possibilidades de colaboração entre o Instituto e organizações que atuam na produção e disseminação do conhecimento, favorecendo o intercâmbio entre pesquisadoras, gestores públicos e instituições comprometidas com a promoção dos direitos humanos. Também amplia a circulação das ações desenvolvidas pelo Instituto e seu potencial de contribuir para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Sobre a ReneDH

A Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH) é uma instância de articulação, produção e disseminação de informações estratégicas e evidências destinadas a subsidiar a tomada de decisão em direitos humanos e cidadania. A iniciativa, coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, busca fortalecer a agenda nacional de políticas públicas informadas por evidências.

Criada para aproximar a pesquisa da formulação de políticas públicas, a ReneDH reúne mais de 100 instituições-mebro de ensino e pesquisa, órgãos públicos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e organismos internacionais.

Para alcançar resultados em curto, médio e longo prazo, a ReneDH adota um modelo de funcionamento baseado em Ciclos de Implementação. A cada etapa, as ações são aprofundadas com o objetivo de institucionalizar o uso de evidências em direitos humanos por meio da articulação entre diferentes atores, da produção de estudos e da disseminação de análises voltadas ao fortalecimento das políticas públicas.

Para isso, a Rede adota como referência a Tradução do Conhecimento, metodologia que busca transformar evidências científicas em informações acessíveis e robustas para gestores públicos, articulando produção, síntese, disseminação, intercâmbio e aplicação ética do conhecimento. Além de dispor o Repositório de Estudos da Rede, uma plataforma de armazenamento e busca de documentos, estudos, análises, pesquisas e produtos de Tradução do Conhecimento desenvolvidos no campo dos Direitos Humanos.

Atualmente, a ReneDH está organizada em três grupos de trabalho: Expansão e sustentabilidade da Rede, Intermediação de evidências e Disseminação do conhecimento. A participação é aberta às instituições-membro, favorecendo a construção coletiva de estratégias, produtos de tradução do conhecimento e ações voltadas ao fortalecimento de políticas públicas informadas por evidências. Estes atuam sob as prioridades de pesquisas em DH apresentados pela Rede nos eixos temáticos abaixo:

  • Eixo 1 - Direitos Humanos das Crianças e Adolescentes
  • Eixo 2 - Direitos Humanos da Pessoa Idosa
  • Eixo 3 - Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência
  • Eixo 4 - Direitos Humanos das Pessoas LGBTQIA+
  • Eixo 5 - Promoção e Defesa dos Direitos Humanos

Para orientar a produção de conhecimento a partir das demandas de gestoras e gestores públicos, a Rede elaborou a Agenda de Priorização de Pesquisas em Direitos Humanos (APPDH). A edição de 2024 reúne temas estratégicos definidos a partir da escuta das Secretarias Nacionais do MDHC, aproximando pesquisadoras, pesquisadores, gestores públicos e sociedade na produção de subsídios técnico-científicos para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas e programas voltados à promoção dos direitos humanos.

Acesse o site da RedeDH para mais informações.

Enfrentamento à violência de gênero e barreiras na carreira são temas de encontro promovido pela Rede Acadêmicas da Unicamp

Enfrentamento à violência de gênero e barreiras na carreira são temas de encontro promovido pela Rede Acadêmicas da Unicamp

Durante o 3º Encontro de revisão das boas práticas, as participantes debateram dados do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS), estratégias para romper o "efeito tesoura" na progressão da carreira docente e propostas para futuros encaminhamentos.

Autoria Letícia Moreira

A discussão sobre violência sexual, desigualdade de gênero e progressão de carreira acadêmica foram tema do 3º Encontro de Revisão das Boas Práticas em Equidade de Gênero na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizado na quinta-feira 14/06. Promovido pela Rede Mulheres Acadêmicas da Unicamp, o encontro reuniu pesquisadoras, docentes e funcionárias técnico-administrativas de diferentes unidades de ensino, pesquisa e órgãos da universidade para debater dados institucionais, desafios persistentes e propostas de ação coletiva voltadas à construção de uma universidade mais segura e igualitária. A reunião aconteceu presencialmente na Escola de Educação Corporativa da Unicamp (EDUCORP). A jornalista de ciência Letícia Moreira esteve presente representando o Observatório Caleidoscópio.

Presidida por Eliana Amaral, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), a programação contou com uma apresentação da antropóloga Regina Facchini, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e representante da Comissão Assessora de Gênero e Sexualidade da Diretoria Executiva de Direitos Humanos (DeDH). Na sequência, houve uma atividade coletiva de revisão das práticas institucionais e uma rodada de encaminhamentos. A reunião integrou o processo de revisão do Guia de Boas Práticas para Equidade de Gênero da Unicamp, publicado em 2021 pela Rede.

O objetivo central foi conhecer e debater os dados mais recentes de acolhimento, analisar a evolução das políticas afirmativas nos últimos anos e discutir a revisão da cartilha de boas práticas em equidade de gênero na Universidade para pensar coletivamente em ações integradas para o futuro. 

A evolução das políticas na Unicamp

Durante sua apresentação, Regina Facchini mostrou como a Unicamp vem estruturando políticas institucionais de combate à violência sexual e à discriminação baseada em gênero e sexualidade. Além de apresentar os dados dos últimos anos, retomou a trajetória de consolidação das ações de democratização e inclusão, desde a década de 1970. Segundo ela, as políticas atuais são frutos de uma longa mobilização de estudantes, professores e movimentos feministas ligados à universidade ao longo das décadas. 

De acordo com a antropóloga, as discussões ganharam mais força entre 2015 e 2017, período em que essas violências passaram a ser reconhecidas como um problema público. Nesse momento, a Unicamp começou a criar grupos de trabalho responsáveis por elaborar propostas para o combate à discriminação de gênero, ao assédio e à violência sexual na universidade. Segundo ela, havia ausência de dados sistematizados sobre a frequência e as modalidades de violência e discriminação vivenciadas pela comunidade universitária. 

“Analisando o ponto de chegada das queixas e os encaminhamentos, a conclusão foi de que o tratamento era inadequado. Havia uma ausência de acolhimento especializado e de protocolos para lidar com as acusações”, declara. Daí, o GT recomendou que a universidade assumisse um posicionamento explícito de não tolerância às violências, além da criação de protocolos claros de acolhimento, encaminhamento de denúncias e ações permanentes de conscientização e formação. 

Foi a partir desse diagnóstico que surgiu, em 2019, a Comissão Assessora de Gênero e Sexualidade e o Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS), órgão vinculado à DeDH e responsável pelo acolhimento de relatos e denúncias, orientação às vítimas e articulação de ações educativas. Nos últimos anos, o SAVS ampliou sua atuação, especialmente com a aproximação com a Câmara de Mediação da Unicamp, em 2023.  

A política adotada pela universidade passou a diferenciar “queixa” e “denúncia” para garantir que as vítimas tenham apoio ainda que não formalizem um processo administrativo ou judicial. Para Facchini, a possibilidade de registrar uma queixa sigilosa permite construir condições mínimas de permanência para estudantes, docentes e funcionárias afetadas por situações de violência.

O cenário em dados

Entre os dados apresentados por Facchini, o aumento do número de atendimentos realizados pelo SAVs em 2023 foi um ponto de atenção. Este foi o ano com maior quantidade de queixas acolhidas e orientações realizadas pelo serviço. Para ela, o maior envolvimento das unidades de ensino nas ações de acolhimento demonstra uma crescente mobilização institucional em torno da pauta, especialmente considerando que estudantes constituem a maior parcela da comunidade universitária. 

Outros dados, que estão disponíveis no Relatório de avaliação institucional 2019 – 2023 da Unicamp, revelam um panorama sobre as ações das unidades de ensino e pesquisa para a divulgação da política. Em aproximadamente metade das unidades, houve a criação de Espaços para Acolhimento e uma articulação com o SAVS para a promoção de eventos e formação. Já 20% das unidades não desenvolveram nenhuma ação específica para o enfrentamento. Facchini destacou que houve uma integração com coletivos discentes e reforçou ainda que estudantes são a maioria das vítimas de violência, nas denúncias. 

Regina reconheceu que houve avanços institucionais relacionados à diversidade de gênero, como a normativa do nome social, implementada em 2020, mas destacou que ainda há desafios importantes. Dentre eles, mencionou a necessidade de fortalecer o SAVs com ampliação de equipe. Ela também anunciou a elaboração de um novo guia voltado aos direitos, cuidados e permanência de pessoas LGBTQIAP+ na universidade.

Cartilha institucional

A Rede Acadêmicas lançou, em 2021, a cartilha de boas práticas para a promoção da equidade de gênero na Unicamp. O documento, que está disponível gratuitamente, é um guia que compila tanto orientações para a equidade de gênero e recomendações para práticas de gestão, como também esclarece conceitos importantes, como assédio moral e sexual, estupro, machismo, entre outros. Além disso, reúne os contatos para órgãos de apoio institucional. 

Segundo a cartilha, “a busca pela equidade de gênero deve ser uma das metas da cultura organizacional da universidade. Para isso, é necessário refletir sobre o tema em todos os espaços da instituição e realizar ações voltadas para a promoção da equidade”. Além das orientações e conceitos, o guia também indica referências bibliográficas sobre os temas apresentados.

Encaminhamentos para o futuro

Na etapa de debates, as participantes compartilharam preocupações relacionadas ao assédio moral, à gestão institucional de crises e às desigualdades persistentes nas carreiras acadêmicas. Algumas relataram situações pessoais vivenciadas em seus locais de trabalho. Entre os pontos levantados, destacam-se as dificuldades enfrentadas por mulheres em cargos de liderança e a baixa representatividade feminina nos níveis mais altos da docência universitária.

Dados mencionados situam que, em determinadas categorias da carreira docente, os homens permanecem sendo a maioria. A professora Marilda Bottesi, assessora especial do Grant Office da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), destacou que na categoria MS-6, 72% dos docentes são homens e apenas 28% mulheres. Bottesi é uma das autoras de um estudo inédito sobre a representatividade de gênero na produção científica da Unicamp.  

As participantes enfatizaram a importância da criação de redes de apoio dentro das unidades. Algumas iniciativas já existentes foram citadas e houve uma preocupação com a baixa adesão em algumas delas, indicando que ainda há um caminho necessário para ampliar o engajamento da comunidade. 

Dentre as futuras ações propostas, estão ampliar as rodas de conversas e treinamentos institucionais; estabelecer políticas de equidade nos cargos; discutir mais fortemente a progressão na carreira desde os níveis iniciais. Além disso, foi sugerido que, durante os eventos realizados na universidade, haja um espaço dedicado à abordagem da equidade de gênero. Ao fim da reunião, foi deliberado que as integrantes da Rede analisem o conteúdo da cartilha atual e elaborem proposições para uma reformulação, que será debatido em um encontro futuro.

Sobre a Rede Acadêmicas

Criada em 2021 para reunir docentes, pesquisadoras e funcionárias da Unicamp, a Rede de Mulheres Acadêmicas da Unicamp atua na formulação de estratégias institucionais voltadas à redução das violências e desigualdades de gênero na universidade. A Rede também conta com um Conselho Executivo com representantes de variadas áreas do conhecimento.

Entre suas frentes de atuação estão a produção de dados e análises, ações de sensibilização e conscientização da comunidade acadêmica e propostas de transformação do ambiente organizacional da universidade.