Observatório Caleidoscópio participa de Seminário Nacional da SBHC – Sociedade Brasileira de História da Ciência, com coordenação de Simpósio Temático

Observatório Caleidoscópio participa de Seminário Nacional da SBHC – Sociedade Brasileira de História da Ciência, com coordenação de Simpósio Temático

Autoria Lia Sousa

O ST 29 - “Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências” aprofundou redes de pesquisa e ensino pela equidade de gênero em diferentes campos disciplinares.

O Observatório Caleidoscópio participou do 20° Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia (20 SNHCT), evento bianual promovido pela Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC) desde 1986. Segundo a página da instituição, “este é o mais antigo e maior evento nacional da área, congregando pesquisadores e estudantes de todo o Brasil e do exterior, nas mais diversas áreas de formação”. O 20° SNHCT ocorreu na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, de 27 a 31 de julho de 2026.

O Simpósio Temático 29 – “Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências” foi coordenado pela pós-doutoranda do INCT Caleidoscópio, Lia Gomes P. de Sousa (Pagu/Unicamp), e pelas nucleadas da coordenação Sul-Sudeste, Mariana Moraes de O. Sombrio (UFABC) e Eliza Teixeira de Toledo (UFMG). O objetivo do Simpósio foi contribuir para consolidar, dentro da História da Ciência, as perspectivas da história das mulheres, de gênero e diversos marcadores da diferença, impulsionando e reforçando redes de pesquisadoras e pesquisadores comprometides com a análise crítica do passado e com a construção consciente de narrativas e práticas de ensino na atualidade, pautadas pela equidade epistêmica e social. O “efeito Matilda”, cunhado por Margaret Rossiter (1993), foi referenciado na proposta do ST como homenagem a uma das fundadoras do campo de estudos, que denunciou a invisibilidade historiográfica e as assimetrias vivenciadas por mulheres na prática científica em diferentes contextos.

Card de divulgação do 20º Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia (SNHCT), realizado de 27 a 31 de julho de 2026 em Goiânia, UFG. Em destaque vermelho, o título do simpósio: 'ST 29 Matildas, até quando? Mulheres, gênero e interseccionalidades na história das ciências'. No centro, lado a lado, estão três retratos das coordenadoras: Lia Gomes Pinto de Sousa (UNICAMP), Mariana Moraes de Oliveira Sombrio (UFABC) e Eliza Teixeira de Toledo (UFMG). Abaixo das fotos, consta a informação de que as inscrições ocorreram de 17/11/25 a 03/02/26. O fundo é branco texturizado com detalhes geométricos coloridos na base.
Card de divulgação do ST 29 no 20 SNHCT. Fonte: Instagram @sbhciencia

O ST recebeu 21 inscrições de diferentes instituições do Brasil, como Universidade Federal da Bahia (UFBA), Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Federal da Bahia (IFBA), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Secretaria Municipal de Educação de Saquarema/RJ e Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc-CE).

As temáticas contemplaram trajetórias históricas, campos disciplinares, direitos reprodutivos, estratégias metodológicas e pedagógicas, com especial incidência nas discussões em torno das desigualdades de raça e da atuação nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Dentre as nucleadas do Observatório do INCT Caleidoscópio, além das coordenadoras do ST, destacam-se os trabalhos orientados por Indianara Lima Silva (UEFS) – como os de Márjorie Carla dos Santos Macedo Dantas (UFBA), Gilvana Santos Barreto (UFBA) e Angevaldo Menezes Maia Filho (IFBA) – e o apresentado por Daiane Silveira Rossi (UFG). As professoras mencionadas participaram também das Mesas Redondas 1 “Ciência e tecnologias quânticas” (Indianara Silva) e 2 “Humanidades, ciências, tecnologias e ensino: interfaces atuais” (Daiane Rossi), realizadas no evento.

rês mulheres sorridentes posam abraçadas em pé dentro de uma sala de aula. A mulher à esquerda veste blusa azul-marinho e calça preta; a do meio veste regata estampada em preto e branco com calça jeans; a da direita usa blusa branca, cardigan preto, calça pantalona terracota e óculos. As duas primeiras usam crachás do evento no peito. Ao fundo, vê-se um quadro verde de giz, uma tela branca retrátil para projeção e janelas de ferro com vidros retangulares.
Daiane Rossi, Mariana Sombrio e Lia Sousa. Fonte: Arquivo pessoal

Os resumos dos trabalhos submetidos encontram-se no Caderno de Resumos, organizados por sessão:

Sessão 1

  • Dos movimentos sociais de mulheres à construção de uma agenda de pesquisa acadêmica: institucionalização dos Estudos de Gênero e Ciência no Brasil (1970 – 1990) – Maria Ruthe Gomes da Silva, Moema de Rezende Vergara
  • Gênero e trabalho acadêmico em Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Jessika Martins Ribeiro
  • Invisibilidades no campo: gênero, saberes tradicionais e a historiografia da ciência do solo no Brasil – Beatriz Wardzinski Barbosa, Maria Margaret Lopes
  • Mulheres médicas da UFMG: uma história de gênero (1911-1979) – Eliza Teixeira de Toledo

Sessão 2

  • A trajetória de Luiza Krau (1916-2020) na Hidrobiologia e bioindicadores de poluição – Lia Gomes Pinto de Sousa
  • Mulheres cientistas e a construção da ciência biológica na Amazônia paraense: o caso do Museu Paraense Emílio Goeldi (1930-1945) – Diego Rodrigo Guimarães Leal
  • História da Zoologia sob uma Perspectiva de Gênero: Mulheres, Trajetórias e Produção Científica – Thamires Luana Cordeiro
  • Onde estão as cientistas? Arqueologia digital e circulação global (Brasil, 1950-1970) – Daiane Silveira Rossi

Sessão 3

  • Uma princesa naturalista: Teresa da Baviera, viagem ao Brasil e escrita feminina no século XIX – Bianca Cristina Ribeiro Vicente Veloso
  • Escutando os sussurros das mulheres: A arte e ciência de Anna Morandi Manzolini – Luana Beatriz Xavier Nunes
  • Marcadores de gênero na trajetória de Harriet Brooks – Angevaldo Menezes Maia Filho
  • Bartyra de Castro Arezzo: uma Cientista Viajante em Busca de Conhecimento em Radioquímica e Química Nuclear – Márjorie Carla dos Santos Macedo Dantas, Indianara Lima Silva
  • Reconhecimento científico, gênero e classe: o efeito matilda na trajetória formativa de mildred dresselhaus – Milena de Oliveira da Costa

Sessão 4

  • A Subalternização Feminina e o Ensino de Ciências e Matemática: aspectos decoloniais sobre a narrativa científica – Mariana Moraes de Oliveira Sombrio, Ingryd Stephany de Oliveira
  • Classificando Estrelas, Reclassificando a Ciência: Educação Crítica e Feminista – Camila Maria Sitko, Mariana Salvi
  • Histórias, práticas e transformações: O Projeto Engenheiras do Amanhã e a redução das desigualdades de gênero nas Engenharias, Ciências, Tecnologia e STEM – Gabriella da Silva Mendes
  • Inclusão de Mulheres em STEM: reflexões a partir das matemáticas no Brasil e na França – Gabriela Marino Silva

Sessão 5

  • Opressões de gênero nas ciências: uma análise a partir da raça – Gilvana Santos Barreto, Angevaldo Menezes Maia Filho
  • Interseccionalidade, Micro-História e pós-Abolição: considerações sobre gênero, classe e raça na saúde a partir de Santa Maria/RS, entre 1900 e 1929 – Gabriela Rotilli dos Santos
  • Assistência obstétrica à população indígena no Brasil: desafios na construção da descolonização dos corpos (1990- 2025) – Larissa Velasquez de Souza
  • Mídia e construção de um problema social: o caso do Cytotec entre 1986 e 1998 no Brasil – Thayane Lopes Oliveira

A professora Maria Margaret Lopes (Pagu/Unicamp), membro do comitê gestor do INCT Caleidoscópio, participou também do Simpósio Temático 09 – “Ciência e Democracia na História: desafios e perspectivas”, coordenado por Alfredo Tiomno Tolmasquim (MAST), Antonio Augusto Passos Videira (UERJ) e Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa (Unicamp). Seu trabalho “A Conferência Regional do Hemisfério Ocidental para o Ano Geofísico Internacional – AGI, 1957-1958” foi apresentado na Sessão 2 do ST09.

Além dessas ações, o Observatório Caleidoscópio participou da sessão de pôsteres com a apresentação da pesquisa da bolsista de Iniciação Científica (Pibic-CNPq), Sofia Koyama Rehder, graduanda em Ciências Sociais orientada por Margaret Lopes e coorientada por Lia Sousa. O resumo do trabalho – “No more Mathildas”: em busca da produção das mulheres sobre as relações de gênero em ciências – foi publicado na página do evento.

Três mulheres posam em pé ao lado de um banner impresso em um pedestal durante um evento acadêmico. À esquerda, uma mulher de cabelos brancos e curtos, óculos de armação escura e vestido estampado geométrico em azul e branco. No centro, uma jovem de cabelos escuros e vestuário preto. Ambas usam crachás no peito. À direita, uma mulher de óculos, regata branca, cardigan preto e calça pantalona terracota. O banner exibe o cabeçalho '20º SNHCT' e o título '"NO MORE MATHILDAS": EM BUSCA DA PRODUÇÃO DAS MULHERES SOBRE AS RELAÇÕES DE GÊNERO EM CIÊNCIAS', seguido pelos nomes das autoras Sofia Kôyama Rehder, Maria Margaret Lopes e Lia Gomes Pinto de Sousa, além de gráficos e tabelas coloridas. Ao fundo, vê-se a arquitetura do espaço universitário com vigas de concreto e a sigla UFG nas pilastras.
Margaret Lopes, Sofia Koyama e Lia Sousa. Fonte: Arquivo pessoal
I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres debate pesquisas sobre educação, memória e visibilidade

I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres debate pesquisas sobre educação, memória e visibilidade

O Grupo de Trabalho (GT) História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade, do CIP/INCT Caleidoscópio, realiza no dia 18 de agosto de 2026, das 8h50 às 13h (GMT-3), o I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade. O evento reunirá pesquisadoras do Instituto para compartilhar projetos e pesquisas desenvolvidos no âmbito do grupo temático, abordando diferentes perspectivas sobre histórias de vida, memória, gênero, educação e direitos humanos.

Entre os temas desenvolvidos pelo GT estão pesquisas sobre corpos que menstruam; mulheres migrantes, trans e travestis; violência contra as mulheres e resistência; culpabilização de vítimas de crimes sexuais; morte e questões de gênero; empoderamento, sororidade e dororidade; história das mulheres e epistemologias feministas; saberes e práticas das parteiras tradicionais; tradição oral e história oral; raça, resistência, prevenção da violência, promoção de direitos e equidade; mulheres migrantes e arte; transmigração; decolonialidade e antirracismo.

Além das atividades de pesquisa e dos encontros promovidos pelo grupo, o GT desenvolve ações de comunicação científica comunitária por meio do Pod HMM, podcast com publicações bimestrais dedicadas a histórias de vida e trajetórias de mulheres nas ciências, em movimentos sociais e na defesa dos direitos humanos. A iniciativa busca ampliar a visibilidade dessas experiências e contribuir para a construção de um acervo sobre mulheres que atuam em diferentes áreas do conhecimento.

Durante o seminário, serão apresentados projetos desenvolvidos por pesquisadoras do GT. A programação terá início às 9h, com a abertura e apresentação conduzidas por Jacqueline Fiuza da Silva Regis. Em seguida, Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski apresentará a pesquisa "Histórias e Memórias de Mulheres em Nova Andradina/MS". Às 10h, Silvéria Maria dos Santos ministrará a apresentação "Arte de partejar: ofício, ancestralidade e reciprocidade das parteiras tradicionais".

Após um intervalo, às 11h, Julia Lene da Silva Souza apresentará "Elis Regina: resistência na ditadura militar". Na sequência, às 11h30, Carolina Gonçalves Gonzalez abordará o tema "Deambulares Poéticos: patrimônio da UnB entre-linhas, tramas e costuras". O evento será encerrado às 12h com uma roda de conversa entre as participantes.

O seminário é uma atividade de extensão certificada pela Universidade de Brasília (UnB) e é organizado pelo GT Histórias e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade, do CIP/INCT Caleidoscópio, em parceria com o Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS/CEAM/UnB).

Informações importantes

Site do evento: I Seminário online do GT História e Memórias de Mulheres: educação e visibilidade

Data: 18 de agosto de 2026

Horário: 8h50 às 13h (GMT-3)

Formato: Online

Certificação: Universidade de Brasília (UnB)

I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe” abre inscrições para encontro híbrido no dia 28 de maio

I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe” abre inscrições para encontro híbrido no dia 28 de maio

Diálogos desde a produção acadêmica de pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas. Conheça a programação dos encontros e veja como participar!

Estão abertas as inscrições para participação no I Ciclo Internacional de Seminários “Confabulações Críticas em Psicologia África, América Latina e Caribe”, pelo Observatório Caleidoscópio por meio da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal e pela Incubadora Social Feminista Social Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas múltiplas insurgências, em articulação com a Universidade Agostinho Neto e a Universidade Católica de Angola.

Nesta edição, o ciclo tem como eixo temático a promoção de Diálogos desde a Produção Acadêmica de Mulheres Negras: Diálogos África e Diáspora Africana, sob a coordenação das professoras Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN).

O atual Ciclo Internacional de Seminários emerge da construção e consolidação de redes internacionais de pesquisa entre mulheres negras e mulheres de territorialidades fronteiriças nas ciências do Sul Global, articulando universidades, pesquisadoras, experiências territoriais e produção científica entre África, América Latina e Caribe. Os encontros se ancoram em marcos políticos da trajetória de suas lutas, dialogando com datas fundamentais às insurgências de mulheres negras, afrodescendentes e quilombolas: o Dia Internacional da Mulher; o Dia da África; o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha; o Dia Internacional Contra o Tráfico de Mulheres; o Dia Nacional da Consciência Negra; e o Dia Internacional dos Direitos Humanos. 

Nesta direção, a iniciativa resulta de uma cooperação internacional com a Red Internacional de Voces Afrofeministas (RIVAS) e com o Grupo de Trabalho Afrodescendentes Propostas Contrahegemónicas da CLACSO, com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A organização está a cargo do Grupo de Pesquisa Ateliê: psicologias, feminismos e contracolonialidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), em parceria com a Universidade Agostinho Neto (UAN) e a Universidade Católica de Angola (UCAN).

Nacionalmente, articula-se com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Assis (PPGPsico-UNESP), GEM - Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem e com o Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA). 

Fabular criticamente, a partir da provocação que nos faz Saidiya Hartman (2008, 2022), permite forjar composições, rompimentos e tensionamentos, os quais excedem ou mesmo extrapolam e transgridem o cálculo racial que atravessa os arquivos lacunares da produção acadêmica em Psicologia e em campos disciplinares com os quais dialogamos, marcados também por formas de epistemicídio discutidos por Sueli Carneiro (2005).

Como nos lembram bell hooks (2019) e Gonzalez (1988), importa criar espaços onde, como pessoas negras, afrodescendentes e quilombolas, a partir dos feminismos negros e africanos (Oyěwùmí, 2011, 2020), interrogamos o “olhar do Outro” e também “olhamos de volta”, umas para as outras, dando nome ao que vemos, sentimos e pesquisamos, em escritas constituídas pela experiência e pela memória coletiva, em movimentos de escrevivência, tal como nos convida Conceição Evaristo (2020), escapando às narrativas de histórias únicas nas ciências (Correia, 2020; Septien, 2022). 

Situamos o presente ciclo internacional de seminários como uma prática de Confabulação Crítica, ou seja, um trabalho coletivo de fabulação que se dá num arquivo necessariamente lacunar da Psicologia, traçando conexões entre Angola e Brasil, refazendo rotas e percursos de mulheres pesquisadoras numa temporalidade que se esboça a partir de corpos atravessados pela diáspora, exílio, refúgio e por comunidades de destino. 

Com atividades realizadas entre março de 2026 e dezembro de 2026 sob a mediação por Dolores Galindo (UFCG) e Helena Veloso (UAN/UCAN), os encontros reúnem pesquisadoras negras, afrodescendentes e quilombolas de países da África, América Latina e Caribe em torno de debates sobre produção acadêmica de mulheres negras, psicologias, raça, gênero, territorialidades, mudanças climáticas e epistemologias do Sul Global. Ao longo da programação, pesquisadoras de Angola, Brasil, Cuba e Argentina apresentam suas pesquisas sobre psicologias, mudanças climáticas, migrações, políticas públicas, cuidado comunitário, linguagens, territorialidades quilombolas e disputas epistemológicas, fortalecendo redes de cooperação científica entre África, América Latina e Caribe.

Esta ação é vinculada aos projetos de pesquisa “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência nas universidades e produção de subjetividades” (Edital Universal 10/2023; Auxílio: 2751/2025) e “Mulheres Quilombolas na Pós-Graduação em Psicologia: uma agenda em construção” (Bolsa de Produtividade em Pesquisa CNPq).

Veja como participar

Os encontros acontecem em formato híbrido com transmissões entre Brasil e Angola pelo canal do INCT Caleidoscópio no YouTube, para ampliar a participação de pesquisadoras/es de diferentes países africanos e latino-americanos, fortalecendo as redes de cooperação Sul-Sul e ampliando a circulação transnacional do conhecimento.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário disponível neste link, também presente na bio do nosso perfil do Instagram @INCTCaleidoscopio.

A certificação será emitida pela Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal do INCT Caleidoscópio, sede Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para participantes com frequência mínima de 75% nas atividades do ciclo.

Conheça o cronograma datas, temas e participantes

SEMINÁRIO I

Com tema “Nós em Rede” Produção Acadêmica de Mulheres Negras na Última Década: Diálogos África e Diáspora Africana (Angola, Brasil e Cuba), o primeiro seminário ocorreu no dia 09 de março de 2026, em formato híbrido, às 8 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 12 horas (Horário de Luanda, Angola).

O encontro contou com a participação de:

Elsa Barber, de Angola Business School, em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, e Gabinete da Vice-Presidência da República (GVPR), Angola.
- Políticas públicas de gênero em Angola.

Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), Brasil.
- Políticas públicas de gênero, raça e territorialidade na pós-graduação em universidades brasileiras.

Profa. Dra. Rosa Campoalegre Septien, do Programa Universitario de Investigación sobre Afrodescendencias y América Latina da Universidad Nacional Autónoma de México (PUIC-UNAM), Cuba.
- Coordenação do Grupo de Trabalho Afrodescendentes: Propostas Contra-hegemônicas.

Profa. Me. Luciene Tavares, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Território Quilombola de Caianas, Brasil.
- Mulheres quilombolas nas universidades e territórios.

Coordenação/Mediação: Prof. Me. Karma Richard e Prof. Me. Paulino Gonga.

SEMINÁRIO II

Com o tema Psicologias, migrações e mudanças climáticas: experiências de mulheres negras no Sul Global, o segundo seminário será realizado no dia 28 de maio de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

O encontro conta com a participação de:

Profa. Dra. Catarina Nunda, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Mestrado em Psicologia Social, Angola.
- Migração interna feminina: mulheres (i)migrantes do Planalto Central em Luanda.

Profa. Dra. Juliene Pereira dos Santos, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Brasil.
- Territorialidades específicas no Alto Rio Trombetas: modos de vida quilombolas em conflito com grandes projetos.

Profa. Dra. Rebeca Kelly Gomes da Silva, Faculdade de Medicina de Taubaté (FMT), Brasil.
- A escrevivência como política de cuidado e autorrecuperação de mulheres negras.

Profa. Dra. Maria da Graça Silveira Gomes da Costa, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil.
- Perspectivas de justiça climática a partir das experiências de feminismos afroindígenas latino-americanos.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN). 

SEMINÁRIO III 

Produção acadêmica de mulheres negras: disputas epistemológicas e legitimidade do conhecimento é o tema do terceiro seminário do ciclo, que será realizado no dia 30 de julho de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Compõem a mesa:

Profa. Dra. Anny Ocoró Loango, da Universidad Nacional de Tres de Febrero e Posgrado da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Argentina.
- Produção acadêmica de mulheres negras.

Tamille dos Santos Ferreira, do Território Quilombola de Lagoa Grande, Feira de Santana-BA, Brasil. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da População Negra e Indígena da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGSPNI/UFRB), Brasil.
- Epistemologias ancestrais em saúde.

Profa. Dra. Candida Soares da Costa, integrante do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE/UFMT), Brasil.
- Relações raciais, educação escolar quilombola, memórias e narrativas.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO IV 

Linguagem, Psicologias e contracolonialidades entre África e Brasil é o tema do quarto encontro. Com realização no dia 24 de setembro de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil) e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Mestra Ana Bela Loureiro, da Universidade Nova de Lisboa - UNL, e da Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.
- Mulher e língua na construção da identidade cultural.

Profa. Dra. Jaileila de Araújo Menezes, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil.
- Psicologia e epistemologias contracoloniais.

Mestra Charlene Costa, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e da Comunidade Quilombola Macanudos/RS, Brasil.
- PsicoQUILOMBOlogia como metodologia de cuidado e acolhimento bioancestral afroreferenciado.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO V 

Com o tema Psicologias, políticas públicas e práticas comunitárias de cuidado entre mulheres negras e quilombolas, o quinto seminário será realizado no dia 26 de novembro de 2026, em formato híbrido, às 09 horas (Horário de Brasília, Brasil), e às 13 horas (Horário de Luanda, Angola).

Profa. Dra. Adelina Nascimento, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais ( FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Mestrado em Psicologia Social, Angola.
- Educação como valor de participação social para o desenvolvimento comunitário no bairro Bem Vindo.

Mestra Ronilda Bordó de Freitas, da Universidade Federal do Pará (UFPA), Brasil.
- Saberes, corpos-territórios e memórias de uma comunidade quilombola.

Profa. Dra. Diônvera Coelho da Silva, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Brasil.
- Contribuições de mulheres negras para a formação em Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

SEMINÁRIO VI 

Psicologias, Infâncias Negras, Linguagens e Políticas de Escrita: contribuições de mulheres negras entre Angola e Brasil será o tema do quarto encontro. Realizado em formato híbrido no dia 03 de dezembro de 2026 às 09 horas (horário de Brasília, Brasil).

Este encontro conta com a participação de:

Profa. Dra. Jeanine da Silveira, da Universidade Católica de Angola (UCAN), Angola.
- A toponímia de Luanda contemporânea.

Profa. Dra. Luiza Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Brasil.
- Infâncias negras pelas mãos de Virgínia Bicudo e Conceição Evaristo.

Mestra Luane Pereira Souza Macedo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e da Comunidade Quilombola Negros do Talhado, Brasil.
- Zaire é um velho menino: fabulações quilombistas sobre possibilidades de vida e desencarceramento de adolescentes negros no sistema socioeducativo.

Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PROFHISTÓRIA/UFRRJ) e Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva da Fundação Oswaldo Cruz (PPGBIOS/FIOCRUZ), Brasil.
- Psicologia social, relações étnico-raciais e produção de conhecimento.

Coordenação/Mediação: Profa. Dra. Dolores Galindo, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (PPGPSI/UFCG), e Profa. Dra. Helena Veloso, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN), com Doutoramento em Ciências Sociais, Mestrado em Psicologia Social e Coordenadora da Pós-Graduação em Consulta Psicológica da Universidade Católica de Angola (UCAN).

Seminário nacional reúne indígenas pesquisadoras de todos os biomas do Brasil na UnB

Seminário nacional reúne indígenas pesquisadoras de todos os biomas do Brasil na UnB

Publicado pelo Ministério dos Povos Indígenas - Acesso à matéria

Data de publicação: 10/12/2025.

Eloy Terena, secretário executivo do MPI participa da mesa de abertura do evento organizado pelo INCT Caleidoscópio

O Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) é a sede, de 10 a 12 de dezembro, do 1º Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras. O evento é organizado pelo Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências (INCT) Caleidoscópio em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga).

A programação conta com sete mesas redondas que debatem temas como Mulheres, Justiça, Ciência, Educação, Resistência, Saúde e Linguagem. A participação inclui pesquisadoras indígenas de todos os biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa. Uma mesa de encerramento será dedicada à avaliação da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, por participantes indígenas da conferência climática.

Compondo a mesa de abertura estiveram presentes: a secretária de Direitos Humanos da UnB, Cláudia Regina Renault; a diretora de Proteção de Direitos do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Terlúcia Silva; a diretora executiva e cofundadora da Anmiga, Josileia Kaingang; a representante da comissão organizadora do seminário, Simone Terena; e a coordenadora do INCT Caleidoscópio, professora Viviane Rezende. O secretário executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, também integrou a mesa.

Em meio a um dia de tensão política após a aprovação da PEC do Marco Temporal no Senado e o julgamento do tema no STF, o secretário executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, compareceu ao evento, na quarta-feira (10), e delineou a contribuição da nova intelectualidade indígena em três dimensões interligadas: a conquista política do acesso à universidade, o caráter coletivo dessa trajetória e o compromisso de colocar o conhecimento a serviço da defesa dos territórios.

A primeira dimensão, destacou, é reconhecer o acesso à educação superior como uma conquista política recente e duramente disputada. "Boa parte de nós somos indígenas que tivemos acesso a cotas, ao ProUni, à bolsa de permanência", afirmou, lembrando que sua geração pioneira enfrentou o racismo em instituições que não foram feitas para eles. "Tudo isso que tem hoje foi resultado de muita luta", ressaltou, alertando para a necessidade de defender essas políticas contra retrocessos.

O segundo pilar é entender essa trajetória não como individual, mas como fruto de um esforço coletivo e de um projeto maior eleito por nossos caciques. Ele explicou que, após a Constituinte de 1988, as lideranças indígenas identificaram a necessidade estratégica de formar seus próprios advogados, antropólogos e engenheiros. "Nós não caímos aqui. Nós somos resultados desse esforço coletivo", disse, conectando a luta atual à herança das lideranças que lutaram "sem a caneta na mão".

A terceira e central dimensão, elaborada a partir de sua própria trajetória acadêmica, é o compromisso político do conhecimento produzido. Eloy Terena, que é advogado e doutor em Antropologia pelo Museu Nacional com pós-doutorado na França, criticou os dogmas clássicos da disciplina. "Nós, indígenas, não vamos a campo no sentido tradicional. Nosso caminho é inverso: a gente já tem o conhecimento tradicional", argumentou, defendendo uma epistemologia que contraste os saberes originários com a ciência ocidental.

Concluindo, lançou um questionamento direto ao público: "Se nossos caciques conquistaram tantos direitos sem a caneta na mão, por que nós, com nossos diplomas e escritos, vamos abaixar a cabeça para quem quer pisar em nossos direitos?". O secretário reafirmou o apoio do ministério às pesquisadoras e ao evento, que ocorre em um momento crítico de definições sobre os direitos territoriais indígenas no país.

MEC

Rosilene Tuxá, diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena do Ministério da Educação (MEC), afirmou que a academia ainda é um espaço com pensamento racista em relação aos povos indígenas. "Quando nós entramos neste espaço, inclusive na pós-graduação, a gente enxerga muito claramente esses enfrentamentos", disse. Ela defendeu que a sistematização do conhecimento escrito ainda é um lugar muito novo e muito contemporâneo para povos de tradição oral.

A diretora, que é egressa da primeira licenciatura intercultural indígena do Brasil, traçou um histórico da luta por uma escola indígena específica. "Antes da Constituição de 1988, nós não tínhamos escola", afirmou, explicando que as tentativas anteriores falharam por não serem pensadas a partir das epistemologias indígenas. Com a Carta, a responsabilidade foi transferida da Funai para o MEC, que assumiu o desafio de ofertar educação básica e formar professores simultaneamente. "Nós conseguimos avançar na alfabetização, mas não no ensino médio. Ainda temos muitos territórios sem escolas de ensino médio", destacou.

A diretora enfatizou que a conquista crucial pós-Constituição foi os indígenas assumirem as suas escolas e a alfabetização nas línguas nativas. Por fim, a diretora ilustrou os desafios da pesquisa indígena com sua própria trajetória acadêmica. Seu trabalho de graduação estudou o impacto de uma barragem que submergiu o território original de seu povo, tornando a pesquisa sobre um lugar físico inexistente um grande desafio. Seu doutorado, por sua vez, teve de ser reformulado durante a pandemia, passando a investigar como a educação comunitária indígena consegue manter sua epistemologia própria dentro das orientações nacionais, pensando os sujeitos na relação com o sagrado e com o território.

Ministério das Mulheres

Terlúcia Maria da Silva, diretora de Proteção de Direitos do Ministério das Mulheres, iniciou sua fala com um minuto de silêncio pelas vítimas de feminicídio e alertou sobre a gravidade da violência de gênero no país. "Estamos vivendo um momento muito difícil. O que tem acontecido nos últimos dias no Brasil tem mexido com a gente de uma forma muito diferente", afirmou.

Representando a secretária executiva Eutália Barbosa, ela saudou o momento histórico do primeiro Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras. "É um encontro de indígenas pesquisadoras e não de pesquisadoras indígenas. Para mim isso é tão afirmativo", disse, ressaltando a importância da identidade no processo científico. Ela relacionou a luta das mulheres indígenas à das mulheres negras, lembrando uma irmandade construída desde a Conferência Nacional de Mulheres de 2007.

A diretora afirmou que o Ministério das Mulheres tem portas abertas para parcerias e citou ações em conjunto com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga). "A gente está no processo de elaboração do primeiro plano nacional de política para mulheres indígenas", revelou. Ela também mencionou a criação de um observatório para monitorar territórios específicos e a atenção do ministério a demandas locais, como as das mulheres Pataxó no sul da Bahia.

ANMIGA

Jozileia Kaingang, cofundadora da Articulação Nacional das Mulheres Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), destacou uma pesquisa pioneira sobre violência contra mulheres indígenas como um resultado direto da atuação política do movimento. Ela revelou que o estudo foi realizado em parceria com o Ministério das Mulheres e pesquisadoras da UnB, com financiamento ministerial, e os resultados foram apresentados na 4ª Marcha das Mulheres Indígenas. "A Anmiga nasce a partir desse incômodo que nós temos da violência sobre os nossos corpos, do racismo, das agressões e das intrusões no nosso território", afirmou, acrescentando que a iniciativa é uma forma de dizer: "Nós somos capazes, sim".

Ao defender o lugar das mulheres indígenas na produção científica, Kaingang fez um resgate histórico, afirmando que a educação chegou ao Brasil para os povos indígenas através dos missionários, com o objetivo assimilacionista de “transformar os povos indígenas em gente”, porque não eram vistos assim. Ela ressaltou que a virada ocorreu com a Constituição Federal de 1988, que, além dos artigos 231 e 232, também garantiu no artigo 210 o direito à educação diferenciada para os povos originários.

"É importante a gente referenciar que a Constituição Federal também falou sobre a educação dos povos indígenas", declarou, situando este marco como a base para as políticas afirmativas dos anos 2000 que permitiram o ingresso massivo nas universidades.

Por fim, a liderança conectou o protagonismo acadêmico contemporâneo ao papel histórico das mulheres como transmissoras do conhecimento tradicional dentro das comunidades. "Historicamente, nós, mulheres indígenas, temos essa responsabilidade. E várias sociedades dos povos indígenas é assim", disse, definindo essa prática ancestral como um "sinônimo de resistência" e uma "ferramenta de luta" que agora se expande para o campo científico.

IV Seminário de Pesquisas do Observatório Caleidoscópio apresenta um olhar interseccional que envolve gênero, raça/etnia, sexualidade e idade

IV Seminário de Pesquisas do Observatório Caleidoscópio apresenta um olhar interseccional que envolve gênero, raça/etnia, sexualidade e idade

Na segunda-feira, dia 23 de março de 2025, às 14h, o Observatório Caleidoscópio – Nucleação Sul-Sudeste dará início à quarta edição do Seminário do Observatório Caleidoscópio.

O projeto tem como objetivo ser um espaço de divulgação científica e discussão sobre pesquisas que envolvam as temáticas desenvolvidas pelo INCT Caleidoscópio. Entre elas estão as trajetórias e os indicadores da presença das mulheres e suas múltiplas interseccionalidades na ciência, na carreira docente e na gestão das instituições de ensino. Questões como acesso, permanência, ações afirmativas e enfrentamento às violências de gênero nas universidades e nas carreiras também fazem parte do escopo do trabalho do INCT.

No primeiro encontro deste ano, as pesquisadoras convidadas irão apresentar um olhar interseccional que envolve gênero, raça/etnia, sexualidade e idade. Flávia Belmont de Oliveira, da UnB, irá abordar a subnotificação e visibilidade indígena nos registros do Disque 100 – Módulo LGBT (2011-2025). Em seguida, Gedalva de Souza, da Unicamp, irá apresentar a pesquisa “A Ciência do Envelhecimento sob lente interseccional: invisibilidades no fomento à CT&I”.

Os encontros são mensais e on-line e continuam acontecendo em dias de semana alternados, das 14h às 16h. Neste semestre, as datas do Seminário são as seguintes: 23 de março (segunda-feira), 28 de abril (terça-feira), 27 de maio (quarta-feira) e 25 de junho (quinta-feira). A programação completa pode ser acessada aqui.

A participação é aberta a todas as pessoas interessadas. As inscrições são gratuitas pelo link. Para facilitar a emissão de certificados, recomenda-se que a inscrição seja feita pelo ID UFSC (caso não tenha cadastro no ID UFSC, recomendamos realizá-lo). Outra opção é inscrever-se através da plataforma gov.br. Participantes que realizarem a inscrição no link terão direito ao certificado de participação em Projeto de Extensão pela UFSC.

Espaço de divulgação científica e diálogo sobre pesquisas

O Seminário do Observatório Caleidoscópio é uma proposta de divulgação científica onde pesquisadoras/es que trabalham com as duas principais linhas de investigação do INCT Caleidoscópio são convidadas a apresentar suas pesquisas e, posteriormente, abre-se espaço para o diálogo.

A primeira linha, que representa a Nucleação 1 do Observatório Sul-Sudeste, contempla pesquisas sobre indicadores de gênero e interseccionalidades na ciência, trajetórias de cientistas e desigualdades diversas nos diversos campos da ciência.

A segunda linha, da Nucleação 2, aborda pesquisas sobre políticas, mecanismos e estratégias de enfrentamento das desigualdades de gênero e interseccionalidades nas instituições de ensino superior, contemplando também o enfrentamento aos assédios, violências e outras opressões no âmbito universitário.

Outra forma de acompanhar as apresentações do Seminário, é pelo Youtube. Após cada edição, o vídeo das pesquisadoras é colocado no canal do INCT Caleidoscópio para que todas as pessoas interessadas possam acessar.

Confira os vídeos das apresentações das edições anteriores do Seminário do Observatório aqui.

Também são publicadas matérias sobre as pesquisas aqui no site do Observatório e divulgado trecho da apresentação no nosso perfil do Instagram

Confira a programação do semestre

23/03/2026 (segunda-feira)

14h – “Subnotificação e visibilidade indígena nos registros do Disque 100 – Módulo LGBT (2011-2025)” – Flávia Belmont de Oliveira (UnB)

15h – “A Ciência do Envelhecimento sob Lente Interseccional: Invisibilidades no Fomento à CT&I” – Gedalva de Souza (Unicamp)

28/04/2026 (terça-feira)

14h – “Perspectivas feministas sobre mudanças climáticas e transição energética” – Lígia Amoroso Galbiati (Climares (Fapesp/IFCH/Unicamp/IEI-Brasil)

15h – “A difícil presença de mulheres nas engenharias em Campina Grande, memória e trajetória de pesquisa” – Rosilene Dias Montenegro (UFCG)

27/05/2026 (quarta-feira)

14h – “Trajetórias formativas de mulheres negras quilombolas e produção de tecnologias sociais de pertencimento” – Zizele Ferreira – Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal | INCT Caleidoscópio (UFCG)

15h – “Mulheres que somam: interseccionalidade e educação em STEM para mulheres e meninas no Paraná” – Luciana Rosar Fornazari Klanovicz – Unicentro/PR

25/06/2026 (quinta-feira)

14h – “Mulheres, exclusão e violência política: os desafios de 2026” – Marlise Matos – Universidade de Minas Gerais (UFMG)

15h – “A revista Cadernos de Gênero e Tecnologia, uma trajetória de produção e divulgação em gênero e ciências no Brasil” – Nanci Stancki da Luz (UTFPR)