ILGA LAC agora conta com a Rede Arandu nas pautas de reivindicações e experiências de indígenas LGBTQIA+ em circuitos internacionais

ILGA LAC agora conta com a Rede Arandu nas pautas de reivindicações e experiências de indígenas LGBTQIA+ em circuitos internacionais

Escrito por: Flávia Belmont

Para a Rede Arandu, a adesão à International Gay and Lesbian Association – América Latina e Caribe (ILGA-LAC) [em português: Associação Internacional Gay e Lésbica] representa um avanço significativo na expansão de nossas conexões internacionais, no esforço de consolidação de redes de pesquisa, advocacy e geração, e disseminação de conhecimento em perspectiva indígena sobre diversidade sexual e de gênero.

A membresia na ILGA-LAC garante à Rede Arandu presença em espaços de deliberação política, como assembleias regionais, onde organizações membros contribuem para a definição de prioridades e estratégias da rede. Também possibilita acesso a dados, relatórios e diagnósticos regionais amplamente utilizados em ações de incidência junto a organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o sistema das Nações Unidas.

Um dos objetivos desta participação é viabilizar a integração da Rede Arandu em campanhas e posicionamentos coletivos, o que traz visibilidade para demandas locais em escala regional internacional e facilita o angariamento de recursos para ampliação do alcance e impacto da Rede. Organizações filiadas podem, por exemplo, concorrer a editais e fundos de apoio institucional, além de participar de grupos de trabalho temáticos.

Para a Rede Arandu, entrar na ILGA-LAC abre espaço para inserir as experiências e reivindicações de indígenas LGBTQIA+ em circuitos internacionais de produção de conhecimento e advocacy, contribuindo para tensionar agendas ainda marcadas por perspectivas urbanas e não indígenas.

Veja também: Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

De acordo com Flávia Belmont, pesquisadora e ativista integrante da Rede Arandu, a participação na rede amplia as possibilidades de intercâmbio e conhecimento de diferentes contextos da região, em se tratando de gênero e sexualidade sob perspectiva indígena, e também fortalece networking e estratégias locais e transnacionais.

Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

Nós Somos – Tybyras do Brasil: Rede Arandu lança podcast sobre trajetórias políticas de indígenas LGBTQIAPN+

"Nós Somos - Tybyras do Brasil" é um programa que traz trajetórias políticas e ecoa vozes que estão na luta pela existência múltipla dos corpos indígenas LGBTQIAPN+.

"Nós somos.

Assim começa o Manifesto Indígena LGBTQIAP+, lançado em 2024. Uma afirmação, um coletivo, um verbo. Desde então, temos nos aproximado de pessoas e coletivos que desobedecem os sentidos coloniais sobre corpo, gênero e desejo. Seguimos para escutar múltiplos corpos-território, cada qual com seu modo de existir, lutar e reinventar o mundo.

Este é o podcast da Rede Arandu, um momento para escutar com calma e compartilhar caminhos com pessoas indígenas, e refletir sobre gênero e sexualidade. Aqui, conversamos sobre histórias, lutas e modos de existir que resistem a mais de 500 anos de violência."

E assim começa o episódio de abertura da primeira temporada do podcast "Nós Somos - Tybyras do Brasil", uma iniciativa da Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

Com narração de Ramona Jucá, o primeiro episódio apresenta os fundamentos da série e seu posicionamento político: constituir um espaço de escuta, encontro e circulação de saberes sobre gênero, sexualidade e existência indígena, a partir das vozes de pessoas indígenas LGBTQIAPN+. Entre território, corpo e ancestralidade, é construído o ponto de partida de uma série que nasce do diálogo entre pesquisa, ativismo e vida.

O programa é composto por uma série de entrevistas gravadas com participantes do Acampamento Terra Livre, presentes no ano de 2025. A cada episódio é evidenciado trajetórias políticas, disputas por direitos e a afirmação de múltiplas formas de existência. Ao dar visibilidade a essas vozes, o podcast contribui para o fortalecimento de agendas públicas comprometidas com a diversidade, a justiça social e os direitos dos povos indígenas.

"Aqui, você vai entender o que é a Rede Arandu e como ela atua; de onde surge este podcast e quais caminhos ele percorre; porque escutar vozes indígenas LGBTQIAPN+ é urgente hoje. Este é um episódio-manifesto. Um começo que apresenta, convoca e abre caminhos.", diz Ramona em sua narração de abertura.

A iniciativa integra as ações da Rede Arandu, vinculada à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, que articula pesquisa, políticas públicas e movimentos sociais, com enfoque nas interseccionalidades de gênero, sexualidade, raça e etnia.

"O que fazemos é aproximar Estado, universidade e movimentos sociais para fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Nosso trabalho se apoia numa perspectiva interseccional, olhando com cuidado para as vivências e diversidades de gênero e sexualidade.", complementa Ramona em seu discurso.

O programa conta com oito episódios e está disponível nas plataformas de streaming Spotify e YouTube. Ouça o primeiro episódio pelo link abaixo!

Ouça a série completa pelo clicando aqui.

Acompanhe as redes sociais do INCT Caleidoscópio para mais conteúdos sobre diversidade, educação e saberes tradicionais realizados pela rede Arandu.

Coletivo Tybyra em parceria com Rede Arandu lança cartilha de (in)formação do Movimento Indígena no Acampamento Terra Livre 2026

Coletivo Tybyra em parceria com Rede Arandu lança cartilha de (in)formação do Movimento Indígena no Acampamento Terra Livre 2026

A fim de abordar o que nunca te contaram sobre a luta e a resistência pelos direitos dos povos indígenas, a cartilha intitulada "Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado!" contribui com formação, informação e diálogo dentro do Movimento Indígena, trazendo reflexões sobre a importância de reconhecer e respeitar as existências indígenas LGBTQIA+ como parte legítima dos povos, territórios e processos de organização.

A cartilha foi lançada durante o Acampamento Terra Livre 2026, a maior mobilização indígena do Brasil, que ocorreu entre os dias 5 e 11 de abril, em Brasília (DF). Em sua 22ª edição, a mais ampla assembleia indígena do país teve como tema "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós". A temática traz à tona a luta para garantir os direitos territoriais frente à ganância das grandes empresas, que insistem em invadir e explorar as últimas fronteiras da natureza preservada no mundo. Isso sem consultá-los e consultá-las, sem retribuir e sem respeitar a soberania dos povos.

Deste modo, o debate esteve centrado em demarcação e a proteção de Terras Indígenas; nos ataques do Congresso Nacional aos direitos indígenas e as Eleições Gerais de 2026; na luta pelo aldeamento da política, conectando mobilização territorial e participação institucional; entre outras atividades, encontros e trocas.

A Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, integrante do Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, participou da mobilização no âmbito da agenda “Territórios Indígenas LGBTQIA+, mapeamento de coletivos e existências diversas”. A rede também esteve presente na reunião interministerial com coletivos indígenas LGBTQIA+, contribuindo para a escuta qualificada, a articulação institucional e a sistematização de demandas dos territórios junto a ministérios.

E colaborou no lançamento da pesquisa “Territórios Indígenas LGBTQIA+”, com apoio do Coletivo Tybyra, iniciativa voltada ao mapeamento de coletivos, organizações e existências diversas, fortalecendo a produção de conhecimento a partir dos territórios.

Nesta seara, as atividades reforçam a centralidade das vozes indígenas LGBTQIA+ na construção de políticas públicas e na articulação em rede, evidenciando a importância de reconhecer a diversidade de corpos, identidades e experiências indígenas.

Ao longo da programação, a Rede Arandu seguiu contribuindo com outras atividades, fortalecendo a incidência política em torno das desigualdades interseccionais de gênero, sexualidade e raça.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, Coletivo Tybyra
Foto: Arquivo Rede Arandu no ATL 2026.

Sobre a cartilha Coletivo Tybyra

A cartilha foi distribuída ao longo dos dias de evento no Acampamento Tera Livre. E está disponível em versão digital e impressa nos links abaixo para livre circulação!

Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado! - versão digital

Coletivo Tybyra: Território demarcado, corpo respeitado! - versão para impressão

No material informativo e formativo, você poderá ler sobre quem foi Tybyra; sobre o Coletivo Tybyra; sobre a importância da luta indígena LGBTQIAPN+; sobre quais são as bandeiras de luta; sobre as ações e conquistas do coletivo; e explicação de como essa luta é de todos e todas os(as) parentes ao justificar que direitos das pessoas indígenas LGBTQIA+ não é uma pauta secundária ou fragmentada da luta indígena; e, por fim, orintações descritivas de como fortalecer a caminhada e dados de contatos.

A apresentação da cartilha destaca:

Olá parente, hoje viemos aqui abordar o que nunca te contaram sobre a luta e a resistência pelos direitos dos povos indígenas. Essa cartilha nasce para fortalecer o diálogo dentro do Movimento Indígena brasileiro e também junto aos movimentos e organizações LGBTQIA+ no Brasil.

Além disso, este material tem como objetivo contribuir com a formação, a informação e o diálogo dentro do Movimento Indígena, trazendo reflexões sobre a importância de reconhecer e respeitar as existências indígenas LGBTQIA+ como parte legítima de nossos povos, territórios e processos de organização. Não se trata de criar divisões, mas de fortalecer a unidade do Movimento Indígena a partir do reconhecimento das realidades que atravessam nossos corpos e nossas comunidades.

A existência indígena LGBTQIA+ não é algo recente ou externo às nossas culturas. Ela é ancestral e sempre esteve presente em diferentes povos, mesmo que muitas vezes tenha sido invisibilizada pelos impactos do colonialismo, da imposição de moralidades e das violências estruturais que seguem atuando até hoje. Reconhecer essa diversidade é também reconhecer a história viva de nossos povos.

Entendemos que este processo de aprendizado é algo contínuo, pois advém de um contexto histórico de violência e violações de direitos aos povos indígenas, dessa forma, nos fortalecermos é fundamental para que possamos prevenir violências, promoção do respeito mútuo e da construção de espaços mais seguros para todos os parentes.

Ao compartilhar informações, experiências e reflexões, buscamos fortalecer a organização coletiva e ampliar a compreensão de que a defesa da vida indígena passa pelo reconhecimento da pluralidade de identidades existentes em nossos territórios. Seguimos firmes na luta por direitos, território, dignidade e Bem Viver para todos os povos indígenas.

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Rede Arandu realiza grupos de apoio psicossocial com o Coletivo Miriãmahsã em Manaus (AM) em parceria com a OIM

Rede Arandu realiza grupos de apoio psicossocial com o Coletivo Miriãmahsã em Manaus (AM) em parceria com a OIM

Escrito por: Júlia Machado Dias, Deborah Gonçalves Martins, Thaís Desana

Entre os dias 17 e 19 de abril de 2026, foram realizadas atividades com membros do Coletivo Indígena LGBTQIA+ Miriãmahsã. O objetivo da atividade era dialogar a respeito da saúde mental e promoção do bem viver, entendendo mais de perto as vivências na cidade de Manaus, os desafios no acesso à direitos e políticas públicas, além das estratégias de fortalecimento mútuo.

Realizadas no Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, chamou atenção a participação constante de Durvalino Desana. Especialista em cura do Alto Rio Negro e kumu no Centro, ele é também pai de Thais Desana, uma das fundadoras do Coletivo. Um dos incentivadores da formação do coletivo, “seu” Durvalino ouviu atentamente as falas e se mostrou um forte apoiador, que estimula ainda o crescimento e continuidade do Miriãmahsã.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, Coletivo Miriãmahsã
Foto: Arquivo Rede Arandu.

As ações foram realizadas em parceria com a OIM - Agência das Nações Unidas para a Migração, através do projeto MPTF que visa proteger e promover os direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas na Amazônia Legal brasileira. Implementada por várias agências da ONU em parceria com instituições governamentais e organizações indígenas, o foco principal é garantir direitos básicos por meio de ações integradas. O projeto também fortalece a participação das comunidades indígenas e trabalha em colaboração com autoridades locais para definir áreas prioritárias de atuação.

Foram momentos muito bonitos e sensíveis, em que arte apareceu como ferramenta de apoio para abordar temas sensíveis de luto e violências. Ao mesmo tempo em que o racismo e a LGBTQIA+fobia marcam as vivências na capital do Amazonas, a existência do coletivo fortalece a todes que o constroem. Nesse sentido, os encontros são momentos de sonhar e construir futuros melhores para si e para seus povos, de pintar e ser pintado de jenipapo com grafismos indígenas, de rir e se divertirem juntes.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, Coletivo Miriãmahsã
Foto: Arquivo Rede Arandu.
Rede Arandu participa do lançamento de pesquisa inédita sobre os custos econômicos da exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho no Brasil

Rede Arandu participa do lançamento de pesquisa inédita sobre os custos econômicos da exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho no Brasil

Escrito por: Júlia Machado Dias.

No dia 29 de abril de 2026, teve lugar no auditório Celso Furtado do Ministério da Gestão e Inovação uma pesquisa que quantifica as perdas que o Brasil tem com a exclusão de pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho. Organizada pelo Banco Mundial em conjunto com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), a pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto Matizes em parceria com diversas organizações da sociedade civil, que apoiaram na coleta de dados com suas bases.

Foram comparados dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE: pessoas com idade, gênero e escolaridade similares, com diferença quanto à orientação sexual, identidade e expressão de gênero e características sexuais. De acordo com a pesquisa, o Brasil perde anualmente 94,4 bilhões (que corresponde a 0,8% do PIB) devido à salários mais baixos, desemprego, inatividade e informalidade.

INCT Caleidoscópio, Rede Arandu, LGBTQIA+
Imagem/arquivos Rede Arandu.

Ao mesmo tempo que demonstra a importância da coleta e mapeamento de dados referentes à população LGBTQIA+, fica evidente como o governo brasileiro precisa avançar nessa coleta, realizada majoritariamente por organizações da sociedade civil interessadas em destacar elementos das vivências dessa população no país.

Durante o lançamento da publicação, foi destacado o aumento recente na geração de empregos formais no país. Nesse sentido, a exclusão LGBTQIA+ no mercado de trabalho está atrelada à existência de desafios estruturais persistentes como a informalidade, desigualdade de renda e subutilização de capital humano a partir de gênero, sexualidade, raça, território e acesso à educação formal. A título de exemplo, enquanto a taxa nacional de desemprego é de 7,7%, a taxa entre indivíduos LGBTQIA+ foi estimada em 15,2%, quase o dobro. Essa taxa é especialmente alta entre pessoas que relataram níveis mais elevados de discriminação e estima no local de trabalho, relatadas com mais frequência por pessoas transexuais, não binárias e intersexo.

Foram apontados como caminhos para a mudança: reforçar proteções sociais que já existem, ampliar o acesso a empregos de qualidade, mobilizar empresas do setor privado e corrigir a lacuna de dados permanentemente.

A pesquisa contou com dados de indígenas LGBTQIA+, que representaram 4% do universo total. Entretanto, não foram destacadas especificidades referentes a critérios étnico-raciais.

Para acessar a publicação, acesse o site: https://custodaexclusaolgbti.com.br/